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Álcool e o Alcoolismo Os efeitos no Sistema Digestivo

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a recuperação é rápida e 
total, mas nos casos de grandes exposições 
crônicas observamos alterações na 
microcirculação, produção de prostaglandinas e 
dano estrutural irreversível. 
o O etanol interfere na função da musculatura 
digestiva, podendo alterar o trânsito pelo estômago 
e intestino delgado. Os efeitos dependerão em 
parte da quantidade ingerida e da presença de 
alimentos. 
o As bebidas com maiores concentrações tendem a 
inibir a motilidade gástrica e retardar seu 
esvaziamento. Isso aumenta a ação bacteriana 
sobre o alimento, resultando em plenitude e 
desconforto abdominal. 
 
Intestino Delgado 
↣ O etanol pode interferir na absorção de diversos 
nutrientes, embora o próprio seja rapidamente absorvido 
no jejuno. 
 
 
 
 
 
 
↣ Nos usuários crônicos os danos são mais marcantes, 
particularmente no duodeno, e a taxa de etilistas com má 
absorção varia de 18 a 76%, o que juntamente com as 
repercussões em outros órgãos irá definir o grau de 
comprometimento nutricional. 
↣ Também nota-se redução na absorção de tiamina, 
ácido fólico e B12 (em menores proporções). 
↣ Associadas a dietas insuficientes, próprias do etilismo 
crônico, todas as deficiências se tornarão mais 
marcantes, com diferentes manifestações clínicas. 
↣ O etanol também interfere na ação de várias enzimas 
intestinais, essenciais para seu bom funcionamento. Uma 
dessas enzimas é a lactase, que muitas vezes já se 
encontra geneticamente baixa em diferentes populações, 
agravando ou originando uma intolerância a leite e 
derivados. 
↣ Por causar lesões na mucosa duodenal (pela liberação 
de citocinas, histamina e leucotrienos), mesmo ingestões 
agudas em indivíduos saudáveis podem apresentar 
erosões e até sangramentos. 
↣ As lesões podem se estender aos vilos intestinais, 
facilitando a penetração de moléculas, como endotoxinas 
bacterianas, interleucinas e fator de necrose tumoral 
(TNF) na corrente sanguínea e linfática. Tais 
substâncias podem contribuir para o desenvolvimento 
das lesões hepáticas em etilistas. 
o Foi observado um sobrecrescimento de certas 
bactérias produtoras de endotoxinas no 
intestino delgado de etilistas. Associada ao 
Estudos demonstraram que a ingestão aguda 
excessiva interfere na absorção de água, sódio, 
glicose e certos aminoácidos e ácidos graxos em 
etilistas ou não etilistas 
https://app2.unasus.gov.br/UNASUSPlayer3/recursos/UFMS_0001_DOENCAS_AP_DIGESTIVO/2/u1a3.html
Nathalia de Tarso 
aumento de permeabilidade da mucosa, essa 
condição aumenta a exposição sistêmica às 
endotoxinas e ao risco de lesões hepáticas. 
 
Etanol e câncer 
↣ O etanol exerce um papel significativo no 
desenvolvimento de certos tumores, principalmente 
agindo como um facilitador da ação de agentes 
carcinogênicos (co-carcinogênico). 
↣ O abuso de etanol, assim como do tabaco, está 
associado com o desenvolvimento de tumores de língua, 
laringe e faringe (BODE e BODE, 1997). 
↣ Estudos epidemiológicos demonstram uma forte 
associação entre o consumo de etanol, particularmente 
de destilados e o câncer de esôfago. 
↣ Após um ajuste para o hábito de fumar, foi definido um 
risco dez vezes mais elevado em bebedores de cerveja e 
25 vezes nos bebedores de destilados, considerando a 
mesma quantidade de etanol consumida, em comparação 
com consumidores de menos de 30g (duas doses) ao dia. 
 
 
 
 
↣ Grandes etilistas também elevam seu risco de câncer 
de cólon e reto, principalmente do segundo e para 
grandes bebedores de cerveja. 
 
Etanol e Fígado 
↣ O abuso de etanol é a causa mais comum de doenças 
graves do fígado no ocidente. 
↣ Embora a associação entre o etilismo e doenças do 
fígado seja conhecida desde a antiguidade, os 
mecanismos exatos envolvidos estão em constante 
discussão e novos conceitos vêm sempre à tona na 
medida em que as pesquisas evoluem. 
↣ Fatores genéticos, nutricionais, ambientais e 
imunológicos devem ser considerados, assim como suas 
potenciais interações. 
↣ O diagnóstico de doença hepática alcoólica é feito 
através da confirmação do consumo excessivo e dos 
sinais de doença no fígado, não havendo um marcador 
específico que defina a origem etílica da doença. 
↣ Também devemos considerar que o etanol pode estar 
junto com outros fatores lesivos ao fígado, podendo ser 
o principal agente ou um adjuvante, numa condição 
também de difícil determinação. 
 
Achados diagnósticos 
↣ Alguns achados laboratoriais são sugestivos, como 
uma razão entre AST/ALT > que 2, no caso de estarem 
elevadas (> de três é altamente sugestivo). 
↣ O exame físico pode estar desde totalmente normal 
até muito alterado, sugestivo de cirrose avançada. A 
palpação hepática pode estar normal, e mesmo quando 
alterada, informa de maneira imprecisa o volume do 
órgão. 
↣ Alguns sinais relacionados ao alcoolismo podem ajudar 
no diagnóstico, como aumento de parótidas, contratura 
de Dupuytren, sinais de feminilização. 
↣ Alguns sinais de doença hepática (de forma geral) são 
indicativos de altas taxas de mortalidade em um ano, 
como encefalopatia, edema, circulação colateral na 
parede abdominal e ascite, aranhas vasculares e perda de 
massa muscular. 
 
+ Sobre o metabolismo do etanol 
 
 
 
 
 
↣ No tecido hepático, três sistemas enzimáticos, o 
sistema da enzima etanol desidrogenase citosólica 
(ADH); o sistema microssomal de oxidação do etanol 
(MEOS) e o sistema catalase peroxissomal podem oxidar 
o etanol. 
 
 
 
 
 
 
 
Fatores genéticos 
↣ Sabidamente apenas a menor parte dos etilistas 
desenvolvem graves lesões hepáticas. Há uma grande 
discussão sobre potenciais fatores genéticos envolvidos, 
desde correlações com o sistema HLA até o 
Em etilistas que também fumam 20 cigarros ou mais 
ao dia, o risco de câncer esofageano aumenta cerca 
de 45 vezes. 
 
A maioria dos tecidos corporais, incluindo a 
musculatura esquelética, possuem enzimas capazes 
de metabolizar o etanol, mas é no fígado que a maior 
parte desse metabolismo ocorre. 
Atenção: 
O acetaldeído é o agente lesivo mais importante que 
resulta do metabolismo do etanol. Pode afetar 
diversos tecidos, através de processos oxidativos 
(principal) e ações imunológicas. 
https://app2.unasus.gov.br/UNASUSPlayer3/recursos/UFMS_0001_DOENCAS_AP_DIGESTIVO/2/modulos/01/etanolTabacoEfeitos.html
https://app2.unasus.gov.br/UNASUSPlayer3/recursos/UFMS_0001_DOENCAS_AP_DIGESTIVO/2/modulos/01/etanolTabacoEfeitos.html
Nathalia de Tarso 
polimorfismo genético, mas nenhuma conclusão definitiva 
foi realizada até o momento. 
↣ A correlação mais clara do ponto de vista de aumento 
de risco de lesão encontra-se no sexo, com uma maior 
prevalência de mulheres sob risco de desenvolverem 
lesões pelo consumo crônico. 
↣ A dose mínima estimada de etanol para o 
desenvolvimento de cirrose é de 40g para homens e de 
20g para mulheres > de 15 anos. 
↣ Nos pacientes que permanecem bebendo após o 
diagnóstico de doença hepática, a sobrevida em cinco 
anos será de 30% para mulheres e de 70% para homens. 
↣ Possível interação de fatores humorais e a presença 
mais frequente de auto anticorpos nas mulheres etilistas 
que nos homens também devem estar de certa forma 
envolvidas no pior prognóstico do sexo feminino. 
 
Referências Bibliográficas 
Fundação Oswaldo Cruz - Mato Grosso do Sul. Curso 
UNASUS. Doenças do Aparelho Digestivo.

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