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Organização do Estado

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Conceito de Estado
1. O Estado pode ser conceituado como uma sociedade politicamente organizada formada pela reunião de um povo, em um território determinado, dotado de um governo soberano. Desse conceito, extraem-se os elementos que compõe o Estado: povo, território, governo, soberania e finalidade.
2. Povo é o conjunto de pessoas que integra o Estado, ligadas a ele pelo vínculo jurídico-político de direito público interno denominado nacionalidade. 
3. Território: dimensão geográfica do Estado. Formado pelo espaço terrestre, pelo mar territorial e pelo espaço aéreo sobrejacente.
4. Governo: corresponde à dimensão poltíico-administrativa do Estado, é o conjunto de funções necessárias à manutenção da ordem jurídica e da condução da Administração Pública. 
5. Soberania: também compõe a dimensão político-administrativa do Estado, é a capacidade de impor sua vontade para a realização das atividades de governo. É o poder que o Estado tem de criar e aplicar o seu ordenamento jurídico (visando o bem comum). Significa poder decisório supremo no plano interno e não subordinação a qualquer outro Estado, na órbita internacional. 
6. Finalidade: satisfação do bem comum.
Formas de Estado
1. A forma de Estado relaciona-se com o modo de exercício do poder político em função do território do Estado.
Estado unitário
1. Também chamado de Estado simples, é aquele dotado de um único centro com capacidades legislativa, administrativa e judiciária (ex.: Uruguai).
· Estado unitário puro ou centralizado: somente um poder executivo, um poder legislativo e um poder judiciário;
· Estado unitário descentralizado: casos em que existirá a formação de entes regionais com autonomia para exercer questões administrativas ou judiciárias fruto de delegação (não se concede a autonomia legislativa).
Estado federativo
1. Estados federativos, também chamados de federados, complexos ou compostos, são aqueles em que as capacidades judiciária, legislativa e administrativa são atribuídas constitucionalmente a entes regionais, que passam a gozar de autonomias próprias (e não soberanias). As autonomias resultam da própria Constituição e não de delegação. O Brasil é uma federação de 3° grau, por segregação, cooperativa e assimétrica.
· 3° grau: é formado por três níveis: um nível nacional (União), um nível regional (Estados-membros) e um nível local (Municípios).
· Por segregação: já fomos um ente unitário que deu origem a outros entes regionais autônomos.
· Cooperativa: não há uma divisão rígida de competências.
· Assimétrica: a Constituição prevê mecanismos que visam à redução das desigualdades regionais. No federalismo simétrico, há divisão igualitária das competências e das receitas estatais.
Estado confederado (confederação)
1. Se caracteriza por uma reunião dissolúvel de Estados soberanos, que se unem por meio de um tratado internacional.
Formas de governo
1. A forma de Governo define o modo de organização política e de regência do corpo estatal. São: República e Monarquia.
· República: o poder emana do povo e é exercido, em regra, por intermédio de representantes eleitos. Caracteriza-se pela eletividade, periodicidade da renovação representativa, representação popular e pelo dever de prestar contas de seus atos.
· Monarquia: o poder é exercido por quem o detém naturalmente por sucessão ao trono real. Caracteriza-se pela hereditariedade, vitaliciedade, não representatividade popular e não prestação de contas. 
Sistemas de governo
1. Se refere a forma como se relacionam os poderes executivo e legislativo. São dois: parlamentarista e presidencialista. 
· Parlamentarismo: a função de chefe de Estado é exercido pelo presidente ou pelo monarca. A chefia de Governo recai sobre o Primeiro Ministro, que possui mandato por prazo incerto, uma vez que a responsabilidade do governante se dá perante o parlamento
· Presidencialismo: o Presidente da República concentra as funções de Chefe de Estado e de Chefe de Governo, exercendo o seu mandato por prazo certo.
Regime de governo
1. Tem relação com a participação popular na formação da vontade política estatal. São: autocracia e democracia.
· Autocracia: o povo não participa das formulações políticas do Estado.
· Democracia: o povo participa das formulações políticas (por intermédio do voto nas eleições, plebiscitos e referendos; através da iniciativa popular de leis; da presente nos tribunais do júri, etc.).
· Democracia direta: o povo exerce sem intermediários os poderes do Estado, elaborando leis, administrando a coisa pública e julgando os litígios existentes.
· Democracia indireta (ou representativa) o povo, impossibilitado de participar diretamente na formação da vontade estatal, escolhe representantes. 
· Democracia semidireta (ou participativa): há a combinação da democracia representativa com traços de democracia direta. É o regime de Governo adotado pelo Brasil, conforme se depreende do art. 1º, parágrafo único, cumulado com o art. 14. 
União
1. A União, pessoa jurídica de direito público interno, é parte integrante da federação brasileira dotada de autonomia, na medida em que possui capacidade de auto-organização (Constituição Federal), autogoverno (arts. 44, 76 e 92), autolegislação (art. 22) e autoadministração (art. 20). Ademais, a União representa internacionalmente a República Federativa do Brasil, legítima detentora da soberania do Estado Brasileiro. Em outras palavras, as competências internacionais da República Federativa do Brasil, entidade que congrega a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios, são exercidas pela União, que age em nome da federação (exemplos: art. 21, I a IV).
2. Bens da União elencados no art. 20:
 Art. 20. São bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; 
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
§ 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.
§ 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.
Estados-membros
1. Os Estados-membros são pessoas jurídicas de direito público interno, dotados de autonomia, em razão da capacidade de auto-organização (art. 25, caput), autoadministração (art. 26), autogoverno (arts. 27, 28 e 125) e autolegislação (art. 25, §§ 1º, 2º e 3º).
Formação de novos estados membros
1. A formação de novos Estados-membros pode se aperfeiçoar por: 
· fusão: incorporação de Estados-membros entre si, formando um terceiro e novo Estado-membro; aqui os Estados-membrosoriginários deixam de existir; 
· cisão: um Estado-membro subdivide-se, formando dois ou mais Estados-membros novos; neste caso, o Estado-membro originário também desaparece; 
· desmembramento: desmembramento de um Estado-membro em outro(s), sem que o originário deixe de existir. Pode se dar por desmembramento-anexação ou desmembramento-formação: 
· desmembramento-anexação: a parte desmembrada anexa-se a outro Estado-membro preexistente, ampliando o seu território primitivo;
· desmembramento-formação: a parte desmembrada se transformará em um, ou mais de um, novo Estado-membro (exemplo: art. 13 do ADCT).
2. Mas para a formação de um novo estado é preciso atender a alguns requisitos: 
· Aprovação da população diretamente interessada por plebiscito: Segundo o art. 7º da Lei 9.709/1998, entende-se por população diretamente interessada “(…) tanto a do território que se pretende desmembrar, quanto a do que sofrerá desmembramento. 
· Lei complementar federal: se o plebiscito for desfavorável, o procedimento está encerrado. Caso, porém, haja aprovação plebiscitária, o Congresso Nacional, soberanamente, decidirá pela aprovação, ou não, da lei complementar.
Bens dos Estados membros
1. Os bens dos Estados estão elencados no art. 26:
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Poder legislativo estadual
1. Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.
2. § 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
Poder executivo estadual
Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição.    
§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. 
§ 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembleia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. 
Distrito Federal
1. Distrito Federal possui natureza jurídica de um ente federativo com competências parcialmente tuteladas pela União, conforme se extrai dos arts. 21, XIII e XIV; 22, VII; e 48, IX (o Poder Judiciário, o Ministério Público, a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militares são de competência da União). Cuidado: a partir da Emenda Constitucional 69, de 29 de março de 2012, deixou de ser competência da União a organização e manutenção da Defensoria Pública do Distrito Federal.
2. Por ser considerado um ente político dotado de autonomia, possui capacidade de auto-organização (art. 32, caput), autogoverno (art. 32, §§ 2º e 3º), autoadministração (art. 32, §§ 1º e 4º) e autolegislação (art. 32, § 1º).
Municípios
1. Quanto à natureza jurídica dos Municípios, prevalece o entendimento de que são entes federativos, uma vez que os arts. 1º e 18 são expressos ao elencar a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios como integrantes da federação brasileira. Como pessoas jurídicas também dotadas de autonomia, possuem auto-organização (art. 29, caput), autolegislação (art. 30), autogoverno (incisos do art. 29) e autoadministração (art. 30). Os Municípios são também considerados pessoas jurídicas de direito público interno.
2. A formação dos Municípios está prevista no art. 18, § 4º, a saber: “a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei”. Então são requisitos: 
a) lei complementar federal, que determinará o período e o procedimento a ser adotado; 
b) estudo de viabilidade municipal, o qual deve ser apresentado, na forma da lei; 
c) plebiscito convocado pela respectiva Assembleia Legislativa, desde que o resultado do estudo de viabilidade municipal seja positivo; 
d) lei estadual, dentro do período que a lei complementar federal definir, se e somente se os requisitos anteriores forem respeitados.
3. Outros dispositivos relevantes: Art. 29 [...]
VII – o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de cinco por cento da receita do Município;
VIII – inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município;
IX – proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta Constituição para os membros do Congresso Nacional e na Constituição do respectivo Estado para os membros da Assembleia Legislativa;
X – julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
XIII – iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado;
Territórios Federais
1. Os Territórios possuem natureza jurídica de autarquias territoriais integrantes da Administração indireta da União. Por isso, não são dotados de autonomia política. São também pessoas jurídicas de direito público interno.
Intervenção
1. A intervenção é uma excepcional possibilidade de supressão temporária da autonomia política de um ente federativo.
2. A intervenção federal nos Estados-membros e no Distrito Federal somente ocorrerá nas hipóteses taxativamente elencadas no art. 34. 
3. A seu turno, é possível a intervenção federal nos Municípios localizados em Territórios Federais, nas hipóteses trazidas pelo art. 35.
Espécies de intervenção
1. Intervenção federal espontânea: ocorre nas hipóteses do art. 34, I, II, III e V, situação em que o Presidente da República age de ofício, ouvindo os Conselhos da República (art. 90, I) e o de Defesa Nacional (art. 91, § 1º, II).
2. Intervenção federal provocada por solicitação: É a hipótese prevista no art. 34, IV. Dependerá de solicitação do Executivo (Governadores dos Estados ou do Distrito Federal) ou do Legislativo (Assembleias Legislativas dos Estados ou Câmara Legislativa do Distrito Federal).
3. Provocada por requisição: a pedido do STF, STJ ou TSE. O Presidente da República estará vinculado à requisição do Poder Judiicário. Ocorre para as hipóteses do art. 34, IV, ou 34, VI, segunda parte (desobediência de ordem ou decisão judicial).
4. Provocada por provimento de representação do PGR no STF nos casos de desrespeito aos princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII) e para prover a execução de lei federal (art. 34, VI, parte inicial).
5. A decretação e a execução da intervenção federal são de competência privativa do Presidente da República (art. 84, X).
6. O Congresso Nacional realizará o controle político sobre o Decreto de intervenção expedido pelo Presidente da República no prazo de 24 horas (art. 36, § 1º). O Congresso Nacional aprovaráou rejeitará a intervenção, sempre por Decreto Legislativo, suspendendo a execução do Decreto interventivo, se for o caso (art. 49, IV). Se o presidente não cessa a intervenção após isso, comete crime de responsabilidade. 
DUTRA, Luciano. Direito constitucional essencial. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.

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