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Crise tireotóxica na gravidez- Obstetrícia

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Samara Pires- MED25
Ginecologi� � O�tetríci�
Crise tireotóxica na gravidez
1. Caso clínico
Uma mulher de 18 anos, G2P1, com 35 semanas de gestação, tem histo ́ria de
doenc ̧a de Graves e esta ́ em tratamento com propiltiouracil (PTU) oral. Ela afirma
que ha ́ um dia esta ́ se sentindo como se o “corac ̧ão estivesse dando golpes”. Ela
tambe ́m se queixa de nervosismo, sudorese e diarreia. Ao exame, a PA é 150/110
mmHg, a FC, 140 bpm, a FR, 25 ipm e a temperatura, 38,2°C. A paciente parece
ansiosa, desorientada e, de certo modo, confusa. A gla ̂ndula tireoide está levemente
sensi ́vel e aumentada. O exame cardíaco revela taquicardia com sopro sistólico
III/VI. O trac ̧ado da CTG mostra uma linha de base na faixa de 160 bpm, sem
desacelerac ̧ões. Os reflexos tendinosos profundos são 4+ com clono. A contagem de
leuco ́citos e ́ 20.000/mm3.
2. Tempestade tireoidiana
● A doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo → nesse
distúrbio autoimune, são produzidos anticorpos que imitam a função do TSH
e estimulam a tireoide;
- Diagnóstico: tiroxina livre elevada e baixos níveis de TSH sérico;
- Tratamento com PTU (medicação tionamida que inibe a síntese dos
hormônios tireoidianos) ou com metimazol (MMI), que apresenta o risco de
defeitos congênitos da pele ou de escalpo fetais.
Obs.: se a paciente está em tratamento com PTU, deve-se tomar bastante cuidado,
pois há casos raros de aplasia da medula óssea, induzindo à leucopenia e sepse.
Nesse caso, a paciente tem elevada contagem de leucócitos.
● A tempestade tireoidiana é a tireotoxicose extrema que leva à disfunção do
SNC (por isso a desorientação da paciente) e à instabilidade autonômica.
- Instabilidade autonômica → risco de morte. Nesses casos, ocorre
hipertermia, hipertensão ou hipotensão;
- Sintomas de tireotoxicose: taquicardia, intolerância ao calor, náuseas, perda
de peso, ou falha em ganhar peso apesar da ingestão adequada de alimento,
tireomegalia, exoftalmia e hipertensão sistólica.
● Causas possíveis da crise tireotóxica: não adesão ao tratamento ou agente
estressor, como cirurgia ou doença.
3. Tratamento
● Agente beta-bloqueador, como propranolol, corticosteroides e PTU adicional;
Samara Pires- MED25
- Os beta-bloqueadores devem ser usados com cautela em pacientes com
insuficiência cardíaca.
● Em pacientes não grávidas: solução saturada de iodeto de potássio em gotas
orais (pode afetar a glândula tireoide fetal).
Obs.: o diagnóstico precoce é fundamental para a crise tireotóxica (embora esta
seja rara na gravidez), pois há risco de morte iminente.
4. Consequências para o feto
● O hipertireoidismo materno pode resultar em hipertireoidismo ou
hipotireoidismo fetal;
● Se o diagnóstico fetal ocorrer antes do nascimento, o feto deve ser tratado
com a administração materna de PTU ou injeção intra-amniótica de tiroxina;
● A falha em identificar tireotoxicose fetal pode resultar em hidropisia não
imune e morte fetal.

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