A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
GUIA DE UMA PETIÇÃO INICIAL c.c MODELO

Pré-visualização | Página 1 de 2

GUIA DE UMA PETIÇÃO INICIAL c/c MODELO
O que é uma “Petição Inicial”?
É a forma pela qual o jurisdicionado manifesta materializa seu interesse em buscar a tutela jurisdicional, sendo uma peça escrita no vernáculo e assinada por procurador ou representante devidamente constituído, na qual o autor formula demanda que será apreciada por um Magistrado, objetivando um provimento final que lhe aproveite.
De forma mais didática, é a peça que dá início ao processo. Também chamada de “Peça Inaugural”, pois inaugura o processo. 
Quais os requisitos de uma Petição Inicial?
Os requisitos da Petição Inicial estão previstos no art. 319 do Código de Processo Civil. Vejamos: 
art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido com as suas especificações;
V - o valor da causa;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.
De forma mais didática, sistematizamos nos seguintes requisitos:
I) a Competência:
“AO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA – VARA CÍVEL DE BELO HORIZONTE”.
Onde está o “ – “, será colocada a numeração da Vara, como por exemplo: “7ª VARA”.
Onde está a “CÍVEL”, será colocada a matéria tratada por aquele juízo, como por exemplo: “VARA DE REGISTROS PÚBLICOS”; “VARA CÍVEL”, “VARA CRIMINAL”.
Onde está “BELO HORIZONTE”, será colocada a Comarca do juízo. Se o juízo estiver na comarca de Salvador/BA, ficará “AO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA 7ª VARA CÍVEL DE SALVADOR”.
II) a Identificação das partes e suas qualificações:
Não há muito segredo, ou seja, seus documentos pessoais, como CPF, RG, Certidão de Casamento, Comprovante de Residência, etc.
Claro que, há hipóteses em que o autor não detém as informações pessoais da parte ré, hipótese em que a Petição Inicial não será indeferida, tendo o autor a possibilidade de requerer ao juiz diligências necessárias para obter tais documentos (art. 319, §1º, CPC). No mesmo sentido, não será indeferida a Inicial se, ainda com a falta das documentações da parte requerida, esta poder ser citada (art. 319, §2º, CPC).
Frisa-se que, não são estes os únicos documentos da Inicial.
III) os Fatos e os fundamentos jurídicos do pedido:
Aqui também não há muito segredo. Será narrado o que deu início ao processo. 
Por exemplo, se for uma ação de Indenização por danos morais, será narrado o que deu ensejo ao dano moral e qual a base legal para o pleito dos danos morais.
IV) o Pedido:
Tendo em vista o princípio da Inércia e da Adstrição, o juiz não pode 
conceder tutelas de ofício, ou seja, por conta própria, sob pena de ter sua sentença anulada. Na mesma senda, o juiz deve trabalhar apenas com aquilo que foi requerido na Petição Inicial.
O pedido é a parte final da Inicial, na qual o autor manifesta sua pretensão. Ainda no exemplo dos danos morais:
“Por fim, requer o autor a condenação da parte ré no valor de R$ 00.000,00 por danos morais à parte autora”.
V) o Valor da Causa:
O art. 291 do Código de Processo Civil estabelece que “a toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível”. 
Diante disto, a toda Petição Inicial deve ser atribuída um valor à causa, ainda que o objeto da ação seja da Jurisdição Voluntária, como Retificação de Patronímico (alteração de nome).
Importante salientar que, algumas ações possuem seu valor da causa já definido, como por exemplo nas ações de Usucapião de bem imóvel, na qual o valor da causa será o valor venal do imóvel constante na Guia de IPTU.
IV) as provas que autor pretende produzir:
Por óbvio, não há como requerer algo em juízo sem métodos de provas. Diante disto, o autor deve informar como pretende provar seu direito, seja por provas documentais ou testemunhais ou outros métodos de provas admitidos em juízo.
V) Vontade ou não de realizar audiência de Conciliação e Mediação:
O CPC de 2015 manifestou grande preocupação com as formas alternativas de solução de litígios, dessa forma, o legislador ordinário empenhou esforços para buscar que as lides sejam solucionadas antes mesmo de ser levadas ao Poder Judiciário. 
Sendo assim, deve o autor manifestar na Inicial sua pretensão ou não de realizar audiência de conciliação e mediação.
Documentos Indispensáveis à Propositura da ação:
O art. 320 do CPC determina que a Inicial seja instruída com os documentos indispensáveis à propositura da demanda. Sendo que, na ausência de qualquer destes documentos, o juiz determinará a emenda à Inicial, por tratar-se de vício sanável. Na hipótese do autor não possuir tais documentos, poderá requerer ao Juiz acesso a tais documentos. Não sendo emendada a inicial, esta será indeferida.
É um exemplo de “documento indispensável”, numa ação de divórcio, a Certidão de Casamento.
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
MODELO NA PRÓXIMA PÁGINA
AO SR. DR. JUIZ DE DIREITO 1ª VARA CÍVEL DE BELO HORIZONTE
					FULANA DE TAL, inscrita sob o CPF nº 000.000-00, RG nº MG – 00.000.000, solteira, Operadora de Caixa, residente à rua Esquina de Casa, nº 000, no bairro Lindos Vales, em Belo Horizonte, através de seu bastante Procurador, vem, respeitosamente, perante Vs. Exa., ingressar com
AÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS
					em face de BELTRANO, inscrito sob o CPF nº 000.000-00, RG nº MG – 00.000.000, casado, Vendedor, residente à rua Caso da Esquina, nº 000, no bairro Vales Lindos, em Belo Horizonte.
1. DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA
					A requerente atua como Operadora de Caixa, conforme faz prova em anexo com juntada da Carteira de Trabalho, percebendo a quantia de R$ 1.200,00 por mês, de forma que não há como arcar com as custas processuais sem prejuízo de sua subsistência.
2. DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO
					A requerente manifesta interesse na realização da audiência de conciliação e mediação.
3. DOS FATOS
					No dia 25 de fevereiro de 2022, aproximadamente às 15:00 horas, na Avenida Casa Grande, o Sr. Beltrano, dirigindo seu veículo, atravessou o sinal vermelho, colidindo com o carro da 
requerente, causando-a prejuízos financeiros, danificando cerca de 70% do veículo da autora. 
					
					Após a colisão, o Sr. Beltrano saiu do seu veículo e proferiu inúmeros xingamentos à requerente, ferindo sua honra.
			
					Se não bastasse, proferiu inúmeras palavras -de baixo-calão.
					A autora, pessoa esclarecida que é, ignorou os xingamentos e, de pronto, levou o carro ao mecânico para que fosse realizado um orçamento dos danos, totalizando o montante de R$ 5.000,00. Na mesma ocasião, requereu um laudo técnico, o qual atestou os danos causados pela colisão.
					Ainda, compareceu a uma loja próxima ao acidente, onde obteve cópia das filmagens das câmeras da loja, comprovando a ocorrência do acidente e gravando, inclusive, a placa do carro do Sr. Beltrano e suas expressões corporal enquanto realizava os xingamentos direcionados à requerente.
					Por fim, pediu o número de telefone do dono da loja em frente ao acidente, que presenciou os xingamentos.
4. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS
					O Código Civil é claro ao estabelecer que, qualquer um que causar dano a outrem, tem o dever de indenizar. Vejamos:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
					Resta claro que o Sr. Beltrano cometeu ato ilícito e, derivando de sua responsabilidade civil, deverá indenizar a parte autora. 
					A doutrina e a Jurisprudência, de forma acertada,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.