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As 4 fases do processo de leitura 
O processo de leitura é dividido em 4 fases: decodificação, compreensão, 
interpretação e retenção. Confira como e quando ocorre cada uma dessas fases: 
• Decodificação 
Decodificar é ser capaz de entender os símbolos escritos, relacionando-os a 
seus devidos significados. Contudo, essa é ainda a fase primária da leitura, o 
importante é que o leitor conheça o código usado e consulte no dicionário os 
vocábulos desconhecidos. 
• Compreensão 
Após a decodificação, fase em que se identifica o código, o leitor passa pela fase 
de compreensão, na qual ele deve ser capaz de identificar o sentido do texto, 
sua estrutura, gênero e em que contexto está inserido. Aqui o leitor deve 
conseguir entender o que o autor do texto que dizer, além de ser capaz de 
resumir em poucas palavras ou frases a ideia central do texto, ou que tipo de 
mensagem o texto transmite. Vale ressaltar que nessa fase o leitor irá apreender 
aquilo que está explícito no texto, não sendo capaz de ir além daquilo que está 
claro. 
• Interpretação 
A interpretação, embora muito confundida com a compreensão, trata-se de uma 
fase mais profunda, na qual além da compreensão é necessário que o leitor seja 
capaz de interagir com o texto. Além disso, é nessa fase que se apreende as 
informações que estão implícitas. Essa fase exige do leitor uma atitude mais 
crítica diante do texto. E para que sejamos capazes de interpretar bem um texto 
é preciso que consigamos nos posicionar diante do texto, concordando ou não 
com ele, e sabendo argumentar por que concordamos ou não. 
Para que fique clara a diferença entre compreender e interpretar, você tem que 
ter em mente que na compreensão você apreende as ideias explícitas, enquanto 
que na interpretação você apreenderá também as ideias implícitas. Ou seja, na 
compreensão é possível marcar no texto aquilo que se quer dizer sobre ele. 
Agora, na interpretação nem sempre é possível que se marque no texto o que 
se quer dizer sobre ele, exigindo que o interpretemos e o expliquemos com 
nossas palavras, por se tratar de algo que muitas vezes está implícito. 
• Retenção 
A última fase da leitura é a retenção. É importante você não confundir reter com 
memorizar. 
A fase de retenção exige que o leitor, após a leitura ou leituras do texto, seja 
capaz de reter as informações, conhecimentos ou ensinamentos apresentados. 
Essa retenção, porém, é ativa. Portanto o leitor deve ser capaz de assimilar o 
novo conteúdo apreendido a conhecimentos prévios. Outro fator importante é a 
aplicação daquilo que se reteve em outros contextos. Portanto, a retenção é a 
fase em que se assimila, relaciona, compara e aplica o conteúdo do texto lido. 
SEQUÊNCIA DIDÁTICA BÁSICA DE LETRAMENTO LITERÁRIO 
Para Cosson, a sequência básica de letramento literário é constituída por quatro passos: 
motivação, introdução, leitura e interpretação. 
 
1) Motivação: 
 É o núcleo de preparação do aluno para entrar no texto (encontro leitor e obra sem 
silenciá-los). A construção de uma situação em que os alunos devem responder a uma 
questão ou posicionar-se diante de um tema é uma das maneiras usuais da construção 
da motivação (COSSON, 2012, p. 55). A motivação pode ser por meio da leitura, da 
oralidade e da escrita ou até de um “avatar” [grifos nossos], no entanto não deve 
ultrapassar o trabalho de uma aula. 
 
2) Introdução: 
 É o momento de apresentação do autor e da obra. No entanto, essa biografia deve ser 
breve, pois entre outros contextos ela é uma das que acompanham o texto. No momento 
da introdução é suficiente que se forneçam informações básicas sobre o autor e, se 
possível, ligadas àquele texto (COSSON, 2012, p. 60). É preciso falar da obra e de sua 
importância, justificando assim a escolha. Mostrar a obra física ou até seu “avatar” no 
suporte digital [grifos nossos], chamando a atenção para a capa, a contracapa, a orelha, 
o prefácio e outros elementos paratextuais que introduzem a obra. 
 
3) Leitura: 
Etapa essencial da proposta de letramento literário, o acompanhamento da leitura 
(diagnóstico). A leitura escolar precisa de acompanhamento porque tem uma direção, 
um objetivo a cumprir, e esse objetivo não deve ser perdido de vista (COSSON, 2012, 
p. 62). O professor não deve vigiar o aluno para saber se ele está lendo o livro impresso 
e/ou digital [grifos nossos], mas sim acompanhar o processo de leitura para auxiliá-lo 
em suas dificuldades, inclusive aquelas relativas ao ritmo da leitura (p. 62). O autor 
propõe que se o livro for extenso que a leitura possa acontecer em sala, em casa, na 
biblioteca ou até em suporte digital [grifos nossos], porém faz-se necessário trabalhar 
com os intervalos de leitura, ou seja, com momentos de reflexão e parada que pode 
ocorrer por meio de uma conversa, desenvolvimento de atividades específicas sobre um 
capítulo ou pela incorporação de outros textos que promovam a intertextualidade com a 
obra. A observação de dificuldades específicas enfrentadas por um aluno no intervalo é 
o início de uma intervenção eficiente na formação de leitor daquele aluno (p. 64). 
 
 
4) Interpretação: 
 É o momento de construção dos sentidos, por meio de inferências que envolvem o 
autor, o leitor e a comunidade. Para Cosson (2012, p. 64), a interpretação envolve 
práticas e postulados numerosos e impossíveis de serem conciliados, pois toda reflexão 
literária traz implícita ou explicitamente uma concepção do que seja interpretação ou de 
como se deve proceder para interpretar textos literários. Essas interpretações 
acontecem em dois momentos: um interior (que passa pela decifração/pelo íntimo, por 
meio da história de leitor do aluno, das relações familiares e tudo que constitui o contexto 
de leitura) e o outro exterior (quando ocorre a materialização da interpretação como ato 
de construção de sentido em uma determinada comunidade, por meio compartilhamento 
da interpretação com os colegas e professor). As atividades de interpretação devem ter 
como princípio a externalização da leitura, isto é, seu registro (p. 66). É aqui que se 
propõe um trabalho de letramento digital [grifos nossos], para que os alunos possam 
exteriorizar o que compreenderam, por meio da exposição de seus registros (desenho, 
resenha, paródia, vídeo, fotografia, escrita, artes plásticas, expressão corporal entre 
outros) em um Blog Literário. 
 
COSSON, R. Letramento Literário: teoria e prática. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2012. 
	As 4 fases do processo de leitura

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