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Livro-Texto Unidade I-2

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Economia
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© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
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APRESENTAÇÃO
Caro aluno,
Seja bem-vindo ao sistema EAD.
Nesta nossa disciplina trataremos de assuntos como o conceito de economia, história do pensamento 
econômico, lei da oferta e da demanda, agências reguladoras, monopólios, cartéis e oligopólios. O objetivo 
principal de introduzir os conhecimentos operacionais básicos para o profissional de Direito conhecer 
a realidade subjacente à maioria dos problemas econômicos da realidade brasileira, em especial com 
a interface entre as questões econômicas e as regras jurídicas presentes na Constituição Federal e nas 
demais leis de interesse nas demandas econômicas.
Considerando-se que será você quem administrará seu próprio tempo, nossa sugestão é que você 
dedique, ao menos, duas horas por semana para esta disciplina, estudando os textos sugeridos e 
realizando os exercícios de autoavaliação. Uma boa forma de fazer isso é já ir planejando o que estudar, 
semana a semana. A leitura dos materiais e do conteúdo online é indispensável para a compreensão da 
temática e sua aplicação nos exercícios online.
Para facilitar seu trabalho, apresentamos na tabela a seguir os assuntos que deverão ser estudados 
e, para cada assunto, a leitura fundamental exigida e a leitura complementar sugerida. No mínimo, você 
deverá buscar entender bastante bem o conteúdo da leitura fundamental, só que essa compreensão 
será maior se você acompanhar também a leitura complementar. Você mesmo perceberá isso ao longo 
dos estudos.
A – Conteúdos (assuntos) e leituras sugeridas
Assuntos/módulos
Leituras sugeridas
Fundamental Complementar
Origem, conceitos fundamentais, 
problemas e temas relevantes da 
economia
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: 
Introdução ao direito econômico. 9. ed. 
São Paulo: RT, 2015.
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval de. Economia: micro e macro. 
São Paulo: Atlas, 2011.
A evolução do pensamento 
econômico
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval; GARCIA, Manuel E. 
Fundamentos de economia. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
ARAÚJO, Carlos Roberto Vieira. História 
do Pensamento Econômico. São 
Paulo: Atlas, 1988.
O conceito de economia e o 
funcionamento do mercado
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval; GARCIA, Manuel E. 
Fundamentos de economia. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: 
Introdução ao direito econômico. 9. ed. 
São Paulo: RT, 2015.
Economia e Direito
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval; GARCIA, Manuel E. 
Fundamentos de economia. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: 
Introdução ao direito econômico. 9. ed. 
São Paulo: RT, 2015. 
A atividade econômica nacional
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: 
Introdução ao direito econômico. 9. ed. 
São Paulo: RT, 2015.
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval; GARCIA, Manuel E. 
Fundamentos de economia. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
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O desenvolvimento e o crescimento 
econômico
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: 
Introdução ao direito econômico. 9. ed. 
São Paulo: RT, 2015.
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval; GARCIA, Manuel E. 
Fundamentos de economia. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
Economia internacional
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: 
Introdução ao direito econômico. 9. ed. 
São Paulo: RT, 2015. 
VASCONCELLOS, Marco Antonio 
Sandoval de. Economia: micro e macro. 
São Paulo: Atlas, 2011.
B – Referências bibliográficas
Livro-texto
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: Introdução ao Direito Econômico. 9. ed. São Paulo: RT, 2015.
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval; GARCIA, Manuel E. Fundamentos de economia. 5. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
Outras referências
ARAÚJO, Carlos Roberto Vieira. História do Pensamento Econômico – Uma abordagem introdutória. 
São Paulo: Atlas, 1988.
CASTRO, Antonio Barros de; LESSA, Carlos Francisco. Introdução à economia. 37. ed. Rio de Janeiro: 
Forense Universitária, 2005.
HUBERMAN, Leo. História da riqueza do homem. 21. ed. São Paulo: LTC, 1987.
PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval (organ.) Introdução à economia. 
São Paulo: Saraiva, 2011.
PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval (coord.) Manual de economia: 
equipe de professores da USP. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. 20. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
SALOMÃO FILHO, Calixto. Direito concorrencial: as estruturas. 3. ed. São Paulo: Editora CFWM, 2009.
SINGER, Paul. Aprender economia. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2002.
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ECONOMIA
Unidade I
1. ORIGEM, CONCEITOS FUNDAMENTAIS, PROBLEMAS E TEMAS RELEVANTES 
DA ECONOMIA
Indispensável no decorrer do curso de Direito, o aprendizado da Economia é uma das áreas 
amplamente responsável pela geração de inúmeros conflitos sociais com amplo reflexo em nosso 
ordenamento jurídico da atualidade. Aliás, assim que o aluno inicia o curso de Direito, ele se depara 
com várias disciplinas que vão contribuir para a compreensão da temática do Direito como ciência e sua 
complexidade, tal como ocorre com a Economia. Essas disciplinas compõem o ciclo básico e objetivam 
fornecer aos alunos uma visão generalista do nosso campo de atuação.
Por seu turno, existem disciplinas com subsídios mais complexos, sendo necessária a compreensão 
da Economia como base dos conflitos ali existentes, conforme se observa no Direito Tributário e o 
próprio Direito Econômico, em que as questões econômicas se deparam com a problemática do Direito 
em seus mais diversos segmentos. Assim, os principais estudiosos dessa disciplina definem a Economia 
como uma ciência social que estuda a produção, a circulação e o consumo de bens e serviços que são 
utilizados para satisfazer as necessidades humanas. Percebe-se que o objetivo de estudo da Economia 
é analisar os problemas econômicos e formular soluções para resolvê-los, de forma a melhorar nossa 
qualidade de vida nos ambientes em que convivemos.
Na formação etimológica da palavra economia, duas palavras gregas estão presentes. Oikos, 
cuja tradução é casa e nomos, que significa lei. Dessa forma, economia significa a “lei da casa”, ou 
seja, a sobrevivência do indivíduo por recursos disponíveis. Essa composição explicita bem o papel 
do estudo econômico, pois a ciência social econômica sempre vai estudar o indivíduo e a sociedade. 
Consequentemente esses agentes vão escolher como trabalhar com a escassez de seus recursos, 
atendendo às necessidades humanas buscadas pela sociedade em seus mais diversos grupos.
As necessidades humanas são infinitas e ilimitadas, porque o ser humano, por sua própria natureza, 
nunca está satisfeito com o que possui e sempre deseja possuir mais bens. Ocorre que os recursos 
produtivos com que se pode contar para efetuar a fabricação de bens e serviços têm caráter finito 
e limitado. Dessa forma, há uma visível contradição, pois os desejos e as necessidades humanas são 
ilimitados e os recursos para efetivar-se a produção de bens e serviços para atender esses desejos e 
necessidades são finitos.
Os problemas econômicos não existiriam se uma quantidade infinita de cada bem pudesse ser 
produzida, com a consequente satisfação de todos os desejos humanos. Porém, na realidade global, 
com um elevado índice populacional há evidente escassez dos recursos disponíveis, com plena afetação 
do meio ambiente planetário.O trabalho, a terra e o capital, este último entendido como máquinas, 
matérias-primas e demais insumos utilizados pelo homem são efetivamente escassos.
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Unidade I
Surge a questão da escassez de bens econômicos, isto é, de bens em reais condições de atender às 
necessidades humanas. Como exemplo clássico pode ser apontada a questão dos automóveis, meio 
de locomoção amplamente utilizado no atual estágio do desenvolvimento humano, pois embora as 
jazidas de minério de ferro sejam abundantes em algumas regiões do mundo, esse minério pré-usinável, 
as chapas de aço e, finalmente, o automóvel são bens econômicos escassos. Assim, destacam-se duas 
noções primárias pertinentes à ciência econômica, retiradas da experiência e da própria vivência do 
cotidiano: as necessidades humanas e bens produtivos.
A economia tem caráter social, uma vez que se ocupa do comportamento humano e estuda como 
as pessoas e as organizações na sociedade se empenham na produção, na troca e no consumo de bens 
e serviços. Dessa forma são três as questões econômicas básicas que devem ser compreendidas para a 
plena interpretação da economia. A doutrina, para fins didáticos, converte em três preguntas que devem 
ser respondidas em cada análise: O que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir?
A primeira diz respeito ao “o que e quanto produzir”, que está relacionado à escolha da sociedade 
dentre o leque de possibilidade de produção, passando inclusive por quais produtos serão produzidos e 
sua quantidade.
A segunda refere-se ao “como produzir”, ou seja, como se deve considerar o nível tecnológico na 
combinação dos recursos utilizados para a produção de bens e serviços.
Finalmente, “para quem produzir” diz respeito a quais membros da sociedade vão participar da 
distribuição dos resultados de sua produção, ou seja, para qual segmento social ou para quais pessoas 
a produção será destinada.
Ao responder essas questões, o sistema econômico estará alocando ou distribuindo os recursos 
disponíveis entre milhares de diferentes possíveis linhas de produção. Outro tema importante diz respeito 
à necessidade dos bens ao indivíduo. Comumente, quando se fala de uma necessidade, está implícita a 
ideia de vontade ou aspiração. Assim, o indivíduo tem necessidade de se alimentar, mas também possui 
necessidade de cuidar de si, ter respeito dos outros ou criatividade.
A tradicional pirâmide de Maslow ilustra a hierarquia das necessidades humanas: inicialmente, 
busca-se o mais básico, relacionado à fisiologia humana; mas, gradativamente, o ser humano deseja 
outras necessidades, tais como segurança, amor/relacionamento, estima e realização pessoal que vão 
aparecendo sucessivamente. 
• Realização pessoal: moralidade, criatividade, espontaneidade, solução de problemas, ausência de 
preconceito, aceitação dos fatos. 
• Estima: autoestima, confiança, conquista, respeito dos outros, respeito aos outros.
• Amor/relacionamento: amizade, família, intimidade sexual.
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ECONOMIA
• Segurança: do corpo, do emprego, de recursos, da moralidade, da família, da saúde, da propriedade.
• Fisiologia: respiração, comida, água, sono, sexo, homeostase, excreção.
A maioria das necessidades de que trata a economia se localiza mais na base da pirâmide, 
relacionando-se, principalmente, ao material. Ainda que a economia possa ter um papel na realização 
pessoal, a sua contribuição principal se liga às necessidades mais básicas materiais. Para a economia, 
necessidade implica a sensação de falta de alguma coisa, sempre acompanhada do desejo de satisfazê-
la. Desse modo, quando alguém deseja um objeto de consumo, como um carro ou uma bolsa de marca, 
procura uma maneira de obtê-lo, utilizando a moeda como meio de troca. Nesse sentido mais estrito, a 
necessidade terá implicações econômicas.
Também é importante destacar que as necessidades humanas são ilimitadas, isto é, podem ser vistas 
como tendentes a se reproduzirem até o infinito. Depois, não se pode esquecer a divisão dos bens 
exclusivos e coletivos, pois tal distinção é de suma importância para a economia como para o Direito, 
pois os conflitos podem surgir da equivocada análise desses bens e de quem seriam os beneficiados. A 
doutrina aponta os bens exclusivos, com nítido critério patrimonial, como aqueles aptos a atenderem à 
necessidade de um único indivíduo. Aqui estão inseridos, por exemplo, vestuários e alimentos. 
Já os bens coletivos, não estão sujeitos a um indivíduo, mas sim que possam atender à necessidade 
de um grupo amplo de pessoas e até mesmo da totalidade dos indivíduos de um país. A abrangência é 
muito maior. O mais clássico exemplo de bem coletivo é a segurança nacional, pois protege a todos os 
cidadãos de um país. Também existem bens coletivos cuja abrangência é reduzida um menor número 
coletivo, tal como ocorre com os clubes nas cidades, em que os bens pertencem aos seus sócios e mesmo 
eles têm regras claras a cumprir; ou seja, são bens coletivos, mas com algum tipo de restrição. 
Essas questões econômicas são muito trabalhadas no âmbito do Direito quando se estudam as 
questões patrimoniais dos bens e a questão dos interesses deles, existindo na doutrina desde bens 
individuais, passando pelos coletivos e desde o final do século passado com proteção nos denominados 
interesses difusos. Diferente do que ocorre com as necessidades humanas, os recursos de que dispõe 
a humanidade para satisfazer as suas necessidades são finitos. Essa limitação dos recursos ocorre, 
ainda que se considere que, até o momento, as sociedades humanas tenham sido bem-sucedidas nos 
progressos tecnológicos.
Para entender melhor essa situação, é preciso assimilar os conceitos de bens econômicos e recursos 
produtivos.
Os bens econômicos são tangíveis e se caracterizam, de forma geral, pela utilidade e pela insuficiência. 
Eles supõem um esforço humano para serem conseguidos e, exatamente por isso, são comercializados. 
Além disso, os bens econômicos contrapõem-se aos bens livres, que, apesar de também serem úteis, não 
são escassos. Os bens econômicos podem ser classificados segundo vários critérios de duas maneiras:
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Unidade I
1. Quanto à natureza
• Bens materiais (com características físicas de peso, forma, dimensão): por exemplo: alimentos, 
máquinas e terras.
• Bens imateriais (de caráter abstrato): por exemplo: serviços prestados, como consulta médica ou 
consulta jurídica.
2. Quanto ao destino
• Bens de consumo: atendem de forma direta a uma determinada necessidade (podem ser duráveis 
ou não duráveis): por exemplo: automóvel.
• Bens de produção: fazem parte da cadeia produtiva cujo objeto final é um bem de consumo. 
Por exemplo: matérias-primas, os serviços dos operários (podem ser chamados de bens de capital 
quando forem bens de caráter fixo, por exemplo: máquinas).
Na doutrina econômica e jurídica diversas outras classificações surgem, razão pela qual não são 
absolutas. É importante observar que o conceito de bem econômico se diferencia de qualquer conceito 
de bem contido em Direito, o qual será estudado detalhadamente ao longo do curso de Direito Civil.
Já os recursos produtivos, também conhecidos como fatores de produção, são os elementos básicos 
a partir dos quais se obtêm os bens e os serviços. Os três principais recursos produtivos são a terra (áreas 
cultiváveis e mineradoras, florestas), o trabalho e o capital (bens de capital). Logo, percebe-se que à 
economia interessa observar a existência de necessidades humanas que devem ser satisfeitas com bens 
econômicos e não a discussão filosófica dessas necessidades.
Alguns exemplos poderão indicar a complexidade dessa questão, pois, enquanto para pobres, aalimentação básica é uma necessidade; para os ricos, a necessidade é uma alimentação requintada; 
quem vive em uma residência média pode sentir necessidade de morar em uma mansão em um bairro 
luxuoso. Pode-se concluir que o objeto da ciência econômica é o estudo da escassez. Daí, resumidamente, 
a conhecida definição de que a Economia é uma ciência social que trata da administração dos recursos 
escassos disponíveis; é o estudo da organização social que possibilita aos homens satisfazerem as suas 
necessidades de bens e serviços escassos; ou é a ciência que cuida da escolha entre o que, como e para 
quem produzir. Dessa forma, percebe-se que a escassez é estruturada da seguinte forma:
Necessidades humanas ilimitadas + recursos produtivos limitados = escassez
Como se observa acima, a escassez advém não só da limitação dos recursos produtivos, mas 
também das amplas necessidades humanas. Considerando simultaneamente essa demanda infinita e 
a possibilidade de esgotamento dos recursos usados para atendê-la, temos uma situação crítica com a 
qual a sociedade deve lidar. Em outras palavras, a escassez precisa ser administrada, levando em conta a 
urgência das necessidades humanas e a limitação dos recursos que são usados para atendê-las.
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ECONOMIA
Logo, a economia é uma ciência social que estuda como as pessoas e a sociedade decidem empregar 
recursos escassos – que poderiam ter utilização alternativa – na produção de bens e serviços, de modo 
a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade.
Portanto, como pensar a Economia?
A ciência econômica é pensada a partir de modelos concebidos no intuito de explicar e prever diversos 
fenômenos. Modelos são representações simplificadas da realidade ou das principais características de 
uma teoria. 
O crescimento econômico, a inflação, o desemprego, o comportamento de consumo de determinada 
classe social são temas frequentemente abordados pelas construções teóricas econômicas. Assim, cada 
nação acaba por escolher entre os sistemas econômicos qual aquele modelo que deve seguir.
Sistemas econômicos
Sistema econômico, rigorosamente, implica um conjunto orgânico de instituições por meio do qual 
a sociedade irá enfrentar o problema da escassez. Em outras palavras, é o conjunto de instituições 
destinado a permitir a qualquer grupo humano administrar seus recursos escassos com um mínimo de 
proficiência, evitando o quanto possível a dispersão deles. De modo geral, para conhecer um sistema 
econômico, as três perguntas distintas são formuladas, que permitem a compreensão de um sistema 
econômico: o que produzir, como produzir e para quem produzir.
Como os recursos da sociedade são escassos, cada vez que uma decisão é tomada, exclui-
se automaticamente a outra alternativa disponível para a utilização daquele recurso escasso. Logo, 
o conceito de custo de oportunidade, aplicável a outras áreas do pensamento econômico, pode ser 
definido como o custo de algo em termos de oportunidade renunciada. Cada sistema econômico é 
composto por três elementos básicos:
a. Estoque de recursos produtivos (recursos humanos, capital, terra, reservas naturais e tecnologias).
b. Complexo de unidades de produção (empresas).
c. Conjunto de instituições políticas, jurídicas e econômicas.
Assim, há três formas de se organizar a produção em um sistema econômico:
1. Sistema de tradição: possui índole mágico-religiosa. Caracteriza as sociedades arcaicas, como a 
antiga civilização egípcia.
2. Sistema de autoridade: baseia-se na crença na capacidade de previsão e execução dos órgãos 
centrais de direção (o Estado). Não acredita na autonomia como diretriz de solução para as 
questões econômicas. Um exemplo é o sistema socialista (modelo real).
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Unidade I
3. Sistema de autonomia: fundamenta-se na capacidade coordenadora do mercado (“mão invisível”), 
bem como no princípio hedonista da “lei do menor esforço”. Seu motor principal é o agente 
racional. Corresponde ao sistema capitalista.
Atualmente, as nações trabalham com os dois últimos sistemas, ou, ainda, alguma forma intermediária 
de autuação. Evidentemente que, em face do mundo contemporâneo, o sistema capitalista, ou economia 
de mercado (ou de autonomia), é o mais adotado pelas nações. Outra classificação estuda somente dois 
sistemas básicos vigentes:
1. Sistema socialista (ou economia centralizada): conhecida como economia planificada, pois as 
decisões econômicas são tomadas por um órgão central de planejamento (exemplo: antiga URSS).
2. Sistema capitalista (ou economia de mercado): as forças do mercado exercem suas atividades e a 
livre iniciativa e a propriedade privada têm destaque (exemplo: EUA).
Sistema econômico de autonomia
Para compreender melhor como se configura o sistema econômico de autonomia, atualmente, é 
importante que se assinalem alguns importantes marcos históricos. No século XVIII entrou em curso a 
primeira Revolução Industrial, baseada na invenção da máquina a vapor. Com esse avanço tecnológico, 
a indústria passou a substituir aos poucos o artesanato no continente europeu, tendo a Inglaterra como 
polo irradiador de mudanças. O século XVIII também acompanhou o desenvolvimento da teoria liberal 
política, que surgiu como contestação ao Absolutismo. Um de seus grandes expoentes foi o filósofo 
inglês Adam Smith. “A Riqueza das Nações”, obra de sua autoria, sintetiza perfeitamente as concepções 
liberais e progressistas daquele período e foi publicada em 1776 (no mesmo ano em que se proclamou 
a independência dos Estados Unidos). Além disso, “A Riqueza das Nações” marca o nascimento do 
pensamento econômico – quando ele finalmente se propõe como ciência social.
Já no século XIX, conforme a ciência econômica se consolidava e ganhava cada vez mais destaque 
na sociedade, acompanhou-se o surgimento da corrente utilitarista, cujo princípio básico é o de que os 
atos não devem ser avaliados como moralmente certos ou errados pelas intenções que carregam, mas 
pelas consequências que trazem (ganhos possíveis). Essa visão enraizou-se no pensamento econômico, 
oferecendo-lhe ampla fundamentação até os dias atuais. Entretanto, vale dizer que a concepção 
utilitarista se opõe – até radicalmente – ao modo pelo qual o Direito se estabelece na sociedade. De 
fato, a grande maioria das regras no Direito contém uma valoração, isto é, um julgamento do que é 
certo ou errado, deixando afastadas as consequências que implicarão ao serem postas em prática. Por 
outro lado, as decisões econômicas somente focam em um resultado que deve ser idealmente favorável.
Economia normativa e positiva
Os argumentos positivos explicam como os fenômenos de fato são e, sob essa perspectiva, pretendem 
compreender e prevê-los no mundo real. Por outro lado, os argumentos normativos tentam encontrar 
uma alternativa para a constituição dos fenômenos, isto é, estabelecem como eles deveriam ser. Esse 
julgamento é, normalmente, feito com base moral. A economia positiva e a economia normativa se 
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ECONOMIA
relacionam intimamente, uma vez que “é preciso entender para prever e prever para entender”. Quando é 
necessário tomar uma decisão, o economista tem de recorrer a algum desses dois aspectos. Por exemplo, 
no combate à inflação, várias políticas podem ser adotadas, algumas das quais podem prejudicar parte 
da sociedade.
Assim, acaba sendo necessário escolher entre adotar medidas radicais para resolver o problema do 
aumento dos preços (utilitarismo) ou adotar medidas mais moderadas, de leve impacto tanto na sociedade 
(por exemplo, evitando o que o desemprego se agrave) quanto no problema a ser solucionado. Com isso 
surge a necessidade de se dividir o estudo daeconomia em dois grandes segmentos: microeconomia e 
macroeconomia. É possível adotar dois campos de estudo na economia, um mais restrito e outro mais 
abrangente: eles correspondem, nessa ordem, à microeconomia e à macroeconomia.
A microeconomia (ou teoria dos preços) considera o comportamento das unidades econômicas 
e dos mercados em que operam, por exemplo, sob a perspectiva dos preços de determinado produto 
(exemplo: o café, o tomate, os automóveis). Estuda a formação do preço no mercado.
A macroeconomia volta-se para agregados mais amplos, como o mercado de uma nação 
inteira, levantando questões como: por que os produtos estão ficando mais caros? O que fazer para 
alavancar o crescimento econômico desse país? Por que é tão alto o índice de desemprego? Enfim, em 
analogia, a macroeconomia seria uma “floresta” da qual pertenceriam várias “árvores”, cada qual um 
pequeno universo analisado correspondente a cada perspectiva da microeconomia. Portanto estuda o 
comportamento da economia como um todo.
2. A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO
A economia não é estudada só no mundo moderno-contemporâneo. Durante muito tempo, a 
economia constituiu um conjunto de preceitos ou de soluções adaptadas a problemas particulares. 
Na Antiguidade grega, por exemplo, aparecem apenas algumas ideias econômicas, fragmentadas em 
estudos filosóficos e políticos, mas sem o brilho dos trabalhos nos campos da filosofia, ética, política, 
mecânica ou geometria. Embora o termo “econômico” (de oikos, casa, e nomos, lei) tenha sido utilizado 
pela primeira vez por Xenofontes, na obra do mesmo nome (no sentido de princípios de gestão dos bens 
privados), os autores gregos não apresentaram um pensamento econômico independente. De modo 
geral, trataram apenas de conhecimentos práticos de administração doméstica (dos lares).
Na Antiguidade romana, igualmente, não houve um pensamento econômico geral e independente, 
embora a economia de troca fosse mais intensa em Roma do que na Grécia. Na Idade Média, principalmente 
do século XI ao XIV, surgiu uma atividade econômica regional e inter-regional (com feiras periódicas 
que se tornaram célebres, como os de Flandres, Champagne, Beaucaire e outras), em que se organizaram 
corporações de ofício, generalizaram-se as trocas urbanos-rurais, retomou novo impulso o comércio 
mediterrâneo (Gênova, Piza, Florença e Veneza tornaram-se os grandes centros comerciais da época) 
etc. A Igreja procurou “moralizar” o interesse pessoal, reconheceu a dignidade do trabalho (manual e 
intelectual), condenou as taxas de juro, buscou o “justo preço”, a moderação dos agentes econômicos e 
o equilíbrio dos atos econômicos. De 1750 a 1870 começou a ser desenhada a economia como ciência e 
esse período foi marcado por diversos movimentos, entre eles se destacam os seguintes: 
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Unidade I
• A Fisiocracia: movimento que não existia em 1750. A Fisiocracia empolgou tanto Paris e Versalhes 
de 1760 a 1770; mas, por volta de 1780, esse movimento já estava esquecido, exceto por alguns 
economistas. Considerado por muitos autores, mais uma “seita” de filósofos-economistas do que 
uma escola econômica, esse movimento surgiu e desapareceu como um meteoro. Os fisiocratas 
conseguiram atento auditório entre os fidalgos da corte e os governantes da época: Catarina (Rússia), 
Estanislau (Polônia) e outros. A Fisiocracia impôs-se primeiramente como doutrina da ordem natural: 
o universo é regido por leis naturais, absolutas, imutáveis e universais; desejadas pela providência 
divina para a felicidade dos homens. Eles, por meio da razão, poderão descobrir essa ordem. 
• A Escola Clássica: embora a grande maioria dos autores tenha feito de Smith o apologista da 
nascente classe industrial capitalista, a verdade é que sua simpatia se voltava frequentemente para 
o operário e o trabalhador da terra, opondo-se aos privilégios e à proteção estatal que apoiavam 
o “sistema mercantil”. O modelo teórico de desenvolvimento econômico de Smith constituía parte 
integrante de sua política econômica: ao contestar o padrão mercantilista de regulamentação 
estatal e o controle, apoiava a suposição de que a concorrência maximiza o desenvolvimento 
econômico e de que os benefícios do desenvolvimento seriam partilhados por toda a sociedade. 
• O Marxismo: Karl Max opôs-se aos processos analíticos dos clássicos e às suas conclusões, com 
base no que Lenin considerou a melhor criação da humanidade no século XIX: a filosofia alemã, 
a economia política inglesa e o socialismo francês. Criticou a doutrina populacional de Matheus 
com base nas diferenças características dos diversos estágios da evolução econômica e seus 
respectivos modos de produção, afirmando que uma mudança no sistema produtivo pode converter 
em excedente demográfico uma aparente escassez populacional. Marx modificou a análise de 
valor, apesar de ter utilizado vários componentes da versão clássica da teoria do valor-trabalho, 
desenvolveu conceitos que se tornaram muito conhecidos, como o de mais-valia, capital variável, 
capital constante, exército de reserva industrial e outros. Porém, entre as correntes de pensamento 
e os teóricos que contribuíram para o desenvolvimento da ciência econômica que acompanha o 
sistema capitalista importante estudá-las por espaços temporais e seus principais expoentes.
O começo: mercantilistas e fisiocratas
Ambas as correntes se desenvolveram previamente à consolidação da ciência econômica, nos 
séculos XVI e XVII. Nessa época, o mundo europeu já passava por várias transformações. No campo 
político, o Absolutismo monárquico delineava-se em vários cantos do continente, encerrando um longo 
período de descentralização do poder (feudalismo), o qual passou a concentrar-se nas mãos de um 
soberano (monarca). No século XVI, iniciou-se a expansão marítimo-colonial, liderada pelos países da 
Península Ibérica: Portugal e Espanha. Logo em seguida, outras nações fizeram parte do processo, como 
a Inglaterra e a França. Foi nesse contexto que surgiu a corrente mercantilista, preocupada em explicar a 
nova realidade que se abria para os europeus. O mercantilismo propunha-se a determinar precisamente 
como poderia enriquecer uma nação. A resposta encontrada foi o comércio, ou seja, o intercâmbio de 
mercadorias com base em uma unidade de valor (a moeda) seria a prática que conduziria o país que 
desejasse acumular riquezas ao sucesso. Para garantir o lucro, os países da época adotaram medidas 
protecionistas, visando a manter sua balança comercial positiva – quando as exportações superam as 
importações. As relações econômicas entre metrópoles e colônias consagraram-se pelo Pacto Colonial, 
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ECONOMIA
que estabelecia regras de exclusividade. Por exemplo: no Brasil, somente portugueses poderiam praticar 
o comércio e, no mesmo sentido, os brasileiros somente poderiam vender sua produção (agrícola, 
predominantemente) para Portugal. Qualquer atividade comercial que desrespeitasse esses moldes seria 
considerada contrabando, sujeitando seus praticantes a uma determinada pena. Ao mesmo tempo, 
estimulava-se que as colônias vendessem o máximo possível para suas respectivas metrópoles, a fim de 
que elas pudessem revender com lucro para outras nações.
Outra característica importante do mercantilismo foi o metalismo: em tese, o país que detivesse 
mais ouro, prata e outros metais preciosos seria, na mesma proporção, o mais rico. Portugal e 
Espanha dedicaram suas economias intensamente à mineração, o que, no entanto, lhes trouxe uma 
série de prejuízos.
Já a corrente fisiocrata (palavra que se origina do termo grego physis) desenvolveu-se a partir do 
século XVII na França e estabeleceu, diferentemente da mercantilista, que a riqueza advém da natureza. 
Segundo esse raciocínio, a agricultura seria a principalatividade econômica, subordinando a indústria. 
Por exemplo: ao plantarmos e irrigarmos uma semente, após certo tempo, ela se desenvolve e, quando 
a nova planta alcança um estágio de amadurecimento, pode-se colher seus frutos para subsistência ou 
aproveitar sua madeira em alguma técnica.
Essa noção, por mais natural que possa parecer, revela-se um pouco ingênua, por uma série de 
motivos. Principalmente porque ignora quase que por completo a questão da produtividade agrícola. É 
fácil perceber que, utilizando recursos tecnológicos como insumos e fertilizantes obtidos da atividade 
industrial, tal produtividade aumenta consideravelmente. Assim, o papel da indústria é bastante 
relevante, principalmente nos dias atuais.
A Escola Clássica
O escocês Adam Smith foi amplamente influenciado pelos fisiocratas, tendo convivido com expoentes 
dessa corrente como os franceses François Quesnay e Turgot (que também exerceram, em períodos 
distintos, o cargo de ministro das finanças do Estado absolutista francês). Entretanto, ele já julgava que 
não só a agricultura teria um importante papel a desempenhar na economia, mas também a indústria e o 
comércio. A primeira Revolução Industrial foi acompanhada de perto por Adam Smith, que, devido ao fato 
de perceber as várias mudanças implicadas no sistema econômico capitalista graças a essa nova situação 
histórica, conseguiu elaborar de forma original uma teoria que abriu os precedentes para a consolidação 
do estudo econômico como verdadeira ciência, calcada na observação e na interpretação da realidade.
Em sua obra mais importante, “A Riqueza das Nações”, Smith preocupa-se em responder estas três 
perguntas:
1. Que fatores são responsáveis pelo crescimento humano?
2. Se o homem é egoísta por natureza, por que a sociedade não acaba, isto é, não se desagrega?
3. Para onde caminha a sociedade?
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Unidade I
Adam Smith, quanto à primeira indagação, entende que o crescimento econômico e a prosperidade 
dos países advêm do trabalho humano, cujo desempenho estaria condicionado por duas variáveis: a 
divisão de tarefas e a proporção de trabalhadores produtivos em relação aos improdutivos. O papel da 
divisão de tarefas é elucidado a partir do clássico exemplo da fabricação de alfinetes, cujo método já 
possuía uma sistematização no século XVIII.
Tal divisão tem como fundamento o princípio de que, quando etapas separadas de um processo são 
delegadas a várias pessoas, que as executam com rapidez e destreza, a produtividade final será bem maior, 
comparando-se ao desempenho de apenas uma pessoa realizando todas as etapas do mesmo processo. 
Leia o texto abaixo, extraído de “A Riqueza das Nações”, para compreender melhor esse conceito:
“Tomemos, pois, um exemplo, tirado de uma manufatura muito pequena, mas na qual a divisão do 
trabalho multas vezes tem sido notada: a fabricação de alfinetes. Um operário não treinado para essa 
atividade (que a divisão do trabalho transformou em uma indústria específica) nem familiarizado com 
a utilização das máquinas ali empregadas (cuja invenção provavelmente também se deveu à mesma 
divisão do trabalho), dificilmente poderia talvez fabricar um único alfinete em um dia, empenhando 
o máximo de trabalho; de qualquer forma, certamente não conseguirá fabricar vinte. Entretanto, da 
forma como essa atividade é hoje executada, não somente o trabalho todo constitui uma indústria 
específica, mas ele está dividido em uma série de setores, dos quais, por sua vez, a maior parte também 
constitui provavelmente um ofício especial.
Um operário desenrola o arame, um outro o endireita, um terceiro o corta, um quarto faz as pontas, 
um quinto o afia nas pontas para a colocação da cabeça do alfinete; para fazer uma cabeça de alfinete 
requerem-se 3 ou 4 operações diferentes; montar a cabeça já é uma atividade diferente, e alvejar os 
alfinetes é outra; a própria embalagem dos alfinetes também constitui uma atividade independente. 
Assim, a importante atividade de fabricar um alfinete está dividida em aproximadamente 18 operações 
distintas, as quais, em algumas manufaturas são executadas por pessoas diferentes, ao passo que, em 
outras, o mesmo operário às vezes executa 2 ou 3 delas.
Vi uma pequena manufatura desse tipo, com apenas 10 empregados, e na qual alguns desses 
executavam 2 ou 3 operações diferentes. Mas, embora não fossem muito hábeis, e, portanto, não 
estivessem particularmente treinados para o uso das máquinas, conseguiam, quando se esforçavam, 
fabricar em torno de 12 libras de alfinetes por dia. Ora, 1 libra contém mais do que 4 mil alfinetes de 
tamanho médio. Por conseguinte, essas 10 pessoas conseguiam produzir entre elas mais do que 48 mil 
alfinetes por dia. Assim, já que cada pessoa conseguia fazer 1/10 de 48 mil alfinetes por dia, pode-se 
considerar que cada uma produzia 4 800 alfinetes diariamente.
Se, porém, tivessem trabalhado independentemente um do outro, e sem que nenhum deles tivesse 
sido treinado para esse ramo de atividade, certamente cada um deles não teria conseguido fabricar 20 
alfinetes por dia, e talvez nem mesmo 1, ou seja: com certeza não conseguiria produzir a 240ª parte, 
e talvez nem mesmo a 4 800ª parte daquilo que hoje são capazes de produzir, em virtude de uma 
adequada divisão do trabalho e combinação de suas diferentes operações.”
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ECONOMIA
Adam Smith possui uma visão otimista quanto ao futuro da sociedade, que se justificaria porque, nesse 
tempo, o sucesso de negócios empresariais acabaria se revertendo em benefícios para os trabalhadores, 
na forma de salários mais vantajosos. Exemplo atual disso seria a conquista de regulamentação 
profissional das empregadas domésticas, que veio acompanhada de melhores condições de serviço e 
remuneração. Nessa corrente também se destaca David Ricardo (1722-1823). Ele busca fornecer à teoria 
econômica uma explicação para a distribuição do excedente entre as diversas classes sociais, importante 
preocupação que não havia sido abordada por Adam Smith. Além disso, ele formaliza muitos conceitos 
econômicos, conquistando o papel de maior influente entre os clássicos. Dentre sua vasta produção, é 
importante estudar as seguintes construções: a teoria do valor e a teoria das vantagens comparativas.
A primeira teoria estabelece que o produto ou a mercadoria valem exatamente a quantidade de 
trabalho neles incorporada, ou seja, a soma de trabalho mediato e imediato. Sua significação na realidade 
se estabelece da seguinte maneira: se uma mercadoria for produzida pelo emprego de uma máquina e 
um trabalhador, entram no cálculo do valor da mercadoria tanto o custo em trabalho do trabalhador 
(gasto imediato) como o custo do trabalho incorporado à máquina (gasto mediato). Isso, entretanto, 
não explica os preços de determinado produto no mercado, uma vez que eles também oscilam de acordo 
com sua oferta e procura. Por sua vez, a teoria das vantagens comparativas estabelece que o comércio 
entre nações que se especializam na produção dos itens para os quais estão mais aparelhadas é benéfico 
para todas as partes.
Como exemplo pode-se citar o câmbio entre Portugal (vinhos) e Inglaterra (tecidos): a troca de 
excedentes entre esses países manteria suas economias funcionando e gerando recursos para que se 
melhorasse a sua especialização. Esse argumento foi uma poderosa arma nas mãos dos adeptos do livre 
comércio. Contudo, já no século XX, foi alvo de críticas da CEPAL (Comissão Econômica para a América 
Latina da ONU) e de Raul Prebisch, uma vez que possibilitaria a deterioração dos termos de troca, 
favorecendo a parte cujo sistema de produção seria comparativamente mais eficiente.
Outro estudioso foi Thomas Malthus (1766-1824). Ele foi contemporâneo de David Ricardo e sua 
literatura foi largamente influenciada pelos acontecimentosde seu tempo: a Revolução Industrial, a 
Revolução Francesa e as guerras napoleônicas. Seu ensaio sobre o princípio da população enuncia que a 
causa de todos os males sociais está na fertilidade humana, sendo a guerra e as epidemias ferramentas 
de controle do aumento populacional – que tenderia à derrocada da civilização. É necessário dizer 
que essa concepção, embora supostamente encontrasse amparo na época em que foi elaborada, foi 
desmentida, dentre outros fatores, pelos recentes avanços tecnológicos na agricultura, cuja produção, a 
partir da Revolução Verde, nunca foi tão alta e capaz de sustentar as populações humanas.
Malthus também se preocupou com o problema da superprodução, por não acreditar na concepção 
liberal dominante na época de que “para cada oferta haveria uma demanda” (Lei de Say). Uma solução 
sugerida para esse dilema foi o aumento da demanda por bens de consumo, isto é, do papel das camadas 
consumidoras de produtos úteis e empregados nas mais diversas áreas do dia a dia. Essa sugestão foi, 
posteriormente, aproveitada por John Keynes, já no século XX.
Destaque merece a denominada “Era Neoclássica” (1870-1930). Enquanto os clássicos (Adam Smith, 
David Ricardo, Thomas Malthus e Karl Marx) estudaram as relações de produção que surgiam entre 
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Unidade I
indivíduos, o enfoque da escola neoclássica ou marginalista foi bem outro: as relações que se estabelecem 
entre a produção material e seres humanos. A preocupação principal dos teóricos que a desenvolveram 
(William Jevons, Carl Menger e Léon Walras) foi a alocação ótima de recursos entre fins alternativos 
(oferta = demanda), que culminou na formulação das ideias de escassez e acréscimos marginais. Além 
disso, elaboraram-se os conceitos de utilidade total e utilidade marginal, relacionados ao valor possuído 
por determinado produto. A utilidade total representa uma tendência progressiva, mas tendente a um 
estado de equilíbrio; por sua vez, a utilidade marginal é concebida como supérflua e, nesse sentido, é 
propensa a decair. Em termos mais concretos: a utilidade total corresponderia à frase “sempre é útil um 
carro a mais”, enquanto a utilidade marginal satisfaria a seguinte proposição: “o segundo carro é menos 
útil que o primeiro”.
Com base nas informações sobre utilidade, os agentes de mercado tomam suas decisões sobre a 
alocação de recursos. Em um mercado livre, as flutuações permitiriam que as quantidades e os preços 
se adaptassem até atingir o equilíbrio. Dentre os estudos conduzidos, encontra-se o de Vilfredo Paretto 
(1848-1923), para quem um sistema desfruta satisfação econômica máxima quando ninguém pode ter 
sua situação melhorada sem piorar a de outrem. Em um mercado isolado, isso significa que a venda 
abaixo do preço de equilíbrio geraria escassez, deixando parcela da demanda não atendida. Do mesmo 
modo, a venda acima do preço de equilíbrio geraria excesso de oferta, o que significa desperdício.
Veja-se que tais condições somente podem funcionar sob a égide da concorrência perfeita. Como 
o próprio nome diz, ela é perfeita e corresponde à situação em que, teoricamente, a geração de 
riqueza para a sociedade é máxima. Porém, não existe nada perfeito e os cenários a serem estudados 
se aproximam dele. Logo, a concorrência perfeita é um modelo totalmente livre. As premissas desse 
modelo dificilmente se encontram na realidade. Veja-se apenas algumas destas hipóteses:
a) Muitos vendedores e muitos compradores (atomização do mercado ou ausência de poder 
econômico).
b) Homogeneidade do produto (produto deve ser igual ou muito semelhante).
c) Mobilidade das empresas (empresas podem entrar e sair do mercado a qualquer tempo sem custos 
irrecuperáveis).
d) Racionalidade: todos os agentes agem com racionalidade, fazendo uma análise custo benefício 
antes da tomada das decisões.
e) Transparência do mercado: todos os consumidores possuem acesso a todas as informações para 
tomada de suas decisões.
f) Inexistência de externalidades.
g) Plena mobilidade de bens, ou seja, não há custo de transporte.
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ECONOMIA
O Keynesianismo
Finalmente surge no século XX um grupo de estudiosos baseados no denominado “Keynesianismo”. 
Em 1929, a Crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque gerou uma crise econômica sem precedentes. Houve 
uma elevação dramática do desemprego e a maioria das tentativas de remediar os efeitos nefastos se 
mostraram infrutíferos a princípio. Tais medidas partiam da Lei de Say, a qual afirmava que o processo 
de produção capitalista é um processo de geração de rendas, de modo que toda a oferta gerava a sua 
demanda. Contudo, os fatos não correspondiam à realidade. As medidas do New Deal implementadas 
nos Estados Unidos, a partir de 1932, pelo presidente Roosevelt, começavam a ter resultado; mas ainda 
assim, careciam de base ou explicação teórica. Os sindicatos começam a romper a lei da oferta e da 
demanda no mercado de trabalho, na medida em que não permitem mais a queda dos salários em 
termos nominais. Constatou-se que a concorrência perfeita era, em realidade, um modelo distante da 
realidade. Nesse contexto, em 1936, John Maynard Keynes (1883-1946) publicou a sua “Teoria Geral da 
Moeda e dos Juros”.
Keynes parte do pressuposto de que os problemas do desemprego e da distribuição desigual de renda 
podem ser eliminados por meio de Estado. Para tanto, rebate a Lei de Say, argumentando que a demanda 
efetiva era composta de bens de consumo (função renda), mas também de bens de investimento (função 
de juros e expectativa quanto aos lucros). A função renda é determinada pelos gastos de consumo e 
investimento. O consumo tende a ser estável e o aumento de renda aumenta o consumo em proporção 
menor. Assim, haveria uma relação entre a renda e o investimento: a renda seria determinada em grande 
parte pelo investimento. Como ele se sujeita às expectativas, logo a instabilidade do investimento explica 
a instabilidade do capitalismo.
Logo, a formulação do “Princípio da Demanda Efetiva” corresponde à negação da Lei de Say. Gastos 
em consumo e investimento fomentariam a demanda, a qual, em seu turno, determinaria a produção. 
A demanda efetiva corresponderia também ao que se espera seja gasto em consumo e investimento. 
As propostas do keynesianismo tiveram um enorme impacto no século XX. Também chamado de 
neoliberalismo, as políticas keynesianas tiveram um papel fundamental na consolidação do Estado do 
Bem-Estar Social e amenizaram significativamente as crises até os anos 1970. A intervenção do Estado 
na economia, antes relegada a um papel meramente secundário e circunstancial, assume destaque na 
vida econômica dos países e a política econômica sobre ao centro das atenções, explicitando os fins 
corretivos a serem perseguidos mediante “distorções” impostas ao livre funcionamento do mercado.

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