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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA GABRIELA DE PAULA CORREA GUILHERME AUGUSTO DOS SANTOS TAVARES LUIZ FÁBIO SILVA ROCHA MATHEUS TEODORO DE SOUZA NATHÁLIA CRISTINA ALVES SANTOS SHEILA DANIELE CASTORINO DE CARALHO AVALIAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE PLACA CIMENTÍCIA COMO SISTEMA DE VEDAÇÃO EM EDIFICAÇÕES: SOLUÇÕES CONSTRUTIVAS BELO HORIZONTE 1° SEMESTRE DE 2017 GABRIELA DE PAULA CORREA GUILHERME AUGUSTO DOS SANTOS TAVARES LUIZ FÁBIO SILVA ROCHA MATHEUS TEODORO DE SOUZA NATHÁLIA CRISTINA ALVES SANTOS SHEILA DANIELE CASTORINO DE CARALHO AVALIAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DE PLACA CIMENTÍCIA COMO SISTEMA DE VEDAÇÃO EM EDIFICAÇÕES: SOLUÇÕES CONSTRUTIVAS Laboratório de Aprendizagem Integrada 4B, apresentado ao Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário UNA, pelos alunos do 5° período. Orientadora: Professora Danusa Campos Teixeira dos Santos. BELO HORIZONTE 1° SEMESTRE DE 2017 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4 2. OBJETIVO .................................................................................................. 5 2.1 OBJETIVO GERAL.................................................................................... 5 2.2 OBJETIVO ESPECÍFICOS ........................................................................ 5 3. REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................... 5 4. METODOLOGIA ......................................................................................... 7 5. VERSATILIDADE DAS PLACAS A FIM DE VERIFICAR SUA VIABILIDADE PERANTE SUA UTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL .................... 8 5.1 APLICAÇÃO .............................................................................................. 8 5.2 METÓDOS CONSTRUTIVOS ................................................................... 9 6. PESQUISAS RELACIONADAS AO DESEMPENHO DO MATERIAL....... 11 6.1 CARACTERÍSTICAS MECÂNICAS......................................................... 11 6.2 ISOLAMENTO TERMOACÚSTICO......................................................... 13 6.2.1 ISOLAMENTO TÉRMICO ................................................................. 13 6.2.2 ISOLAMENTO ACÚSTICO ............................................................... 14 6.2.3 ENSAIO DE RESISTÊNCIA AO FOGO ............................................ 15 7. NOVAS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS QUE POSSUEM MENOR IMPACTO AO MEIO AMBIENTE, ALÉM DE DIMINUÍREM COSIDERAVELMENTE O TEMPO E O CUSTO BENEFÍCIO DA OBRA ............................................................ 17 7.1 CUSTO BENEFÍCIO................................................................................ 17 7.2 VANTAGENS E DESVANTAGENS......................................................... 18 7.2.1 VANTAGENS .................................................................................... 18 7.2.1 DESVANTAGENS ............................................................................ 19 CONCLUSÃO ................................................................................................... 20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 21 4 1. INTRODUÇÃO O crescente aumento populacional das áreas urbanas nas últimas décadas gera uma demanda por moradias e infraestrutura urbana que, por sua vez, colabora com o crescimento da indústria da construção civil, produtora de bens de consumo duráveis, mas também grande geradora de resíduos (CELESTINO, CARASEK, CASCUDO, 2014). No Brasil, os Resíduos da Construção Civil podem representar de 50% a 70% da massa dos Resíduos Sólidos Urbanos, de acordo com dados do estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2015, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) (GONSALEZ, 2017). Com o crescimento do mercado da construção as empresas construtoras enfrentaram alguns problemas ocasionados pelo desperdício de materiais, baixa produtividade e elevação do custo. Este cenário incentivou as construtoras a pensar na modernização dos meios de produção e industrialização dos canteiros de obras como instrumento de competitividade. Contribuindo para impulsionar a Inovação na Construção Civil e Industrialização dos Processos Construtivos. Soluções construtivas mais rápidas e simples vêm ganhando espaço no Brasil. Na Europa e Estados Unidos já são amplamente utilizados em substituição a alvenaria convencional na construção civil, seja em projetos de casas populares, como em prédios comerciais (NAKAMURA, 2012). As placas cimentícias colaboram com a disseminação da construção modular e proporcionam flexibilidade às obras constituídas a partir de elementos pré-fabricados. Segundo PONTES (2010), arquiteto gerente de Marketing e Administração de Vendas da Eternit, a solução agrega valor a projetos que pedem a otimização do espaço físico e de tempo, garantindo a qualidade de acabamento. Considerando o método como uma alternativa rápida, limpa e econômica para a construção civil. De acordo com o profissional, as placas cimentícias são uma ótima alternativa para sistemas de construção seca, indicadas para projetos que justifiquem uma preocupação com os detalhes porque permitem trabalhar com cronogramas bem definidos, geram menos entulho, proporcionam ganho de área útil e exercem menor sobrecarga nas fundações e lajes. https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/placas-cimenticias-podem-ser-associadas-a-sistemas-de-construcao-a-seco_6596_0_1 https://www.aecweb.com.br/cont/m/cc/cresce-a-demanda-por-pre-fabricados-de-concreto_7096 https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/residuos-da-construcao-civil-devem-ter-destinacao-e-gestao-adequada_6592_0_1 5 Partindo do princípio de que os efeitos da modernização dos processos construtivos para o setor e para a sociedade como um todo são necessários no processo de desenvolvimento econômico e social do país, o trabalho pretende realizar um diagnóstico e caracterização de necessidades para impulsionar a inovação na construção civil e industrialização dos processos construtivos. Apresentando levantamentos e estudos sobre o tema e tendo com foco especifico a analise e metodologia construtiva do sistema construtivo modular com a utilização de placa cimentícias. 2. OBJETIVO 2.1 OBJETIVO GERAL Apresentar um sistema construtivo modular a partir de Placas Cimentícias fixadas em estruturas de Light Steel Framing. 2.2 OBJETIVO ESPECÍFICOS - Apresentar a versatilidade das placas a fim de certificar sua viabilidade perante sua utilização na construção civil. - Verificar em pesquisas relacionadas ao desempenho do material. - Promover novas soluções tecnológicas que possuem menor impacto ao meio ambiente, além de diminuírem consideravelmente o tempo e o custo benefício da obra. 3. REFERENCIAL TEÓRICO A alvenaria de vedação pode ser definida como a alvenaria que não é dimensionada para resistir a ações além de seu próprio peso. O subsistema vedação vertical é responsável pela proteção do edifício de agentes indesejáveis (chuva, vento etc.) e também pela compartimentação dos ambientes internos (SILVA, 2006). De uso versátil e facilmente transportada de uma área para outra, a construção modular é uma solução industrializada, praticamente toda moldada na fábrica. Sua principal qualidade está no tempo reduzido de produção e implantação (DEBONI, 2016). 6 Segundo Deboni (2016) o custo da construção modular poderá será maior caro, dependendo do caso. Mas comparar custos da alvenaria convencional, com os métodos construtivos é difícil, pois, se for levado em consideração o gasto, a demora e os prejuízos indiretos de construção de uma área, a construção modularse tora extremamente mais viável. O Light Steel Framing ou somete Steel Frame é um sistema construtivo modular estruturado em perfis de aço galvanizado formado a frio, projetados para suportar as cargas da edificação e trabalhar em conjunto com outros sub-sistemas industrializados, de forma a garantir os requisitos de funcionamento da edificação (CAMPOS, 2012). O light steel framing recebe o nome de construção a seco por não utilizar água no canteiro de obras, com exceção da parte da fundação. As placas cimentícias, chapas lisas fabricadas em fibrocimento, surgiram no mercado nacional na década de 70. Sua comercialização se intensificou após a década de 90, com o desenvolvimento do mercado de construção seca e industrializada (SANTI, 2015). As placas cimentícias são fixadas na estrutura de steel frame, podendo receber diretamente o revestimento. Os isolantes térmicos e acústicos colocados entre as placas cimentícias na vedação da estrutura de steel frame, atualmente se inserem em conceitos de construções sustentáveis por vários aspectos. O principal deles é a economia de energia (consumo e demanda da edificação). Outro aspecto importante é a durabilidade dos isolantes, pois uma vez incorporados à edificação permanecerão pelo tempo que a mesma existir, sem necessidade de substituição ou manutenção, o que reduz a quantidade de resíduos e a demanda de recursos naturais para produzir novamente (LIMA, 2011). De acordo com Lima (2011), o isolamento térmico está diretamente ligado à economia de energia, além de influenciar nos custos financeiros e da manutenção em sistemas que controlam as temperaturas internas, também há um ganho ambiental por reduzir a demanda de energia necessária para o seu bom funcionamento. Conforme a norma da ABNT- NBR 15.498, as placas cimentícias são dividas em duas classes. Classe A referente às placas que são aplicadas externamente, sujeitas à ação direta do sol, chuva, calor e umidade. As placas da classe B são indicadas a aplicações internas e aplicações externas não sujeitas à ação direta de sol, chuva, calor e umidade. 7 4. METODOLOGIA Para o presente trabalho foi empregado métodos bibliográficos tais como, trabalhos acadêmicos, normas, jornais e materiais disponibilizados em meio eletrônico para uma melhor conhecimento sobre o desempenho e versatilidade das placas cimentícias. Foi realizada algumas entrevistas com diferentes profissionais e entidades da área como, por exemplo, a empresa Racional Engenharia e o grupo Bricka Sistemas Construtivos nos quais ambos disponibilizaram materiais para a coleta de informações e com isso, agregaram conhecimento e melhor domínio ao trabalho proposto. Para uma melhor análise comparativa a resistência ao fogo da alvenaria convencional e das placas cimentícias foi utilizado um estudo de ensaio feito pela empresa PlacLuxa, tais estudos foram feitos de acordo com a norma NBR 9442/1986 – Materiais de Construção: Determinação do Índice de Propagação Superficial de Chama pelo Método do Painel Radiante e a norma ISO 1182/2010 – Fire Teste – Building Material: Non-Combustibility Test. 8 5. VERSATILIDADE DAS PLACAS A FIM DE VERIFICAR SUA VIABILIDADE PERANTE SUA UTILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL 5.1 APLICAÇÃO O uso das placas cimentícias está associado ao sistema steel framing, que é uma estrutura composta por perfis formados a frio de aço galvanizado, que constituem painéis estruturais, que são verdadeiros esqueletos para edificação. Tendo essa moldagem, as placas cimentícias são utilizadas como fechamento dessas estruturas, formando as paredes da edificação. Tais placas são adequadas tanto para áreas secas quanto molhadas (Tabela 2). O produto é bastante utilizado para revestimentos externos, como fachadas, e também em áreas internas, como cozinhas e banheiros, destinas em função da espessura (Tabela 1). Tabela 1 – ESPECIFICAÇÕES Espessura (mm) Largura (m) Comprimento (m) Peso (Kg) Área (m 2 ) Peso (Kg/m 2 ) Ambientes 6 1,20 2,00 2,40 3,00 24,4 29,4 36,7 2,40 2,88 3,60 10,2 10,2 10,2 Interno 8 1,20 2,00 2,40 3,00 32,6 39,2 49,0 2,40 2,88 3,60 13,6 13,6 13,6 Interno 10 1,20 2,00 2,40 3,00 40,8 49,0 61,2 2,40 2,88 3,60 17,0 17,0 17,0 Interno Externo 12 1,20 2,00 2,40 3,00 48,9 58,7 73,4 2,40 2,88 3,60 20,4 20,4 20,4 Interno Externo Fonte: (GOUVEA, 2015) As dimensões reais das placas têm 3 mm a menos em ambos os sentidos, em função da junta necessária entre as placas. 9 Tabela 2 – APLICAÇÕES Espessura (mm) Aplicações 6 Pequenos arremates, elementos decorativos, dutos de ar condicionado e divisórias leves. 8 Paredes internas em áreas secas e úmidas, paredes diafragmas, aplicadas com ou sem revestimento. 10 Utilizadas em áreas secas e úmidas, internas e externas em sistema Steel Framing ou Wood Framing. 12 Utilizadas na compartibilização com montagens em Drywall ou em aplicações que necessitem de maior desempenho técnico. Fonte: (ETERNIT, 2017) 5.2 METÓDOS CONSTRUTIVOS No processo de montagem das placas cimentícias, quando uma estrutura será montada dos dois lados da parede, deve ser observado que as juntas da face interna não podem coincidir no mesmo local que o da face externa para acondicionar a rigidez do conjunto. Os montantes dos perfis verticais devem receber um espaçamento máximo de até 40cm (Figura 1), onde as placas devem ser fixadas mesmo nos conjuntos que tiverem o espaçamento com distancia menor do que a permitida (PONTES, 2010). Figura 1 – ESPAÇAMENTO DO MONTANTE A FIXAÇÃO DA PLACA Fonte: (PONTES, 2010) Os perfis de material metálico são constituídos por chapas, com posicionamento a 1 cm do piso. Os modelos de parafusos mais indicados para a construção de uma estrutura feita com as placas são do tipo brocante, que nada mais são parafusos que perfuram e travam a placa na estrutura através de uma parafusadeira com limitador de profundidade, e devem ser colocados a uma distancia mínima de 1,5cm da borda 10 (Figura 2). É importante, também, alternar as linhas de fixação para não fragilizar a estrutura com furos segmentados (PONTES, 2010). Figura 2 – DISTÂNCIA MINÍMA DO PARAFUSO ATÉ A BORDA Fonte: (PONTES, 2010) A distância entre pontos de fixação é de 30 a 40 cm para as guias, e de 20 a 30 cm para os montantes (Figura 3). Figura 3 – DISTÂNCIA ENTRE PONTOS DE FIXAÇÃO . Fonte: (PONTES, 2010) As fixações verticais e horizontais devem manter a distância de, no mínimo, 10 cm e 5 cm das bordas, respectivamente, evitando formar ângulos de 45° (Figura 4). Deve ser respeitado uma distancia de 3mm entre as juntas das placas para não serem danificadas por um processo natural de dilatação. Figura 4 – FIXAÇÕES VERTICAIS E HORIZONTAIS Fonte: (PONTES, 2010) 11 Após a instalação das placas, as juntas de dilatação são preenchidas com produtos elastoméricos (Figura 5), que podem ser de dois tipos: - As juntas invisíveis, onde elas são cobertas por uma parede lisa que receberá revestimentos e decorações. - Juntas aparentes, onde elas ficam a mostra como parte da decoração do ambiente instalado. Figura 5 – PREENCHIMENTO DAS JUNTAS DE DILATAÇÃO Fonte: (PONTES, 2010) 6. PESQUISAS RELACIONADAS AO DESEMPENHO DO MATERIAL 6.1 CARACTERÍSTICAS MECÂNICAS As placas de cimentícias contemplada pela norma 15498 - Placa de fibrocimento sem amianto - Requisitos e métodos de ensaio, são classificadas em classe A e B (Tabela 3). Tabela 3 – REQUISITOS GERAIS: CLASSIFICAÇÃO Classificação Observação CLASSES A Indicadas para aplicações externas sujeitas à ação de sol, chuva, calor e umidade. As placas são classificadas em quatro categorias, de acordo comsua resistência à tração na flexão. B Indicadas para aplicações internas e aplicações externas não sujeitas à ação direta de sol, chuva e umidade. As placas são classificadas em cinco categorias de acordo com sua resistência à tração na flexão. Fonte: NBR 15498 12 As especificações da resistência das placas da classe A devem corresponder à condição saturada, que consiste em amostras ensaiadas mantendo os corpos de prova imersos em água à temperatura entre 5ºC e 40ºC, por período variando entre 24 a 48 horas, dependendo da espessura nominal. Quanto às especificações das resistências das placas da classe B devem corresponder à condição de equilíbrio, que consiste em amostras ensaiadas mantendo os corpos de prova ao menos três dias em atmosfera controlada com temperatura de (23 ± 10)°C e umidade relativa de (50 ± 20) % estocados de tal que todas as faces sejam corretamente ventiladas. A resistência à tração a flexão das placas, obtida através do ensaio: Método do ensaio O ensaio é realizado com quatro corpos de prova retirados duas em direção longitudinal e duas em direção transversal de cada placa. Podendo as amostras ser quadradas ou retangulares dependendo da espessura da placa. A seguir devera ser condicionado de acordo com as prescrições saturas e de equilíbrio. O dispositivo de ensaio é composto de dois suportes, um fixo e outro com alinhamento livre e uma barra de carregamento (Figura 6). Figura 6 – ESQUEMA DO DISPOSITIVO DO ENSAIO DE FLEXÃO Fonte: NBR 15498 O corpo de prova e apoiado sobre suporte de forma que a carga seja aplicada ao longo de sua linha mediana por meio da barra de carregamento. Medir a espessura em torno da linha de ruptura, que será gerada a aproximadamente entre 10 a 30 segundos, após a carga aplicada. A resistência à tração na flexão é dada pela media aritmética dos quatro valores obtidos e deverá atender aos valores indicados na Tabela 4. Essa resistência é a média dos valores obtidos das amostras ensaiadas nas duas direções, sendo que na direção de menor resistência não poderá ser menor que 70% do valor especificado na tabela abaixo. 13 Tabela 4 – REQUISITOS DE RESISTÊNCIA A TRAÇÃO NA FLEXÃO CATEGORIA PLACAS DA CLASSE A PLACAS DA CLASSE B 1 - 4 MPa 2 4 MPa 7 MPa 3 7 MPa 10 MPa 4 13 MPa 16 MPa 5 18 MPa 22 MPa Fonte: NBR 15498 6.2 ISOLAMENTO TERMOACÚSTICO 6.2.1 ISOLAMENTO TÉRMICO Uma das mais apreciadas qualidades numa casa e talvez a menos conseguida, é o isolamento térmico. Os materiais deveriam conferir à habitação um completo escudo contra as variações de temperatura e de umidade sentidas no exterior. Nestes aspectos, uma casa com estrutura em light steel framing é completamente isolada do exterior por placas cimentícias e vários centímetros de isolamento térmico (Figura 7). As características tanto da placa como do isolante conferem ao edifício uma proteção térmica impossível de conseguir numa construção comum. Com todos estes materiais, o interior de uma construção light steel framing é considerado um ambiente de clima controlado. Isto representa uma poupança de energia que será cada vez mais significativa conforme o passar dos anos. Devido a isto, normalmente as habitações deste tipo são equipadas com ar condicionado ou sistemas de recuperação de calor de lareiras visto que se exige um baixo consumo energético fornecer aos moradores o necessário conforto. 14 Figura 7 – ESTRUTURA DE STEEL FRAME, PLACA CIMENTÍCIA E ISOLAMENTO TERMOACÚSTICO Fonte: (GOUVEA, 2015) 6.2.2 ISOLAMENTO ACÚSTICO Na maior parte das edificações modernas é necessário levar em consideração o som produzido em outras dependências da casa ou mesmo o ruído proveniente do exterior. Muitas vezes pensa-se que a única forma de evitar a propagação do ruído é aumentar a largura das paredes. No entanto, este problema poderia ser resolvido caso se utilizassem materiais que comprovadamente revelam ser maus condutores do som, ao contrário do que acontece com o tijolo e o cimento. Os isolantes acústicos (Figura 8,9 e 10) utilizados na cavidade interior das paredes são eficazes não só pela sua estrutura como também pela sua densidade, sendo considerados por testes laboratoriais como possuindo alto poder de reter o som. Paredes de alvenaria finas costumam isolar menos de 40 dB, índice considerado baixo pela cartilha da ABNT, segundo a NBR 15.575, o mínimo deve ser entre 40 e 44 dB para que uma conversa em voz alta no recinto ao lado seja audível, mas não compreensível. Com a utilização da placa cimentícia de 10mm e o perfil metálico de aproximadamente 90mm, o isolamento acústico chega a 45 dB. Quando é inserido outro material isolante entre as placas chega a 57 dB o isolamento acústico. 15 Alguns tipos de isolantes existentes no mercado são: Figura 8 – LÃ DE VIDRO Figura 9 – LÃ DE PET Fonte: (TREVO ,2016) Fonte: (LEROY, sem data) Figura 10 – LÃ DE ROCHA Fonte: (MAGRE, 2012) 6.2.3 ENSAIO DE RESISTÊNCIA AO FOGO Com o intuito de comparar o sistema construtivo de Alvenaria e o sistema construtivo de Placa Cimentícia, a empresa PlacLux realizou o ensaio de resistência ao fogo em duas caixas, conforme as normas ISO 1182 e ABNT NBR 9442. A primeira foi feita utilizando blocos cerâmicos de 14cm de altura, 19cm de comprimento e 9cm de largura, com assentamento e reboco utilizando argamassa. A segunda foi feita utilizando uma estrutura de steel frame de 90mm de largura de aço galvanizado, placa ProFort de 12,5mm de largura, duas paredes foram preenchidas com lã de vidro de 50mm de largura e outras duas foram preenchidas com lã de rocha de 50mm de largura. O ensaio realizado no dia 17 de fevereiro de 2017 pela PlacLux teve uma duração de 6 horas e consistiu em verificar a temperatura interna, os aspectos estéticos e estrutural dos corpos de provas e a temperatura das faces expostas e não expostas das paredes. 16 As medidas foram realizadas a cada hora, de modo a acompanhar o desenvolvimento do ensaio e a ação que o fogo representou em cada estrutura. Após o ensaio de ambos os sistemas construtivos, verificou-se que a parede de alvenaria obteve resistência de 3 horas, porém durante o processo apresentou características que colocavam em risco a segurança do teste, como surgimento de trincas, fissuras e deslocamento das paredes ocasionadas por dilatação do material. As paredes com o sistema de placas cimentícias da ProFort obtiveram resistência de 6 horas (Gráfico 1), porém se mantiveram estáveis e sem surgimento de danos estruturais que poderiam comprometer sua estabilidade. Além disso, a temperatura medida nas paredes externas demonstra maior resistência térmica, visto que a temperatura da alvenaria ao final do ensaio estava com 141° (Gráfico 2) , já as paredes de placa cimentícia estavam com média de 85° no término do teste. Gráfico 1 – TEMPERATURA INTERNA Fonte: (PLACLUX, 2017) Gráfico 2 – TEMPERATURA EXTERNA DAS PAREDES Fonte: (PLACLUX, 2017) 17 7. NOVAS SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS QUE POSSUEM MENOR IMPACTO AO MEIO AMBIENTE, ALÉM DE DIMINUÍREM COSIDERAVELMENTE O TEMPO E O CUSTO BENEFÍCIO DA OBRA 7.1 CUSTO BENEFÍCIO O comparativo de custo benefício da alvenaria tradicional e da estrutura em steel frame revestida com placa cimentícia, utilizamos os dados fornecidos pela revista PINI (2009). O orçamento realizado pela revista PINI não considerou a economia proporcionada pela racionalização e tempo de execução da obra em steel frame, foi orçado somente o custo direto de execução. Para comparativo foi utilizado um cômodo de 16 m² (4 x 4) (Tabela 5). Tabela 5 – COMPARAÇÃODE CUSTOS Fonte: Próprios Autores De acordo com a arquiteta RIZZO (2010), gerente de desenvolvimento de produtos, a escolha pelo steel frame faz parte da busca por sistemas industrializados. Apesar de se falar em custos mais elevados para a execução de obras com steel frame e segundo o engenheiro (SILVA, 2010), gerente de orçamento de obras, a diferença não é tanta comparada ao sistema convencional, principalmente se a redução do prazo de construção for considerada. A análise do custo puramente por metro quadrado pode maquiar uma situação desfavorável ao proprietário, já que a construção em alvenaria é marcada por imprecisões construtivas e orçamentárias, gerando custos que o cliente “não sente”, isto é, gasto de tempo com acompanhamento de obra, stress em lidar com equipe de obra, gasto de material excessivo e não previsto originalmente, e o longo tempo para conclusão gera distorções como reajuste inflacionário dos produtos. DESCRIÇÃO UNIDADE QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO CUSTO TOTAL Laje pré-fabricada e=12 cm m² 16,00 75,58R$ 1.209,28R$ Concreto estrutural fck 35 MPa m³ 1,92 286,50R$ 550,08R$ Fôrma com chapa compensada resinada para pilares/vigas/lajes e escoras m² 20,00 29,84R$ 596,80R$ Armadura de aço para estruturas em geral, CA-50, ø 8,0 mm kg 54,00 7,46R$ 402,84R$ Alvenaria de vedação com blocos cerâmico furado, 19 x 19 x 39 cm m² 43,20 36,94R$ 1.595,81R$ TOTAL 4.354,81R$ DESCRIÇÃO UNIDADE QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO CUSTO TOTAL Steel frame para parede externa, fechamento com placa cimentícia para ambiente seco, espaçamento entre os perfis verticais de 60 cm m² 59,20 108,36R$ 6.414,91R$ TOTAL 6.414,91R$ CÔMODO EM ALVENARIA TRADICIONAL CÔMODO EM STEEL FRAME 18 Pela alta precisão do método, rapidez na conclusão e profissionalização na construção, o steel frame permite fidelidade orçamentária sem a ocorrência de gastos extras e surpresas desagradáveis. Graças à popularização do método e aumento da concorrência no setor, o preço do metro quadrado entre a alvenaria e o steel frame hoje são compatíveis, isso sem considerar a economia de tempo e de material citada acima. 7.2 VANTAGENS E DESVANTAGENS De acordo com as pesquisas realizadas para a construção do presente trabalho foi constatado algumas vantagens e desvantagens que seguem a seguir. 7.2.1 VANTAGENS Facilidade no processo de transporte, manuseio, corte e aplicação, o que diminui custos de mão de obra; Devido ao seu peso específico significativamente menor, reduz o peso da construção, proporcionando economia na fundação; Recomendado para áreas molhadas (cozinha, banheiro, etc); Sem desperdício de material: as placas são aproveitadas no fechamento de shafts, dutos e recortes; Não produz entulho, mantendo o canteiro limpo e organizado, agilizando a construção; Placas cimentícias aumentam a área útil da obra, já que gera paredes delgadas; A superfície fica apta a receber qualquer tipo de revestimento; Permite a execução de detalhes arquitetônicos com rapidez, facilidade e eficiência; Isolamento térmico; Resistência a choques mecânicos; São imunes até mesmo a fatores biológicos (fungos, insetos, roedores); As placas cimentícias não oxidam nem apodrecem. Dentre outras vantagens do uso da placa cimentícia, destacasse sua resistência e flexibilidade aliando-se a durabilidade e rigidez; possibilitando diversas aplicações, tanto no ambiente interno, quanto externo. 19 Além das características acima, vemos que o sistema possui: Resistência ao fogo, resistindo a mais de 700 ºC, sem se desintegrar; Isolamento acústico, cerca de 45 dB, para placas de 10 mm de espessura. 7.2.1 DESVANTAGENS As desvantagens dessa estrutura se evidenciam principalmente quando comparada a placas OSB (Oriented Strand Board, que significa Painel de Tiras de Madeira Orientadas). As placas de cimento absorvem e aprisionam mais umidade; Tem maior preço substancial; São três vezes mais pesadas; Devido a sua extrema rigidez, podem se tornar difíceis de cortar o perfurar (apresentando em casos extremos, fissuramento). Após analisar o custo, percebesse que as placas cimentícias são até mesmo mais onerosas que os métodos tradicionais de construção (alvenaria e concreto, desconsiderando a mão de obra e a fundação). 20 CONCLUSÃO O mercado da construção civil é extremamente conservador quando se fala sobre construções alternativas, as alvenarias tradicionais são quase que uma unanimidade tanto para quem compra como para quem vende. Acredita-se que essa resistência é decorrente do desconhecimento de muitos profissionais ou compradores a outros sistemas de vedação, justificando que a solidez da obra está ligada a edificações construídas com cimento e tijolos atribuindo a sensação de maior vida útil. O sistema construtivo modular a partir de Placas Cimentícias em estrutura de Steel Framing é uma solução construtiva a ser incorporada em produtos da construção civil através da modernização dos meios de produção e industrialização dos canteiros de obras. Além de uma alternativa capaz de promover novas formas de construção, são mais práticas onde cujas soluções tecnológicas possuem menor impacto ao meio ambiente, com considerável redução do tempo e custo a longo prazo da edificação. 21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 9442: MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO: DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE PROPAGAÇÃO SUPERFICIAL DE CHAMA PELO MÉTODO DO PAINEL RADIANTE, Rio de Janeiro, 1986. _____. NBR 15.498: PLACA DE FIBROCIMENTO SEM AMIANTO – REQUISITOS E MÉTODOS DE ENSAIOS, Rio de Janeiro, 2016. _____. NBR 15.575: NOVOS PADRÕES DE QUALIDADE PARA CONSTRUÇÃO DE CASAS E APARTAMENTOS, Rio de Janeiro, 2013. CAMPOS, Alessandro de Souza. 2012. Disponível em: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=29&Cod=85> Acesso em: 18 de maio de 2017. CELESTINO, Pedro Henrique Monteiro; CARASEK, Helena; CASCUDO Oswaldo. 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