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3 aula - Educação em saúde para os idosos x política nacional da saúde do idoso - Odontologia em saude coletiva

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O26 Odontologia em saúde coletiva: planejando ações e
promovendo saúde / organizado por Antonio
Carlos Pereira. – Porto Alegre : Artmed, 2003.
 ISBN 978-85-363-0166-2
1. Odontologia. I. Pereira, Antonio Carlos. II. Título.
CDU 616.314-002/.87
Catalogação na publicação: Mônica Ballejo Canto – CRB 10/1023
134 Antonio Carlos Pereira & Colaboradores
preparam-se para assumir progressivamente uma
direção ativa e pessoal da sua própria vida.
Educação em saúde bucal: trabalhar com a
auto-estima; chamar a atenção para a auto-res-
ponsabilidade com a sua saúde; trabalhar com a
aparência e reforçar as informações e os valores
sobre higiene, saúde, dieta inteligente do açúcar
e saúde bucal. Para melhor fixar as informações,
os recursos mais indicados são os audiovisuais, as
demonstrações práticas e as palestras rápidas.
Saba-Chujfi e colaboradores (1992) realizaram um
estudo comparativo para verificar a efetividade da
motivação em adolescentes e concluíram que a
orientação direta associada ao filme mostrou-se
o método mais eficiente, contudo a utilização de
slides também alcançou excelente resultado.
No trabalho de Kunert e colaboradores (1990),
os autores, em um programa de saúde bucal rea-
lizado com alunos oficiais da Academia de Polícia
da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, cuja faixa
etária variava de 17 a 22 anos, atentaram para a
importância da integração entre as atividades do
programa com a área de psicologia, quando pu-
deram colher subsídios e efetivos recursos no se-
tor da atividade psicomotora em relação à esco-
vação. Tal trabalho pôde ajudar os alunos a me-
lhorar seu desempenho, motivando os executo-
res do programa no sentido de aumentar a efi-
ciência dos resultados. O Programa Saúde pela
Boca demonstrou, ao longo de seu desenvovimen-
to, que é possível realizar um trabalho efetivo de
prevenção de cárie dental e de doença periodon-
tal em locais de poucas condições técnicas, exi-
gindo custos baixos do órgão patrocinador, nunca
sendo interrompido, pois pode delegar ao bene-
ficiário a responsabilidade da execução do pro-
grama. Com isso, concluíram que somente pode-
se mudar o perfil pessoal de higiene oral com dis-
ciplina, método e motivação e que a motivação
pessoal e do grupo é o único veículo capaz de tor-
nar em sucesso qualquer trabalho de prevenção.
No estudo de Medeiros (1991), realizado na
região metropolitana do Rio de Janeiro, a amos-
tra era composta de 500 indivíduos na faixa etária
de 16 a 20 anos, divididos em dois grupos: ambos
participaram do trabalho educativo, mas somen-
te ao grupo experimental foram ensinadas técni-
cas de escovação e de uso do fio dental, sendo a
higiene bucal supervisionada semanalmente. Com
isso, o grupo apresentou apenas uma pequena
melhora no quadro de saúde bucal, deixando cla-
ro que tanto a escovação quanto o uso do fio den-
tal, quando realizados de maneira incorreta, não
contribuem de forma significativa para a melhoria
do quadro de higiene bucal. Já o grupo experi-
mental, ao absorver o aprendizado correto das
técnicas juntamente com a motivação e os refor-
ços semanais contribuiu para a redução de 60,57%
no IHOS (Índice de Higiene Oral Simplificado, de
Greene e Vermillion), demonstrando que houve
uma melhoria significativa em termos de controle
de placa. A partir dos resultados, concluiu que os
métodos preventivos e educativos, quando cor-
retamente utilizados, mostram-se capazes de
motivar os pacientes para o controle da placa
bacteriana, sendo coadjuvantes eficazes no pro-
cesso global de prevenção, e que o componen-
te educativo é que possibilita dotar a popula-
ção de capacitação para assumir a sua cota de
responsabilidade em relação à sua própria saú-
de bucal.
Na opinião de Medeiros (1991), recuperar a
saúde bucal do paciente sem capacitá-lo para que
possa manter o nível de saúde obtido é acompa-
nhar, como mero expectador, o desenrolar da his-
tória natural das doenças bucais nesse paciente,
uma vez que, a um determinado intervalo de tem-
po, ele retornará à clínica com problemas idênti-
cos ou maiores. O autor afirma que, quando o
cirurgião-dentista se dispõe a educar, o faz de
maneira incorreta, dissociando os procedimentos
preventivos entre as várias doenças em vez de
educar o paciente em relação à saúde como um
todo. Isso reflete a falta de um programa bem-
estruturado que oriente o profissional para a rea-
lização de um processo educativo completo. Sem
informação, dificilmente a comunidade será cons-
cientizada e, conseqüentemente, motivada a ado-
tar práticas saudáveis.
Adultos
Características: já possuem conceitos próprios
internalizados a respeito de um conjunto de parâ-
metros indispensáveis à vida em sociedade, incluin-
do-se aqui os conceitos relativos à sua própria
saúde e a dos que lhes são mais próximos. Apre-
sentam grandes dificuldades de modificação de
conceitos, decorrentes de suas experiências an-
teriores. Muitas vezes chegam a entender, com
perfeição, a respeito de hábitos nocivos à sua pró-
pria saúde, mas se negam a mudar o comporta-
mento ou simplesmente não tentam fazê-lo, pois
consideram o hábito mais importante que os re-
sultados finais mórbidos relacionados. Um exem-
Larissa
Realce
Larissa
Realce
Odontologia em Saúde Coletiva 135
plo típico é o do fumante inveterado. Muitas ve-
zes a “força de vontade” não é suficiente para
demover o indivíduo adulto que deve abandonar
o hábito. Assim, um adulto pode se sentir culpa-
do, aceitar a culpa, aceitar os efeitos futuros ou
mesmo imediatos do mau hábito, mas... não pres-
cindir dele. Quando, no entanto, decide mudar,
um adulto pode ser extremamente importante
para influenciar outros indivíduos em sua comu-
nidade.
Educação em saúde bucal: semelhante à des-
crita no grupo anterior, haja vista a seqüência de
amadurecimento na linha da vida dos indivíduos.
As reuniões em grupo devem ser encorajadas; as
discussões de temas voltados para a saúde pró-
pria e de seus familiares podem ser importantes
para a motivação relacionada à saúde; devem ser
ressaltadas as qualidades dos indivíduos que de-
monstram grande responsabilidade individual e
social tornandos-os co-agentes participativos
nos processos de mudanças comportamentais
desejáveis para a manutenção do estado de saú-
de bucal.
Segundo Inglehart e Tedesco (1995) os aspec-
tos comportamentais de cuidados de saúde bucal
normalmente não são usados como preditores.
Isso é surpreendente, porque o melhor preditor
de um hábito futuro deveria ser o hábito antigo. E
mesmo que o objetivo da interação entre o pro-
fissional de saúde e o paciente seja mudar o hábi-
to antigo, é crucial compreender que ele é uma
base a partir da qual as mudanças serão desenvol-
vidas. Ainda parece significativo destacar a
importância de estabelecer que o paciente te-
nha aperfeiçoado sua habilidade psicomotora para
desenvolver um hábito de saúde bucal adequado
ou mesmo ideal. Além disso, os cuidados com saú-
de bucal não se compõem apenas de escovação e
uso de fio dental, mas também apontam que o
comportamento do paciente em relação à sua saú-
de geral (como abuso na dieta, fumo e/ou álcool
ou droga) reflete-se em sua saúde bucal. Parece
crucial integrar práticas específicas de higiene bu-
cal em um padrão saudável de estilo de vida, que
é estabelecido precocemente. A anamnese odon-
tológica precisa tornar-se uma análise que deter-
mine a satisfação individual quanto à saúde bucal
relacionada ao afeto, comportamento, cognição
e importância da perspectiva de vida. Essa análise
precisa tornar-se a base sobre a qual é construída
a parceria problema-solução entre o profissional
de saúde bucal (equipe) e o paciente. Qualquer
profissional de saúde bucal precisa se conscienti-
zar de que a expressão verbal é a ferramenta mais
importante na odontologia. Não importa o quan-
to é tecnicamente perfeita a maneira com a qual
o profissional de saúde bucal lida com os proble-
mas dentários do paciente, a menos que esse seja
envolvido no processo diário de cuidar de seus
dentes, sua saúde dental e bucal não será ideal. O
objetivoprecisa ser incentivar os esforços do pa-
ciente a integrar as práticas de saúde bucal em
sua vida.
Pereira, em 1992, afirmou que o controle da
placa bacteriana constitui parte integrante e in-
dispensável de todo tratamento odontológico pra-
ticado modernamente. Para que a escovação den-
tária seja eficaz, ela tem que ser minuciosa e rea-
lizada de maneira correta: isso só é conseguido
quando o indivíduo é ensinado e motivado para
desenvolver tal ação. No seu estudo, a amostra
foi constituída por 33 policiais militares da cidade
de Araraquara, São Paulo, com idade entre 25 e 35
anos, podendo-se constatar que houve redução do
IPL (índice de placa) após a jornada de informações
e de orientações, que conferiu consistência à moti-
vação da higiene bucal, concluindo que esee é fator
preponderante na redução do índice de placa.
Idosos
Conforme estabelece a Associação Internacional de
Gerontologia, idosa é a pessoa com 65 anos de ida-
de ou mais (Pinto, 1986; Frare e colaboradores, 1997;
Cardoso, 1995). Entretanto, segundo a Lei do Ido-
so, editada no Diário Oficial da União, em 05/01/
1994, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso,
“considera-se idosa, para efeito da lei, a pessoa maior
de 60 anos de idade”. Essas divergências ocorrem
com base em dados da Organização Mundial da Saú-
de (OMS), que considera, segundo Tin (2001), nos
países desenvolvidos, o início da velhice por volta
dos 65 anos, enquanto nos países em desenvolvi-
mento, isso ocorreria a partir de 60 anos.
O envelhecimento da população mundial é um
fenômeno observado nos dias de hoje que leva a
projeções futuras de um alto número de idosos,
segundo estudos realizados pela Organização das
Nações Unidas (ONU), como citam Frare e cola-
boradores, 1997, e Parajara e Guzzo, 2000. A po-
pulação brasileira, crescendo assim como a mun-
dial, deverá se apresentar, no ano de 2025, com
mais de 30 milhões de pessoas com mais de 60
anos, passando a ser a sexta população mais idosa
do mundo (Frare e colaboradores, 1997; Parajara
Larissa
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Larissa
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136 Antonio Carlos Pereira & Colaboradores
e Guzzo, 2000). No Brasil, segundo Pinto (1986),
já no período entre 1900 e 1985, a população de
idosos aumentou 15 vezes, enquanto a população
geral aumentou apenas 7,7 vezes, passando, se-
gundo Werner e colaboradores (1998), de uma
expectativa média de vida, no início do século
passado, de aproximadamente 50 anos, para aci-
ma de 75 anos em tal período. Assim, Tin (2001)
assegura que a população com mais de 60 anos
cresce, proporcionalmente, uma média de 3% ao
ano, o que leva a acreditar que o Brasil envelhecerá
aceleradamente em 50 anos. Essa população preci-
sa de cuidados e de orientações específicas quanto à
importância da sua saúde bucal. Segundo Feldman e
Forciea (1998), os idosos viveram em uma época de
grande deficiência quanto a informações e cons-
cientização da importância da saúde bucal, um
quadro clínico caracterizado, principalmente, pela
falta dos dentes e, ainda, um maior risco de apre-
sentar cáries, periodontopatias e câncer bucal.
Caraterísticas: os idosos podem apresentar três
condições funcionais, sendo, funcionalmente inde-
pendentes, parcialmente dependentes e totalmen-
te dependentes. Nesses dois últimos grupos, em di-
ferentes graus, há necessidade do acompanhamen-
to de uma terceira pessoa chamada de “cuidador”,
a qual deve conhecer pontos importantes na manu-
tenção da saúde bucal do idoso. Podem ocorrer al-
terações no paladar, na visão, no olfato, na audição,
na capacidade de locomoção e na comunicação, além
de edentulismo. Algumas doenças sistêmicas mais
prevalentes nos idosos são arteriosclerose, distúr-
bios gastrintestinais e respiratórios, anemias, doen-
ças do sistema nervoso central, diabete e doenças
geniturinárias.
Educação em saúde bucal: os cuidadores de-
vem receber orientações quanto aos cuidados com
as próteses totais e removíveis, à capacidade do
idoso para realizar sua higiene bucal e à dificulda-
de para alimentar-se; devem evitar que a alimen-
tação seja exclusiva ou habitualmente de alimen-
tos moles e observar alterações da mucosa bucal
e sangramento gengival.
Pode-se trabalhar com imagens correlacionan-
do o processo “saúde x doença” e, por meio de-
las, explicar como ocorre a doença e o que é pos-
sível fazer para obter e manter a saúde bucal, des-
mistificando a doença cárie dentária considerada
inevitável e até natural por muitos, assim como a
doença periodontal. Orientar quanto à higiene
bucal, a técnicas de higienização, a cuidados com
a prótese, a orientações quanto à dieta/nutrição e
a bochechos com flúor ou clorexidina quando
necessário. Os recursos que produzem melhores
resultados são filmes, slides, cartazes, álbuns seria-
dos de fotos, cartazes e atividades interativas.
Gestantes
A gravidez destaca-se em relação aos outros pe-
ríodos da vida, pois, em nenhuma outra ocasião,
uma vida depende tanto da saúde e bem-estar da
outra. Durante o período gestacional, a mãe e a
criança apresentam um íntimo e inseparável rela-
cionamento. Portanto, a saúde física e mental da
mãe, antes e durante a gestação, tem um profun-
do efeito no estado de saúde do seu filho no pe-
ríodo pré e pós-parto.
A fragilidade e a dependência da criança e a
importância da gestação no ciclo vital têm levado
as sociedades organizadas ao reconhecimento das
necessidades essenciais da gestante e das condi-
ções de assistência à sua saúde: com isso, a grávi-
da necessita de cuidados técnicos aperfeiçoados,
atendimento personalizado e carinhoso.
Não se pode deixar de observar que, no pe-
ríodo de gestação, a mulher mostra-se psicologi-
camente receptiva a adquirir novos conhecimen-
tos e a mudar padrões que provavelmente terão
influência no desenvolvimento da saúde do bebê.
A educação para a saúde deveria ser exercida pela
equipe pré-natal composta por médicos (gineco-
logista e pediatra), enfermeira, cirurgião-dentis-
ta, assistente social e fonoaudióloga por meio de
acompanhamento integrado e seqüencial nos vá-
rios níveis de atenção à saúde, visando rastrear a
saúde, em geral consubstanciando um programa
denominado “assistência integral à mulher”. É a
assistência pré-natal de fundamental importância
tanto para a mãe como para o bebê. Para justifi-
cá-la, bastaria dizer que sua ausência está associa-
da à mortalidade perinatal cinco vezes superior
àquela encontrada em clínicas de atendimento
pré-natal regulares. É importante salientar que a
melhor maneira de educar um filho é por meio da
imitação; educação é dar exemplo. Com isso to-
dos os conhecimentos passados à gestante de
como promover sua saúde bucal e conseqüente-
mente a maneira que irá agir com sua criança será
um exercício positivo de formação de hábitos (Sil-
veira, 1995; Papalleo Neto, 2002).
Características: os problemas relacionados à
função gastrintestinal seriam, talvez, a queixa mais
freqüente das gestantes. Mais da metade refere-
se ao aumento do apetite e da sede. Um número
Larissa
Realce
Larissa
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Larissa
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Larissa
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Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.

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