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DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E DIGNIDADE HUMANA

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tal deve servir, não apenas como razão para a decisão de 
casos concretos, mas principalmente como diretriz para a elaboração, 
interpretação e aplicação das normas que compõem a ordem jurídica 
em geral, e o sistema de direitos fundamentais, em particular. (2014, 
pag.174) 
Tal premissa possui caráter normativo e é considerado como sendo a matriz axiológica 
do ordenamento jurídico brasileiro, em decorrência disso, a ela é conferido um duplo papel no 
sistema, pois além de seu enquadramento na condição de norma fundamental, como sendo um 
conteúdo autônomo de direitos, o princípio da dignidade da pessoa humana também funciona 
como fonte de direitos, garantias e deveres fundamentais (STARLET, 2010, p.70,91), capaz 
de nortear os sentidos desses direitos, justificar o reconhecimento de novos direitos, além de 
ser considerado como um verdadeiro critério de ponderação de sentido na implicação 
recíproca entre os diversos direitos fundamentais com ele relacionados. 
O fim do Estado é o homem, como fim em si mesmo que é, isto é, como sujeito de 
dignidade, de razão digna e supremamente posta acima de todos os bens e coisas, inclusive do 
próprio Estado. 
Para Rocha 
O Estado somente é democrático, em sua concepção, constitucionalização e 
atuação, quando respeita o princípio da dignidade da pessoa humana. Não 
há verbo constitucional, não há verba governamental que se façam legítimos 
quando não se voltam ao atendimento daquele princípio. Não há verdade 
constitucional, não há suporte institucional para políticas públicas que não 
sejam destinadas ao pleno cumprimento daquele valor maior transformado 
em princípio constitucional. (1999, p. 57.) 
 
Sem o respeito à dignidade da pessoa humana não se há de cogitar que o Poder 
exercido seja considerado legitimo, pois a legitimidade tem sua única expressão no homem 
quando este é respeitado em sua essência. Sem dignidade não há democracia e sem essa todos 
os fundamentos constitucionais da organização política da sociedade brasileira são postos por 
terra. 
É nesse contexto de efetivação do princípio da dignidade humana que aparece o 
princípio da sustentabilidade, o qual deixa de ser apenas um suporte conceitual da Ordem 
Constitucional Econômica e Social e passa a ser considerado como um direito fundamental, 
através do qual se busca uma forma que se mostra eficaz para a efetivação do direito 
fundamental à qualidade de vida de modo a garantir um desenvolvimento equilibrado e que 
satisfaça as necessidades humanas essenciais. 
O reconhecimento da sustentabilidade como um princípio jurídico de outros ramos do 
Direito, não só do Direito Ambiental revela a intenção de dotá-los de uma unidade teórico-
normativa enquanto desdobramentos da unidade semântico-principiológica da Constituição 
Federal. Trata-se de um movimento que merece ser louvado, haja vista que seu 
direcionamento para um tratamento interdisciplinar dos ramos do Direito promove a 
compatibilização racional dos objetivos, por vezes diversos, que áreas específicas do Direito 
perseguem. Compatibilização levada a cabo através de uma reconstrução da principiologia 
desses segmentos, que, como se sabe, foram construídas sem necessariamente serem pautadas 
na preocupação com uma unidade de sentido constitucional – que tem como núcleo 
sustentador e irradiador de sentido a dignidade humana – para a qual deve agora se voltar. 
O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E A VIOLAÇÃO DA DIGNIDADE 
HUMANA 
O advento da tecnologia foi importante para a sociedade, pois trouxe consigo 
modificações e inovações tecnológicas o que possibilitam maior comodidade e melhores 
relações, sem a barreira da distância. Além de permitir troca de conteúdos via internet. Porém, 
vale salientar que a globalização desencadeou várias práticas ilegais e criminais. 
Ao mesmo tempo em que a inovação tecnológica trouxe benefícios, colocando 
milhares de pessoas em contato, estreitando distâncias, permitindo a diversidade cultural e a 
troca de conhecimento, configurando-se como um verdadeiro mundo globalizado, o aumento 
de práticas ilegais e criminosas, merecedoras de estudo e regramento, também aumentou sem 
que houvesse a devida regulamentação e punição prevista a tais condutas. 
A Internet foi programada para funcionar e distribuir informações de forma 
ilimitada. Em contrapartida, as autoridades judiciarias estão presas às normas 
e instituições do Estado e, portanto, a uma nação e a um território limitado. 
Configura-se o conflito e a dificuldade de aplicar controles judiciais na rede 
e surge o problema da aplicação de regras (Paesani, 2014. Pág. 21) 
O ser social é constituído das relações que estabelece entre si, levando em conta os 
valores e normas da sociedade e da cultura na qual está inserido. A sua ética é expressa no dia 
a dia, por meio de sua linguagem, ações e costumes. As redes sociais possuem um conjunto 
de informações que tem uma amplitude de assuntos, possibilitando uma ampla interação e 
análise sobre os mesmos. Podemos observar que a diversidade de informações apresentadas 
na rede nos transforma em seres sociais cada vez mais autônomos e interligados. 
A liberdade de expressão do pensamento é um direito inerente ao ser humano que 
necessita comunicar-se constantemente com o outro. O exercício desse direito pode ocorrer 
pelas mais variadas formas: escrita (livros, revistas, jornais, periódicos, cartas), falada 
(conversas, palestras, reuniões), pelo uso de imagens e de sons (rádio e televisão), internet, 
através das redes sociais, entre outras. 
 Por possibilitar essa manifestação não só do pensamento, mas de opiniões, ideias e 
ideologias, essa liberdade é a maneira pela qual o indivíduo participa da vida em sociedade e 
das decisões do Estado. Assim sendo, o Estado deve assegurar ao indivíduo o direito de 
manifestar e de expor seu pensamento livremente, sem que este sofra qualquer tipo de 
restrição. 
Nesse particular, a CF/88 veda expressamente a censura e a licença. Entretanto, o 
exercício da liberdade de expressão do pensamento não é absoluto, no próprio texto 
constitucional estão expressas as restrições ao seu exercício, em dispositivos que estabelecem 
a vedação ao anonimato, à proibição de violação da honra, da imagem, da vida privada e da 
intimidade do indivíduo. Está expressa também a obrigação de indenização por danos 
materiais ou morais no caso do exercício da liberdade de expressão de forma abusiva 
As discussões sociais vêm frequentemente analisando as devidas práticas ilegais que 
vem a ferir os direitos fundamentais realizadas por hackers com objetivos maliciosos de 
invadir, modificar, inserir e divulgar pertences privativos de outrem sem o seu 
consentimento. Consistindo-se na falta de normas efetivas e regulamentadoras de tais 
práticas. 
Na visão de Jahnke e Gossling: 
(...) a discussão consiste nessa tipologia de práticas ilegais que se encontram 
em uma crescente tanto pelo retorno rápido, mas também pela falta de 
normas efetivas e regulamentadoras de tais práticas, bem como um olhar 
acerca dos direitos fundamentais que são feridos por essas práticas. (2013, 
p.2) 
 
Verifica-se que há um imensurável risco nas trocas de dados informáticos via internet 
colocando-se assim a privacidade, intimidade e a segurança das pessoas em constante perigo. 
Por um lado, tendo tais direitos fundamentais proteção prevista na Constituição Federal, estes 
são muitas vezes violados sem que a vítima perceba que está sendo alvo de um crime por 
meio de programas de computador, os quais permitem que sejam transferidos documentos 
pessoais ilegalmente. 
Desta forma podemos perceber a importância das redes sociais e a forma como a ela 
está intrínseca na sociedade atual. Todavia somos levados a refletir até onde o indivíduo deve 
interagir sem infringir a privacidade e confidencialidade do outro, e quais os riscos que a 
exposição de informações, pois mesmo com todos os avanços nas áreas