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Espondilite Anquilosante brait pdf

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INTRODUÇÃO 
• “Espôndilo” significa vértebra 
• “Anquilose” significa fusão 
• Assim, o termo espondilite anquilosante traduz 
inflamação + fusão vertebral. Entretanto, apesar de 
característica, a fusão da coluna vertebral surge 
apenas em estados avançados da doença. 
• É uma doença inflamatória crônica que acomete 
basicamente as articulações do esqueleto axial, sendo 
a lesão da articulação sacroilíaca seu marco 
fundamental. 
“Pode ser considerada como o protótipo das condições 
que causam entesite, e que se caracterizam pelo 
comprometimento das articulações francamente 
ligamentares do quadril e da coluna vertebral (em graus 
variáveis), podendo acometer também as articulações 
periféricas (menor extensão).” 
EPIDEMIOLOGIA 
• uma das poucas condições reumatológicas que 
predominam em homens (3:1) 
• Maior prevalência em caucasianos: por isso aparece 
mais no norte da europa, local de menor 
miscigenação 
• 2ª a 3ª década de vida → pico de incidência no início 
da vida adulta (média = 23 anos). O início após os 40 
anos é incomum (5% dos casos). 
• Prevalência de 0,5-1,4% 
• Maior incidência na raça branca: principalmente no 
norte da europa, onde não tem miscigenação 
• História familiar positiva 
• Maior incidência do HLAB27 
PATOGÊNESE 
➔ HLA B27 e espondilite anquilosante 
➔ 90% dos pacientes com espondilite anquilosante 
apresentam HLA B27 positivo 
➔ 5% dos pacientes com HLA B27 + apresentam ou 
apresentaram EA 
Você não precisa necessariamente ter o HLAB27, mas quando 
presente, precisamos rastrear a presença da doença, pois a 
chance é maior. 
• Acomete quadril e coluna vertebral 
• A articulação mais precocemente (e 
caracteristicamente) envolvida é a sacroilíaca 
• A entesite, ou entesopatia, se caracteriza por uma 
reação inflamatória crônica com erosão do osso 
adjacente, seguida por um processo também crônico 
de reparação tecidual, durante o qual costuma haver 
neoformação óssea e evolução para anquilose 
• Após anos de atividade clínica pode surgir a alteração 
mais clássica da doença: a rígida coluna “em bambu”. 
• O envolvimento da coluna se faz de forma ascendente 
→ começando pelas articulações sacroilíacas e coluna 
lombossacra, atingindo posteriormente a coluna 
torácica e cervical. 
 
A doença vai causando uma calcificicação do ligamento anterior 
da coluna, assim, ocorre um enrijecimento e ela perde a 
mobilidade. Costumamos falar que são vértebras em Bambu → 
quando exerce flexão no bambu ele quebra. Com o paciente é a 
mesma coisa, não pode fazer grandes movimentos. 
AS ENTESES 
• Os ossos de uma articulação recebem as inserções de 
ligamentos, tendões, aponeuroses e cápsulas fibrosas 
articulares. 
• Definimos como êntese o ponto de junção entre tais 
estruturas e o tecido ósseo. 
• Dessa forma, as ênteses estão em todos os tipos de 
articulação 
• Processo desencadeado por um estresse mecânico 
e/ou infeccioso em pacientes geneticamente 
suscetíveis 
• Predomínio da resposta imune inata → aumenta 
citocinas inflamatórias → gera destruição óssea 
 
 
Temos a região do osso subcondral no joelho, revestido por 
cartilagem e revestindo tudo isso temos a cápsula sinovial. Os 
locais na qual o tendão se liga no osso nós chamamos de entese 
(é o que dá movimento a articulação). A espondilite 
anquilosante inflama a região de entese. 
 
Esses fatores geram uma resposta imunológica, que vão 
produzir diversas citocinas imunológicas (IL-23, IL-17, TNF-
alfa) → gera alterações na via de sinalização → paciente 
desenvolve a inflamação → paciente desenvolve sintomas 
axiais de forma ascendente → faz remodelação óssea 
(erosões e formação de ossos novos) → pode fazer 
sintomas periféricos (oligoarticular = < 4 articulações) de 
forma assimétrica e de MMII → pode ter manifestações 
extra-articulares (intestinais e no olho por exemplo) 
 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
• Axial 
► Dor lombar inflamatória 
► Rigidez matinal 
► Dor em região glútea alternante: pois tem 
comprometimento da região sacroilíaca (a dor 
vai irradiar para o glúteo) 
As mulheres sentem mais dor na região glútea enquato os 
homens sentem mais dor na coluna lombar 
• Periféricas 
► Artrite oligoarticular assimétrica em MMII 
► Entesites 
• Sistêmicas 
O primeiro sintoma costuma ser a dor lombar (pela 
sacroileíte), tipicamente unilateral (pelo menos no início), 
insidiosa e profunda, acompanhada de rigidez matinal ou 
após longos períodos de inatividade. 
• Dor lombar inflamatória: melhora com 
movimentação e piora com o repouso 
• Redução na amplitude de movimento da coluna 
lombar 
• hipersensibilidade óssea (refletindo a existência de 
entesite/osteíte subjacente) 
• Artrite em grandes articulações “centrais” (quadril e 
ombro) → é encontrada em 25-35% dos casos. 
• Artrite periférica, geralmente assimétrica e em MMII 
→ pode ser vista em até 30% 
• O envolvimento das vértebras se faz de forma 
ascendente e progressiva 
• O envolvimento da coluna torácica gera dor e cifose 
progressiva 
• Comumente se associa à lesão das articulações 
costovertebrais, costoesternais e manúbrio-esternal, 
justificando uma redução da expansibilidade torácica 
 
LOMBALGIA INFLAMATÓRIA 
CRITÉRIO DEFINIDO PELO ASAS 
 
Lembrando que tudo que é inflamatório melhora com o 
exercício e piora com o repouso. É aquele paciente que 
precisa levantar e andar para melhorar a dor noturna. Se 
a dor melhora quando o paciente só vira de lado na cama, 
não é uma dor inflamatória! Ele precisa andar para 
melhorar 
SACROILEÍTE 
 
Começa por essa região, seguindo para coluna lombar, seguido 
de coluna torácica e por fim coluna cervical. Os homens 
costumam sentir a dor em região lombar e as mulheres em 
região glútea. 
ACOMETIMENTO PERIFÉRICO 
 
O acometimento periférico é assimétrico e em membros 
inferiores 
ENTESITES 
 
Ficam com pontos dolorosos. Geralmente não melhoram 
esse ponto de inflamação se não usar medicação, já os 
corredores (que também podem desenvolver esses pontos 
inflamatórios) melhoram sem medicação 
 
Temos um tendão que se liga no calcâneo: inflama tanto 
que os pacientes costuma fazer um esporão (vão ter dor 
na primeira pisada do dia). 
Temos enteses no corpo inteiro, nosso corpo é movido por 
articulação. Até para respirar temos pontos de entese que 
fazem a inspiração e expiração da caixa torácica. Sabendo 
isso, existem vários instrumentos que avaliam diferentes 
pontos de enteses 
 
• Temos o MEI, MASES, SPARCC e LEI 
• O mais utilizado é o MASES 
► 2º espaço intercostal na região de borda 
esternal 
► Cristas ilíacas superiores e anteriores 
► Cristas ilíacas posteriores (L5) 
► Região de inserção do tendão de aquiles 
São dores intensas, muitas vezes o médico não acredita na dor 
do paciente. Eles podem chegar já relatando essa dor! 
Lembrando que essas inflamações só melhoram com medicação 
DACTILITE 
• É a inflamação de vários pontos de enteses 
• Observe a hiperemia, edema, dor → dedos em 
salsicha 
Muitas vezes falamos que é o “dedo em salsicha”: fica vermelho, 
pode inflamar também o dedo da mão, fica edemaciado e ele 
não consegue mover, pois a dor é insuportável 
 
 
Para ligar cada ponto e movimentar os dedos temos 
tendões que conectam o metatarso com as falanges. 
Quando todos esses pontos de enteses estão inflamados 
teremos a dactilite. 
MANIFESTAÇÕES EXTRA-ARTICULARES 
OCULARES 
 
• Uveíte anterior e aguda (25-30%) 
• Para movimentar o olho temos fibrocartilagem, que é 
um ponto de entese (logo, passível de inflamar) 
• Geralmente uveítes anteriores são mais benignas 
(claro que se não tratadas podem levar a diminuição 
da acuidade visual) 
• Sintomas constitucionais: astenia, fadiga, hiporexia e 
perda de peso 
NEUROLÓGICAS 
• Fraturas vertebrais (C5-C6) 
• Subluxaçoes atlantoaxiais, atlantooccipital e subaxiais 
• Mielopatia compressiva por ossificação do ligamento 
longitudinal

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