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APOSTILA - DIREITO CONSTITUCIONAL 1

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Direito Constitucional: 
 ● Ramo do direito que analisa as normas fundamentais de um país, além de 
 impor limites e deveres à atuação dos governantes e fixar os direitos básicos 
 do cidadão perante o Estado. 
 ● Constitucionalismo: técnica específica de limitação do poder com fins 
 garantísticos (limitação do poder autoritário + prevalência dos direitos 
 fundamentais). 
 ○ Pilares do constitucionalismo (base das Constituições): 
 ■ Limitação de poder. 
 ■ Divisão de poder. 
 ■ Organização do Estado. 
 ■ Direitos e garantias fundamentais (Brasil → art. 5°). 
 ● Neoconstitucionalismo: busca assegurar a eficácia da Constituição, diante da 
 expectativa de concretização dos direitos fundamentais. 
 ○ Pontos marcantes: 
 ■ Estado constitucional de direito: a Constituição passa a ser o 
 centro do sistema. 
 ■ Conteúdo axiológico da Constituição: a Constituição passa a 
 consagrar valores e opções políticas. 
 ■ Concretização dos valores constitucionais e garantia de 
 condições dignas mínimas. 
 ● Constitucionalização do direito: soberania da Constituição sobre as leis. 
 ○ Constitucionalização do Direito Civil (CF/88): subordinação hierárquica 
 do direito civil aos princípios constitucionais que fundamentam os 
 princípios norteadores do direito privado (eficácia horizontal dos direitos 
 fundamentais). 
 Poder Constituinte: 
 ● Poder Constituinte Originário: instaura um novo Estado, rompendo por 
 completo com a ordem jurídica precedente. 
 ○ Características: 
 ■ Inicial. 
 ■ Autônomo. 
 ■ Ilimitado juridicamente. 
 ■ Incondicionado. 
 ■ Soberano na tomada de decisões. 
 ■ Poder de fato e poder jurídico (natureza pré-jurídica). 
 ■ Permanente. 
 ● Poder Constituinte Derivado: criado e instituído pelo originário (limitado e 
 condicionado). 
 ○ Poder constituinte derivado reformador: modifica a Constituição através 
 de um procedimento específico (emendas constitucionais). 
 ○ Poder constituinte derivado decorrente: estrutura e modifica as 
 Constituições dos Estados-Membros. 
 ○ Poder constituinte derivado revisor: promove a revisão da Constituição 
 (o art. 3º do ADCT determinou que a revisão constitucional seria 
 realizada após 5 anos da promulgação da Constituição de 88). 
 ● Poder Constituinte Difuso: se manifesta por meio das mutações 
 constitucionais (alteração no sentido interpretativo da norma, sem que haja 
 qualquer modificação no texto constitucional). 
 ○ Exteriorizam o caráter dinâmico das normas jurídicas por meio de 
 processos informais. 
 ● Direito Constitucional intertemporal: 
 ○ Via de regra, a Constituição anterior é totalmente revogada com a 
 promulgação de uma nova. 
 ○ Recepção: as normas infraconstitucionais que forem materialmente 
 compatíveis com a nova Constituição serão recepcionadas, podendo 
 adquirir uma nova “roupagem”, enquanto as que não forem, serão 
 revogadas, em razão da ausência de recepção. 
 ■ Compatibilidade = recepção. 
 ■ Incompatibilidade = inexistência de recepção (revogação). 
 ○ Recepção provisória: ocorre quando uma norma infraconstitucional 
 incompatível com a nova Constituição é provisoriamente recepcionada 
 pelo novo ordenamento jurídico, caso sua supressão possa acarretar 
 danos maiores. 
 ○ Repristinação: ocorre quando uma lei revogada volta a produzir efeitos 
 se a lei que a revogou vier a ser revogada (necessidade de previsão 
 expressa). 
 ○ Desconstitucionalização: fenômeno pelo qual as normas da 
 Constituição anterior, desde que compatíveis com a nova ordem, 
 permanecem em vigor, mas com o status de lei infraconstitucional 
 (necessidade de previsão expressa da nova Constituição). 
 Teoria da Constituição: 
 1) CONCEITO: 
 ● Constituição: Lei Fundamental do Estado → garantia dos direitos 
 fundamentais + separação de poderes. 
 ○ Constituição Material: normas que possuem matéria essencialmente 
 constitucional. 
 ○ Constituição Formal: texto escrito → somente pode ser modificado nos 
 limites estabelecidos pelo Poder Constituinte Originário. 
 2) CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO: 
 A) CONCEPÇÃO SOCIOLÓGICA (Ferdinand Lassale): 
 CONSTITUIÇÃO REAL ≠ CONSTITUIÇÃO JURÍDICA 
 ● Constituição real: somatória dos fatores reais do poder dentro de uma 
 sociedade. 
 ● Constituição jurídica: normas constitucionais vigentes (escritas). 
 ○ Uma Constituição só pode ser legítima se representar o efetivo poder 
 social, refletindo as forças sociais que constituem o poder. 
 B) CONCEPÇÃO POLÍTICA (Carl Schmitt): 
 ● A Constituição só existe porque antes dela já existia uma unidade política 
 (nação). 
 CONSTITUIÇÃO ≠ LEIS CONSTITUCIONAIS 
 ● Constituição: decisões políticas fundamentais do Poder Constituinte (normas 
 referentes aos aspectos fundamentais do Estado). 
 ● Lei constitucional: demais dispositivos inseridos no texto constitucional, mas 
 que não contêm matéria de decisão política fundamental. 
 C) CONCEPÇÃO JURÍDICA (Hans Kelsen): 
 ● Constituição: conjunto das normas mais importantes de um Estado conforme 
 um critério hierárquico, sem qualquer fundamentação sociológica, política ou 
 filosófica (fruto da vontade racional do homem). 
 CONSTITUIÇÃO POSTA ≠ CONSTITUIÇÃO PRESSUPOSTA 
 ● Constituição pressuposta: norma hipotética fundamental (fundamento 
 transcendental de validade da Constituição escrita). 
 ● Constituição posta: norma constitucional propriamente dita (fundamenta 
 todas as outras normas do sistema). 
 ● As normas infraconstitucionais se fundamentam na Constituição Federal 
 (norma posta/positivada), que, por sua vez, se fundamenta na norma 
 hipotética-fundamental (transcende a CF). 
 D) CONCEPÇÃO NORMATIVA (Konrad Hesse): 
 ● Constituição: força normativa própria com a função de ordenar o 
 funcionamento do Estado, evitando que questões constitucionais sejam 
 confundidas e diluídas em questões políticas. 
 ● A constituição de um país expressa as relações de poder nele dominantes. 
 E) CONCEPÇÃO CULTURAL: 
 ● Constituição: produto de um fato cultural, produzido pela sociedade e que 
 nela pode influir -> junção dos aspectos econômicos, sociológicos, políticos, 
 jurídico-normativos, filosóficos e morais, a fim de construir uma unidade 
 constitucional. 
 3) CLASSIFICAÇÕES: 
 A) QUANTO À ORIGEM: 
 ● Outorgada: imposta de maneira unilateral. 
 ● Promulgada: fruto do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte eleita 
 diretamente pelo povo (CF/88). 
 ● Cesarista: formada por plebiscito popular sobre um projeto elaborado por um 
 Imperador ou um Ditador (visa ratificar a vontade do detentor do poder). 
 ● Pactuada: compromisso instável de duas forças políticas rivais (realeza e 
 burguesia). 
 B) QUANTO À FORMA: 
 ● Escrita: conjunto de regras sistematizadas e organizadas em um único 
 documento. 
 ● Costumeira (consuetudinária): formada por textos esparsos, reconhecidos 
 pela sociedade como fundamentais. 
 C) QUANTO À EXTENSÃO: 
 ● Sintéticas: veiculadoras dos princípios fundamentais e estruturais do Estado. 
 ● Analíticas: abordam todos os assuntos que os representantes do povo 
 entenderem fundamentais. 
 D) QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: 
 ● Dogmáticas: materializam os dogmas estruturais e fundamentais do estado. 
 ● Históricas: constituem-se através de um lento e contínuo processo de 
 formação, ao longo do tempo, reunindo a história e as tradições de um povo. 
 E) QUANTO À ALTERABILIDADE: 
 ● Rígidas: exigem, para a sua alteração, um processo legislativo mais dificultoso 
 do que o processo de alteração das normas não constitucionais. 
 ● Flexíveis: não possuem um processo legislativo de alteração mais dificultoso 
 do que o processo legislativo de alteração das normas infraconstitucionais. 
 ● Semiflexíveis ou semirrígidas: algumas matérias exigem um processo de 
 alteração mais dificultoso do que o exigido para alteração das leis 
 infraconstitucionais, enquanto outras não requerem tal formalidade. 
 ● Fixas: só podem ser alteradas por um poder de hierarquia

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