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obesidade

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OBESIDADE 
AULA 6 – ENDOCRINOLOGIA 
BIOLOGIA DO TECIDO ADIPOSO 
O tecido adiposo tem várias funções: 
Fornece uma proteção aos ossos e aos órgãos internos, 
além de servir como uma capa térmica protetora contra a 
perda de calor para o ambiente. 
 É o principal local para estoque de energia – o excesso de 
energia consumida e de ácidos graxos livres (AGL) 
circulantes, são acumulados sob a forma de triglicerídios 
dentro dos adipócitos. 
O ser humano é capaz de armazenar mais de 50 kg de na 
forma de gordura e apenas 0,5 - 1 kg de CHO na forma de 
glicogênio (estoque de energia). 
O estoque de glicogênio fica no fígado e músculo. Nossa 
principal fonte de energia é gordura e glicose. 
 É um grande órgão endócrino, pois produz uma infinidade 
de hormônios e proteínas de importância sistêmica. 
Pode ser dividido em dois tipos principais funcionalmente 
bastante diferentes: 
♥ Tecido adiposo branco 
♥ Tecido adiposo marrom. 
TECIDO ADIPOSO BRANCO 
Composto por adipócitos subcutâneos e viscerais. 
É o principal armazenador de energia do organismo. 
Após uma refeição pico de insulina ativa enzima LPL— 
Lipogênese hipertrofia hiperplasia. 
Jejum ativa enzima LPHS no adipócitolipólise 
Como é formado? Esse tecido adiposo branco, após uma 
refeição, principalmente carboidrato, vamos ter um pico de 
insulina. A insulina ativa uma enzima chamada lipase 
lipoproteica que ativa a lipogênese (formação do tecido 
adiposo). Esse aumento de tecido adiposo vai ser tanto em 
tamanhão e em números. 
Quando a gente fica em jejum, ativamos outra enzima que 
é a lipase hormônio sensível e vamos fazer ao contrário – 
lipólise. Quebra de gordura. 
A insulina faz lipogênese. O principal estimulo para 
produção de insulina é a glicose. Forma a gordura. 
“Esvaziamento” dos adipócitos, que vão reduzindo o seu 
tamanho, até sofrerem apoptose. 
A gordura visceral é rapidamente mais mobilizada que a 
gordura subcutânea. Perde mais rápido quando estamos 
emagrecendo. 
A gordura visceral é ruim, ela produz vários hormônios e 
ocitocinas que são inflamatórias. Por isso que se fala que 
aquelas pessoas que tem uma obesidade abdominal tem o 
maior risco de outras doenças. 
TECIDO ADIPOSO SUBCUTÂNEO: 
É o principal produtor de leptina - hormônio que sinaliza o 
estoque de energia do corpo e adiponectina -propriedades 
anti-inflamatórias e antiaterogênicas, melhora sensibilidade 
a insulina e reduz produção hepática de glicose. 
No tecido subcutâneo, produz mais um hormônio do bem 
que é a leptina e adiponectina. 
A leptina vai lá no hipotálamo e indica para nosso cérebro 
nosso estoque de energia. Além disso, inibe a fome. Porém, 
quando produz demais a leptina, tem a resistência a leptina 
também no cérebro. Para de dar o sinal. 
A pessoa obesa vau estar produzindo mais leptina e mais 
insulina. São hormônios que ativam a via anorexígena que 
inibe a fome. Mas a pessoa que continua engordando, vai 
criando uma resistência. E começa a ter mais fome ainda. 
A adiponectina é um hormônio anti-inflamatorio, anti-
heterogenica, melhora a sensibilidade insulina, reduz a 
produção hepática de glicose. 
TECIDO ADIPOSO VISCERAL 
Produz grande quantidade de hormônios e citocinas 
inflamatórias como: visfatina, angiotensinogênio, PAI-1, IL-
6, TNF-alfa, IL-1, IFN-γ, TGF-beta... 
TECIDO ADIPOSO MARROM 
Papel muito importante: 
♥ Produção de calor 
♥ Manutenção da temperatura corporal e Da taxa 
metabólica basal. 
Quando a gente nasce, nasce com uma quantidade grande 
de tecido marrom e vai diminuindo. 
Geralmente se localiza nas regiões interescapular, cervical e 
supraclavicular, nos adultos. 
É altamente inervado e responsivo ao estímulo adrenérgico, 
frio e ao hormônio tireoidiano (T3) aumentando a produção 
de calor e, portanto, a taxa metabólica basal (faz 
termogênese). Aumenta a taxa metabólica basal. 
OBESIDADE 
Doença crônica multifatorial caracterizada pelo acúmulo 
excessivo de gordura corporal (tecido adiposo). 
A obesidade é uma doença, mesmo que o paciente não 
tenha nenhuma alteração nos exames laboratoriais. 
Para o diagnóstico em adultos o método mais comumente 
utilizado é o índice de massa corporal (IMC) maior ou igual 
a 30 kg/m2 
IMC = PESO/A² 
 
No idoso, o IMC normal é até 27. 
O ERRO DO IMC: é um pouco falho porque não diferencia 
massa magra de massa gorda. 
DISTRIBUIÇÃO DA GORDURA: não avalia a distribuição de 
gordura corporal. Pode ser que a gente pegue um paciente 
com IMC normal, mas que tenha uma obesidade central, 
abdominal. Assim, fazemos a medida da circunferência da 
gordura. 
A mulher normalmente tem obesidade o quadril e na coxa 
que é melhor que no homem que é no abdome. 
DIAGNÓSTICO 
A distribuição de gordura é mais preditiva de saúde. 
A medida da circunferência abdominal reflete melhor o 
conteúdo de gordura visceral que está associado ao maior 
risco de complicações como doença cardiovascular, 
diabetes tipo 2 e HAS do que a gordura corporal total. 
A combinação de IMC e distribuição de gordura é uma 
opção melhor para avaliação clínica. 
CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL 
Solicita-se ao paciente em posição supina que inspire 
profundamente, e, ao final da expiração deve ser realizada 
a medida. 
Ponto médio entre o rebordo costal inferior e a crista ilíaca. 
 
RELAÇÃO CINTURA/QUADRIL (RCQ) 
 
Medida que também avalia a distribuição da gordura. Para 
acompanhamento é ruim porque quando o paciente 
começa a emagrecer, começa a perder as duas medidas e a 
relação vai ser a mesma da primeira medida. 
RELAÇÃO CINTURA ESTATURA 
Cintura/altura < 0,5. A cintura deve ser menor que a 
metade da altura. A cintura tem que ser no máximo a 
metade da cintura. 
DISTRIBUIÇÃO DA GORDURA E RISCO DE 
COMPLICAÇÕES 
Recentemente demonstraram a superioridade da relação 
cintura-estatura sobre a RCQ , circunferência abdominal e o 
IMC para a detecção de fatores de risco cardiometabólicos 
e preditor de mortalidade em ambos os sexos. 
OUTRAS FORMAS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO 
CORPORAL: 
♥ Pregas cutâneas – fazer sempre com a mesma 
pessoa para acompanhamento. 
♥ Bioimpedância – são correntes elétricas que 
consegue estimar a quantidade de massa magra e 
gorda. Porque cada uma passa de uma forma, mais 
rápido ou lento – muito utilizada na pratica. 
♥ DEXA (densitometria óssea de dupla energia) – 
padrão ouro. 
♥ RNM e TC de abdome 
♥ Tomografia por emissão de pósitron (PET) – 
diferencia o adiposo branco do marrom. 
Esses métodos conseguimos avaliar a porcentagem de 
gordura e de massa muscular. 
DIAGNÓSTICO NA CRIANÇA 
Existem gráficos de IMC padronizados para faixa etária 
pediátrica, uma vez que em crianças, o IMC também varia 
com a idade e com o sexo, não sendo adequada a sua 
aplicação direta. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
Organização Mundial de Saúde aponta a obesidade como 
um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. 
Entre 2006 e 2019, índice de brasileiros com a doença 
passou de 11,8% para 20,3%. (VIGITEL) 
 OBESIDADE cresceu 72% em 13 anos!! 
♥ Diabetes: 5,5% 7,4% 
♥ HAS : 22,5%  24,5% 
♥ No Brasil mais de 55% da população adulta está 
acima do peso! (sobrepeso + obesidade). 
♥ Entre crianças este número chega a 33%, sendo 
em torno de 15 % obesos. 
ETIOLOGIA 
♥ Monogênica – alteração em um único gene 
♥ Sindrômica – associado a síndrome genética 
♥ Poligênica – maioria delas 
 
Para entender a causa de obesidade, temos que entender 
os mecanismos. Como é feito o controle do peso no nosso 
organismo? 
No hipotálamo, temos neurônios que estimulam a fome e 
neurônios que inibe a fome. 
Esses neurônios do hipotálamo interagem com hormônios 
produzidos na periferia como a leptina, insulina, GLP-1. 
Depois de um tempo, a leptina e a insulina não conseguem 
mas agir no centro de saciedade. 
Hormônio que estimula fome: grelina produzida no 
estomago quando está vazio. 
Outra coisa que acontece é que quando os neurônios 
ativam a leptina que ativa a via anorexígena estimula o SN 
simpático, aumentando o