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JURISPRUDÊNCIA EM TESE COMENTADA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA enunciados 4 e 5

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JURISPRUDÊNCIA EM TESE COMENTADA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Enunciados 1, 2 e 3 do STJ
por Evelyn Dutra
O Juizado de Violência doméstica é um importante avanço para a proteção da mulher na sociedade contemporânea. Todavia, para melhor aplicar o direito, não basta o conhecimento da lei e da doutrina. É importante saber o posicionamento dos órgãos de aplicação da lei para conferir maior eficácia aos instrumentos de proteção.
No presente trabalho, selecionamos a jurisprudência em teses produzida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e elucidamos como compreender a visão da Colenda Corte. Assim, passamos ao exame dos enunciados.
4) A violência doméstica abrange qualquer relação íntima de afeto, dispensada a coabitação.
O entendimento esposado nesse enunciado é similar ao usado nos requisitos de constituição de união estável. Desse modo, para configurar uma relação íntima de afeto que nos termos da lei receba a proteção legal, é suficiente o estabelecimento de vínculo amoroso, não se constituindo como necessária a coabitação. Todavia, diferentemente da relação de união estável, que via de regra tem certa durabilidade e possui animus de projeto familiar, a relação íntima de afeto pode não ser duradoura, ou seja, ser temporária, bem como não se exige a comprovação de um projeto familiar em andamento. Tampouco é a coabitação necessária para configurar a vulnerabilidade que fundamente a tetala especial da lei. Basta que o agressor se aproveite do estado de proximidade originado pela relação de afeto, para infringir dano à mulher, que esta fará jus Às proteções legais. 
Nesse sentido, veja-se os acórdãos HC 280082/RS,Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, Julgado em 12/02/2015,DJE 25/02/2015 REsp 1416580/RJ,Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA,Julgado em 01/04/2014,DJE 15/04/2014. HC 181246/RS,Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Julgado em 20/08/2013,DJE 06/09/2013 RHC 027317/RJ,Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA,Julgado em 17/05/2012,DJE 24/05/2012 CC 091979/MG,Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO,Julgado em 16/02/2009,DJE 11/03/2009.
Vide ainda as Decisões Monocráticas HC 179130/SP,QUINTA TURMA,Julgado em 22/05/2013,Publicado em 06/06/2013 CC 107238/MG,Rel. Ministro OG FERNANDES, TERCEIRA SEÇÃO, Julgado em 16/09/2009,Publicado em 24/09/2009 CC 105201/MG,Rel. Ministro FELIX FISCHER, TERCEIRA SEÇÃO,Julgado em 03/08/2009,Publicado em 06/08/2009.
5) Para a aplicação da Lei n. 11.340/2006, há necessidade de demonstração da situação de vulnerabilidade ou hipossuficiência da mulher, numa perspectiva de gênero.
Essa tese vem corroborar e complementar a ampliação do sujeito ativo que pode vir a ser o agressor praticante da infração penal contra a mulher, que, como visto alhures, pode ser tanto do sexo masculino, quanto do sexo feminino. Uma vez que ocorreu a ampliação do sujeito ativo da relação material criminal, cabe exigir, portanto, maior standart probatório. Numa perspectiva de gênero, caso uma mulher venha a ser agredida por outra mulher, será necessário a demonstração nos autos ou perante o órgão responsável por sua proteção, tanto de que havia íntima relação de afeto, quanto da sua vulnerabilidade nessa relação em face da outra mulher. Somente desse modo, será atraída a tutela do microssistema previsto na lei Maria da Penha.
Nesse sentido: Acórdãos. AgRg no REsp 1430724/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Julgado em 17/03/2015,DJE 24/03/2015 HC 181246/RS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Julgado em 20/08/2013,DJE 06/09/2013 HC 175816/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 20/06/2013,DJE 28/06/2013 HC 176196/RS, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, Julgado em 12/06/2012,DJE 20/06/2012 CC 096533/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, TERCEIRA SEÇÃO, Julgado em 05/12/2008, DJE 05/02/2009
6) A vulnerabilidade, hipossuficiência ou fragilidade da mulher têm-se como presumidas nas circunstâncias descritas na Lei. n. 11.340/2006.
Em regra, o ônus da prova cabe a quem alega. Assim, seria necessária a demonstração por parte do sujeito passivo da agressão contra a qual se insurge a Lei Maria da Pena dos requisitos da vulnerabilidade e da íntima relação de afeto. Todavia, a lei inova e cria um sistema excepcional no qual dispensa a prova de tal vulnerabilidade 
Acórdãos RHC 055030/RJ, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, Julgado em 23/06/2015,DJE 29/06/2015 HC 280082/RS, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, Julgado em 12/02/2015,DJE 25/02/2015 REsp 1416580/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, Julgado em 01/04/2014, DJE 15/04/2014