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Pensamento Pedagógico e a Construção da Escola (1)

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2013
Pensamento Pedagógico 
e a construção da 
escola
Prof.ª Silvana Montibeller Burg
Prof. Sílvio Luiz Fronza
Copyright © UNIASSELVI 2013
Elaboração:
Prof.ª Silvana Montibeller Burg
Prof. Sílvio Luiz Fronza
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
370
B954p Burg, Silvana Montibeller
 Pensamento Pedagógico e a Construção da Escola / 
Silvana Montibeller Burg, Sílvio Luiz Fronza. Indaial : Uniasselvi, 
2013.
 
 258 p. : il
 
 ISBN 978-85-7830-811-7
 1. Pensamento pedagógico. 2. Educação.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
III
aPresentação
A história é um conhecimento em permanente transformação. Isso 
significa que a produção da história não resulta do desenvolvimento de um 
método que esgote o que há para saber sobre os objetos no passado. Porém, é 
movida pelas sucessivas perguntas que as diferentes gerações de historiadores 
fazem as suas fontes, a partir de novos métodos de pesquisa e concepções 
teóricas, tornando o saber passível de novas interpretações. 
 
Ao percorrer este fantástico labirinto da história, o ser humano 
depara-se com as modificações que criaram e impulsionaram os eventos 
nas sociedades. A história enquanto disciplina é o vetor da construção do 
conhecimento passado, presente e, quiçá, futuro; capaz de ressignificar o 
mundo que nos circunda. Permite, ainda, compreender como, através dos 
tempos, o homem formulou as concepções acerca do conhecimento e do 
funcionamento e estrutura do ensino.
 
A História da Educação é uma ferramenta essencial para que o 
acadêmico possa entender as transformações que ocorreram no espaço-
tempo humano, seja nas sociedades orientais ou ocidentais. Nesse contexto, 
o indivíduo é o agente da transformação da cultura, orientador dos saberes e 
organizador da sua própria história. Essa compreensão deve estar vinculada a 
outros contextos, como as orientações filosóficas, religiosas, sociais e políticas, 
que influenciam os indivíduos, pois, a educação não está presente na história 
como um fato isolado. O conhecimento deverá ser visto como uma síntese 
dos saberes históricos, científicos e cotidianos, oriundos da experiência 
pessoal, familiar, coletiva, social; que define e oferece os primeiros conjuntos 
organizados de informações sobre o grupo e o indivíduo, bem como de outros 
grupos nas múltiplas temporalidades.
 
Este Caderno de Estudos apresenta as concepções de Educação a partir 
de um olhar crítico, e procura não apenas perceber a ordem social vigente 
em cada período, como também busca captar os interesses que permearam 
os contextos históricos ao longo do tempo; e que fizeram com que o Brasil se 
submetesse culturalmente a interferências de outras nações. Tem por objetivo 
um contexto dinâmico, que procura incorporar as abordagens mais recentes que 
a LDB preconiza. Trazendo, dessa forma, uma visão atualizada dos caminhos 
que permeiam a compreensão e a interpretação dos fatos históricos descritos.
 
Seja bem-vindo(a), acadêmico(a), a esta emocionante História! 
Profª. Silvana Montibeller Burg
Prof. Sílvio Luiz Fronza
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
UNI
V
VI
VII
sumário
UNIDADE 1 – A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA ................. 1
TÓPICO 1 – OS PRIMEIROS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO ......................................................... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 O CONHECIMENTO HISTÓRICO ................................................................................................. 4
3 O SISTEMA EDUCACIONAL NAS COMUNIDADES TRIBAIS ............................................ 6
3.1 EDUCAÇÃO DIFUSA .................................................................................................................... 6
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 7
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 9
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 10
TÓPICO 2 – EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL ........................................................ 11
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 11
2 EDUCAÇÃO NA MESOPOTÂMIA ................................................................................................ 11
3 EDUCAÇÃO NO EGITO ANTIGO ................................................................................................. 14
4 AS CONTRIBUIÇÕES HEBRAICAS ............................................................................................... 17
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 19
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 21
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 23
TÓPICO 3 – EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE OCIDENTAL .................................................... 25
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 25
2 CONTEXTO NA ANTIGA GRÉCIA ................................................................................................ 25
 2.1 EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ............................................................................................................ 29
 2.1.1 A educação homérica ou cavalheiresca ............................................................................... 29
 2.1.2 A educação em Esparta .......................................................................................................... 32
 2.1.3 A educação em Atenas ........................................................................................................... 35
3 EDUCAÇÃO EM ROMA ....................................................................................................................37
3.1 PRIMEIRA FASE DA EDUCAÇÃO EM ROMA: EDUCAÇÃO LATINA .............................. 38
3.2 SEGUNDA FASE DA EDUCAÇÃO EM ROMA: INFLUÊNCIA HELENÍSTICA ................ 38
3.3 TERCEIRA FASE DA EDUCAÇÃO EM ROMA: EDUCAÇÃO GRECO-ROMANA ........... 39
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 40
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 42
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 44
TÓPICO 4 – O RENASCIMENTO HUMANISTA E OS SISTEMAS EDUCACIONAIS ......... 47
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 47
2 RENASCIMENTO E HUMANISMO: A JUNÇÃO DAS UNIVERSIDADES E DAS 
 CORPORAÇÕES DE OFÍCIO ........................................................................................................... 48
3 UTOPIAS EDUCACIONAIS RENASCENTISTAS: PERSONAGENS DO 
 RENASCIMENTO E SUAS PREOCUPAÇÕES EDUCACIONAIS ........................................... 48
4 AS GRAMÁTICAS E O DECLÍNIO DO LATIM .......................................................................... 50
5 REFORMA EDUCACIONAL: O MODELO PROTESTANTE DE EDUCAÇÃO .................... 50
6 CONTRARREFORMA: O MODELO CATÓLICO DE EDUCAÇÃO ........................................ 53
VIII
7 O FIM DO PERÍODO DE INTOLERÂNCIA ENTRE CATÓLICOS E PROTESTANTES ... 55
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ........................................................................................................... 56
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ........................................................................................................... 59
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 61
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 62
TÓPICO 5 – A FORMAÇÃO DE UM SISTEMA LAICO DE ENSINO NO MUNDO 
 OCIDENTAL ..................................................................................................................... 63
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 63
2 A INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS: O SÍMBOLO DO FIM DO ANTIGO 
 SISTEMA COLONIAL E SUAS IMPLICAÇÕES NA EDUCAÇÃO ......................................... 64
3 A REVOLUÇÃO FRANCESA: O FIM DO ANTIGO REGIME E O COMITÊ DA 
 EDUCAÇÃO PÚBLICA ...................................................................................................................... 65
4 O ILUMINISMO: O INÍCIO DO PROCESSO DE LAICIDADE NA EDUCAÇÃO 
 OCIDENTAL ......................................................................................................................................... 66
4.1 O ENSINO LAICO: MODELOS NACIONAIS DOS ESTADOS LIBERAIS ........................... 67
4.2 O PROCESSO DE FORMAÇÃO DA LAICIDADE: O SURGIMENTO DE 
 INTELECTUAIS EDUCACIONAIS LEIGOS .............................................................................. 68
4.3 OS CONFLITOS DA LAICIZAÇÃO ............................................................................................ 71
5 O DESENVOLVIMENTO DE CIÊNCIAS AUXILIARES: A PSICOLOGIA E A 
 SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO ...................................................................................................... 71
5.1 A SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO .............................................................................................. 72
5.2 A PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO ............................................................................................... 73
6 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E A EDUCAÇÃO TÉCNICA ................................................... 74
6.1 A EDUCAÇÃO TÉCNICA ............................................................................................................. 75
6.2 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E AS TRANSFORMAÇÕES NO ENSINO 
 UNIVERSITÁRIO ............................................................................................................................ 76
7 O ENSINO NA PÓS-MODERNIDADE: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS ........................ 76
7.1 A GLOBALIZAÇÃO DO ENSINO UNIVERSITÁRIO: UM DOS INDÍCIOS DE PÓS-
 MODERNIDADE EDUCACIONAL ............................................................................................ 78
7.2 REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: A INTERNET E SEUS IMPACTOS 
 EDUCACIONAIS A PARTIR DE 1990 ......................................................................................... 79
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 83
RESUMO DO TÓPICO 5 ....................................................................................................................... 87
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 88
UNIDADE 2 – PENSAMENTO PEDAGÓGICO .............................................................................. 89
TÓPICO 1 – A ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS EDUCATIVOS NO BRASIL .................... 91
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 91
2 OS JESUÍTAS E A EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL .................................................... 93
2.1 O MÉTODO JESUÍTICO DE ENSINO E SEU LEGADO ........................................................... 94
2.2 PADRE MANUEL DA NÓBREGA .............................................................................................. 97
2.3 PADRE JOSÉ DE ANCHIETA ....................................................................................................... 98
3 O MARQUÊS DE POMBAL (PERÍODO POMBALINO) E A EXPULSÃO DOS 
 JESUÍTAS .............................................................................................................................................. 100
4 A VINDA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA PARA O BRASIL (OU PERÍODO 
 JOANINO) E AS MUDANÇAS EDUCACIONAIS ...................................................................... 102
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 103
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 105
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 107
IX
TÓPICO 2 – A EDUCAÇÃO NO PRIMEIRO E NO SEGUNDO REINADO ............................. 109
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 109
2 O SISTEMA EDUCACIONAL NOS REINADOS ......................................................................... 111
2.1 ENSINO ELEMENTAR OU PRIMÁRIO ..................................................................................... 111
2.2 ENSINO SECUNDÁRIO ................................................................................................................ 112
2.3 ENSINO SUPERIOR ....................................................................................................................... 115
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 116
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................................119
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 121
TÓPICO 3 – A EDUCAÇÃO NO PERÍODO REPUBLICANO E A 
 REDEMOCRATIZAÇÃO DA NOVA REPÚBLICA .................................................. 125
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 125
2 A PRIMEIRA REPÚBLICA (1889-1930) E OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO ........................... 133
3 A REVOLUÇÃO DE 1930 NO CAMPO EDUCACIONAL E A ERA VARGAS ....................... 135
4 CONTEXTO DA REDEMOCRATIZAÇÃO (1945-1964) ............................................................... 137
5 A DITADURA MILITAR (1964-1985) E A EDUCAÇÃO .............................................................. 142
5.1 REDEMOCRATIZAÇÃO – NOVA REPÚBLICA (1985 À ATUALIDADE) ........................... 145
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 147
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 149
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 151
TÓPICO 4 – A LEGISLAÇÃO E A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 
 NA ATUALIDADE .......................................................................................................... 153
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 153
2 A EDUCACÃO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E NO PLANO 
 NACIONAL DE EDUCAÇÃO ........................................................................................................... 154
3 A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO (1996) ......................................................... 158
3.1 AS NOVAS DIRETRIZES DA EDUCAÇÃO (DIREITOS HUMANOS, CULTURA 
 AFRO-BRASILEIRA, INDÍGENA E MEIO AMBIENTE) .......................................................... 161
 3.1.1 Direitos humanos na LDB .................................................................................................... 161
 3.1.2 História e cultura afro-brasileira e indígena na LDB ........................................................ 162
 3.1.3 Educação ambiental na LDB ................................................................................................ 164
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 165
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 168
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 169
TÓPICO 5 – POLÍTICAS E PROGRAMAS EDUCACIONAIS (PDE, FUNDEB / 
 FUNDEF, AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL ESCOLAR) ......................................... 171
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 171
2 FUNDEB / FUNDEF ............................................................................................................................. 171
3 PDE ......................................................................................................................................................... 172
4 PDDE ...................................................................................................................................................... 174
5 AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL ESCOLAR ................................................................................. 176
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 179
RESUMO DO TÓPICO 5 ....................................................................................................................... 182
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 183
UNIDADE 3 – GESTÃO E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR ............................................................... 185
TÓPICO 1 – GESTÃO E ORGANIZAÇÃO ESCOLAR .................................................................. 187
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 187
X
2 DOCUMENTOS EDUCACIONAIS DE REFERÊNCIA ............................................................... 188
2.1 CONSTITUIÇÃO FEDERAL (CF/1988) ....................................................................................... 188
2.2 CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CNE) .................................................................. 189
2.3 DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS (DCNs) ............................................................. 189
2.4 LEI DE DIRETRIZES E BASES (LDB) .......................................................................................... 190
2.5 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA) ...................................................... 190
3 ORGANIZAÇÃO ESCOLAR ............................................................................................................ 192
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 195
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 197
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 198
TÓPICO 2 – CONSELHOS ESCOLARES, PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E 
 AVALIAÇÃO ..................................................................................................................... 199
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 199
2 O PPP DA ESCOLA ............................................................................................................................. 199
3 O CONSELHO ESCOLAR ................................................................................................................. 202
4 AVALIAÇÃO DISCENTE E INSTITUCIONAL ............................................................................ 204
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 210
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 213
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 214
TÓPICO 3 – PAPEL DO GESTOR E DOS ESPECIALISTAS DE APOIO 
 (COORDENADORES PEDAGÓGICOS) ................................................................... 215
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 215
2 O PAPEL DO GESTOR ....................................................................................................................... 216
3 O PAPEL DOS COORDENADORES PEDAGÓGICOS ESCOLARES ..................................... 218
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 220
RESUMODO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 222
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 223
TÓPICO 4 – CONSELHO DE CLASSE E FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DO 
 PROFESSOR ..................................................................................................................... 225
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 225
2 O CONSELHO DE CLASSE .............................................................................................................. 226
3 FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DO PROFESSOR .............................................................................. 228
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 235
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 237
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 238
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 239
1
UNIDADE 1
A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES 
MOMENTOS DA HISTÓRIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade você deverá ser capaz de:
• conhecer a formação histórica da organização do sistema público de ensi-
no e seus projetos educativos.
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. Ao final de cada um deles, você 
encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – OS PRIMEIROS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO
TÓPICO 2 – EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL
TÓPICO 3 – EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE OCIDENTAL
TÓPICO 4 – O RENASCIMENTO HUMANISTA E OS 
 SISTEMAS EDUCACIONAIS
TÓPICO 5 – A FORMAÇÃO DE UM SISTEMA LAICO DE 
 ENSINO NO MUNDO OCIDENTAL
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
OS PRIMEIROS SISTEMAS DE 
EDUCAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
As lutas do ser humano pela sobrevivência o levaram a enfrentar 
as hostilidades da natureza, a criação das primeiras ferramentas. Depois, 
gradativamente, outros desafios surgiram culminando nas primeiras formas de 
comunidade. Por meio de pinturas, no princípio rudimentares e outros vestígios 
de desenvolvimento, foi possível traçar uma História para a raça humana e 
dialogar com seus valores, crenças, hábitos e evolução. Pode-se afirmar, então, que 
a memória dos acontecimentos e das ações dos seres humanos ao longo do tempo 
compõe a História.
História é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento dos 
seres humanos no tempo. Ou seja, a História analisa os processos históricos, 
personagens e fatos para poder compreender um determinado período histórico, 
cultura ou civilização. 
 
O grego Heródoto, que viveu no século V a.C., é considerado o “pai da 
História” e primeiro historiador, pois foi o pioneiro na investigação do passado 
para obter conhecimento histórico.
FONTE: Adaptado de: <http://www.suapesquisa.com/historia/conceito_historia.htm>. Acesso em: 
4 mar. 2013.
Nesse sentido, esta unidade vai dialogar sobre a História da Educação, 
que está diretamente ligada aos primeiros conceitos educacionais provindos das 
diferentes culturas e períodos ao longo da História. Dessa forma, para melhor 
definir as concepções usadas pelo homem para a transmissão de conhecimento aos 
seus descendentes utilizam-se as palavras de Iturra (1994, p. 40): 
Todo o grupo social precisa de transmitir a sua experiência acumulada 
no tempo à geração seguinte, como condição da sua continuidade 
histórica. O fato de os membros individuais do grupo estarem sempre 
a renovar-se, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a 
necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber 
e existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que 
permaneça no tempo histórico. 
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
4
Arqueólogos e historiadores já reuniram muitas explicações acerca do 
desenvolvimento das sociedades, mais ou menos complexas, a partir da Pré-
História. Não há informações precisas de muitos desses períodos, mas, mesmo 
nas comunidades primitivas com predominância da memória oral, havia uma 
organização social e hierárquica do saber, do conhecimento, e meios diferentes 
de passar esse conhecimento aos descendentes. Um pouco dessas estruturas, a 
partir das comunidades tribais, será abordada a seguir, que inicia com o conceito 
de historicidade na aquisição do conhecimento. 
2 O CONHECIMENTO HISTÓRICO
A História da Educação está diretamente ligada aos primeiros registros do 
homem e às primeiras produções escritas na Terra. Por isso, embora não seja o foco 
desse estudo e a abordagem seja superficial, é importante conhecer um pouco mais 
sobre essas concepções. 
A partir do momento em que a humanidade passou a estudar e tentar 
compreender sua própria trajetória no mundo e a reconstituir a história dos 
antepassados, procurou organizar suas descobertas e dividi-las em períodos. No 
século XIX, acreditava-se que as sociedades só poderiam documentar sua História 
por meio da escrita (o que demonstra um sentido ideológico carregado de estigma), 
desconsiderando as imagens (pinturas), fósseis, vestígios materiais, relatos orais e 
quaisquer outros indícios de evolução do homem. Dessa forma, ao período que 
conceitua todas as atividades humanas desde sua origem (há aproximadamente 
cinco milhões de anos) até o surgimento da escrita (por volta do ano 4.000 a.C.) 
foi chamado de culturas ágrafas (alguns autores denominam o período de Pré-
História). Ao período que corresponde à descoberta da escrita até os dias atuais 
denominou-se História (POMIAN, 1993). 
No período Pré-Histórico, a humanidade registrou nas paredes rochosas 
das cavernas ou dos penhascos, pinturas e desenhos de seres humanos e animais, 
utilizando-se de muitos suportes para registrar seus conhecimentos, tais como 
pedras, argila, madeira, vegetais e compostos animais. Esses primeiros registros 
lineares introduziram no mundo o primeiro passo para a escrita. Mais tarde, as 
pictogravuras (descrição de imagens que servem de símbolos), associaram símbolos 
a objetos ou ideias. Assim, esses desenhos tornaram-se, aos poucos, ideogramas, e 
estes, por sua vez, escrita fonética (CARDOSO, 1981). 
A escrita mais antiga de que se tem conhecimento é a cuneiforme, composta 
por sinais complexos, derivada da palavra latina “cuneus” que significa cunha, e 
proveniente da Mesopotâmia. Para escrever, utilizavam-se placas de argila ainda 
moles, e, com um estilete, faziam-se marcas em forma de cunha. Após concluir a 
escrita, a placa era cozida até ficar tão duro quanto um tijolo. Mais tarde, passaram a 
escrever sobre peças de marfim e pequenas tábuas de madeira e rapidamente a escrita 
exprimiu o pensamento do homem, surgindo os primeiros escribas (funcionários 
públicos, exercendo funções burocráticas) (GUARINELLO, 2003).
TÓPICO 1 | OS PRIMEIROS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO
5
O desenvolvimento do comércio facilitou a divulgação dos sistemas de 
escrita, que foram adaptados a outras línguas. Os fenícios simplificaram esses 
códigos, diminuindo o número de sinais utilizados e criando o primeiro alfabeto, 
com vinte e duas consoantes, que, mais tarde, foi adotado pelos gregos (século 
XI a.C., que introduziram as vogais entre os sinais utilizados), dando origem ao 
alfabeto grego clássico e orientando a escrita da esquerda para a direita (POMIAN, 
1993). 
A evolução da escrita, que passou a representar os sons da língua falada, 
baseado na significação, possui papel tão importante no desenvolvimento das 
sociedades queserve de parâmetro para dividir os aspectos relacionados ao 
desenvolvimento do ser humano: antes da escrita, pré-história e depois da escrita 
história. Salienta-se, porém, que o aparecimento e a evolução da escrita não foi, e 
não é, uma característica de todas as sociedades humanas, considerando-se que 
há diversas línguas não escritas no mundo (aproximadamente 7.000). Questões 
históricas, como a estrutura da sociedade, podem explicar a ausência da escrita 
nesses idiomas (CARDOSO, 1981). 
 
Entretanto, falar e escrever não são a mesma coisa. Viver em sociedade 
requer o domínio da fala, e a criança em seus primeiros meses de vida já tem como 
instrutores as pessoas próximas. Por outro lado, a escrita precisa ser ensinada, 
geralmente em escolas, por pessoas que também a aprenderam. Ou seja, exige 
uma formalidade e uma intencionalidade, uma vez que não se aprende a escrever 
convivendo com quem escreve. “Essa intencionalidade também existiu na criação 
das línguas escritas e em sua evolução, para acompanhar o ritmo das sociedades e as 
várias modificações que a própria língua falada foi sofrendo”. (VALLE; PANCETTI, 
2009, p. 2). 
Assim, as concepções acerca do mundo foram gravadas na História. O 
ser humano alcançou sistemas complexos de sociedade e criou diferentes formas 
de transmitir conhecimentos a seus descendentes, estabelecendo assim o sistema 
educacional. A educação está presente em todos os momentos da História. Por 
mais primitiva que seja uma sociedade, há um momento em que ela se educa 
(MEKSENAS, 2002).
Embora não seja possível desvincular a História do desenvolvimento do 
homem e da mulher de outras concepções, como suas orientações filosóficas, 
religiosas, sociais e políticas, sempre que se considera a existência de uma 
sociedade, por mais primitiva que seja, considera-se também sua concepção de 
educação. Ela está presente em todos os momentos da História da humanidade 
(MEKSENAS, 2002).
 
A seguir, veremos os primeiros sistemas educacionais conhecidos no 
mundo, oriundos das comunidades tribais. 
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
6
3 O SISTEMA EDUCACIONAL NAS COMUNIDADES TRIBAIS 
Nas culturas ágrafas, a educação dos jovens ocorria por meio da imitação 
das atitudes dos adultos, tanto nas atividades diárias, quanto nas cerimônias e 
rituais. “Apesar de não existir nessas sociedades elementos como Estado, classes 
sociais, escrita, comércio e escola”. (ITURRA, 1994, p. 36), as diferenças não 
permitem generalizações, tampouco que essas sociedades sejam avaliadas de 
forma etnocêntrica, ou seja, por padrões da nossa cultura. Deve-se avaliá-las, por 
conseguinte, como sociedades diferentes e não inferiores. 
 
Perceba, caro(a) acadêmico(a), que a família era, nesse período, o centro 
da educação das crianças, o único meio de transmissão de conhecimentos aos 
descendentes. 
A família, em qualquer sociedade, é o primeiro lugar de socialização do 
indivíduo, onde ele aprende a reconhecer a si e aos outros, a comunicar 
e a falar, onde depois aprende comportamentos, regras, sistemas de 
valores, concepções do mundo. A família é o primeiro regulador da 
identidade física, psicológica e cultural do indivíduo e age sobre ele 
por meio de uma fortíssima ação ideológica. Esse era também o papel 
da família na Antiguidade, [...] mas sempre seguindo um modelo 
autoritário que vê o pai quase como um deus ex machina da vida familiar
[...]. (CAMBI, 1999, p. 80). 
Para Brandão (2007) a educação dos povos primitivos se caracteriza pelo 
caráter eminentemente oral (não há registros escritos); integral (abrange todo o 
saber da tribo); universal (todos têm acesso ao saber e ao fazer apropriados pela 
comunidade); religioso/mítico (presença de deuses e do sobrenatural em todos os 
aspectos da realidade vivida); e de imitação servil (a reprodução do saber ocorre 
por imitação).
Na vida primitiva, a terra era de todos e as gerações que iam nascendo 
aprendiam os máximos e mínimos da organização da vida natural, que com a sua 
própria teoria, transformaram em cultura. Cada ser humano passa a ser construtor 
de uma parte dela com as ideias que lhe foram transmitidas (ITURRA, 1994).
3.1 EDUCAÇÃO DIFUSA
Segundo Ponce (2003), o fato de todos os componentes da sociedade 
primitiva terem acesso ao saber, caracteriza a educação difusa, ou seja, não há um 
dominador do conhecimento, todos aprendem por igual. O objetivo da educação 
difusa era ajustar a criança ao seu ambiente físico e social, por meio da aquisição 
de experiências.
 
Todos os agentes desta educação de aldeia criam de parte a parte 
as situações que, direta ou indiretamente, forçam iniciativas de 
aprendizagem e treinamento. Elas existem misturadas com a vida 
em momentos de trabalho, de lazer, de camaradagem ou de amor. 
(BRANDÃO, 2007, p. 18).
 
TÓPICO 1 | OS PRIMEIROS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO
7
Nas comunidades tribais, a educação difusa alcança os ensinamentos junto 
às crianças de modo que elas aprendam em tempo integral:
 
• Imitando os gestos dos adultos nas atividades diárias e nas cerimônias dos rituais, 
as crianças tomam conhecimento dos mitos dos ancestrais; pois estes também 
imitavam a ação dos deuses, como nas danças antes da guerra (representando a 
antecipação mágica do sucesso); e nos desenhos feitos nas pedras (como forma 
antecipada de apropriação da caça e forma de restituir os animais à natureza).
• Imitando as atividades produtivas: caça, pesca, pastoreio e agricultura, as 
crianças aprendiam para a vida e por meio da vida, sem que alguém estivesse 
especialmente destinado à tarefa de ensinar; assim desenvolvia aguda percepção 
do mundo e aperfeiçoava suas habilidades, sem frequentar uma escola.
• Também os males que assolavam as tribos eram relacionados à vontade dos 
deuses, e essas tradições e crenças eram transmitidas oralmente às crianças, por 
meio da repetição, permitindo a coesão grupal e perpetuando os comportamentos 
considerados desejáveis (o que configurava essas comunidades como estáveis).
• Não eram usados castigos para trabalhar a adaptação aos usos e valores da tribo; 
havia, por parte dos adultos, tolerância em relação aos enganos dos aprendizes 
e respeito ao ritmo de aprendizagem.
 
Dessa forma, a identidade étnica e cultural do grupo/tribo primitiva vai 
sendo perpetuada e passando às gerações os aprendizados adquiridos quanto 
às artes, ritos, cultos e ofícios (ocupações laborais), estabelecendo um elo entre a 
prática e a história.
Para aprimorar seu aprendizado sobre as primeiras concepções da educação, 
leia também o texto complementar sugerido sobre os ritos de iniciação e responda às 
autoatividades.
LEITURA COMPLEMENTAR
RITOS DE INICIAÇÃO
Júlio Cezar Melatti 
Várias sociedades indígenas marcam a passagem do jovem para a vida 
adulta, onde vai gozar da plenitude dos seus direitos, com certos ritos, chamados 
de iniciação, os quais constituem, também, ritos de passagem. 
 
ATENCAO
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
8
Entre os índios Apinayé, a transformação dos meninos em guerreiros se dá 
em duas etapas, que juntas cobrem o espaço de um ano. E cada uma dessas etapas 
constitui ritos de passagem. A primeira etapa é como que uma preparação para a 
segunda, a qual constitui realmente a passagem para a classe dos guerreiros. Não 
vamos descrever aqui esses ritos em seus detalhes por serem demasiado complexos. 
De qualquer modo, vamos fazer notar que as duas etapas citadas constituem ritos 
de passagem, porque podem ser divididos nas três fases que caracterizam esses 
ritos: a) separação; b) transição; e c) incorporação.
 
Na primeira etapa, os meninos que têm por volta de quinze anos de idade 
são separados dos demais por uma cerimônia que pode ser considerada como um 
rito de separação. Passam então a serem chamados de pebkaág, isto é, “semelhantes 
a guerreiros”. Daí por diante, durante alguns meses, embora durmam em suas 
casas maternas, os jovens em iniciação passam praticamente os dias separados daaldeia: têm um acampamento próprio, um local de banho só para eles, um pátio 
deles a leste da aldeia, um caminho circular em torno da aldeia pelo qual vêm 
buscar alimento em suas casa maternas. Recebem instrução todos os dias de dois 
índios maduros. Levam uma vida à parte da dos demais moradores, vindo à aldeia 
quase que somente para dançar à noite e dormir. Tal fase é marcada pelos ritos de 
transição. É durante esse período que os jovens têm suas orelhas e seu lábio inferior 
perfurado para uso de batoques. Finalmente, depois de algum tempo são de novo 
trazidos à vida da aldeia por uma cerimônia constituída de ritos de incorporação.
 
A segunda etapa começa também por um rito de separação. Os jovens 
a partir de então são chamados de pemb, isto é, “guerreiros”. Nessa segunda 
etapa, os jovens ficam numa reclusão rigorosa, sendo feito para cada um deles 
um pequeno quarto totalmente fechado dentro de sua casa materna. Os jovens 
não devem ser vistos: ou estão em seus quartos ou, então, longe da aldeia. Nesta 
fase, seus instrutores lhes aconselham sobre como escolher e como tratar a esposa, 
como tratar seus colegas, como confeccionar seus enfeites, exortam-nos a obedecer 
a seus chefes etc. Marcam essa fase os rituais de transição. Finalmente eles voltam 
outra vez à vida da aldeia através dos ritos de incorporação.
Ao serem novamente incorporados à vida da aldeia, os jovens já não são 
mais os mesmos. Já não são considerados meninos, são tratados como adultos e 
podem casar-se. As mulheres não passam por esses ritos, a não ser algumas por 
privilégio especial.
FONTE: MELATTI, Júlio César. Índios do Brasil. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 1980, p. 123-124.
9
Neste tópico, você viu que:
• A História é resultado do passado, dos acontecimentos e das ações dos indivíduos 
ao longo do tempo.
• De maneira geral, as sociedades tribais são predominantemente míticas e de 
tradição oral. Ou seja, para esses povos a natureza está repleta de deuses, e o 
sobrenatural penetra em todas as dependências da realidade vivida.
• As sociedades ágrafas ou tribais não possuíam um sistema ordenado de 
educação.
• O método de ensino, nas sociedades tribais era feito por meio da educação de 
imitação, em que as crianças aprendiam as diversas atividades dos adultos 
observando-os. 
• A educação difusa é caracterizada pelo acesso de todos os componentes da 
sociedade ao saber, ou seja, não há um dominador do conhecimento, todos 
aprendem por igual, por meio da aquisição de experiências.
• O fato educativo está vinculado às diversas orientações filosóficas, religiosas, 
sociais e políticas.
RESUMO DO TÓPICO 1
10
A partir da leitura deste tópico, responda às seguintes questões.
 
1 Use V se a afirmativa for verdadeira e F se for falsa.
a) ( ) Nomadismo é o estilo de vida que consiste em não ter moradia fixa, 
estando o ser humano em permanente deslocamento.
b) ( ) Sedentarismo é o estilo de vida que consiste em ter moradia fixa, sendo 
que o ser humano vive em um só lugar.
c) ( ) As pinturas feitas nas paredes de rochas e cavernas, com reprodução de 
cenas de caça são chamadas de pinturas rupestres.
2 Em sua opinião, qual é o objetivo da educação de hoje? Você concorda com 
esse objetivo? Justifique sua resposta.
3 Seria possível, hoje, utilizar o método da imitação para ensinar as crianças? 
Por quê?
4 Em sua opinião, qual é a importância de ser exemplo para as crianças?
5 Qual é o papel da família na educação atual? Comente suas expectativas a 
partir da participação familiar na construção do conhecimento. 
AUTOATIVIDADE
11
TÓPICO 2
EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE 
ORIENTAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A Idade Antiga, ou Antiguidade, compreende o período que vai desde a 
invenção da escrita (por volta de 4000 a.C.) até a queda do Império Romano do 
Ocidente (476 d.C.). A Idade Antiga é dividida em Antiguidade Oriental, que é 
constituída dos povos mesopotâmicos, egípcios, hebreus, fenícios e persas, e 
Antiguidade Ocidental (Grécia e Roma). 
As primeiras civilizações orientais surgiram próximas a grandes rios 
como: Nilo (Egito), Tigre e Eufrates (Mesopotâmia). Outras civilizações também 
se desenvolveram às margens de grandes rios, como: Amarelo (China), Indo 
e Ganges (Índia e Paquistão), que embora não são abordados neste Caderno de 
Estudos foram citadas devido a sua importância histórica.
O Extremo Oriente é uma sub-região da Ásia. Localiza-se a Leste do continente, 
é composta por muitos países incluindo China e Índia. Oriente Médio é um termo utilizado 
para definir uma porção territorial encontrada a leste e ao sul do Mar Mediterrâneo, do ponto 
de vista histórico representa o berço das primeiras civilizações, como Mesopotâmia e Antigo 
Egito. Atualmente nesta região, encontramos países como o Iraque e Israel. Oriente Próximo é 
um termo utilizado por arqueólogos, historiadores, cientistas políticos e outros pesquisadores, 
engloba os países do Sudoeste Asiático. 
FONTE: Disponível em: <http://www.brasilescola.com/geografia/extremo-oriente.htm>. 
Acesso em: 9 set. 2013.
2 EDUCAÇÃO NA MESOPOTÂMIA
A palavra Mesopotâmia significa “terra entre rios”. A região está situada 
nas planícies dos rios Tigre e Eufrates. Também é chamada de Baixa Mesopotâmia. 
Desenvolveu-se por volta do terceiro milênio a.C. Abrigou diferentes povos como 
os sumérios, acádios, babilônicos, assírios e caldeus, entre outros (PINSKY, 2001).
 
DICAS
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
12
Foram nesses vales “entre rios” que o homem deixou de ser nômade, 
aprendeu a controlar o excesso e a falta de água, a drenar os pântanos e a construir 
sistemas de irrigação, inventou a roda, o calendário, o comércio, a escrita cuneiforme 
e diversas ferramentas de trabalho. Ali surgiram também as primeiras civilizações 
que tinham como característica principal a formação do Estado, e a instituição 
político-administrativa, determinando as normas e o modo de organização de 
cada grupo (CAMBI, 1999).
As regiões em que surgiram as primeiras civilizações ficaram conhecidas 
como Crescente Fértil, atualmente, se situa parcial ou totalmente no Egito, Israel, 
Líbano, Jordânia, Síria, Turquia e Iraque. Muitas das áreas, após séculos de 
exploração, desapareceram e deram lugar a vastos desertos (PINSKY; PINSKY, 
2003). O Crescente Fértil foi assim denominado por seu formato que lembra uma 
lua em quarto crescente, conforme demonstra a figura a seguir.
FIGURA 1 – CRESCENTE FÉRTIL
FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/geografia/crescente-fertil/>. 
Acesso em: 10 jul. 2013.
TÓPICO 2 | EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL
13
Os povos que habitaram o Crescente Fértil dominaram técnicas como: 
a domesticação dos animais, a agricultura, a metalurgia, a escultura e a escrita 
(cuneiforme). 
 
As relações sociais comunitárias foram aos poucos substituídas pelo 
escravismo ou pela combinação deste com diferentes formas de servidão. Na 
Europa, esse período acaba com a queda do Império Romano do Ocidente, 
em 476. Nos outros continentes, várias civilizações preservam os traços da 
Antiguidade até o contato com os europeus, a partir do século XVI. 
FONTE: Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/arte-na-antiguidade/
antiguidade.php>. Acesso em: 4 mar. 2013.
 
A escrita cuneiforme (talhada em argila por um estilete e depois cozida 
para endurecer) foi desenvolvida inicialmente pelos sumérios e usada pelos 
assírios, hebreus e persas, surgiu ligada às necessidades de contabilização dos 
templos. Eles elaboraram leis e criaram bibliotecas. Sua escrita era ideográfica, ou 
seja, expressava uma ideia.
FIGURA 2 – ESCRITA CUNEIFORME
FONTE: Disponível em: <http://icommercepage.wordpress.
com/2010/09/26/a-escrita-cuneiforme/>.  Acesso em: 16 jul. 2013.
Mais tarde, os sacerdotes e escribas (encarregados da linguagem culta 
e da transcrição de hinos e livros sagrados) começaram a utilizar uma escrita 
convencional, que não tinha nenhuma relação com o objeto representado e cada 
sinalrepresentava um som. Surgia assim a escrita fonética, que pelo menos no 
segundo milênio a.C., já era utilizada nos registros de contabilidade, rituais 
mágicos e textos religiosos (PINSKY, 2001). 
 
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
14
Das poucas informações relacionadas ao processo educacional desse 
período, sabe-se que predominava a educação doméstica, com a transmissão dos 
saberes e culturas passadas de pai para filho. Após a conquista da Babilônia pelos 
assírios (por volta de 1.240 a.C.) foram criadas escolas públicas para impor ao povo 
os valores e crenças dos conquistadores. Além da educação escolar, a educação 
familiar (primeiro da mãe, depois do pai) ensinava os ofícios (profissões) em 
pequenas oficinas artesanais, cujo método não era institucionalizado. Baseava-se 
apenas em observar como os adultos faziam e repetir o processo. Com o passar 
do tempo surgiu a necessidade de dividir os saberes de forma a relacioná-los 
com o trabalho, cada vez mais especializado e técnico e, surge assim, a instrução 
superior, chamada de Casa da Vida, ou Universidade Palatina da Babilônia, em 
que se ensinavam, além da escrita, principalmente para estudantes vindos de 
famílias abastadas e que pretendiam se tornar escribas ou atender às demandas 
administrativas e econômicas, sobretudo as dos templos e palácios; e noções de 
aritmética, que permeavam as negociações econômicas (CAMBI, 1999).
 
Os mesopotâmicos não tinham uma unidade política. As terras pertenciam 
aos deuses e eram administradas por uma corporação de sacerdotes. Cada cidade 
controlava seu próprio território rural e pastoril e sua rede de irrigação. Tinham 
governo e burocracia próprios e eram independentes, chamadas de cidade-
estado. Havia um poder monárquico, que por ocasião de guerras ou alianças 
entre as cidades, representava a todos, sendo o poder real caracterizado como de 
origem divina. Porém, essas alianças eram temporárias. Embora independentes 
politicamente, esses pequenos Estados mesopotâmicos eram interdependentes na 
economia o que gerava um dinâmico processo de trocas (PINSKY, 2001). 
 
O desenvolvimento da antiga civilização egípcia também trouxe 
contribuições ao sistema educacional, conforme demonstra o tópico a seguir. 
3 EDUCAÇÃO NO EGITO ANTIGO
Localizada às margens do Rio Nilo, na porção nordeste do continente 
africano, a civilização egípcia foi sustentada por um sistema de servidão coletiva, 
sob o domínio do faraó, de caráter divino, considerado a encarnação de Deus, 
o que consolidava seu poder. Na escrita, foram responsáveis pela evolução dos 
pictogramas (sinais que representavam coisas e objetos), e ideogramas (sugeriam 
ideias), e pela criação de sinais (letras) que representavam sons (fonemas). 
Organizavam-se por meio de um conjunto de comunidades patriarcais chamadas 
nomos, que eram controladas por um chefe do Monarca. As terras não possuíam 
proprietário e as riquezas produzidas eram divididas coletivamente. Durante o 
governo do imperador Menés, entre 3.200 a.C. e 3.100 a.C., o Egito foi unificado 
(PINSKY; PINSKY, 2003).
 
Com essa mudança, os monarcas foram transformados em funcionários 
imperiais encarregados de garantir o recolhimento dos impostos e a administração 
das aldeias e das cidades. Mas, a dissolução do Estado, a partir de invasões externas 
TÓPICO 2 | EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL
15
e disputas internas, dividiram a política do Egito em períodos distintos (conforme 
detalham a obra de Cambi, 1999; e Nunes, 1979a):
 
• Antigo Império ou Período Arcaico, composto por três dinastias, ocorreu por 
volta de 2300 a.C.: O faraó e os nomos formam a unidade de organização sócio-
política e as conveniências sociais eram muito valorizadas, com regras morais e 
comportamentais rigorosas. 
 
Os ensinamentos eram passados de pai para filho e do mestre escriba 
para o discípulo, sendo que havia sempre uma continuidade da transmissão 
do ensino de geração em geração. A autoridade dos adultos era inquestionável. 
FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/educacao-antiga-educacao-no-
egito-grecia-e-roma/22610/>. Acesso em: 5 mar. 2013. 
 
A educação ocorria de forma mnemônica, repetitiva, sempre baseada na 
escrita. O ensinamento voltava-se à formação do homem político, para o bem falar 
(retórica), depois para a valorização da educação, levando ainda ao saber comandar, 
e se subordinar para não sofrer castigos. Contando com um intenso artesanato, o 
comércio também foi uma importante atividade econômica no Egito Antigo.
• Idade Feudal, composta por quatro dinastias, vai de 2190 a.C. a 2040 a.C.: neste 
período a preocupação dos faraós se volta à decadência da disciplina social. A 
educação deixa de ser de pai para filho e os jovens são confiados a um profissional 
que se dedique a educá-los. Surge a Educação Física, que acontece no palácio ou 
sedes da corte, cujo principal esporte é a natação, e é praticada pelos filhos do 
rei ou jovens escolhidos por ele. A retórica ainda é importante. Surge a figura do 
escriba, perito na escrita, que além de funcionário da administração, se torna o 
mestre dos filhos do rei.
• Médio Império ou Período Tebano, com duas dinastias, ocorre entre os anos de 
2133 a 1786 a.C.: o uso do livro de texto ganha importância em um modelo de 
educação privada, de pai para filho ou de escriba para discípulo. A profissão 
de escriba ganha importância e chega a propiciar a ascensão social, tornando as 
letras mais importantes que a palavra. 
O Estado centralizado foi restabelecido pelos esforços do faraó Mentuhotep 
II. A servidão coletiva foi mais uma vez adotada, permitindo a construção de 
vários canais de irrigação e a transferência da capital para a cidade de Tebas. 
FONTE: Disponível em: <http://www.slideshare.net/historiando/o-egito-antigo-prof-nlia>. Acesso 
em: 5 mar. 2013.
Mesmo sendo um período de diversas conquistas e desenvolvimento 
da cultura egípcia, o Médio Império chegou ao fim com a dominação exercida 
pelos hicsos.
FONTE: Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/ef2/egito/p2.php>. Acesso em: 8 mar. 2013.
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
16
• O Segundo Período Intermediário ou Época dos Hicsos (que invadiram o Egito), 
com cinco dinastias, ocorre entre 1785 a.C. e 1580 a.C.: nesse período o livro 
adquire vital importância na educação. 
 
Exalta-se a técnica da instrução, dando importância à habilidade manual 
na escrita e durante a primeira infância, quando a criança passa a frequentar 
a escola. A educação física se torna preparação para a guerra e é privilégio 
somente das classes dominantes.
FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/educacao-antiga-educacao-no-
egito-grecia-e-roma/22610/>. Acesso em: 5 mar. 2013.
 
• O Novo Império, marcado pela décima oitava dinastia, ocorreu entre 1550 a.C. e 
1070 a.C.: A presença dos invasores serviu para que os egípcios se unissem contra 
os hicsos. Neste período, o ensinamento ainda era valorizado. A profissão de 
escriba perdeu status e passou a ser relacionada a pessoas de compleição frágil. 
A punição corporal era frequente, e muitas vezes acompanhada pela reclusão 
e pelos grilhões. Com a expulsão definitiva dos invasores ocorre a dominação 
egípcia de povos como os hebreus, fenícios e assírios. A expansão das fronteiras 
possibilitou a ampliação das atividades comercias e estabilizou o Estado, até a 
invasão dos assírios, persas, macedônios, romanos, árabes, turcos e britânicos, 
que controlaram o Egito por mais de 2.500 anos.
• Período Demótico, que dura de 1069 a.C. a 333 a.C.: A retórica perde importância 
para a subordinação, valorizando-se a assimilação dos costumes, obediência e 
submissão. O objetivo educacional passa a ser o preparo das crianças para a 
guerra, não somente para obedecer a ordens, mas também para comandar.
 
A organização da sociedade egípcia era visivelmente rígida. O faraó ocupava 
o topo da pirâmide social, seguido pelos funcionários públicos e chefesmilitares, 
depois pelos escribas e comerciantes e pela população camponesa (DREGUER; 
TOLEDO, 2006).
 
As crenças egípcias estavam relacionadas à adoração de vários deuses, 
geralmente associados às forças da natureza. O politeísmo influenciou todos 
os demais aspectos da vida daquele povo, que considerava a existência de vida 
após a morte, o que explica a complexidade dos rituais funerários e a preparação 
dos cadáveres por meio do processo de mumificação, característicos da cultura 
egípcia. A medicina obteve grandes avanços em tratamentos para diversos 
males e delicadas intervenções cirúrgicas. As artes tinham conotação religiosa. 
As representações pictóricas retratavam deuses e a vida de alguns faraós. Na 
arquitetura e na engenharia destacaram-se na construção de pirâmides, templos e 
canais de irrigação. Os egípcios deixaram vasta cultura material e muitos registros 
sobre seus hábitos e costumes (BESOZZI, 2005). 
TÓPICO 2 | EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL
17
Durante o século XIX, em meio às invasões de Napoleão ao Egito, uma equipe 
de cientistas franceses juntou várias peças arqueológicas de escrita hieroglífica. Em 1821, Jean 
Champollion iniciou estudos da escrita egípcia desenvolvida a partir de uma lápide de basalto 
negra conhecida como “Pedra Roseta”. A escrita egípcia também possibilitou a elaboração de 
uma literatura própria daquela civilização. Observou-se o desenvolvimento de textos variados, 
desde questões religiosas, até a produção de sátiras do cotidiano. Entre as principais produções 
literárias egípcias, destacam-se o “Livro dos Mortos” e a “Sátira das Profissões” (CAMBI, 1999).
Cabe destacar ainda, a contribuição do povo hebreu à formação da herança 
educacional ocidental, como destaca o próximo item.
4 AS CONTRIBUIÇÕES HEBRAICAS
Os hebreus, também chamados de judeus ou israelitas, habitavam 
a antiga Palestina (no Crescente Fértil, Antiguidade Oriental, território atual 
de Israel) e contribuíram deixando como herança para o mundo ocidental sua 
conduta moral e ética, que influenciou o surgimento de duas das principais 
religiões da atualidade: o judaísmo e o cristianismo.
FONTE: Adaptado de: <http://www.mundoeducacao.com.br/historiageral/judeus-na-historia.
htm>. Acesso em: 5 mar. 2013.
 
A família hebraica era patriarcal, ou seja, o homem tinha autoridade 
sobre a esposa e os filhos. A educação das crianças começava por volta dos três 
anos, quando já sabiam falar, e orações e cânticos eram aprendidos por repetição. 
Em casa, os símbolos e práticas religiosas proporcionavam oportunidade de 
ensino, também baseados na repetição e memorização. O pai ensinava ao filho 
homem a religião, a história do povo hebreu, uma profissão, bem como a nadar 
e encontrava-lhe uma esposa. À mãe cabia ensinar suas filhas a serem esposas 
obedientes e capazes, a cozinhar, fiar, tecer, tingir, cuidar de crianças, dirigir 
escravos, triturar grãos e às vezes a trabalhar na colheita. Deviam ter boas 
maneiras e alto padrão moral. Segundo o costume da comunidade judaica, as 
meninas tinham oportunidades educacionais formais restritas e não lhes era 
permitido estudar a Lei. As famílias mais abastadas ensinavam às meninas a 
música, dança, leitura, escrita e a manejar pesos e medidas. Para o povo hebreu 
não havia separação entre religião e educação. 
FONTE: Adaptado de: <http://historiadaeducacao.pbworks.com/w/page/18415089/
Educa%C3%A7%C3%A3o%20Hebraica,>.  Acesso em: 5 mar. 2013.
ATENCAO
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
18
Para manter a identidade da cultura hebraica aprendiam a ler, escrever e tinham 
noções de aritmética. Os religiosos instruíam o povo nas sinagogas, papel assumido 
mais tarde pelos profetas, criticando a injustiça e a conduta social imprópria; e depois 
pelos escribas (doutores da lei) criando o complexo sistema de educação conhecido 
como "a tradição dos anciãos" (CAMBI, 1999).
 
Da herança hebraica para a religião ocidental estão os mandamentos 
bíblicos, as histórias da criação e do dilúvio, o conceito de Deus como legislador 
e juiz, e cerca de dois terços do conteúdo bíblico, além da concepção de que o 
mal era proveniente de Satanás. Apesar de terem sofrido influência das culturas 
que os cercavam, alguns historiadores reconhecem traços da cultura e das crenças 
babilônicas nos legados hebraicos. 
 
Embora desprovidos de concepções artísticas, os hebreus destacaram-se no 
direito, na literatura e na filosofia. O Código Deuteronômio era à base do Direito 
judaico, e pregava uma sociedade mais democrática e igualitária. A democracia 
das leis judaicas só perdia para os egípcios. Até o rei devia submeter-se ao Código. 
Já na literatura, considerada a melhor produzida em todo o Oriente, os hebreus 
deixaram à posteridade a maior parte dos livros apócrifos (de autoria religiosa 
duvidosa), contidos no Velho Testamento, e que só foram divulgados quando a 
civilização hebraica já estava quase extinta. A supremacia da literatura hebraica é 
o Livro de Jó, que descreve a luta do homem contra o destino, o debate do bem e 
do mal, e questiona o limiar entre a vida e a morte. Muitas crônicas também datam 
desse período, tanto em forma de canto militar, profecia, poema lírico ou dramático, 
são repletos de ritmo, imagens concretas e vigor emocional. Na filosofia os hebreus 
destacaram-se na criação de provérbios, muitos dos quais reconhecidamente 
identificados como provindos de outras culturas que formaram o povo hebreu, e 
de obras como o livro do Antigo Testamento “Eclesiastes”, de autor desconhecido. 
As ideias desse livro determinam que o universo é uma máquina sem finalidade 
que marcha continuamente; o homem é vítima do capricho do destino; não há nada 
depois da morte; os prazeres da vida levam à desilusão quando a morte chega; os 
seres humanos devem ser moderados em seu viver.
 
Os fundamentos religiosos advindo dos hebraicos serviram de base para 
muitas teorias tanto políticas e éticas, quanto religiosas ao longo dos séculos, 
sobretudo para o cristianismo, que herdou desse povo muitas das concepções 
difundidas até os dias de hoje. 
Agora, faça a leitura do texto complementar e esclareça suas dúvidas revisando o 
conteúdo do capítulo, se necessário.
DICAS
TÓPICO 2 | EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE ORIENTAL
19
LEITURA COMPLEMENTAR
PARA QUE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO?
 
António Nóvoa
 
Toda a acusação suscita uma defesa. Assim sendo, não espanta a proliferação 
de textos que procuram defender a história da educação. Não voltarei, agora, a 
essa literatura excessivamente autojustificativa. Mas vale a pena ensaiar quatro 
respostas à pergunta “Para que a história da Educação?”.
Para cultivar um saudável ceticismo – Vivemos um mundo do espetáculo 
e da moda, particularmente no campo da educação. A “novidade” tende a ser 
vista como um elemento intrinsecamente positivo. Há uma inflação de métodos, 
técnicas, reformas, tecnologias. Mais do que nunca, é preciso estar avisado em 
relação a esta “novidade”, evitando o frenesi da mudança que serve, regra geral, 
para que tudo continue na mesma. A história da educação é dos meios mais 
eficazes para cultivar um saudável ceticismo, que evita a “agitação” e promove 
a “consciência crítica”. Não estou a falar de uma história cronológica, fechada no 
passado. Estou a falar de uma história que nasce nos problemas do presente e que 
sugere pontos de vista ancorados num estudo rigoroso do passado.
Para compreender a lógica das identidades múltiplas – Vivemos uma 
época marcada por fenômenos de globalização e por uma desenraizada circulação 
de ideias e conceitos, e ao mesmo tempo, por um exacerbar de identidades locais, 
étnicas, culturais ou religiosas. Uma das funções principais do historiador da 
educação é compreender essa lógica de “múltiplas identidades”, por meio da qual 
se definem memórias e tradições, pertenças e filiações, crenças e solidariedades. 
Pouco importa se as comunidades são “reais” ou “imaginadas”. Não há memória 
sem imaginação (e vice-versa). À históriacumpre elucidar esse processo e, por 
esta via, ajudar as pessoas (e as comunidades) a darem um sentido ao seu trabalho 
educativo.
 
Para pensar os indivíduos como produtores de história – as palavras do 
cineasta Manuel de Oliveira na apresentação do seu último filme merecem ser 
recordadas: “O presente não existe sem o passado, e estamos a fabricar o passado 
todos os dias. Ele é um elemento de nossa memória, é graças a ele que sabemos 
quem fomos e como somos”. Nunca, como hoje, tivemos uma consciência tão nítida 
de que somos criadores, e não apenas criaturas, da história. A reflexão histórica, 
mormente no campo educativo, não serve para “descrever o passado”, mas sim 
para colocar-nos perante um patrimônio de ideias, de projetos e de experiências. A 
inscrição do nosso percurso pessoal e profissional neste retrato histórico permite 
uma compreensão crítica de “quem fomos” e de “como fomos”.
 
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
20
Para explicar que não há mudança sem história – o trabalho histórico é muito 
semelhante ao trabalho pedagógico. Estamos sempre a lidar com a experiência 
e a fabricar a memória. Hoje, as políticas conservadoras revestem-se de vernizes 
“tradicionais” ou “inovadoras”. O seu sucesso depende de um aniquilamento da 
história, por excesso ou por defeito. Por excesso, isto é, pela referência nostálgica 
ao passado, à mistificação dos valores de outrora. Por defeito, isto é, pelo anúncio 
repetido até à exaustão, de um futuro transformado em perspectiva e em tecnologia. 
Por isso, é tão importante denunciar a vã ilusão da mudança, imaginada a partir de 
um não lugar sem raízes e sem história.
 
Aqui ficam quatro apontamentos, entre tantos outros, que permitem 
esboçar uma resposta à pergunta “Para que a história da Educação?”
FONTE: NÓVOA, António. Evidentemente: história da educação. Lisboa: Edições Asa, 2005.
21
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você estudou que:
• A Idade Antiga, ou Antiguidade, compreende o período que vai desde a 
invenção da escrita (por volta de 4000 a.C.) até a queda do Império Romano do 
Ocidente (476 d.C.).
• O nome Mesopotâmia significa “entre rios”, a região situava-se nas planícies 
dos rios Tigre e Eufrates.
• O Crescente Fértil foi assim denominado por seu formato que lembra uma 
lua em quarto crescente às margens dos rios Nilo (Egito), Tigre e Eufrates 
(Mesopotâmia), Amarelo (China), Jordão (Palestina), Indo e Ganges (Índia e 
Paquistão); atualmente situam-se parcial ou totalmente Egito, Israel, Líbano, 
Jordânia, Síria, Turquia e Iraque. Essas regiões ficaram conhecidas como o 
“berço da civilização”.
• No Crescente Fértil o homem deixou de ser nômade, aprendeu a controlar o 
excesso e a falta de água, a drenar os pântanos e a construir sistemas de irrigação, 
inventou a roda, o calendário, o comércio, a escrita e diversas ferramentas de 
trabalho. Ali surgiram também as primeiras civilizações que tinham como 
característica principal a formação do Estado, e a instituição político-administrativa 
determinando as normas e modo de organização de cada grupo.
• A escrita cuneiforme (talhada em argila por um estilete e depois cozida para 
endurecer), desenvolvida inicialmente pelos sumérios; evoluiu com os egípcios 
para pictogramas (sinais que representavam coisas e objetos); ideogramas 
(sugeriam ideias), e mais tarde para a criação de sinais (letras) que representavam 
sons (fonemas).
• A política do Egito foi dividida em períodos: Antigo Império ou Período 
Arcaico; Idade Feudal; Médio Império ou Período Tebano; Segundo Período 
Intermediário ou Época dos Hicsos; Novo Império; e Período Demótico.
• O faraó do Egito ocupava o topo da pirâmide social, seguido pelos funcionários 
públicos e chefes militares, depois pelos escribas e comerciantes e pela população 
camponesa.
• As crenças politeístas influenciaram os demais aspectos da vida do povo egípcio, 
que considerava a existência de vida após a morte, e possuíam complexos rituais 
funerários com a mumificação de cadáveres. 
22
• Na medicina criaram tratamentos para diversos males e fizeram intervenções 
cirúrgicas delicadas. Na arquitetura e na engenharia destacaram-se na construção 
de pirâmides, templos e canais de irrigação.
• O povo hebraico contribuiu com sua conduta moral e ética ao surgimento do 
cristianismo e do judaísmo, religiões que influenciam o Ocidente até os dias 
atuais.
• As principais razões para se estudar História da Educação citadas por Nóvoa são: 
para explicar que não há mudança sem história; para pensar os indivíduos como 
produtores da história; para compreender a lógica das identidades múltiplas; 
para cultivar um saudável ceticismo.
23
A partir da leitura desse tópico, responda às questões.
1 (UECE) O Crescente Fértil, expressão que identifica uma área da civilização 
antiga, refere-se às seguintes civilizações:
a) ( ) China, Índia e Japão.
b) ( ) Grécia, Roma e Egito. 
c) ( ) Irã, Palestina e Mesopotâmia.
d) ( ) Fenícia, Cartago e Roma.
2 (UECE) Politicamente, o Egito Antigo era caracterizado como:
a) ( ) Império Teocrático.
b) ( ) Monarquia Constitucional. 
c) ( ) República Teocrática. 
d) ( ) Império Escravista.
e) ( ) Cidades-Estado.
 
3 (UFPE) Nas questões a seguir escreva V para as afirmativas verdadeiras ou F 
para as falsas, no que se refere à ESCRITA:
a) ( ) Na sua fase inicial, 3.500 a.C., era um desenho estilizado de um objeto, 
hoje denominado de pictograma.
b) ( ) O ser humano, para exprimir graficamente suas ações, criou símbolos 
representativos a que chamamos de ideogramas, cuja invenção data 
mais ou menos de 3.200 a.C.
c) ( ) As sociedades ágrafas encontravam-se na fase da História Antiga; 
o conceito de civilização não está relacionado com as sociedades que 
apresentam um sistema de escrita.
d) ( ) Antes da invenção da escrita, a humanidade já conhecia o conceito de 
propriedade privada de Estado e de classes sociais.
e) ( ) Uma das primitivas formas de representação gráfica – a escrita cuneiforme 
– surgiu entre os sumérios, povos que habitavam a Mesopotâmia.
 
4 Apresente as principais características sobre a Mesopotâmia e o Egito Antigo.
AUTOATIVIDADE
24
25
TÓPICO 3
EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE 
OCIDENTAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A Antiguidade Ocidental abrange as civilizações gregas e romanas e foi 
marcada pela abundância cultural, sobretudo dos gregos, que foram os primeiros 
povos a se estabelecerem a leste do Mar Mediterrâneo. Localizada na Península 
Balcânica, banhada pelo mar Egeu e pelo mar Jônio, o golfo de Corinto divide a 
Grécia em duas regiões: a região ao norte do golfo é chamada de Grécia continental; 
e ao sul, de Grécia peninsular. Com um relevo acidentado e montanhoso 
dificultava a agricultura, e por isso os gregos desenvolveram o comércio como 
principal atividade de subsistência. Esse povo dominou os persas, que já haviam 
conquistado o Oriente (MANACORDA, 2000). 
2 CONTEXTO NA ANTIGA GRÉCIA
Os gregos foram os primeiros povos a se estabelecerem a leste do Mar 
Mediterrâneo. 
 
A aquisição desse poder econômico desenvolveu e influenciou a Grécia, 
formando impérios marítimos, castelos, desenvolvendo a produção de vinho, 
cereais e oliveiras, inclusive para exportação; principalmente pela civilização 
creto-micênica (provinda da Ilha de Creta e da cidade de Micenas), que recebeu 
contribuições de outras culturas como aqueus, jônios, eólios e dórios, originando 
o povo grego e desenvolvendo a partir dessa mistura racial e cultural, outras 
habilidades como o artesanato, sobretudo com o uso de metais e cerâmica 
(MARROU, 1990; CASTORIADIS, 1986). 
 
Dessa forma, a História da Grécia Antiga, cujas principais cidades eram 
Atenas, Tebas e Esparta, pode ser dividida em períodos, como resume Manacorda 
(2000), a considerar:
 
• Período Pré-Homérico (2500-1100 a.C. ou século XII ao VIII a.C.): ocorreu a 
formação do povo grego.
• Período Homérico (1100-800 a.C. ou século VIII ao VI a.C.): fase retratadapelos 
poemas de Homero, Ilíada e Odisseia.
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
26
• Período Arcaico (800-500 a.C. ou século VI ao IV a.C.): fase da formação das 
cidades-estados: a escrita, a moeda, a lei e a polis.
• Período Clássico (500-400 a.C): apogeu da civilização grega.
• Período Helenístico (336-146 ou IV ao I a.C.): decadência da Grécia.
 
A intensificação do comércio fez surgir a moeda, o que revolucionou a 
economia grega. Atenas e Esparta disputavam o controle político por meio de 
constantes lutas. Entre 463 e 529 a.C. o rei Péricles garantiu a soberania de Atenas, 
trabalhando para melhorar a condição de vida das pessoas e interferindo nas 
características da política externa e cultural, o que oportunizou o surgimento de 
grandes nomes como Fídias, arquiteto e escultor; Sófocles, Ésquilo e Eurípedes, 
autores de tragédias; Heródoto, o grande historiador; Sócrates, o pai da filosofia; e 
Aristófanes, comediógrafo (MOSSÉ, 1989).
 
No fim do governo de Péricles, ocorreu uma luta entre Esparta e Atenas, 
conhecida como uma das mais longas e violentas guerras do mundo antigo, e que 
foi chamada de guerra do Peloponeso (KULIKOWSKI, 2008). Podemos observar os 
territórios aliados a Esparta e Atenas por meio da figura a seguir.
FIGURA 3 – GUERRA DO PELOPONESO 
FONTE: Disponível em: <http://dinter-usp-ufac.blogspot.com.br/2011/09/guerra-do-
peloponeso.html>. Acesso em: 31 jul. 2013.
Com o assassinato do rei Péricles, sobe ao poder seu filho Alexandre 
(discípulo de Aristóteles), que conquistou em batalhas muitas outras terras como 
Tebas, Granico e a Ásia Menor. Após a morte de Alexandre, em 323 a.C., lutas 
TÓPICO 3 | EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE OCIDENTAL
27
políticas internas dividiram a Grécia em três grandes reinos: o do Egito, o da Síria e 
o da Macedônia. Tempos depois, reinos menores originaram-se desses três grandes 
reinos: Epiro, Ponto, Bitínia, Galátia, Pérgamo, Capadócia, Partia e Bactriana. Esses 
pequenos reinos constituíam os estados helenísticos (LOBATO, 2001).
 
Os gregos adoravam vários deuses (ou seja, eram politeístas), e cultuavam 
heróis protetores mitológicos como Teseu, Épido, Perseu, Belerofonte e Hércules, 
e os representavam sob a forma humana (antropomórficos). Edificaram muitos 
templos a seus deuses, considerados meios de comunicação entre homem e 
divindades (que habitavam o monte Olimpo) (GIBBON, 1989). Um dos mais 
famosos templos, e que retratam o ápice da arte grega, foi dedicado à deusa Atena, 
e está retratado na figura a seguir.
FIGURA 4 – RUÍNAS DO PARTHENON, TEMPLO CONSTRUÍDO PELOS 
 GREGOS EM HOMENAGEM À DEUSA ATENA
FONTE: Disponível em: <http://www.romildo.com/blog/turismo/2009/09/turismo-
atenas-acropolis-e-o-partenon/>. Acesso em: 30 jul. 2013.
Diversos jogos (como os Jogos Olímpicos, dedicados a Zeus, na cidade de 
Olímpia) homenageavam esses deuses, e durante sua realização (a cada quatro 
anos) todas as guerras eram suspensas e seus participantes tratados como pessoas 
sagradas (CAMBI, 1999).
 
As principais divindades gregas, bem como os principais seres mitológicos 
por eles cultuados, estão relacionadas no quadro a seguir. 
28
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
QUADRO 1 – PRINCIPAIS DEUSES E SERES MITOLÓGICOS DA CULTURA GREGA
Principais Divindades Gregas Principais Seres Mitológicos da Grécia
Zeus Deus de todos os deuses, senhor [do Céu. Heróis 
Seres mortais, filhos de deuses com seres 
humanos, como Hércules e Aquiles.
Afrodite Deusa do amor, sexo e beleza. Ninfas Seres femininos que habitavam os campos e bosques, levando alegria e felicidade.
Poseidon Deus dos mares. Sátiros Figura com corpo de homem, chifres e patas de bode.
Hades Deus das almas dos mortos, dos cemitérios e do subterrâneo. Centauros
Corpo formado por uma metade de 
homem e outra de cavalo.
Hera Deusa dos casamentos e da maternidade. Sereias
Mulheres com metade do corpo de peixe 
que atraíam os marinheiros com seus 
cantos.
Apolo Deus da luz e das obras de artes. Górgonas
Mulheres, espécies de monstros, com 
cabelos de serpentes, como a Medusa.
Artemis Deusa da caça. Quimeras Mistura de leão e cabra, soltavam fogo pelas ventas.
Ares Divindade da guerra. Minotauro
Corpo de homem, cabeça de touro, esse 
monstro habitava o labirinto da Ilha de 
Creta.
Atena 
Deusa da sabedoria e da 
serenidade. Protetora da cidade 
de Atenas.
 
Cronos Deus da agricultura que também simbolizava o tempo. 
Hermes Divindade que representava o comércio e as comunicações. 
Hefesto Divindade do fogo e do trabalho. 
FONTE: Adaptado de: http: <//www.suapesquisa.com/musicacultura/deuses_gregos.htm>. 
Acesso em: 31 jul. 2013.
Na Grécia, as classes da sociedade variavam de uma cidade-estado para 
outra. Atenas garantia a democracia da minoria à custa da escravidão da maioria e 
contava com três classes, que Jaeger (1995) classifica como: 
 
• Cidadãos ou eupátridas: Somente eles possuíam direitos políticos para 
participar da democracia. As mulheres e as crianças não faziam parte do 
grupo dos cidadãos.
TÓPICO 3 | EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE OCIDENTAL
29
• Metecos: Eram os estrangeiros que habitavam Atenas. Não tinham direitos 
políticos e estavam proibidos de adquirir terras, mas podiam dedicar-se ao 
comércio e ao artesanato. Em geral, pagavam impostos para viver em Atenas 
e estavam obrigados à prestação do serviço militar.
• Escravos: Formavam a maioria da população ateniense. Para cada cidadão 
adulto chegaram a existir dezoito escravos, considerados propriedades do seu 
senhor, embora houvesse leis que os protegia contra excessos de maus tratos. 
FONTE: Disponível em: <http://www.historiadomundo.com.br/grega/sociedade-grega.htm>. 
Acesso em: 5 mar. 2013.
Muitas culturas influenciaram de forma significativa o mundo 
contemporâneo, mas, a maior influência da Antiguidade para o mundo atual vem 
da Grécia, considerada o berço da cultura ocidental e também o berço da filosofia. 
 
Vamos compreender melhor a herança grega a partir dos próximos itens 
desse caderno, destacando, principalmente, as informações acerca das concepções 
de educação entre aquele povo.
2.1 EDUCAÇÃO NA GRÉCIA
O povo grego influenciou em muitos aspectos a construção da cultura 
ocidental: criou as primeiras ciências (Medicina, Física, Astronomia, Matemática, 
História, Filosofia etc.); e artes (teatro, arquitetura, esculturas etc.). Politeístas, os 
gregos construíram, em homenagem a seus deuses, imponentes templos, hoje 
considerados maravilhas do mundo. Na filosofia destacaram-se Protágoras, 
Górgias, Sócrates, Platão e Aristóteles. Os gregos também desenvolveram a 
Arquitetura (templos sustentados por colunas), a pintura, a Literatura (Heródoto, 
Tucídides e Xenofonte) e o teatro (Ésquilo, Sófocles e Aristófanes) (NUNES, 1979a).
 
Como no Egito, a Grécia era formada por cidades-estados. Autônomas 
entre si, as cidades-estados possuíam características culturais e educacionais 
semelhantes, embora peculiares, o que dificultaria um estudo aprofundado por 
região. No entanto, segundo Marrou (1990), alguns elementos comuns a todas as 
regiões gregas permitem explorar a cultura e a educação desse povo, reunindo-as 
em três aspectos predominantes: a educação homérica, a educação em Esparta e a 
educação em Atenas. Esses aspectos serão aprofundados a seguir.
2.1.1 A educação homérica ou cavalheiresca
Inicialmente, na Grécia, a palavra educação foi chamada de Paideia (com o 
primeiro sentido de “educação dos meninos”); que nas palavras de Jaeger (2003, 
p. 64), é o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e 
30
UNIDADE 1 | A EDUCAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS DA HISTÓRIA
genuinamente humana". A palavra evoluiu para Arete e descrevia o ideal educativo 
grego, que previa um conjunto de qualidades físicas, espirituais e morais, ou seja, 
a heroicidade (GIBBON, 1989). 
Essas características foram descritas, sobretudo, pelos poemas épicos de 
Homero (século VIII a.C.), a Odisseia (HOMERO,

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