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Livro Texto - Unidade IV semiologia aplicada a fisioterapia

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Unidade IV
Unidade IV
Abordaremos o complexo da articulação temporomandibular (ATM) através de sua anatomia e 
biomecânica, além da inspeção e palpação de algumas estruturas ósseas e de tecidos moles.
Também falaremos sobre a coluna vertebral, apresentando uma descrição geral dessa 
articulação e, depois, mais especificamente, dos movimentos e da musculatura da coluna cervical, 
torácica e lombar.
Vamos ressaltar a importância de alguns testes utilizados, como o teste dos miótomos e a 
palpação para a identificação de pontos-gatilhos ou alterações de sensibilidade. Por último, 
discutiremos a avaliação postural, utilizando como referência a posição anatômica e os eixos e 
planos de movimentos.
7 COMPLEXO DA ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR
7.1 Descrição
Anatomia e biomecânica
A articulação temporomandibular (ATM) está inserida em um complexo denominado de sistema 
estomatognático, que comporta subsistemas como a fala, a mastigação, o sistema respiratório e a 
deglutição (BIASOTTO-GONZALEZ, 2005). Sua complexidade vai além: em razão do íntimo relacionamento 
com a coluna cervical através dos componentes estruturais que influenciam direta e indiretamente a 
postura mandibular, devemos considerar a participação estrutural e mecânica da cabeça e do pescoço 
(NEUMANN, 2015).
A ATM é uma articulação do tipo sinovial, condiliano e gínglimo, que corresponde às estruturas entre 
a fossa articular do osso temporal bilateralmente e os côndilos mandibulares. É, ainda, uma articulação 
interdependente. Uma em cada lado da mandíbula deve ser considerada em conjunto em qualquer tipo 
de observação. Entre suas estruturas ósseas, há o disco intra-articular, que divide completamente suas 
cavidades. Seu revestimento é diferenciado, de fibrocartilagem, com discreto poder de reparo, e não de 
cartilagem hialina (MAGEE, 2006).
Os estabilizadores estáticos são os ligamentos que se encontram nas paredes laterais da articulação 
e sua cápsula articular, que possui maior mobilidade em sua porção anterior e posterior e maior poder 
estabilizador em sua porção laterolateral. Além disso, a cápsula oferece uma pressão negativa de empuxo 
que também favorece a estabilidade dessa articulação (NEUMANN, 2015).
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SEMIOLOGIA APLICADA À FISIOTERAPIA
 Observação
Pelo fato de a ATM estar inserida em um conjunto de subsistemas, vale 
lembrar que a avaliação das disfunções temporomandibulares, bem como o 
tratamento específico vigente, pode agregar uma equipe multiprofissional 
para uma avaliação mais específica e criteriosa.
As articulações em conjunto realizam, principalmente, movimentos para a direção anterior (abertura) 
e em menor proporção para os lados (lateralidades). Durante o movimento de abertura da boca, ocorrem 
a translação e a rotação dos côndilos na fossa. A proporção em mm para a amplitude desses movimentos 
é de 4 x 1; a cada 4 mm de abertura, temos 1 mm de lateralidade.
As articulações são inervadas pelo nervo mandibular, mais precisamente por seu ramo 
auriculotemporal. O disco, por sua vez, não possui inervação e vascularização em sua zona 
intermediária, somente em sua periferia.
Para os movimentos e como estabilizadores dinâmicos, é de grande valia a sinergia dos músculos da 
cabeça e também do pescoço.
Existe uma íntima relação dessas articulações com a coluna cervical e o complexo do ombro. Isso é 
resultado das estruturas musculares biarticulares que cruzam essas estruturas e possuem funções em 
comum. Por esse motivo, a avaliação e a inspeção da ATM devem ocorrer em conjunto com a observação 
e a avaliação clínica dessas outras estruturas (BIASOTTO-GONZALEZ, 2005).
 Saiba mais
Estudos recentes mostram a associação das disfunções 
temporomandibulares com as condições de cefaleias e os fatores 
psicossociais. Para maior suporte do avaliador, existem questionários 
que podem auxiliar o clínico e facilitar a observação da influência dessas 
alterações nos pacientes.
Para conhecer mais detalhes desses estudos, sugerimos a leitura do 
texto a seguir:
PELICIOLI, M. et al. Physiotherapeutic treatment in temporomandibular 
disorders. Revista Dor, v. 18, n. 4, out./dez. 2017.
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Unidade IV
7.2 Exame físico
A seguir, detalharemos o exame físico.
Em posição de repouso, considerar a boca discretamente aberta. Os lábios ficam próximos um do 
outro, e os dentes não estão em contato:
Figura 137 
Em congruência máxima, os dentes se encontram cerrados:
Figura 138
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SEMIOLOGIA APLICADA À FISIOTERAPIA
O padrão capsular corresponde à limitação da abertura bucal em amplitude máxima:
Figura 139 
7.2.1 Geral
Veremos a seguir os aspectos analisados no exame físico.
Inspeção e observação
• Marcadores anatômicos:
— osso frontal;
— osso temporal;
— osso parietal;
— occipital;
— zigomático;
— maxilar;
— mandíbula;
— côndilo;
— nasal.
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Palpação
• Estruturas ósseas:
— Mandíbula:
– Côndilos: os côndilos são palpados de forma simultânea bilateralmente. Para ter certeza do 
posicionamento, pode-se solicitar ao paciente que realize leve abertura e fechamento da 
boca. Nesse movimento, o terapeuta sentirá o deslizamento dos côndilos em seus dedos.
– Colo: o colo se encontra exatamente inferior ao côndilo e também é palpado bilateralmente.
– Ramo: seguindo para o ângulo, o examinador será capaz de sentir toda a extensão dos 
ramos mandibulares.
– Ângulo: os ângulos são as porções mais inferiores da mandíbula. Apontam para o mento, 
formando com os ramos uma angulação de 90 graus.
– Mento: o mento é a porção mais anterior e proeminente da mandíbula. Corresponde ao 
término da palpação óssea desse osso, que é o mento.
— Zigomático:
– Arco zigomático: o arco zigomático é palpado bilateralmente na região superior das 
bochechas. Observa-se, aqui, a origem proximal do músculo masseter.
— Hioide: está localizado na região superior da coluna cervical em sua porção anterior. O osso 
hioide não está articulado a nenhum outro osso; sua estabilidade, no entanto, se dá apenas 
por tecidos moles, como músculos e ligamentos. Pode ser testada sua mobilidade laterolateral 
através de uma pegada em pinça com o dedo polegar e médio.
— Osso temporal: osso fino que recobre lateralmente a calota craniana. Possui três porções 
distintas: escamosa, petrosa e timpânica.
— Osso frontal: palpacão superior às sobrancelhas até a face mais anterior do couro cabeludo.
— Ossos parietais: direito e esquerdo; pode-se averiguar discrepâncias nas alturas através 
da sutura.
— Osso occipital: porção mais posterior da cabeça. Nessa região, é possível observar alterações 
dos músculos curtos de pequeno braço de alavanca, que correspondem à cervical superior.
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SEMIOLOGIA APLICADA À FISIOTERAPIA
Articulação temporomandibular
A figura a seguir apresenta a palpação lateral e posterior:
 
Figura 140 – Palpação lateral e posterior
• Tecidos moles:
— Músculo masseter: a palpação desse músculo deve acompanhar o trajeto desde sua origem 
proximal no arco do osso zigomático, seguindo na direção de suas fibras, até sua inserção distal 
no corpo da mandíbula.
Figura 141 – Palpação do músculo masseter
— Músculo temporal: este é um músculo penado com origem proximal vasta na fossa do osso 
temporal. A direção de suas fibras se estendem para a região dos processos coronoides da mandíbula.
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Figura 142 – Palpação do músculo temporal
— Músculo pterigoideo medial: os pterigoideos mediais estão inferiores aos masseteres com 
inserção na face posterior do ângulo da mandíbula.
Figura 143 – Palpação do músculo pterigoideo medial
— Músculos supra-hioideos: os músculos supra-hioideos se encontram entre a porção inferior 
da mandíbula e superior do osso hioide. São eles, respectivamente:
– digástrico;
– estilo-hioideo;
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SEMIOLOGIA APLICADA À FISIOTERAPIA
– milo-hioideo;
– gênio-hioideo.
Alça fibrosa para o tendão 
digástrico intermediário
Músculo masseter
Glândula parótida
Platisma (removido)
Processo mastoide
Osso hioide
Bainha carotídea
Cartilagem cricoide
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