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2019
ProPostas Pedagógicas 
em artes
Profª. Adriana Beatriz Pacher Raach
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Profª. Adriana Beatriz Pacher Raach
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
R111p
 Raach, Adriana Beatriz Pacher
Propostas pedagógicas em artes. / Adriana Beatriz Pacher Raach. – 
Indaial: UNIASSELVI, 2019.
 222 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0266-2
1.Artes – Estudo e ensino - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo 
Da Vinci.
CDD 371.9
III
aPresentação
Olá, acadêmico! É com grande prazer que desejo boas-vindas e me 
apresento como autora desta disciplina. Formada em Artes Plásticas, com 
pós-graduação em História da Arte, Mídias na Educação e Mestrado em 
Educação. Como professora conteudista, apresentamos este livro com teorias 
e práticas importantes para serem estudadas e desenvolvidas em sala de 
aula. Como professora atuante na disciplina de Arte, nossa prática diária é 
lecionar arte para alunos desde a educação infantil até o ensino médio, com 
isso desenvolvendo aulas teórico-práticas sempre embasadas numa teoria, 
fazendo referência à abordagem triangular de Barbosa, que será apresentada 
neste livro de estudos.
A disciplina PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES trata de 
diversas proposições pedagógicas em artes visuais e tem como principais 
objetivos trazer reflexões sobre as ações didático-pedagógicas atuais, com 
abordagens teóricas e práticas, a fim de ampliar as experiências educacionais 
na formação do docente de Artes. Também estudar as diferentes concepções 
de arte e da sua relação com o ensino para criar ambientes de aprendizagem 
a partir de projetos que contemplam propostas pedagógicas embasadas 
na criação/produção; percepção/análise; conhecimento e contextualização 
conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estético da humanidade.
Assim, caro acadêmico, ao final desta disciplina, é preciso que 
tenha conhecimento sobre as abordagens teóricas e práticas do ensino 
de artes; ter conhecido as propostas pedagógicas atuais em artes; saber 
compreender os modos de aprender dos educandos; entender o processo 
criativo; ter conhecido os projetos de ensino de arte; conhecer o processo 
de criação das diversas ferramentas que são utilizadas nas aulas de artes; 
estudar os materiais visuais e as visualidades da escola; entender os espaços 
e práticas de criação, de percepções, de identidades, de subjetividades e de 
reflexão crítica; explorar outras áreas da Arte, outras linguagens artísticas 
desenvolvendo assim, a transversalidade; e aprender práticas metodológicas 
voltadas para a Educação Básica.
Para isso, acadêmico, é preciso fazer as leituras e atividades propostas 
e aproveitar as leituras complementares para auxiliar em sua prática diária de 
sala de aula. Organize seu tempo, faça sua agenda semanal para aproveitar ao 
máximo esta disciplina. Se precisar de ajuda ou mesmo dúvidas, fale com seu 
IV
tutor. Temos muitas inquietações que se manifestam no cotidiano das aulas, nas 
leituras e atividades, mas estamos aqui para proporcionar subsídios de leituras 
e atividades que possam ajudar você, que são adaptadas sempre ao espaço 
escolar e a sua realidade de ensino e aprendizagem. Assim, o livro de estudos 
está dividido em três unidades, com seus tópicos e subtópicos que abordam as 
propostas pedagógicas em Arte, que são direcionadas para a sala de aula.
Na primeira unidade será apresentado o conhecimento artístico através 
dos conceitos referentes à contextualização, fruição e produção, subdivididos 
em dois tópicos. O primeiro tópico descreve a teoria e a prática do ensino 
de artes, conhecendo as abordagens teóricas e práticas, as linguagens da 
arte e os campos conceituais a partir da abordagem triangular de Barbosa, a 
contextualização, fruição e produção. O segundo tópico apresenta experiências 
educacionais na formação do docente em Arte, trazendo os modos de aprender 
dos educandos através de uma reflexão crítica. 
Na segunda unidade, você, acadêmico, encontra os projetos no ensino 
de Arte, descritos em três tópicos. O primeiro se refere aos projetos de ensino, 
os projetos na escola, os projetos artísticos em ação. No segundo tópico, 
encontramos as experiências práticas na elaboração de projetos de pesquisa 
em educação sobre a própria experienciação na prática artística, os espaços 
de práticas artísticas com sugestões de atividades, além da transversalidade 
do conhecimento. No terceiro tópico, você estudará o processo criativo, os 
espaços de práticas artísticas através da subjetividade.
Na terceira unidade, veremos as propostas pedagógicas em Artes, 
desenvolvidas em três tópicos. No primeiro, as propostas pedagógicas atuais 
em arte para serem desenvolvidas na educação básica, desde a educação 
infantil até o ensino médio, com propostas pedagógicas inclusivas e sobre a 
metodologia de ensino e aprendizagem. No segundo tópico, você conhecerá 
as propostas sobre a cultura visual. No terceiro tópico, encontra-se o processo 
de criação das ferramentas e materiais utilizados nas aulas de artes.
 Lembramos que todas as unidades apresentam resumos dos tópicos 
e autoatividades para serem desenvolvidas, sugestões em UNIs, além de 
leituras complementares.
Desejamos a você, acadêmico, bons estudos, boas leituras, para que 
surjam novas ideias e muita criação para as práticas em sala de aula! 
Prof. Ma. Adriana Beatriz Pacher Raach
V
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
VI
VII
UNIDADE 1 – CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, 
 FRUIÇÃO E PRODUÇÃO .........................................................................................1
TÓPICO 1 – TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES .......................................................3
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................3
2 CONHECENDO AS ABORDAGENS TEÓRICAS E PRÁTICAS DO 
 ENSINO DE ARTES ...........................................................................................................................4
3 AS LINGUAGENS DA ARTE ..........................................................................................................143.1 A LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS .....................................................................................18
3.2 A LINGUAGEM DAS ARTES CÊNICAS (TEATRO E DANÇA) ............................................30
3.3 A LINGUAGEM DA MÚSICA ....................................................................................................31
4 CAMPOS CONCEITUAIS DA ARTE .............................................................................................33
4.1 LEITURA DE IMAGEM (FRUIÇÃO/ANÁLISE).......................................................................37
4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO .............................................................................................................40
4.3 FAZER ARTÍSTICO (CRIAÇÃO/ PRODUÇÃO) .......................................................................42
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................44
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................45
TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO 
 DOCENTE EM ARTES ..................................................................................................47
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................47
2 MODOS DE APRENDER DOS EDUCANDOS ...........................................................................48
3 APRENDENDO A APRENDER .......................................................................................................54
4 REFLEXÃO CRÍTICA .........................................................................................................................58
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................62
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................66
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................67
UNIDADE 2 – PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE .............69
TÓPICO 1 – PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM ........................................................71
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................71
2 PROJETOS NA ESCOLA ..................................................................................................................72
3 PROJETOS ARTÍSTICOS .................................................................................................................81
4 PROJETOS EM AÇÃO .......................................................................................................................86
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................92
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................93
TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES ......................95
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................95
2 EXPERIENCIAÇÃO NA PRÁTICA ARTÍSTICA .........................................................................95
3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS ................................................................................99
4 TRANSVERSALIDADE DO CONHECIMENTO .......................................................................112
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................120
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................121
sumário
VIII
TÓPICO 3 – ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO 
 PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO .....................................................................123
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................123
2 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS .......................................................................................123
3 PROCESSO CRIATIVO .....................................................................................................................126
4 PROCESSO DE SUBJETIVIDADE .................................................................................................133
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................137
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................142
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................143
UNIDADE 3 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES .........................................................145
TÓPICO 1 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES .............................................147
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................147
2 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DE ARTES NA EDUCAÇÃO BÁSICA ................................147
3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS .............................................................................178
4 METODOLOGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM ARTE .............................................182
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................188
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................189
TÓPICO 2 – CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ..........................................191
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................191
2 CONHECENDO AS IMAGENS .....................................................................................................191
3 PROCESSOS CULTURAIS ..............................................................................................................195
4 RECURSOS REFERENTES À CULTURA VISUAL .....................................................................199
5 CONHECENDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE ENVOLVEM A 
 CULTURA VISUAL ...........................................................................................................................200
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................203
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................204
TÓPICO 3 – PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS 
 UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES ....................................................................205
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................205
2 CONHECENDO AS FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS ............................................205
3 PRODUZINDO FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS .....................................................210
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................215RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................217
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................218
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................219
1
UNIDADE 1
CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO 
CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E 
PRODUÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:
• conhecer as abordagens teóricas e práticas do ensino de Artes;
• refletir sobre as diversas linguagens da Arte;
• compreender sobre os campos conceituais da Arte: produção, fruição e 
contextualização;
• identificar os modos de aprender dos educandos;
• refletir sobre a formação do docente em Artes através da reflexão crítica.
Esta unidade de estudos será apresentada em dois tópicos. Em cada um 
deles, você encontrará, ao final dos tópicos, um resumo e autoatividades 
para auxiliá-lo na compreensão dos conteúdos estudados.
TÓPICO 1 – TEORIA E PRÁTICA DO ENSINO DE ARTES
TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO 
DOCENTE EM ARTES
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
1 INTRODUÇÃO
Estamos iniciando a disciplina chamada Propostas Pedagógicas em Artes. 
Assim, caros acadêmicos, precisamos conversar sobre a teoria e a prática do ensino 
de Artes e o conhecimento artístico nos campos conceituais da contextualização, 
fruição e produção artística.
Lembramos que o ensino de artes se tornou disciplina obrigatória no 
currículo escolar nos diversos níveis de ensino desde a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação (LDB) n° 9.394, de dezembro de 1996, referenciando sobre a formação 
específica nas diversas linguagens da arte (visual, cênica e musical).
Os professores têm o desafio de atender aos currículos propostos nas 
escolas, mas não serem polivalentes, cada um com sua formação específica irá 
trazer a arte para dentro da sala de aula. Assim, a formação em artes acontece 
pela pesquisa, pelo ensino, por estudos diários. A aprendizagem acontece pelas 
indagações, pela busca do novo.
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres 
se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo 
buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei e me 
indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo 
educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e 
comunicar ou anunciar a novidade (FREIRE, 1996, p. 32).
 Assim, o ensino de arte, através da teoria e da prática, da pesquisa 
intermitente, vem aprimorar as diversas habilidades, competências e 
conhecimentos. Como professores, precisamos planejar e organizar as propostas 
pedagógicas relacionadas ao ensino de artes. O processo deve ser significativo, 
trazendo sentido ao que está sendo desenvolvido e criado em sala de aula. 
É necessário desenvolver práticas de ensino de artes em uma perspectiva 
que contemple a Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa, que envolva a 
produção artística, a fruição e a contextualização. 
Neste primeiro tópico dedicaremos nossos estudos às abordagens teóricas 
e práticas do ensino de artes, ajudando você, acadêmico, em suas reflexões e 
pesquisas, pois não há ensino sem pesquisa, como Freire já nos falava.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
4
2 CONHECENDO AS ABORDAGENS TEÓRICAS E PRÁTICAS 
DO ENSINO DE ARTES
As aulas de artes desenvolvidas nas escolas nos remetem aos bons 
momentos da realização do fazer artístico, quando os alunos demonstram gosto 
pelas atividades que realizam, pelas produções feitas na sala de aula. Segundo 
Barbosa (2010, p. 27), “se a arte não fosse importante não existiria desde os tempos 
das cavernas, resistindo a todas as tentativas de menosprezo”. 
São as propostas de práticas artísticas que se tornam destaque em sala de 
aula, resultando em muitas produções artístico-visuais. Para isso, vale lembrar 
de enfatizar com os alunos o embasamento teórico da atividade que é proposta, 
por exemplo, referenciando uma obra de arte, relatando, muitas vezes, a vida de 
um artista, de um período histórico, ou obras produzidas, fazendo relações ao 
momento atual em que vivemos. Para Bell (2008, p. 6): 
Os seres humanos contam histórias e fabricam objetos que fascinam os 
olhos. Por vezes suas histórias dizem respeito a esses objetos. Esse tipo 
de narrativa, a história da arte, é habitualmente motivado pelo desejo 
de uma pessoa de imaginar como seria viver numa outra época e de 
refletir sobre o que outras mãos fizeram. Além disso, os historiadores 
da arte por vezes tentam explicar por que os objetos são feitos de 
diferentes maneiras, segundo a época e o lugar.
Assim, estamos diante de muitos objetos, muitas imagens visuais em nosso 
cotidiano que trazem diversas interpretações de mundo, que nos fazem associar 
com nossa realidade, criando sentidos e maneiras de pensar, nos concedendo 
uma imaginação criadora. Tudo relacionando com eixos de aprendizagem. 
Barbosa (2010, p. 33) fala o seguinte: “Quando falo de conhecer arte, falo de 
um conhecimento que nas artes visuais se organiza inter-relacionando o fazer 
artístico, a apreciação da arte e a história da arte”.
Contudo, o ensino da arte não ocorre de maneira isolada, é todo um 
conjunto de ações e aprendizagens que transcorrem entre alunos e professores, 
todos aprendem e ensinam, trocam ideias, como podemos ver na pintura de 
Chardin, a seguir, um afeto entre aprendiz e educador. 
Há um cuidado no ato de ensinar, e a imagem a seguir, faz refletir em um 
ensino solitário. O professor apenas ensina e transmite o conhecimento. Contudo, 
atualmente, o ensino acontece de maneira coletiva, com muitos alunos em sala de 
aula e o professor se torna mediador nas propostas pedagógicas.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
5
FIGURA 1 – OBRA: A JOVEM PROFESSORA, C. 1736/7, ÓLEO SOBRE TELA, 62 X 66 CM, JEAN-
BAPTISTE SIMEÓN CHARDIN, NATIONAL GALLERY, LONDRES
FONTE: <https://meilycass.wordpress.com/2011/09/10/video-aula-1-as-revolucoes-
educacionais/a-jovem-professora-chardin/>. Acesso em: 26 maio 2018.
DICAS
Caro acadêmico! Acesse e explore este site do Arte na escola, aproveite as 
dicas de leitura! Vamos lá! Lembre-se de que como professores precisamos estar sempre 
atualizados, pesquisando, estudando, divulgando e mostrando as criações artísticas 
desenvolvidas nas aulas de artes. FONTE: <http://artenaescola.org.br/sala-de-leitura/>. 
Acesso em: 12 dez. 2018.
Nas escolas, o ensino de arte é apresentado em diferentes métodos e 
sistemas. As aulas acontecem em grupos de alunos que, dependendo da faixa 
etária, tem-se um número máximo por turma, por exemplo, uma turma de 1º ano 
do ensino médio terá até 40 alunos na sala de aula. Pensando nisso, as atividades 
de artes podem ser desenvolvidas de diversas maneiras, como atividades 
individuais e atividades coletivas. 
Portanto, as atividades que atualmente se encontram no ensino de arte se 
mostram muito variadas e acontecem por meio de abordagens teóricas ou apenas 
práticas, dependendo da formação do professor, das suas experiências e da sua 
realidade escolar, como podemos perceber a seguir: 
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
6
• As atividades consideradas como propostas de arte de temáticas livres, os 
chamados “desenhos livres” são feitos por meio de desenhos e pinturas em 
folhas de tamanho A4 ou A3.
• As apresentações teatrais realizadas na escola acontecem relacionadas a um 
tema didático, por exemplo, teatros especialmente criados para homenagens 
ao dia das mães ou dia dos pais.
• Professorestrazendo desenhos prontos, impressos ou mimeografados apenas 
para serem pintados.
• Também encontramos atividades de pesquisa sobre a vida e obra de artistas ou 
de períodos da história da arte. 
• Encontramos releituras de obras de artistas famosos por meio das linguagens 
da arte.
• A criação de murais, na maioria das vezes, é feita referente às datas 
comemorativas e não de um conteúdo desenvolvido em aula.
• As músicas que são inseridas nas aulas, como cantos para rotina, por exemplo, 
são cantadas na hora do lanche.
Lembrando que a linguagem da música já está inserida nas escolas. Assim, 
o professor de artes visuais apenas se apropria de alguns conceitos das outras 
linguagens artísticas e desenvolve nas suas aulas.
Pensando mais sobre o ensino de arte, as abordagens teóricas e práticas 
precisam ser desenvolvidas com fundamento teórico/prático, sem esquecer-se de 
falar da importância da arte fora dos muros escolares, como é o caso da cultura 
visual que está em nosso cotidiano, em nosso dia a dia, nas ruas, nos parques etc.
A arte é importante na escola, principalmente porque é importante 
fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através 
dos tempos, a arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo 
ser humano tem direito ao acesso a esse saber (MARTINS; PICOSQUE; 
GUERRA, 2010, p. 12).
Assim, cada atividade proposta em sala de aula precisa ter objetivo, 
trazendo sua teoria, seu conteúdo. Apenas realizar uma prática sem embasamento 
acaba esvaziando a importância da arte no contexto escolar. Para Barbosa (2010, 
p. 33), “o conhecimento em artes se dá na interseção da experimentação, da 
decodificação e da informação”. É preciso deixar a arte passar de mera atividade 
para uma disciplina que apresente objetivos, conteúdos, metodologias e avaliação, 
através de ações que tragam vivências práticas.
É necessário que o professor de artes traga a teoria e a prática com reflexão 
e ação, pois entende-se que os dois princípios de formação profissional precisam 
caminhar juntos para desenvolver a criação, a percepção, o imaginário, a intuição 
e demais conhecimentos sensíveis e inteligíveis. 
É importante ressaltar que o ensino de artes tem sua relevância no 
currículo escolar, como todas as outras disciplinas curriculares, sendo que não 
está em menor nível. Os professores precisam:
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
7
[...] em primeiro lugar, de sólidos conhecimentos teóricos acerca das 
teorias da Arte Educação, e de um modo de pensar acerca da Arte que 
possa ajudá-los a definir as atividades artísticas na escola e a Arte na 
sociedade moderna, sua função e praticalidade (BARBOSA, 1975, p. 94).
 Lembramos que murais e enfeites podem ser feitos com fundamento 
teórico, ou seja, trabalhando com os alunos conteúdos, obras de artistas, 
contextualizando-as. O fazer artístico é apresentado em forma de uma exposição 
ou em um mural, por exemplo.
DICAS
Livro: A reflexão e a prática no ensino – Artes (2013). 
Este livro foi organizado por Dália Rosenthal e Maria Christina de 
Souza Lima Rizzi. É uma coleção que tem várias disciplinas, em 
que o volume 9 apresenta Artes. O livro orienta com práticas 
para o professor e, trazendo para o ensino fundamental, teorias 
e práticas, numa linguagem simples e direcionando dicas para o 
trabalho em sala de aula.
No caso, as abordagens teóricas e práticas nas aulas de arte devem 
caminhar juntas, trazendo significado e relacionando ao cotidiano, fazendo com 
que os estudantes reflitam, pensem sobre suas criações e exposições. Segundo 
Raach (2016, p. 29):
Evidenciamos a necessidade de ressignificar as práticas pedagógicas a 
fim de propormos uma educação que abra espaços para a comunicação, 
a curiosidade e a criatividade, para que os sujeitos possam fazer das 
suas construções, também reconstruções. 
Os alunos, sujeitos ativos, curiosos, precisam de espaço para suas criações, 
construções artísticas e o professor precisa dispor de práticas que contemplem 
a produção, fruição e contextualização. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais 
(PCN), a teoria e a prática no ensino de arte demonstram que:
Na prática das salas de aula, observa-se que os eixos do produzir e 
do apreciar já estão de alguma maneira contemplados, mesmo que 
o professor o faça de maneira intuitiva e assistemática. Entretanto, 
a produção e a apreciação ganham níveis consideravelmente mais 
avançados de articulação na aprendizagem dos alunos quando estão 
complementadas pela contextualização (BRASIL, 1997, p. 50).
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
8
O professor de arte tem acesso aos conteúdos e, assim, pode fazer escolhas 
de conceitos e atividades essenciais para a aula e para determinada turma. A 
teoria e a prática podem transformar e trazer resultados, podendo contribuir para 
um processo de aprendizagem mais significativo. 
Assim, Barbosa (1978, p. 15) diz que “o ensino artístico no Brasil só agora, 
e muito lentamente, se vem libertando do acirrado preconceito com a qual a 
cultura brasileira o cercou durante quase 150 anos que sucederam à implantação”. 
É preciso mostrar o ensino de arte com propriedade, com fundamentação teórica, 
trazendo seu significado, sua importância para a sala de aula, não apenas o fazer 
por fazer uma atividade.
DICAS
Acadêmico! Para que aprofunde seus conhecimentos 
sobre teoria e prática, recomendamos este livro para leitura:
O livro Teoria e prática do ensino de Arte foi produzido pelas 
autoras Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e Maria Terezinha 
Telles Guerra, em 2010. O livro contém 208 páginas que percorrem 
nas linguagens da arte, trazendo obras de artistas e produções 
próprias que enfatizam a teoria e prática no ensino de Arte.
Segundo Iavelberg (2003, p. 10), “aprender arte envolve a ação em 
distintos eixos de aprendizagem: fazer, apreciar e refletir sobre a produção social 
e histórica da arte, contextualizando os objetos artísticos e seus conteúdos”. 
Nesse sentido, surge a abordagem triangular de Barbosa (1998), nas 
palavras do fazer artístico, leitura de imagem e contextualização, sem estarem em 
uma ordem linear, mas que sugerem como prática em sala de aula, relacionando 
com a teoria. São campos conceituais que nos ajudam a desenvolver nossas 
propostas pedagógicas em sala de aula. 
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
9
DICAS
DICAS
Caro acadêmico! Segue mais uma dica de espaço de pesquisa virtual. Estão 
disponíveis os períodos históricos da arte, leituras de imagens, dicas de filmes, entre outros 
conteúdos. Aproveite! Explore este espaço virtual. FONTE: <https://www.historiadasartes.
com/>. Acesso em: 23 nov. 2018.
É preciso muita pesquisa, muita leitura, estudos teóricos para uma prática 
embasada, não deixando acontecer o fazer artístico de maneira livre, sem mediação. 
Como sugestão leia este livro que traz o conceito 
do que é Arte para um aprofundamento teórico.
O que é arte, de Jorge Coli
O livro foi escrito por Jorge Coli, em 1995, e editado pela 
Editora Brasiliense e apresenta a pergunta o que é arte fazendo 
relações com obras renomadas de todos os tempos, instigando 
sobre o que é e o que não é arte. Vale a pena conferir!
Continuando a conversa sobre teoria e prática em sala de aula, veremos 
a seguir algumas sugestões e explanações sobre situações de aprendizagem que, 
por vezes, acontecem no cotidiano escolar. Segundo Raach (2016, p. 30):
Faz-se necessária a socialização em espaços de compartilhamento de 
informações, contextualizando esses conhecimentos com o cotidiano, 
rompendo as fronteiras entre escola e sociedade, fazendo conexões 
com o mundo. 
Você já deve ter ouvido falar sobre atividades de releitura, revisitação ou 
até reprodução de obras de arte desenvolvidas em sala de aula. Com isso, vale 
lembrar do cuidadocom a atividade, para que não seja solicitado aos alunos para 
“copiarem” a obra de arte e sim instigá-los a pensar sobre a obra, com perguntas 
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
10
como: o que poderia ser de outra maneira na imagem, talvez outro cenário? Sobre 
a época que foi pintada ou criada, como seria esta obra nos dias de hoje? Discutir 
com os alunos sobre a imagem, suas características, fazendo novas leituras, 
novas interpretações. Assim, é possível criar uma nova composição artística, uma 
releitura da obra apresentada de maneira contextualizada.
Podemos utilizar como exemplo uma atividade desenvolvida de maneira 
contextualizada em sala de aula. Os alunos de uma turma de anos iniciais do 
ensino fundamental e outra do ensino médio conheceram a obra “Natureza-morta 
com maçãs e laranjas” (1895-1900) do artista francês Paul Cézanne, uma pintura 
em óleo sobre tela com dimensões de 74x93 cm. O artista Cézanne, ao pintar suas 
naturezas-mortas, estudava os detalhes dos objetos que iria desenhar e pintar.
FIGURA 2 – NATUREZA MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS, DE PAUL CÉZANNE. 1895-1900, 
OST, 74 X 93CM
FONTE: <http://artenarede.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/08/Macas-e-laranjas-
Cezanne.png>. Acesso em: 1 nov. 2018.
A obra “Natureza morta com maçãs e laranjas”, do artista Paul Cézanne, 
foi apresentada em uma atividade de gincana, quando os alunos do ensino 
médio tinham o desafio de montar o quebra-cabeça da obra. Depois de montado, 
tinham que utilizar seus celulares para pesquisa e realizar a busca da imagem na 
internet, verificando qual foi o artista que pintou, explicando a vida e a obra como 
atividade de gincana escolar.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
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FIGURA 3 – MONTANDO QUEBRA-CABEÇA DA OBRA “NATUREZA MORTA COM MAÇÃS E 
LARANJAS” DO ARTISTA PAUL CÉZANNE
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
Outra atividade que foi desenvolvida com o ensino fundamental nos 
anos iniciais apresentava a obra através da leitura de imagem, conversando com 
a turma de alunos sobre a vida do artista e características da obra. Os alunos 
realizaram a dobradura de papel no formato que lembrasse uma maçã.
FIGURA 4 – RELEITURA COLETIVA DA OBRA NATUREZA-MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS 
(1895-1900) DO ARTISTA PAUL CÉZANNE
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
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Na figura, percebemos relações com a obra original. Os alunos seguiram 
os passos da construção de uma dobradura em que a forma lembrasse uma maçã, 
a fruta que mais aparece na obra de arte estudada. Assim, cada aluno criou suas 
maçãs imaginárias, usando tipos de linhas, cores e formas. Estas maçãs não 
poderiam existir para comprar. Todas as maçãs criadas através da dobradura 
foram mostradas na composição coletiva, um painel único com a participação dos 
alunos, compondo assim uma releitura da obra analisada.
Barbosa (2010, p. 20) relata que “nossa ideia de leitura da imagem é 
construir uma metalinguagem da imagem. Não é falar sobre uma pintura, mas 
falar a pintura num outro discurso, às vezes silencioso, algumas vezes gráfico, e 
verbal somente na sua visibilidade primária”.
Assim, atividades contemplam a leitura de imagem utilizando materiais 
simples do cotidiano, como criações com materiais recicláveis, por exemplo, utilizando 
rolinhos de papel higiênico ou pratos de papelão. Vejamos, a seguir, alguns exemplos 
de atividades que mostram criações feitas com determinados materiais.
FIGURA 5 – SILHUETAS PINTADAS EM PRATOS DE PAPELÃO
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
Para a criação foi usada uma silhueta (apenas contorno de uma imagem 
recortada), prato de papelão e uma esponja, fazendo esponjado com a tinta 
guache. O uso do prato de papelão mostrou um ótimo resultado, e a tinta guache 
aderiu muito bem. Lembramos que o material é de fácil acesso. Em realidades 
mais distantes podem até usar pedaços de papelão, como retirar partes de uma 
caixa, por exemplo.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
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FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
Na figura a seguir, as crianças construíram pássaros com rolinhos de papel 
higiênico. A atividade foi desenvolvida através da observação e contextualização 
das pinturas do artista brasileiro Aldemir Martins, analisando a obra pássaro e 
outros animais que o artista pintou usando as cores primárias.
FIGURA 6 – PÁSSARO COM ROLINHOS DE PAPEL HIGIÊNICO
Na atividade do pássaro, o próprio corpo do animal foi construído com 
um rolinho de papel higiênico. Os alunos da educação infantil montaram seu 
próprio pássaro com partes já pré-desenhadas, depois pintaram, recortaram e 
montaram seu trabalho, assim, o pássaro criado pode ser um brinquedo ou até 
um móbile.
Os alunos precisam de oportunidades de contato com outros materiais em 
sala de aula, variando as atividades de arte, não apenas só o uso dos lápis de cores e 
dos papéis. Segundo Raach (2016, p. 31), “os sujeitos reconstroem o conhecimento, 
os professores têm o desafio de reconstruir as práticas pedagógicas”. Para Barbosa 
(2010, p. 20):
Nossa concepção de história da arte não é linear, mas pretende 
contextualizar a obra de arte no tempo e explorar suas circunstâncias 
em lugar de estarmos preocupados em mostrar a chamada “evolução” 
das formas artísticas através do tempo. Pretendemos mostrar que a 
arte não está isolada de nosso cotidiano, de nossa história pessoal.
A partir das abordagens teóricas e práticas trazidas pelo professor em sala 
de aula, são nas produções artísticas que os alunos têm possibilidade de escolhas, 
tanto de cores, materiais, e assim, testar tudo isto, ter ideias e muitas vezes, até 
mudando a ideia inicial pensada. São momentos de experimentações quando aos 
poucos os alunos descobrem seus próprios gostos e estilos de criações, criando seu 
próprio percurso artístico. Tudo isso remete ao aluno o contato com as diferentes 
linguagens da arte que estudaremos a seguir.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
14
3 AS LINGUAGENS DA ARTE
A disciplina de arte é subdividida em áreas de conhecimento. As diferentes 
áreas estão subdivididas em: artes visuais, artes cênicas (teatro), dança e música. 
Agora, caro acadêmico, veremos um pouco de cada linguagem artística com 
sugestões de atividades, mas em especial iremos observar estratégias pedagógicas 
nas artes visuais. 
Assim, “são as linguagens da arte que fazem vivenciar na vida e na sala 
de aula a emoção, a sensibilidade, o pensamento, a criação, seja através de nossa 
própria produção, seja através das obras dos mais diversos autores e artistas” 
(MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 9).
Contudo, o que seria a linguagem? Para Martins, Picosque e Guerra (2010, 
p. 32), “pode-se dizer que linguagem é um sistema simbólico e toda linguagem é 
um sistema de signos”. A linguagem é uma representação do mundo, refletindo 
a nossa realidade. Por exemplo, a palavra casa. Temos sobre determinado objeto 
a própria casa, desenhos de casas, fotografias de casas, maquetes de casas. São 
signos ou símbolos da palavra casa. 
“Arte é uma forma de criação de linguagens – a linguagem visual, a 
linguagem musical, a linguagem do teatro, a linguagem da dança e a linguagem 
cinematográfica, entre outras” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 35).
Temos muitas linguagens que se cruzam nas linguagens artísticas, que se 
articulam, que se transformam. “Toda linguagem artística é um modo singular 
de o homem refletir– reflexão/reflexo – seu estar no mundo. Quando o homem 
trabalha nessa linguagem, seu coração e sua mente atuam juntos em poética 
intimidade (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 35). E o que você, caro 
acadêmico, entende das linguagens artísticas? Reflita um pouco!
ATENCAO
Pense sobre a pergunta“O que são linguagens artísticas?” e converse com 
seus colegas sobre a questão. Anote em seu caderno as suas reflexões e compartilhe-as.
Pensando mais nas linguagens artísticas, iniciamos com a fala de Barbosa 
(2010, p. 4), que diz que a “arte não é enfeite. Arte é cognição”. Assim, a arte 
apresenta-se em seus diversos espaços e tempos, através das diversas linguagens 
que propõem novos diálogos, novas poéticas.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
15
A linguagem da arte nos permite ver o mundo mostrando-o de 
modo condensado e sintético, extrapolando o que é previsível e o 
que é conhecido. É no modo de pensamento do fazer da linguagem 
da arte que a intuição, a percepção, o sentimento/pensamento e o 
conhecimento se condensam. Nessa construção, o artista percebe, relê 
e repropõe o mundo, a vida e a própria arte, produzindo imagens 
únicas, inconfundíveis e insubstituíveis, imagens poéticas (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 39).
Na imagem a seguir, podemos perceber a materialidade de maneira 
diferente, as poéticas possíveis, fazendo referência à linguagem das artes visuais.
FIGURA 7 – MARIO CEROLI: CHINA (1966). MADEIRA PERFILADA. 10X10M. ROMA. 
PROPRIEDADE DO AUTOR
FONTE: Argan (1992, p. 585)
A arte surge a partir da criação humana. Os primeiros registros foram feitos 
nas paredes de cavernas, considerada como arte rupestre. Assim, a arte comunica-
se pela estética, pelo visual, trazendo emoções e sensações ao espectador, como 
na pintura, na escultura, no teatro e na dança. 
Criar arte é uma necessidade do ser humano, muitas vezes também é o 
reflexo de uma situação social, registrando e mostrando algo histórico ou cultural 
ocorrido em uma determinada sociedade/época.
A Arte está presente no cotidiano da vida infantil. Ao rabiscar e desenhar 
no chão, na areia e nos muros, ao utilizar materiais encontrados ao 
acaso (gravetos, pedras, carvão), ao pintar os objetos e até mesmo seu 
próprio corpo, a criança pode utilizar-se das linguagens da arte para 
expressar experiências sensíveis (BRASIL, 1998a, p. 85).
Portanto, a arte está presente no cotidiano do ser humano. No início, a arte 
era apenas imitação da realidade, mas com o passar do tempo, surgiram os diversos 
períodos artísticos que influenciaram nas produções do ser humano. As produções 
apresentaram transformações com o passar do tempo que continuam até os dias 
de hoje, como podemos ver na pintura a seguir, considerada arte contemporânea.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
16
FIGURA 8 – ARTISTA BEATRIZ MILHAZES: PINTURA, 1997. ACRÍLICA SOBRE TELA, 179.50 CM X 
300.00 CM. ACERVO BANCO ITAÚ (SÃO PAULO, SP)
FONTE: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra36295/menino-pescando>. 
Acesso em: 25 jun. 2018.
Como sugestão, a atividade referente à pintura da artista Beatriz Milhazes 
é uma pintura de flores diversas com tintas e pincel sobre pratos de papelão, 
fazendo relações com tipos de flores, cores, formas e linhas. Temos o resultado 
tanto para o figurativo quanto para o abstrato, como podemos observar na 
imagem a seguir.
FIGURA 9 – FLORES PINTADAS COM TINTAS NO PRATO DE PAPELÃO A PARTIR DAS OBRAS DA 
ARTISTA BEATRIZ MILHAZES
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
17
Arte contemporânea: O que é? Diversos estudos mostram que em 1960 iniciam-
se os movimentos artísticos chamados pop art e minimalismo, criações artísticas diversas, 
rompendo com a arte moderna. As barreiras se rompem, não são apenas pinturas ou esculturas, 
mas articulam diversas linguagens, que se cruzam, como a dança, música, pintura, teatro, 
escultura etc., desafiando os padrões de arte tradicionais, surgindo a arte contemporânea.
Você encontra mais informações no link a seguir: FONTE <http://enciclopedia.itaucultural.
org.br/termo354/arte-contemporanea>. Acesso em: 23 nov. 2018. 
Também fica como sugestão um vídeo do Youtube chamado Arte Contemporânea – Isso é 
arte? FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=c7WAbSnINuQ>. Acesso em: 23 nov. 2018.
IMPORTANT
E
No entanto, para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 47):
Na linguagem da arte, há criação, construção, invenção. O ser humano, 
por meio dela, forma, transforma a matéria oferecida pelo mundo da 
natureza e da cultura em algo significativo. Atribui significados a 
sons, gestos, cores, com uma intenção, num exercício que mais parece 
um jogo de armar, um quebra-cabeça no qual se busca a forma justa. 
Vários caminhos são percorridos, várias soluções são experimentadas, 
num processo de ir e vir, um fazer/construir lúdico/estético.
Os vários caminhos da criação, experimentação, dos processos de construir 
e desconstruir são vistos nas obras da artista Lygia Clark, como no exemplo da 
imagem a seguir.
FIGURA 10 – OBRA “SÉRIE BICHOS” DA ARTISTA LYGIA CLARK (1960)
FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/lygia-clark/>. Acesso em: 25 maio 2018.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
18
A obra de Lygia Clark traz o novo conceito, uma arte participativa, que 
dialoga. O processo de experimentação pode ser apreciado, manipulado pelo 
espectador, surgindo novas criações/composições. 
DICAS
Como sugestão, é possível encontrar mais sobre a trajetória da artista Lygia 
Clark no seguinte material: FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_
pdf_51.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018.
Seguindo as leituras, veremos mais sobre as particularidades das 
linguagens das artes visuais, das artes cênicas (teatro), dança e da música.
3.1 A LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS
Vamos iniciar um diálogo pela linguagem das artes visuais, também 
conhecidas como Artes Plásticas. Você, acadêmico, irá se identificar com algumas 
práticas já desenvolvidas e outras servem de inspiração para que em sua trajetória 
como educador possa explorar e adaptar para cada realidade de escola e alunos. 
Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51):
A criação artística desvela em imagens – sonoras, visuais, cênicas – o 
nosso modo singular de captar e poetizar a realidade. Cada um de nós, 
combinando percepção, imaginação, repertório cultural e histórico, lê 
o mundo e o apresenta à sua maneira, sob o seu ponto de vista, por 
meio de formas, cores, sons, movimentos, ritmo, cenário.
A linguagem das artes visuais apresenta o mundo imagético, as criações 
artísticas através das cores e das formas. Contudo, não engloba apenas os desenhos 
e as pinturas em si, apresenta também a expressão, a visualidade, isto é, não só 
a área da plasticidade. Está relacionada a tudo que se vê, como as esculturas, 
arquiteturas, fotografias, entre tantas outras. 
Lembramos que o surgimento da tecnologia e o desenvolvimento da 
sociedade fizeram com que muitas criações novas aparecessem e consideradas 
também como linguagem das artes visuais. Podemos ver na arte digital, nas 
histórias em quadrinhos, entre outras. Segundo Martins, Picosque e Guerra 
(2010, p. 125-126), para que o aluno consiga “poetizar, fruir e conhecer” a 
linguagem das artes visuais, o professor necessita propiciar:
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
19
• O pensamento visual tornado visível, materializado, por meio da 
forma e da materialidade.
• A pesquisa e a leitura da estrutura da linguagem visual e da 
articulação de seus elementos constitutivos: ponto, linha, forma, 
cor, textura, dimensão, movimento, volume, luz, planos, espaços, 
equilíbrio, ritmo, profundidade etc...
• A experimentação e a leitura dos diferentes modos da linguagem 
visual: assemblage, bodyart, cerâmica, colagem, desenho, escultura, 
fotografia, grafite, gravura (metal, xilogravura, serigrafia etc.), 
happening, HQ, instalação, landart, livro de artista ou livro-objeto, 
performance, pintura (mural, têmpera, óleo, acrílico,aquarela etc.), 
ready-made, site specific, tapeçaria, videoarte, webart, desenho de 
animação etc...
• O manuseio e a seleção de matérias, ferramentas, suportes e 
procedimentos e suas especificidades como recursos sígnicos 
expressivos.
• Os processos de criação em artes visuais, percebendo os trajetos, 
as escolhas, o perseguir ideias, os repertórios pessoais e culturais 
tanto em poéticas pessoais como em processos colaborativos como 
se vê hoje na arte contemporânea com a autoria dos denominados 
“coletivos”.
• O patrimônio cultural das artes visuais, incluindo monumentos, 
edifícios, museus e seus acervos, sítios arqueológicos etc...
• As relações com outras linguagens, como arquitetura, cenografia, 
cinema, design gráfico, figurino, moda, ourivesaria, publicidade etc.
No entanto, apresentaremos algumas definições (conceitos) com práticas já 
desenvolvidas em sala de aula. Lembramos que todo livro de estudos referenciará 
as propostas pedagógicas em artes, em especial, nas artes visuais.
DICAS
Linguagem das Artes Visuais (2012)
O livro faz parte de uma coleção chamada 
Metodologia do ensino de artes, da editora IBPEX, 
contém 152 páginas e foi escrito por Luciana 
Estevam Barone Bueno. A autora propõe reflexões a 
respeito das imagens que estão ao nosso redor, das 
inúmeras informações que encontramos através 
dos elementos da linguagem visual, fazendo assim, 
ter um novo olhar para as artes.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
20
Nas aulas de arte, é preciso que os professores tragam propostas 
diferenciadas. Não deve ser comum ficar sempre nas mesmas manifestações 
artísticas. É preciso mostrar e deixar o aluno experienciar. As artes visuais na 
educação, no espaço escolar, despertam os alunos para uma análise estética mais 
crítica, estimulando a criatividade e a reflexão.
A seguir será apresentada uma sequência de manifestações artísticas da 
linguagem visual que pode ser direcionada ao espaço escolar, trabalhadas nas 
aulas de arte:
Desenho: a linguagem do desenho se constrói através do uso da linha, 
pelas direções e intensidades, mostrando a ideia, a composição. É parte do 
processo artístico. Muitas vezes são realizados desenhos (esboços ou rascunhos) 
para uma pintura ou escultura, por exemplo. Um artista que usa muito o desenho 
é Escher, como podemos ver na imagem:
FIGURA 11 – DESENHOS DE ESCHER
FONTE: <http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/seminario/escher/desenhando-se.html>. 
Acesso em: 2 jun. 2018.
Para as aulas de artes, o desenho pode ser apresentado de diversas 
maneiras, sendo dirigido e mediado pelo professor ou não. Apresente materiais 
diferentes, explore as possibilidades com os alunos. O uso de imagens de revistas 
ajuda a trabalhar o desenho, trazendo os elementos da linguagem visual, como 
linhas, formas, texturas. 
A figura a seguir é um exemplo de desenho feito a partir de uma imagem 
de revista e o preenchimento foi com uso de linhas, formas, texturas.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
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FIGURA 12 – DESENHOS PRODUZIDOS A PARTIR DA IMAGEM DE REVISTA
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
DICAS
No canal YOUTUBE encontramos um vídeo chamado: O DESENHO NÃO 
TEM FIM.
Este vídeo mostra a partir da desmontagem de uma instalação da artista Sandra Cinto. O 
documentário fala sobre questões que movem seu trabalho. A temporalidade de projetos 
contemporâneos inspira uma discussão poética sobre o início e o fim das coisas. A origem 
da expressão do artista e o valor do que vai ser necessariamente apagado.
FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=DQyZARscYAk>. Acesso em 3 nov. 2018.
• Pintura: é uma prática muito desenvolvida, em que se exploram as cores, 
diferentes tons, formas, linhas e texturas. É possível realizar em diferentes 
superfícies e materiais. Temos muitas pinturas em destaque, mas a obra a 
seguir, uma pintura de Toulouse Lautrec, nos remete a observar as luzes e 
texturas que a tinta (cor) apresenta.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
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FIGURA 13 – HENRI DE TOULOUSE-LAUTREC: A TOALETE (1896); ÓLEO SOBRE PAPELÃO, 
0,67X0,54M. PARIS, MUSÉE D`ORSAY
FONTE: Argan (1992, p. 129)
Para criar pinturas em sala de aula com os alunos, explore o uso das tintas 
e materiais. Como sugestão, use caixas de tampa de sapato vazias para serem 
“telas” e explore uma pintura com tintas e cotonetes. É possível fazer criações 
relacionando com períodos e estilos artísticos, como é o caso da técnica do 
pontilhismo do artista Georges Seurat.
FIGURA 14 – PONTILHISMO COM COTONETES E TINTA
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
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• Escultura: para a linguagem da escultura, explora-se o uso da matéria, ou seja, 
os altos e baixos relevos, os volumes e, assim, faz-se a moldagem. A escultura 
pode ser feita com diversos materiais, como: argila, madeira, gesso, sabão, 
massinha de modelar.
DICAS
O escultor australiano Ron Mueck, que faz esculturas gigantes de fibra de 
vidro, é considerado um artista hiper-realista.
FONTE: <http://artesemfronteiras.com/esculturas-gigantes-de-ron-mueck/>. 
Acesso em: 25 jun. 2018.
Encontre mais sobre o trabalho do artista no Youtube: “Ron Mueck – Esculturas humanas – 
Genial – Jornal Hoje”. 
FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=Im6goyEZYPw>. Acesso em: 23 nov. 2018.
Para explorar a escultura em sala de aula, temos algumas possibilidades 
de uso do sabonete, sabão ou argila. Na imagem a seguir, temos esculturas de 
argila feitas por alunos do ensino fundamental. Após secagem natural das peças, 
pintaram com tinta guache. Os alunos exploraram a argila através da modelagem 
do alto e baixo relevo e, assim, vivenciaram também os conceitos do bidimensional 
e tridimensional.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
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FIGURA 15 – ESCULTURA DE ARGILA FEITA POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
O que é bidimensional e tridimensional?
Bidimensionalidade: são criações como desenhos e pinturas, pois apresentam altura e largura.
Tridimensionalidade: é uma criação que apresenta largura, altura e profundidade. A criação 
pode ser observada de todos os lados, ângulos, como um objeto por exemplo.
IMPORTANT
E
• GRAVURA: consiste no uso de uma matriz (base). São feitas várias impressões, 
várias cópias da matriz. Lembra inicialmente um carimbo, e é usada a tinta 
para impressão do desenho que está na matriz. A gravura é feita de diferentes 
materiais, como xilogravura (madeira) gravura em metal (placa de metal); 
litogravura (pedra calcária).
Na escola, a técnica artística poderá ser trabalhada com bandejas de 
isopor, relacionando com a técnica da xilogravura, pois o desenho precisa ser 
bem marcado na matriz. O desenho é feito diretamente na bandeja de isopor, 
apertando o lápis, fazendo marcas de baixo relevo. Depois é só passar um rolinho 
de tinta e fazer a impressão.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
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FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
FIGURA 16 – ISOPORGRAVURA FEITO NA ESCOLA POR UMA ALUNA
A partir da proposta da técnica da gravura feita em isopor, podemos fazer 
relações com as outras técnicas de gravura, como é o caso do artista Iberê Camargo, 
que fez criações com diversas técnicas, como mostra a figura da gravura de metal.
FIGURA 17 – IBERÊ CAMARGO – CARRETÉIS, GRAVURA EM METAL
FONTE: <http://www.bolsadearte.com/oparalelo/o-carretel-de-ibere-camargo>. 
Acesso em: 25 jun. 2018.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
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DICAS
Neste link encontra-se um material educativo das obras do artista Iberê 
Camargo! Aproveite e baixe seu material! FONTE: <http://www.iberecamargo.org.br/site/
uploads/multimediaExposicao/270320130044_Ibere%20Camargo%20o%20carretel%20meu%20personagem.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018.
• Fotografia: é uma linguagem artística atual. O registro do momento é o 
resultado de uma composição artística. Há um artista brasileiro muito 
conhecido chamado Vik Muniz, sendo que seu trabalho é mostrado através do 
registro da fotografia. Em sala de aula, a fotografia poderá ser feita através do 
uso dos aparelhos celulares. 
FIGURA 18 – VIK MUNIZ – SÉRIE CATADORES DE LIXO DE GRAMACHO QUE ORIGINOU O 
DOCUMENTÁRIO “LIXO EXTRAORDINÁRIO” – DUQUE DE CAXIAS – RIO DE JANEIRO – BRASIL
FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/vik-muniz/#jp-carousel-5929>. 
Acesso em: 25 jun. 2018.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
27
DICAS
A partir das composições que Vik Muniz realizou na série catadores de lixo, 
pode-se explorar com os alunos a observação das imagens e construir em grupos de 
alunos composições com diversos materiais. Após o desenvolvimento do trabalho 
é necessário realizar o registro do resultado final utilizando a fotografia.
FIGURA 19 – MONTAGEM DE UMA COMPOSIÇÃO COM MATERIAIS DIVERSOS
FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)
Filme Lixo extraordinário
O filme Lixo extraordinário é um documentário 
de 99 minutos, que foi produzido no ano de 
2010, mostrando um dos maiores aterros 
sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, no 
Rio de Janeiro, com a participação do artista 
plástico Vik Muniz. O artista explora o espaço 
e constrói obras a partir do lixo com a ajuda 
dos catadores e o resultado se dá através das 
fotografias.
Veja o filme completo no Youtube. 
FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=61eudaWpWb8>. Acesso em: 23 nov. 2018.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
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• Arquitetura: é a linguagem da arte que se apresenta no uso de espaços e está 
presente em nosso cotidiano. Como importante arquitetura atual, temos o 
prédio da Fundação Iberê Camargo – localizada em Porto Alegre/RS, feito pelo 
arquiteto contemporâneo português Álvaro Siza Vieira.
FIGURA 20 – FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO
FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/fundacao-ibere-camargo/>. 
Acesso em: 25 jun. 2018.
Como sugestão de atividade, apresente em sala de aula uma retrospectiva 
em imagens sobre a arquitetura desde a pré-história até a atualidade. No fazer 
artístico, deixe os alunos produzirem com papéis, dobraduras, recorte e colagem 
ou até técnica mista, isto é, mistura de vários materiais.
FIGURA 21 – CRIAÇÃO FEITA POR ALUNOS NO ANO DE 2018
FONTE: Acervo Clara Schley, (2018).
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
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• Artes gráficas: criadas pelo surgimento da tecnologia, referem-se às criações por 
meio de programas e aplicativos de computador. Atualmente são considerados 
como artes gráficas animações, videoarte, performances, entre outros.
FIGURA 22 – OBRA: UBU TELLS THE TRUTH [UBU CONTA A VERDADE], 1997, FILME DE 
ANIMAÇÃO EM 35 MM COM FOTOS DOCUMENTAIS E FILME DE ARQUIVO EM 16 MM 
TRANSFERIDO PARA VÍDEO
FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_
William-Kentridge-%E2%80%93-fortuna.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2018.
DICAS
No material educativo a seguir, encontramos a biografia do artista William 
Kentridge e obras de arte que estavam na exposição do museu em Porto Alegre no ano de 
2013. Também há sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula 
com os alunos. Uma atividade que se encontra neste material e que pode ser adaptada às 
artes gráficas é o uso de revistas e jornais. 
Os alunos desenham a cada dia ou nas aulas de artes um personagem sobre uma folha de 
jornal, criando desenhos (personagens) com pequenos movimentos, isto é, são pequenas 
alterações no personagem do desenho. Após uma série de desenhos é possível fotografar 
um a um e colocar movimento, usando um aplicativo (de sua escolha) para transformar 
as fotos em um vídeo de animação. FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/
uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_William-Kentridge-%E2%80%93-fortuna.pdf>. 
Acesso em: 23 nov. 2018.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
30
DICAS
Caro acadêmico! É preciso pesquisar sempre, pois a cada dia surgem novas 
obras de arte com a utilização de novos materiais em espaços diversos.
3.2 A LINGUAGEM DAS ARTES CÊNICAS (TEATRO E DANÇA)
As artes cênicas envolvem o corpo em sua expressão, em seus movimentos 
e apresenta-se através de um palco, de um cenário. O fato se refere ao teatro, que 
se subdivide em trágico (imita a vida), comédia (lado irônico e contraditório), 
dramático (refere-se aos conflitos humanos), musical (através de músicas) e dança 
(expressões vindas da mímica). Acontece por meio da representação, através de 
um espaço e, assim, é visto pela plateia, pelos espectadores. (LOPES, s.d.)
Para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 50), o teatro e a dança remetem 
ao corpo. “O corpo projeta imagens, sensações, pensamentos. O corpo é ao mesmo 
tempo autor e intérprete que, em cena, apresenta ações-movimentos por meio das 
mediações e nas relações entre o externo e o interno”. Qualquer que seja o tipo 
de apresentação é preciso ter alguém que coordena, que seja um diretor de cena.
Tornar sensível a criança aos signos da linguagem teatral é também 
criar contextos significativos para a conversa sobre conceitos do teatro 
e de sua história, bem como sobre aqueles que exercem o ofício teatral, 
como o ator, o dramaturgo, o diretor, o encenador, o cenógrafo, o 
figurinista e tantos outros que mantêm viva a magia teatral (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 124).
São atividades que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes como esquetes 
teatrais, teatros de sombras, teatro com fantoches. Como sugestão de atividade na 
educação infantil e anos iniciais, uma proposta pedagógica como teatro de fantoches 
poderá contemplar o fazer artístico pela confecção de fantoches de meia.
FIGURA 23 – FANTOCHES DE MEIA
FONTE: <https://www.artesanatopassoapassoja.com.br/como-fazer-fantoches-de-meia/>. 
Acesso em: 25 jun. 2018.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
31
DICAS
Quer um plano da linguagem teatral na pré-escola? Acesse o link e veja! 
FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/6451/linguagem-teatral-na-pre-escola>. 
Acesso em: 23 nov. 2018.
Como linguagem artística, o teatro se expressa pela cenografia, pela 
contação de histórias, pela dramatização, pela performance, pelo teatro de 
bonecos, tudo através da representação teatral.
Na linguagem da dança, percebemos atualmente um distanciamento 
das aulas de artes. A disciplina de educação física, muitas vezes, abre o espaço e 
realiza situações de aprendizagem com a dança, como em eventos escolares, com 
apresentações dos alunos. 
Assim, para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 128), “o acesso a 
espetáculos de dança erudita, popular, clássica, moderna, contemporânea ou 
qualquer outro modo de dança permitirá ao aprendiz uma experiência estética, 
além de proporcionar-lhe a apreciação significativa da arte do movimento”.
3.3 A LINGUAGEM DA MÚSICA
A linguagem musical se expressa através das músicas, suscitando 
pensamentos e emoções que muitas vezes nem compreendemos pela letra da 
canção que se está ouvindo ou cantando. Faz parte da cultura humana e em 
diferentes épocas foi vista em rituais, com funções distintas.
A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes 
de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por 
meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o 
silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas 
situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações 
cívicas, políticas etc. Faz parte da educação desde há muito tempo, 
sendo que, já na Grécia antiga, era consideradacomo fundamental 
para a formação dos futuros cidadãos, ao lado da matemática e da 
filosofia. A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos 
e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação 
social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das 
formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua 
presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação 
infantil, particularmente (BRASIL, 1998a, p. 45).
 
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
32
Assim, a melodia, o ritmo e a harmonia se compõem na linguagem 
musical, pois os sons só acontecem e necessitam sempre de alguém que execute, 
que tenha intenções. Sobre as intenções da arte, Martins, Picosque e Guerra (2010, 
p. 48) vão dizer que:
[...] tudo na obra de arte tem uma intenção. Há uma intenção em cada 
gesto, cor, movimento, postura. Com alguma intenção, um compositor 
faz predominar os sons graves sobre os agudos em determinada 
composição. A ação intencional do autor/artista é que define seu 
trabalho, mesmo quando opta pela música aleatória ou por jogar tinta 
sobre a tela.
A atmosfera criada através da música pode estar junto às representações 
teatrais e da dança. Em sala de aula, a música precisa ser desenvolvida além de 
canções de cantigas de roda ou outros cantos com gestos. Precisa também explorar 
a sonoridade, trazendo o contato com os instrumentos musicais, mostrar e ouvir 
produções musicais que já existem através dos tempos. Para o ensino de arte em 
música, é interessante apresentar compositores clássicos como Bach e Beethoven, 
oportunizando aos alunos ouvirem e conhecerem suas músicas.
DICAS
Sugestões de planos de aula. Os links a seguir falam da música erudita e 
popular no Brasil, enfatizando a apreciação significativa da linguagem musical. Leia e imagine 
sua aula também! 
FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23297> e <http://
portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23295>. Acesso em: 23 nov. 2018.
Como sugestão de atividade para sala de aula, podemos usar conceitos sobre 
o que é arte e para que ela serve, explorando o assunto através de uma apresentação 
feita por uma paródia. A paródia é uma nova interpretação, uma releitura de uma 
composição musical ou literária podendo ter ironia ou deboche. Os alunos escolhem 
a música favorita e organizam a escrita da letra da música trazendo conceitos 
estudados. A apresentação do grupo através da paródia criada é uma maneira de 
realizar uma aprendizagem mais significativa de um conteúdo estudado.
Conhecer e compreender a música como uma produção cultural supõe 
também a criação de contextos significativos para a conversa sobre os 
conceitos e a história da linguagem musical – nas diferentes culturas, 
no decorrer do tempo – e sobre seus produtores – compositor, 
intérprete (instrumentista ou cantor), maestro, disc-jóquei etc., muitos 
deles habitantes do universo da criança (MARTINS; PICOSQUE; 
GUERRA, 2010, p.122).
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
33
DICAS
Explore e aproveite para conhecer mais sobre a história da música. 
FONTE: <http://www.portaldarte.com.br/linguagemmusica.htm>. Acesso em: 23 nov. 2018.
O importante é estar atento às diversas linguagens artísticas e propor 
maneiras diferentes de explorar em sala de aula. “A instalação, o videoclipe e a 
performance, por exemplo, são algumas das produções artísticas que combinam 
elementos do teatro, dança, música e artes visuais” (MARTINS; PICOSQUE; 
GUERRA, 2010, p. 128).
Caro acadêmico! Use a criatividade e explore as linguagens artísticas, 
lendo, pesquisando, criando e mostrando o que aprendeu!
4 CAMPOS CONCEITUAIS DA ARTE
Neste tópico serão apresentados os três campos conceituais que envolvem 
o ensino da arte: a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento e 
contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da 
humanidade, que trazem considerações importantes que permeiam a abordagem 
triangular de Barbosa, nos eixos de aprendizagem do fazer artístico, da leitura e 
contextualização. 
Assim, também os “três campos conceituais estão presentes nos PCN-Arte 
e, respectivamente, denominados de produção, fruição e reflexão” (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 12). No ensino da arte também é preciso planejar 
e pensar sobre as aulas: 
Pensar na leitura e produção na linguagem da arte é um modo único 
de despertar a consciência e novos modos de sensibilidade. Isso 
pode nos tornar mais sábios, seja sobre nós mesmos, o mundo ou as 
coisas do mundo, seja sobre a própria linguagem da arte (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 39).
No processo de ensino e aprendizagem nas aulas de artes, o professor 
junto com os alunos fará associações ao cotidiano, buscando na memória 
múltiplas leituras e percepções, novos modos de sensibilidade. Portanto, 
independentemente do conteúdo escolhido para ser desenvolvido na aula de 
artes, ele poderá propor o fazer artístico com associações à realidade do aluno, 
estimulando a criação artística através da fruição e da contextualização.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
34
Lembramos também da importância de mostrar atividades realizadas 
nas aulas de arte em exposições internas ou externas, painéis, murais ou de 
registrar os momentos criativos, fotografando e postando em espaços virtuais, 
compartilhando os conhecimentos construídos e estimulando o aluno pelo 
gosto por sua criação artística. Assim, os três campos conceituais podem ser 
contemplados e ensinados nas aulas de arte.
Neste livro de estudos, a conversa acontecerá por meio da exploração dos 
campos conceituais da arte a partir da abordagem triangular de Barbosa. Os campos 
conceituais ou eixos de aprendizagem, como também são chamados, se referem ao 
fazer artístico, à leitura de imagem e à contextualização. A abordagem é uma ótima 
referência de apoio para o professor em seu planejamento e nas ações da sala de aula.
Através da abordagem triangular de Barbosa, explanando os termos do 
fazer artístico, da leitura de imagem e da contextualização, estes não são aplicados 
nas aulas de arte de maneira linear, isto é, não têm uma ordem. Lembrando que 
os campos conceituais podem ser aplicados às diversas linguagens da arte, em 
especial nas artes visuais.
Assim, o ensino de arte, para ser desenvolvido nas escolas de maneira 
efetiva, necessita que os professores trabalhem a partir de sua formação específica 
(artes visuais, música, teatro e dança), trazendo suas experiências e pesquisas. 
Para Barbosa (2010, p. 33), “só um fazer consciente e informado torna possível 
a aprendizagem em arte”, isto é, a partir de sua formação específica é possível a 
construção do conhecimento. Segundo Barbosa (2010, p. 33):
Nem a arte/educação como investigação dos modos pelos quais se 
aprende arte nem a arte/educação como facilitadora entre a arte e 
público podem prescindir da inter-relação entre história da arte, 
leitura da obra de arte, fazer artístico e contextualização.
Agora, iniciamos nossa conversa sobre os principais termos que encontramos 
nas leituras dos livros de arte, que trazem as terminologias da metodologia ou da 
proposta, que atualmente é vista como Abordagem Triangular de Barbosa (1998).
A Abordagem Triangular foi divulgada com o nome de Metodologia 
Triangular através do livro A imagem do Ensino da Arte publicado 
pela Editora Perspectiva em 1991. Posteriormente, em 1998, publicou-
se um capítulo revisando-a no livro Tópicos Utópicos. As revisões 
da Metodologia Triangular, em 1998, foram conceituais, práticas e 
bastante incisivas, mudando até o nome para Abordagem Triangular 
(BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 9).
A abordagem triangular surge de uma preocupação que os profissionais 
dearte sentiram em sua prática diária, pois na década de 1970, apenas tinham-
se produções artísticas, o fazer por fazer, surgindo as chamadas escolinhas de 
arte. Para Barbosa (1998, p. 35), a abordagem triangular vem para atender a uma 
necessidade na educação, nas aulas de arte, isto é, a de “instrumentalizar o aluno 
para o momento em que vivemos”.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
35
IMPORTANT
E
Vamos conhecer um pouco mais 
sobre a autora Ana Mae Barbosa:
Professora de pós-graduação da Escola de 
Comunicações e Artes da Universidade  de 
São Paulo – ECA, Ana Mae Barbosa é uma das 
principais referências brasileiras em arte-educação 
e, embora já aposentada, ainda é disputada 
pelos alunos da instituição como orientadora. 
Desenvolveu, influenciada diretamente por Paulo 
Freire, o que chamou de abordagem triangular 
para o ensino de artes, concepção sustentada sobre a contextualização da obra, sua 
apreciação e o fazer artístico. A pesquisadora foi, também, a primeira a sistematizar o ensino 
de arte em museus, quando dirigiu o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de 
São Paulo – MAC.
FONTE: <http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ana-mae-barbosa>. Acesso em: 28 
nov. 2018.
No entanto, na sala de aula era preciso mais que o fazer artístico, era necessário 
ter momentos de análise e discussão das criações feitas pelos alunos, relacionando 
teoria e enfatizando o sentido das criações. Segundo Barbosa (2002, p. 34-35):
A produção de arte faz a criança pensar inteligentemente acerca da 
criação de imagens visuais, mas somente a produção não é suficiente 
para a leitura e o julgamento de qualidade das imagens produzidas por 
artistas ou do mundo cotidiano que nos cerca [...]. Temos que alfabetizar 
para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas, 
estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática 
visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, 
a prepararmos para aprender a gramática da imagem em movimento. 
Essa decodificação precisa ser associada ao julgamento da qualidade do 
que está sendo visto aqui e agora e em relação ao passado.
Para Barbosa (1991), os três eixos da abordagem triangular são articulados 
como: leitura de imagem ou apreciação; o fazer artístico ou produção; história da 
arte ou reflexão. Assim, a abordagem triangular é contemplada nas aulas de arte 
através de ações interligadas. “Os três eixos de aprendizagem artística delimitam 
claramente conjuntos possíveis de ações complementares e interconectadas” 
(BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 64).
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
36
Os campos conceituais de arte caminham para processos de criação, de 
análise e de contextualização. Criamos algo relacionando com o que aprendemos, 
assim, contextualizando através de uma leitura crítica do que estamos 
desenvolvendo. Segundo Barbosa (2010, p. 33):
O que a arte/educação contemporânea pretende é formar o 
conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. Uma sociedade 
só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção 
artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de 
entendimento desta produção pelo público.
O professor de arte precisa explorar em sala de aula a história da arte, 
os conteúdos essenciais por faixa etária através dos eixos de aprendizagem que 
norteiam a prática artística. Para Barbosa (2010, p. 36):
Um currículo que interligasse o fazer artístico, a análise da obra de arte 
e a contextualização estaria se organizando de maneira que a criança, 
suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam 
sendo respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a 
matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição 
específica para a cultura.
A prática do fazer artístico é a própria produção do aluno. No momento 
da leitura de imagem, na análise e observação, os alunos aprendem conceitos, a 
própria história da arte. “Esse eixo trata das ações que envolvem o exercício da 
percepção” (BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 65).
DICAS
Abordagem triangular no ensino das artes e culturas 
visuais (2010).
Este livro foi organizado por Ana Mae Barbosa e Fernanda Pereira 
da Cunha. O livro traz as principais pesquisas, teorias e discussões a 
respeito da abordagem triangular em qualquer área do conhecimento 
que também era chamada de metodologia ou proposta.
Prezado acadêmico, a seguir será apresentada, em subtópicos, a 
descrição sobre os campos conceituais da arte, os três eixos de aprendizagem da 
abordagem triangular de Barbosa, com atividades que podem ser desenvolvidas 
nas aulas de artes.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
37
4.1 LEITURA DE IMAGEM (FRUIÇÃO/ANÁLISE)
Ler é apreciar, observar, analisar, conhecer. Nas aulas de arte, a leitura de 
imagem está por toda parte, desde as obras artísticas até imagens do cotidiano. 
Estamos analisando, apreciando, lendo, imaginando sobre tudo o que vemos. A 
apreciação/análise/fruição fazem parte da aula de arte, conhecer a obra e o artista, 
saber como foi feita, quais materiais utilizados.
Precisamos educar o olhar do nosso estudante, mostrando e conhecendo 
as diversas linguagens e manifestações artísticas. Assim, para você acadêmico, 
apresentamos sugestões relacionadas às leituras de imagem, levando o aluno para:
• Ver sites de museus virtuais, visitando e apreciando obras de artistas.
• Visita pedagógica a museus, galerias e exposições da própria cidade ou estado.
• Mostrar filmes e reproduções de obras de arte (imagens impressas ou 
projetadas).
• Convidar artistas para visita em uma escola em uma aula de arte para mostrar 
seu trabalho e dialogar sobre sua criação artística.
• Analisar imagens de livros, revistas, redes sociais, outdoors, TV, arte na rua e 
entre outros, expandindo o campo de visualidade cultural.
No entanto, o eixo artístico da leitura de imagem refere-se à contemplação, 
fruição, análise e interpretação. Para Iavelberg (2003, p. 75):
[...] o desenvolvimento da compreensão estética é saber apreciar 
objetos de arte com a propriedade que é possível a cada momento 
conceitual dos sujeitos que compõem o público de apreciadores. Ainda 
podemos supor que, quando o fazer arte está associado à apreciação, 
ela se enriquece e amplia os conhecimentos de arte do público.
 
Portanto, para Iavelberg (2003), destacam-se os seguintes níveis de 
desenvolvimento da compreensão estética de leitura de imagem:
a) Para Edmund Feldman (1970), o processo de leitura envolve a descrição, a 
análise, a interpretação e o julgamento da obra.
b) Para Abigail Housen (1983), o processo é narrativo, construtivo, classificatório, 
interpretativo e recreativo.
c) Robert William Ott (1984) sugere descrever, analisar, interpretar, fundamentar 
e revelar a leitura da obra.
d) Para Michael Parsons (1987), a leitura envolve a preferência, beleza e realismo, 
expressividade, estilo e forma, autonomia.
 
Para entender melhor, temos a seguir um exemplo de proposta prática 
referente à leitura de imagem. A leitura de imagem foi apresentada por Barbosa 
em seu livro A imagem no ensino da arte (2010) e adaptada à obra de Pablo Picasso.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
38
FIGURA 24 – OBRA DE ARTE: TRÊS MÚSICOS DE PABLO PICASSO (1921)
FONTE: <https://www.moma.org/collection/works/78630>. Acesso em: 8 jun. 2018.
A obra Os três músicos, de Pablo Picasso, pode ser apresentada instigando 
o processo de leitura que envolve a descrição, a análise, a interpretação e o 
julgamento da obra como Feldman sugere. Para o desenvolvimento da atividade 
de leitura de imagem, o professor poderá instigar o grupo de alunos fazendo 
perguntas como:
• Descrição: o que você vê? O que identifica na imagem? Observe a fichatécnica 
do trabalho. Descreva tudo o que identifica organizando uma lista de coisas.
• Análise: como a obra está organizada? Quais são as cores e formas que se 
destacam? Que personagens são retratados na pintura? Verifique os elementos 
visuais usados na obra.
• Interpretação: o que está acontecendo na imagem? O que será que o artista 
queria dizer nesta criação? É possível ouvir alguma coisa ou identificar a 
música que estão tocando? Escreva contando o que acha.
• Julgamento: você gosta da temática da criação? O que pensas acerca da obra de 
Pablo Picasso?
As perguntas ajudam os alunos a analisar e refletir sobre a imagem. Assim, 
“a leitura da obra de arte deve propor problemas e não somente dar soluções” 
(BARBOSA, 2010, p. 67). A leitura de imagem faz pensar, fruir, e é um exercício 
que exige muita atenção.
Barbosa (2010, p. 66) sugere ainda a seguinte atividade do fazer artístico: 
“proporia aos alunos experimentarem representar um objeto da mesma maneira 
que Picasso representou a mesa, colocando na representação vários momentos da 
percepção do objeto à medida que andamos em volta dele”.
Portanto, a leitura de imagem abrange a interpretação e contextualização 
em seu fazer artístico. “Cada pessoa, em cada época, tem direito à interpretação, 
desde que justificável formalmente; portanto, é necessário ler claramente os 
elementos formais e de composição primeiro” (BARBOSA, 2010, p. 79). 
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
39
Os elementos formais e de composição são os chamados elementos da 
linguagem visual como: o ponto, a linha, as formas, as texturas, as cores, as direções, 
os tons, o contraste, a escala, as dimensões, o movimento. A seguir apresentamos 
um quadro de análise estética que pode ser utilizado com os alunos em sala de aula.
FIGURA 25 – QUADRO DE ANÁLISE ESTÉTICA
 A N Á L I S E E S T É T I C A 
 
1. CONTEXTUALIZAÇÃO 
Título da obra: Autor: 
Local / Ano da obra: Dimensão: 
Técnica: Suporte: 
Movimento artístico: Função / Gênero da obra: 
Fatos destacáveis da época: 
 
Outras Influências: 
 
 
2. DESCRIÇÃO 
 
 
 
 
 
3. BREVE ANÁLISE DOS ELEMENTOS FORMAIS 
Ponto: 
Linha: 
Forma: 
Direção: 
Luz: 
Cor: 
Textura 
Escala: 
Perspectiva: 
Movimento do olhar: 
Volume (escultura): 
Superfície: 
Planos: 
Principais elementos: 
Disposição dos elementos: 
 
4. INTERPRETAÇÃO 
Qual a sua apreciação diante desta obra de arte? 
(Justifique sua resposta através do seu conhecimento técnico, da sua interpretação e do seu gosto pessoal). 
 
 
 
 
 
 
Todos os direitos reservados: www.historiadasartes.com FONTE: <http://www.historiadasartes.com/wp-content/uploads/2016/02/AnaliseEstetica-1.pdf>. 
Acesso em: 5 nov. 2018.
Caro acadêmico! Para aprofundar suas leituras sobre a leitura de imagem, 
leia mais neste artigo – Leitura de Imagem na Prática Pedagógica, de Daniele Rizental de 
Paula. FONTE: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1577-8.pdf>. 
Acesso em: 28 nov. 2018.
UNI
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
40
4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO 
A contextualização (conhecimento e contextualização conceitual-histórico-
cultural da produção artístico-estética da humanidade) na aula de artes é um 
campo conceitual que remete à reflexão e às relações dos aspectos históricos, 
sociais e culturais. As relações são feitas a partir da leitura de uma obra de arte e 
contextualizadas por meio de um fazer artístico, de uma escrita ou de uma conversa. 
Para Barbosa e Cunha (2010, p. 110), “a contextualização da obra de arte 
é um dos eixos da abordagem triangular que recebe grande influência de Paulo 
Freire [...]. É a ideia de que nunca se deve descontextualizar o ensino. O ensino 
deve estar sempre referido ao seu contexto”. 
Vamos a um exemplo de atividade através da obra chamada “O retorno 
de um proprietário”, do artista Debret. A partir da leitura de imagem foi possível 
realizar a contextualização por meio do fazer artístico. Jean Baptiste Debret, que é 
um artista francês que chegou ao Brasil no ano de 1816, pintou retratos de pessoas 
da nobreza e grandes acontecimentos da Corte. Ele foi uma espécie de fotógrafo, 
pois foi às ruas com papel e lápis e, assim, fez muitos desenhos de cenas do 
cotidiano das pessoas nobres e comuns do Rio de Janeiro. 
FIGURA 26 – OBRA O RETORNO DE UM PROPRIETÁRIO DE JEAN BAPTISTE DEBRET (1768-1848)
FONTE: <http://alunosonline.uol.com.br/historia-do-brasil/o-periodo-regencial-estado-
excludente.html>. Acesso em: 9 jun. 2016.
Na obra, é possível perceber que o pintor retratou sobre como os nobres 
eram levados pelas pessoas mais simples, talvez por escravos. Com os alunos, é 
importante questionar o seu cotidiano, seus costumes, se nos dias atuais ainda as 
pessoas são levadas de tal maneira, ou seja, carregadas em uma rede. 
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
41
FIGURA 27 – TELA VIVA FOTOGRÁFICA DA OBRA O RETORNO DE UM PROPRIETÁRIO
FONTE: Raach (2016, p. 93)
Segundo Barbosa (2010, p. 38), “a história da arte ajuda a criança a entender 
algo do lugar e tempo nos quais as obras de arte são situadas. Nenhuma força de arte 
existe no vácuo: parte do significado de qualquer obra depende do entendimento 
de seu contexto”. Assim, a importância de conhecimentos históricos, culturais, das 
relações do cotidiano do aluno faz parte do ensino de artes visuais.
Portanto, a contextualização da obra de arte é uma maneira de se aproximar 
da realidade do aluno, trazendo resultados significados que fazem parte da história 
de vida, isto é, “não são diferentes significados, mas diferentes implicações ou 
significações” que os alunos trazem em seu fazer artístico (BARBOSA, 2010, p. 40).
DICAS
Leitura de artigo: A proposta triangular de arte. Este artigo traz um resumo das 
pesquisas de Maria Cristina Monteiro, um material didático que traz trechos significativos dos 
PCN e resumos de teses/dissertações. É um texto de referência para todos os professores 
que estão atuando no ensino escolar. FONTE: <https://siaiap32.univali.br/seer/index.php/rc/
article/viewFile/830/681>. Acesso em: 28 nov. 2018.
Portanto, com a leitura de imagem e contextualização da obra, o fazer 
artístico foi de um grupo de alunos que dramatizou a cena, fazendo uma espécie 
de tela viva. Houve o registro em fotografia e posteriormente foi editada, 
melhorando a qualidade da composição artística. O resultado da contextualização 
pode ser observado no fazer artístico que se encontra na figura a seguir:
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
42
4.3 FAZER ARTÍSTICO (CRIAÇÃO/ PRODUÇÃO)
O fazer artístico na aula de artes não é apenas o “fazer por fazer”, por isso, 
neste eixo temático da criação, temos algumas dicas e sugestões de como dialogar 
sobre as produções com os estudantes. Assim, “a prática sozinha tem se mostrado 
impotente para formar o apreciador e fruidor da arte” (BARBOSA, 2010, p. 42). Como 
primeiro exemplo, o professor chega e pergunta aos estudantes: Alunos! A atividade 
de hoje é fazer uma casa e uma árvore no caderno de desenho. Podem começar.
A partir da proposição, os alunos provavelmente irão fazer seus desenhos 
por meio da memória. As criações se tornam simples, faltando repertório 
imagético, isto é, para as criações serem mais abrangentes e não ficarem sempre 
nos mesmos resultados, os estudantes precisam ter conhecimentos sobre diversos 
materiais, técnicas e suportes. 
Trazer obras de arte ou imagens sobre a questão solicitadaaos alunos faz 
com que os desenhos não sejam iguais, esteriotipados. Procure obras de arte ou 
imagens do cotidiano que explorem a variedade de casas e árvores e apresente 
aos alunos.
Para alcançar os objetivos das atividades que são propostas em sala de 
aula, o professor precisa de um planejamento que apresente formas de trabalho, 
estimulando realizar criações com embasamento teórico, ajudando a entender o 
processo do fazer. 
Assim, “do ensino das artes correspondem as quatro mais importantes 
coisas que as pessoas fazem com a arte. Elas a produzem, elas a veem, elas 
procuram entender seu lugar na cultura através do tempo, elas fazem julgamento 
de sua qualidade” (BARBOSA, 1991, p. 36-37). Fazer artístico é produzir, criar 
algo, onde se procura refletir sobre ele. Na imagem a seguir, temos um exemplo 
a partir da escolha de uma imagem do cotidiano.
FIGURA 28 – PROPAGANDA DO CHINELO HAVAIANAS
FONTE: <http://marcas.meioemensagem.com.br/havaianas/>. Acesso em: 5 nov. 2018.
TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES
43
É preciso relacionar uma imagem do cotidiano, um objeto como o chinelo 
que todos os alunos devem ter em casa ou usam na escola. Como leitura de imagem 
e contextualização poderão ser propostas algumas perguntas que instigam a análise 
da imagem, como os elementos visuais (cores, linhas, texturas), a história do chinelo 
relacionado com a moda, o que destaca na imagem para ser propaganda, ou por 
quais caminhos podemos caminhar em nossas vidas, entre outras perguntas. 
Para o fazer artístico, pode-se propor a criação de desenhos/pinturas sobre 
chinelos velhos usados ou até sapatos usando tintas e materiais diversos. Cada 
aluno poderá escrever uma palavra que gostaria que estivesse em seu trabalho, 
como palavras que incentivem os seus caminhos como: saúde, alegria, fé, amor, 
paz, explorando os sentimentos dos alunos em relação as suas vidas, ao seu 
convívio familiar, por exemplo. Quando prontas as criações, criar uma instalação 
artística, pendurando e recriando um novo espaço com os objetos.
FIGURA 29 – EXEMPLO DE INSTALAÇÃO ARTÍSTICA EM ESPAÇOS DIVERSOS
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/300685712592572758/>. Acesso em: 7 nov. 2018.
DICAS
No site Portal do Professor do MEC, encontramos planos de aula através dos 
eixos temáticos do fazer, ler e contextualizar. Aproveite e pesquise para construir seus planos 
de aula! FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=7886>. 
Acesso em: 28 nov. 2018.
44
Neste tópico, você aprendeu que:
• As abordagens teóricas e práticas no ensino de arte ajudam a aprimorar as 
habilidades, competências e conhecimentos dos alunos.
• Os professores de arte precisam ter conhecimentos teóricos/práticos acerca dos 
conteúdos de arte, fazendo leituras, pesquisas e exercícios práticos.
• As linguagens da arte se subdividem em áreas de conhecimento como: visuais, 
teatro, dança e música.
• Os campos conceituais (a criação/produção, a percepção/análise e o 
conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção 
artístico-estética da humanidade) estão apresentados por meio da abordagem 
triangular de Ana Mae Barbosa.
• A abordagem triangular de Barbosa acontece pelos campos conceituais ou eixos 
de aprendizagem do fazer artístico, da leitura de imagem e da contextualização.
RESUMO DO TÓPICO 1
45
1 A linguagem das artes se apresenta em diversas manifestações artísticas. 
Responda quais são as manifestações artísticas que contemplam as artes visuais.
a) ( ) pintura, luz, cinema, música.
b) ( ) cinema, teatro, pintura, escultura.
c) ( ) dança, teatro, fotografia, cor.
d) ( ) desenho, pintura, escultura, gravura.
2 Nas aulas de artes, é preciso que o professor possibilite aos alunos na 
linguagem das artes visuais o acesso aos campos conceituais da criação/
produção, da percepção/análise e o conhecimento e contextualização 
conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade. 
Verifique as questões a seguir respondendo verdadeiro (V) ou falso (F) e 
qual resposta está correta:
( ) Criação/produção é o fazer artístico, produzir, criar algo, em que se 
procura refletir sobre ele.
( ) Percepção/análise é observar, analisar, conhecer. Assim, a apreciação/
análise/fruição fazem parte da aula de arte, conhecer a obra e o artista, 
saber como foi feita, quais materiais utilizados.
( ) A contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-
estética da humanidade refere-se a relações que são feitas ao contexto 
atual, e que nunca se deve descontextualizar o ensino. O ensino deve estar 
sempre referido ao seu contexto.
a) V – V – F.
b) F – F – V.
c) V – V – V.
d) F – F – F.
3 Organize e elabore um plano de aula que apresente os campos conceituais 
através de um conteúdo escolhido por você. Escolha uma turma para 
posteriormente aplicar. Não se esqueça de elaborar seus objetivos, 
procedimentos metodológicos e avaliação.
 Sugestão para o plano através dos campos conceituais, o que deve contemplar 
na elaboração:
Turma:
Tema:
Conteúdo:
Objetivos:
Metodologia:
Campos conceituais: Descrever as ações/atividades que serão exploradas.
AUTOATIVIDADE
46
47
TÓPICO 2
EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO 
DOCENTE EM ARTES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A arte está presente na escola através de experiências educacionais, 
artísticas e culturais diversas. Como professores precisamos dispor aos nossos 
alunos o contato com as diversas linguagens artísticas, mas para isso, caro 
acadêmico de artes visuais, é preciso também realizar criações, atividades, fazer 
experimentações, ter a vivência artística que poderá ser proposta em sala de aula 
com seus alunos. 
O contato cultural se apresenta desde o início da história da humanidade. 
A arte já se fazia presente através dos desenhos feitos nas paredes das cavernas, 
chamados de arte rupestre. Assim, a produção artística manifestou-se em todos os 
períodos da história da arte, e todos com grande potencial criativo, continuando 
ainda nos dias atuais. Nas crianças menores, na educação infantil, por exemplo, 
são feitos estímulos mais significativos, através de atividades lúdicas que tragam 
aprendizagens significativas.
Como docentes, precisamos criar maneiras e métodos para o ensino 
de arte, mostrando a arte, as linguagens artísticas para os alunos através da 
curiosidade, por meio de perguntas, instigando o aluno a pensar e refletir. 
Assim, querido acadêmico, futuro ou atual professor de arte, é preciso sempre 
se atualizar, estudando, buscando conhecimento nas diferentes áreas artísticas. 
Neste tópico, você, acadêmico, refletirá sobre o papel do docente, suas formações 
e experiências educacionais com os educandos.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
48
2 MODOS DE APRENDER DOS EDUCANDOS
O papel do docente na disciplina de arte é fazer com que os estudantes 
participem, reflitam sobre o fazer artístico. Precisamos estar atentos para aulas 
que instigam a curiosidade, a sensibilidade, trazendo significados para as suas 
criações, vivenciando todos os momentos da sua produção e compreendendo a 
arte num todo. Para Iavelberg (2003, p. 79):
Ensinar a criar requer maturidade e experiência de criação na área 
em que se ensina; requer generosidade, conhecimento sobre o ensino 
e sobre aprendizagem, conhecimento de arte e, ainda, desejo e 
entusiasmo com o desenvolvimento do outro. Ensinar a criar é uma 
prática nova – ainda que muito antiga- e preciosa. Hoje, nenhuma 
mudança em educação pode ocorrer em larga escala sem um grande 
número de formadores habilitados, competentes, que dominem e 
articulem saberes de diversas procedências.
No entanto, o professor de artes precisa dominar os conteúdos, fazer 
leituras e, assim, pensar em articulações comos campos conceituais em sala 
de aula. Para isso, os modos de aprender dos educandos referem-se a práticas 
educativas. É quando o professor apresenta um conteúdo de maneira que a 
aprendizagem se torne significativa. 
Segundo Freire (1996, p. 69), “toda prática educativa demanda a existência 
de sujeitos, um que, ensinando, aprende, outro que aprendendo, ensina”. Assim, 
há uma troca de saberes em sala de aula. Os alunos e professores aprendem e 
ensinam juntos, dialogam sobre os saberes.
Para uma prática educativa nas aulas de artes, trazer o cotidiano do aluno 
para dentro da sala de aula faz mais sentido e, assim, suas experiências artísticas 
se tornam relevantes, como:
Quando as obras são apresentadas às crianças que também 
fazem atividades artísticas, percebe-se que elas adquirem novos 
repertórios, principalmente aqueles referentes à sua região, seu país, 
sua comunidade e são capazes de fazer relações com suas próprias 
experiências (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 74).
Como docente, é importante propor atividades nas aulas de arte, nas 
suas diversas linguagens, que se aproximam da realidade do aluno, ao contexto 
escolar a que está atendendo. Os educandos precisam de diferentes espaços, com 
um ensino voltado para a realidade, trazendo qualidade na formação cultural dos 
estudantes. Para Raach (2016, p. 44):
A arte na escola se faz com o diálogo entre as imagens, evidenciando 
os diversos momentos que remetem à construção cultural. A aula 
de arte acontece por meio de seus diferentes espaços: a sala de aula, 
os ambientes digitais virtuais, a visita a um espaço cultural e ao ar 
livre. A partir do significado da palavra arte, e de como se apresenta 
no currículo escolar, temos a técnica, a disciplina, os conteúdos, as 
linguagens artísticas, as representações do mundo, em suma, uma 
área de conhecimento. 
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
49
Assim, percebe-se que o conhecimento artístico pode ser ampliado a 
partir de experiências em espaços alternativos, como levando os alunos para 
museus e galerias ou nas cidades menores, que não possuem espaços culturais; 
levar os alunos para observarem e realizarem desenhos de observação de alguma 
arquitetura da cidade ou até mesmo pinturas ao ar livre.
FIGURA 30 – ARTE EM SEUS DIVERSOS ESPAÇOS
FONTE: Raach (2016, p. 44)
A imagem mostra um pouco da arte em seus diversos espaços, do sair 
da sala de aula. É preciso levar o estudante para poder visitar outros locais da 
cidade, conversar sobre as praças, por exemplo, conhecer sua história. Pode-se 
também propor análise de imagens culturais como placas, outdoors, propagandas. 
Explorar o cotidiano do aluno é um modo de aprender.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
50
FIGURA 31 – OUTDOOR CRIATIVO
FONTE: <http://keitesoares.blogspot.com/2012/10/outdoor-criativo.html>. 
Acesso em: 5 nov. 2018.
 Os conteúdos e conceitos de artes visuais devem ser ensinados através 
de propostas pedagógicas, com orientações que alcancem os modos de aprender 
dos educandos. Assim, devem assegurar a participação de todos na aula de artes. 
Segundo Raach (2016, p. 44):
O estudante cria composições artísticas através da pesquisa, da 
vivência e do coletivo. Dessa forma, a construção do conhecimento em 
arte instiga momentos de diálogo com o objeto de conhecimento, o 
fazer, o ler e o contextualizar em sala de aula.
Retomando novamente a abordagem triangular de Barbosa (o fazer artístico, 
a leitura de imagem e a contextualização se mostram importantes nos modos de 
aprender dos educandos), é relevante instigar o aluno através de perguntas ao 
olhar imagens, objetos, refletindo a partir de alguns questionamentos como: 
[...] esta obra muda alguma coisa na forma de representar o que ela 
pretende representar? Esta obra muda algo em mim? Esta obra muda 
algum conceito de arte? Esta obra opera alguma mudança na arte 
hoje? Qual a mudança que ela significa para a arte de outros tempos 
ou para a arte em diversos outros tempos? (BARBOSA, 2010, p. 44).
A partir das perguntas que podem nortear um modo de aprendizagem dos 
educandos, a obra de arte a seguir, chamada “A noite estrelada”, de Vincent Van 
Gogh, sugere para observar o ritmo e movimento que encontramos na pintura.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
51
FIGURA 32 – OBRA A NOITE ESTRELADA DO ARTISTA VINCENT VAN GOGH (1889)
FONTE: <http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=410>. 
Acesso em: 8 jun. 2018.
A obra chamada “A noite estrelada” foi pintada por um grande artista 
holandês, Vincent van Gogh (1853-1890), que pertenceu a um período de arte 
chamado impressionismo. Alguns estudiosos até dizem que o artista já faz parte 
de outro período, o pós-impressionismo. 
Assim, o artista desenvolveu a pintura “A noite estrelada” a partir da sua 
memória e não por meio de uma observação, isto é, olhando uma paisagem, um 
local, por exemplo. A pintura foi feita quando o artista tinha 37 anos de idade e 
estava em um asilo que se localizava em Saint-Rémy-de-Provence. O quadro foi 
pintado com tinta a óleo e feito em junho de 1889.
Com os alunos em sala de aula, é possível desenvolver a leitura de imagem 
e contextualização, analisando os dados técnicos, os elementos da linguagem 
visual (cor, ritmo, textura e movimento), fazendo relações com o cotidiano. Assim, 
como sugestão, no fazer artístico é possível realizar trabalhos que enfatizam os 
conteúdos de arte, como os elementos visuais, o uso de linhas, texturas e cores, a 
materialidade expressada na obra.
Além disso, a apreciação artística de uma obra de arte é também composta 
pelos créditos, que são os dados principais da obra que são encontrados nas fichas 
técnicas, isto é, em museus (exposições). As fichas localizam-se do lado das obras 
de arte, ou em obras impressas. Estas devem estar no verso da imagem ou no 
decorrer de um texto. 
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
52
Nesse sentido, continuando a observar a pintura “A noite estrelada”, de 
Vincent van Gogh, é possível realizar a seguinte descrição através de perguntas, 
que podem ser usadas como um roteiro para aperfeiçoar a análise crítica reflexiva, 
ou melhor, a leitura e contextualização de uma obra de arte.
Observe os créditos de A noite estrelada por Vincent Van Gogh [...]. 
Qual mistura foi usada para criar esta pintura? Qual o tamanho desta 
pintura? Observe a maneira como a tinta foi aplicada à tela. O que 
você vê? Agora descreva tudo o que você vê na pintura. Para ajudá-
lo a organizar seus pensamentos, comece listando as coisas que você 
reconhece no primeiro plano. Então liste as coisas que você vê no plano 
do meio, ao fundo e no céu (BARBOSA, 2009, p. 74).
Para isso, a ficha técnica ou chamados créditos de uma obra de arte ajudam 
a pensar, refletir e responder às perguntas sugeridas anteriormente. 
Agora, seguindo para outra etapa de análise da mesma obra, “A noite 
estrelada”, de Vincent van Gogh, podemos verificar como a obra está organizada 
e estruturada através de perguntas motivadoras, que instigam o nosso olhar 
para a imagem.
Antes de você estudar a maneira que Van Gogh utiliza o ritmo, 
observe os diferentes elementos artísticos que ele usa. Agora olhe a 
maneira como o artista arranjou as sombras, formas e espaço. Existe 
algum espaço negativo totalmente vazio? Qual o efeito expressivo das 
sombras maiores? As cores neste trabalho são importantes. Onde você 
encontra as cores mais brilhantes? A seguir estude as texturas. Van 
Gogh está tentando imitar as texturas reais dos objetos? A textura das 
pinceladas é mostrada? Agora você está pronto para observar os ritmos 
visuais em A noite estrelada. Quais os elementos e objetos usados 
como motivo neste trabalho? Descreva-os. Quetipos de ritmos Van 
Gogh utilizou? Você pode encontrar exemplos de ritmos regulares? 
Você vê algum ritmo alternativo? (BARBOSA, 2009, p. 74).
Após a análise da obra de arte por meio de perguntas, seguimos para a 
interpretação da imagem, com mais alguns questionamentos, indagando:
O que está acontecendo? O que o artista está tentado dizer? [...] 
coloque-se na posição do artista, imagine os pensamentos que 
estavam correndo através de sua mente enquanto ele pintava. Escreva 
palavras ou frases que ele devia estar pensando. Escreva um parágrafo 
explicando sua interpretação (BARBOSA, 2009, p. 74 -75).
Novamente pensando e analisando um pouco mais da obra de arte através 
da contextualização, referindo sobre o julgamento desta obra, reflita: O que você 
pensa acerca da, pintura? Você gosta do assunto desta pintura? Você gosta da 
maneira pela qual o artista organizou os elementos de arte? A pintura toca seus 
sentimentos? (BARBOSA, 2010). 
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
53
Com isso, o exemplo sobre a obra “A noite estrelada”, de Vincent van Gogh, 
traz possibilidades de estudos de uma imagem através de muitas perguntas que 
norteiam a sua análise. Segundo Barbosa (2010, p. 44), “a obra de arte deve ser 
saboreada, e requer para isto uma concentração de significados que advêm de sua 
complexidade. A obra para ter qualidade estética deve ter o poder de sumarizar 
múltiplos significados”.
Modos de aprender é saborear uma imagem, isto é, o espectador precisa 
desenvolver a capacidade de criar múltiplas interpretações, tudo por meio de 
perguntas que instigam a curiosidade. Os educandos precisam ser convidados, 
motivados, provocados a exercitar o olhar através de práticas de aprender a 
observar, ouvir, ver, tocar e assim, refletir sobre as imagens. Segundo Martins, 
Picosque e Guerra (2010, p. 119), “ensinar – que epistemologicamente significa 
apontar signos – é deixar que o outro construa sentidos, isto é, viva a experiência e 
construa signos internos na busca de compreender conceitos, processos e valores”.
Como professor de arte, é preciso de mediação para trazer a imagem 
para ser observada e saboreada numa aula. A participação do aluno irá motivar 
e decidir os caminhos que irá percorrer na análise de uma obra, como vemos 
segundo Iavelberg (2003, p. 77): 
Fazer a mediação entre o público e a obra é ensinar arte, apresentar 
objetos artísticos específicos é também educar com arte. Do ponto de 
vista da didática da arte, o educador cria ao fazer a mediação das obras 
e, nesse sentido, vive momentos análogos aos do artista em seu espaço 
de trabalho. Nada ou muito pouco em sua prática é preconcebido.
No entanto, a aula de arte, o planejamento de um conteúdo pelo professor, 
muitas vezes, percorre outros caminhos, dependendo da turma de alunos. Através 
da leitura e contextualização da imagem poderemos remeter ao fazer artístico de 
outra maneira, isto é, uma prática que não é preconcebida, ela surge da necessidade, 
dos interesses e curiosidades dos alunos a partir da mediação do professor.
 
Na linguagem da arte, há criação, construção, invenção. O ser humano, 
por meio dela, forma, transforma a matéria oferecida pelo mundo da 
natureza e da cultura em algo significativo. Atribui significados a sons, 
gestos, cores, com uma intenção, num exercício que mais parece um 
jogo de armar, um quebra-cabeça no qual se busca a forma justa. Vários 
caminhos são percorridos, várias soluções são experimentadas, num 
processo de ir e vir, um fazer/construir lúdico-estético (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 47).
Assim, a aula de arte acontece por meio da criação, de exercícios de 
construção e reconstrução, de processos de ir e vir, de experimentações, de 
momentos artísticos diversos. 
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
54
IMPORTANT
E
Projeto Arte na Escola
O Instituto Arte na Escola é uma associação 
civil sem fins lucrativos que, desde 1989, 
qualifica, incentiva e reconhece o ensino 
da arte, por meio da formação continuada 
de professores da Educação Básica. Tem 
como premissa que a arte, enquanto objeto 
do saber, desenvolve nos alunos habilidades 
perceptivas, capacidade reflexiva e incentiva a 
formação de uma consciência crítica, sem se 
limitar à autoexpressão e à criatividade.
FONTE: <http://artenaescola.org.br/
institucional/>. Acesso em: 5 nov. 2018.
3 APRENDENDO A APRENDER
Neste momento, vamos conversar sobre o aprender como docente. O professor 
deve estar disposto a conhecer, a experimentar, a criar e, assim, a poder explorar em 
sala de aula com os educandos o conhecimento de maneira mais significativa.
DICAS
Aprender a aprender
O Vídeo “Aprender a aprender” encontramos 
no site do YOUTUBE no seguinte link: <https://
www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_
EmzI>. Acesso em: 11 dez. 2018.
O vídeo nos traz uma reflexão sobre a 
arte de ensinar e aprender através de uma 
animação que mostra a relação entre o 
mestre e seu aprendiz. 
FONTE: <http://animacurtas.blogspot.com/2011/08/aprender-aprender.html>. Acesso em: 
11 dez. 2018.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
55
Para se dedicar como professor de arte no século XXI, é preciso estar 
sempre se atualizando, fazendo leituras, visitando exposições, buscando 
formação e conhecimento na área em que atua. Muitas ideias e estratégias de 
ensino são necessárias e também maneiras de como lidar com os alunos que vêm 
com atitudes, hábitos, valores que muitas vezes precisamos ensinar ou rever. 
“Cada aula, como um jogo de aprender e ensinar, é um instante mágico. 
Requer preparação e coordenação especiais, de mãos habilidosas que tocam, que 
apontam, que escolhem contextos significativos para o aprendiz tecer sua rede de 
significações” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 119).
O professor de arte precisa ter autonomia e capacidade de decisão em 
momentos diversos da aula de artes e muita criatividade. A aprendizagem 
dos alunos é um processo contínuo, e nas aulas de artes o fazer não é apenas o 
resultado de uma atividade, e sim, são todas as etapas da criação que fazem parte 
da aula e da avaliação. Para Barbosa (1975, p. 94):
[...] os professores de arte precisam, em primeiro lugar, de sólidos 
conhecimentos teóricos acerca das teorias da Arte-Educação, e de 
um modo de pensar acerca da arte que possa ajudá-los a definir as 
atividades artísticas na escola e a arte na sociedade moderna, sua 
função e praticalidade.
Aprender a aprender é estar constantemente fazendo avaliações e reflexões 
de suas práticas de sala de aula, e podendo mudar e melhorar suas ações, seu 
planejamento, seu jeito de ser, suas estratégias de ensino. Muitas vezes, como 
professores de arte, realizamos um planejamento de conteúdos para determinada 
turma de alunos, mas na prática diária, no dia a dia da sala de aula, precisamos 
fazer alterações, mudanças de atividades, conteúdos, observando a realidade da 
turma, os questionamentos e curiosidades que aparecem no decorrer das aulas. 
Para isso, os professores precisam superar limites na busca de novas 
aprendizagens, revendo seus modos de aprender, suas competências para uma 
prática mais reflexiva, observando também os educandos. Segundo Barbosa 
(1975, p. 94):
É igualmente importante para o arte-educador desenvolver ideias 
acerca de prioridades relacionadas com objetivos e métodos, e 
acerca das imposições do mundo exterior sobre a substância da Arte-
Educação, assim como a óbvia necessidade de conhecer a criança, 
seu desenvolvimento físico, neurológico, intelectual, emocional, 
perceptivo e expressivo-comunicativo.
 
Assim, professores de arte, desde o início de sua formação, de seus estudos, 
precisam estar engajados em uma formação continuada, na busca do aprender 
a aprender, pois é preciso adaptarmuitas vezes as aulas de arte, dependendo 
de situações ocorridas com os alunos. Devemos ter sabedoria, postura crítica e 
tomada de decisões.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
56
O professor de arte pode promover espaços de reflexão, sendo 
multiplicador de ideias, motivador de estímulos para os alunos enfrentarem os 
trabalhos propostos em sala de aula. Ser um profissional reflexivo, estimulando 
e mediando os alunos na construção do conhecimento em arte. Assim, segundo 
Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51):
Nesse sentido, arte é conteúdo e forma. Ambos são inseparáveis, um 
não vive sem o outro, são processos simultâneos. Se ao conteúdo está 
associada a temática, à forma está associada a marca do autor, a sua 
poética, o seu modo de fazer/ mostrar/expressar esse conteúdo.
Na figura a seguir encontramos exemplos de obras de arte que retratam 
a mesma temática por meio de vários artistas. Aprender e ensinar aos alunos 
modos diferentes de fazer e expressar arte.
FIGURA 33 – EXEMPLOS DE OBRAS DE ARTE COM A MESMA TEMÁTICA POR MEIO 
DE VÁRIOS ARTISTAS
Obra: Os corredores”, do pintor 
francês Robert Delaunay (1885-1941. 
O óleo sobre canvas foi produzido em 
1924.
O Time”, do cearense Aldemir Martins 
(1922-2006), acrílica sobre tela produzida 
em 1966.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
57
Mural do inglês Bansky, criado 
por ocasião da realização dos Jogos 
Olímpicos de Londres, em 2012.
“Os jogadores de Futebol”, do russo 
Nicolas de Stael (1914-1955). Óleo 
sobre canvas, produzido pelo artista 
em 1952.
“Pipas e sonhos”, do grafiteiro paulista 
Kobra, um dos pôsteres produzidos 
por artistas brasileiros para os Jogos 
Olímpicos 2016.
FONTE: <https://www.metropoles.com/entretenimento/exposicao/10-obras-de-arte-de-
diferentes-epocas-inspiradas-pelos-esportes-olimpicos>. Acesso em: 14 jul. 2018.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
58
As imagens mostram a mesma temática, obras de arte com o tema futebol 
de maneiras diferentes, sendo possível ver as diferenças através das marcas dos 
próprios artistas, seu jeito de criar e retratar, assim, pinturas que mostram em 
diferentes perspectivas a temática. Por isso, podemos perceber que, “tudo na 
obra de arte tem uma intenção. Há uma intenção em cada gesto, cor, movimento, 
postura” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 48).
4 REFLEXÃO CRÍTICA
A reflexão crítica faz parte do ensino de artes. Os professores, em sua 
docência, precisam ter o hábito de analisar e refletir sobre sua prática, suas ações 
em sala de aula, os resultados obtidos de um planejamento aplicado. 
Cada docente, com o passar do tempo, em suas experiências cria seu 
próprio percurso de sala de aula. É preciso formar alunos que vejam a arte em 
suas vidas através de novos olhares. Segundo Raach (2016, p. 47), “a arte convida 
a um novo olhar, para pensar um ensino voltado para a formação de estudantes 
mais conscientes sobre a importância das artes em suas vidas, para a construção 
de valores e desenvolvimento da criatividade e mudanças no contexto atual”. 
As aulas de artes devem ser um espaço de reflexão. O professor poderá 
trazer provocações, questionamentos acerca das diversas manifestações artísticas. 
As obras de arte ou imagens do cotidiano estão presentes e trazem conceitos 
e ideias, trazem interação com o artista. Observando as imagens, as obras de 
arte, temos contato com diversos elementos históricos, artísticos, culturais de 
determinado tempo/época que estão em constante transformação. 
Se o conhecimento está sujeito à perpétua transformação ao longo do 
tempo, a formação do educador também deve ser constante. Nesse 
sentido, a formação inicial é revisitada pelo imaginário do monitor 
contemporâneo, à medida que realiza sua formação contínua. Como 
um historiador de si mesmo, o educador reescreve sua biografia 
profissional todos os dias e a reconstrói conforme seu imaginário se 
transforma, orientado por suas experiências de aprendizagem em 
sentido lato (IAVELBERG, 2003, p. 78).
Assim, os professores necessitam estar atentos às transformações diárias 
e dar importância às leituras em arte, atualizações, cursos, estar como docente 
sempre aprendendo, buscando novos conhecimentos. 
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
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DICAS
O livro Iniciação à docência em artes visuais, 
um guia com experiências, contém 144 páginas da editora 
Oikos e foi produzido pela professora Paola Zordan, junto 
com estagiários e bolsistas de arte no ano de 2011. O livro 
fala do planejamento nas aulas de arte, sugestões, relatos de 
angústias e dúvidas de ser professor de artes visuais.
Segundo Tati e Machado (2004, p. 5), “um grande artista não é 
necessariamente um grande professor, e vice-versa. Mas para ser um bom 
professor é muito importante vivenciar a proposta antes de trazê-la”. 
Assim, o professor de arte precisa observar a faixa etária dos alunos que 
irá atender, planejando seu conteúdo através da realização de atividades, estas, 
que se puder, sejam experienciadas antes, vivenciadas talvez pelo professor 
para perceber as futuras dificuldades ou imaginar o processo desta criação, dos 
materiais necessários e de como será executada a atividade em sala de aula com 
os alunos. Lembrando que cada aluno tem seu tempo de criação, por isso, não 
usar como modelo apenas sua experiência pessoal, deixando surgir a liberdade 
de expressão de cada aluno.
Segundo Barbosa (2010, p. 118), nas aulas de arte “o importante é 
que o professor não exija representação fiel, pois a obra observada é suporte 
interpretativo e não modelo para os alunos copiarem”. Trazer embasamento 
teórico é importante para análise e reflexão para as criações do fazer artístico.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
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DICAS
A imagem no ensino da Arte, de Ana Mae Barbosa (2010)
Este livro apresenta sobre a didática das artes no Brasil, promovendo 
leituras de obras de arte relacionando com metodologias de ensino. 
Aproveite e leia!
O ensino de arte voltado para momentos de experimentação artística 
traz acesso a diversas linguagens e materiais, sempre mostrando que através dos 
tempos a arte foi se aperfeiçoando, mudando, e que sempre estamos aprendendo 
no processo da criação.
Um professor de arte renascentista que fez uso de criação não foi nem 
mais nem menos avançado do que um professor contemporâneo que 
hoje cria suas aulas. Apenas se utilizam de recursos distintos. Trabalhar 
com têmpera ou com tinta acrílica, com construção ou desconstrução, 
com beleza ou estranhamento é uma decorrência de época. O problema 
reside na difícil compreensão de que é possível ensinar a criar, mesmo 
que isso tenha ocorrido de modos distintos ao longo da história. 
Hoje, podemos compreender que os homens aprendem como sujeitos 
do processo, a partir de experiências de aprendizagem significativa 
(IAVELBERG, 2003, p. 78).
Caro acadêmico, nas próximas unidades do livro de estudos, você 
encontrará mais reflexões, mais motivações para ensinar seu aluno a criar, ou 
seja, possibilidades de propostas pedagógicas em artes visuais.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
61
DICAS
Filme O sorriso de Monalisa
Este filme americano foi produzido em 2003. O título é uma 
referência à pintura famosa de Leonardo da Vinci, a Monalisa. 
O filme trata de uma professora de História da Arte, que leciona 
numa escola feminina e em suas aulas tenta “abrir a mente 
de suas alunas” enfatizando a livre expressão e a consciência 
crítica e não apenas a reprodução de conhecimento, falando 
sobre a mulher ter também seus sonhos e pensamentos.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO,FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
62
LEITURA COMPLEMENTAR
ABORDAGEM TRIANGULAR E CULTURA VISUAL
Possibilidades no ensino da arte complementares ou excludentes?
Sylvia Bojunga
Ao preparar planos de ensino e conceber projetos educativos nas diferentes 
linguagens artísticas, os professores de arte deparam-se com a necessidade de 
fazer escolhas. Diante da multiplicidade de tendências pedagógicas no campo do 
ensino das artes, que convergem conceitos e elementos constitutivos dessa área de 
conhecimento, que caminho escolher? Que pressupostos teóricos, metodológicos 
e político-pedagógicos estariam mais sintonizados com a contemporaneidade e 
a realidade escolar? Nesse cenário, fazemos a seguinte provocação: a abordagem 
triangular e a cultura visual se excluem?
Com a palavra, os especialistas que convidamos para expor seus pontos 
de vista são:
FERNANDO HERNÁNDEZ-HERNÁNDEZ
Professor da Unidade de Pedagogias Culturais da Faculdade de Belas Artes da 
Universidade de Barcelona, Espanha, é coordenador da Pós-graduação em Artes e Educação.
“Nada começa do zero: 
as tendências em ensino da arte 
se entrecruzam e transitam 
por espaços de diálogo.” 
Aprendi com Bruno Lattour que enfrentar perspectivas científicas esconde, 
na realidade, uma armadilha estratégica: enquanto se reafirma a existência de um 
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
63
foco através da negação de uma tendência anterior ou se defende a superação do 
que essa posição representava, o que se pretende, de fato, é reconhecer que ‘o novo’ 
emerge e acontece, porque aquilo que se rejeita, em algum momento, existiu.
Se fosse reconhecido, como defende Lattour, que nada parte do zero, seria 
possível assumir que não faz sentido ontológico ou epistemológico constituir um 
campo de conhecimento, uma perspectiva científica, uma tendência Educação das 
Artes Visuais contra… Isso pode ser feito, mas será uma estratégia para reafirmar 
posições de poder e controle e delimitar espaços de influência pessoais ou do 
grupo. Vejamos um exemplo.
Durante anos, a orientação predominante nas escolas foi o ensino do 
desenho (à mão livre, cópia…), posto que cumpria uma função social vinculada, 
principalmente, ao desenvolvimento de diferentes práticas industriais. Depois 
da Segunda Guerra Mundial, a perspectiva foi questionada por aqueles que 
sustentavam a importância de se permitir que os indivíduos se ‘expressassem’ 
sem quaisquer limitações a normas e métodos. 
Posteriormente, nos anos 1970, pela influência do cognitivismo e de um 
movimento favorável às disciplinas no currículo, principalmente nos Estados 
Unidos, foi colocada uma questão fundamental para uma virada na Educação das 
Artes, qual seja, é válido que os indivíduos se expressem, mas, o que aprendem 
quando assim o fazem? Isto levou à configuração da perspectiva da Educação 
Artística baseada nas disciplinas, a qual está relacionada à ‘proposta triangular’ 
apresentada pela professora Ana Mae Barbosa, em 1987. 
Contudo, chega-se a um ponto em que a arte contemporânea ultrapassa 
os limites da representação, e a reflexão cultural pós-moderna convida ao 
questionamento dos relatos hegemônicos sobre a arte e a própria história da arte. 
Além disso, surge uma crítica, a partir de posições relacionadas ao multiculturalismo 
e à justiça social, a algumas das contribuições da perspectiva disciplinar. 
Este movimento articula-se de forma díspar, em torno daquilo que Paul 
Duncum viria a chamar posteriormente de Educação Artística para a cultura 
visual. Cada uma das perspectivas, o desenho, o expressionismo, a perspectiva 
disciplinar ou a educação da cultura visual, surgem porque outras perspectivas 
oferecem elementos para o diálogo. Porque abrem caminhos para outras formas 
de pensamento, as quais possibilitam outras práticas. 
Os movimentos, as tendências dentro dos campos do saber ou das práticas 
sociais, sempre fazem parte de um diálogo entrecruzado. Ainda que não se 
reconheça, ainda que nos esforcemos em negar a existência do outro. Somos o que 
somos, abrimos caminho através das nossas ações, porque outros, anteriormente, 
abriram uma trilha que agora permite que continuemos a nossa. Sem o caminho 
aberto, não poderíamos avançar, ainda que esse caminho siga em outra direção. 
Por isso sempre avançamos em companhia, inclusive de onde que já consideramos 
que não fazemos mais parte, mas que foi um local onde aprendemos a explorar o 
território diverso e complexo das relações entre as artes e a educação.
UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO
64
Mas o fato é que, além disso, os caminhos coexistem, renovam-se e adquirem 
novo vigor a partir do surgimento de uma perspectiva que, inicialmente, pode até 
questioná-los. O desenho hoje é um valor em alta como forma de pensamento 
e representação, resgatada pela perspectiva das multimodalidades. A expressão 
foi revalorizada no campo das terapias criativas e adquiriu nova força junto a 
práticas performativas de expressão. 
A perspectiva disciplinar se expandiu, incorporando novos conhecimentos 
e saberes, e ampliando os sentidos das artes mais além dos limites inicialmente 
definidos a partir dos princípios modernistas que deram o impulso inicial. A 
educação da cultura visual é cada vez mais híbrida e superou a fase de ampliação 
de formas de representação, focando em formas de relação que dialogam não 
apenas com a complexidade das práticas artísticas contemporâneas, mas que 
incorporam formas de fazer decorrentes de outras tendências.
Por tudo isso, posicionar-se no enfrentamento pode ser entendido como 
necessidade de delimitar espaços de influência e poder. Mas perde o sentido 
quando se olha a partir da perspectiva que mencionei aqui: não se trata de clãs 
que vão a guerras estéreis para a conquista de novos territórios. Uns e outros 
fecundam se a atuação emana de posições não excludentes. Afinal de contas, 
todos nós perseguimos um mesmo fim: que seja reconhecido o valor cívico da 
educação desde as artes, para que dessa forma seja alcançada uma sociedade 
mais justa, na qual os indivíduos são livres para contar suas próprias histórias e 
reconhecidos como autores e portadores de saber. 
BELIDSON DIAS
Prof. associado do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da 
Universidade de Brasília, é pós-doutor pela Universidade de Barcelona, Espanha, doutor 
em Estudos Curriculares em Arte Educação – Artes Visuais pela British Columbia 
University, Canadá e líder do Grupo de Pesquisa do CNPq – Transviações: Educação e 
Visualidade (UnB/DF).
A Abordagem Triangular e a Educação da Cultura Visual, embora 
apresentem pontos de contatos e justaposições de práticas pedagógicas, contrastam 
categoricamente em seus projetos políticos e ideológicos. A Abordagem Triangular 
foca na busca por uma instituição que incluirá e ensinará arte como disciplina. Já 
na Educação da Cultura Visual, o foco está nas questões da visualidade da vida 
cotidiana como objetos materiais essenciais para os sujeitos em busca de seus 
empoderamentos individuais e de grupo.
A Abordagem Triangular propõe um currículo abrangente ao oferecer 
aos participantes um envolvimento com as artes, ensinando-lhes a olhar a arte, a 
utilização de técnicas de estúdio, aprendizagem das linguagens, o fazer e entender 
as obras de arte em seus contextos culturais e históricos. 
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES
65
Já a Educação da Cultura Visual destaca representações visuais do cotidiano 
como os elementos centrais que estimulam práticas de produção, apreciação e 
crítica de artes e que desenvolvem processos de pensamento simbólico, conceitual, 
crítico, cognição, imaginação, consciência social e sentimento de justiça com 
temáticas de gênero, sexualidade, raça, etnia, necessidades especiais, religião, 
entreoutras.
Desse modo, elas estariam apostas em relação ao uso multifacetado de 
práticas de ensino. Mas nem tanto! Apesar de ter pontos fortes, a Abordagem 
Triangular frustra na integração entre teoria e prática. De fato, ela ainda concentra 
excessivamente conteúdos curriculares formalistas e modernistas da arte, que 
não lidam assaz com as realidades, os contextos e as subjetividades pelas quais os 
estudantes veem, visualizam e constroem seus universos. 
Ao contrário, na Educação da Cultura Visual questões pedagógicas 
centradas em um currículo fundamentado no cotidiano expandido dos sujeitos 
os conduzem à consciência crítica social como um diálogo preliminar, que leva 
à compreensão e, então, à ação. Ela é uma concepção aberta para as criações 
pedagógicas de professores e alunos.
FONTE: BOJUNGA, Sylvia. Possibilidades no ensino da arte complementares ou excludentes? 
2015. Disponível em: <http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=75450>. Acesso em: 
26 maio 2018.
66
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• O papel do docente na disciplina de Artes é fazer com que os estudantes 
participem, reflitam sobre o fazer artístico. Precisamos estar atentos para aulas 
que instigam a curiosidade, a sensibilidade, trazendo significados para as suas 
criações, vivenciando todos os momentos da sua produção e compreendendo 
a arte como um todo.
• Modos de aprender é saborear uma imagem, isto é, o espectador ter a capacidade 
de criar múltiplas interpretações, tudo isso por meio de perguntas que instigam 
a curiosidade. Os educandos precisam ser convidados, motivados, provocados 
a exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar, ouvir, ver, tocar 
e refletir sobre as imagens.
• Aprender a aprender é fazer constantemente avaliações e reflexões de suas 
práticas de sala de aula. É poder mudar e melhorar suas ações, seu planejamento, 
seu jeito de agir, suas estratégias de ensino em sala de aula.
• A reflexão crítica faz parte do ensino de artes. Os professores em sua docência 
precisam ter o hábito de analisar e refletir sobre sua prática, suas ações em sala 
de aula e os resultados obtidos de um planejamento aplicado.
67
1 Responda qual é a questão correta que se refere aos modos de aprender dos 
educandos:
a) ( ) É poder criar espaços em sala de aula de maneira tradicional, onde 
apenas o professor direciona o conteúdo e as atividades.
b) ( ) É saborear uma imagem, isto é, o espectador ter a capacidade de 
criar múltiplas interpretações, tudo isso por meio de perguntas que 
instigam a curiosidade. 
c) ( ) É convidar e motivar para atividades de reprodução de obras de arte.
d) ( ) É poder exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar, 
copiar, ouvir e assim, refletir sobre as imagens.
2 O professor de Artes precisa:
( ) Ter autonomia e capacidade de decisão em momentos diversos da sala de 
aula e muita criatividade. 
( ) Observar a aprendizagem dos alunos, pois é um processo contínuo.
( ) Ver que nas aulas de artes o fazer artístico não é apenas o resultado de 
uma atividade, e sim, todas as etapas da criação fazem parte da aula e da 
avaliação. 
( ) De sólidos conhecimentos teóricos acerca das teorias da arte.
a) V, V, V, V.
b) V, F, V, F.
c) F, F, V, V.
d) V, V, F, V.
3 Pesquise sobre uma temática (escolha a temática, exemplos, casas, animais, 
retratos etc.). Escolhida a temática, pesquise obras de arte que mostrem qual 
é o artista que desenvolveu a obra. Observe e anote as diferenças de cada 
obra relacionando-as ao artista e à época. Olhe o exemplo de temáticas no 
tópico Aprender a Aprender. Faça anotações, organize um plano de ensino 
ou uma leitura de imagem (análise estética) e discuta com seus colegas. 
Sucesso em sua pesquisa!
Exemplo de site sobre leitura de imagem: 
FONTE: <http://www.historiadasartes.com/wp-content/uploads/2016/02/AnaliseEstetica-1.
pdf>. Acesso em: 12 dez. 2018.
AUTOATIVIDADE
68
69
UNIDADE 2
PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS 
PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:
• conhecer projetos de ensino de arte;
• identificar possibilidades de criar e realizar práticas de criação nos 
projetos de ensino de arte;
• reconhecer os espaços e práticas de criação, de percepções, de identidades, 
de subjetividades e de reflexão crítica;
• analisar a arte e seus espaços criativos;
• refletir e vivenciar o processo criativo para o ensino de arte.
Esta unidade de estudos será apresentada em três tópicos. Em cada um 
deles, você encontrará, ao final dos tópicos, um resumo e autoatividades 
que auxiliarão na compreensão dos conteúdos estudados.
TÓPICO 1 – PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
TÓPICO 3 – ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO 
PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
70
71
TÓPICO 1
PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na primeira unidade do livro de estudos mencionamos constantemente 
os campos conceituais do fazer artístico, da contextualização e da leitura de 
imagem no ensino de arte.
Assim, nesta segunda unidade, você, acadêmico, encontrará leituras e 
sugestões de atividades sobre projetos no ensino de arte. Os projetos ajudam os 
alunos a terem maior grau de significação de um determinado tema/conteúdo em 
sua aprendizagem, proporcionando momentos de pesquisa e reflexão em torno 
de uma temática escolhida. Para Iavelberg (2003, p. 63): 
A aprendizagem é um processo complexo, não linear, com idas e 
vindas. É preciso saber avaliar em vez de controlar as aprendizagens 
dos alunos. É preciso também que esse professor esteja consciente de 
que nem toda atividade que ele planeja transforma-se necessariamente 
em aprendizagem. A orientação do processo é sua tarefa.
Portanto, neste primeiro tópico, o texto evidencia possíveis aprendizagens 
por meio de temáticas/conteúdos, isto é, teremos atividades com orientações no 
decorrer de um projeto, como os projetos na escola, projetos artísticos e projetos 
em ação, que se apresentam através de exemplos práticos.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
72
2 PROJETOS NA ESCOLA
Os projetos na escola promovem diálogos entre os alunos, os professores 
e a comunidade escolar. Na disciplina de arte é possível o diálogo entre imagens, 
entre as próprias linguagens artísticas, entre técnicas, entre conteúdos de diferentes 
áreas, que podem ser explorados em um projeto de escola. O projeto pode surgir 
de diferentes preocupações, indagações ou curiosidades que se apresentam em 
um grupo de alunos ou de maneira individual, de apenas um aluno, ou também 
pelo professor. Assim,
a principal tarefa da escola é ajudar o aluno a desenvolver a capacidade 
de construir relações e conexões entre os vários nós da imensa rede de 
conhecimento que nos enreda a todos. Somente quando elaboramos 
relações significativas entre objetos, fatos, conceitos podemos dizer 
que aprendemos (KLEIMAN, 1999, p. 91).
Portanto, os projetos na escola são uma técnica de aprendizagem, uma 
opção de trabalho que envolve estratégias de ensino com regras preestabelecidas, 
isto é, ele é organizado a partir de uma problemática, de outra forma de planejar 
as aulas, incentivando o aluno a construir relações significativas na construção do 
seu conhecimento. Assim,
um projeto é uma intenção, que precisa ser continuamente avaliado 
e replanejado. Pode ser transformado durante sua concretização, 
na medida em que novas ações precisem ser inseridas a fim de que 
os objetivos e os conteúdos possam ser alcançados (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 148).
Organizar as propostas pedagógicas em artes desenvolvidas em sala 
de aula. As atividades são construídas em uma sequênciaou não, interligando 
saberes e temáticas e podem ser um caminho de aprendizagem, um futuro 
projeto. O projeto não é um método, é sim uma atitude pedagógica que está 
sendo construída e adaptada a cada realidade escolar, a cada turma de alunos 
que está sendo atendida, pois as indagações que surgem são diferentes e novas 
ideias serão germinadas. 
Precisamos nos manter e manter nossos aprendizes da arte em estado 
de invenção, abertos e sensíveis, instigando com ideias germinadoras, 
nutrindo com imagens visuais, sonoras, cinestésicas/coreográficas, 
cênicas e desafiando a ousadia de buscar novas perspectivas, novos 
modos de ver, ouvir e agir, de conhecer outras épocas e culturas. E 
novas ideias fluirão em rede de múltiplas conexões (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 150).
Em sala de aula, o projeto poderá ter vários ritmos de entendimento e 
participação dos alunos, pois alguns se motivam de início e buscam conhecimento, 
empenham-se nos estudos, outros demoram a entender a proposta de estudos. 
Também, muitas vezes, a problemática e tema escolhido para o projeto não têm 
surgido do grande grupo de alunos e sim, de uma minoria, que demonstrou 
interesse ou até do professor, que sentiu a necessidade de trazer a temática para 
a turma de alunos.
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
73
Como professores no desenvolvimento de um projeto, precisamos 
ser persistentes e não desistir no meio do caminho. Nós somos responsáveis 
em provocar nossos alunos na busca de conhecimento e, assim, desenvolver 
suas habilidades e competências. O projeto acontece aos poucos, e os alunos 
desenvolvem suas pesquisas e atividades com “uma intencionalidade, que ainda 
é um vir a ser” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 147). 
A sala de aula torna-se um espaço mais dinâmico. O objeto de estudo 
apresenta-se interativo, estudando-o através de questões, mas com mudanças de 
ações da própria escola. O professor precisa organizar instrumentos de observação 
e avaliação dos alunos, como Iavelberg (2003, p. 63) relata:
O professor precisa desenvolver instrumentos de avaliação e 
observação dos alunos para saber, por exemplo, como a criança 
formula suas representações, suas hipóteses sobre os conteúdos 
apresentados, como trabalha com o erro, que estratégias constrói 
para aprender. Dessa forma, mesmo não tendo controle de todas as 
aprendizagens, o professor pode criar instrumentos para observar as 
ideias e as ações dos alunos.
Projetos demandam mais tempo e organização, implicam um trabalho em 
equipe, sendo pensados de maneira coletiva, estudando conteúdos que muitas 
vezes saem do espaço da sala de aula. “A criança estabelece relações com muitos 
aspectos de seus conhecimentos anteriores, enquanto que, ao mesmo tempo, vai 
integrando novos conhecimentos significativos” (HERNANDEZ, 1998, p. 50).
Assim, o projeto desenvolvido em sala de aula integra novos 
conhecimentos, pois ensina o aluno a buscar as informações, a solucionar os 
problemas, a aprender pela pesquisa.
Os projetos permitem aos alunos a assumirem as próprias responsabilidades, 
produzindo conhecimentos que tragam significado a sua realidade e, para isso, 
o professor tem papel importante, pois pode criar estratégias, mediando as ações 
do objeto de conhecimento (tema a ser estudado).
DICAS
Caro Acadêmico! No site do “Instituto Arte na Escola” podemos encontrar 
diversos projetos vencedores. O “Instituto Arte na Escola” realiza anualmente um evento 
que abre espaço para divulgar os projetos desenvolvidos em sala de aula, selecionando 
os melhores projetos e premiando-os. Aproveite e explore o espaço, conhecendo alguns 
projetos desenvolvidos nas escolas de todo o Brasil.
Acesse: Projetos vencedores – Instituto Arte na Escola. 
FONTE: <artenaescola.org.br/premio/projeto.php?id=71769>. Acesso em: 5 fev. 2019.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
74
No projeto, o aluno aprende a fazer “fazendo”, tomando decisões, fazendo 
pesquisas, realizando experiências práticas, construindo sua autonomia. Assim, 
um projeto necessita de:
• Tema: escolher uma temática para estudar, que pode ser escolhida pelo 
professor ou pelos alunos. 
• Conteúdos: definir conteúdos que possam ser estudados na temática escolhida.
• Tempo do projeto: organizar as aulas (datas) para aplicação do projeto. A 
duração do projeto poderá ser de algumas aulas ou no decorrer de um ano 
letivo.
• Objetivos: organizar os objetivos a serem atingidos no projeto. Ideal organizar 
um objetivo geral que abrange o todo do projeto e os específicos relacionados 
com as ações a serem desenvolvidas.
• Justificativa: justificar a temática escolhida, de que maneira surgiu interesse ao 
assunto que será estudado.
• Problema: levantamento através de perguntas problematizadoras da temática 
escolhida.
• Desenvolvimento do projeto: ações e atividades que atendam aos objetivos e às 
perguntas problematizadoras.
• Fechamento do projeto: mostrar o resultado através de exposições, 
apresentações, diálogos etc. Pode conter anexos com fotos e atividades do 
projeto.
Lembrando que o projeto deve ser estruturado, mas não necessariamente 
sendo feito seguindo como regra fixa, isto é, desde que as atividades venham a 
responder à problemática apontada e seus objetivos. Assim, os projetos podem 
ser individuais (que favorecem a autonomia do aluno) ou coletivos (o grupo de 
alunos aprende a lidar com conflitos e troca de ideias). 
Portanto, os projetos auxiliam na aprendizagem dos alunos, 
proporcionando momentos de atividades individuais e coletivas. É uma prática 
pedagógica que incentiva os alunos através da pesquisa, da expressão, do 
pensamento crítico, de uma construção conjunta da aprendizagem. 
Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51), “no jogo do fazer/
construir da criação artística, somos conduzidos por um pensamento que espreita 
a nossa mente: um pensamento projetante. Pensamento que pensa o “depois”, 
pensando a mudança do que é para o que será”.
É preciso pensar e planejar ao fazer um projeto, pois parte de uma 
problematização, de algum tema ou assunto que esteja instigando os alunos, 
assim, também promove a interdisciplinaridade, em que os alunos buscam 
pesquisas em outras áreas de conhecimento. 
Segundo Hernández (1998, p. 720), “aprender a pensar criticamente 
requer dar significado à informação, analisá-la, sintetizá-la, planejar ações, 
resolver problemas, criar novos materiais ou ideias e envolver-se mais na tarefa de 
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
75
aprendizagem”. Assim, projetos realizados na escola de maneira interdisciplinar 
fazem com que várias disciplinas conversem sobre uma mesma temática, trazendo 
diversos conhecimentos aos alunos.
Como exemplo de um projeto interdisciplinar, apresentamos o que foi 
desenvolvido pela professora Islene Leal, em uma turma do 2º ano do ensino 
fundamental no estado de Minas Gerais. A professora iniciou o projeto através 
de uma curiosidade dos alunos, que desejavam conhecer o Pantanal. Com isso, a 
professora teve uma ideia, propor uma viagem a distância para todos os alunos 
poderem explorar a natureza do Pantanal. Para isso, a professora, a equipe da 
escola e outros professores planejaram as atividades de maneira integrada, 
observando o currículo do 2º ano. O projeto contemplou quatro disciplinas e teve 
duração de três meses. 
Na disciplina de ciências, os alunos conheceram o ecossistema do 
Pantanal, tipos de animais, através de vídeos, imagens e textos, fazendo relações 
com o ambiente em que vivem. Na língua portuguesa, os textos que foram usados 
em ciências foram retomados e, assim, os alunos conheceram o gênero textual 
informativo produzindo outros tipos de textos. Nas artes visuais, os alunos 
observaram em imagens as plantas e animais. Como atividade, foram feitos 
trabalhos sobre texturas.Em matemática, os alunos registraram em tabelas os 
números dos animais, como peso e altura. Em todas as disciplinas, os materiais 
produzidos foram apresentados em uma coletânea final. Relato completo se 
encontra em: <https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1586/um-exemplo-real-de-
projeto-interdisciplinar>. Acesso em: 5 fev. 2019.
DICAS
Outro projeto interdisciplinar você encontra no link a seguir. 
FONTE: <http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/06/volume_2_
artigo_091.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2019.
Assim, o professor, ao desenvolver projetos em sala de aula, não precisa 
aplicar e desenvolver todos os conteúdos previstos, e sim, deixar os alunos 
participarem, buscando através das pesquisas com orientação do próprio 
professor. Vamos agora conhecer outro projeto para as aulas de artes, que poderá 
ser ampliado, recriado e atualizado ao grupo de alunos que cada professor atende.
• Tema: Criando com linhas e formas
• Disciplina: Arte
• Conteúdos: Arte abstrata, arte figurativa, elementos da linguagem visual 
(ponto linhas, formas)
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
76
• Turma: Ensino médio
• Tempo do projeto: 10 aulas de 45 minutos cada.
• Objetivos: Conhecer a arte figurativa e abstrata, relacionando com práticas 
artísticas através dos elementos da linguagem visual. Proporcionar novas 
manifestações artísticas, mostrando sobre o desenho, fotografia, instalação.
• Justificativa: Os alunos nas aulas de artes não queriam mais desenhar e pintar 
usando o lápis de cor. Assim, o projeto retoma o fazer artístico do desenho 
e da pintura de uma maneira simples, apresentando o que é visto como arte 
figurativa e arte abstrata. 
• Problema: Como instigar os alunos pelo gosto do desenho e da pintura?
• Desenvolvimento do projeto: Os alunos podem realizar exercícios abstratos de 
composição com linhas e formas, desenvolvendo a pintura degradê, utilizando 
o lápis de cor. Na imagem a seguir, tem-se um exemplo de composição feita 
com linhas e pintura em degradê com lápis de cor.
FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO ABSTRATA COM LINHAS
FONTE: A autora (2018)
DICAS
Logo após, como sugestão, apresente aos alunos o vídeo arte figurativa e arte 
abstrata. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=0caiC_X9Edo>. Acesso em: 8 fev. 
2019. Discuta sobre o vídeo com os alunos e peça para que registrem em forma de mapa 
conceitual. Explique o que é um mapa conceitual.
O vídeo foi feito para o ensino médio e inicia com uma pergunta, se as imagens enganam, 
fazendo relações com a arte e realidade. Também relata, na história das civilizações, as 
imagens consideradas mais ou menos figurativas ou abstratas.
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
77
FONTE: A autora (2018)
DICAS
O projeto poderá seguir para outro vídeo, chamado Lixo Extraordinário, com 
o artista Vik Muniz, que realiza composições fotográficas a partir do preenchimento de 
imagens com materiais diversos retirados do lixo. Você encontra o vídeo acessando o site: 
<https://www.youtube.com/watch?v=qyFDC-r9zlA>. Acesso em: 5 fev. 2019.
Como mais uma atividade, desenvolva desenhos com imagens de 
revista. A própria imagem é utilizada como base, seus contornos principais são 
desenhados em uma folha A4, e o preenchimento do desenho será de tipos de 
linhas, formas e texturas. 
FIGURA 2 – PREENCHENDO A IMAGEM COM TEXTURAS
Para o fechamento do projeto poderá ser proposta a criação de composições 
com materiais diversos pelo chão da sala em grupos de alunos. Os grupos de 
alunos poderão utilizar os materiais da mochila, como cadernos, estojos, canetas 
e, assim, montar de maneira coletiva com registro fotográfico da produção. 
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
78
FIGURA 3 – COMPOSIÇÃO COM CADERNOS E ESTOJOS FORMANDO UMA FLOR
FONTE: A autora (2018)
É preciso explorar a leitura de imagem das obras, analisando os materiais 
que o artista utilizou para compor a imagem e contextualizar com os alunos 
perguntando sobre como foi a proposta de vivência artística. Finalizar o projeto 
com exposições pela escola das atividades realizadas.
A seguir, será apresentado um projeto desenvolvido pela autora Adriana 
Raach no ano de 2016, contendo um planejamento de atividades aplicadas 
com alunos dos anos finais do Ensino Fundamental nas aulas de artes. Foram 
utilizados os celulares dos alunos, as tecnologias móveis sem fio (TMSF) e também 
os recursos analógicos, cadernos e livros. 
 
• Tema: Criando releituras usando as tecnologias móveis sem fio (celulares).
• Disciplina: Artes
• Turma: 7º ano do ensino fundamental
• Conteúdos: Missão artística francesa, obras do artista Jean Baptiste Debret
• Tempo do projeto: 8 aulas de artes
• Objetivo geral: Analisar o processo de construção do conhecimento dos 
estudantes, na disciplina de Arte, por meio de práticas pedagógicas, dando 
ênfase ao uso das tecnologias móveis sem fio. 
• Justificativa: O projeto emergiu da observação da professora nas aulas de artes, 
verificando o uso dos celulares pelos alunos apenas para jogos e redes sociais. 
• Problema: Como ocorre a construção do conhecimento na disciplina de Arte 
por meio de práticas pedagógicas que utilizam as tecnologias móveis sem fio?
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
79
• Desenvolvimento do projeto: 1ª Semana – Conteúdo: Missão artística francesa 
Objetivo: Identificar as características da missão artística francesa, observando 
as obras do artista Debret. Atividades: Ler: Leitura e pesquisa sobre o contexto 
histórico (Missão Artística Francesa) e sobre o artista Debret, através dos 
recursos analógicos e digitais, conforme a escolha dos estudantes. Fazer: Registro 
das pesquisas nos cadernos de arte de maneira individual. Contextualizar: 
Conversas entre os estudantes e professora sobre as pesquisas desenvolvidas. 
Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF. Avaliação: Registro da pesquisa 
incluindo: contexto histórico da missão, contexto artístico da obra e a vida 
do artista. Utilização de recursos analógicos e digitais (TMSF). Participação 
nas conversas sobre as pesquisas realizadas contemplando: expressão oral, 
interação entre os estudantes e a professora, crítica argumentativa.
• 2ª Semana: Conteúdo: Missão Artística Francesa e releituras das obras de 
Debret. Objetivo: Interferir esteticamente em obras, produzindo releituras a 
partir da compreensão da arte e de seu contexto. Atividades: Contextualizar: 
explanação sobre os registros no caderno e correção oral sobre o capítulo Missão 
Artística Francesa com participação dos estudantes. Ler: Observar as obras do 
artista Debret, destacando os elementos da linguagem visual (leitura formal) 
e o que a obra suscita (leituras objetivas e subjetivas). Fazer: Planejamento de 
uma releitura em grupos de estudantes. Escolher a obra do artista Debret, 
definir um esboço de releitura (desenho) e escolher a linguagem artística da 
criação. Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF. Avaliação: Participação 
nas conversas sobre as pesquisas realizadas contemplando: expressão oral, 
interação entre os estudantes e a professora, crítica argumentativa. Registro 
no caderno de arte do esboço da releitura planejada incluindo os seguintes 
aspectos: apresentação da obra escolhida, definição das linguagens artísticas e 
criar o esboço da releitura.
• 3ª Semana: Conteúdo: Releituras das obras de Debret. Objetivos: Reconhecer 
diferentes funções da arte e do trabalho da produção dos artistas em seus meios 
culturais, observando diferentes releituras. Criar, em grupo, uma releitura do 
artista Debret, utilizando diferentes linguagens artísticas e recursos. Atividades: 
Fazer: Em grupos, criar releitura de uma obra do artista Debret, trazendo a 
mistura de linguagens artísticas. Manter a originalidade da obra sem ser cópia, 
recriando e transformando.Ler: Observar as obras do artista Debret, destacando 
os elementos da linguagem visual (leitura formal) e o que a obra suscita (leituras 
objetivas e subjetivas). Contextualizar: Pesquisa na internet (TMSF) de obras do 
artista e sobre releituras existentes de outros artistas. Materiais: Caderno de arte, 
livro de arte, TMSF, papéis, lápis de cor, tintas. Avaliação: Participação do grupo 
de estudantes na criação da releitura por meio: ação (desenhar, pintar, fotografar, 
pesquisar) e cooperação (entre os participantes), identificação de linguagens e 
recursos híbridos para criação artística.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
80
• 4ª Semana: Conteúdo: Releituras das obras de Debret. Objetivo: Apresentar 
as releituras criadas, observando a obra original a partir da compreensão da 
arte e de seu contexto. Atividades: Fazer: Finalização das criações referentes à 
releitura de uma obra de Debret nos grupos de estudantes. Realizar ações como 
desenhar, pintar ou fotografar com a participação do grupo de estudantes. 
Ler e Contextualizar: Apresentação das criações realizadas, relacionando a 
releitura com a obra original. Cada grupo de estudantes comenta qual foi a obra 
escolhida no seu trabalho e mostra sua criação referente à releitura, ao grande 
grupo. Materiais: TMSF, papéis, lápis de cor, tintas. Avaliação: Apresentação das 
releituras observando: expressão oral, crítica argumentativa e interação entre os 
estudantes e a professora. Registro no caderno de arte sobre as aprendizagens 
vivenciadas durante as atividades (diário de bordo) contemplando: leitura da 
imagem, releitura e as linguagens artísticas (RAACH, 2016).
• Fechamento do projeto: Apresentação das releituras projetadas quando cada 
equipe de alunos dialoga sobre a criação. Exposição das releituras feitas.
Os alunos tinham o desafio de pensar em uma composição artística e 
o fazer da releitura não seria apenas desenhar e pintar. Portanto, nas figuras a 
seguir, é possível visualizar o resultado de um trabalho feito por um grupo de 
alunas. Registraram a cena com seus celulares e retrataram a cena encenando nas 
posições dos personagens da obra escolhida. Com a fotografia feita, realizaram a 
edição da fotografia com um aplicativo de edição de fotos e alteraram o cenário 
na imagem. Visualize o resultado:
FIGURA 4 – VENDEDOR DA FLOR FORA DE UMA PORTA DA IGREJA, DE JEAN BAPTISTE DEBRET
FONTE: <http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/vejarj/teatro_debret/galeria/07.jpg>. 
Acesso em: 7 maio 2016. 
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
81
FIGURA 5 – REGISTRANDO A CENA COM O CELULAR
  
FONTE: Raach (2016, p. 86)
FIGURA 6 – EDIÇÃO DA FOTO COM UM APLICATIVO
  
FONTE: Raach (2016, p. 87)
Seguindo o texto, você, acadêmico, encontrará mais sobre projetos.
3 PROJETOS ARTÍSTICOS
Os projetos artísticos visam instigar exercícios criativos, que podem ser 
realizados de maneira individual com o aluno ou em grupos. Tais exercícios 
criativos contemplam as diferentes manifestações artísticas. 
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
82
Alguns estudos que as autoras Martins, Picosque e Guerra (2010) realizaram 
relatam desenhos simplificados que foram feitos por alguns alunos, desenhos 
como de árvores simples, com tronco marrom, com copa verde arredondada e 
maçã vermelha. Um padrão feito pela maioria dos alunos nas escolas, desenhos 
parecidos uns dos outros, estereotipados e simplificados. 
Assim, o professor, como mediador, precisa intervir e trazer outras 
maneiras de desenhar árvores a partir de outros olhares, de outras imagens, obras 
de arte, pois não seria mais interessante criar uma nova forma de representação de 
uma árvore, talvez uma árvore fantasiosa, que não exista? O copiar não constrói 
conhecimento, é preciso gerar novas experiências artísticas, novos exercícios 
criativos, isto é, um desafio para o professor, que é provocar os alunos para a 
observação do seu cotidiano, em seu próprio fazer artístico.
 
Nas imagens a seguir, encontraremos obras do artista holandês Piet 
Mondrian. O artista fez uma série de desenhos e pinturas da temática árvore, e 
recria pelo seu traçado e pelo uso da cor.
FIGURA 7 – OBRA: A ÁRVORE VERMELHA, PIET MONDRIAN, C. 1909/1910, ÓLEO SOBRE TELA 
70 X 99 CM, GEMEENTE MUSEUM, HAIA, HOLANDA
FONTE: <http://virusdaarte.net/mondrian-a-arvore-vermelha/>. Acesso em: 10 ago. 2018.
A composição é referente à “Árvore Vermelha”, uma pintura que surge 
da observação de uma árvore, mas afasta-se da imitação real, deformando e 
alterando pela técnica o seu desenho, lembrando um pouco do período de arte 
chamado pós-impressionismo. Podemos perceber que, na pintura, ele utilizou as 
três cores primárias (azul, amarelo e vermelho). 
Outra obra que o artista produziu é a pintura da “Árvore Prateada”, 
levemente na forma oval, usando as cores cinza, branco e castanho. A impressão 
revela uma luz branca refletindo entre os galhos da árvore, e assim, o artista cria 
uma pintura que remete ao período do cubismo.
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
83
FIGURA 8 – OBRA: A ARVORE PRATEADA DO ARTISTA PIET MONDRIAN, 1911, ÓLEO SOBRE 
TELA, 78,5 X 107,5 CM. GEMEENTE MUSEUM, HAIA, HOLANDA
FONTE: <http://aodisseiadepenelope.blogspot.com/2011/11/mondrian-serie-das-arvores.html>. 
Acesso em: 10 ago. 2018.
DICAS
Como sugestão, apresentamos um projeto com a temática árvore, do artista 
Piet Mondrian, trabalhando a observação e o desenho:
Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Anos Iniciais do Ensino Fundamental 
Assunto: Observação e desenho 
Tipo: Artes visuais
Nas produções artísticas de alunos do 4° ano são comuns alguns desenhos estereotipados 
como a casinha, a árvore de maçãs, o “homem palito”, pássaros em forma de um “v”, sol 
com carinha etc.
O desenho estereotipado se justifica porque as crianças identificam como aceito, um tipo 
de desenho que elas “não erram” ao realizá-lo. Tais desenhos estereotipados, no entanto, 
acabam por limitar as descobertas visuais e a capacidade de expressão das crianças, 
reduzindo seu repertório visual e expressivo. Assim, propor desafios para os alunos 
desenharem, descobrindo, com o professor, novas maneiras de realizar esses desenhos.
Propomos um trabalho, em três aulas, sobre o tema “árvore”, pois é um dos desenhos 
frequentemente realizados pelos alunos a partir do estereótipo. Quando solicitados a 
desenhar uma árvore, costumam apresentá-la com copa verde e maçãs vermelhas.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
84
Na primeira aula, converse com os alunos sobre as variedades de árvores que existem, leve-
os a perceber que cada tipo de árvore tem formas, linhas, cores, folhas, tamanhos, flores e 
frutos diferentes. Em seguida, convide-os a dar uma volta no quarteirão da escola ou em 
algum outro lugar próximo, descobrindo e observando pausadamente as diferentes árvores 
existentes. Conversem sobre os detalhes, as semelhanças e diferenças entre uma e outra.
Os alunos podem registrar as observações com rascunhos de desenhos ou anotações 
descritivas. Se não houver árvore nas proximidades da escola, passa-se para a etapa 
seguinte, que é a de observação de árvores em fotografias etc. Se for possível, peça aos 
alunos que tragam de casa recortes de revistas e jornais, calendários, fotografias ou selos 
que contenham imagens de árvores para a próxima aula.
Leve reproduções de diferentes épocas com imagens de árvores que mostrem os vários 
momentos da História da Arte como os antigos egípcios, os artistas japoneses, os africanos, 
as árvores no Renascimento e na Arte Contemporânea. Pode ser interessante trazer a série 
de árvores criadas por Mondrian, que pode ser encontrada em livros de arte.
Mostre as imagens aos alunos e compare-as entre si e com as que os alunos trouxeram;proponha a observação de semelhanças e diferenças entre elas, as diversas cores que existem, 
quantos tons de verde conseguem identificar, as muitas formas, texturas, tipos de folha, flores, 
galhos, troncos e as variadas formas que os artistas usam para representar uma árvore.
Cole as imagens que você trouxe no centro de cartolinas grandes e peça para que cada 
aluno escolha uma imagem de árvore que ele trouxe e cole em uma das cartolinas, 
justificando para a classe por que as imagens devem ficar juntas. Monte, assim, vários painéis 
que poderão ser colocados nas paredes da sala. Conversem sobre os painéis e os detalhes 
que impressionaram. Procure demonstrar que, em Arte, não existem duas árvores iguais, a 
não ser que usemos um tipo de reprodução para copiar o modelo.
Na aula seguinte, com os painéis expostos, proponha a cada aluno escolher um detalhe de 
árvore para ser desenhado, como os galhos, as folhas, a forma externa da árvore, a forma 
dos galhos etc. É interessante que eles utilizem todo o espaço da folha. Depois, organize 
os desenhos, agrupando-os pelos temas desenhados: folhas, galhos, raízes, formatos etc.
Exponha os trabalhos para que todos observem os resultados dos temas tratados que, em 
geral, são bons, bens diferentes das eternas árvores com maçãs.
Discuta com os alunos sobre a possibilidade de fazer o desenho de um modo novo, que fuja 
ao lugar comum. Reveja com eles as condições do trabalho de arte – procurar conhecer 
o que se vai representar, observar ou mesmo imaginar o objeto ou situação de um jeito 
diferente do habitual, buscar novas formas de representar.
Referência 
Ticuna. O livro das árvores. Benjamin Constant: Global, 2000. 
Programa “Um pé de quê?” – Canal Futura, apresentado por Regina Casé.
Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra 
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro 
Edição: Equipe EducaRede
FONTE: <http://www.aberta.org.br/educarede/2013/05/21/fugindo-do-estereotipo-i-projeto-
arvore/>. Acesso em: 10 ago. 2018.
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
85
DICAS
Piet Mondrian – A Journey 
Through Modern Art.
Como sugestão, o vídeo mostra as obras 
(pinturas) do artista Piet Mondrian.
FONTE: <https://www.youtube.com/
watch?time_continue=317&v=9fmiK
OOvLUo>. Acesso em: 18 set. 2018.
Os projetos artísticos abrem possibilidades de criação. A poética pessoal é 
expressada através do fazer artístico, trazendo significados para quem produziu, 
como as autoras mencionam:
Para compreender a relação forma-conteúdo, é preciso provocar 
experiências estéticas em nossos aprendizes para que tenham a 
experiência do fazer artístico como marca e poética pessoal, pois 
trabalhos iguais não apresentam formas expressivas, mas somente 
“formas” repetitivas sem significado (MARTINS; PICOSQUE; 
GUERRA, 2010, p. 53).
Uma sequência de atividades possíveis e que seja viável transformar em 
um projeto é experimentar novas linguagens, ferramentas, materialidades, novos 
meios de criar. 
DICAS
Veja outro projeto chamado “Árvores da minha vida”, organizado pela autora 
Claudia Matos Pereira, aplicado nos anos iniciais do ensino fundamental. 
FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6839>. Acesso 
em: 10 ago. 2018.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
86
Vamos trazer novos significados nas propostas pedagógicas em artes, os 
projetos são caminhos possíveis e instigam os alunos a participarem na construção 
do conhecimento.
4 PROJETOS EM AÇÃO
Os projetos em ação desenvolvem-se através de conteúdos da linguagem 
da arte sendo conduzidos no fazer artístico, na contextualização e na leitura de 
imagem. É preciso saber compreender e saber fazer articulando tais ações. Assim, 
por meio dos projetos em ação, a linguagem artística poderá contemplar: 
A produção artístico-estética da humanidade por meio de suas 
modalidades artísticas.
A gramática das linguagens artísticas por meio de seus códigos verbais 
e não verbais.
A produção e a leitura de um sistema simbólico utilizado artisticamente 
para ressignificação do mundo e das coisas (MARTINS; PICOSQUE; 
GUERRA, 2010, p. 178).
Assim, os assuntos e temáticas trazidos pelos alunos em sala de aula 
podem ser interligados aos conteúdos previstos pelo professor no planejamento 
anual. O projeto em ação pode proporcionar ao grupo diversas aprendizagens, 
pois as habilidades desenvolvidas devido às escolhas, opiniões, discussões fazem 
com que o aprendizado entre professor e alunos se torne concreto enfatizando 
situações de aprendizagem.
Muitas vezes o aprendiz ainda não viveu encontros felizes com a 
arte, talvez tenha dificuldades em explorar e comunicar ideias de 
pensamentos/sentimentos e pode ter aprendido apenas a seguir a 
lição dos outros. Silenciado do seu próprio pensar/sentir, repetidor 
do pensamento de outro, esse aprendiz terá de ser envolvido na rede 
da linguagem da arte por outros caminhos. É preciso abrir espaço 
para que possa desvelar o que pensa, sente e sabe, ampliando sua 
percepção para uma compreensão de mundo mais rica e significativa 
(MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 120).
Os projetos em ação, para serem desenvolvidos na escola, precisam ser 
referentes a uma temática, que venha evidenciar alguma dificuldade ou interesse 
da turma de alunos. No entanto, é preciso:
Um objeto de pesquisa e estudo, isto é, uma temática, um conjunto de 
perguntas e ideias que se articulam a partir da leitura de necessidades, 
interesses e faltas apresentadas pelos alunos. Existem temáticas 
mais amplas ou mais restritas, centradas na construção da própria 
linguagem, na sua história, ou relacionadas à natureza, à vida social 
etc.
Uma sequência de situações de aprendizagem que instiga o aprendiz 
de arte a perseguir respostas às perguntas e ideias germinais, 
problematizando, desvelando pensamentos/sentimentos e ampliando 
referências. Essa sequência não é definida previamente, mas vai se 
estruturando pela análise dos seus resultados, levando as novas ações, 
como exercício do pensamento projetante.
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
87
A utilização dos códigos da linguagem da arte como meio não só de 
concretizar o que se quer expressar e comunicar, mas também de ler e 
conhecer os objetos da produção artística da Humanidade.
Os atos de desvelar e ampliar como ações que se alimentam 
dialeticamente. É preciso aflorar o que está velado e abrir horizontes de 
possibilidades e potencialidades (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 
2010, p. 154-155).
O trabalho com projetos na escola vem propiciar aos alunos uma nova 
maneira de aprender os conteúdos e assim proporciona uma inter-relação com 
o todo. A seguir, conheça um projeto realizado pelo professor Jayse Antonio, de 
Pernambuco, fazendo com que a aula de arte e outras disciplinas melhorassem a 
autoestima dos alunos e diminuíssem o preconceito.
DICAS
DICAS
Projeto: EU SOU UMA OBRA DE ARTE: ETNIAS DO MUNDO
O projeto vem ao encontro dos alunos, fala da autoestima através da arte e do conhecimento 
das várias etnias do mundo: esta foi a proposta do professor Jayse Antonio, da Escola de 
Referência em Ensino Médio Frei Orlando, em Itambé, Pernambuco. 
O projeto EU SOU UMA OBRA DE ARTE: Etnias do Mundo, criado em 2014 pelo professor 
de Arte, nasceu de uma conversa em sala de aula, quando ele notou que a maioria dos seus 
alunos tinha dificuldades em responder a uma parte do questionário do Exame Nacional 
do Ensino Médio (Enem), não querendo se identificar como negros ou pardos. Foi assim 
que o professor resolveu mostrar o quanto a diversidade é bonita e instigou os alunos a 
pesquisarem sobre o assunto. 
As propostas práticas foram de fotografias dos próprios alunos representando uma etnia e o 
resultado foi uma exposição aberta para a comunidade. O projeto faz relações com a BNCC 
(a nova Base Nacional CurricularComum) e relatando a igualdade, diversidade e equidade, 
pois as necessidades dos alunos são diferentes. Assim, no projeto, se percebe o cuidado em 
reverter uma situação de exclusão referente aos povos negros e indígenas. 
FONTE:<https://novaescola.org.br/conteudo/12865/como-a-aula-de-arte-aumentou-a-
autoestima-e-diminuiu-preconceitos acesso em 10/12/2018>. Acesso em: 1 fev. 2019.
Será apresentado um projeto desenvolvido pelo “Instituto Net Claro Embratel”, 
referente a instalações no espaço escolar, um projeto que amplia o trabalho de artes 
utilizando novos espaços da escola.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
88
• Projeto: Instalações artísticas.
• Objetivo: Desenvolver uma proposta prática de instalação no espaço escolar, conhecendo 
os conceitos e artistas contemporâneos.
• Conteúdos: Conceito de instalação, obras e artistas da arte contemporânea. 
• Sugestão de artistas: Cildo Meireles, Nelson Leirner, Ernesto Neto, Tunga, Hélio Oiticica 
etc.
• Ações: Pesquisas sobre o conceito de instalação e o tridimensional. Pesquisa da vida e 
obra de artistas contemporâneos.
• Materiais: Escolhidos pelos alunos como sucatas, roupas, barbantes.
• Relato: É preciso que o professor dialogue com a direção escolar para verificar em quais 
espaços da escola é possível criar instalações e, assim, planejar o tempo de duração da 
criação. A instalação necessita de visitantes que vão até o espaço conhecer e apreciar, 
participando e dialogando com a obra. Lembre-se de registrar em foto ou vídeo a 
instalação criada. Dialogue com os alunos sobre o resultado, mas também sobre todo o 
processo de criação das instalações. 
FONTE:<https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/planos-de-
aula/artes-visuais-instalacoes/>. Acesso em: 20 ago. 2018. 
DICAS
O site, a seguir, serve como sugestão para proporcionar o estudo sobre 
conceito de instalação. 
FONTE: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.
cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3648>. 
Conheça também artistas contemporâneos. Acesse o site! FONTE: <http://pt.wikipedia.
org/wiki/Instala%C3%A7%C3%A3o_(arte)>. 
Para conhecer mais sobre obras contemporâneas, acesse o site. FONTE: <http://www.
inhotim.org.br/index.php/p/v/172>. Acesso em: 5 fev. 2019. 
O trabalho do professor no projeto em ação, segundo Martins, Picosque e 
Guerra (2010, p. 155), está pautado na “ação-reflexão-ação”. Assim, o projeto se 
desenvolve em três momentos, com atividades, objetivos e ações:
1º momento: avaliação iniciante – sondagem para o levantamento de 
repertório;
2º momento: encaminhamento de ações – levantamento de propostas 
possíveis, avaliações e replanejamentos;
3º momento: sistematização – apropriação do conhecimento construído.
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
89
O professor de arte na ação do dia a dia tem um olhar de observação 
diante os seus alunos a cada atividade realizada. Diante de um grupo grande 
de alunos é preciso reorganizar, fazendo rodízios de observação para identificar 
as individualidades de cada aluno. Para a sondagem será necessário observar o 
grupo de alunos que está participando de um projeto. 
Para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 178), os alunos participantes de 
um projeto podem:
• Agir poeticamente sobre um objeto/temática de pesquisa e estudo, aprofundando 
suas investigações por meio de suas próprias escolhas expressivas.
• Construir o seu sentido sobre tal objeto/temática, dialogando, confrontando, 
percebendo semelhanças e diferenças com o ponto de vista de parceiros e de 
outras pessoas.
• Aprender a dar forma poética – ordenar, reordenar e criar suas imagens, ideias, 
pensamentos, sentimentos e emoções sobre o objeto/temática de pesquisa e 
estudo, por meio dos códigos e elementos das linguagens artísticas.
• Conceituar e conhecer a forma específica de a arte significar o mundo e as 
coisas, expondo o que pensam sobre a forma expressiva que veem e o sentido 
que elaboram em relação ao rendimento da produção artística.
Para o projeto em ação é preciso ter uma meta, o professor imagina 
alcançar suas intenções pelas ações desenvolvidas. Assim, também segundo 
Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 177-178), é preciso cuidar e não perder de 
vista algumas intenções que são:
• Instigar a percepção estética e a imaginação criadora no exercício do pensamento 
que se concretiza.
• Despertar o prazer de conhecer, compreender, refletir e aprender também pela 
troca com seus parceiros.
• Levantar possibilidades para processos educativos, articuladores da 
aprendizagem inventiva dos códigos e elementos das linguagens artísticas. É 
preciso potencializar a competência simbólica do grupo de aprendizes.
• Possibilitar o acesso dos aprendizes às obras artísticas de diferentes modalidades, 
épocas, lugares e movimentos artísticos que enfocam o mesmo objeto/temática 
de pesquisa e estudo. Deve haver o desenvolvimento de habilidades, hábitos 
e atitudes de observação, percepção, comparação, conexão e conhecimento da 
produção do artista e suas soluções expressivas.
• Em resumo, aguçar a curiosidade de querer poetizar, fruir e conhecer o mundo 
e as coisas através das linguagens da arte.
Assim, o projeto terá muitas ideias, e estas “são hipóteses, potenciais de ação. 
São mutantes, frágeis, nebulosas” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 156).
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
90
A partir da sondagem do repertório que os alunos já têm, muitas vezes 
o projeto poderá trazer situações que trazem medo, insegurança, e a temática 
escolhida não consegue envolver os alunos e assim não consegue trazer bons 
resultados. O professor tem o desafio de escolher e direcionar as ações do projeto 
para melhor aproveitamento de todos e, assim, realizar com êxito e motivação.
DICAS
O texto a seguir é um projeto ganhador do XIII Prêmio Arte na Escola realizado 
em 2012, na categoria da educação fundamental I. A professora premiada foi Maria da Paz 
Melo de Santa Rita de Sapucaí (MG), da Escola Municipal Valéria Junqueira Paduan, que pode 
servir de inspiração para a criação de um projeto nas aulas de artes.
Arte contemporânea: produção e fruição no Fundamental I
Projeto ganhador do XIII Prêmio Arte na Escola (realizado em 2012) na categoria: Educação 
Fundamental I
O projeto
Buscou a construção de uma consciência estética em relação à arte contemporânea, como 
linguagem e forma de comunicação. Trabalhou o sensível e a percepção, entendendo o 
aprendizado a partir do fazer pensando (em que a produção versus a criatividade foram 
adequadas ao desenvolvimento de cada criança). Linguagem: Artes Visuais.
Objetivo
Possibilitar à criança ser responsável pela própria produção, desenvolvendo a sensibilidade 
e a criatividade ao conciliar a imaginação e a vivência do aluno no processo voltado para a 
arte contemporânea.
Conteúdos da arte
O livro “Teoria e prática do ensino de arte” e os ensinamentos de Gisa Picosque e Ana Mae 
Barbosa fundamentaram o projeto. Técnicas e materiais envolvendo simultaneamente a 
colagem, o desenho e a pintura.
Como fazer
- Pesquisar a linha de trabalho em toda a sua potencialidade.
- Dialogar com os alunos sobre materiais e suportes. 
TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM
91
- Desenvolver a linguagem do desenho usando canetas, gravetos ou marcadores para que 
as crianças adquiram segurança no traço.
- Apresentar a arte produzida nas últimas décadas, de forma que os alunos assimilem estilos 
diferentes de se trabalhar com materiais não padronizados. A pintura abstrata de Tapiés, 
Mondrian e Matisse, com suas linhas, manchas e formas, funciona como uma introdução 
à arte contemporânea.
- Solicitar, aos pais, comunidade do entorno e empresas, materiais recicláveis, papelões, 
plásticos, tecidos, imagensde livros ou revistas, embalagens de todo tipo, fios diversos, 
anilina, tintas, pigmentos, durex e colas.
- Explorar a liberdade da contemporaneidade a partir de algum artista plástico que tenha 
relação com a proposta de incentivar o imaginário, a concentração e a tomada de decisões.
O que aprenderam
As crianças aprenderam ser possível fazer arte a partir de elementos aparentemente 
antagônicos e a observar os trabalhos, seus e dos colegas. Com a utilização das técnicas 
mistas adquiriram vários conhecimentos quanto aos inúmeros tipos de suportes, pastéis, 
tintas, pigmentos. Esqueceram conceitos como feio e bonito. Desaprenderam a desenhar 
corações e casinhas padronizadas e aprenderam que é preciso pensar antes de começar 
a produção. As respostas deverão ser dadas pelos alunos, os construtores do próprio 
conhecimento.
Assista ao vídeo sobre o projeto. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=3lgw-
R0ire8>. Acesso em: 21 set. 2018.
FONTE: <http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=69535&>. Acesso em: 21 set. 2018.
92
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Um projeto é aquilo que se pretende fazer, mas pode ser constantemente 
replanejado e avaliado, pois a cada ação desenvolvida com os alunos é preciso 
observar se os objetivos e conteúdos estão sendo alcançados.
• Projetos demandam mais tempo e organização e implicam um trabalho em equipe. 
Podem-se ter projetos com conteúdos que saem do espaço da sala de aula.
• Os projetos permitem aos alunos assumirem as próprias responsabilidades, 
produzindo conhecimentos que tragam significado para a sua realidade. 
Assim, o professor tem um papel importante, pois pode criar estratégias de 
ensino/aprendizagem mediando as ações do objeto de conhecimento (tema a 
ser estudado).
• Um projeto necessita de: tema; conteúdos; tempo do projeto; objetivos; 
justificativa; problema; desenvolvimento do projeto e fechamento do projeto. 
• Os projetos em ação que se desenvolvem devem ser conduzidos no fazer 
artístico, na contextualização e na leitura.
93
AUTOATIVIDADE
1 Em conformidade com Martins, Picosque e Guerra (2010), é CORRETO 
afirmar que os alunos participantes de um projeto podem:
a) Agir poeticamente sobre um objeto/temática de pesquisa e estudo.
b) Construir o seu sentido sobre o objeto/temática, dialogando, confrontando.
c) Aprender a dar forma poética – ordenar, reordenar e criar suas imagens.
d) Conceituar e conhecer, através do contato com o mundo da cultura, a forma 
específica de a arte significar o mundo e as coisas.
Assim, escolha a alternativa correta:
1 Correta é a afirmativa B.
2 Correta é a afirmativa C.
3 Nenhuma alternativa está correta.
4 Todas as alternativas estão corretas.
2 Complete a coluna com a resposta correta:
Um projeto é uma _______________. Precisa ser continuamente avaliado e 
replanejado. Pode ser transformado durante sua concretização, na medida em 
que novas _______ precisem ser inseridas a fim de que os ____________ e os 
conteúdos possam ser alcançados.
a) ( ) intenção – ações – objetivos
b) ( ) ideia – situações – problemas
c) ( ) intenção – oportunidades – resultados
d) ( ) ação – criações – temas
3 Construa um projeto de alguma temática relevante e que acredite ser 
possível desenvolver em uma turma do Ensino Fundamental. Escolha 
a turma, siga o roteiro e mãos à obra! Lembrando que, para a atividade, 
um projeto necessita de: tema; conteúdos; tempo do projeto; objetivos; 
justificativa; problema; desenvolvimento e fechamento do projeto.
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95
TÓPICO 2
EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
As aulas de artes devem apresentar diversas experiências/vivências 
práticas, oportunizando ao aluno o contato com as diversas linguagens artísticas 
e suas manifestações.
Cada aluno traz consigo uma bagagem cultural, um repertório imagético 
devido aos estímulos a que foi submetido. Assim, nós, professores, somos 
mediadores, somos estimuladores do conhecimento teórico e prático. 
Neste tópico, caro acadêmico, você irá encontrar informações sobre 
experiências práticas na elaboração de projetos de pesquisa em educação.
2 EXPERIENCIAÇÃO NA PRÁTICA ARTÍSTICA
A experienciação na prática artística é considerada um momento de grande 
importância a todos envolvidos na aula de artes, ou seja, os alunos esperam muito 
pelas práticas artísticas, pelas novas experiências que terão nas aulas. 
É preciso “explorar o que a palavra experiência permite pensar, dizer e 
fazer no campo pedagógico” (LARROSA, 2015, p. 38). Inserir práticas artísticas 
que remetem à experienciação é um desafio ao professor, pois envolve espaço 
físico para produzir arte, conhecer técnicas e materiais. 
Algumas práticas artísticas que podem ser desenvolvidas em sala de aula 
remetem ao estudo de obras de arte, ou atividades que explorem a imagem, o 
recorte e colagem, a intervenção artística, as diversas manifestações artísticas, o 
próprio fazer artístico. Então:
“O fazer” é mais praticado na escola, embora muitas vezes faltem 
clareza e objetividade às ações dos professores que orientam a 
produção de arte. No passado, o fato até contribuiu para que 
existissem, inclusive, repetições e cópias pouco refletidas. A formação 
inicial e contínua do professor que trabalha com a arte precisa ter bem 
clara a amplitude do fazer, com experiências em que o pensamento, a 
sensibilidade e a emoção concorrem para a criação (FERRAZ; FUSARI, 
2009, p. 28).
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
96
Assim, o professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está 
planejando, com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico. Um fazer 
artístico que instigue a reflexão, contextualização e não traga criações referentes 
a repetições de obras de arte. 
Um exemplo de prática artística que pode ser feito com alunos da educação 
infantil é a experienciação através de um conteúdo como as cores. Pode ser mostrada 
a mistura das cores através de várias ações, como o uso de tintas e pincéis, pintura 
com dedos ou mãos, mistura com a massinha de modelar e descobrindo a mistura 
do amarelo com vermelho, trazendo o resultado da cor laranja. 
As descobertas, para as crianças, são muito marcantes pela experimentação, 
são momentos únicos que desenvolvem a curiosidade e imaginação. Assim, 
precisam de estímulos do professor de arte para o acesso à variedade de práticas.
A seguir será apresentada uma proposta artística, uma prática realizada 
com alunos da educação infantil nas aulas de artes relacionada ao estudo das 
cores, observando o resultado das misturas feitas a partir da técnica da pintura 
soprada. A atividade foi realizada com um canudinho para soprar a tinta que 
estava bem diluída com água. 
FIGURA 9 – CRIANDO CABELOS MALUCOS COLORIDOS
FONTE: A autora (2018)
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
97
DICAS
Livro: Artur faz Arte, de Patrick 
McDonnell (2007), editora Girafinha.
O livro mostra um menino de 5-6 anos chamado Artur, 
que mostra seu processo criativo até a exposição. A 
capa do livro já é convidativa. O menino se mistura 
com as tintas e todo livro é uma explosão artística de 
cores, linhas, experimentação.
FONTE: <https://repensandomuseus.blogspot.
com/2011/07/falando-de-literatura-e-museu.html>. 
Acesso em: 25 set. 2018.
Continuando a conversa sobre experienciação na prática artística, um 
artista que pode ser estudado nas aulas de artes e trazer o conceito da arte 
abstrata é Jackson Pollock (1912-1956). O artista Pollock faz a chamada pintura de 
ação (ActionPainting), em que realizava suas produções em gigantescas telas que 
ficavam no chão. Jogava a tinta direto das latas, derramando, respingando com 
pincéis, jogando com o auxílio de varetas.
FIGURA 10 – JACKSON POLLOCK (1950) –PINTURA DE ACTIONPAINTING
FONTE: <https://terrylongimagery.files.wordpress.com/2013/04/pollock2.jpeg>. 
Acesso em: 30 nov. 2018.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
98
Uma atividade que pode ser inserida na aula de artes para o uso de tintas 
e remeter a uma pintura em ação é a criação em camisetas. 
FIGURA 11 – CRIANDO EM CAMISETA
FONTE: A autora (2018)
Na figura anterior, o aluno explorou linhas, cores através do uso de 
pincéis e também carimbou suas próprias mãos com as tintas, trazendo a pintura 
em ação e gestual. Lembrando que as atividades propostas neste livro podem ser 
transformadas em projetos, que contemplem mais ações e instiguem os alunos a 
fazerem relações com outras áreas do conhecimento.
DICAS
Acesse o site que apresenta planos de aula, recursos e temas especiais que 
podem ser desenvolvidos em sala de aula. Aproveite e explore o espaço! 
FONTE: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/>.
Acesso em: 5 fev. 2019.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
99
3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS
Neste espaço do livro de estudos, apresentaremos sugestões de atividades 
práticas que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes. 
Iniciamos a conversa sobre um conteúdo muito estudado nas aulas de 
artes, a arte rupestre, que são os desenhos feitos nas paredes de cavernas. O 
conteúdo pode ser desenvolvido em todas as faixas etárias. 
FIGURA 12 – PINTURAS DE RINOCERONTES E CAVALOS NA CAVERNA DE CHAUVET, 
NO SUL DA FRANÇA, C.28.000 AEC.
FONTE: Bell (2008, p. 14-15)
A obra mostra desenhos feitos pelos homens da caverna usando o carvão. 
Para uma atividade em sala de aula, a busca de texturas com o giz de cera sobre 
áreas da escola, como no chão, pedras, paredes e, assim, simular tais texturas 
encontradas sobre folhas de papel A4 como sendo uma base, que lembre uma 
parede de caverna. Assim, sobre a folha cheia de marcas e texturas, desenhar com 
um pedaço de carvão ou lápis 6B alguns desenhos que remetam aos tempos atuais. 
Instigar a reflexão. Como foi o tempo de arte rupestre, onde os primeiros homens 
da caverna não tinham quase nada, onde seus desenhos feitos nas paredes eram 
de caças de animais. E o que nós como seres humanos de hoje em dia temos? Se 
tivéssemos que deixar marcas sobre uma parede nos dias de hoje para as futuras 
gerações, que marcas, que desenhos seriam? 
Os alunos podem desenhar tudo que acham ser do momento atual que 
estão vivendo, por exemplo, desenhar celulares (tecnologia) ou comidas, como 
pizza, bebida como Coca-Cola. Organizar uma instalação, como uma parede, que 
remeta à caverna com arte rupestre, colando todas as folhas juntas, uma do lado 
da outra, sem deixar espaços.
Continuando o conteúdo sobre arte rupestre, outra sugestão de atividade 
é desenhar com cola colorida sobre pedras, como mostra a figura a seguir.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
100
FIGURA 13 – LEITURA DE IMAGEM DE OBRAS SOBRE A ARTE RUPESTRE
FONTE: A autora (2018)
O desenvolvimento da atividade pode ser iniciado por uma roda de 
conversa com todos os alunos a partir do contato de imagens. As imagens podem 
ser passadas de mão em mão, e assim, os alunos vão apreciando e dialogando sobre 
o que veem. A prática artística pode ser desenvolvida em pequenos grupos de 
alunos. Eles deixam suas marcas, seus desenhos nas pedras, usando a cola colorida.
FIGURA 14 – PINTANDO PEDRAS COM COLA COLORIDA
FONTE: A autora (2018)
As atividades práticas podem ser adaptadas de acordo com a faixa etária 
dos alunos através de diferentes propostas, níveis de complexidade, como vamos 
conhecer uma sugestão sobre o conteúdo retrato e autorretrato. 
Para trabalhar o assunto em sala de aula é necessário mostrar muitas 
imagens, muitas obras de arte que relatam as diferenças entre o retrato e o 
autorretrato. Mostrar obras de artistas que fizeram seus autorretratos, como Tarsila 
do Amaral, Frida Kahlo, Van Gogh, Portinari. Escolha obras de arte de diferentes 
períodos históricos que mostrem autorretratos e retratos criados. Como exemplo de 
retrato, pode-se citar uma pintura de Vincent van Gogh, que retratou um carteiro.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
101
FIGURA 15 – VINCENT VAN GOGH: RETRATO DO CARTEIRO ROULIN (1888); TELA, 0,79X0,63 
M. BOSTON, MUSEUMOF FINE ARTS
FONTE: Argan (1992, p. 126)
Uma atividade adorada pelos alunos é a de desenhar o outro lado da 
fotografia, continuar seu retrato, sua foto. Primeiro, você, professor, fotografa o 
rosto de cada aluno. A fotografia deve ser impressa preto e branco e cortada ao 
meio. Cada metade da foto poderá ser explorada de alguma maneira. 
Na imagem a seguir a proposta foi de uma parte da foto ser realista 
(desenhar, de forma parecida, a outra metade da foto) e outra foto ser surrealista 
(a metade da foto que sobrou desenhar continuando de maneira maluca, usando 
a imaginação, com cores diferentes, algo não realista). Assim, a proposta é que o 
aluno criará, através de uma foto impressa, dois autorretratos, o real e o surreal.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
102
FIGURA 16 – DESENHANDO COM A METADE DA FOTOGRAFIA
FONTE: A autora (2018)
O autorretrato e retrato também podem ser estudados a partir das obras 
de Giuseppe Arcimboldo, que é um artista pertencente ao movimento artístico 
maneirista. Suas pinturas retratam rostos de maneiras diferentes, usando frutas, 
flores, objetos em suas criações.
FIGURA 17 – IMPERADOR RODOLFO II, GIUSEPPE ARCIMBOLDO (1527-1593)
FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/giuseppe-arcimboldo/#jp-
carousel-4750>. Acesso em: 29 set. 2018.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
103
Os retratos compostos, na proposta a seguir, mostram a criação através de 
recortes de revistas e realizando a colagem formando rostos, ou seja, compor um 
rosto por fragmentos retirados de revistas e colados sobre uma folha. A atividade 
pode ser realizada em grupos de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. 
É interessante que sejam realizadas exposições dos trabalhos criados, que podem 
ser por meio de murais, bem como instalações.
FIGURA 18 – RETRATOS FEITOS COM RECORTES DE REVISTAS
FONTE: A autora (2018)
Outra proposta explora os conceitos de retrato e autorretrato, que 
pode ser feita com alunos dos anos finais (8º e 9º anos) ou ensino médio. Na 
atividade, o aluno traz um retrato de alguma pessoa famosa, algum artista que 
seja fã ou que admire. A imagem será a base, ficará abaixo de uma transparência 
(de retroprojetor) e usará uma caneta preta permanente, delineando o retrato 
escolhido, contornando com a caneta as principais partes do rosto sobre a 
transparência. Após, o aluno irá colorir com pincel usando nanquim colorido, 
mas é importante ter muito cuidado, pois o nanquim é muito líquido, e assim, 
evitar que extrapole a cor em áreas indevidas do retrato.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
104
FIGURA 19 – RETRATOS DE FAMOSOS COM NANQUIM SOBRE TRANSPARÊNCIA
FONTE: A autora (2018)
O trabalho desenvolvido em transparências poderá ser mostrado a toda 
turma através do uso de um retroprojetor. A transparência pronta poderá ser 
visualizada por todos quando projetada sobre uma parede branca.
DICAS
Vídeo: Autorretrato 
O documentário é da coleção do Instituto Arte 
na Escola e mostra uma exposição chamada 
“Autorretrato: espelho de artista”, uma mediação 
cultural organizada pelo MAC/USP. O tema é 
apresentado em seis módulos sob a curadora 
Katia Canton, feito no ano de 2001. A indicação do 
filme é a partir do 1º ano do ensino fundamental, 
duração de 23 minutos.
FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/catalogo/dvd/74/>. Acesso em: 5 fev. 2018.
Tambémse encontra, neste site, o material educativo para ser desenvolvido com os alunos 
do vídeo. 
FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_pdf_74.pdf>. Acesso em: 5 
fev. 2018.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
105
A seguir, será apresentada uma proposta, um de plano de aula que pode ser 
desenvolvido com alunos da Educação Infantil e readaptado para um futuro projeto.
Plano de aula: conhecendo as obras do artista Aldemir Martins
• Conteúdo: Cores primárias; leitura de imagem. 
• Tempo de realização do projeto: 6 aulas com 50 minutos cada.
• Objetivo geral: Despertar nos alunos o gosto pela arte através das obras do 
artista Aldemir Martins.
• Objetivos específicos:
• Conhecer a biografia do artista Aldemir Martins.
• Analisar as obras de arte do artista a partir da leitura de imagem, observando 
elementos da visualidade (cor, forma, linha, textura etc.);
• Observar a temática abordada nas obras.
• Identificar as cores primárias.
• Desenvolver a expressão artística através do desenho, pintura e/ou dobradura.
• Utilizar materiais diversos para a criação de composições artísticas.
• Desenvolvimento:
• Trazer para a aula algumas imagens das obras do artista Aldemir Martins (obra 
dos gatos – azul, amarelo e vermelho).
FIGURA 20 – OS GATOS DE ALDEMIR MARTINS (1922-2006)
FONTE: <http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/aldemir-martins.html>. 
Acesso em: 1 set. 2018.
• Roda de conversa com os alunos: Quem foi o artista Aldemir Martins? O que 
pintou? Quais cores mais usava? A conversa com os alunos deve ser de maneira 
lúdica e dinâmica, contando sobre a vida do artista e realizando a leitura de 
imagens com os alunos (poderão estar sentados em um grande círculo), e 
assim, explorar no coletivo os detalhes das imagens. 
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
106
 • Criar desenhos de seus animais preferidos e/ou de estimação (pintar com 
tintas, lápis de cor, canetinhas ou giz de cera usando as cores primárias). 
• Criar dobradura da cabeça de um gato e posteriormente colar a dobradura 
em outra folha, completando com o desenho do corpo e o cenário (pintar com 
tintas, lápis de cor, canetinhas ou giz de cera usando as cores primárias).
FIGURA 21 – DOBRADURA DO GATO E A CRIAÇÃO DO DESENHO
FONTE: A autora (2018)
• Exposição final das atividades criadas para apreciação da comunidade escolar 
e família.
• Recursos e materiais:
• Projeção de imagens pelo uso do projetor e notebook.
• Imagens impressas das obras do artista Aldemir Martins.
• Lápis de cor, giz de cera, canetinhas, tinta guache.
• Folhas brancas A4 e A3.
• Cola branca.
• Tesoura.
• Pincel.
• Avaliação: a avaliação do projeto acontece diariamente, é processual, isto 
é, no transcorrer das atividades é feita a observação, além do registro do 
desenvolvimento dos alunos.
Agora vamos conhecer o estudo de arte geométrica do artista Piet 
Mondrian. Como sugestão de atividade, mostrar suas composições abstratas 
geométricas, relatar sua vida e obras instigando os alunos nas leituras de imagem. 
O objetivo da atividade foi conhecer a vida e as obras do pintor, observando o 
desenvolvimento cromático.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
107
FIGURA 22 – PIET MONDRIAN: COMPOSIÇÃO EM VERMELHO, AMARELO, AZUL (1927); TELA, 
0,61X 0,41 M. AMSTERDÃ, STEDELIJKMUSEUM
FONTE: Argan (1992, p. 411)
Em relação às maneiras do artista Mondrian compor, podem ser feitas dentro 
de silhuetas desenhadas em papel, imagens figurativas que são preenchidas com 
quadrados e retângulos de vários tamanhos e pintadas nas cores que o aluno escolher. 
FIGURA 23 – SILHUETAS MONDRIAN
FONTE: A autora (2018)
Desenhos de observação também são atividades que podem ser 
desenvolvidas com os alunos, trazendo objetos ou observando locais. As 
atividades desenvolvidas instigam os alunos na observação de detalhes, tamanho, 
cor. A obra Bica de cobre, de Jean-SiméonChardin, é uma pintura figurativa. 
Percebemos detalhes nos objetos da obra.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
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FIGURA 24 – ARTISTA JEAN-SIMÉONCHARDIN, BICA DE COBRE, 1734
FONTE: Bell (2008, p. 271)
Como atividade referente ao desenho de observação, podem-se trazer 
para a sala de aula plantas, objetos, frutas e flores, assim, explorar o que é a 
natureza-morta (gênero da pintura que retrata seres inanimados). Na figura a 
seguir, existem bromélias que foram observadas por alunos dos anos iniciais, 
sendo desenhados os detalhes da planta em folha A4.
FIGURA 25 – DESENHO DE OBSERVAÇÃO DE PLANTAS (BROMÉLIAS)
FONTE: A autora (2018)
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
109
O desenho de observação também poderá ser a partir de uma imagem de 
revista, que pode ser ampliada, isto é, escolher uma parte e colocar uma janelinha 
de papel, e assim, desenhar apenas o que está se vendo da pequena ampliação. 
Pode ser explorada a pintura e um dos desenhos pode ser monocromático (preto 
e branco) e o outro desenho pode ser policromático (muitas cores). Seguem 
imagens que ilustram a proposta sugerida:
FIGURA 26 – DESENHO DE OBSERVAÇÃO DE UMA IMAGEM DE REVISTA 
(AMPLIAÇÃO DE FRAGMENTO)
FONTE: A autora (2018)
Os alunos gostam muito de desenhar. Assim, atividades que desenvolvem 
os elementos da linguagem visual, como linhas, formas, cores e texturas, podem 
ser exploradas nas aulas de artes. Na proposta “criando as texturas”, os alunos 
recortam de revistas partes de imagens que mostram texturas. Tais recortes devem 
ser em formato de quadrado e são colados sobre uma folha. Em outra folha, o 
aluno realiza o desenho de observação de cada quadrado da textura encontrada, 
usando caneta nanquim preta ou canetinha.
FIGURA 27 – CRIANDO AS TEXTURAS VISUALIZADAS EM REVISTAS
FONTE: A autora (2018)
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
110
Estudando o artista Edvard Munch, podemos relatar situações sobre o 
desenho de memória. O que é um desenho de memória? Um desenho que remete a 
lembranças boas e ruins, desenhos que surgem de rabiscos, de algo que lembramos 
e está na memória. Assim, na pintura “o grito”, observa-se também um desenho 
referente à memória, às lembranças. É um momento de desespero que se evidencia 
na expressão do rosto, e não como um desenho da realidade como ela é.
FIGURA 28 – EDVARD MUNCH: O GRITO (C.1893); MADEIRA, 0,83X0,66 M. OSLO, MUNCH-MUSEET
FONTE: <https://multiplasoralidades.wordpress.com/construcao-do-blog-2/o-grito-1893-de-
edvard-munch/>. Acesso em: 29 set. 2018.
Como proposta de atividade para os anos finais do ensino fundamental, 
pode ser feito o desenho de memória com base na obra “O grito (1893)”, 
relacionando com momentos registrados na memória do aluno. O desenho pode 
expressar angústias do cotidiano ou outros gritos da vida. 
Outra atividade é desenvolver com os alunos algumas placas escritas 
com pedidos, gritos da sociedade ou da vida dos alunos. Assim, com as placas 
prontas, os alunos podem encenar a cena da obra de arte, produzindo pequenas 
esquetes teatrais que podem ser filmadas e fotografadas.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
111
FIGURA 29 – RELEITURA CRÍTICA DA OBRA O GRITO DE MUNCH
FONTE: <https://segundosanosinacio.blogspot.com/2010_08_01_archive.html>. 
Acesso em: 29 set. 2018.
A sala de aula é considerada um espaço de práticas artísticas. Alunos e 
professores vão construindo sua história, trocando conhecimentos, explorando e 
vivenciando o fazer artístico.
DICAS
Livro: Descobrindo grandes 
artistas: a prática da arte para crianças
Autoras: Mary Ann F. Kohl e Kim Solga
Editora: Artmed
Ano: 2001
Este livro apresenta um conjunto de atividades 
de artes que podem ser aplicadas para 
estudantes de 4 até 12 anos de idade. São 110atividades que fazem o aluno experimentar 
diferentes técnicas, conhecendo artistas e 
movimentos artísticos.
IPTU, IPVA, ICMS 
IMPOSTO DE 
RENDA, IOF - 
Aaaaaaa!!!
não aguento mais 
tanto Imposto... Eu 
vou me jogar dessa 
ponte...
Aposto cinquenta 
que ele pula.
Que cara 
maluco.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
112
4 TRANSVERSALIDADE DO CONHECIMENTO
Os projetos que são desenvolvidos nas aulas de artes podem incluir 
conhecimentos teóricos e práticos de outras áreas, de outras disciplinas.
 
Os temas transversais são propostos em todas as disciplinas da escola, que 
podem ser intercalados aos conteúdos específicos de cada área. Os temas transversais 
permitem que os alunos tenham um maior diálogo sobre ética e cidadania, meio 
ambiente, pluralidade cultural, saúde e orientação sexual, aprendendo sobre 
condutas, diferenças entre as pessoas e, assim, observando as diferentes realidades 
regionais e locais. Portanto, a transversalidade do conhecimento 
diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma 
relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados 
(aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua 
transformação (aprender na realidade e da realidade). A forma 
de sistematizar o trabalho e incluí-lo impactam na organização 
curricular, garantindo sua continuidade e aprofundamento ao longo da 
escolaridade (PCN, 1998, p. 30).
A transversalidade agrega questões sobre a realidade de vida, a ética e a 
cidadania.
A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam 
apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando 
um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua 
dinâmica, dando a mesma importância das áreas convencionais. O 
currículo ganha em flexibilidade e abertura, uma vez que os temas 
podem ser priorizados e contextualizados de acordo com as diferentes 
realidades locais e regionais e que novos temas sempre podem ser 
incluídos. O conjunto de temas aqui proposto – Ética, Meio Ambiente, 
Pluralidade Cultural, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo – 
recebeu o título geral de Temas Transversais, indicando a metodologia 
proposta para sua inclusão no currículo e seu tratamento didático 
(PCN, 1998, p. 25).
Um tema transversal como o meio ambiente poderá ser inserido no 
planejamento das aulas de artes como um projeto ou sequência didática. Assim, 
a arte se mostra importante na abordagem do tema em sala de aula e explora 
estratégicas de conscientização, fazendo com que o aluno reflita e tenha uma 
compreensão e um olhar crítico sobre sua realidade de vida, bem como a realidade 
coletiva, havendo respeito e conscientização.
DICAS
Leia mais em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ttransversais.pdf e 
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2019.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
113
Um projeto desenvolvido a partir de um tema transversal, que contemple 
várias áreas do conhecimento, que instigue os alunos a pensarem sobre suas 
comunidades, sobre sua realidade de vida. Tais projetos podem propor uma maior 
criticidade aos alunos, fazendo refletir sobre a vida comunitária, por exemplo, 
sobre o meio ambiente, verificar o que sua cidade faz com o recolhimento do lixo 
ou como o lixo está sendo separado na escola. 
Seguem algumas sugestões de como inserir o conhecimento transversal 
nas aulas de artes através dos temas transversais: atividades que explorem os 
temas de trabalho e consumo podem ser referentes à violência, como no trânsito, 
e às bebidas (alcoolismo), drogas e cigarros. Todos os assuntos podem ser 
trabalhados em sala de aula junto com algum conteúdo previsto e os resultados 
poderão ser: encenações teatrais, criações de histórias em quadrinhos ou outras 
composições artísticas como os trípticos de papel.
FIGURA 30 – ANUNCIAÇÃO, 1333, DE SIMONE MARTINI
FONTE: Bell (2008, p. 150)
A partir do conhecimento do que é um tríptico, os alunos podem criar 
sua própria produção usando papelão. Uma proposta sugerida para alunos dos 
anos finais do ensino fundamental é o debate e discussão do tema Consumo-
alcoolismo junto ao trânsito. A partir da temática, os alunos criam, nas três partes 
do tríptico, uma história em quadrinhos, que representa a conscientização sobre 
os temas transversais estudados.
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
114
FIGURA 31 – TRÍPTICO EM PAPELÃO (TEMA ALCOOLISMO NO TRÂNSITO)
FONTE: A autora (2018)
Exposições que apresentem desenhos e criações diversas que tenham 
explorado algum tema transversal, como outro exemplo, o meio ambiente. Nas 
imagens a seguir, encontram-se uma obra do artista e a atividade de alunos. A 
utilização das caixas vazias, sendo abertas, desmontadas e remontadas utilizando 
o verso da caixa para desenhar e criar. Assim, a parte interna da caixa vira a parte 
externa e sendo possível criar composições figurativas ou abstratas. O artista 
Carlos Asp faz assim, cria trabalhos sobre o verso das caixas vazias.
FIGURA 32 – ARTISTA CARLOS ASP. CAMPO VERDE FRANCÊS, 2008 | DESENHO SOBRE 
EMBALAGEM| 41,5 X 23,8 CM
FONTE: <http://www.ufrgs.br/acervoartes/obras/desenho/desenho/carlos-asp/view>.
 Acesso em: 29 set. 2018.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
115
FIGURA 33 – CRIANDO NO VERSO DAS EMBALAGENS
FONTE: A autora (2018)
Os materiais recicláveis também podem ser trabalhados em oficinas. 
Têm o objetivo de refletir e conscientizar sobre o lixo produzido atualmente, 
preservando o meio ambiente. Existe uma infinidade de propostas de criação 
artística com materiais recicláveis. Uma proposta é usar jornais velhos que serão 
cortados em pedaços e enrolados. 
FIGURA 34 – COLAGEM DE ROLINHOS DE JORNAL
FONTE: A autora (2018)
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
116
Uma artista paulistana contemporânea é Debora Muszkat, artista 
multimídia que faz uso de fotografia e se apropriou da reciclagem de vidro, um 
material cortante, perigoso, mas que precisa ser reaproveitado. Artista reconhecida 
atualmente por seu trabalho com vidros 100% reciclados, pois divulga várias 
possibilidades de reaproveitamento do material e tendo a preocupação com o 
meio ambiente.
FIGURA 35 – ARTISTA DEBORA MUSZKAT, OBRA “DIAMANTE DE VIDRO”, 2015, INSTALAÇÃO
FONTE: <http://glorinhacohen.com.br/?p=30020>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Já a pluralidade cultural pode ser inserida através da arte indígena, 
mostrando exemplos de artesanato, de pinturas, que evidenciam os costumes e 
as tradições do povo. O trançado, por exemplo, é uma atividade que faz refletir 
como os índios produziam suas cestarias.
Segue uma proposta de trançado de papel que pode ser feito de forma 
bidimensional e outra proposta que se refere ao trançado com rolinhos de jornal 
para desenvolver uma produção tridimensional.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
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FIGURA 36 – TRANÇADOS DE PAPEL E DE JORNAL
FONTE: A autora (2018)
DICAS
Temática: 
O artesanato como estratégia de ensino/aprendizagem
 
Conteúdos relacionados:
 
- Português: gênero carta, bilhete e e-mail, escrita e reescrita. 
- Matemática: geometria: retas paralelas, medidas. 
- Artes: cestaria. 
- História: índios, primeiros artesãos. 
- Geografia: localidades que usam o artesanato como subsistência.
 
Ano escolar: Alunos do 5º e 6º ano do ensino fundamental
 
Objetivo geral:
 
- Reconhecer as várias formas de conhecimento existentes nos trabalhos artesanais.
 
Objetivos específicos:
 
- Conhecer diversos tipos de artesanato. 
- Identificar os costumes e tradições presentes no trabalho artesanal. 
- Identificar semelhanças e diferenças entre os termos: cultura, cultura popular, saber 
popular,costumes, tradições etc. 
- Conhecer os tipos de artesanato típicos da nossa região. 
- Explorar conteúdos específicos das diversas áreas de conhecimento (português, 
matemática, história, geografia e artes) 
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
118
Procedimentos:
 
1º Momento:
- Através de textos e exposição de imagens no data show, reconhecer os índios como os 
primeiros artesãos no Brasil, suas produções em cerâmica, cestaria, tecelagem, esculturas etc. 
2º Momento:
- Identificar os diferentes tipos de tecelagem de fibras como do capim dourado, que é muito 
procurado no exterior em bolsas, chapéus etc. No sertão da Bahia há um grande número 
de pessoas que sobrevivem da trançagem da fibra de uma árvore chamada licuri (que 
produz o coquinho), esteiras, chapéus, balaios etc. 
- Fazer a trançagem com tiras de papel colorido que pode ser usado para confeccionar 
cartões: explorar aspectos geométricos, como retas paralelas e sistema de medidas (metro 
e centímetro). 
3º Momento:
- Construir, com os alunos, pequenos cestos com canudos de jornal explorando os 
conceitos geométricos de retas paralelas e perpendiculares, ao mesmo tempo explorar a 
origem da trança, como o homem começou a usar a trançagem na construção de suas 
casas ou cabanas a, aproximadamente, 6000 anos a.C.
 
4º Momento:
- Utilizar a trançagem para confeccionar o cartão do dia das mães: explorar o gênero textual 
bilhete, carta e e-mail.
 
Recursos: 
- Data show
- Textos
- Livros e revistas sobre o tema 
- Internet (se possível) 
- Jornal (para os canudos)
- Papel colorido 
- Cola
- Estilete 
- Régua 
- Lápis 
- Canetas coloridas 
- Hidrocor 
- Lápis de cor
- Verniz 
A aplicação de oficinas possibilita que os alunos desenvolvam conhecimentos interdisciplinares 
ao mesmo tempo em que se efetivam práticas sociais de leitura e escrita. Por meio da oficina, 
os alunos realizam leituras de conteúdos que são atraentes e despertam conhecimentos de 
mundo, visto que é comum encontrarmos em nosso cotidiano algum tipo de artesanato. 
Também foram explorados, na mesma oficina, aspectos da matemática que são importantes 
e fazem parte da vida de todos: retas, paralelismo e sistema de medidas. O conhecimento 
de leitura está em todas as áreas e fica mais evidente a sua presença por meio da atuação 
dos projetos desenvolvidos. Ainda, conteúdos de Língua Portuguesa também são abordados 
junto às práticas sociais de leitura e escrita, considerando que todos necessitam, em algum 
momento, escrever um bilhete, carta ou e-mail (na contemporaneidade).
FONTE: <http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/06/volume_2_
artigo_091.pdf>. Acesso em: 6 fev. 2019.
TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES
119
Portanto, a disciplina de arte contribui para o estudo dos temas 
transversais, pois permite estabelecer múltiplas conexões com diferentes áreas do 
conhecimento, conectando o aluno aos saberes populares e científicos, de forma 
a promover a conscientização e o compromisso com a construção da cidadania.
DICAS
Livro: “A imagem da arte e os temas transversais”, 
da autora Aurora Ferreira (2008).
O livro mostra projetos didáticos para o ensino fundamental 
com obras de arte que abordam os temas transversais. Os temas 
são abordados com obras de arte como: sobre saúde, a obra 
Mamão e melancia (1860), de Agostinho da Mota; Pluralidade 
cultural – redenção de Cã (1895), de Modesto Brocos e 
Engenho de mandioca (1892) do mesmo autor; Meio ambiente 
– vista de uma mato virgem que se está reduzindo a carvão 
(1843), de Félix Emile Taunay; Ética e cidadania – a caminho da 
escola (1925), de Eliseu Visconti; Relações de gênero – postura, 
crenças, tabus e valores bom tempo ou idílio campestre (1893), 
de Belmiro de Almeida.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que: 
• O professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando, 
com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico.
• O artista Pollock fez a chamada pintura de ação (ActionPainting). Realizava 
suas produções em gigantescas telas que ficavam no chão, onde jogava a tinta 
direto das latas, derramando, respingando com pincéis, jogando a tinta com o 
auxílio de varetas.
• A transversalidade do conhecimento diz respeito à possibilidade de se 
estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos 
teoricamente sistematizados (aprender a realidade) e as questões da vida real e 
de sua transformação (aprender na realidade e da realidade). 
• Os temas transversais são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde, 
orientação sexual, trabalho e consumo.
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AUTOATIVIDADE
1 Assinale a alternativa que preenche a lacuna CORRETAMENTE:
O artista Pollock faz a chamada __________________. Realizava suas produções 
em gigantescas telas que ficavam no chão e jogava a tinta direto das latas.
a) pintura em tela com tinta a óleo
b) pintura com tinta acrílica
c) pintura com cores monocromáticas
d) pintura de ação ActionPainting
2 Sobre a transversalidade do conhecimento:
I- O professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando, 
com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico.
II- Diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma 
relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados 
(aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação 
(aprender na realidade e da realidade).
III- Os temas transversais são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, 
saúde, orientação sexual, trabalho e consumo.
Está(ão) CORRETO(S):
a) Somente o item I.
b) Somente o item II.
c) Os itens I e III.
d) Os itens II e III.
3 Escreva uma sugestão de atividade prática através do tema transversal 
“Meio Ambiente”. Escolha uma turma de alunos e organize suas ações, 
seu planejamento de conteúdos e atividades sobre a temática. Apresente 
para os colegas!
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TÓPICO 3
ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM 
NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você, acadêmico, encontrará propostas que envolvem 
o processo criativo explorando diferentes espaços de práticas artísticas. As 
propostas de atividades são proposições que podem ser ampliadas, adaptadas e 
recriadas conforme a faixa etária atendida pelo professor nas aulas de artes.
Assim, o processo criativo acontece por meio das linguagens artísticas, 
nos campos conceituais do fazer artístico, da leitura e da contextualização. 
O processo criativo e o processo de subjetividade acontecem em sua 
multiplicidade de vivências e experiências, momentos diversos. Assim, os 
conhecimentos são construídos a partir do contato e desenvolvimento de práticas 
artísticas nos vários espaços, como o espaço da sala de artes.
2 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS
Os espaços para as práticas artísticas tornam-se muitas vezes restritos, isto é, 
a sala de aula da própria turma é a sala de criação da aula de artes. Percebe-se que a 
maioria das escolas não disponibiliza espaço físico específico para o ensino de artes. 
As práticas artísticas necessitam de espaços para termos atividades mais 
estimulantes e motivadoras para os alunos. Assim, no ambiente escolar, “o espaço 
de arte deve ser o espaço de criação e conhecimento cultural” (FERRAZ; FUSARI, 
2009, p. 156).
Uma sala é um espaço físico para os alunos produzirem e guardarem suas 
criações, além de materiais para a aula. O espaço é
[...] algo dinâmico e unitário, onde se reúnem materialidade e ação 
humana. O espaço seria o conjunto indissociável de sistemas de 
objetos, naturais ou fabricados, e de sistemas de ações, deliberadas ou 
não. A cada época, novos objetos e novas ações vêm juntar-se às outras, 
modificando o todo, tantoformal quanto substancialmente (SANTOS, 
2008, p. 46).
124
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
O espaço nem sempre precisa ser fechado, com paredes em todos os lados 
como uma sala tradicional, pode ser um espaço externo e aberto, aproveitando a 
própria natureza que existe ao redor da escola. Assim,
 
a sala de arte pode ter marcas pessoais e estéticas, e se transformar em 
uma pequena sede cultural que guarda documentos, imagens, livros, 
objetos e a torna distinta de outros espaços impessoais, como ainda se vê 
em muitas escolas. E isto só é possível quando a instituição e o professor 
conseguem demonstrar a importância da sala ambiente e sua utilização 
como ateliê e oficina de arte (FERRAZ; FUSARI, 2009, p.157).
Uma sala de artes que tenha mesas e cadeiras, onde os alunos ficam 
sentados em grupos, que tenha torneira e tanques para limpeza dos materiais 
seria ideal. Contudo, que também possam ser colocadas, coladas nas paredes 
algumas imagens como obras de arte, desenhos e pinturas dos alunos. Um espaço 
de organização dos materiais, secagem de produções artísticas, de visualidade 
estética, que promova aprendizagem e contato com diferentes imagens.
FIGURA 37 – SALA AMBIENTE DE ARTES
FONTE: <http://www.amocuritiba.com.br/acontece-em-curitiba/soma-abre-inscricoes-para-
programa-de-residencias-artisticas.html>. Acesso em: 14 set. 2018.
Os espaços de práticas artísticas retratam também a cultura visual, 
o cotidiano. A pintura e a escultura abrem espaços para outras possibilidades 
de trabalho e produção. Os alunos têm a possibilidade de participar trazendo 
imagens para refletir sobre o que veem, escutam e sentem, ou seja, sobre tudo que 
está ao seu redor, que faz parte da sua vida.
A sala de arte precisa ser pensada como um espaço físico que pode 
oferecer vivências para a formação estética do aluno, um espaço de interação 
entre pessoas, objetos, materiais, promovendo um maior repertório imagético, 
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
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ampliando experiências estéticas. Um espaço diferenciado que vem proporcionar 
vivências/experiências, maneiras de ver, sentir e perceber o mundo ao seu redor. 
 
Também é importante destacar outros espaços de criações artísticas que 
podem ser as galerias, museus, espaços culturais em livrarias. 
FIGURA 38 – ESPAÇO ALTERNATIVO DE PRÁTICA ARTÍSTICA
FONTE: A autora (2018)
São espaços alternativos que podem promover a aprendizagem por meio 
de oficinas de artes e a comunidade em geral também participa.
Os mais diversos espaços físicos influenciam diretamente na prática 
artística, no processo criativo dos alunos. Podem influenciar de maneira positiva, 
enfatizando o gosto pela arte, por aprender, desenvolvendo e aprimorando 
seus conhecimentos. No espaço, o professor orienta e organiza momentos e o 
aluno é produtor de arte e apreciador, estimulando os campos conceituais de 
arte (criação/produção; percepção/análise; conhecimento e contextualização 
conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade). 
O espaço, seja a sala de aula ou outro local, simula ser uma espécie de 
ateliê do próprio artista, fazendo com que o aluno seja, por um momento, o artista, 
criando e vivenciando sua produção, seu fazer artístico. Sabemos que muitas 
escolas não possuem um espaço físico específico para as aulas de artes, sendo 
que elas acontecem na própria sala de aula da turma. Assim, é importante que 
os professores de artes sejam criativos em desenvolver as práticas artísticas nos 
diferentes espaços disponíveis, outros lugares como galpão da escola, área aberta 
como um parque, ou mesmo visitação de algum lugar da cidade e/ou região. 
126
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
É preciso possibilitar o conhecimento artístico, por exemplo: uma obra de 
arte exposta em algum lugar (arte urbana) para apreciação a fim de provocar a 
experiência, criando ambientes prazerosos que possibilitam realizar as atividades 
da melhor forma possível.
3 PROCESSO CRIATIVO
O processo criativo está presente em todas as linguagens artísticas. Na 
escola, em especial nas aulas de artes visuais, o processo criativo do aluno está 
imbricado ao planejamento do professor, isto é, as criações artísticas são feitas 
pelos alunos a partir de conteúdos propostos em cada faixa etária, sendo que, 
raramente, as atividades são livres e sem direcionamento do professor.
Assim, olhando para a linha do tempo, para a história da arte, muitos 
artistas eram considerados gênios em sua arte, apresentando um talento em 
suas criações, um dom, como muitos dizem. Tais artistas, muitas vezes, foram 
autodidatas, construindo seu processo criativo de maneira individual e não em 
espaços escolares.
Podemos dizer que, na contemporaneidade, no momento atual que 
estamos vivendo, cada sujeito poderá desenvolver-se criativamente. O ser criativo 
é um processo contínuo, se aprende todos os dias, ao longo de toda a vida, em 
momentos da época escolar ou por conta própria, buscando aperfeiçoar-se em 
cursos ou autoestudos. 
O professor pode explorar conteúdos que vão além das artes clássicas e, 
assim, percorrer em novos caminhos que façam o processo criativo se desenvolver 
de maneira mais ousada, isto é, levar para a sala de aula obras de arte que mostrem 
outras manifestações artísticas, como a instalação, performance ou propostas 
de artistas atuais, artistas vivos que estão produzindo e expondo em galerias e 
museus. Contudo, é importante salientar o cuidado que o professor precisa ter 
em elaborar um planejamento, que proporcione experiências embasadas em 
conteúdos e atividades de artes com significado para o aluno. 
Para Pougy (2011), o desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-
los para que possam descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação, sua 
criatividade. É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas 
criações do fazer artístico, assim, a marca pessoal de cada aluno pode surgir através 
do predomínio de cores, formas, texturas ou outro elemento visual. Portanto, a
criatividade é a capacidade ou habilidade humana de unir elementos 
díspares (imagens, sons, gestos, movimentos, ideias, conceitos e teorias) 
“estocados” no imaginário e na memória de quem cria. É a fonte de 
invenção artística, bem como científica e filosófica. Quanto mais 
repertório, mais “matéria-prima” de criação (POUGY, 2011, p. 67).
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
127
Assim, o aluno, para construir seu repertório imagético, cultural e criativo, 
necessita das seguintes ações na construção do seu conhecimento em sala de aula:
A aprendizagem de fatos e conceitos envolve: analisar, interpretar, 
conhecer, explicar, descrever, comparar, relacionar, identificar, situar 
(no tempo e no espaço), reconhecer, classificar, recordar, inferir, 
generalizar etc.;
A aprendizagem de procedimentos envolve: construir, simbolizar, 
representar, observar, experimentar, elaborar, manejar, compor, 
confeccionar, utilizar, simular, reconstruir, planejar etc.;
A aprendizagem de atitudes, valores, normas envolve: apreciar, valorizar 
(positiva e negativamente), ser consciente de estar sensibilizado a sentir, 
a perceber-se, prestar atenção, deleitar-se com, brincar com, preferir etc. 
(MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 129).
As ações de aprendizagem instigam o aluno em seu processo criativo. 
Analisar, construir e apreciar se tornam indispensáveis em qualquer criação 
artística de todas as linguagens.
Muitas vezes, o processo criativo não é contemplado nas aulas de artes 
devido a um planejamento fechado. Muitas vezes a aula não condiz com o 
desenvolvimento e interesse do aluno, bem como no seu processo de criação e, 
negando assim, as sugestõese situações que surgem no andamento das aulas 
pelos próprios alunos.
A imagem a seguir mostra um processo criativo. O grupo de alunos 
descobriu uma nova composição artística a partir da sombra dos objetos. Os 
alunos projetaram a luz da lanterna do celular e observaram o contorno dos 
objetos projetados. Esta ação dos alunos não estava prevista no planejamento da 
aula do professor, a proposta era apenas fotografar cada personagem fazendo 
uma animação, assim, foi o próprio grupo de alunos que registrou a imagem, 
relatando o fazer artístico. 
FIGURA 39 – DESCOBRINDO SILHUETAS PELAS SOMBRAS PROJETADAS
FONTE: A autora (2018)
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UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
Retomando propostas que contemplem as diferentes manifestações artísticas 
nas aulas de artes visuais, o processo criativo contempla os diferentes espaços de 
práticas artísticas. “Uma aprendizagem em arte só é significativa quando o objeto 
de conhecimento é a própria arte” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 9). 
O aluno que tem acesso aos espaços culturais, às exposições, aos 
espetáculos de música, às apresentações de dança e de teatro será instigado, 
provocado a pensar mais sobre a arte, contribuindo para um processo criativo 
que contemple um repertório cultural maior.
Tudo faz parte do processo criativo e, como professor de arte, é preciso 
trazer reflexões sobre a criação do aluno, ou seja, analisar se a produção artística 
contém a sua expressão e cuidar com cópia de trabalhos já prontos. 
Outra contribuição significativa para o processo de aprendizagem criativa 
é proporcionar o contato do aluno com as galerias e museus virtuais, sendo que 
muitas escolas se localizam longe desses espaços.
Atualmente, é possível explorar um espaço virtual de arte chamado Google Art 
Project, uma ferramenta que nos ajuda a conhecer e a visitar vários museus no mundo todo, 
simulando, muitas vezes, uma visita real. Acesse o link e descubra obras impressionantes de arte, 
aprimorando seus conhecimentos e seu processo criativo como professor. FONTE: <https://
artsandculture.google.com/asset/untitled/nwEWnMaur6L4jQ?hl=pt-BR>. Acesso em: 6 fev. 2018.
UNI
FIGURA 40 – ESPAÇO VIRTUAL DO GOOGLE ART PROJECT
FONTE: <https://artsandculture.google.com/explore?hl=pt-BR>. Acesso em: 12 fev. 2019.
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
129
Ter conhecimento das diversas linguagens artísticas, das diferentes 
produções de diversos artistas permite ter outros modos de fazer e pensar arte, 
estimulando o processo criativo tanto do professor quanto dos alunos.
Vamos conhecer mais uma proposta pedagógica que envolve criatividade. 
A partir de um estudo sobre moda na arte, surgiu a ideia de criação usando 
materiais diferentes. O exemplo a seguir foi criado por uma aluna que criou a 
partir de seu repertório imagético e do seu processo criativo.
FIGURA 41 – TINGIR A CAMISETA COM TINTA
FONTE: A autora (2018)
A aluna criou um trabalho na aula de artes que proporcionou a 
experimentação de uma técnica que potencializou a sua marca pessoal por meio 
da cor e da forma. Segundo Pougy (2011, p. 72):
A fim de estimular o estilo e a marca pessoal dos alunos, promova 
oficinas de percurso, momentos de experimentação e criação que 
podem constar regularmente no seu planejamento anual. Trata-se de 
deixar à disposição dos alunos pincéis, tintas, lápis, giz de cera, papéis, 
argila, instrumentos musicais, fantasias, marionetes, fantoches, etc., 
e de orientá-los a decidir como utilizá-los, se vão fazer o trabalho 
individualmente ou em grupo.
Toda a arte desenvolvida pelos alunos não acontece de maneira estática, 
o poetizar, fruir e o conhecer se manifestam nas ações do fazer artístico, no ato 
de criar. Segundo Barbosa (1998, p. 18), "através da apreciação e da decodificação 
de trabalhos artísticos, desenvolvemos fluência, flexibilidade, elaboração e 
originalidade - processos básicos da criatividade".
130
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
Assim, é necessário que o professor de arte reflita sobre: quais são as 
referências artísticas que podem ser contextualizadas na aula de artes? Quais 
imagens, materiais visuais, gestuais e sonoros são relevantes para desenvolver o 
pensamento crítico e criativo dos alunos? De que maneira procedem as minhas 
escolhas enquanto professor? Tais escolhas estão motivando o processo criativo e 
a aprendizagem dos alunos? Pense sobre isto!
O professor precisa ser o mediador entre os alunos e do conhecimento 
artístico, sendo importante:
Escolher cuidadosamente as obras, levando em consideração o 
repertório dos aprendizes e o conteúdo curricular, tendo clareza da 
intenção da escolha que fez. É preciso cuidar da apresentação das 
obras, com boas reproduções. Em relação às artes visuais, cobrir texto 
e ilustrações que desviem o olhar é uma boa estratégia;
Desafiar leituras com a mesma profundidade, tanto para os trabalhos 
de artistas como os de aprendizes;
Promover o acesso a artistas vivos, contemporâneos, brasileiros, 
não só pintores, como também escultores, gravadores, músicos, 
compositores, bailarinos, atores;
Estar consciente de que nem sempre a leitura da obra precisa gerar 
produções que a focalizam. Ela pode ampliar referências para outros 
trabalhos em um sentido mais amplo;
Promover visitas aos museus e galerias, ruas, parques e praças, 
teatros, sala de concerto. São atividades especialmente provocantes, 
quando o caráter de passeio ou visita é transformado em expedição 
– artística, exploratória, científica – planejada anteriormente com os 
alunos (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 130).
Uma atividade que é muito interessante para os alunos perceberem seu 
processo criativo e de aprendizagem é fazer um “Diário de bordo” (também é 
conhecido como “livro de memória artística”, “registro de experiências estéticas”). 
O diário se apresenta no formato de um caderno e o aluno ou o professor registram, 
a cada semana, as atividades e conceitos aprendidos. 
Ainda, é um material que também pode ter colagens de obras ou de 
exposições encontradas em revistas, de fotografias da turma ou outros registros 
que apresentem momentos de experiências artísticas. Também é um local no qual 
o aluno ou o professor possam realizar seus esboços, seus desenhos, suas criações 
e suas ideias, ou seja, o próprio processo criativo.
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
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FIGURA 42 – EXEMPLOS DE REGISTROS NO DIÁRIO DE BORDO
FONTE: <https://agorav4i.wordpress.com/tag/destrua-este-diario/>. Acesso em: 10 dez. 2018.
Como exemplo de processo criativo ousado, vamos conhecer as obras do 
artista brasileiro Guto Lacaz (1948), que se aproximam desta abordagem, criando 
com humor e ironia suas obras. O documentário “As máquinas de Guto Lacaz”, 
do Arte na Escola, é um vídeo que mostra o artista em seu ateliê, produzindo e 
apresentando alguns trabalhos como instalações e performance. A produção do 
artista se dá através do design gráfico, criação de objetos do cotidiano e exploração 
das possibilidades tecnológicas na arte.
FIGURA 43 – FRAGMENTO DO VÍDEO “AS MÁQUINAS DE GUTO LACAZ” – DVDTECA 
ARTE NA ESCOLA (2006)
FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/catalogo/dvd/32/>. Acesso em: 15 set. 2018.
132
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
DICAS
Podemos encontrar na internet os trabalhos do artista Guto Lacaz, sendo 
possível explorar um material educativo que se encontra no site arte na escola, que foi 
produzido a partir do vídeo das máquinas do Guto Lacaz. Acesse e aproveite as dicas.
FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_pdf_32.pdf>. Acesso em: 6 fev. 2019.
Outro material didático que apresenta um artista brasileiro é o DVDteca 
Arte naEscola. O documentário mostra a artista Leda Catunda (1961), chamado 
“Recortes de Leda Catunda”. O vídeo foi feito na casa-ateliê da artista, mostrando 
obras, materiais e seu processo criativo. 
A artista Leda Catunda explora texturas e superfícies de materiais 
industrializados, utilizando materiais como tecidos com referência aos elementos 
da natureza, visando despertar as sensações táteis. Suas obras apresentam o 
processo criativo a partir do uso de materiais populares, do cotidiano, criando 
até moldes com papel Kraft.
DICAS
Assista ao vídeo: “Recortes de Leda Catunda”. 
FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=HY3ebDwkGgc>. Acesso em: 6 fev. 2019.
FIGURA 44 – OBRA: CAMINHO DOM FLORES – 2005 – LEDA CATUNDA – COLAGEM
FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/leda-catunda/#jp-
carousel-8619>. Acesso em: 10 dez. 2018.
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
133
DICAS
Sobre a artista, você encontra materiais nos seguintes links: <http://
artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/recortes_de_leda_catunda.pdf> e <https://www.
historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/leda-catunda/>. Acesso em: 6 fev. 2019.
E agora, vamos pensar? Como professor de arte que pretende desenvolver 
atividades abordando um projeto artístico, é necessário que se façam reflexões 
e análises constantes sobre: observar o processo de criação dos alunos, ou seja, 
perceber se foi semelhante uns dos outros ou teve destaques nas criações? No 
desenvolvimento da proposta pedagógica de artes, surgiram novas descobertas 
e possibilidades sobre o assunto que estudaram? Tais perguntas podem nortear 
as propostas pedagógicas em artes e, com elas, o surgimento de propostas 
inovadoras e um processo criativo que contemple a liberdade de expressão e o 
conhecimento artístico, cultural e estético.
DICAS
Aproveite e se inspire em um plano de aula que se encontra no site da nova 
escola. É possível desenvolver um projeto que explore as manifestações artísticas, o processo 
criativo, como o grafite em espaços não convencionais. 
Acesse o link!
FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/7768/manifestacoes-artisticas-em-espacos-
nao-convencionais>. Acesso em: 6 fev. 2019.
4 PROCESSO DE SUBJETIVIDADE
A arte está na vida das pessoas, no cotidiano, e cada um se identifica, se 
sensibiliza de forma diferente, ou seja, cada ser humano tem empatia com alguma 
arte, com alguma manifestação artística. Assim, a arte é também subjetiva, sendo 
que as pessoas sentem e contemplam a arte de maneira distinta, gostam ou se 
opõem a ela, sendo diferentes as reações de pessoa para pessoa, e isto também 
acontece no espaço da sala de aula com imagens de obras de arte e/ou com 
imagens visuais do cotidiano. Assim,
134
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
o conhecimento em arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma 
compreensão do mundo no qual a dimensão poética esteja presente: a 
arte ensina que é possível transformar continuamente as existências, 
que é preciso mudar referências a cada momento, ser reflexível. Isso 
quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é 
condição fundamental para aprender (BRASIL, 1997, p. 21). 
A atividade de desenho pode ser uma boa proposta para revelar a 
subjetividade das pessoas. Nos desenhos das “mochilas da vida”, os alunos 
do ensino médio realizaram, inicialmente, um desenho de observação de sua 
mochila/bolsa, analisando os detalhes. Após, o professor indagou sobre o que 
teria dentro da mochila, caso fosse aberta, o que sairia dela sobre cada aluno? Que 
escolhas, gostos, preferências, sonhos podem sair do objeto desenhado? 
FIGURA 45 – MOCHILAS DA VIDA
FONTE: A autora (2018)
O processo de subjetividade é expresso através do desenho de maneira 
particular e única, retrata os pensamentos e a visão de mundo. Na perspectiva, 
durante as aulas de artes, o processo criativo e subjetivo do próprio aluno se 
baseia em suas experiências e vivências, seu repertório imagético. Assim, quando 
o aluno realiza uma atividade artística, este vivencia a técnica ou o processo 
criativo de um determinado período de arte ou de artista. 
A composição abstrata a seguir foi desenvolvida por alunos do 3º ano do 
ensino fundamental. Os alunos estudaram a arte abstrata observando várias obras 
de diversos artistas. O processo de criação da prática artística é percebido como 
subjetivo, isto é, a subjetividade está na obra, na leitura e na contextualização de 
todas as obras de arte, seja figurativa ou abstrata, pois não é possível definir o que 
cada aluno estava sentindo e/ou pensando no momento de sua criação.
O conceito de subjetividade está relacionado com o mundo interno de 
qualquer ser humano, através dos pensamentos e sentimentos. Assim, o subjetivo 
não é sinônimo de abstração. A subjetividade está na obra, na leitura e na 
contextualização de todas as obras de arte.
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
135
FONTE: A autora (2018)
FIGURA 46 – COMPOSIÇÃO ABSTRATA COM USO DE GIZ DE CERA
Portanto, a arte é subjetiva, e conteúdos de artes trabalhados em sala de 
aula sempre terão percepções e resultados diferentes, ou seja, uma subjetividade 
que se apresenta no fazer artístico do criador. A arte continua até hoje sendo 
indagada, questionada, pois o criador e o observador poderão ter respostas 
diferentes de um determinado objeto artístico, principalmente se tratando da 
compreensão da arte contemporânea. E assim, o que é arte e para que serve? 
FIGURA 47 – OBRA: O QUE É ARTE? PARA QUE SERVE?, DE PAULO BRUSCKY,1978. 
DOCUMENTAÇÃO DE AÇÃO DA IMPRESSÃO EM PAPEL FOTOGRÁFICO FOSCO, 40 CM 329 
CM. NA IMAGEM, UMA DAS QUATRO FOTOGRAFIAS EXPOSTAS NA 29ª BIENAL DE ARTE DE 
SÃO PAULO, EM 2010
FONTE: <https://bombmagazine.org/articles/paulo-bruscky/>. Acesso em: 29 set. 2018.
136
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
Na obra do artista Paulo Bruscky percebemos o que é arte e para que serve, 
de uma maneira crítica e subjetiva. Cada espectador, ao olhar a produção, terá 
uma resposta, um questionamento, uma reflexão. O artista iniciou sua carreira 
publicando desenhos em jornais e depois estudou jornalismo. Sua arte indaga 
sobre informação, protesto e denúncia.
DICAS
Leia “O livro de arte para criança”, da editora artmed, 
escrito por Amanda Renshaw, em 2006. No livro encontramos 30 
artistas que apresentam um pouco das obras de arte. Muitas obras 
são pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, instalações que 
exploram a imaginação e a criatividade das crianças através da 
análise de cores, formas e texturas.
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
137
LEITURA COMPLEMENTAR
Este plano de aula foi elaborado por participantes do programa 
Educonexão, que forma professores para o uso de tecnologias digitais no processo 
de ensino e aprendizagem.
Disciplinas/Áreas do Conhecimento: 
• Linguagem Oral e Escrita; Linguagem Corporal; Linguagem Artística.
Competência(s)/Objetivo(s) de Aprendizagem
 
• Interagir com as diferentes linguagens, incluindo registros verbais e não 
verbais.
• Perceber relações entre o tema e seu cotidiano.
• Desenvolver a sensibilidade, a curiosidade e o gosto pela arte.
• Ampliar os conhecimentos gerais sobre o assunto.
• Participar das atividades artísticas baseadas nas obras estudadas.
Conteúdos:
 
• Obras de arte de Portinari. 
• Brinquedos e brincadeiras.
• Múltiplas linguagens.
Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais
O filme pode ser encontrado no YouTube, por meio do seguinte link: 
<https://youtu.be/BTs5i3PIp6I>.
A biografia de Cândido Portinari segue no link: <https://pt.wikipedia.org/
wiki/Candido_Portinari>.
É possível ao educador,também, consultar o link: <www.portinari.org.
br/> –Projeto Portinari – para saber mais de sua vida e obra.
A canção “Loja do Mestre André”, da turma Galinha Pitadinha, apresenta 
os diferentes tipos de instrumentos musicais que podem ser explorados de forma 
lúdica com a vida e obra de Portinari. A canção pode ser encontrada no link: 
<https://youtu.be/j0Q7MG3kZ0o>.
O livro literário Encontro com Portinari também pode ser adquirido pelo 
link: <www.saraiva.com.br/encontro-com-portinari-5-ed-2001-brochura-3987>.
138
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
História de Cândido Portinari
Sinopse: A biografia de Portinari encontra-se em forma de documentário, 
com linguagem clara e objetiva para Educação Infantil. A obra de Portinari foi 
intensa e diversificada. Pintou diferentes temas: tipos regionais do Brasil, como 
cangaceiros e índios; retratos; músicos; o homem do campo; e, principalmente, 
crianças. Portinari adorava pintar crianças brincando, e dizia: "Sabem por que 
eu pinto tanto menino em gangorra e balanço? Para botá-los no ar, feito anjos”. 
Crianças brincando em mangueiras frondosas ou participantes de "peladas" de 
futebol e de festas de São João, trazendo a lembrança da vida rural. A criança, 
agrupada em bandos, é apresentada com roupas claras e rústicas, geralmente 
em movimento, com gestos largos ou de posse de brinquedos manufaturados. 
Espantalhos, pipas, luas e estrelas são elementos recorrentes que refletem o apego 
à cultura rural e à paisagem do interior. 
O universo infantil é povoado de elementos lúdicos, como brinquedos, 
brincadeiras e jogos: “Nossos brinquedos eram variados, conforme o mês, e 
também existiam os para o dia e os para a noite”. Para o dia eram: gude, pião, 
arco, avião, papagaio, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol. Para a noite: 
pique, barra-manteiga, pulando carniça etc.
Ficha técnica:
 
Título: História de Portinari 
Gênero: Documentário 
Duração: 4:38 min. 
Publicado por: Ines Braitt
Classificação: Livre 
Ano/País de Produção: Publicado em: 26 dez. 2012/Brasil.
Proposta de Trabalho
1ª Etapa: Exibição do Filme
Antes de iniciar o trabalho, consulte os links sugeridos na aba “Para 
organizar o trabalho e saber mais”.
O documentário disponível no link 1, na aba Para organizar o trabalho e 
saber mais, pode ser apresentado às crianças durante um projeto de trabalho na 
Educação Infantil e/ou como forma de apresentar um artista que adorava pintar 
crianças brincando. É curto e objetivo, o que facilita a compreensão pelas crianças 
e as atrai pelo fato de conter elementos lúdicos como brinquedos e brincadeiras.
 
2ª Etapa: Debate sobre o filme 
Após a exibição, converse com as crianças sobre as primeiras impressões 
que tiveram. Proponha que comparem a relação das brincadeiras contidas nas 
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
139
obras de Portinari com as brincadeiras do cotidiano. Para suscitar o debate é 
interessante retomar com o grupo: 
• Quem era Cândido Portinari?
• Quais obras pintadas por ele que eles mais gostaram? Por quê? 
• Que brincadeiras aparecem na biografia que eles desconhecem?
• Por que Portinari gostava de desenhar crianças brincando?
• Do que Portinari tinha medo? Por quê?
Elucidar tais questões auxiliará as crianças a compreenderem as diversas 
obras pintadas pelo artista contidas no documentário e a relação entre os 
brinquedos e brincadeiras de antigamente com os brinquedos e brincadeiras da 
atualidade. É necessário, também, expor a questão do medo tão presente na vida 
do pintor que visivelmente era retrato em suas obras. É uma boa oportunidade 
para o professor ater-se aos desenhos das crianças de forma reflexiva e preventiva.
140
UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE
3º Etapa: Desenvolvimento das múltiplas linguagens
Durante o trabalho com a obra de Portinari o professor poderá auxiliar os 
alunos a desenvolverem diversas linguagens:
Linguagem oral – conversa informal sobre a vida e a obra do artista, roda 
de músicas, roda de conversa após realizarem o “Roteiro para o olhar” definido por 
Robert William Ott. Para a leitura das imagens, existem diferentes métodos, mas 
o abordado neste projeto será o roteiro criado pelo pesquisador norte-americano 
Robert William Ott. Ele criou o roteiro para treinar o olhar sobre obras de arte.
Roteiro para o olhar (Robert William Ott)
1) Descrever
Para aproveitar tudo o que uma imagem pode oferecer, os olhos precisam 
percorrer o objeto de estudo com atenção. Mostre a imagem e dê um tempo para 
que a criança a observe cuidadosamente.
Em sala de aula, peça para que as crianças descrevam o que veem. A 
partir do exercício de ver, elas poderão, posteriormente, identificar e interpretar 
os detalhes visuais.
2) Analisar
É hora de perceber os detalhes. As perguntas feitas pelo professor devem 
ter por objetivo estimular o aluno a prestar atenção na linguagem visual, com 
seus elementos, texturas, dimensões, materiais, suportes e técnicas.
3) Interpretar
A partir das ideias colocadas pelos alunos, o professor poderá aproveitá-
las para as possibilidades pedagógicas. Liste-as e eleja, com as crianças, as que 
correspondem aos objetivos de ensino. 
Todos devem ter espaço para expressar as próprias interpretações, bem 
como sentimentos e emoções. Mostre outras manifestações visuais que tratem do 
mesmo tema e estimule comparações (cores, formas, linhas, texturas, organização 
espacial etc.).
4) Fundamentar
Com as questões definidas que balizarão o trabalho, é tarefa do aluno 
buscar respostas. Elabore, junto com eles, uma lista com os aspectos que provocam 
curiosidade sobre a obra, o autor, o processo de criação, a época etc. De acordo 
com a faixa etária, os interesses e o nível de conhecimento da classe, ofereça textos 
de diversas áreas do conhecimento para pesquisa e indique bibliografia e sites 
para consulta.
TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO
141
5) Revelar
Com tantas novidades e aprendizados, a criança certamente estará 
estimulada a produzir. Discuta com todas como gostariam de expor suas 
ideias. Quais são e como comunicá-las? É hora de criar por meio do desenho, 
encorajar a atividade criadora em grupo, experimentar com representações em 
três dimensões, investigar materiais plásticos, formas, cores, texturas e linhas, 
exercitar as habilidades para recorte, colagem, modelagem, pintura etc.
Linguagem Artística: Aproveite para introduzir os conceitos de cores 
primárias, secundárias e terciárias (experiência com as cores), a releitura e 
reprodução das obras por meio de diferentes recursos didáticos e solicitar que 
criem diferentes instrumentos musicais recicláveis etc.
Linguagem Musical: Apresente os diferentes instrumentos musicais 
e proponha que relacionem com a obra que Portinari pintou de seu pai Batista 
tocando um instrumento. Vocês podem brincar com os instrumentos construídos 
com materiais recicláveis e cantar a música: loja do mestre André (Galinha 
Pitadinha), disponível no link 4, na aba Para organizar seu trabalho e saber mais, 
além de buscar na internet outras músicas etc.
Linguagem Corporal: Crie, com os alunos, danças ou peças de teatro com 
movimentos curtos e amplos.
Linguagem Escrita: Escrita de lista coletiva ou individual com os nomes 
das brincadeiras citadas na obra e/ou outras citadas por eles. Pode pedir que 
realizem pesquisas sobre os instrumentos musicais e o histórico sobre o Café no 
Brasil, por exemplo.
Linguagem Lógica da Matemática: Construa a linha do tempo com as 
crianças sobre a criação das obras até os dias de hoje, adição e subtração em 
relação à data de nascimento e morte do pintor, conceitos de igual e diferente.
4º Etapa: Construindo um vídeo
Faça umvídeo com o aplicativo Viva Vídeo sobre a releitura das obras de 
Portinari com as crianças brincando ou por meio das produções artísticas delas.
Plano de aula: Leila de Fátima Soares e Rosa Maria Matos de Lima da Silva.
E-mail: <rosa_mmls@hotmail.com>.
Edição final: Portal NET Educação
FONTE: SOARES, Leila de Fátima; SILVA, Rosa Maria Matos de Lima da. Artes plásticas: encontro 
com Portinari. 2018. Disponível em: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/
para-ensinar/planos-de-aula/artes-plasticas-encontro-com-portinari./>. Acesso em: 10 set. 2018.
142
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• O espaço é algo dinâmico e unitário, onde se reúnem materialidade e ação 
humana. O espaço é o conjunto indissociável de sistemas de objetos, naturais 
ou fabricados, e de sistemas de ações, deliberadas ou não.
• As práticas artísticas necessitam de espaços para serem desenvolvidas. 
As atividades podem ser estimulantes e motivadoras, fazendo os alunos 
vivenciarem experiências práticas na elaboração de projetos de artes.
• O processo criativo acontece pelas vivências e experiências adquiridas nos 
vários espaços, como na escola, museus, galerias, teatros, espaços virtuais etc.
• O desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-los para que possam 
descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação, estimulando sua 
criatividade.
• É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações do 
fazer artístico, assim, a marca pessoal de cada aluno pode surgir através do 
predomínio de cores, formas, texturas ou outro elemento visual.
• A fim de estimular o estilo e a marca pessoal dos alunos, o professor de arte 
precisa promover oficinas de percurso, momento de experimentação e criação 
que podem constar regularmente no planejamento anual.
• A arte é subjetiva. Os conteúdos de artes trabalhados em sala de aula sempre 
terão percepções diferentes, uma subjetividade que se apresenta no fazer 
artístico do criador.
143
1 Sobre o processo criativo, analise os itens a seguir:
I- O processo criativo se dá no sujeito pelas vivências e experiências 
adquiridas em um único espaço.
II- O processo criativo se dá no sujeito pelas vivências e experiências 
adquiridas nos vários espaços.
III- É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações 
do fazer artístico.
IV- O desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-los para que possam 
descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação.
Estão CORRETOS:
a) Os itens I e II.
b) Os itens I e III.
c) Os itens I, III e IV.
d) Os itens II, III e IV.
2 Sob a perspectiva de Martins, Picosque e Guerra (2010), responda à questão 
correta:
a) Escolher cuidadosamente as obras, levando em consideração o repertório 
dos aprendizes e o conteúdo curricular.
b) Estar consciente de que sempre a leitura da obra de arte precisa gerar 
produções que a focalizam.
c) Promover visitas aos museus e galerias apenas de maneira presencial, 
levando os alunos até os locais.
d) Não é preciso cuidar da apresentação das obras e nem observar o repertório 
dos aprendizes.
3 Segundo Pougy (2011), referente ao conceito da criatividade, assinale a 
alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
Criatividade é a capacidade ou habilidade humana de unir elementos díspares 
(imagens, sons, gestos, movimentos, ideias, conceitos e teorias) “estocados” no 
________________ e na memória de quem cria. É a fonte de invenção artística, 
bem como ___________ e filosófica. Quanto mais repertório, mais “matéria-
prima” de criação.
a) imaginário – científica 
b) cérebro – física 
c) imaginário – cotidiana
d) fazer – científica
AUTOATIVIDADE
144
145
UNIDADE 3
PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM 
ARTES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:
● conhecer as propostas pedagógicas atuais em Artes;
● conhecer sobre a cultura visual e possíveis propostas pedagógicas;
● identificar as ferramentas e materiais que são utilizados nas aulas de 
Artes.
Esta unidade de estudos será apresentada em três tópicos. Em cada um 
deles, você encontrará, ao final dos tópicos, resumo e autoatividade para o 
auxílio na compreensão dos conteúdos estudados.
TÓPICO 1 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
TÓPICO 2 – CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
TÓPICO 3 – PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E 
MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
146
147
TÓPICO 1
PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico serão abordadas as propostas pedagógicas atuais 
em arte, trazendo sugestões de atividades para a Educação Básica, ou seja, 
desde a educação infantil até o ensino médio. As atividades serão explanadas 
com exemplos práticos, enfatizando os campos conceituais da arte, do ler, 
contextualizar e fazer artístico. 
As propostas pedagógicas de arte envolvem momentos de experiência, de 
criação, de sensibilização, de interação com a obra, com o espaço e com o outro. 
Assim, também se faz necessário planejar propostas pedagógicas inclusivas para 
as aulas de artes, fazendo com que os alunos vivenciem as diversas manifestações 
artísticas e tenham oportunidades de conhecer e respeitar as diferenças. 
Também serão abordadas as metodologias de ensino e aprendizagem, 
considerando a sociointeracionista, que é a tendência atual do ensino de arte, em 
que as aulas acontecem através dos campos conceituais do ler, contextualizar e 
fazer artístico. Na metodologia, o professor se torna mediador em sala de aula.
2 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DE ARTES NA EDUCAÇÃO 
BÁSICA 
As propostas pedagógicas de artes na educação básica devem ser 
apresentadas aos alunos através de planejamentos que possam enfatizar 
conceitos, períodos de arte, ou mostrando artistas e suas obras através dos campos 
conceituais da arte (fazer, ler e contextualizar). Na exploração de uma proposta 
é preciso ter um planejamento que contenha todas as ações, todas as atividades e 
objetivos que desejamos atingir com determinada turma de alunos, enfatizando 
os campos conceituais da arte.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
148
Assim, a mediação do professor é essencial para os procedimentos artísticos 
realizados em sala de aula com os alunos. Como professor de arte, observe os 
alunos, a faixa etária atendida e planeje temas adequados, que atendam a todos 
os alunos. Como exemplo na educação infantil, a escolha das temáticas remete ao 
mundo da fantasia, com atividades que exploram as brincadeiras, as histórias, os 
temas como família, natureza, cotidiano etc.
Portanto, propostas pedagógicas de artes devem envolver momentos de 
experiência, de criação e de interação com a obra e com tudo que faz parte dela. 
Martins, Picosque e Guerra (2010) nos trazem sobre a palavra interação, que se 
faz necessária em um planejamento ou projeto de escola, pois é na interação com 
o outro que se constrói conhecimento, a interação do aluno com as linguagens da 
arte, o seu contato direto.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte (1997, p. 25) mencionam que 
a interação envolve:
A experiência de fazer formas artísticas e tudo o que entra em jogo na 
ação criadora: recursos pessoais, habilidades, pesquisa de materiais e 
técnicas, a relação entre perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte.
A experiência de fruir formas artísticas, utilizando informações e qualidades 
perceptivas e imaginativas para estabelecer um contato, uma conversa em 
que as formas signifiquem coisas diferentes para cada pessoa.
A experiência de refletir sobre a arte como objeto de conhecimento. 
Importam dados sobre a cultura em que o trabalho artístico foi realizado, 
a história da arte e os elementos e princípios formais que constituem a 
produção artística, tanto de artistas quanto dospróprios alunos.
Assim, a interação em sala de aula se torna importante entre professor e 
os alunos para terem os momentos de experiência através dos campos conceituais 
da arte, do fazer, fruir e refletir. Tais experiências podem ser contempladas com 
propostas pedagógicas que proporcionem a criação artística, com interação entre 
os alunos, professores e comunidade, trazendo uma aprendizagem significativa.
A criação artística envolve aprendizagem. Todo fazedor de arte se 
forma trabalhando em processos de criação, com as informações, 
deformações e formações que os atos de criação propõem durante a 
procura incansável de uma poética pessoal de tal forma que, enquanto 
a obra se faz, se inventa o seu próprio modo de fazer (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 192).
Para tanto, as experiências artísticas que são planejadas no ensino de artes 
ampliam o olhar do aluno, seu pensamento criativo e imagético, e assim, seu 
próprio percurso artístico, o seu fazer com marcas pessoais e tudo isso acontece 
por um processo, um percurso no qual surgem ideias e muita invenção, não tendo 
lugar para o permanente.
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
149
A processualidade se faz no percurso e no modo como o percurso é 
percorrido. Nas condições, professor e aprendizes vivem uma vida 
pedagógica que poderíamos nomear de nômade, porque não há lugar 
para ideias de permanência ou estabilidade. Ou seja, o aprender-
ensinar deixa de ser tarefa entediante de execução e reprodução de 
saberes para vir a ser um ato de investigação, de invenção (MARTINS; 
PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 201).
Propostas pedagógicas em artes podem ser planejadas e executadas por 
meio de conexões transdisciplinares, isto é, organizando um mapa conceitual ou 
uma cartografia com intenções, fazendo conexões entre os conteúdos e até com 
outras áreas do conhecimento. 
Assim, conteúdos e conceitos de arte podem ser relacionados com outras 
áreas do conhecimento, como estudar o período de arte rupestre nas aulas de 
artes junto com as disciplinas de história e geografia, cartografando e mapeando 
outros caminhos de aprendizagem.
Cartografar seu próprio fazer pedagógico, como um professor-
propositor, é elevar-se à condição de criador dos próprios percursos 
de aprendizagem junto aos alunos, de tecer a coautoria do seu pensar/
fazer pedagógico com escolha de caminhos que possam abrigar e 
expressar também os desejos de seus alunos (MARTINS; PICOSQUE; 
GUERRA, 2010, p. 195).
 
Assim, desenvolver planejamentos através de uma cartografia, de um 
mapa conceitual com ações possíveis, mas não fixas e únicas, de maneira que não 
sejam ideias permanentes, são possibilidades. O professor precisa estar aberto 
ao diálogo, à aceitação do novo e sujeito a mudanças de percurso, de caminhos 
a seguir nas ações da sala de aula. O professor planeja os conteúdos para sua 
turma, organiza as propostas pedagógicas e precisa estar disposto a abrigar 
outras sugestões dos próprios alunos no percorrer das aulas de artes.
Na figura a seguir, temos um exemplo de mapa conceitual que trata dos 
caminhos que a arte percorreu por meio dos movimentos artísticos, trazendo 
rupturas históricas através da ciência, tecnologia e, ainda, as influências do 
patrimônio histórico da humanidade. Os mapas conceituais são utilizados para 
registrar os principais conceitos de determinado tema e, assim, de maneira visual 
é mais fácil entender o assunto a ser estudado.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
150
FIGURA 1 – EXEMPLO DE UM MAPA CONCEITUAL DE ARTE
FONTE: <https://photos1.blogger.com/blogger/6659/3207/1600/Noemicursop%3F%3Fs%20
-%20Arte%20e%20Tecnologia2.1.jpg>. Acesso em: 20 out. 2018.
Com o exemplo de mapa conceitual ilustrado anteriormente, você, acadêmico 
e futuro professor, poderá organizar seu planejamento através de anotações simples. 
É uma atividade que instigará seus conhecimentos na área artística, fazendo ligações 
por meio de conceitos, obras e artistas de uma maneira clara e objetiva.
DICAS
Caro acadêmico! Tente desenvolver um mapa conceitual de arte organizando as 
ações/conteúdos que deseja aplicar em uma turma de alunos. Escolha um tema e faça o exercício.
A seguir, conheça várias propostas pedagógicas de artes para a educação 
básica que irão enfatizar os campos conceituais da arte no planejamento e nas 
ações das aulas.
• Pensando na educação infantil
As propostas pedagógicas de artes na educação infantil são planejadas a 
partir dos vários estímulos que as crianças necessitam por meio das experiências 
que as linguagens artísticas possibilitam. O professor de arte interage e faz 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
151
mediação a partir das propostas, incentivando a criança em suas diversas formas 
de expressão. Esta adquire seus conhecimentos em arte, desenvolve o pensamento 
criativo e estético, além da formação afetiva, social e intelectual. 
Como professor de arte, é importante ter o cuidado de não fazer 
comparações entre os alunos ou selecionar trabalhos que valorizam apenas os que 
se destacaram em suas produções artísticas. Todas as crianças têm condições de 
se expressar através das linguagens visuais: cada uma do seu jeito, com seu ritmo, 
deixando suas próprias marcas e, por isso, devem ter suas produções artísticas 
respeitadas e valorizadas (BRASIL, 2006).
Na educação infantil, é preciso analisar as atividades apresentadas para 
cada faixa etária, ou seja, não realizar atividades muito complexas em que as 
crianças terão dificuldade de realização e compreensão. Assim, é interessante 
desenvolver propostas pedagógicas que utilizem materiais como o giz de 
cera, tintas atóxicas, colagem de papéis, rasgadura de papéis, modelagem com 
massinha etc. Quando realizar atividades em grupo, desenvolver a proposta 
envolvendo todos os alunos, podendo ser um aluno de cada vez, desde que todos 
participem do processo de criação coletiva. 
A arte na educação infantil contribui para o desenvolvimento da criança, 
e as emoções são reveladas através do fazer artístico dos desenhos, das pinturas, 
das colagens ou de modelagens. Na educação infantil é preciso o equilíbrio nas 
propostas pedagógicas, isto é, deixar as crianças terem momentos de trabalhos/
desenhos livres, mas também com atividades que sejam mediadas a partir da 
inspiração em conceitos artísticos e/ou obras de arte.
Cada criança cria sua arte, manifesta suas marcas, seus gostos em seu 
fazer artístico. As crianças têm acesso à arte desde pequenas, muitas vezes não 
intencional, por meio das músicas cantadas pelos familiares, dos desenhos, das 
brincadeiras, dos vídeos, dos jogos, das contações de estórias, e vivenciam cores, 
formas ou traços sem saber identificá-los.
Por meio de diálogos, apresentação de imagens e análise de ilustrações 
(reproduções gráficas), objetos etc., e usando uma linguagem acessível, 
é possível explicar às crianças de todas as idades as técnicas, o jeito de 
ver o mundo e (se for o caso) as maneiras de que se valem os artistas 
para produzi-las (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 179).
 
O lúdico e a fantasia fazem parte das aulas de artes. Propostas pedagógicas 
podem contemplar tais momentos com as crianças através da criação artística. 
Assim, é possível verificar o processo criativo expresso no desenho pelos 
sentimentos compartilhados oralmente pela criança. 
Muitas vezes, após a criação dos desenhos, quando o professor estimula 
a apresentação oral, as crianças costumam dialogar com as suas criações e, é no 
momento, que elas usam sua imaginação e fantasia para explicar e falar sobre a sua 
produção. Assim, “o fazer e a apreciação em cada uma das linguagens artísticas 
devem estar ligados a atividades criativas e lúdicas” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 172).
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
152
Na educação infantil, o ensino de arte oferecemomentos de descobertas 
através de experiências e vivências com atividades que utilizam materiais como 
tintas, pincéis, massa de modelar, giz, lápis, pois são muito atraentes para as 
crianças pequenas. Por meio do manuseio de tais materiais é possível desenvolver 
percepções sensíveis. 
Nas crianças, desde bebês, a sensibilidade de cores, formas, sons 
e movimentos é bem nítida e está sempre presente [...]. Todos, 
indistintamente, são perfeitamente capazes de selecionar formas e 
objetos que são prazerosos e que mais atraem (FERRAZ; FUSARI, 
2009, p. 172).
Na educação infantil os elementos da linguagem visual podem ser 
muito explorados em diversas atividades. Pensar em propostas pedagógicas, 
que contemplam o uso de cores e suas misturas, pode ocasionar a experiência 
da transformação das cores. Lembrar que, ao trabalhar uma atividade artística 
com as crianças pequenas, sempre é bom trazer um exemplo, uma prática 
já desenvolvida. Isto não quer dizer que exemplos sejam modelos para serem 
seguidos e sim, tornam-se uma ampliação do repertório visual através de cores, 
formas, linhas, expressões.
Como professor de arte é necessário também apresentar uma variedade 
de imagens do cotidiano, de obras de arte, além de oportunizar a exploração de 
elementos visuais, pois ajudam a criança na sua inicial formação estética artística.
Antes dos 3 anos a criança já sabe o que é desenhar, pintar, cantar, 
dançar e tais conceitos constituem-se no primeiro repertório de arte. Da 
idade em diante, nota-se que elas também sabem manifestar opiniões 
estéticas de gostar, desgostar, achar bonito, feio. Nós, professores, é 
que devemos saber como dar continuidade a esse início de formação 
artística e estética (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 173).
Portanto, ao explorarmos atividades que usam diferentes técnicas como 
pintura, colagem e gravura, podemos perceber o uso de cores, formas e texturas. Assim
com a busca de uma construção formal por meio de recortes, rasgos 
e junções, os educandos exercitam o olhar, a coordenação motora e 
vivenciam suas composições. O percurso individual de cada criança 
ficará evidente quando o docente tiver clareza das ações que foram 
utilizadas nas atividades de perceber, expressar e comunicar as formas 
visivas (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 178).
 
Outro aspecto a se destacar nas aulas de artes na educação infantil são os 
estímulos às expressões e sensações. A pintura com tintas, utilizando pincéis, é 
uma técnica que permite observar os sentimentos e as expressões das crianças em 
suas criações.
A seguir serão apresentadas sugestões de diversas atividades que podem 
ser aplicadas na educação infantil considerando conceitos artísticos.
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
153
• Objetivos:
 
- Conhecer materiais diversos.
- Conhecer e manipular suportes e agentes gráficos.
- Explorar diversas texturas.
- Adquirir habilidades com materiais diversos.
- Aprender técnicas variadas de pintura e impressão.
• Atividades:
 Apresentar o papel sulfite e o que se pode fazer com a folha de papel: abanar, 
dobrar, proteger, acenar, usar para banho, lavar, torcer, tocar música, fazer um 
chapéu etc. 
 Apresentar diversos tipos de papéis para perceber a textura, o barulho que 
cada um faz e identificar as sensações.
 Transformar o papel em um objeto. Motivar através de uma história e concluir 
colocando o objeto criado.
 Criar desenhos a partir de histórias contadas.
 Usar a folha sulfite branca e dar uma forma colorida usando tinta. Dobrar o 
papel e ver a imagem que forma.
 Montar uma imagem com os papéis usados.
 Criar gravuras na areia, farinha etc. com a própria mão ou utilizando palitos. 
Transportar a areia ou similar para o papel.
 Desenhar com giz de lousa no chão (formas figurativas geométricas etc.). Criar 
brincadeiras e jogos com os desenhos.
 Pintar com giz de cera as cores primárias no papel kraft.
 Desenhar com giz de cera no papel sulfite branco, colorido, camurça, crepon. 
Comparar as diferenças.
 Pintar as cores primárias com diferentes brochinhas sobre o papel.
 Pintar com os dedos, fazendo representações no papel.
 Pintar com cola colorida em papéis diversos.
 Rasgadura de papel com a mão, de diferentes formas, e colar no papel branco.
 Contornar a mão na folha sulfite e colar papel colorido fazendo um mosaico.
 Criar formas com diferentes papéis utilizando várias técnicas como: dobraduras, 
recortes, colagens.
 Misturar as cores usando cola colorida sobre o papel branco.
 Colar materiais diversos (semente, algodão, palitos, botões, folhas, barbantes) 
em papéis diferentes.
 Modelar com massa própria e/ou argila.
 Estampar com carimbos feitos com legumes.
 Carimbar com materiais como algodão, pedações de madeira etc.
 Pintar usando cotonetes.
 Criar a técnica da monotipia utilizando a matriz no azulejo e impressão no papel.
 Imprimir com rolinhos de espuma, formando desenhos abstratos.
 Pintar utilizando barbantes.
 Criar desenhos e pinturas em painel coletivo explorando formas, linhas e cores.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
154
Todas as atividades que foram apresentadas no planejamento de artes 
devem ser pensadas de maneira contextualizada, isto é, quando realizar uma 
pintura na tela, dependendo do mês da atividade que ela será aplicada, podemos 
trabalhar a mistura de cores, o gênero da natureza morta (desenhando flores) 
e até realizar a pintura para, posteriormente, presentear em alguma data 
comemorativa. Assim é necessário realizar as propostas pedagógicas através dos 
campos conceituais da arte, ou seja, do ler, do contextualizar e do fazer artístico.
Na imagem a seguir, encontra-se um exemplo de atividade lúdica, que 
explora um jogo de equilíbrio, de coordenação, de atenção, de observação entre a 
cor da parede com o chão. O aluno precisa ligar seu corpo com as cores. 
FIGURA 2 – JOGO DO CORPO E DAS CORES
FONTE: <http://www.criandocomapego.com/60-jogos-educativos-para-ensinar-as-cores-as-
criancas/o-corpo-e-as-cores/>. Acesso em: 20 out. 2018.
Atividades que trazem o jogo e a brincadeira abrem novas possibilidades 
de conhecimento aos alunos. Assim, é importante criar jogos que enfatizam 
elementos visuais. Um jogo como o quebra-cabeça, por exemplo, revela imagens 
de obras de arte, também é boa opção para garantir uma aula de arte interessante 
e com muita aprendizagem.
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
155
DICAS
Caro acadêmico! Aproveite e baixe o aplicativo “Pinterest” em seu celular ou 
acesse pelo computador a página virtual. O espaço contempla muitas atividades artísticas 
que podem inspirar as suas propostas pedagógicas como professor de artes! Lembre-se dos 
campos conceituais da arte em cada atividade realizada. Acesse: <https://br.pinterest.com/
explore/atividades-de-artes-visuais/>. 
A releitura também é uma proposta pedagógica em artes que é feita por 
meio de uma nova interpretação, mantendo o tema original da imagem. Assim, 
a releitura não é fazer uma cópia do que já está criado, mas é ler novamente a 
imagem escolhida através de um novo contexto, realizar a compreensão da obra 
e criar uma produção artística, um novo trabalho, ou seja, desenvolver uma nova 
criação. Na releitura não é necessário utilizar a mesma técnica usada pelo artista 
na obra original, desta forma, deve-se exercitar a criatividade.
• Proposta prática: dobradura do barco – releitura da obra do artista Alfredo Volpi
Trazer a obra intitulada “Barco com bandeiras e pássaros” do artista 
Alfredo Volpi e instigar as crianças a observarem e falarem oralmente sobre o que 
elas estão vendo, como observam as cores, as formas, as figuras, ou seja, explorar 
os signos visuais da imagem.
FIGURA 3 – OBRA BARCO COM BANDEIRINHAS E PÁSSAROS (1950), DE ALFREDO VOLPI. 
TÊMPERA SOBRE TELA, 54.20 CM X 73.00 CM, COLEÇÃO MUSEU DEFONTE: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1783/barco-com-bandeirinhas-e-passaros>. 
Acesso em: 17 out. 2018.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
156
● Como professor, levar uma folha A3 e realizar a dobradura do barco com todas 
as crianças visualizando o fazer artístico, o passo a passo da dobradura. O 
professor fará apenas uma dobradura maior para, assim, todos compreenderem 
e visualizarem o barco de papel.
● Em um passe de mágica, lembrando de maneira lúdica, retirar, de uma caixa ou 
bolsa, vários barcos menores já feitos antes, pois na idade como o maternal (2-3 
anos) e jardim (4 anos), as crianças ainda não conseguem fazer as dobraduras 
sozinhas.
● Cada criança retira o seu barco da caixa mágica e decora sua dobradura, 
pintando, desenhando e fazendo também colagem de bandeirinhas.
● A exposição deve ser montada com todas as crianças participando, levando seu 
barco no espaço proposto pelo professor.
● Realizar uma conversa informal, olhando a obra do artista com o resultado 
dos barcos das crianças, fazendo relações, observando as semelhanças com a 
produção do artista Alfredo Volpi.
● Criar uma exposição com os trabalhos dos alunos. Pode ser feita em forma de 
instalação ou sobre alguma base.
FIGURA 4 – EXPOSIÇÃO DOS BARCOS DE PAPEL
FONTE: A autora (2018)
• Proposta prática: Obra Viva – interpretando uma obra de arte
● Inicie a conversa com os alunos sobre uma folha de papel A3: que cor é a folha 
que a professora tem? Ela está na horizontal e/ou vertical? (de maneira lúdica, 
conversar que horizontal lembra de deitado e vertical é estar de pé, assim, 
podemos pedir para as crianças que fiquem de pé ou deitem-se, mostrando a 
folha nas posições como se fosse uma brincadeira).
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
157
● Nesta atividade, a folha A3 será utilizada para fazer uma dobradura do 
chapéu. Nos passos da dobradura aparecerá a forma triângulo que poderá ser 
enfatizada, e assim, mostrando aos alunos o passo a passo.
● Traga as dobraduras de chapéu já prontas para, assim, cada criança receber 
o seu chapéu de papel. Lembrando que crianças de 2, 3 e 4 anos ainda não 
conseguem realizar as suas dobraduras.
● Brinque com o chapéu de papel, instigando as crianças sobre quem usa, para 
que serve o chapéu, quem tem o chapéu em casa. Provavelmente algumas 
crianças irão lembrar do chapéu, que é cantado na música marcha soldado.
● Cante a música: “Marcha soldado”, caminhando pela sala, em fila com os 
alunos, segurando o chapéu sobre a cabeça, brincando de maneira lúdica.
● Mostre a obra “Menino com pião” e instigue os alunos a pensarem sobre a 
imagem: o que aparece na imagem? O menino está triste ou alegre? Está em 
pé ou sentado? Quais objetos aparecem na imagem? O que ele está segurando? 
Está de chapéu? Como é o chapéu?
FIGURA 5 – OBRA MENINO COM PIÃO (1947) DO ARTISTA CANDIDO PORTINARI
FONTE: <https://www.arteeeducacao.net/candido-portinari---httpwww/menino-com-
piao---1947---.html>. Acesso em: 17 out. 2018.
● Peça às crianças para escolherem um brinquedo de que gostam, um brinquedo 
da escola.
● Chame cada criança com seu brinquedo e seu chapéu e peça para encenar, 
sentar na cadeira e observar seu brinquedo. Registre a cena com uma câmera 
fotográfica (pode ser a do celular). 
● Sugestão: com as fotos feitas, é possível editá-las, alterando a cor da imagem 
para representar, da forma mais parecida possível, a obra de arte. Após, faça 
uma exposição das fotografias.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
158
As atividades que foram citadas trazem um pouco do conceito de 
ressignificação, isto é, um elemento muito importante para o processo criativo. 
Ressignificar uma imagem, uma obra de arte é poder atribuir novos significados, 
dependendo do contexto que os alunos estão vivenciando.
DICAS
Livro: A rainha das cores (2003). A 
autora do livro é Jutta Bauer, que realizou ilustrações 
com giz de cera, publicado pela editora Cosac 
Naify e premiado na Alemanha. Um livro infantil 
que mostra as cores, enfatizando os diferentes 
momentos que passamos em nossas vidas, como a 
tristeza e a alegria. O livro convida para uma reflexão 
por meio das cores, como ficar vermelho de raiva ou 
cinza de triste.
Podemos encontrar o livro na íntegra no site a seguir. 
FONTE:<https://pt.slideshare.net/cruchinho/a-rainha-das-cores-100441683?from_action
=save>. Acesso em: 12 fev. 2019. 
• Ensino fundamental
No ensino fundamental, o atendimento dos alunos é do 1º ao 9º ano, sendo 
que o percurso de criação pessoal só é desenvolvido através de uma variedade 
de experiências artísticas que consideram a observação e a análise das diferentes 
imagens e obras de arte, bem como o estudo de conceitos e de contato com as 
linguagens artísticas.
Assim, o professor é o responsável nas escolhas de conceitos e materiais 
que apresenta em sala de aula, observando também os interesses dos alunos e o 
que a escola oferece de recursos. As propostas pedagógicas em artes no ensino 
fundamental devem ser organizadas observando a faixa etária dos alunos para o 
desenvolvimento de atividades que se apresentam através dos campos conceituais 
da arte (ler, fazer e contextualizar). Vamos conhecer algumas sugestões de propostas.
Intervenção com fragmento de imagem ou obra de artista
Estudar com os alunos o conceito de intervenção é mostrar as diversas 
possibilidades de criação artística. Assim, as intervenções são manifestações 
artísticas que podem ser feitas em imagens, obras de arte, ou ainda, em espaços 
urbanos que interagem com objetos e pessoas. 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
159
DICAS
Leia mais sobre intervenção urbana utilizando espaços públicos. FONTE: 
<https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/intervencao-artistica-urbana/>. 
Acesso em: 12 fev. 2019.
Como uma atividade de intervenção, utilize, com os alunos, fragmentos de 
uma obra de um artista (podem ser fotocópias da imagem). Os alunos irão criar novos 
contextos iniciando pelo fragmento. Peça para os alunos relacionarem suas criações 
de intervenção com o intertexto, isto é, irão procurar imagens que façam relação com 
a obra ou fragmento, verificando as semelhanças. A proposta prática também pode 
ser realizada através de imagens de revistas ou dos livros da literatura.
Para exemplificar, será apresentada a intervenção de imagem criada pelo 
artista de rua britânico Banksy (1974).
FIGURA 6 – INTERVENÇÃO ARTÍSTICA EM UMA OBRA DE ARTE FEITA PELO ARTISTA BANKSY
FONTE: <http://www.banksy.co.uk/in.asp>. Acesso em: 22 dez. 2018.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
160
O artista Banksy desenvolveu intervenções artísticas em imagens, 
refletindo criticamente temas que revelam a autoridade e o poder, e em relação a 
assuntos sociais, políticos e comportamentais. O artista busca provocar reflexões 
em seus observadores por meio das suas criações. Que tal propor aos alunos 
pequenas intervenções diretamente em imagens de revistas, dizendo que poderão 
desenhar sobre ela e pintar? 
• Criando trajes caipiras ou das diferentes festas populares regionais
Como leitura e contextualização, apresente o conteúdo sobre a arte Naif 
para alunos do 1º ao 6º ano do ensino fundamental (fale sobre a simplicidade da 
arte, o seu colorido). Mostre diversas obras de artistas brasileiros e contextualize 
com as de sua região, relacionando e observando as festas locais, suas tradições e 
costumes, bem como os trajes (roupas) usados. 
Observando a obra “Festa de São João”, do artista Nerival Rodrigues da 
Silva, podem-se perceber o colorido e os detalhes nas vestimentas dos personagens.
FIGURA 7 – OBRA: FESTA DE SÃO JOÃO – ARTE NAIF DO ARTISTA NERIVAL RODRIGUES
FONTE: <https://criandoartecommagia.blogspot.com/2013/06/trabalhando-obras-de-arte-na-
festa.html>. Acesso em: 20 dez.2018.
Como proposta pedagógica sugere-se a criação de um boneco que evidencie 
a cultura e os costumes de um determinado povo por meio das vestimentas. O 
boneco pode ser feito usando uma base (molde de figura humana). Assim, os alunos 
fazem o preenchimento desenhando os detalhes do rosto e criando sua roupa. 
Os trajes são feitos com colagem de retalhos de tecido, pedaços de papel 
colorido, botões, sementes, lantejoulas ou outros materiais que a escola e os alunos 
dispuserem. As atividades podem ser individuais ou coletivas, e um aluno poderá 
deitar sobre o papel pardo, contornar seu corpo e, quando o desenho da silhueta 
estiver pronto, realizar a colagem fazendo o preenchimento de uma roupa. 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
161
FIGURA 8 – CRIANDO TRAJES CAIPIRAS OU DAS DIFERENTES FESTAS REGIONAIS 
(ATIVIDADE INDIVIDUAL)
FONTE: A autora (2018)
FONTE: A autora (2018)
FIGURA 9 – TRAJES CAIPIRAS GIGANTES (TAMANHO DO ALUNO – ATIVIDADE COLETIVA)
• Painel coletivo de animais
A proposta prática pode ser realizada com os alunos dos 2º e 3º anos do ensino 
fundamental. Como leitura e contextualização, apresentar a obra “Animais entrando 
na Arca de Noé” e conhecer a vida do artista italiano Jacopo Bassano (1510-1592). 
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
162
FIGURA 10 – OS ANIMAIS ENTRANDO NA ARCA DE NOÉ, 1570. JACOPO BASSANO
FONTE: <https://institutopoimenica.com/2012/09/30/os-animais-entrando-na-arca-de-no-
jacopo-bassano/>. Acesso em: 20 out. 2018.
Desde jovem, o artista Jacopo Bassano revelou-se um excelente desenhista 
e sempre utilizava giz de cores vivas em suas obras para ajudar a colorir. Na obra, 
o artista mostra Noé, sua família e os bichos entrando, aos pares, na arca, antes 
do amanhecer. A arca, contudo, não é o elemento principal dessa composição. 
O enfoque total é dado aos animais que atingem a perfeição com as cores e o 
movimento de vivacidade que o artista deu a cada espécie. Bassano deve ter 
estudado minuciosamente a anatomia desses seres para pintá-los com tamanha 
perfeição. A pintura é relacionada com a história da bíblia do dilúvio. Noé constrói 
uma barca e salva levando um casal de cada animal. 
Inicialmente, na proposta pedagógica, é importante realizar a leitura de 
imagem por meio de questionamentos: quantos animais diferentes são possíveis 
ver no quadro? Será possível que todos os animais estejam juntos em um mesmo 
lugar? Será que não iriam brigar uns com os outros? Como são os animais hoje em 
dia? Podem ficar todos juntos? Quais animais são calmos e quais são agitados? 
Será que o artista pintou todos os animais do mundo? Quais estão faltando? Você 
tem animais em sua casa? Quais são esses animais? Você gosta de animais? De 
quais animais você mais gosta? 
Depois da conversa realizada com a turma sobre a obra, é possível realizar 
um painel coletivo, no qual cada aluno desenha um animal que gostaria que 
fizesse parte da arca, que fosse salvo do dilúvio que cobriu a Terra. Desenhar o 
animal em papel, pintar e recortar. Montar coletivamente o painel em um mural.
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
163
FIGURA 11 – FRAGMENTO DO PAINEL COLETIVO
FONTE: A autora (2018)
• Releitura da obra Monalisa através de um vídeo de animação
Como proposta prática sugere-se a técnica de stop motion, que pode ser 
realizada com os alunos dos 7º, 8º e 9º anos do ensino fundamental. Como leitura 
e contextualização, apresentar a obra Monalisa, do artista Leonardo da Vinci, 
explorando a vida do artista, a leitura de imagem e os dados da obra. 
Para a contextualização e seu fazer artístico, instigar os alunos a criarem 
uma Monalisa dos tempos atuais: como seria a Monalisa nos dias de hoje? 
Quais roupas ela usaria? Como seria seu cabelo (cor, corte, penteado)? Usaria 
maquiagem? Usaria algum acessório? Como seria a paisagem de fundo da obra? 
Após a análise, os alunos poderão criar roupas e acessórios para a sua 
Monalisa, mas sempre mantendo a estrutura básica da obra. Para a criação da 
releitura, faz-se o desenho de retrato da Monalisa e acessórios e outros objetos 
separadamente (peças recortadas). Para realizar um vídeo de animação da obra 
de arte com a técnica do stop motion, é preciso fazer as fotos uma a uma com 
pequenas alterações na cena principal, isto é, fotos mostrando o desenho da 
Monalisa e, aos poucos, entram na cena os detalhes nos cabelos com acessórios, 
como podemos observar no exemplo a seguir. 
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
164
FIGURA 12 – TÉCNICA DE ANIMAÇÃO - STOP MOTION - RELEITURA DA OBRA MONALISA
FONTE: A autora (2018)
Contudo, o que seriam animações usando a Técnica Stop Motion? Stop Motion 
(termo que pode ser traduzido como “movimento parado”) é uma técnica cinematográfica que 
utiliza a disposição sequencial de diferentes fotografias de um objeto, simulando seu movimento. 
Cada fotografia, comumente chamada de quadro, difere minimamente da anterior, e 
geralmente são tiradas por uma câmera estática. O que deve ser movido é o objeto em 
questão. Na verdade, o movimento produzido pela técnica, nada mais é do que uma ilusão 
de óptica. FONTE: <https://recursoscomputacionais.wordpress.com/2011/04/14/a-tecnica-
do-stop-motion/>. Acesso em: 29 out. 2018.
Pesquise e leia mais nos seguintes links: 
<https://pt.wikihow.com/Criar-uma-Anima%C3%A7%C3%A3o-em-Stop-Motion>.
<https://novaescola.org.br/conteudo/5746/como-fazer-animacoes-stop-motion>.
<http://www.cafecomgalo.com.br/a-tecnica-do-stop-motion/>. Acesso em: 29 out. 2018.
IMPORTANT
E
Neste exemplo, temos apenas algumas fotos para mostrar o processo da 
técnica da animação, mas para ser um vídeo é preciso de muitas fotografias para 
assim mostrar o movimento, os acontecimentos na imagem. 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
165
• Artista: Max Ernst e a técnica da frottage
A proposta prática da técnica da frottage pode ser realizada com alunos 
dos 1º aos 5º anos do ensino fundamental. A técnica da frottage é usada para obter 
as diferentes texturas e marcas sobre uma superfície por meio da fricção, ou seja, 
é necessário esfregar com lápis ou giz colocando a folha sobre um local e, assim, 
obter os contornos e relevos existentes. 
Como leitura e contextualização, apresentar o artista Max Ernst (1891-
1976), que empregou a técnica em suas pinturas em tela, utilizando tecidos 
rugosos ou outras marcas como das folhas. O artista Max, que foi percursor da 
técnica, reinventou outra forma de expressão.
FIGURA 13 – OBRA O EVADIDO (1925), HISTÓRIA NATURAL, FOLHA 30, FROTTAGE, 
LÁPIS S/ PAPEL MAX ERNST
FONTE: <http://shortyart.blogspot.com/2013/02/frottage.html>. Acesso em: 17 out. 2018.
Para vivenciar a experiência da frottage, no fazer artístico, pode-se realizar 
a técnica com papéis e giz de cera, buscando texturas/marcas pelo espaço da 
escola. Também é possível a frottage em tecidos, como mostra a figura a seguir:
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
166
FIGURA 14 – FROTTAGE EM TECIDO
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/495607133986135496/>. Acesso em: 21 out. 2018.
Nas criações foram usadas texturas e marcas da cidade, isto é, as tampas 
de bueiro ou paredes de um muro. Nos exemplos, é preciso passar a tinta (tecido 
ou outra) com um rolinho sobre o local e pressionar o tecido sobre as marcas, 
esfregando para retirar o desenho de maneira impressa.
• Artista: Sebastião Salgado e as fotografias
Nesta proposta prática, o estudo do artista e suas obras podem ser 
apresentados nas turmas de 6º ao 9º ano. Como leitura e contextualização, 
apresentar as fotografias do artista Sebastião Salgado, bem como explanar sobre 
a sua vida e carreira profissional. O artista Sebastião Salgado é um fotógrafo 
conhecido mundialmente com suas fotografias em preto e branco, nascido em 
Aimorés (MG), em 1944.
Como sugestão,assista ao vídeo produzido pelo instituto Arte Na Escola, 
de Sebastião Salgado: cidadão do mundo. FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/
catalogo/dvd/48/>. Acesso em: 29 out. 2018.
No vídeo, as fotografias mostram as diferentes migrações, povos que todos os dias estão 
fugindo de guerras, migrando para outros lugares legalmente ou ilegalmente. Leia mais 
e baixe o material educativo sobre o artista. FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/
dvdteca/pdf/arq_pdf_48.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018.
UNI
Para o fazer artístico temos vários caminhos, como pedir aos alunos para 
fazerem fotos em preto e branco com seus celulares mostrando seu bairro, suas 
casas, ou seja, a realidade em que vivem. 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
167
Outra possibilidade de atividade é criar um fanzine com fotografias da 
vida do aluno (cópias de xerox) e recortes de revistas que apresentem um pouco 
da vida do aluno, isto é, seus gostos, sua família, sua idade ou o local onde nasceu. 
Você sabe o que é fanzine (ou zine para os íntimos)? É toda publicação feita 
pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e significa, literalmente, 
“revista do fã” (fanatic magazine). 
Alguns estudiosos do assunto consideram fanzine somente a publicação que traz textos, 
informações, matérias sobre algum assunto. Quando a publicação traz produção artística 
inédita seria chamada revista alternativa. No entanto, o termo fanzine se disseminou de tal 
forma que hoje engloba todo tipo de publicação que tenha caráter amador, que seja feita 
sem intenção de lucro, pela simples paixão pelo assunto enfocado. 
Assim são fanzines as publicações que trazem textos diversos, histórias em quadrinhos, 
reprodução de HQs antigas, poesias, divulgação de bandas independentes, contos, 
colagens, experimentações gráficas, enfim, tudo que o editor julgar interessante. Os fanzines 
são o resultado da iniciativa e esforço de pessoas que se propõem a veicular produções 
artísticas ou informações, que possam ser reproduzidas e enviadas a outras pessoas, fora 
das estruturas comerciais de produção cultural. FONTE: <https://fanzineexpo.wordpress.
com/o-que-e-fanzine/>. Acesso em: 29 out. 2018.
IMPORTANT
E
A criação artística poderá ter frases, letras de músicas e desenhos, tudo que 
remeta ao aluno que está produzindo seu fanzine. Para a produção do material, 
serão necessárias apenas uma folha A4 ou A3 e uma tesoura ou estilete para o 
corte central da folha. 
FIGURA 15 – CRIANDO UM FANZINE DA PRÓPRIA VIDA COM CÓPIAS DE FOTOGRAFIAS
FONTE: A autora (2018)
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
168
Após feita a base do fanzine, dobrando a folha, cortando e montando uma 
espécie de “caderninho de páginas”, a criação poderá ser de variadas maneiras, 
contendo desenhos, recortes, colagens, palavras, impressões etc.
• Criando vitrais na escola
A proposta prática da criação de um vitral pode ser realizada com alunos 
de 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Os vitrais se referem a uma técnica artística 
muito usada em vidros, janelas de templos e igrejas, sendo muito característica 
da arte gótica. Como leitura e contextualização, apresentar aos alunos exemplos 
de vitrais de diferentes períodos de arte, podendo explorar a arte gótica com 
exemplos de catedrais como Chartres e Notre Dame de Paris. 
FIGURA 16 – A ANUNCIAÇÃO E A VISITAÇÃO, DETALHE DA JANELA NA 
SAINTE-CHAPELLE, PARIS, 1243-48
FONTE: Bell (2008, p. 123)
Existem diversas possibilidades de materiais para que possamos criar a 
técnica do vitral em sala de aula. Pode-se propor uma atividade utilizando celofane 
e palitos. No exemplo de vitral a seguir, foram criadas estrelas com a montagem de 
palitos e colagem de pedaços de celofane coloridos nos espaços da estrela. 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
169
FIGURA 17 – VITRAL COM CELOFANE EM FORMA DE ESTRELA
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/445856431851081437/>. Acesso em: 18 out. 2018.
A exposição que simboliza e valoriza a técnica do vitral pode ser feita em 
frente a uma janela ou locais que tenham passagem de luz.
• Criando sua escultura com sabonete
A proposta prática de criação de uma escultura com sabonete poderá 
ser realizada com alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental. Para leitura e 
contextualização, podemos explorar conceitos referentes às formas bidimensional 
e tridimensional. 
Como exemplo de artista que trabalha a escultura, pode ser apresentado 
o brasileiro Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), mais conhecido como 
Aleijadinho, que criou obras que representam a arte barroca brasileira.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
170
FIGURA 18 – ESCULTURAS DE ALEIJADINHO (1730)
FONTE: <http://www.iarq.com.br/aleijadinho/>. Acesso em: 29 out. 2018.
Outras obras de diferentes épocas podem ser apresentadas aos alunos 
para poderem analisar as semelhanças e diferenças no passar dos tempos, como 
a obra “Última Ceia”, feita em 1250, e a escultura de Edgar Degas, feita em 1886. 
FIGURA 19 – A ÚLTIMA CEIA, ESCULTURA NO ARCO CRUZEIRO DA CATEDRAL DE NAUMBURG, C.1250
FONTE: Bell (2008, p. 141)
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
171
FIGURA 20 – EDGAR DEGAS: DANSEUSE (C.1886); BRONZE. PARIS, MUSÉE D`ORSAY
FONTE: Argan (1992, p. 107)
Ao analisar as obras de diferentes épocas, cada aluno cria sua escultura. 
Poderá fazê-la compreendendo os conceitos bidimensionais e/ou tridimensionais. 
O material utilizado será sabão ou sabonete e uma colher.
FIGURA 21 – ESCULTURA COM SABÃO OU SABONETE
FONTE: A autora (2018)
• Jogando e criando com objetos – conhecendo a arte conceitual
A proposta prática sobre a arte conceitual poderá ser realizada com alunos 
do 8º e 9º ano do ensino fundamental. Para leitura e contextualização, é necessário 
apresentar, primeiramente, o conceito de arte conceitual. 
A arte conceitual é uma expressão artística que instiga a reflexão. Algumas 
manifestações artísticas que podem expressar a arte conceitual são: readymade, 
performance e happening. Como proposta prática para o readymade é possível fazer 
em forma de um jogo, ou seja, pedir aos alunos que retirem da mochila algum 
objeto, como uma cola, uma chave, uma garrafa de água. 
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
172
Pensar sobre o objeto escolhido de maneira poética, isto é, propondo uma 
reflexão, trazendo outros significados, retirando sua função tradicional do dia 
a dia. Assim, peça aos alunos anotarem em seus cadernos o novo significado 
em forma de poesia. Como proposta teórica, pode-se estudar o artista Marcel 
Duchamp, apresentando a obra “A fonte”, que é uma réplica de um mictório de 
porcelana que foi originalmente comprado e inscrito em uma exposição de arte.
FIGURA 22 – FONTE, 1917, PORCELANA, ALTURA 33,5 CM, MARCEL DUCHAMP
FONTE: <https://artefontedeconhecimento.blogspot.com/2010/11/fonte-marcel-duchamp.
html>. Acesso em: 18 out. 2018.
Os alunos poderão inventar títulos para os objetos escolhidos, relacionando 
a sua prática artística com a obra do artista Duchamp. A exposição pode ser 
realizada nas próprias mesas, potencializando diálogo com todos os alunos, de 
forma que eles poderão caminhar e observar os objetos e seus novos títulos e suas 
poesias, com o objetivo de propor novos significados a objetos do cotidiano.
DICAS
Arte – Descubra as conexões através de perguntas 
e respostas de Caroline Grimshaw, da editora Callis (1998).
O livro mostra 50 questões sobre arte, como: por que o mundo 
precisa de arte? Podemos pintar sem pincel? Quais são as 
decisões de um artista? O que a arte nos diz sobre a história? 
Como conseguimos ver as transformações do mundo através da 
arte? E muito mais...
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
173
• Ensino médio
Para o Ensino Médio, as propostas pedagógicas precisam serpensadas 
e organizadas de tal forma que explorem e apresentem a articulação entre a 
teoria com a prática, proporcionando vivências/experiências das diferentes 
manifestações artísticas. Os alunos do ensino médio costumam apresentar 
autonomia no uso das tecnologias digitais, como o computador ou o celular, que 
pode ser benéfico para a realização de algumas propostas. Contudo, também 
é importante que o professor esteja atento à utilização dos meios tecnológicos, 
mediando o uso nas aulas.
As sugestões de atividades para o ensino médio também estão pautadas 
nos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar). 
• Fotografia através da técnica da perspectiva forçada
A proposta prática da técnica da perspectiva forçada por meio de 
fotografias poderá ser realizada com alunos do 1º e 2º ano do ensino médio. 
Para leitura e contextualização, explorar os conceitos da fotografia (história da 
fotografia) e a técnica da perspectiva forçada, que é uma ilusão feita aproximando 
o objeto ou a pessoa à câmera do celular.
FIGURA 23 – EXEMPLO DE FOTOGRAFIA DE PERSPECTIVA FORÇADA
FONTE: <https://deixadefrescura.com/2012/05/fotografia-perspectiva-forcada.html>. 
Acesso em: 21 dez. 2018.
No fazer artístico, proponha aos alunos formarem grupos de trabalho e 
escolherem objetos para serem registrados por uma câmera fotográfica que pode 
ser a do celular. Os alunos também podem escolher quais espaços da escola 
querem para produzirem suas fotografias em perspectiva forçada. Faça uma 
exposição do resultado das fotografias feitas pelos alunos.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
174
FIGURA 24 – PERSPECTIVA FORÇADA FEITA PELOS ALUNOS NOS ESPAÇOS DA ESCOLA
FONTE: A autora (2018)
DICAS
Conheça o site com dicas da técnica. FONTE: <https://www.tecmundo.com.
br/internet/12400-fotografia-como-criar-ilusoes-com-perspectiva.htm>.
• Criando seu tênis gigante – desenho surrealista
A proposta prática desenhando um tênis gigante poderá ser realizada com 
alunos do 1º ano do ensino médio. Para a leitura e a contextualização, explorar o 
movimento artístico de arte surrealista e conhecer as obras dos artistas Salvador 
Dalí, Joan Miró, Frida Kahlo e René Magritte.
Veja a obra do artista René Magritte (1898-1967). Sua arte está além da realidade.
FIGURA 25 – RENÉ MAGRITTE: A CONDIÇÃO HUMANA II (1935); TELA
FONTE: Argan (1992, p. 482)
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
175
O artista é considerado surrealista e pintou objetos do dia a dia, como a obra 
A Condição Humana II. Faz com a gente pare para olhar a imagem e pensar no que 
tem nela de surreal. O artista transforma seus desenhos, como se fosse uma mágica, 
muitas vezes desenhava as coisas maiores ou menores do que o normal. 
Com os alunos, é possível desenvolver uma proposta pedagógica através 
da observação do próprio calçado, ou seja, do seu tênis e/ou sapato que está usando 
no momento. Peça para o aluno tirar do seu pé e colocar sobre a mesa. Assim, fará 
a criação pela observação, mas escolhendo desenhar o tênis bem maior ou bem 
menor do que o tamanho original. Podemos acrescentar outros elementos à cena, 
como pessoas escalando o tênis ou outros objetos de maneira surreal.
FIGURA 26 – DESENHANDO SEU TÊNIS SURREALISTA
FONTE: A autora (2018)
• Artista Vik Muniz e a série “postcards”
A proposta prática usa a técnica da colagem utilizando recortes de postais, 
revistas, jornais, podendo ser realizada com alunos do 1º e 2º ano do ensino 
médio. Para a leitura e a contextualização, apresentar as obras e a vida do artista 
brasileiro Vik Muniz (1961), da série “Postcards”. 
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
176
FIGURA 27 – OBRA DA SÉRIE “POSTCARDS” RIO DE JANEIRO DE VIK MUNIZ (2013)
FONTE: <http://vikmuniz.net/gallery/postcards-from-nowhere>. Acesso em: 29 out. 2018.
A atividade poderá ser feita em grupos de alunos realizando uma 
composição figurativa em cartolina, composta de recortes de imagens de revistas/
jornais. A ideia é que se escolha uma imagem figurativa e, assim, desenhe os 
traços básicos de um lugar, de uma paisagem ou de um personagem de jogos ou 
de desenhos animados. Após, deve-se montar a imagem com recortes diversos 
retirados de revistas/jornais, colando-os.
FIGURA 28 – COLAGEM DE PEDAÇOS DE REVISTA
FONTE: A autora (2018)
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
177
• Criando uma proposta de arte contemporânea
A proposta prática poderá ser realizada com as turmas do ensino médio, 
mas desenvolvida em grupos de alunos. Para leitura e contextualização, explorar 
o conceito de arte contemporânea, de landart e de instalação artística.
 
A arte contemporânea articula as diferentes linguagens artísticas, não 
tendo mais definições próprias, são as criações atuais, as que estão surgindo 
trazendo reflexões subjetivas nas obras. Assim, a arte contemporânea propõe 
reflexões ao olhar uma obra, uma criação artística.
A land art é considerada uma arte contemporânea que apresenta obras 
que têm a utilização de recursos da própria natureza, que têm como característica 
a efemeridade e é uma arte que critica a industrialização. Já a instalação é uma 
manifestação artística contemporânea, que explora diferentes espaços, amplia 
cenários que saem dos ambientes convencionais da arte. 
FIGURA 29 – ROBERT SMITHSON: SPIRAL JETTY (1970). UTAH. GRANDE LAGO SALGADO
FONTE: Argan (1992, p. 583)
Como atividade prática, os grupos de alunos irão escolher um espaço da 
escola que tenha a possibilidade de criação de uma instalação, como é o caso de 
uma tela ou uma cerca, que permita sair da ideia tradicional de espaço artístico. A 
proposta é de uma instalação coletiva dentro do contexto contemporâneo da land art. 
Outro fato importante é verificar se a escola autoriza a interferência no 
espaço escolhido. Após a escolha e autorização do uso do espaço, os alunos irão criar 
sua instalação utilizando copos descartáveis que já foram usados, estes podem ser 
pintados com tintas como esmaltes, PVA, tecido, acrílica etc. A montagem e a imagem 
a ser retratada ficam a critério da imaginação e criatividade do grupo de alunos.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
178
FIGURA 30 – INSTALAÇÃO ARTÍSTICA COM COPINHOS PLÁSTICOS
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/412079434628876650/>. Acesso em: 26 dez. 2018.
DICAS
Conheça mais sobre a arte contemporânea – a instalação como nova forma 
de produção artística. 
FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5296>. 
Também conheça mais sobre os móbiles de Calder como possibilidades de explorar novas 
poéticas em sala de aula. 
FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5314>. 
Acesso em: 29 out. 2018.
3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS
Para o contexto da inclusão é de grande importância que os alunos 
vivenciem as diferentes expressões artísticas e tenham oportunidades adequadas 
para cada faixa etária, bem como respeitando as individualidades de cada aluno. 
Com isso, nos PCN – Arte (BRASIL, 1993, p. 15):
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
179
A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento 
artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido às 
experiências das pessoas: o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, 
a reflexão e a imaginação de aprender, pois a arte envolve, basicamente, 
fazer trabalhos artísticos, apreciar e refletir sobre eles. Envolve, 
também, conhecer, apreciar, refletir sobre as formas da natureza e sobre 
as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e 
épocas. Para tanto, a escola deve saber aproveitar a diversidade de 
recursos humanos e materiais disponíveis na comunidade em que ela 
esteja inserida, a fim de que o aluno, ao longo da escolaridade, tenha a 
oportunidade de vivenciar o maior número deformas de arte.
Levando em consideração que a aula de artes é um espaço de troca de 
conhecimento, de oportunidade, de reflexão e de estímulo das percepções sensíveis, 
é imprescindível que todos os alunos tenham a oportunidade de participar, de 
interagir e de contribuir com o momento significativo do contexto escolar. 
Na escola regular, o aluno com necessidades especiais convive no 
mesmo ambiente que os demais alunos, com o objetivo de ter oportunidades 
de convivência e de aprendizagem. Assim, Mantoan (2003, p. 70), afirma que “a 
inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar para esta ou aquela 
deficiência e/ou dificuldade de aprender”, assim, que tenham práticas que tragam 
oportunidades a todos os envolvidos.
Planejar propostas pedagógicas inclusivas nas aulas de artes é propor 
atividades que estimulem a criação e a criatividade, com adaptações levando em 
consideração a necessidade especial de cada aluno. Sabemos que todos os alunos são 
diferentes, mas é importante lembrar que alguns apresentam maiores dificuldades, 
que cada aluno tem seu ritmo de aprendizagem, demonstrando suas limitações 
e potencialidades. Para Mittler (2003, p. 20), “a inclusão depende do trabalho 
cotidiano do professor na sala de aula e do seu sucesso em garantir que todas as 
crianças possam participar de cada aula e da vida da escola como um todo”.
Nas aulas de artes, o desenvolvimento cognitivo dos alunos é ampliado 
conforme os estímulos recebidos, influenciando muito as crianças com 
necessidades especiais. Na comunicação verbal e não verbal, o desenho expressa 
os sentimentos, suas necessidades e limitações, e muitas vezes tornando-se um 
diagnóstico terapêutico. A escola precisa ser pensada como um espaço para a 
diversidade, para a inclusão, trazendo oportunidade de estabelecer vínculos 
entre professores, alunos e comunidade.
A escola, como espaço tempo de ensino e aprendizagem sistemático 
e intencional, é um dos locais onde os alunos têm a oportunidade 
de estabelecer vínculos entre os conhecimentos construídos e os 
sociais e culturais. Por isso, é também o lugar e o momento em que 
podemos verificar e estudar os modos de produção e difusão da 
arte na própria comunidade, região, país, ou na sociedade em geral. 
Assim, o aprendizado da arte vai incidir sobre a elaboração de formas 
de expressão e comunicação artística (pelos alunos e por artistas) e 
o domínio de noções sobre a arte derivativa da cultura universal 
(FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 19).
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
180
A escola é um lugar de aprendizagens, de formas de expressão, de saberes 
culturais e seus espaços devem estar aptos para recebimento dos alunos com 
necessidades especiais, garantindo a acessibilidade. Para propormos atividades 
inclusivas, também precisamos conhecer a turma de alunos, para isso, desenvolver 
um trabalho que realmente seja inclusivo e tenha seus objetivos alcançados. Como 
proposta, podem-se explorar as sensações por meio do contato com diferentes 
materiais e texturas, assim como oportunizar atividades que explorem sons, 
movimentos corporais, favorecendo a integração entre alunos e professores e 
ampliando o conhecimento de mundo.
DICAS
Como exemplo, a cartilha de inclusão escolar (feita em 2014 e lançada no 
Congresso Aprender Criança) apresenta a deficiência visual, ressaltando o seguinte:
O professor de Artes, em cuja sala existem deficientes visuais, 
deve lembrar que:
• Os alunos com deficiência visual podem fazer muitas 
das coisas que se faz com a visão, valendo-se do tato e 
dos demais sentidos, embora nenhum deles, ou eles em 
conjunto, substituirão a visão.
• Os alunos cegos não podem ver cores, todavia é importante 
que as cores sejam ensinadas, por exemplo, falando de 
suas variações de tonalidade, azul claro, verde escuro, 
onde aparecem, na maçã vermelha, no cabelo amarelo 
do amiguinho; que elas se combinam quando juntas, por 
exemplo, na blusa e na sandália rosa da amiguinha.
• Os alunos terão grande proveito ao usarem diferentes 
materiais, com diferentes texturas, que permitam diferentes 
temperaturas, que provocam diferentes odores; esses 
materiais devem fazer parte dos trabalhos de todos os alunos.
• O trabalho que não for possível fazer sem a visão, deverá 
contemplar o aluno cego, por exemplo, permitindo com 
que ele participe de fases do trabalho, cortando, dobrando, 
colando ou dando ideias.
• Todos se beneficiarão quando o professor propiciar o 
trabalho em grupo, o trabalho participativo na sala.
• O desenho e o desenhar devem fazer parte do ensino do 
aluno com deficiência, com prioridade para as orientações 
de como representar as coisas na maneira como são vistas, 
na perspectiva, de frente, atrás etc.
• Colagens e outras técnicas devem ser ensinadas, cuidando 
para que o aluno cego possa oferecer, ao seu trabalho, a 
mesma beleza visual que oferecerá com a estética tátil. A 
beleza e a estética visual precisam ser ensinadas e estar 
presentes nas produções dos alunos para que sejam 
apreciadas, também nesse particular.
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
181
DICAS
• Elogios e similares sempre são positivos para a criança, 
porém, o excesso de elogios quando o trabalho merece 
maior cuidado poderá ser danoso, uma vez que o aluno 
pode, de fato, achar que o que fez já está bom, não buscando 
aprimorar-se. Não se trata de fazer do aluno um artista, mas 
se for essa sua habilidade, ajudá-lo a tirar o máximo dela.
• Para a produção dos trabalhos escolares, o aluno deve 
receber informações que, por vezes, já estão disponíveis para 
as pessoas que enxergam. A observação e a exploração de 
objetos, animais, flores, ambientes reais, concretos e/ou sua 
descrição devem compor a educação artística e visual do 
aluno com deficiência.
Leia na íntegra o texto, acessando a cartilha no site Aprender Criança. FONTE: <http://
www.aprendercrianca.com.br/index.php/cartilha-da-inclusao/385-cartilha-da-inclusao-3>. 
Acesso em: 12 fev. 2019.
Assim, precisamos organizar e preparar os materiais de maneira ampliada, 
onde se utilizam as cores preto ou vermelho para destacar melhor a atividade. 
Também lembrar que as atividades não são visualizadas, por isso, propor criações 
em alto relevo, ou que explorem os outros sentidos, como olfato, auditivo e tátil.
Acadêmico, explore os espaços virtuais! É 
possível encontrar muitos materiais explicativos sobre a 
inclusão em sala de aula. Acesse a cartilha que apresenta 
sugestões de atividades de inclusão na escola:
Aproveite e baixe seu material. FONTE: <http://iparadigma.org.
br/arquivos/cartilha%20atividades%20inclusivas.pdf>. Acesso 
em: 29 out. 2018.
Seguem mais alguns materiais para leituras complementares. 
FONTE:<https://novaescola.org.br/conteudo/1370/alunos-
surdos-cantam-dancam-e-interpretam-na-aula-de-arte>.
<http://portal.aprendiz.uol.com.br/2013/09/27/arte-inspira-
tres-experiencias-de-inclusao/>.
<http://tribunadoceara.uol.com.br/noticias/educacao/
projeto-promove-arte-de-forma-inclusiva-para-pessoas-com-
deficiencia-visual/>.
<http://playtable.com.br/blog/conheca-e-aplique-jogos-didaticos-para-criancas-com-
deficiencia-visual/>.
<https://www.pragentemiuda.org/2011/01/especial-educacao-especial-inclusiva.html>.
<http://www.fmss.org.br/seis-curtas-metragens-animados-sobre-inclusao-para-assistir-em-
qualquer-lugar/>.
<http://emiliofigueira.com/colecao-gratuita-a-educacao-especial-na-perspectiva-
da- inclusao-escolar/?fbcl id=IwAR1sCqSZbNPm_jd-wZUDrgbntpmYL7bywcs_
rcQzjLyJZVdQ7Sj17CpCxx8>. Acesso em: 29 out. 2018.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
182
4 METODOLOGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM ARTE
Iniciamos nossos estudos sobre as metodologias de ensino e aprendizagem 
em arte com reflexões sobre atividades práticas. Contudo, o que significa a 
palavra metodologia? Vamos pensar juntos.A palavra metodologia estuda os 
diferentes métodos, classificando e descrevendo, ajudando o professor em sala 
de aula, indicando as ações e maneiras para ensinar um conteúdo e observando 
os objetivos a atingir. Assim, as metodologias mais comuns no ensino de arte são 
a tradicional, livre expressão e sociointeracionismo. 
Na metodologia tradicional o professor é um transmissor de 
conhecimentos. As atividades desenvolvidas em sala enfatizam as habilidades 
manuais, a repetição de técnicas, memorização e cópia de modelos de desenhos 
prontos. Para Ferraz e Fusari (2009, p. 47),
o ensino e aprendizagem concentram-se apenas na “transmissão” de 
conteúdos reprodutivistas, desvinculando-se da realidade social e das 
diferenças individuais. Os conteúdos eram percebidos e trabalhados 
como um fim em si mesmos. O conhecimento continua centrado 
no professor, que procura desenvolver em seus alunos também a 
memorização, habilidades manuais e hábitos de precisão, organização 
e limpeza, mas sem deixá-los criar ou explorar essas habilidades. 
Os alunos apenas atendem às orientações do professor, sem poder 
questionar ou contribuir com opiniões na aula. Um exemplo, com relação às 
atividades artísticas, é a pintura de imagens de obras de arte impressas, xerocadas 
e ou mimeografadas.
Na metodologia de livre expressão, que teve influências da Escola Nova, 
as experiências em aula eram mais importantes do que o resultado final. As 
atividades resumiam-se, principalmente, em desenho livre, sendo que não tinha 
o que era certo e errado e eram utilizados diversos materiais. Assim, 
o ensino e aprendizagem de arte referem-se às experimentações 
artísticas, inventividade e ao conhecimento de si próprio, concentrando-
se na figura do aluno e na aquisição de saberes vinculados à realidade 
e diversidade individual. Essa mudança de foco foi muito importante, 
pois colocou ênfase no educando – ou ser que aprende – e não apenas 
no conhecimento (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 51). 
O professor não podia apresentar obras de outros artistas, pois o aluno 
era para ser livre em sua expressão, era visto como um ser criativo. Segundo o 
PCN – Arte (1997, p. 25):
Da conscientização profissional, que predominou no início do 
movimento ArteEducação, tivemos evoluções para discussões 
que geraram concepções e novas metodologias para o ensino e a 
aprendizagem de arte nas escolas. É com determinado cenário que 
chegamos ao final da década de 90, mobilizando novas tendências 
curriculares em Arte, pensando no terceiro milênio. São características 
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
183
desse novo marco curricular as reivindicações de identificar a área por 
Arte (e não mais por Educação Artística) e de incluí-la na estrutura 
curricular como área, com conteúdos próprios ligados à cultura 
artística e não apenas como atividade. Dentre as várias propostas 
que estão sendo difundidas no Brasil na transição para o século 
XXI, destacam-se aquelas que têm se afirmado pela abrangência e 
por envolver ações que, sem dúvida, estão interferindo na melhoria 
do ensino e da aprendizagem de arte. São estudos sobre a educação 
estética, a estética do cotidiano, complementando a formação artística 
dos alunos. Ressalta-se ainda o encaminhamento pedagógico-artístico, 
que tem por premissas básicas a integração do fazer artístico, a 
apreciação da obra de arte e sua contextualização histórica.
Já a metodologia do sociointeracionismo, considerada a tendência atual 
do ensino de arte, vem ao encontro do que os PCN – Arte apresentam. O aluno 
tem contato com as linguagens artísticas, conhecendo os conteúdos e não apenas 
atividades. O aluno poderá participar da aula trazendo suas experiências e o 
professor se torna o mediador. As aulas acontecem através dos campos conceituais 
integrando o fazer artístico, a leitura e a contextualização, que é a atual abordagem 
triangular de Ana Mae Barbosa. Segundo Ferraz e Fusari (2009, p. 58),
as novas diretrizes metodológicas procuram encaminhar a organização 
de currículos a partir da reflexão e discussão conjunta na unidade 
escolar, de maneira a integrar outros projetos, em uma visão inter e 
transdisciplinar. Os objetivos da área são sintetizados na busca do 
conhecimento de arte como cultura e linguagem e caminho para o 
desenvolvimento de potencialidades dos educandos (percepção, 
observação, imaginação, sensibilidade). Os conteúdos se organizam 
a partir de eixos norteadores de aprendizagem, a saber: produção 
em arte – desenvolvimento do percurso de criação pessoal; fruição 
– apreciação significativa da arte e reflexão – sobre a arte enquanto 
produto pessoal e pertencente à multiplicidade das culturas humanas, 
de todas as épocas. Esta talvez seja uma das principais e inovadoras 
metas do ensino de arte, que busca o diálogo com todas as culturas 
e formas de arte, do erudito ao popular. A proposição da área, como 
consta nos PCN de Arte, passou a incorporar as quatro linguagens: 
artes visuais, dança, música e teatro, de modo que os educandos, ao 
longo do curso, possam ter acesso fundamentado a essas modalidades 
artísticas. Mas não significa que o documento esteja sugerindo a 
retomada da polivalência, como foi entendido por muitos professores, 
ou seja, que o professor de Arte integre em sua prática essas 
modalidades artísticas e, sim, que a escola possibilite a presença de 
professores habilitados para assumirem as diversas linguagens de arte. 
Cada uma dessas linguagens pressupõe conhecimentos específicos, 
que foram analisados e sistematizados também por especialistas, 
autores do documento.
Atividades que instiguem os campos conceituais da arte devem ser 
planejadas e propostas em sala de aula. Segue um exemplo de atividade 
contextualizada da obra “Abaporu”, da artista Tarsila do Amaral (1886-1973), 
para as aulas de artes:
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
184
FIGURA 31 – OBRA ABAPORU, 1928, DA ARTISTA TARSILA DO AMARAL. TÉCNICA: ÓLEO SOBRE TELA
FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Abaporu#/media/File:Abaporu.jpg>. Acesso em: 10 jan. 2019.
• Objetivo: contextualizar sobre a temática da obra “Abaporu” e criar releituras 
que consideram o conhecimento adquirido.
• Proposta pedagógica:
 Pesquisar sobre quem foi Tarsila do Amaral, em que época ela viveu e o que 
acontecia no mundo daquela época (Modernismo), como eram suas obras, suas 
fases artísticas, as cores que ela usava, as linhas, enfim, trazer o máximo de 
informações.
 Fazer uma roda de conversa, na qual cada aluno fala um pouco sobre o que foi 
pesquisado.
 Propor que escrevam um texto coletivo sobre a artista e suas obras.
 Mostrar a obra “Abaporu” para os alunos e pedir que falem o que veem.
 Fazer com os alunos a leitura formal: Que cores vocês veem? Quais as linhas 
que aparecem na obra? As formas? Existe perspectiva? Texturas? Quais 
são os elementos que aparecem na obra? (Se preferir, poderá inserir outros 
questionamentos).
 Realizar a leitura interpretativa: O que a obra quer dizer? Que mensagem ela 
está representando? Como era o Brasil e o mundo na época em que que a obra 
foi realizada? Qual a intenção de Tarsila representar a cabeça do homem tão 
pequena e os pés tão grandes?
 Obs.: No momento, os alunos já conhecem Tarsila, suas obras, o momento 
histórico que ela viveu e o que a obra Abaporu representa.
 Pedir para que os alunos se apropriem da obra e criem sua própria produção 
artística:
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
185
- Representem uma parte dela (zoom).
- Representem a obra, trazendo-a para os dias atuais, inserindo outros elementos.
- Juntem a obra com outra obra da Tarsila ou de outro artista que represente o 
mesmo tema.
- Represente a obra mudando os elementos de lugar.
- Represente-a com diferentes técnicas, materiais e bases.
- Represente-a de forma tridimensional etc. Promover uma exposição dos trabalhos dos alunos e apresentação sobre o que 
aprenderam com o tema.
Agora, vamos conhecer uma obra/objeto e pensar como desenvolver 
uma atividade contextualizada no atual ensino de arte. A obra Objeto é da 
artista chamada Meret Oppenheim (1913-1985), nascida em Berlim-Alemanha, 
mas considerada artista plástica e fotógrafa suíça que apresentava traços do 
movimento surrealista em seus trabalhos.
FIGURA 32 – MERET OPPENHEIM, OBJECT, 1936
FONTE: Holm (2005, p. 36)
Como proposta prática, converse sobre a artista, sua vida e obra, realizando 
momentos de pesquisa, leitura e contextualização, relacionando com o cotidiano 
dos alunos, instigando sobre o objeto que a artista utilizou. Questione os alunos 
se existem xícaras decoradas dessa maneira e como seria se cada aluno criasse 
a sua. Proponha o fazer artístico pedindo aos alunos para trazerem para a aula 
de artes algumas xícaras velhas e materiais diversos para poderem realizar uma 
colagem ou mesmo uma pintura. Instigue práticas diferentes e deixe os alunos 
participarem com sugestões.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
186
DICAS
Livro: HOLM, Anna Marie. Fazer e pensar arte. 
São Paulo: Museu de Arte Moderna, 2005.
O livro Fazer e Pensar Arte surgiu pela artista contemporânea 
Anna Marie Holm. Ela organizou em seu livro uma coleção 
de atividades que registrou em seu trabalho cotidiano, 
mostrando os desafios que propôs às crianças e fazendo 
refletir sobre as escolhas estéticas.
Outra proposta prática é realizar uma atividade de observação considerando 
o gênero natureza-morta. A atividade poderá ser realizada com a leitura de imagem 
de obras, como a obra “Vaso de flor”, de Giorgio Morandi (1890-1964). Explorar a 
leitura de imagem e a vida do artista. Trazer um vaso com flores naturais e organizar 
em uma mesa para os alunos analisarem com a pintura do artista. 
É importante instigar os alunos a refletirem, a fazerem relações com a obra 
e o vaso de flor natural. Quais semelhanças e diferenças podemos observar? Após 
ter realizada a análise, com o fazer artístico, criar com os alunos desenhos de 
observação do vaso de flores exposto sobre a mesa da sala de aula, desenhando os 
detalhes dele. Converse com os alunos sobre os desenhos de observação, fazendo 
uma exposição pela sala.
TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES
187
FIGURA 33 – FLORES (VASO DE FLORES), 1951, GIORGIO MORANDI, ÓLEO SOBRE TELA, 43,4 X 37,3
FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_
Giorgio-Morandi-no-Brasil-1.pdf>. Acesso em: 26 out. 2018.
Como professor de artes, e mediador do conhecimento, é importante 
propor práticas pedagógicas enfatizando conceitos que os alunos tenham 
interesse de aprender, explorando-os através dos campos conceituais.
188
Neste tópico, você aprendeu que:
● As propostas pedagógicas de artes envolvem momentos de vivência, 
experiência, de conhecimento, de criação, de reflexão, de compreensão, de 
interação com o outro, com a obra e com os elementos visuais do cotidiano 
através dos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar). 
● As propostas pedagógicas de artes devem ser planejadas através dos campos 
conceituais da arte: ler, contextualizar e fazer. Na escolha de uma temática de 
estudo, é relevante propor leituras das obras de arte ou imagens, contextualizar 
com os dias de hoje e propor o fazer artístico enfatizando o que foi estudado.
● Cada aluno cria sua produção artística, manifestando suas percepções sensíveis, 
seus conhecimentos, suas marcas, seu estilo e seus gostos. As crianças têm 
acesso à arte desde pequenas, muitas vezes não intencional, por meio das 
músicas cantadas pelos familiares, dos desenhos, das brincadeiras, dos vídeos, 
dos jogos, das contações de estórias. Desde muito cedo elas têm contato com 
as cores e com as formas por meio de imagens ilustrativas em livros, revistas, 
televisão, placas, computadores etc. e reais como objetos, lugares etc. 
● Para o contexto da inclusão, é de grande importância que os alunos vivenciem 
as diferentes manifestações artísticas. Assim, planejar propostas pedagógicas 
inclusivas nas aulas de artes é propor atividades que estimulem a criação e 
a criatividade, e com adaptações, levando em consideração a necessidade 
especial de cada aluno.
● As metodologias mais comuns usadas são a tradicional, de livre expressão 
e o sociointeracionismo. Atualmente, as aulas de arte têm influência do 
sociointeracionismo, isto é, aulas com professores mediadores, com propostas 
práticas através dos campos conceituais da arte e os alunos sendo protagonistas 
em busca da construção do conhecimento.
RESUMO DO TÓPICO 1
189
1 Sobre as metodologias mais comuns no ensino de Arte, enumere a 2ª coluna 
de acordo com a 1ª e assinale a alternativa CORRETA:
(1) Tradicional.
(2) Livre expressão. 
(3) Sociointeracionismo.
( ) É a tendência atual do ensino de arte. As aulas são planejadas através dos 
campos conceituais da arte: ler, contextualizar e fazer e o professor se 
torna mediador em sala de aula.
( ) Os alunos fazem apenas desenhos livres, sem a interferência do professor.
( ) O professor é o transmissor do conhecimento e os alunos realizam muitos 
desenhos impressos e utilizam modelos prontos.
a) 1 – 2 – 3.
b) 3 – 2 – 1. 
c) 2 – 3 – 1.
d) 2 – 1 – 3.
2 Segundo Ferraz e Fusari (2009), assinale a alternativa que preenche a lacuna 
corretamente:
Antes dos 3 anos a criança já sabe o que é desenhar, pintar, cantar, dançar e 
estes ___________ constituem-se no primeiro repertório de arte. Dessa idade 
em diante, notamos que elas também sabem manifestar opiniões estéticas de 
gostar, desgostar, achar bonito, feio. Nós, professores, devemos saber como 
dar continuidade a esse início de formação artística e estética. 
a) fazeres
b) conceitos
c) exercícios
d) momentos
AUTOATIVIDADE
190
3 Analise os itens a seguir sobre o contexto da inclusão, verificando quais são 
os itens corretos:
I- Para o contexto da inclusão é de grande importância que os alunos 
vivenciem as diferentes expressões artísticas e tenham oportunidades 
adequadas a cada necessidade, respeitando as diferenças.
II- Planejar propostas pedagógicas nas aulas de artes é apresentar atividades 
que estimulem a criação e a criatividade, mas sem adaptações no contexto 
da inclusão.
III- A inclusão depende do trabalho cotidiano dos professores na sala de aula 
e do seu sucesso em garantir que todas as crianças possam participar de 
cada aula e da vida da escola como um todo.
Estão CORRETOS:
a) Somente o item I.
b) Somente o item II.
c) Os itens I e III.
d) Os itens II e III.
191
TÓPICO 2
CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste segundo tópico, caro acadêmico, você irá conhecer propostas 
pedagógicas referentes à cultura visual, que tanto se faz presente na vida dos 
alunos através das mais variadas imagens e plataformas digitais. A cultura visual 
pode ser apresentada nas aulas de artes por meio da reflexão sobre a cultura e as 
imagens que influenciam o dia a dia das pessoas. 
A cultura visual é apresentada na televisão (filmes, novelas), nos jogos, 
na rua, nos locais, nas redes sociais (Facebook, Instagram) etc. Assim, os alunos 
fazem parte da sociedade contemporânea e precisam ser instigados a refletir 
criticamente sobre todas as imagens visualizadas diariamente que resultam na 
cultura visual para compreenderem melhor o mundo em que vivem. 
2 CONHECENDO AS IMAGENS 
Os alunos estão diante de um turbilhão de imagens, sejam elas fotografias, 
imagens de livros, revistas, jornais, imagens dos outdoors e placas, das revistas, 
dos sites e redes sociais, da televisão e tudo o que está ao seu alcance visualmente.
Grande parte dos alunos tem seus próprios celulares,computadores e 
interagem constantemente nas redes sociais, acessando imagens, vídeos e textos. 
Compartilham nas redes sociais diversos materiais que mostram suas preferências, 
opiniões e gostos. As interações, muitas vezes, acabam influenciando e afetando 
a vida deles. As imagens se tornam, de alguma maneira, parte das escolhas, 
vivências, preferências dos alunos. Assim, podemos conhecer três definições 
sobre a cultura visual:
1) uma condição cultural na qual a experiência humana é 
profundamente afetada por imagens, novas tecnologias do olhar e 
diversas práticas do ver, mostrar e retratar; 2) um conjunto inclusivo 
de imagens, objetos e aparatos; 3) um campo de estudo crítico que 
examina e interpreta díspares manifestações de experiências visuais 
em uma cultura (TAVIN, 2009, p. 226).
192
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
Percebe-se que as imagens afetam a vida dos alunos, tanto de maneira 
positiva quanto negativa. Assim, os significados e sentidos produzidos pelas 
imagens no campo da cultura visual fazem com que seja necessária a discussão 
com os alunos em sala de aula, uma vez que tais concepções afetam a todos.
Assim, é importante apresentar diversas imagens em sala de aula e 
instigar as diferentes opiniões, interpretações e compreensões sobre a maneira 
que foi representada socialmente, sobre seu signos e significados, sobre aspectos 
culturais, sociais, políticos, econômicos, históricos, estéticos, ou outro campo de 
estudo que permeia a imagem. 
A cultura visual possibilita as diferentes leituras, experiências subjetivas, 
fazendo o aluno sentir, pensar, construir novos conhecimentos a partir das imagens 
que são visualizadas no cotidiano. Seguem algumas imagens para serem analisadas:
FIGURA 34 – IMAGENS DIVERSAS
FONTE: <http://julian-arte.blogspot.com/p/planejamento.html>. Acesso em: 28 dez. 2018.
Quando falamos em imagens, podemos viajar em um mundo visual 
e sonoro. No exemplo retratado sobre o corpo e a arte, percebemos diferentes 
representações com temáticas distintas que consideram aspectos culturais e sociais. 
A partir das imagens, é possível criarmos propostas pedagógicas que estimulam o 
pensar sobre os diferentes campos visuais da imagem, proporcionando aos alunos 
pesquisas sobre diferentes tatuagens, pinturas corporais indígenas, maquiagens, 
sobre a festa carnavalesca e sua representação alegórica, bem como a bodyart (que 
é a arte que utiliza o próprio corpo). Tudo isso pensando no cotidiano dos alunos, 
na cultura visual, fazendo relações e propondo novas produções artísticas.
TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
193
DICAS
Como proposta prática de trabalhar com imagens, conheça uma sugestão 
de atividade encontrada no site: <https://novaescola.org.br/conteudo/1018/um-mundo-de-
imagens-para-ler>. Acesso em: 15 fev. 2019. Um exercício de análise que poderá ser feito 
com qualquer imagem do cotidiano do aluno.
A cultura visual já faz parte dos diferentes períodos da história da arte. 
Por exemplo, na Idade Média, a cultura visual se apresentava nos temas religiosos 
retratados nas imagens sacras. Assim, o tempo atual é marcado pela variedade de 
imagens, representadas pelas culturas, e cada época é vista de uma maneira. 
Quando o estudante realiza uma atividade vinculada ao conhecimento 
artístico ele não só desenvolve uma habilidade manual ou um 
dos sentidos, mas, sobretudo, delineia e fortalece sua identidade 
em relação às capacidades de discernir, valorizar, interpretar, 
compreender, respeitar, imaginar etc. o que lhe cerca e também a si 
mesmo (HERNÁNDEZ, 2000, p. 42). 
A cultura visual está nas imagens da publicidade, da moda e também da 
arquitetura. Como professor de arte, observe a sua turma de alunos, que tipos de 
imagens estão circulando nas aulas, verifique quem são os personagens de jogos 
que aparecem nos desenhos. Será que as imagens exercem alguma influência nos 
alunos? Instigue atividades artísticas que façam os alunos mostrarem tudo que 
gera sentido a eles. Após, realize reflexões sobre os diferentes significados, sobre 
as concepções estéticas existentes.
FIGURA 35 – CULTURA VISUAL PELA PUBLICIDADE
FONTE: <https://poracaso.com/sera-voce-pertence-geracao-so-cabecinha/>. 
Acesso em: 28 dez. 2018.
194
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
DICAS
Leia este projeto: Cultura visual: as imagens da cidade a partir do olhar dos 
alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Profª Cléia Godoy Fabrini da Silva, de autoria 
de Aida Rosa Dieguez Sábio, de Londrina-PR.
Resumo: O presente trabalho se justifica ao destacar a Cultura Visual, que se encontra 
enraizada na sociedade contemporânea, juntamente com os elementos visuais que estão 
no entorno da escola e que devem contribuir para a compreensão de mundo, na produção 
de significados visuais, estéticos, sonoros de nossos alunos. Os conteúdos programáticos, 
aliados às mídias audiovisuais e à mediação do professor, devem contribuir com o processo 
ensino e aprendizagem desses alunos, trazendo, assim, resultados imagéticos concretos 
que ampliam os saberes e os conhecimentos na disciplina Arte. 
Os objetivos principais desta pesquisa são: desenvolver nos alunos a competência crítica 
de refletir a Cultura Visual partindo das diversas linguagens, identificando assim os aspectos 
dessa Cultura Visual que está no entorno da escola e da cidade em que vivem. A abordagem 
metodológica do projeto será a pesquisa-ação e, para o desenvolvimento do trabalho, 
teremos como principal fio condutor Fernando Hernández, educador espanhol, estudioso 
do campo da Cultura Visual e do Ensino da Arte. A aplicabilidade do trabalho será feita através 
do método do estudioso que é o Projeto de Trabalho. A avaliação do referido trabalho será 
feita através do Portfólio criado pelos alunos e da apresentação do produto final. 
FONTE:<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_
pde/2013/2013_uel_arte_pdp_aida_rosa_de_paula_dieguez.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.
Martins (2004) mostra, a seguir, como observar objetos do cotidiano e 
aprender com eles. No exemplo, ela usou xícaras. 
FIGURA 36 – OBSERVANDO DIFERENTES XÍCARAS
FONTE: <https://educacao-em-foco02.webnode.com/artes/>. Acesso em: 18 fev. 2019.
TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
195
Se você escolher outros materiais para explorar com seus alunos, é preciso 
adaptar as questões. O primeiro passo é fazer uma descrição detalhada, para 
conhecer as características e funções. Em seguida, passe às perguntas.
• Em sua casa as pessoas têm o hábito de tomar café e/ou oferecê-lo às visitas?
• Quais são as semelhanças e diferenças entre as xícaras ao lado? Descreva-as.
• Para que serve cada um de seus elementos? Por que foram desenhados assim?
• Todas as xícaras são utilizadas hoje? Onde? Por quem?
• É possível estimar em que época elas foram feitas? Quais elementos levam a 
essas hipóteses? Por quem foram produzidas? Em que época?
• O que as imagens provocam em você? Perceba suas emoções e sensações.
• Como seu corpo reage às três xícaras e à obra de Regina Silveira?
• O que podemos pensar sobre os hábitos de nossa cultura?
• Outros povos têm costume de tomar café? Eles produzem outros tipos de 
xícara?
• Por que os americanos tomam a bebida em xícaras grandes? Por que os árabes 
costumam ler a borra do café que fica no fundo da xícara?
• Como seria nosso autorretrato como xícara? Que tipo de xícara seríamos?
• O que se pode criar com base nas imagens anteriores? É possível inventar 
histórias para cada uma, criar personagens com as mesmas características das 
xícaras? Escrever, desenhar, dramatizar, dançar, esculpir uma cena da história? 
Criar um novo desenho de xícara, pensando em quem tem um grande bigode 
ou um enorme nariz?
Portanto, a cultura visual propõe levar o cotidiano do aluno, seu 
conhecimento,suas experiências visuais para dentro da sala de aula. Você, futuro 
professor, aproveite os interesses dos alunos e explore as imagens nas aulas com 
pesquisas, reflexões e análises aprofundadas.
3 PROCESSOS CULTURAIS 
A cultura visual é apresentada em sala de aula por meio de propostas 
que envolvem o conhecimento cultural que se dá através das tradições, dos 
hábitos e dos costumes de diferentes povos. Assim, é imprescindível saber que 
os processos culturais trazem diferentes sentidos, significados, tudo isso em 
meio às relações humanas. 
A cultura visual se configura como um campo amplo, múltiplo, em que 
se abordam espaços e maneiras como a cultura se torna visível e visível 
se torna cultura. Corpus de conhecimento emergente, resultante de 
um esforço acadêmico proveniente dos Estudos Culturais. A cultura 
visual é considerada um campo novo em razão do foco no visual com 
prioridade da experiência do cotidiano (MARTINS, 2004, p. 160). 
A cultura visual apresentada na escola poderá abordar aspectos como o 
pensar e o agir dos alunos, bem como dos diferentes povos. Conhecer outras 
culturas, além da sua, possibilita respeito e valorização, distanciando pensamentos 
preconceituosos e discriminatórios.
196
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
DICAS
Como proposta prática, segue uma sugestão da arte educadora e pedagoga 
Ivete Raffa:
Postagem – "Arte Africana" – Colégio Canadá – Guarulhos – SP
Prof. Walkyria (Arte) e Marileide (Língua Portuguesa) - 7ºs, 8ºs e 9ºs anos.
Objetivo: Demonstrar uma nova forma de olhar a África, identificar seus valores culturais que tanto 
influenciaram e influenciam a Cultura Brasileira (música, dança, pintura, espiritualidade etc.).
FIGURA 37 – EXPOSIÇÃO SOBRE ARTE AFRICANA
FONTE: <http://iveteraffa.blogspot.com/2016/08/arte-nas-escolas-arte-africana.html>. 
Acesso em: 18 fev. 2019.
Atividade: Abayomi - Boneca de nós
Material: TNT preto ou papel crepom impermeável (Novaprint), tecido (Chitão estampado), 
fita de cetim nº 01, guarda-chuva (suporte), barbante e tesoura.
FIGURA 38 – BONECAS DE NÓS DE TECIDO
TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
197
Modo de fazer:
• Fale para os alunos sobre as bonecas que eram feitas pelas mães das crianças nos navios 
de escravos enquanto atravessavam o mar. 
• Corte tiras de TNT ou papel crepom impermeável (preto ou marrom). Faça nós para 
montar a boneca conforme imagem anterior. 
• Com tecido (Chita) ou crepom faça a roupa. Amarre a fita na cintura.
• Pendure com barbante em sombrinhas para expor.
FONTE: <http://iveteraffa.blogspot.com/p/arte-nas-escolas.html>. Acesso em: 7 jan. 2019.
Pensar na cultura visual de maneira transdisciplinar, isto é, trazer para 
a sala de aula a variedade de representações visuais que instigam e perpassam 
as diferentes áreas e não apenas as artes visuais. Potencializa um exercício mais 
amplo da cognição humana. Também é necessário confrontar imagens atuais 
com imagens e obras antigas, para produzir conhecimentos históricos e novos 
significados e saberes.
Como proposta prática referente à cultura visual, vamos conversar sobre o 
artista Siron Franco (1947), pois suas obras estabelecem diálogos sobre contextos 
sociais, políticos e ecológicos. Assim, o artista apresenta um discurso visual com 
várias técnicas e processos culturais. Vamos conhecer a obra.
FIGURA 39 – OBRA SALVAI NOSSAS ALMAS 1, DA SÉRIE CÉSIO, 1999, DE SIRON FRANCO
FONTE: <https://artenaescola.org.br/ecoart/material/siron-franco/#/de-olho-no-artista-no-
brasil-e-no-mundo>. Acesso em: 27 dez. 2018.
198
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
O artista criou um grande painel em lona denunciando a contaminação 
do meio ambiente pelo material radioativo césio 137, em Goiânia, em 1987, 
composto por colagem de roupas, radiografias e pinturas. A criação é considerada 
uma assemblage, que é um tipo de colagem. A criação é feita sobre um suporte 
qualquer, escolhido pelo artista.
Como atividade, instigue os alunos sobre objetos e imagens que retratem a 
sua vida, que contem histórias da família ou da comunidade em que vivem. Assim, 
peça que tragam caixas vazias, imagens de revistas, fotografias, personagens que 
gostam, tudo que envolva seus gostos e preferências. 
A criação deve ser individual, construindo uma caixa assemblage, que 
reúna vários objetos, recortes de imagens ou fotografias, ou tudo que faça trazer 
algum sentido e significado em sua criação artística. Explore leituras e diálogos 
em grande grupo apresentando os resultados das caixas da vida. Por fim, cada 
aluno apresenta os sentidos e significados das escolhas mostradas em sua criação.
FIGURA 40 – CRIANDO CAIXAS DA VIDA
FONTE: <http://julian-arte.blogspot.com/p/planejamento.html>. Acesso em: 28 dez. 2018.
Portanto, as representações visuais, elencadas por cada aluno, têm relação 
direta com as formas de socialização, do seu pensar e agir na sociedade, sendo 
influenciadas pelo que veem, ouvem e/ou escutam no seu dia a dia.
DICAS
Leia o artigo: O desafio de fazer História com imagens: arte e cultura visual, de 
Paulo Knauss. FONTE: <http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF12/ArtCultura%2012_knauss.
pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.
TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
199
4 RECURSOS REFERENTES À CULTURA VISUAL
A cultura visual está por toda a parte na humanidade e deve 
provocar pensamentos e reflexões. Imagens mostram o mundo, revelam seus 
comportamentos, suas atitudes e formas de pensar. Imagens podem transformar 
os pensamentos das pessoas e também instigam novas criações. Vamos pensar 
sobre a imagem a seguir, chamada “Fatia de neve”, do artista britânico Andy 
Goldsworthy (1956). O que seria a imagem? Onde foi feita? Qual foi o material 
usado na criação? Tais materiais existem onde você mora?
FIGURA 41 – FATIA DE NEVE, 1987. ARTISTA ANDY GOLDSWORTHY. INSTALAÇÃO COM NEVE E 
PEDAÇOS FINOS DE BAMBU. IZUMI-MURA (JAPÃO)
FONTE: <https://lugarnenhum.net/arte/esculturas-com-gelo/>. Acesso em: 27 dez. 2018.
A obra utiliza elementos naturais da natureza, como o gelo e o bambu, e é 
considerada uma criação efêmera. O artista registra suas produções por meio da 
fotografia, pois a obra tem pouco tempo de duração. 
Pensando um pouco mais em criações efêmeras, que tal propor uma 
prática aos alunos com montagens de elementos colhidos no caminho de casa 
até a escola? Organize grupos de alunos e peça para comporem suas criações 
em um espaço da escola. Lembre-se de registrar por meio da fotografia e, após, 
desmontar e reorganizar os materiais. Lembre os alunos de não arrancarem 
elementos da natureza, mas colherem o que está caído pelo chão.
A cultura visual está expressa na experiência cotidiana do ser humano e 
assim vem discutir significados. As práticas educativas que são apresentadas em 
sala de aula, que enfatizam a cultura visual, podem trazer discussões e fazer o 
aluno pensar os significados para suas produções e possíveis escolhas.
200
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
Trabalhar com fotografia na escola também é uma boa opção para analisar 
espaços, objetos e, consequentemente, conceitos estéticos, principalmente quando 
houver a apreciação de fotografias antigas e atuais. 
As propostas pedagógicas por meio da fotografia que buscam analisar 
a cultura visual podem ser interessantes para os alunos, justamente porque são 
imagens do cotidiano, imagens atuais e que expressam significados culturais 
relativos à vivência. Fotografias que retratam as pessoas (familiares, amigos, 
festas, encontros), fotografia de paisagens, lugares e objetos trazem ricas 
reflexões, mostrando as transformações do tempo, dialogando sobre as posturas, 
comportamentos, hábitos e costumes.
DICAS
Leia o artigo: A arte contemporânea e a cultura visual na sala de aula, de 
autoria de Ana Beatriz Campos Vaz.
Resumo: Tema finalidade de discutir a arte contemporânea e a cultura visual e sua presença 
na sala de aula, amparado em autores que refletem sobre a imagem, como mediadora, 
dentro de uma perspectiva crítica.
FONTE: <https://seminarioculturavisual.fav.ufg.br/up/778/o/2014-eixo3_a_arte_contempo-
ranea_e_a_cultura.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.
5 CONHECENDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE 
ENVOLVEM A CULTURA VISUAL 
O campo da cultura visual é amplo, transdisciplinar e propõe uma análise 
reflexiva sobre questões que estão relacionadas ao desenvolvimento humano 
dentro dos diversos contextos sociais e culturais que demandam um conhecimento 
abrangente dos signos e seus significados.
 
A seguir, serão apresentadas propostas sobre a cultura visual que podem ser 
desenvolvidas nas aulas de artes tendo como objetivo estimular a percepção visual 
e, consequentemente, a reflexão crítica dos alunos sobre os mais diversos conteúdos, 
assuntos e temas. Veja uma sugestão de plano de aula sobre a cultura visual:
Objetivos:
• Discutir o papel das imagens na contemporaneidade.
• Realizar a semana da cultura visual na escola por um viés crítico-educativo.
TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS
201
• Analisar a cultura do ver na experiência dos alunos.
Estratégias e recursos da aula:
• Aula sobre leitura de imagens (escolha imagens diversas sobre a temática que 
você deseja trabalhar):
• Apresente aos alunos uma série de imagens e pesquise o que elas provocam 
neles: sentimentos, impressões, pensamentos, ideias etc.
• Peça para que eles registrem em seus cadernos.
• Terminada a sessão de imagens, peça que socializem o que registraram em 
seus cadernos com toda a turma.
• Aulas que irão trabalhar com as imagens:
• Após a análise das imagens, será desenvolvida uma produção visual sobre o 
entorno da escola e da comunidade. Antes dos alunos iniciarem o trabalho 
de campo, reúna os professores de diferentes disciplinas para a construção da 
proposta de trabalho. Cada área, a partir de seus conhecimentos, irá contribuir 
para a construção do projeto de produção visual dos grupos.
• Promova, com os alunos, uma excursão pela comunidade e entorno da escola e 
peça que registrem as imagens diversas percebidas por eles: cenas do cotidiano, 
o dia a dia da comunidade, os movimentos, a arquitetura, flora e fauna, aspectos 
culturais dos hábitos daquela comunidade que são marcantes. Tais imagens 
serão registradas em formato de vídeo, fotos, desenhos, esboços etc.
• Os grupos trarão para a sala de aula as imagens registradas e a leitura que 
fizeram de tais registros, suas impressões, emoções, sentimentos envolvidos ao 
manusearem tais imagens.
• Cada grupo socializará suas imagens e suas impressões registradas para toda 
a turma.
• Aulas de organização da Semana da Cultura Visual
• Cada grupo organizará a apresentação da pesquisa realizada por meio de 
cartazes, folders, panfletos etc. Também precisará se organizar com relação ao 
espaço da exposição, horário etc.
• A comunidade poderá ser convidada a participar do evento. Solicite uma 
avaliação da comunidade com feedback para os alunos.
• Aula: Conclusão do projeto
202
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
• Reserve um dia para que a atividade tenha uma avaliação conjunta entre alunos 
e professores participantes do projeto.
Segue mais uma proposta por Paola Gentile, intitulada “Grande Viagem 
Cultural”:
No início do ano passado, Célia Maria Meirelles começou a estudar 
a formação do povo brasileiro por meio da arte com suas turmas de 
7ª série na Escola Municipal Governador Ildo Meneghetti, em Porto 
Alegre. Ninguém imaginava que o trabalho se estenderia por mais 
de um ano – só está previsto para terminar em junho. Tudo começou 
com um anúncio que a professora viu em uma revista. A página, 
dividida em quatro faixas horizontais (nas cores vermelha, amarela, 
branca e preta), tinha os dizeres: "Quando você mistura as cores 
das quatro raças, você tem a cor da Terra". Ela usou o material para 
cutucar a garotada e convidar a todos para uma longa viagem cultural. 
Antes do embarque, uma reflexão sobre a palavra viagem, ilustrada 
com imagens de jornais e revistas. Os alunos descreveram e justificaram 
suas escolhas, falaram sobre as sensações ao apreciar os trabalhos. A 
primeira escala foi no Brasil antes da chegada dos portugueses. Os 
jovens estudaram o significado das formas geométricas presentes nas 
pinturas corporais e em cestas e potes. Em seguida, produziram peças 
de cerâmica e madeira.
Aproveitando o interesse provocado pela Copa do Mundo na Coreia 
do Sul e no Japão, a Ásia virou foco de estudo. Durante uma semana, 
todos anotaram o que viram nos jornais e ouviram na televisão sobre 
o Oriente, para compartilhar dúvidas em classe. Depois, os alunos 
participaram de oficinas de origâmis e chapéus típicos de papel-machê 
e, junto com outros professores, tomaram chá verde em silêncio, como 
em um típico ritual oriental.
A cultura negra rendeu estudos sobre tecidos e joias, com direito à re-
produção de estamparias e adereços – devidamente acompanhados de 
textos explicativos. Neste ano, o trabalho recomeçou com os europeus. 
Contudo, o grande barato é mesmo o produto final bolado por Célia 
e seus alunos: a montagem de malas que revelassem todas as cultu-
ras estudadas, tal qual um turista que guarda objetos dos lugares que 
visitou para nunca se esquecer do que aprendeu na viagem. FONTE: 
<https://novaescola.org.br/conteudo/1018/um-mundo-de-imagens-pa-
ra-ler>. Acesso em: 19 fev. 2019.
203
Neste tópico, você aprendeu que:
● A cultura visual possibilita diferentes leituras, compreensões, experiências 
e percepções subjetivas, fazendo o aluno sentir, pensar, construir novos 
conhecimentos a partir das imagens do cotidiano.
● As imagens da publicidade, da moda, da arquitetura, do dia a dia dos alunos 
fazem parte da cultura visual.
● A cultura visual está expressa na experiência cotidiana do ser humano e, assim, 
vem discutir significados e seus sentidos. 
● As práticas educativas que são apresentadas em sala de aula, enfatizando 
a cultura visual, podem trazer discussões e fazer o aluno pensar sobre os 
significados existentes socialmente e culturalmente, promovendo escolhas, 
opiniões e saberes diversos.
RESUMO DO TÓPICO 2
204
AUTOATIVIDADE
1 Segundo Martins (2004), sobre a cultura visual, assinale a alternativa 
que preenche a lacuna corretamente: A cultura visual é considerada um 
campo novo em razão do foco no visual com prioridade da experiência do 
______________________.
a) cotidiano.
b) fazer artístico.
c) contextualizar.
d) imagético.
2 Sobre a cultura visual, segundo Tavin (2009), analise os itens a seguir:
I- Uma condição cultural na qual a experiência humana é profundamente 
afetada por imagens, novas tecnologias do olhar e diversas práticas do 
ver, mostrar e retratar.
II- Um conjunto inclusivo de imagens, objetos e aparatos.
III- Um campo de estudo crítico que examina e interpreta díspares 
manifestações de experiências visuais em uma cultura.
IV- Uma condição cultural na qual a experiência humana não é afetada por 
imagens e sim por práticas visuais.
Estão CORRETOS os seguintes itens:
a) Os itens II e III.
b) Os itens I e III.
c) Os itens I, III e IV.
d) Os itens I, II e III.
3 Organize uma proposta prática enfatizando os campos conceituais da arte 
referentes à cultura visual nas aulas. Como exemplo, leve revistas para 
recorte e peça para os alunos retirarem uma imagem que mais chama a 
atenção. Pense com os alunos no que seria feito com tal imagem. Por que 
escolheram as imagens? Instigue os alunos a olharem. Que proposta prática 
poderia ser feita? Anote suas ideias e monte um planejamento pensando 
sobre a temática da cultura visual.
205
TÓPICO 3
PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS EMATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
No terceiro tópico serão apresentadas as ferramentas, além dos materiais 
visuais utilizados nas aulas de artes. O assunto se faz necessário, pois quando for 
utilizar determinada ferramenta e material com os alunos, deve-se observar para 
que é utilizado e como usar, principalmente em relação ao uso das tintas, uma vez 
que nem todas as tintas são adequadas a todos os tipos de bases e/ou materiais.
Na produção de ferramentas e materiais visuais, os procedimentos serão 
no “fazer” da criação, trazendo no texto o passo a passo de como organizar na 
aula de artes.
2 CONHECENDO AS FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS 
Nas aulas de artes, as ferramentas utilizadas são o quadro, giz, livros, 
multimídia, obras de arte impressas, pincéis etc. As ferramentas são utilizadas 
como apoio nos conteúdos de artes e nas criações do fazer artístico. Já os materiais 
visuais são as tintas, os papéis, a tela.
Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial quando 
se inicia a lecionar em uma escola. É importante verificar o que a escola oferece 
de ferramentas e materiais, bem como o que os alunos podem trazer nas aulas. 
Geralmente, a escola dispõe de uma lista de materiais para cada turma de alunos, 
assim, providenciam para uso nas aulas. 
É interessante organizar uma caixa, que pode ser uma caixa de sapato 
usada, com os materiais de cada aluno para que seja utilizada durante o ano 
letivo. Essa caixa pode ficar na sala de aula para que seja usada em todas as aulas, 
não somente na aula de artes, mas sim, quando alguma aula sentir a necessidade 
de desenvolver trabalhos artísticos como desenho, pintura, colagem, gravura 
etc. Já para o professor, como sugestão de organizar os seus materiais, poderia 
utilizar uma caixa maior, ou usar um armário ou até em uma mala antiga, e se a 
mala tiver rodinha, é possível levar de sala em sala.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
206
Pensando sobre as ferramentas e materiais nas aulas de artes, para um 
bom andamento de uma atividade artística, é preciso deixar organizado o que irá 
utilizar com a turma de alunos. Assim, verifique com a escola ou com os alunos os 
seguintes materiais para a realização da atividade, ou seja, se temos papéis (que 
tipo de papéis), tintas (verificar as cores), os pincéis (verificar o tamanho), potes 
para lavar os pincéis, panos para limpeza, jornais velhos, tesoura, cola, lápis de 
cor (verificar as cores) e demais materiais que forem necessários. Tudo é essencial 
para a realização das atividades artísticas.
Assim, os materiais que são considerados como itens básicos para as aulas de 
artes são: pincéis, tintas, lápis de cor, giz de cera, canetinhas, papéis A4 e A3 (branco 
e coloridos), tesoura, cola etc. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 192), os 
materiais fazem parte da obra, da criação, do suporte, da poética apresentada.
O estudo da materialidade das obras de artes nos aproxima da poética 
dos materiais, do sentido que brota e de que modo brota da própria 
matéria pela sua simbolização. Matéria, procedimentos com a matéria, 
suportes e ferramentas estão envolvidos intrinsecamente. 
Assim, se a escola não disponibiliza uma sala específica de artes e as aulas 
acontecem na própria sala da turma, é preciso ter o cuidado com as mesas no 
momento de atividades práticas, sendo necessário, muitas vezes, forrar as mesas 
com jornais ou papéis velhos.
Durante o ano letivo, as aulas podem necessitar de outros materiais como 
os recicláveis (garrafas pet vazias, caixas, rolinhos de papel higiênico etc.) ou 
materiais orgânicos/naturais (folhas secas, pedras, sementes etc.). O professor 
precisa se organizar antecipadamente para solicitar esse tipo de material para os 
alunos. É importante estimular os alunos a reutilizarem e criarem produções a 
partir de materiais recicláveis.
Para desenvolver produções artísticas, nada mais interessante que ter uma 
sala de artes organizada que pode ser chamada de “ateliê escolar”. Segue uma 
dica de como organizar um ateliê e quais atividades podem ser desenvolvidas.
O ateliê escolar, por mais modesto que seja, sempre será um local que 
pode ser prazeroso tanto para o profissional como para os seus alunos ficarem à 
vontade para usar a Arte como expressão.
Professor, prepare o seu palco!
• Viver a arte
As experiências em artes visuais são fundamentais na educação infantil. 
O mais importante e básico é a criança ter espaço para viver a arte na escola.
TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
207
• Espaço 
Previamente preparado com riqueza de materiais para que a criança possa 
escolher o material para a sua expressão artística.
• Professor 
Aula preparada sempre, se não conhece a técnica faz a sua experimentação 
anteriormente. Explicar a proposta, incentivar o aluno para experimentar, trazer 
informações, mostrar as possibilidades e deixar o aluno criar.
• Registro 
Documentar o suporte (papel, caixa, sucata, tela) que será utilizado com 
logo da escola, nome da criança, tema e técnica.
Caso o suporte seja a parede de azulejos, o chão etc., registre através da 
fotografia.
O artista precisa ser valorizado, cuidando que a sua obra seja sempre 
identificada, exposta para todos da escola e para os pais.
FIGURA 42 – GARFOS SENDO USADOS COMO PINCÉIS NA AULA DE ARTES
FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/como-montar-seu-atelie-
escolar/>. Acesso em: 18 fev. 2019.
• Sugestões de materiais para ateliê
• Tintas variadas e espessas (todas solúveis em água).
• Pincéis de variados tamanhos (chatos, redondos, brochas pequenas).
• Rolinhos de espuma.
• Lápis de cor, giz de cera e outros.
• Papéis canson, paraná, sulfite, kraft, revistas coloridas e outros.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
208
• Tela para pintura.
• Cola líquida para atividades diversas.
• Cola em bastão para uso no papel.
• Sucatas divididas por materiais: garrafas grandes, garrafas pequenas, retalhos 
de papelão, retalhos de papéis coloridos, retalhos de madeira, caixas de ovos, 
caixas grandes, caixas pequenas etc.
• Potes contendo: botões, pastilhas, lixas, folhas secas, sementes, serragem, 
conchinhas, pedras pequenas, pedras lisas e rugosas, tampinhas variadas, 
argolas grandes e pequenas, retalhos de tecidos, giz de lousa e de costura, 
carvão para desenho, borrifadores, linhas, barbantes ou outros tipos de fios, 
canudos de refresco, palitos de sorvete, rolhas de diversos tamanhos, cones de 
linha e carreteis vazios, massa de modelar, argila, areia, farinha…
• E o que mais a criatividade imaginar.
Assim, vamos conhecer um relato escrito na revista Nova Escola, que 
enfatiza sobre fabricar materiais apontando possibilidades artísticas, intitulado 
“Meu pincel, minha tinta”, reportagem de Luiza Andrade (2009). FONTE: 
<https://novaescola.org.br/conteudo/1046/meu-pincel-minha-tinta>. Acesso em: 
19 fev. 2019.
Considerado um dos maiores pintores do século 20, o francês Henri 
Matisse (1869-1954) não era um artista de materiais convencionais. 
Na década de 1940, para vivenciar um novo jeito de pintar, realizou 
uma famosa série de obras com um pincel preso a uma longa vareta. 
Isso transformou também o suporte de sua pintura: em vez da tela 
tradicional, ele optou por um mural preso a uma parede. O francês não 
está só: assim como Matisse, muitos artistas lançam mão de recursos 
parecidos, utilizando galhos, folhas, escovas de dente e até vassouras 
como ferramentas para realizar diversos quadros. 
A sala de aula pode ser palco de um processo semelhante, que se 
estende por todo o Ensino Fundamental. Desenvolver esse tipo de 
atividade com a classe permite explorar inúmeras formas de fazer arte. 
"É experimentando que o artista descobre cada vez mais ferramentas,suportes e procedimentos. Na escola, contemplar essa variação amplia 
o leque de possibilidades expressivas dos alunos", diz Mirian Celeste 
Martins. Para o professor, o trabalho começa antes mesmo de se propor 
a atividade aos alunos. "É importante investigar materiais variados e 
dedicar especial atenção aos recursos naturais próximos à escola que 
podem servir de base para as ferramentas", explica Marisa Szpigel. 
Em seguida, é o momento de convidar toda a turma para embarcar na 
exploração.
Ao apresentar os exemplos que havia pesquisado, Silvanete Pereira 
Lima, professora da 3ª série da EM Roseana Sarney, em Pindaré 
Mirim, à 180 quilômetros de distância de São Luís, pediu que os 
alunos trouxessem ideias de casa. O grupo soltou a imaginação e criou 
ferramentas com gravetos, cabos de vassoura, bambus, canos, escovas 
de dente e palitos de sorvete e de churrasco. Pelos, espumas, buchas 
e penas, entre outros, foram presos aos suportes com barbante, linha 
ou fita adesiva. No levantamento das matérias-primas para tintas, a 
mesma avalanche de sugestões: areia colorida, argila, borra de café, 
açaí, buriti, carvão, urucum, giz, cenoura, espinafre e beterraba.
TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
209
O conteúdo do 6º ao 9º ano – Nas séries finais do Ensino Fundamental, 
os conteúdos já estudados nas aulas de Arte ficam mais complexos. 
"É importante, sim, que o que já foi visto seja retomado, com 
aprofundamento e ampliação do repertório", afirma Mirian Celeste 
Martins. A fabricação de tintas e pincéis pode voltar, então, como uma 
aliada de novos projetos. Um bom exemplo é incentivar os alunos 
a encontrarem modos particulares de trabalhar com a cor. "Para 
isso, você pode mostrar, como referência, obras de vários artistas 
contemporâneos, como as do pintor e ilustrador paulista Paulo Pasta, 
que revelam tons com contrastes sutis e brincam com a percepção da 
cor; as do gaúcho Iberê Camargo (1914-1994), com grossas camadas e 
muita tinta; e as do paulista Thomaz Ianelli (1932-2001), mais diluídas", 
sugere Mirian. Nessa fase, a ideia é que as novas ferramentas e o 
maior conhecimento de arte contemporânea possibilitem a cada aluno 
a chance de desenvolver melhor uma forma própria de se relacionar 
com as cores.
O ato de fabricar ferramentas é, por si só, conteúdo curricular: É 
preciso ter em mente que a fabricação de pincéis e tintas não é 
mera preparação para a aula. A atividade já é um conteúdo, pois o 
aspecto final da obra depende diretamente da forma e da qualidade 
das ferramentas. Você pode e deve pontuar o processo com questões 
relativas ao produto final: que tipo de pincelada o pelo escolhido 
para o pincel vai produzir? O que acontece se eu usar mais ou menos 
pigmento na tinta? "Esse tipo de indagação estética faz todo sentido, 
pois a ferramenta é um artefato com forma e função. A fabricação 
não deve ser entendida como uma linha de produção, mas como 
um processo de desenvolvimento de estratégias artísticas pessoais", 
explica Marisa. A turma de 4º ano da EM Deputado José Carlos Vaz 
de Miranda, em Vassouras, à 89 quilômetros de distância do Rio de 
Janeiro, percebeu isso na prática. Entre a diversidade de pincéis criados 
– com mato, pedaços de flores ou enfeites de durex colorido –, uma 
das crianças escolheu um modelo com folhas de árvores bem grandes 
e surpreendeu-se com o efeito. "Ela notou que bastava uma pincelada 
para cobrir uma folha inteira de papel. Por isso, acabou precisando 
encontrar um suporte maior para pintar", conta a professora Solange 
Maria da Silva Guimarães. Instrumentos prontos, chega a hora de 
utilizá-los para as pinturas, sempre no plural. É que, como explica 
Mirian, um projeto de Arte não visa gerar apenas uma produção, 
mas uma série que traduza as intenções de cada criança. "Ocorre o 
mesmo com os artistas. Para pintar Guernica, Pablo Picasso (1881-
1973) fez uma série de esboços, que, além de servirem de base para o 
quadro, são tão importantes que foram considerados obras acabadas, 
inspirando outras criações do artista", afirma.
Propor uma série de pinturas para amadurecer a produção: O tema 
dessa série de produções é bastante variável. "Pode ser livre, de 
observação, de imaginação. O que será feito com os materiais é um 
novo conteúdo e estimulará o debate sobre o que essa ferramenta 
pode ajudar a produzir. É ainda uma boa hora para testar suportes 
diferentes para a pintura, como mesa, parede e chão", diz Marisa. 
A professora Silvanete optou pelo tema livre, do qual saíram cores, 
texturas e formas surpreendentes. Já Solange escolheu o desenho de 
observação de árvores do pátio da escola – isso depois de apresentar 
referências variadas. Em todos os casos, o resultado é sempre diverso 
daquele em que são usados materiais convencionais, pois introduz 
não apenas ferramentas diferentes, mas também novos jeitos de pintar 
e pensar a Arte.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
210
DICAS
Leia na íntegra o texto e conheça as imagens. FONTE: <https://novaescola.
org.br/conteudo/1046/meu-pincel-minha-tinta>. Acesso em: 7 jan. 2019.
3 PRODUZINDO FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS
Como sugestão, ao realizar uma atividade em sala de aula, com alunos que 
já a terminaram e para não ficarem ociosos e andando pela sala, apresente a caixa 
de ideias. Pode ser produzido o material colocando em uma sacola ou caixa. Dentro 
da caixa colocar as palavras de temas que os alunos poderão desenhar. A atividade 
será por sorteio, isto é, o aluno coloca a mão na sacola ou caixa e retira dela um 
bilhete, no qual está escrito algum tema. O desenho será construído a partir do 
sorteio do assunto. Os alunos gostam, muitas vezes sorteiam mais de um tema, e 
assim, a cena se constrói com mais detalhes, misturando as temáticas sorteadas.
DICAS
Temas/palavras para o sorteio: 
Parque de diversões, navio de piratas, casa assombrada, loja de brinquedos, supermercado, 
sorveteria, caverna do dragão, circo, fazenda, piquenique, zoológico, aquário, templo oriental, 
convenção das bruxas, consultório de dentista, nave extraterrestre, festival de música, noite 
de natal, baile de carnaval, morada de anjos celestiais, mundo submarino, lançamento de 
foguete, praia, vale dos dinossauros, casamento, estúdio de televisão, floresta selvagem, 
fábrica de automóveis, jardim florido, estação de trem, corrida de fórmula 1, piscina do clube, 
banda de rock, palácio do imperador, confeitaria, salão de beleza, cinema, tribo de índios, 
castelo medieval, vampiros, colmeia, missa católica, cemitério, festa de aniversário, super-
heróis, restaurante, barcos, mundo de gnomos, tendas de ciganos, bombeiros, antigo Egito, 
país das maravilhas, corrida de balões, desfile de moda, acampamento, mapa do tesouro, 
exposição de artes, corrida de cavalos, terra da fantasia, inferno, pizzas e saladas, hospital, 
páscoa, festa junina, bebê chorando, bicicleta, cachorro e gato, castelo, dinossauro, Mickey 
e Minnie, Bob esponja, Peppa, borboletas azuis, panelas e xícaras, vassoura, sofá e abajur.
As palavras como temas de desenho e criação podem ser escritas em 
papéis e recortadas uma a uma, dobradas e colocadas em uma caixa ou bolsa 
de sorteio. Mantenha o material sempre em mãos para usar quando necessário. 
Outros materiais podem ser produzidos para as aulas de artes, a seguir alguns 
exemplos com passo a passo:
TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
211
DICAS
Leia o plano de aula. 
FONTE: <http://marinatanzi.blogspot.com/2016/07/plano-de-aula-com-massinha-de-mde
lar.html>. Acesso em: 15 fev. 2019. 
• Massa de modelar caseira: 
 Materiais necessários: 1 xícara de sal de cozinha, 4 xícaras de farinha de trigo, 2 
colheres de óleo de cozinha, 1 colher de vinagre branco, 1 xícara e meia de água. 
 Como fazer: Misture todos osingredientes e amasse-os. Para colorir utilize 
corantes alimentícios de várias cores. Guarde cada cor em um pote e coloque 
na geladeira para não estragar.
 Proposta pedagógica: é possível criar inúmeras formas figurativas e/ou 
abstratas tridimensionais.
FIGURA 43 – RECEITA E PASSO A PASSO DA MASSINHA DE MODELAR CASEIRA
FONTE: <http://www.mamaetagarela.com/massinha-de-modelar-caseira/>. Acesso em: 28 dez. 2018.
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
212
• Cola colorida: 
 Materiais necessários: precisamos de corantes como anelina ou guache e cola 
branca. 
 Como fazer: misturar bem a cola com o corante.
 Proposta pedagógica: é possível criarmos pinturas diversas, bem como 
trabalharmos com linhas inspiradas em várias obras de arte, por exemplo, 
obras abstratas.
DICAS
Livro de técnicas da Faber Castell. FONTE: <http://educacao.faber-castell.
com.br/wp-content/uploads/2014/07/livrotecnicas-parte2.pdf>. Acesso em: 29 dez. 2018.
● Papel reciclado: 
 Materiais necessários: balde, água, bacias/vasilhas plásticas, molduras com 
tela (que podem ser substituídas por peneiras), papéis usados, jornal, cola ou 
grude, liquidificador.
 Como fazer: 1) preparar as mesas da sala de aula forrando-as com jornal; 2) 
disponibilize os materiais aos alunos: balde, água, bacias/vasilhas plásticas, 
molduras com tela (que podem ser substituídas por peneiras), papéis usados, 
jornal, cola ou grude; 3) solicite aos alunos para que piquem os retalhos de papel 
coletados e coloquem de molho em uma bacia/balde com água; 4) coloquem o 
papel amolecido no liquidificador com água e batam a mistura para obtenção 
da polpa; 5) despejem a polpa em uma vasilha grande e quadrada com água; 
6) colham a polpa com a moldura (ou peneira) de baixo para cima, no sentido 
de criar uma película sobre a tela; 7) coloquem para secagem em local seguro e 
de fácil ventilação.
 Proposta pedagógica: é possível aproveitar o papel reciclado como tela, moldura, 
capa etc., criando sobre ele pinturas, desenhos, gravuras, colagens etc.
TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
213
FIGURA 44 – RESULTADO DO PAPEL RECICLADO
FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19338>. 
Acesso em: 2 jan. 2019.
Leia na íntegra um plano de aula sobre o papel reciclado. O plano conta 
em detalhes o processo de produção de papel, desde pesquisas com os alunos com 
sugestões de leituras. Acesse o link a seguir. FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/
fichaTecnicaAula.html?aula=19338>. Acesso em: 15 fev. 2019.
UNI
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
214
• Criando pincéis: que tal produzir pincéis com esponjas usadas? 
 Materiais necessários: esponja de espuma (tipo de lavar louça), tesoura, 
grampos de roupa. 
 Como fazer: corte em pequenos pedaços a esponja e prenda cada pedaço em 
um grampo de roupa. Criar vários pincéis de esponja para utilizar todas as 
cores. 
 Proposta pedagógica: a pintura poderá ser de carimbar ou esfregar sobre 
diversos tipos de papéis. 
FIGURA 45 – PINCÉIS COM GRAMPO E ESPONJA
FONTE: <https://trabalhosdaprofivani.blogspot.com/2012/09/jogos-e-atividades-ludicas-com.
html>. Acesso em: 17 jan. 2019.
DICAS
Leia na íntegra um plano sobre uso de pincéis como a esponja explorando o 
estudo das cores. 
FONTE: <https://planosdeaula.blogspot.com/2006/10/aula-de-artes.html>. 
Acesso em: 15 fev. 2019.
TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES
215
LEITURA COMPLEMENTAR
QUE MATERIAIS SÃO USADOS NA ARTE MODERNA?
Na Arte Moderna, os materiais utilizados variam conforme as preferências 
do artista. Se for pintor, escultor, cinegrafista ou fotógrafo, o meio determinará os 
tipos de materiais que serão utilizados. Praticamente qualquer coisa imaginável 
pode ser usada dentro de todos os distintos ramos da arte visual.
 
Pintura
Pintores usam a tinta para expressar suas ideias no mundo real, de uma 
maneira que a fotografia não é capaz. Pinturas são vivas. A tinta pode ser aplicada 
em toda superfície tratada. Tudo o que é necessário são algumas demãos de gesso, 
o qual é um fundo especialmente desenvolvido para a pintura. É necessário lixar 
entre as camadas. Pintores usam tinta a óleo, acrílica ou guache. Todas as três 
têm o poder de fazer obras de arte incríveis. Cada uma é diferente das outras e 
possui características particulares. Artistas de aquarela usam um papel especial 
para esse tipo de tinta. Pintores também podem utilizar bisnagas de tinta a óleo, 
que são específicas para a pintura.
Desenho
Pintores devem ser capazes de desenhar bem para fazer pinturas de 
qualidade. Em retratos usa-se caneta, carvão, pastel, hidrocor, giz, lápis e 
lápis de cor. Qualquer uma das ferramentas pode ser usada em conjunto ou 
individualmente para fazer uma obra de arte. Caneta e tinta normalmente são 
compradas separadamente e a caneta é de um tipo especial. O carvão vegetal 
é utilizado em folhas maiores, geralmente papel-jornal para o esboço e papel 
de qualidade superior para a obra final. O carvão pode aparecer em uma 
variedade de cores. Por vezes, no entanto, apenas o preto é utilizado. Artistas 
usam canetas hidrocor para preencher com cor, e para criar renderizações e 
desenhos requintados. Giz colorido é popular entre artistas de rua, que criam 
representações brilhantes nas calçadas. Já o lápis de cor deve ser pressionado 
para fazer renderizações mais escuras, que têm mais apelo do que desenhos 
levemente sombreados. Desenhistas podem recorrer a qualquer superfície que 
desejam. Podem desenhar na cartolina, prancheta, papel branco, papel colorido, 
ou na superfície mais adequada.
Mistura de materiais
Artistas que misturam materiais usam imagens, padrões, tecidos, 
papel, plástico, formas tridimensionais, materiais secos. Os artistas podem usar 
praticamente qualquer coisa para poderem fazer uma obra de arte. Eles juntam 
materiais sobre madeira, tela emoldurada, ou sobre qualquer superfície plana ou 
UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES
216
curva com a qual seja possível fazer uma obra de arte. Esses artistas se inspiram 
em sua experiência pessoal e em outros artistas para formular uma obra de arte. 
Selecionam materiais que se relacionam com a ideia que desejam transmitir. 
Às vezes, também podem utilizar itens aparentemente desconexos e deixar o 
admirador fazer associações entre os materiais. Ainda, por vezes, os materiais 
são combinados meramente pelo efeito estético que proporcionam.
Escultura
No contexto da arte tridimensional, nada vai tão longe quanto os materiais 
usados nela. Escultores já fizeram esculturas de tudo, desde peças de automóveis 
até pétalas de flores. Eles adicionam ou removem materiais quando fazem 
esculturas. Também podem fazê-las em moldes. Em um processo subtrativo, eles 
esculpem removendo partes dos materiais. Também usam madeira, pedra-sabão, 
mármore, e qualquer coisa que possa ser esculpida com um cinzel ou ferramentas 
elétricas. Quando criam suas esculturas, alguns artistas fazem um molde de 
plástico, borracha ou gesso. O molde pode ser preenchido com resina, bronze ou 
qualquer material passível de ser fundido.
Fotografia e vídeo
Fotógrafos usam uma variedade de dispositivos e acessórios para poderem 
criar imagens incríveis. Eles podem escolher uma vasta gama de modelos de 
câmeras, das baratas às mais caras. Podem usar lentes grande-angular para 
capturar imagens a uma grande distância. Ainda, podem usam filtros de luz 
para capturar um brilho específico. Uma gama de lentes está disponível para fins 
específicos. E eles ainda podem usar Photoshop para ajustar e modificar imagens. 
Já os videomakers usam o Adobe Premiere para editar, combinar e adicionar 
som a produções de vídeo. Ambos usam tripés para equilibrare estabilizar suas 
câmeras. Kits de iluminação são usados para fornecer a quantidade certa de luz 
no lugar exato em que se deseja.
Leia o texto na íntegra acessando o link a seguir. 
FONTE: <https://www.ehow.com.br/materiais-usados-moderna-sobre_6407/>. Acesso em: 30 out. 2018.
217
Neste tópico, você aprendeu que:
● As ferramentas são utilizadas como apoio nos conteúdos de artes e nas criações 
do fazer artístico.
● Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial para desenvolver 
produções artísticas.
● Verificar o que a escola oferece de materiais e o que os alunos podem trazer nas 
aulas são boas estratégias para iniciar o planejamento.
● Os materiais que são considerados itens básicos para as aulas de artes são: 
pincéis, tintas, lápis de cor, giz de cera, canetinhas, papéis A4 e A3 (brancos e 
coloridos), tesoura, cola, entre outros. 
● Se a escola não disponibiliza uma sala de artes específica, e as aulas acontecem 
na própria sala da turma, é preciso ter o cuidado com as mesas no momento de 
atividades práticas.
● Durante o ano letivo, as aulas podem necessitar de outros materiais como 
recicláveis ou materiais orgânicos/naturais.
● Crie com os alunos os materiais em sala de aula desenvolvendo o estudo de 
conteúdos de arte.
RESUMO DO TÓPICO 3
218
AUTOATIVIDADE
1 Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010), assinale a alternativa que 
preenche a lacuna a seguir CORRETAMENTE:
“Combinações de materiais. Cada material, uma _____________ que dá 
consistência física à obra de arte”.
a) criação
b) exposição
c) combinação
d) matéria
2 Assinalar a alternativa que preenche a lacuna CORRETAMENTE:
Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial quando se 
inicia a lecionar em uma escola. É importante verificar o que a escola oferece 
de ferramentas e materiais, bem como, o que os alunos podem trazer nas aulas. 
Geralmente, a escola dispõe de uma ___________ para cada turma de alunos, 
assim, os mesmos providenciam estes materiais para uso nas aulas de artes. 
a) lista de materiais
b) caixa de materiais
c) caixa de ferramentas
d) lista de livros
3 Crie uma proposta prática para a aula de artes produzindo um material 
com os alunos, como produção de tintas. Observe no texto do Tópico 3 as 
sugestões já utilizadas. Vamos lá!
219
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220
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