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2019 ProPostas Pedagógicas em artes Profª. Adriana Beatriz Pacher Raach Copyright © UNIASSELVI 2019 Elaboração: Profª. Adriana Beatriz Pacher Raach Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: R111p Raach, Adriana Beatriz Pacher Propostas pedagógicas em artes. / Adriana Beatriz Pacher Raach. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 222 p.; il. ISBN 978-85-515-0266-2 1.Artes – Estudo e ensino - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 371.9 III aPresentação Olá, acadêmico! É com grande prazer que desejo boas-vindas e me apresento como autora desta disciplina. Formada em Artes Plásticas, com pós-graduação em História da Arte, Mídias na Educação e Mestrado em Educação. Como professora conteudista, apresentamos este livro com teorias e práticas importantes para serem estudadas e desenvolvidas em sala de aula. Como professora atuante na disciplina de Arte, nossa prática diária é lecionar arte para alunos desde a educação infantil até o ensino médio, com isso desenvolvendo aulas teórico-práticas sempre embasadas numa teoria, fazendo referência à abordagem triangular de Barbosa, que será apresentada neste livro de estudos. A disciplina PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES trata de diversas proposições pedagógicas em artes visuais e tem como principais objetivos trazer reflexões sobre as ações didático-pedagógicas atuais, com abordagens teóricas e práticas, a fim de ampliar as experiências educacionais na formação do docente de Artes. Também estudar as diferentes concepções de arte e da sua relação com o ensino para criar ambientes de aprendizagem a partir de projetos que contemplam propostas pedagógicas embasadas na criação/produção; percepção/análise; conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estético da humanidade. Assim, caro acadêmico, ao final desta disciplina, é preciso que tenha conhecimento sobre as abordagens teóricas e práticas do ensino de artes; ter conhecido as propostas pedagógicas atuais em artes; saber compreender os modos de aprender dos educandos; entender o processo criativo; ter conhecido os projetos de ensino de arte; conhecer o processo de criação das diversas ferramentas que são utilizadas nas aulas de artes; estudar os materiais visuais e as visualidades da escola; entender os espaços e práticas de criação, de percepções, de identidades, de subjetividades e de reflexão crítica; explorar outras áreas da Arte, outras linguagens artísticas desenvolvendo assim, a transversalidade; e aprender práticas metodológicas voltadas para a Educação Básica. Para isso, acadêmico, é preciso fazer as leituras e atividades propostas e aproveitar as leituras complementares para auxiliar em sua prática diária de sala de aula. Organize seu tempo, faça sua agenda semanal para aproveitar ao máximo esta disciplina. Se precisar de ajuda ou mesmo dúvidas, fale com seu IV tutor. Temos muitas inquietações que se manifestam no cotidiano das aulas, nas leituras e atividades, mas estamos aqui para proporcionar subsídios de leituras e atividades que possam ajudar você, que são adaptadas sempre ao espaço escolar e a sua realidade de ensino e aprendizagem. Assim, o livro de estudos está dividido em três unidades, com seus tópicos e subtópicos que abordam as propostas pedagógicas em Arte, que são direcionadas para a sala de aula. Na primeira unidade será apresentado o conhecimento artístico através dos conceitos referentes à contextualização, fruição e produção, subdivididos em dois tópicos. O primeiro tópico descreve a teoria e a prática do ensino de artes, conhecendo as abordagens teóricas e práticas, as linguagens da arte e os campos conceituais a partir da abordagem triangular de Barbosa, a contextualização, fruição e produção. O segundo tópico apresenta experiências educacionais na formação do docente em Arte, trazendo os modos de aprender dos educandos através de uma reflexão crítica. Na segunda unidade, você, acadêmico, encontra os projetos no ensino de Arte, descritos em três tópicos. O primeiro se refere aos projetos de ensino, os projetos na escola, os projetos artísticos em ação. No segundo tópico, encontramos as experiências práticas na elaboração de projetos de pesquisa em educação sobre a própria experienciação na prática artística, os espaços de práticas artísticas com sugestões de atividades, além da transversalidade do conhecimento. No terceiro tópico, você estudará o processo criativo, os espaços de práticas artísticas através da subjetividade. Na terceira unidade, veremos as propostas pedagógicas em Artes, desenvolvidas em três tópicos. No primeiro, as propostas pedagógicas atuais em arte para serem desenvolvidas na educação básica, desde a educação infantil até o ensino médio, com propostas pedagógicas inclusivas e sobre a metodologia de ensino e aprendizagem. No segundo tópico, você conhecerá as propostas sobre a cultura visual. No terceiro tópico, encontra-se o processo de criação das ferramentas e materiais utilizados nas aulas de artes. Lembramos que todas as unidades apresentam resumos dos tópicos e autoatividades para serem desenvolvidas, sugestões em UNIs, além de leituras complementares. Desejamos a você, acadêmico, bons estudos, boas leituras, para que surjam novas ideias e muita criação para as práticas em sala de aula! Prof. Ma. Adriana Beatriz Pacher Raach V Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA VI VII UNIDADE 1 – CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO .........................................................................................1 TÓPICO 1 – TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES .......................................................3 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................3 2 CONHECENDO AS ABORDAGENS TEÓRICAS E PRÁTICAS DO ENSINO DE ARTES ...........................................................................................................................4 3 AS LINGUAGENS DA ARTE ..........................................................................................................143.1 A LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS .....................................................................................18 3.2 A LINGUAGEM DAS ARTES CÊNICAS (TEATRO E DANÇA) ............................................30 3.3 A LINGUAGEM DA MÚSICA ....................................................................................................31 4 CAMPOS CONCEITUAIS DA ARTE .............................................................................................33 4.1 LEITURA DE IMAGEM (FRUIÇÃO/ANÁLISE).......................................................................37 4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO .............................................................................................................40 4.3 FAZER ARTÍSTICO (CRIAÇÃO/ PRODUÇÃO) .......................................................................42 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................44 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................45 TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES ..................................................................................................47 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................47 2 MODOS DE APRENDER DOS EDUCANDOS ...........................................................................48 3 APRENDENDO A APRENDER .......................................................................................................54 4 REFLEXÃO CRÍTICA .........................................................................................................................58 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................62 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................66 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................67 UNIDADE 2 – PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE .............69 TÓPICO 1 – PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM ........................................................71 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................71 2 PROJETOS NA ESCOLA ..................................................................................................................72 3 PROJETOS ARTÍSTICOS .................................................................................................................81 4 PROJETOS EM AÇÃO .......................................................................................................................86 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................92 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................93 TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES ......................95 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................95 2 EXPERIENCIAÇÃO NA PRÁTICA ARTÍSTICA .........................................................................95 3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS ................................................................................99 4 TRANSVERSALIDADE DO CONHECIMENTO .......................................................................112 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................120 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................121 sumário VIII TÓPICO 3 – ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO .....................................................................123 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................123 2 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS .......................................................................................123 3 PROCESSO CRIATIVO .....................................................................................................................126 4 PROCESSO DE SUBJETIVIDADE .................................................................................................133 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................137 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................142 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................143 UNIDADE 3 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES .........................................................145 TÓPICO 1 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES .............................................147 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................147 2 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DE ARTES NA EDUCAÇÃO BÁSICA ................................147 3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS .............................................................................178 4 METODOLOGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM ARTE .............................................182 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................188 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................189 TÓPICO 2 – CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ..........................................191 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................191 2 CONHECENDO AS IMAGENS .....................................................................................................191 3 PROCESSOS CULTURAIS ..............................................................................................................195 4 RECURSOS REFERENTES À CULTURA VISUAL .....................................................................199 5 CONHECENDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE ENVOLVEM A CULTURA VISUAL ...........................................................................................................................200 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................203 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................204 TÓPICO 3 – PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES ....................................................................205 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................205 2 CONHECENDO AS FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS ............................................205 3 PRODUZINDO FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS .....................................................210 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................215RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................217 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................218 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................219 1 UNIDADE 1 CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de: • conhecer as abordagens teóricas e práticas do ensino de Artes; • refletir sobre as diversas linguagens da Arte; • compreender sobre os campos conceituais da Arte: produção, fruição e contextualização; • identificar os modos de aprender dos educandos; • refletir sobre a formação do docente em Artes através da reflexão crítica. Esta unidade de estudos será apresentada em dois tópicos. Em cada um deles, você encontrará, ao final dos tópicos, um resumo e autoatividades para auxiliá-lo na compreensão dos conteúdos estudados. TÓPICO 1 – TEORIA E PRÁTICA DO ENSINO DE ARTES TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 1 INTRODUÇÃO Estamos iniciando a disciplina chamada Propostas Pedagógicas em Artes. Assim, caros acadêmicos, precisamos conversar sobre a teoria e a prática do ensino de Artes e o conhecimento artístico nos campos conceituais da contextualização, fruição e produção artística. Lembramos que o ensino de artes se tornou disciplina obrigatória no currículo escolar nos diversos níveis de ensino desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n° 9.394, de dezembro de 1996, referenciando sobre a formação específica nas diversas linguagens da arte (visual, cênica e musical). Os professores têm o desafio de atender aos currículos propostos nas escolas, mas não serem polivalentes, cada um com sua formação específica irá trazer a arte para dentro da sala de aula. Assim, a formação em artes acontece pela pesquisa, pelo ensino, por estudos diários. A aprendizagem acontece pelas indagações, pela busca do novo. Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (FREIRE, 1996, p. 32). Assim, o ensino de arte, através da teoria e da prática, da pesquisa intermitente, vem aprimorar as diversas habilidades, competências e conhecimentos. Como professores, precisamos planejar e organizar as propostas pedagógicas relacionadas ao ensino de artes. O processo deve ser significativo, trazendo sentido ao que está sendo desenvolvido e criado em sala de aula. É necessário desenvolver práticas de ensino de artes em uma perspectiva que contemple a Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa, que envolva a produção artística, a fruição e a contextualização. Neste primeiro tópico dedicaremos nossos estudos às abordagens teóricas e práticas do ensino de artes, ajudando você, acadêmico, em suas reflexões e pesquisas, pois não há ensino sem pesquisa, como Freire já nos falava. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 4 2 CONHECENDO AS ABORDAGENS TEÓRICAS E PRÁTICAS DO ENSINO DE ARTES As aulas de artes desenvolvidas nas escolas nos remetem aos bons momentos da realização do fazer artístico, quando os alunos demonstram gosto pelas atividades que realizam, pelas produções feitas na sala de aula. Segundo Barbosa (2010, p. 27), “se a arte não fosse importante não existiria desde os tempos das cavernas, resistindo a todas as tentativas de menosprezo”. São as propostas de práticas artísticas que se tornam destaque em sala de aula, resultando em muitas produções artístico-visuais. Para isso, vale lembrar de enfatizar com os alunos o embasamento teórico da atividade que é proposta, por exemplo, referenciando uma obra de arte, relatando, muitas vezes, a vida de um artista, de um período histórico, ou obras produzidas, fazendo relações ao momento atual em que vivemos. Para Bell (2008, p. 6): Os seres humanos contam histórias e fabricam objetos que fascinam os olhos. Por vezes suas histórias dizem respeito a esses objetos. Esse tipo de narrativa, a história da arte, é habitualmente motivado pelo desejo de uma pessoa de imaginar como seria viver numa outra época e de refletir sobre o que outras mãos fizeram. Além disso, os historiadores da arte por vezes tentam explicar por que os objetos são feitos de diferentes maneiras, segundo a época e o lugar. Assim, estamos diante de muitos objetos, muitas imagens visuais em nosso cotidiano que trazem diversas interpretações de mundo, que nos fazem associar com nossa realidade, criando sentidos e maneiras de pensar, nos concedendo uma imaginação criadora. Tudo relacionando com eixos de aprendizagem. Barbosa (2010, p. 33) fala o seguinte: “Quando falo de conhecer arte, falo de um conhecimento que nas artes visuais se organiza inter-relacionando o fazer artístico, a apreciação da arte e a história da arte”. Contudo, o ensino da arte não ocorre de maneira isolada, é todo um conjunto de ações e aprendizagens que transcorrem entre alunos e professores, todos aprendem e ensinam, trocam ideias, como podemos ver na pintura de Chardin, a seguir, um afeto entre aprendiz e educador. Há um cuidado no ato de ensinar, e a imagem a seguir, faz refletir em um ensino solitário. O professor apenas ensina e transmite o conhecimento. Contudo, atualmente, o ensino acontece de maneira coletiva, com muitos alunos em sala de aula e o professor se torna mediador nas propostas pedagógicas. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 5 FIGURA 1 – OBRA: A JOVEM PROFESSORA, C. 1736/7, ÓLEO SOBRE TELA, 62 X 66 CM, JEAN- BAPTISTE SIMEÓN CHARDIN, NATIONAL GALLERY, LONDRES FONTE: <https://meilycass.wordpress.com/2011/09/10/video-aula-1-as-revolucoes- educacionais/a-jovem-professora-chardin/>. Acesso em: 26 maio 2018. DICAS Caro acadêmico! Acesse e explore este site do Arte na escola, aproveite as dicas de leitura! Vamos lá! Lembre-se de que como professores precisamos estar sempre atualizados, pesquisando, estudando, divulgando e mostrando as criações artísticas desenvolvidas nas aulas de artes. FONTE: <http://artenaescola.org.br/sala-de-leitura/>. Acesso em: 12 dez. 2018. Nas escolas, o ensino de arte é apresentado em diferentes métodos e sistemas. As aulas acontecem em grupos de alunos que, dependendo da faixa etária, tem-se um número máximo por turma, por exemplo, uma turma de 1º ano do ensino médio terá até 40 alunos na sala de aula. Pensando nisso, as atividades de artes podem ser desenvolvidas de diversas maneiras, como atividades individuais e atividades coletivas. Portanto, as atividades que atualmente se encontram no ensino de arte se mostram muito variadas e acontecem por meio de abordagens teóricas ou apenas práticas, dependendo da formação do professor, das suas experiências e da sua realidade escolar, como podemos perceber a seguir: UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 6 • As atividades consideradas como propostas de arte de temáticas livres, os chamados “desenhos livres” são feitos por meio de desenhos e pinturas em folhas de tamanho A4 ou A3. • As apresentações teatrais realizadas na escola acontecem relacionadas a um tema didático, por exemplo, teatros especialmente criados para homenagens ao dia das mães ou dia dos pais. • Professorestrazendo desenhos prontos, impressos ou mimeografados apenas para serem pintados. • Também encontramos atividades de pesquisa sobre a vida e obra de artistas ou de períodos da história da arte. • Encontramos releituras de obras de artistas famosos por meio das linguagens da arte. • A criação de murais, na maioria das vezes, é feita referente às datas comemorativas e não de um conteúdo desenvolvido em aula. • As músicas que são inseridas nas aulas, como cantos para rotina, por exemplo, são cantadas na hora do lanche. Lembrando que a linguagem da música já está inserida nas escolas. Assim, o professor de artes visuais apenas se apropria de alguns conceitos das outras linguagens artísticas e desenvolve nas suas aulas. Pensando mais sobre o ensino de arte, as abordagens teóricas e práticas precisam ser desenvolvidas com fundamento teórico/prático, sem esquecer-se de falar da importância da arte fora dos muros escolares, como é o caso da cultura visual que está em nosso cotidiano, em nosso dia a dia, nas ruas, nos parques etc. A arte é importante na escola, principalmente porque é importante fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através dos tempos, a arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 12). Assim, cada atividade proposta em sala de aula precisa ter objetivo, trazendo sua teoria, seu conteúdo. Apenas realizar uma prática sem embasamento acaba esvaziando a importância da arte no contexto escolar. Para Barbosa (2010, p. 33), “o conhecimento em artes se dá na interseção da experimentação, da decodificação e da informação”. É preciso deixar a arte passar de mera atividade para uma disciplina que apresente objetivos, conteúdos, metodologias e avaliação, através de ações que tragam vivências práticas. É necessário que o professor de artes traga a teoria e a prática com reflexão e ação, pois entende-se que os dois princípios de formação profissional precisam caminhar juntos para desenvolver a criação, a percepção, o imaginário, a intuição e demais conhecimentos sensíveis e inteligíveis. É importante ressaltar que o ensino de artes tem sua relevância no currículo escolar, como todas as outras disciplinas curriculares, sendo que não está em menor nível. Os professores precisam: TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 7 [...] em primeiro lugar, de sólidos conhecimentos teóricos acerca das teorias da Arte Educação, e de um modo de pensar acerca da Arte que possa ajudá-los a definir as atividades artísticas na escola e a Arte na sociedade moderna, sua função e praticalidade (BARBOSA, 1975, p. 94). Lembramos que murais e enfeites podem ser feitos com fundamento teórico, ou seja, trabalhando com os alunos conteúdos, obras de artistas, contextualizando-as. O fazer artístico é apresentado em forma de uma exposição ou em um mural, por exemplo. DICAS Livro: A reflexão e a prática no ensino – Artes (2013). Este livro foi organizado por Dália Rosenthal e Maria Christina de Souza Lima Rizzi. É uma coleção que tem várias disciplinas, em que o volume 9 apresenta Artes. O livro orienta com práticas para o professor e, trazendo para o ensino fundamental, teorias e práticas, numa linguagem simples e direcionando dicas para o trabalho em sala de aula. No caso, as abordagens teóricas e práticas nas aulas de arte devem caminhar juntas, trazendo significado e relacionando ao cotidiano, fazendo com que os estudantes reflitam, pensem sobre suas criações e exposições. Segundo Raach (2016, p. 29): Evidenciamos a necessidade de ressignificar as práticas pedagógicas a fim de propormos uma educação que abra espaços para a comunicação, a curiosidade e a criatividade, para que os sujeitos possam fazer das suas construções, também reconstruções. Os alunos, sujeitos ativos, curiosos, precisam de espaço para suas criações, construções artísticas e o professor precisa dispor de práticas que contemplem a produção, fruição e contextualização. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a teoria e a prática no ensino de arte demonstram que: Na prática das salas de aula, observa-se que os eixos do produzir e do apreciar já estão de alguma maneira contemplados, mesmo que o professor o faça de maneira intuitiva e assistemática. Entretanto, a produção e a apreciação ganham níveis consideravelmente mais avançados de articulação na aprendizagem dos alunos quando estão complementadas pela contextualização (BRASIL, 1997, p. 50). UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 8 O professor de arte tem acesso aos conteúdos e, assim, pode fazer escolhas de conceitos e atividades essenciais para a aula e para determinada turma. A teoria e a prática podem transformar e trazer resultados, podendo contribuir para um processo de aprendizagem mais significativo. Assim, Barbosa (1978, p. 15) diz que “o ensino artístico no Brasil só agora, e muito lentamente, se vem libertando do acirrado preconceito com a qual a cultura brasileira o cercou durante quase 150 anos que sucederam à implantação”. É preciso mostrar o ensino de arte com propriedade, com fundamentação teórica, trazendo seu significado, sua importância para a sala de aula, não apenas o fazer por fazer uma atividade. DICAS Acadêmico! Para que aprofunde seus conhecimentos sobre teoria e prática, recomendamos este livro para leitura: O livro Teoria e prática do ensino de Arte foi produzido pelas autoras Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e Maria Terezinha Telles Guerra, em 2010. O livro contém 208 páginas que percorrem nas linguagens da arte, trazendo obras de artistas e produções próprias que enfatizam a teoria e prática no ensino de Arte. Segundo Iavelberg (2003, p. 10), “aprender arte envolve a ação em distintos eixos de aprendizagem: fazer, apreciar e refletir sobre a produção social e histórica da arte, contextualizando os objetos artísticos e seus conteúdos”. Nesse sentido, surge a abordagem triangular de Barbosa (1998), nas palavras do fazer artístico, leitura de imagem e contextualização, sem estarem em uma ordem linear, mas que sugerem como prática em sala de aula, relacionando com a teoria. São campos conceituais que nos ajudam a desenvolver nossas propostas pedagógicas em sala de aula. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 9 DICAS DICAS Caro acadêmico! Segue mais uma dica de espaço de pesquisa virtual. Estão disponíveis os períodos históricos da arte, leituras de imagens, dicas de filmes, entre outros conteúdos. Aproveite! Explore este espaço virtual. FONTE: <https://www.historiadasartes. com/>. Acesso em: 23 nov. 2018. É preciso muita pesquisa, muita leitura, estudos teóricos para uma prática embasada, não deixando acontecer o fazer artístico de maneira livre, sem mediação. Como sugestão leia este livro que traz o conceito do que é Arte para um aprofundamento teórico. O que é arte, de Jorge Coli O livro foi escrito por Jorge Coli, em 1995, e editado pela Editora Brasiliense e apresenta a pergunta o que é arte fazendo relações com obras renomadas de todos os tempos, instigando sobre o que é e o que não é arte. Vale a pena conferir! Continuando a conversa sobre teoria e prática em sala de aula, veremos a seguir algumas sugestões e explanações sobre situações de aprendizagem que, por vezes, acontecem no cotidiano escolar. Segundo Raach (2016, p. 30): Faz-se necessária a socialização em espaços de compartilhamento de informações, contextualizando esses conhecimentos com o cotidiano, rompendo as fronteiras entre escola e sociedade, fazendo conexões com o mundo. Você já deve ter ouvido falar sobre atividades de releitura, revisitação ou até reprodução de obras de arte desenvolvidas em sala de aula. Com isso, vale lembrar do cuidadocom a atividade, para que não seja solicitado aos alunos para “copiarem” a obra de arte e sim instigá-los a pensar sobre a obra, com perguntas UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 10 como: o que poderia ser de outra maneira na imagem, talvez outro cenário? Sobre a época que foi pintada ou criada, como seria esta obra nos dias de hoje? Discutir com os alunos sobre a imagem, suas características, fazendo novas leituras, novas interpretações. Assim, é possível criar uma nova composição artística, uma releitura da obra apresentada de maneira contextualizada. Podemos utilizar como exemplo uma atividade desenvolvida de maneira contextualizada em sala de aula. Os alunos de uma turma de anos iniciais do ensino fundamental e outra do ensino médio conheceram a obra “Natureza-morta com maçãs e laranjas” (1895-1900) do artista francês Paul Cézanne, uma pintura em óleo sobre tela com dimensões de 74x93 cm. O artista Cézanne, ao pintar suas naturezas-mortas, estudava os detalhes dos objetos que iria desenhar e pintar. FIGURA 2 – NATUREZA MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS, DE PAUL CÉZANNE. 1895-1900, OST, 74 X 93CM FONTE: <http://artenarede.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/08/Macas-e-laranjas- Cezanne.png>. Acesso em: 1 nov. 2018. A obra “Natureza morta com maçãs e laranjas”, do artista Paul Cézanne, foi apresentada em uma atividade de gincana, quando os alunos do ensino médio tinham o desafio de montar o quebra-cabeça da obra. Depois de montado, tinham que utilizar seus celulares para pesquisa e realizar a busca da imagem na internet, verificando qual foi o artista que pintou, explicando a vida e a obra como atividade de gincana escolar. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 11 FIGURA 3 – MONTANDO QUEBRA-CABEÇA DA OBRA “NATUREZA MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS” DO ARTISTA PAUL CÉZANNE FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) Outra atividade que foi desenvolvida com o ensino fundamental nos anos iniciais apresentava a obra através da leitura de imagem, conversando com a turma de alunos sobre a vida do artista e características da obra. Os alunos realizaram a dobradura de papel no formato que lembrasse uma maçã. FIGURA 4 – RELEITURA COLETIVA DA OBRA NATUREZA-MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS (1895-1900) DO ARTISTA PAUL CÉZANNE UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 12 Na figura, percebemos relações com a obra original. Os alunos seguiram os passos da construção de uma dobradura em que a forma lembrasse uma maçã, a fruta que mais aparece na obra de arte estudada. Assim, cada aluno criou suas maçãs imaginárias, usando tipos de linhas, cores e formas. Estas maçãs não poderiam existir para comprar. Todas as maçãs criadas através da dobradura foram mostradas na composição coletiva, um painel único com a participação dos alunos, compondo assim uma releitura da obra analisada. Barbosa (2010, p. 20) relata que “nossa ideia de leitura da imagem é construir uma metalinguagem da imagem. Não é falar sobre uma pintura, mas falar a pintura num outro discurso, às vezes silencioso, algumas vezes gráfico, e verbal somente na sua visibilidade primária”. Assim, atividades contemplam a leitura de imagem utilizando materiais simples do cotidiano, como criações com materiais recicláveis, por exemplo, utilizando rolinhos de papel higiênico ou pratos de papelão. Vejamos, a seguir, alguns exemplos de atividades que mostram criações feitas com determinados materiais. FIGURA 5 – SILHUETAS PINTADAS EM PRATOS DE PAPELÃO FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) Para a criação foi usada uma silhueta (apenas contorno de uma imagem recortada), prato de papelão e uma esponja, fazendo esponjado com a tinta guache. O uso do prato de papelão mostrou um ótimo resultado, e a tinta guache aderiu muito bem. Lembramos que o material é de fácil acesso. Em realidades mais distantes podem até usar pedaços de papelão, como retirar partes de uma caixa, por exemplo. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 13 FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) Na figura a seguir, as crianças construíram pássaros com rolinhos de papel higiênico. A atividade foi desenvolvida através da observação e contextualização das pinturas do artista brasileiro Aldemir Martins, analisando a obra pássaro e outros animais que o artista pintou usando as cores primárias. FIGURA 6 – PÁSSARO COM ROLINHOS DE PAPEL HIGIÊNICO Na atividade do pássaro, o próprio corpo do animal foi construído com um rolinho de papel higiênico. Os alunos da educação infantil montaram seu próprio pássaro com partes já pré-desenhadas, depois pintaram, recortaram e montaram seu trabalho, assim, o pássaro criado pode ser um brinquedo ou até um móbile. Os alunos precisam de oportunidades de contato com outros materiais em sala de aula, variando as atividades de arte, não apenas só o uso dos lápis de cores e dos papéis. Segundo Raach (2016, p. 31), “os sujeitos reconstroem o conhecimento, os professores têm o desafio de reconstruir as práticas pedagógicas”. Para Barbosa (2010, p. 20): Nossa concepção de história da arte não é linear, mas pretende contextualizar a obra de arte no tempo e explorar suas circunstâncias em lugar de estarmos preocupados em mostrar a chamada “evolução” das formas artísticas através do tempo. Pretendemos mostrar que a arte não está isolada de nosso cotidiano, de nossa história pessoal. A partir das abordagens teóricas e práticas trazidas pelo professor em sala de aula, são nas produções artísticas que os alunos têm possibilidade de escolhas, tanto de cores, materiais, e assim, testar tudo isto, ter ideias e muitas vezes, até mudando a ideia inicial pensada. São momentos de experimentações quando aos poucos os alunos descobrem seus próprios gostos e estilos de criações, criando seu próprio percurso artístico. Tudo isso remete ao aluno o contato com as diferentes linguagens da arte que estudaremos a seguir. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 14 3 AS LINGUAGENS DA ARTE A disciplina de arte é subdividida em áreas de conhecimento. As diferentes áreas estão subdivididas em: artes visuais, artes cênicas (teatro), dança e música. Agora, caro acadêmico, veremos um pouco de cada linguagem artística com sugestões de atividades, mas em especial iremos observar estratégias pedagógicas nas artes visuais. Assim, “são as linguagens da arte que fazem vivenciar na vida e na sala de aula a emoção, a sensibilidade, o pensamento, a criação, seja através de nossa própria produção, seja através das obras dos mais diversos autores e artistas” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 9). Contudo, o que seria a linguagem? Para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 32), “pode-se dizer que linguagem é um sistema simbólico e toda linguagem é um sistema de signos”. A linguagem é uma representação do mundo, refletindo a nossa realidade. Por exemplo, a palavra casa. Temos sobre determinado objeto a própria casa, desenhos de casas, fotografias de casas, maquetes de casas. São signos ou símbolos da palavra casa. “Arte é uma forma de criação de linguagens – a linguagem visual, a linguagem musical, a linguagem do teatro, a linguagem da dança e a linguagem cinematográfica, entre outras” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 35). Temos muitas linguagens que se cruzam nas linguagens artísticas, que se articulam, que se transformam. “Toda linguagem artística é um modo singular de o homem refletir– reflexão/reflexo – seu estar no mundo. Quando o homem trabalha nessa linguagem, seu coração e sua mente atuam juntos em poética intimidade (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 35). E o que você, caro acadêmico, entende das linguagens artísticas? Reflita um pouco! ATENCAO Pense sobre a pergunta“O que são linguagens artísticas?” e converse com seus colegas sobre a questão. Anote em seu caderno as suas reflexões e compartilhe-as. Pensando mais nas linguagens artísticas, iniciamos com a fala de Barbosa (2010, p. 4), que diz que a “arte não é enfeite. Arte é cognição”. Assim, a arte apresenta-se em seus diversos espaços e tempos, através das diversas linguagens que propõem novos diálogos, novas poéticas. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 15 A linguagem da arte nos permite ver o mundo mostrando-o de modo condensado e sintético, extrapolando o que é previsível e o que é conhecido. É no modo de pensamento do fazer da linguagem da arte que a intuição, a percepção, o sentimento/pensamento e o conhecimento se condensam. Nessa construção, o artista percebe, relê e repropõe o mundo, a vida e a própria arte, produzindo imagens únicas, inconfundíveis e insubstituíveis, imagens poéticas (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 39). Na imagem a seguir, podemos perceber a materialidade de maneira diferente, as poéticas possíveis, fazendo referência à linguagem das artes visuais. FIGURA 7 – MARIO CEROLI: CHINA (1966). MADEIRA PERFILADA. 10X10M. ROMA. PROPRIEDADE DO AUTOR FONTE: Argan (1992, p. 585) A arte surge a partir da criação humana. Os primeiros registros foram feitos nas paredes de cavernas, considerada como arte rupestre. Assim, a arte comunica- se pela estética, pelo visual, trazendo emoções e sensações ao espectador, como na pintura, na escultura, no teatro e na dança. Criar arte é uma necessidade do ser humano, muitas vezes também é o reflexo de uma situação social, registrando e mostrando algo histórico ou cultural ocorrido em uma determinada sociedade/época. A Arte está presente no cotidiano da vida infantil. Ao rabiscar e desenhar no chão, na areia e nos muros, ao utilizar materiais encontrados ao acaso (gravetos, pedras, carvão), ao pintar os objetos e até mesmo seu próprio corpo, a criança pode utilizar-se das linguagens da arte para expressar experiências sensíveis (BRASIL, 1998a, p. 85). Portanto, a arte está presente no cotidiano do ser humano. No início, a arte era apenas imitação da realidade, mas com o passar do tempo, surgiram os diversos períodos artísticos que influenciaram nas produções do ser humano. As produções apresentaram transformações com o passar do tempo que continuam até os dias de hoje, como podemos ver na pintura a seguir, considerada arte contemporânea. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 16 FIGURA 8 – ARTISTA BEATRIZ MILHAZES: PINTURA, 1997. ACRÍLICA SOBRE TELA, 179.50 CM X 300.00 CM. ACERVO BANCO ITAÚ (SÃO PAULO, SP) FONTE: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra36295/menino-pescando>. Acesso em: 25 jun. 2018. Como sugestão, a atividade referente à pintura da artista Beatriz Milhazes é uma pintura de flores diversas com tintas e pincel sobre pratos de papelão, fazendo relações com tipos de flores, cores, formas e linhas. Temos o resultado tanto para o figurativo quanto para o abstrato, como podemos observar na imagem a seguir. FIGURA 9 – FLORES PINTADAS COM TINTAS NO PRATO DE PAPELÃO A PARTIR DAS OBRAS DA ARTISTA BEATRIZ MILHAZES FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 17 Arte contemporânea: O que é? Diversos estudos mostram que em 1960 iniciam- se os movimentos artísticos chamados pop art e minimalismo, criações artísticas diversas, rompendo com a arte moderna. As barreiras se rompem, não são apenas pinturas ou esculturas, mas articulam diversas linguagens, que se cruzam, como a dança, música, pintura, teatro, escultura etc., desafiando os padrões de arte tradicionais, surgindo a arte contemporânea. Você encontra mais informações no link a seguir: FONTE <http://enciclopedia.itaucultural. org.br/termo354/arte-contemporanea>. Acesso em: 23 nov. 2018. Também fica como sugestão um vídeo do Youtube chamado Arte Contemporânea – Isso é arte? FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=c7WAbSnINuQ>. Acesso em: 23 nov. 2018. IMPORTANT E No entanto, para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 47): Na linguagem da arte, há criação, construção, invenção. O ser humano, por meio dela, forma, transforma a matéria oferecida pelo mundo da natureza e da cultura em algo significativo. Atribui significados a sons, gestos, cores, com uma intenção, num exercício que mais parece um jogo de armar, um quebra-cabeça no qual se busca a forma justa. Vários caminhos são percorridos, várias soluções são experimentadas, num processo de ir e vir, um fazer/construir lúdico/estético. Os vários caminhos da criação, experimentação, dos processos de construir e desconstruir são vistos nas obras da artista Lygia Clark, como no exemplo da imagem a seguir. FIGURA 10 – OBRA “SÉRIE BICHOS” DA ARTISTA LYGIA CLARK (1960) FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/lygia-clark/>. Acesso em: 25 maio 2018. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 18 A obra de Lygia Clark traz o novo conceito, uma arte participativa, que dialoga. O processo de experimentação pode ser apreciado, manipulado pelo espectador, surgindo novas criações/composições. DICAS Como sugestão, é possível encontrar mais sobre a trajetória da artista Lygia Clark no seguinte material: FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_ pdf_51.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018. Seguindo as leituras, veremos mais sobre as particularidades das linguagens das artes visuais, das artes cênicas (teatro), dança e da música. 3.1 A LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS Vamos iniciar um diálogo pela linguagem das artes visuais, também conhecidas como Artes Plásticas. Você, acadêmico, irá se identificar com algumas práticas já desenvolvidas e outras servem de inspiração para que em sua trajetória como educador possa explorar e adaptar para cada realidade de escola e alunos. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51): A criação artística desvela em imagens – sonoras, visuais, cênicas – o nosso modo singular de captar e poetizar a realidade. Cada um de nós, combinando percepção, imaginação, repertório cultural e histórico, lê o mundo e o apresenta à sua maneira, sob o seu ponto de vista, por meio de formas, cores, sons, movimentos, ritmo, cenário. A linguagem das artes visuais apresenta o mundo imagético, as criações artísticas através das cores e das formas. Contudo, não engloba apenas os desenhos e as pinturas em si, apresenta também a expressão, a visualidade, isto é, não só a área da plasticidade. Está relacionada a tudo que se vê, como as esculturas, arquiteturas, fotografias, entre tantas outras. Lembramos que o surgimento da tecnologia e o desenvolvimento da sociedade fizeram com que muitas criações novas aparecessem e consideradas também como linguagem das artes visuais. Podemos ver na arte digital, nas histórias em quadrinhos, entre outras. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 125-126), para que o aluno consiga “poetizar, fruir e conhecer” a linguagem das artes visuais, o professor necessita propiciar: TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 19 • O pensamento visual tornado visível, materializado, por meio da forma e da materialidade. • A pesquisa e a leitura da estrutura da linguagem visual e da articulação de seus elementos constitutivos: ponto, linha, forma, cor, textura, dimensão, movimento, volume, luz, planos, espaços, equilíbrio, ritmo, profundidade etc... • A experimentação e a leitura dos diferentes modos da linguagem visual: assemblage, bodyart, cerâmica, colagem, desenho, escultura, fotografia, grafite, gravura (metal, xilogravura, serigrafia etc.), happening, HQ, instalação, landart, livro de artista ou livro-objeto, performance, pintura (mural, têmpera, óleo, acrílico,aquarela etc.), ready-made, site specific, tapeçaria, videoarte, webart, desenho de animação etc... • O manuseio e a seleção de matérias, ferramentas, suportes e procedimentos e suas especificidades como recursos sígnicos expressivos. • Os processos de criação em artes visuais, percebendo os trajetos, as escolhas, o perseguir ideias, os repertórios pessoais e culturais tanto em poéticas pessoais como em processos colaborativos como se vê hoje na arte contemporânea com a autoria dos denominados “coletivos”. • O patrimônio cultural das artes visuais, incluindo monumentos, edifícios, museus e seus acervos, sítios arqueológicos etc... • As relações com outras linguagens, como arquitetura, cenografia, cinema, design gráfico, figurino, moda, ourivesaria, publicidade etc. No entanto, apresentaremos algumas definições (conceitos) com práticas já desenvolvidas em sala de aula. Lembramos que todo livro de estudos referenciará as propostas pedagógicas em artes, em especial, nas artes visuais. DICAS Linguagem das Artes Visuais (2012) O livro faz parte de uma coleção chamada Metodologia do ensino de artes, da editora IBPEX, contém 152 páginas e foi escrito por Luciana Estevam Barone Bueno. A autora propõe reflexões a respeito das imagens que estão ao nosso redor, das inúmeras informações que encontramos através dos elementos da linguagem visual, fazendo assim, ter um novo olhar para as artes. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 20 Nas aulas de arte, é preciso que os professores tragam propostas diferenciadas. Não deve ser comum ficar sempre nas mesmas manifestações artísticas. É preciso mostrar e deixar o aluno experienciar. As artes visuais na educação, no espaço escolar, despertam os alunos para uma análise estética mais crítica, estimulando a criatividade e a reflexão. A seguir será apresentada uma sequência de manifestações artísticas da linguagem visual que pode ser direcionada ao espaço escolar, trabalhadas nas aulas de arte: Desenho: a linguagem do desenho se constrói através do uso da linha, pelas direções e intensidades, mostrando a ideia, a composição. É parte do processo artístico. Muitas vezes são realizados desenhos (esboços ou rascunhos) para uma pintura ou escultura, por exemplo. Um artista que usa muito o desenho é Escher, como podemos ver na imagem: FIGURA 11 – DESENHOS DE ESCHER FONTE: <http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/seminario/escher/desenhando-se.html>. Acesso em: 2 jun. 2018. Para as aulas de artes, o desenho pode ser apresentado de diversas maneiras, sendo dirigido e mediado pelo professor ou não. Apresente materiais diferentes, explore as possibilidades com os alunos. O uso de imagens de revistas ajuda a trabalhar o desenho, trazendo os elementos da linguagem visual, como linhas, formas, texturas. A figura a seguir é um exemplo de desenho feito a partir de uma imagem de revista e o preenchimento foi com uso de linhas, formas, texturas. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 21 FIGURA 12 – DESENHOS PRODUZIDOS A PARTIR DA IMAGEM DE REVISTA FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) DICAS No canal YOUTUBE encontramos um vídeo chamado: O DESENHO NÃO TEM FIM. Este vídeo mostra a partir da desmontagem de uma instalação da artista Sandra Cinto. O documentário fala sobre questões que movem seu trabalho. A temporalidade de projetos contemporâneos inspira uma discussão poética sobre o início e o fim das coisas. A origem da expressão do artista e o valor do que vai ser necessariamente apagado. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=DQyZARscYAk>. Acesso em 3 nov. 2018. • Pintura: é uma prática muito desenvolvida, em que se exploram as cores, diferentes tons, formas, linhas e texturas. É possível realizar em diferentes superfícies e materiais. Temos muitas pinturas em destaque, mas a obra a seguir, uma pintura de Toulouse Lautrec, nos remete a observar as luzes e texturas que a tinta (cor) apresenta. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 22 FIGURA 13 – HENRI DE TOULOUSE-LAUTREC: A TOALETE (1896); ÓLEO SOBRE PAPELÃO, 0,67X0,54M. PARIS, MUSÉE D`ORSAY FONTE: Argan (1992, p. 129) Para criar pinturas em sala de aula com os alunos, explore o uso das tintas e materiais. Como sugestão, use caixas de tampa de sapato vazias para serem “telas” e explore uma pintura com tintas e cotonetes. É possível fazer criações relacionando com períodos e estilos artísticos, como é o caso da técnica do pontilhismo do artista Georges Seurat. FIGURA 14 – PONTILHISMO COM COTONETES E TINTA FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 23 • Escultura: para a linguagem da escultura, explora-se o uso da matéria, ou seja, os altos e baixos relevos, os volumes e, assim, faz-se a moldagem. A escultura pode ser feita com diversos materiais, como: argila, madeira, gesso, sabão, massinha de modelar. DICAS O escultor australiano Ron Mueck, que faz esculturas gigantes de fibra de vidro, é considerado um artista hiper-realista. FONTE: <http://artesemfronteiras.com/esculturas-gigantes-de-ron-mueck/>. Acesso em: 25 jun. 2018. Encontre mais sobre o trabalho do artista no Youtube: “Ron Mueck – Esculturas humanas – Genial – Jornal Hoje”. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=Im6goyEZYPw>. Acesso em: 23 nov. 2018. Para explorar a escultura em sala de aula, temos algumas possibilidades de uso do sabonete, sabão ou argila. Na imagem a seguir, temos esculturas de argila feitas por alunos do ensino fundamental. Após secagem natural das peças, pintaram com tinta guache. Os alunos exploraram a argila através da modelagem do alto e baixo relevo e, assim, vivenciaram também os conceitos do bidimensional e tridimensional. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 24 FIGURA 15 – ESCULTURA DE ARGILA FEITA POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) O que é bidimensional e tridimensional? Bidimensionalidade: são criações como desenhos e pinturas, pois apresentam altura e largura. Tridimensionalidade: é uma criação que apresenta largura, altura e profundidade. A criação pode ser observada de todos os lados, ângulos, como um objeto por exemplo. IMPORTANT E • GRAVURA: consiste no uso de uma matriz (base). São feitas várias impressões, várias cópias da matriz. Lembra inicialmente um carimbo, e é usada a tinta para impressão do desenho que está na matriz. A gravura é feita de diferentes materiais, como xilogravura (madeira) gravura em metal (placa de metal); litogravura (pedra calcária). Na escola, a técnica artística poderá ser trabalhada com bandejas de isopor, relacionando com a técnica da xilogravura, pois o desenho precisa ser bem marcado na matriz. O desenho é feito diretamente na bandeja de isopor, apertando o lápis, fazendo marcas de baixo relevo. Depois é só passar um rolinho de tinta e fazer a impressão. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 25 FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) FIGURA 16 – ISOPORGRAVURA FEITO NA ESCOLA POR UMA ALUNA A partir da proposta da técnica da gravura feita em isopor, podemos fazer relações com as outras técnicas de gravura, como é o caso do artista Iberê Camargo, que fez criações com diversas técnicas, como mostra a figura da gravura de metal. FIGURA 17 – IBERÊ CAMARGO – CARRETÉIS, GRAVURA EM METAL FONTE: <http://www.bolsadearte.com/oparalelo/o-carretel-de-ibere-camargo>. Acesso em: 25 jun. 2018. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 26 DICAS Neste link encontra-se um material educativo das obras do artista Iberê Camargo! Aproveite e baixe seu material! FONTE: <http://www.iberecamargo.org.br/site/ uploads/multimediaExposicao/270320130044_Ibere%20Camargo%20o%20carretel%20meu%20personagem.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018. • Fotografia: é uma linguagem artística atual. O registro do momento é o resultado de uma composição artística. Há um artista brasileiro muito conhecido chamado Vik Muniz, sendo que seu trabalho é mostrado através do registro da fotografia. Em sala de aula, a fotografia poderá ser feita através do uso dos aparelhos celulares. FIGURA 18 – VIK MUNIZ – SÉRIE CATADORES DE LIXO DE GRAMACHO QUE ORIGINOU O DOCUMENTÁRIO “LIXO EXTRAORDINÁRIO” – DUQUE DE CAXIAS – RIO DE JANEIRO – BRASIL FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/vik-muniz/#jp-carousel-5929>. Acesso em: 25 jun. 2018. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 27 DICAS A partir das composições que Vik Muniz realizou na série catadores de lixo, pode-se explorar com os alunos a observação das imagens e construir em grupos de alunos composições com diversos materiais. Após o desenvolvimento do trabalho é necessário realizar o registro do resultado final utilizando a fotografia. FIGURA 19 – MONTAGEM DE UMA COMPOSIÇÃO COM MATERIAIS DIVERSOS FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018) Filme Lixo extraordinário O filme Lixo extraordinário é um documentário de 99 minutos, que foi produzido no ano de 2010, mostrando um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, com a participação do artista plástico Vik Muniz. O artista explora o espaço e constrói obras a partir do lixo com a ajuda dos catadores e o resultado se dá através das fotografias. Veja o filme completo no Youtube. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=61eudaWpWb8>. Acesso em: 23 nov. 2018. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 28 • Arquitetura: é a linguagem da arte que se apresenta no uso de espaços e está presente em nosso cotidiano. Como importante arquitetura atual, temos o prédio da Fundação Iberê Camargo – localizada em Porto Alegre/RS, feito pelo arquiteto contemporâneo português Álvaro Siza Vieira. FIGURA 20 – FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/fundacao-ibere-camargo/>. Acesso em: 25 jun. 2018. Como sugestão de atividade, apresente em sala de aula uma retrospectiva em imagens sobre a arquitetura desde a pré-história até a atualidade. No fazer artístico, deixe os alunos produzirem com papéis, dobraduras, recorte e colagem ou até técnica mista, isto é, mistura de vários materiais. FIGURA 21 – CRIAÇÃO FEITA POR ALUNOS NO ANO DE 2018 FONTE: Acervo Clara Schley, (2018). TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 29 • Artes gráficas: criadas pelo surgimento da tecnologia, referem-se às criações por meio de programas e aplicativos de computador. Atualmente são considerados como artes gráficas animações, videoarte, performances, entre outros. FIGURA 22 – OBRA: UBU TELLS THE TRUTH [UBU CONTA A VERDADE], 1997, FILME DE ANIMAÇÃO EM 35 MM COM FOTOS DOCUMENTAIS E FILME DE ARQUIVO EM 16 MM TRANSFERIDO PARA VÍDEO FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_ William-Kentridge-%E2%80%93-fortuna.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2018. DICAS No material educativo a seguir, encontramos a biografia do artista William Kentridge e obras de arte que estavam na exposição do museu em Porto Alegre no ano de 2013. Também há sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula com os alunos. Uma atividade que se encontra neste material e que pode ser adaptada às artes gráficas é o uso de revistas e jornais. Os alunos desenham a cada dia ou nas aulas de artes um personagem sobre uma folha de jornal, criando desenhos (personagens) com pequenos movimentos, isto é, são pequenas alterações no personagem do desenho. Após uma série de desenhos é possível fotografar um a um e colocar movimento, usando um aplicativo (de sua escolha) para transformar as fotos em um vídeo de animação. FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/ uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_William-Kentridge-%E2%80%93-fortuna.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 30 DICAS Caro acadêmico! É preciso pesquisar sempre, pois a cada dia surgem novas obras de arte com a utilização de novos materiais em espaços diversos. 3.2 A LINGUAGEM DAS ARTES CÊNICAS (TEATRO E DANÇA) As artes cênicas envolvem o corpo em sua expressão, em seus movimentos e apresenta-se através de um palco, de um cenário. O fato se refere ao teatro, que se subdivide em trágico (imita a vida), comédia (lado irônico e contraditório), dramático (refere-se aos conflitos humanos), musical (através de músicas) e dança (expressões vindas da mímica). Acontece por meio da representação, através de um espaço e, assim, é visto pela plateia, pelos espectadores. (LOPES, s.d.) Para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 50), o teatro e a dança remetem ao corpo. “O corpo projeta imagens, sensações, pensamentos. O corpo é ao mesmo tempo autor e intérprete que, em cena, apresenta ações-movimentos por meio das mediações e nas relações entre o externo e o interno”. Qualquer que seja o tipo de apresentação é preciso ter alguém que coordena, que seja um diretor de cena. Tornar sensível a criança aos signos da linguagem teatral é também criar contextos significativos para a conversa sobre conceitos do teatro e de sua história, bem como sobre aqueles que exercem o ofício teatral, como o ator, o dramaturgo, o diretor, o encenador, o cenógrafo, o figurinista e tantos outros que mantêm viva a magia teatral (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 124). São atividades que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes como esquetes teatrais, teatros de sombras, teatro com fantoches. Como sugestão de atividade na educação infantil e anos iniciais, uma proposta pedagógica como teatro de fantoches poderá contemplar o fazer artístico pela confecção de fantoches de meia. FIGURA 23 – FANTOCHES DE MEIA FONTE: <https://www.artesanatopassoapassoja.com.br/como-fazer-fantoches-de-meia/>. Acesso em: 25 jun. 2018. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 31 DICAS Quer um plano da linguagem teatral na pré-escola? Acesse o link e veja! FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/6451/linguagem-teatral-na-pre-escola>. Acesso em: 23 nov. 2018. Como linguagem artística, o teatro se expressa pela cenografia, pela contação de histórias, pela dramatização, pela performance, pelo teatro de bonecos, tudo através da representação teatral. Na linguagem da dança, percebemos atualmente um distanciamento das aulas de artes. A disciplina de educação física, muitas vezes, abre o espaço e realiza situações de aprendizagem com a dança, como em eventos escolares, com apresentações dos alunos. Assim, para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 128), “o acesso a espetáculos de dança erudita, popular, clássica, moderna, contemporânea ou qualquer outro modo de dança permitirá ao aprendiz uma experiência estética, além de proporcionar-lhe a apreciação significativa da arte do movimento”. 3.3 A LINGUAGEM DA MÚSICA A linguagem musical se expressa através das músicas, suscitando pensamentos e emoções que muitas vezes nem compreendemos pela letra da canção que se está ouvindo ou cantando. Faz parte da cultura humana e em diferentes épocas foi vista em rituais, com funções distintas. A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas etc. Faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já na Grécia antiga, era consideradacomo fundamental para a formação dos futuros cidadãos, ao lado da matemática e da filosofia. A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação infantil, particularmente (BRASIL, 1998a, p. 45). UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 32 Assim, a melodia, o ritmo e a harmonia se compõem na linguagem musical, pois os sons só acontecem e necessitam sempre de alguém que execute, que tenha intenções. Sobre as intenções da arte, Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 48) vão dizer que: [...] tudo na obra de arte tem uma intenção. Há uma intenção em cada gesto, cor, movimento, postura. Com alguma intenção, um compositor faz predominar os sons graves sobre os agudos em determinada composição. A ação intencional do autor/artista é que define seu trabalho, mesmo quando opta pela música aleatória ou por jogar tinta sobre a tela. A atmosfera criada através da música pode estar junto às representações teatrais e da dança. Em sala de aula, a música precisa ser desenvolvida além de canções de cantigas de roda ou outros cantos com gestos. Precisa também explorar a sonoridade, trazendo o contato com os instrumentos musicais, mostrar e ouvir produções musicais que já existem através dos tempos. Para o ensino de arte em música, é interessante apresentar compositores clássicos como Bach e Beethoven, oportunizando aos alunos ouvirem e conhecerem suas músicas. DICAS Sugestões de planos de aula. Os links a seguir falam da música erudita e popular no Brasil, enfatizando a apreciação significativa da linguagem musical. Leia e imagine sua aula também! FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23297> e <http:// portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23295>. Acesso em: 23 nov. 2018. Como sugestão de atividade para sala de aula, podemos usar conceitos sobre o que é arte e para que ela serve, explorando o assunto através de uma apresentação feita por uma paródia. A paródia é uma nova interpretação, uma releitura de uma composição musical ou literária podendo ter ironia ou deboche. Os alunos escolhem a música favorita e organizam a escrita da letra da música trazendo conceitos estudados. A apresentação do grupo através da paródia criada é uma maneira de realizar uma aprendizagem mais significativa de um conteúdo estudado. Conhecer e compreender a música como uma produção cultural supõe também a criação de contextos significativos para a conversa sobre os conceitos e a história da linguagem musical – nas diferentes culturas, no decorrer do tempo – e sobre seus produtores – compositor, intérprete (instrumentista ou cantor), maestro, disc-jóquei etc., muitos deles habitantes do universo da criança (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p.122). TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 33 DICAS Explore e aproveite para conhecer mais sobre a história da música. FONTE: <http://www.portaldarte.com.br/linguagemmusica.htm>. Acesso em: 23 nov. 2018. O importante é estar atento às diversas linguagens artísticas e propor maneiras diferentes de explorar em sala de aula. “A instalação, o videoclipe e a performance, por exemplo, são algumas das produções artísticas que combinam elementos do teatro, dança, música e artes visuais” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 128). Caro acadêmico! Use a criatividade e explore as linguagens artísticas, lendo, pesquisando, criando e mostrando o que aprendeu! 4 CAMPOS CONCEITUAIS DA ARTE Neste tópico serão apresentados os três campos conceituais que envolvem o ensino da arte: a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade, que trazem considerações importantes que permeiam a abordagem triangular de Barbosa, nos eixos de aprendizagem do fazer artístico, da leitura e contextualização. Assim, também os “três campos conceituais estão presentes nos PCN-Arte e, respectivamente, denominados de produção, fruição e reflexão” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 12). No ensino da arte também é preciso planejar e pensar sobre as aulas: Pensar na leitura e produção na linguagem da arte é um modo único de despertar a consciência e novos modos de sensibilidade. Isso pode nos tornar mais sábios, seja sobre nós mesmos, o mundo ou as coisas do mundo, seja sobre a própria linguagem da arte (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 39). No processo de ensino e aprendizagem nas aulas de artes, o professor junto com os alunos fará associações ao cotidiano, buscando na memória múltiplas leituras e percepções, novos modos de sensibilidade. Portanto, independentemente do conteúdo escolhido para ser desenvolvido na aula de artes, ele poderá propor o fazer artístico com associações à realidade do aluno, estimulando a criação artística através da fruição e da contextualização. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 34 Lembramos também da importância de mostrar atividades realizadas nas aulas de arte em exposições internas ou externas, painéis, murais ou de registrar os momentos criativos, fotografando e postando em espaços virtuais, compartilhando os conhecimentos construídos e estimulando o aluno pelo gosto por sua criação artística. Assim, os três campos conceituais podem ser contemplados e ensinados nas aulas de arte. Neste livro de estudos, a conversa acontecerá por meio da exploração dos campos conceituais da arte a partir da abordagem triangular de Barbosa. Os campos conceituais ou eixos de aprendizagem, como também são chamados, se referem ao fazer artístico, à leitura de imagem e à contextualização. A abordagem é uma ótima referência de apoio para o professor em seu planejamento e nas ações da sala de aula. Através da abordagem triangular de Barbosa, explanando os termos do fazer artístico, da leitura de imagem e da contextualização, estes não são aplicados nas aulas de arte de maneira linear, isto é, não têm uma ordem. Lembrando que os campos conceituais podem ser aplicados às diversas linguagens da arte, em especial nas artes visuais. Assim, o ensino de arte, para ser desenvolvido nas escolas de maneira efetiva, necessita que os professores trabalhem a partir de sua formação específica (artes visuais, música, teatro e dança), trazendo suas experiências e pesquisas. Para Barbosa (2010, p. 33), “só um fazer consciente e informado torna possível a aprendizagem em arte”, isto é, a partir de sua formação específica é possível a construção do conhecimento. Segundo Barbosa (2010, p. 33): Nem a arte/educação como investigação dos modos pelos quais se aprende arte nem a arte/educação como facilitadora entre a arte e público podem prescindir da inter-relação entre história da arte, leitura da obra de arte, fazer artístico e contextualização. Agora, iniciamos nossa conversa sobre os principais termos que encontramos nas leituras dos livros de arte, que trazem as terminologias da metodologia ou da proposta, que atualmente é vista como Abordagem Triangular de Barbosa (1998). A Abordagem Triangular foi divulgada com o nome de Metodologia Triangular através do livro A imagem do Ensino da Arte publicado pela Editora Perspectiva em 1991. Posteriormente, em 1998, publicou- se um capítulo revisando-a no livro Tópicos Utópicos. As revisões da Metodologia Triangular, em 1998, foram conceituais, práticas e bastante incisivas, mudando até o nome para Abordagem Triangular (BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 9). A abordagem triangular surge de uma preocupação que os profissionais dearte sentiram em sua prática diária, pois na década de 1970, apenas tinham- se produções artísticas, o fazer por fazer, surgindo as chamadas escolinhas de arte. Para Barbosa (1998, p. 35), a abordagem triangular vem para atender a uma necessidade na educação, nas aulas de arte, isto é, a de “instrumentalizar o aluno para o momento em que vivemos”. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 35 IMPORTANT E Vamos conhecer um pouco mais sobre a autora Ana Mae Barbosa: Professora de pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA, Ana Mae Barbosa é uma das principais referências brasileiras em arte-educação e, embora já aposentada, ainda é disputada pelos alunos da instituição como orientadora. Desenvolveu, influenciada diretamente por Paulo Freire, o que chamou de abordagem triangular para o ensino de artes, concepção sustentada sobre a contextualização da obra, sua apreciação e o fazer artístico. A pesquisadora foi, também, a primeira a sistematizar o ensino de arte em museus, quando dirigiu o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC. FONTE: <http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ana-mae-barbosa>. Acesso em: 28 nov. 2018. No entanto, na sala de aula era preciso mais que o fazer artístico, era necessário ter momentos de análise e discussão das criações feitas pelos alunos, relacionando teoria e enfatizando o sentido das criações. Segundo Barbosa (2002, p. 34-35): A produção de arte faz a criança pensar inteligentemente acerca da criação de imagens visuais, mas somente a produção não é suficiente para a leitura e o julgamento de qualidade das imagens produzidas por artistas ou do mundo cotidiano que nos cerca [...]. Temos que alfabetizar para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas, estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão, a prepararmos para aprender a gramática da imagem em movimento. Essa decodificação precisa ser associada ao julgamento da qualidade do que está sendo visto aqui e agora e em relação ao passado. Para Barbosa (1991), os três eixos da abordagem triangular são articulados como: leitura de imagem ou apreciação; o fazer artístico ou produção; história da arte ou reflexão. Assim, a abordagem triangular é contemplada nas aulas de arte através de ações interligadas. “Os três eixos de aprendizagem artística delimitam claramente conjuntos possíveis de ações complementares e interconectadas” (BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 64). UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 36 Os campos conceituais de arte caminham para processos de criação, de análise e de contextualização. Criamos algo relacionando com o que aprendemos, assim, contextualizando através de uma leitura crítica do que estamos desenvolvendo. Segundo Barbosa (2010, p. 33): O que a arte/educação contemporânea pretende é formar o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. Uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento desta produção pelo público. O professor de arte precisa explorar em sala de aula a história da arte, os conteúdos essenciais por faixa etária através dos eixos de aprendizagem que norteiam a prática artística. Para Barbosa (2010, p. 36): Um currículo que interligasse o fazer artístico, a análise da obra de arte e a contextualização estaria se organizando de maneira que a criança, suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam sendo respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição específica para a cultura. A prática do fazer artístico é a própria produção do aluno. No momento da leitura de imagem, na análise e observação, os alunos aprendem conceitos, a própria história da arte. “Esse eixo trata das ações que envolvem o exercício da percepção” (BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 65). DICAS Abordagem triangular no ensino das artes e culturas visuais (2010). Este livro foi organizado por Ana Mae Barbosa e Fernanda Pereira da Cunha. O livro traz as principais pesquisas, teorias e discussões a respeito da abordagem triangular em qualquer área do conhecimento que também era chamada de metodologia ou proposta. Prezado acadêmico, a seguir será apresentada, em subtópicos, a descrição sobre os campos conceituais da arte, os três eixos de aprendizagem da abordagem triangular de Barbosa, com atividades que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 37 4.1 LEITURA DE IMAGEM (FRUIÇÃO/ANÁLISE) Ler é apreciar, observar, analisar, conhecer. Nas aulas de arte, a leitura de imagem está por toda parte, desde as obras artísticas até imagens do cotidiano. Estamos analisando, apreciando, lendo, imaginando sobre tudo o que vemos. A apreciação/análise/fruição fazem parte da aula de arte, conhecer a obra e o artista, saber como foi feita, quais materiais utilizados. Precisamos educar o olhar do nosso estudante, mostrando e conhecendo as diversas linguagens e manifestações artísticas. Assim, para você acadêmico, apresentamos sugestões relacionadas às leituras de imagem, levando o aluno para: • Ver sites de museus virtuais, visitando e apreciando obras de artistas. • Visita pedagógica a museus, galerias e exposições da própria cidade ou estado. • Mostrar filmes e reproduções de obras de arte (imagens impressas ou projetadas). • Convidar artistas para visita em uma escola em uma aula de arte para mostrar seu trabalho e dialogar sobre sua criação artística. • Analisar imagens de livros, revistas, redes sociais, outdoors, TV, arte na rua e entre outros, expandindo o campo de visualidade cultural. No entanto, o eixo artístico da leitura de imagem refere-se à contemplação, fruição, análise e interpretação. Para Iavelberg (2003, p. 75): [...] o desenvolvimento da compreensão estética é saber apreciar objetos de arte com a propriedade que é possível a cada momento conceitual dos sujeitos que compõem o público de apreciadores. Ainda podemos supor que, quando o fazer arte está associado à apreciação, ela se enriquece e amplia os conhecimentos de arte do público. Portanto, para Iavelberg (2003), destacam-se os seguintes níveis de desenvolvimento da compreensão estética de leitura de imagem: a) Para Edmund Feldman (1970), o processo de leitura envolve a descrição, a análise, a interpretação e o julgamento da obra. b) Para Abigail Housen (1983), o processo é narrativo, construtivo, classificatório, interpretativo e recreativo. c) Robert William Ott (1984) sugere descrever, analisar, interpretar, fundamentar e revelar a leitura da obra. d) Para Michael Parsons (1987), a leitura envolve a preferência, beleza e realismo, expressividade, estilo e forma, autonomia. Para entender melhor, temos a seguir um exemplo de proposta prática referente à leitura de imagem. A leitura de imagem foi apresentada por Barbosa em seu livro A imagem no ensino da arte (2010) e adaptada à obra de Pablo Picasso. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 38 FIGURA 24 – OBRA DE ARTE: TRÊS MÚSICOS DE PABLO PICASSO (1921) FONTE: <https://www.moma.org/collection/works/78630>. Acesso em: 8 jun. 2018. A obra Os três músicos, de Pablo Picasso, pode ser apresentada instigando o processo de leitura que envolve a descrição, a análise, a interpretação e o julgamento da obra como Feldman sugere. Para o desenvolvimento da atividade de leitura de imagem, o professor poderá instigar o grupo de alunos fazendo perguntas como: • Descrição: o que você vê? O que identifica na imagem? Observe a fichatécnica do trabalho. Descreva tudo o que identifica organizando uma lista de coisas. • Análise: como a obra está organizada? Quais são as cores e formas que se destacam? Que personagens são retratados na pintura? Verifique os elementos visuais usados na obra. • Interpretação: o que está acontecendo na imagem? O que será que o artista queria dizer nesta criação? É possível ouvir alguma coisa ou identificar a música que estão tocando? Escreva contando o que acha. • Julgamento: você gosta da temática da criação? O que pensas acerca da obra de Pablo Picasso? As perguntas ajudam os alunos a analisar e refletir sobre a imagem. Assim, “a leitura da obra de arte deve propor problemas e não somente dar soluções” (BARBOSA, 2010, p. 67). A leitura de imagem faz pensar, fruir, e é um exercício que exige muita atenção. Barbosa (2010, p. 66) sugere ainda a seguinte atividade do fazer artístico: “proporia aos alunos experimentarem representar um objeto da mesma maneira que Picasso representou a mesa, colocando na representação vários momentos da percepção do objeto à medida que andamos em volta dele”. Portanto, a leitura de imagem abrange a interpretação e contextualização em seu fazer artístico. “Cada pessoa, em cada época, tem direito à interpretação, desde que justificável formalmente; portanto, é necessário ler claramente os elementos formais e de composição primeiro” (BARBOSA, 2010, p. 79). TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 39 Os elementos formais e de composição são os chamados elementos da linguagem visual como: o ponto, a linha, as formas, as texturas, as cores, as direções, os tons, o contraste, a escala, as dimensões, o movimento. A seguir apresentamos um quadro de análise estética que pode ser utilizado com os alunos em sala de aula. FIGURA 25 – QUADRO DE ANÁLISE ESTÉTICA A N Á L I S E E S T É T I C A 1. CONTEXTUALIZAÇÃO Título da obra: Autor: Local / Ano da obra: Dimensão: Técnica: Suporte: Movimento artístico: Função / Gênero da obra: Fatos destacáveis da época: Outras Influências: 2. DESCRIÇÃO 3. BREVE ANÁLISE DOS ELEMENTOS FORMAIS Ponto: Linha: Forma: Direção: Luz: Cor: Textura Escala: Perspectiva: Movimento do olhar: Volume (escultura): Superfície: Planos: Principais elementos: Disposição dos elementos: 4. INTERPRETAÇÃO Qual a sua apreciação diante desta obra de arte? (Justifique sua resposta através do seu conhecimento técnico, da sua interpretação e do seu gosto pessoal). Todos os direitos reservados: www.historiadasartes.com FONTE: <http://www.historiadasartes.com/wp-content/uploads/2016/02/AnaliseEstetica-1.pdf>. Acesso em: 5 nov. 2018. Caro acadêmico! Para aprofundar suas leituras sobre a leitura de imagem, leia mais neste artigo – Leitura de Imagem na Prática Pedagógica, de Daniele Rizental de Paula. FONTE: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1577-8.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2018. UNI UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 40 4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO A contextualização (conhecimento e contextualização conceitual-histórico- cultural da produção artístico-estética da humanidade) na aula de artes é um campo conceitual que remete à reflexão e às relações dos aspectos históricos, sociais e culturais. As relações são feitas a partir da leitura de uma obra de arte e contextualizadas por meio de um fazer artístico, de uma escrita ou de uma conversa. Para Barbosa e Cunha (2010, p. 110), “a contextualização da obra de arte é um dos eixos da abordagem triangular que recebe grande influência de Paulo Freire [...]. É a ideia de que nunca se deve descontextualizar o ensino. O ensino deve estar sempre referido ao seu contexto”. Vamos a um exemplo de atividade através da obra chamada “O retorno de um proprietário”, do artista Debret. A partir da leitura de imagem foi possível realizar a contextualização por meio do fazer artístico. Jean Baptiste Debret, que é um artista francês que chegou ao Brasil no ano de 1816, pintou retratos de pessoas da nobreza e grandes acontecimentos da Corte. Ele foi uma espécie de fotógrafo, pois foi às ruas com papel e lápis e, assim, fez muitos desenhos de cenas do cotidiano das pessoas nobres e comuns do Rio de Janeiro. FIGURA 26 – OBRA O RETORNO DE UM PROPRIETÁRIO DE JEAN BAPTISTE DEBRET (1768-1848) FONTE: <http://alunosonline.uol.com.br/historia-do-brasil/o-periodo-regencial-estado- excludente.html>. Acesso em: 9 jun. 2016. Na obra, é possível perceber que o pintor retratou sobre como os nobres eram levados pelas pessoas mais simples, talvez por escravos. Com os alunos, é importante questionar o seu cotidiano, seus costumes, se nos dias atuais ainda as pessoas são levadas de tal maneira, ou seja, carregadas em uma rede. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 41 FIGURA 27 – TELA VIVA FOTOGRÁFICA DA OBRA O RETORNO DE UM PROPRIETÁRIO FONTE: Raach (2016, p. 93) Segundo Barbosa (2010, p. 38), “a história da arte ajuda a criança a entender algo do lugar e tempo nos quais as obras de arte são situadas. Nenhuma força de arte existe no vácuo: parte do significado de qualquer obra depende do entendimento de seu contexto”. Assim, a importância de conhecimentos históricos, culturais, das relações do cotidiano do aluno faz parte do ensino de artes visuais. Portanto, a contextualização da obra de arte é uma maneira de se aproximar da realidade do aluno, trazendo resultados significados que fazem parte da história de vida, isto é, “não são diferentes significados, mas diferentes implicações ou significações” que os alunos trazem em seu fazer artístico (BARBOSA, 2010, p. 40). DICAS Leitura de artigo: A proposta triangular de arte. Este artigo traz um resumo das pesquisas de Maria Cristina Monteiro, um material didático que traz trechos significativos dos PCN e resumos de teses/dissertações. É um texto de referência para todos os professores que estão atuando no ensino escolar. FONTE: <https://siaiap32.univali.br/seer/index.php/rc/ article/viewFile/830/681>. Acesso em: 28 nov. 2018. Portanto, com a leitura de imagem e contextualização da obra, o fazer artístico foi de um grupo de alunos que dramatizou a cena, fazendo uma espécie de tela viva. Houve o registro em fotografia e posteriormente foi editada, melhorando a qualidade da composição artística. O resultado da contextualização pode ser observado no fazer artístico que se encontra na figura a seguir: UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 42 4.3 FAZER ARTÍSTICO (CRIAÇÃO/ PRODUÇÃO) O fazer artístico na aula de artes não é apenas o “fazer por fazer”, por isso, neste eixo temático da criação, temos algumas dicas e sugestões de como dialogar sobre as produções com os estudantes. Assim, “a prática sozinha tem se mostrado impotente para formar o apreciador e fruidor da arte” (BARBOSA, 2010, p. 42). Como primeiro exemplo, o professor chega e pergunta aos estudantes: Alunos! A atividade de hoje é fazer uma casa e uma árvore no caderno de desenho. Podem começar. A partir da proposição, os alunos provavelmente irão fazer seus desenhos por meio da memória. As criações se tornam simples, faltando repertório imagético, isto é, para as criações serem mais abrangentes e não ficarem sempre nos mesmos resultados, os estudantes precisam ter conhecimentos sobre diversos materiais, técnicas e suportes. Trazer obras de arte ou imagens sobre a questão solicitadaaos alunos faz com que os desenhos não sejam iguais, esteriotipados. Procure obras de arte ou imagens do cotidiano que explorem a variedade de casas e árvores e apresente aos alunos. Para alcançar os objetivos das atividades que são propostas em sala de aula, o professor precisa de um planejamento que apresente formas de trabalho, estimulando realizar criações com embasamento teórico, ajudando a entender o processo do fazer. Assim, “do ensino das artes correspondem as quatro mais importantes coisas que as pessoas fazem com a arte. Elas a produzem, elas a veem, elas procuram entender seu lugar na cultura através do tempo, elas fazem julgamento de sua qualidade” (BARBOSA, 1991, p. 36-37). Fazer artístico é produzir, criar algo, onde se procura refletir sobre ele. Na imagem a seguir, temos um exemplo a partir da escolha de uma imagem do cotidiano. FIGURA 28 – PROPAGANDA DO CHINELO HAVAIANAS FONTE: <http://marcas.meioemensagem.com.br/havaianas/>. Acesso em: 5 nov. 2018. TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES 43 É preciso relacionar uma imagem do cotidiano, um objeto como o chinelo que todos os alunos devem ter em casa ou usam na escola. Como leitura de imagem e contextualização poderão ser propostas algumas perguntas que instigam a análise da imagem, como os elementos visuais (cores, linhas, texturas), a história do chinelo relacionado com a moda, o que destaca na imagem para ser propaganda, ou por quais caminhos podemos caminhar em nossas vidas, entre outras perguntas. Para o fazer artístico, pode-se propor a criação de desenhos/pinturas sobre chinelos velhos usados ou até sapatos usando tintas e materiais diversos. Cada aluno poderá escrever uma palavra que gostaria que estivesse em seu trabalho, como palavras que incentivem os seus caminhos como: saúde, alegria, fé, amor, paz, explorando os sentimentos dos alunos em relação as suas vidas, ao seu convívio familiar, por exemplo. Quando prontas as criações, criar uma instalação artística, pendurando e recriando um novo espaço com os objetos. FIGURA 29 – EXEMPLO DE INSTALAÇÃO ARTÍSTICA EM ESPAÇOS DIVERSOS FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/300685712592572758/>. Acesso em: 7 nov. 2018. DICAS No site Portal do Professor do MEC, encontramos planos de aula através dos eixos temáticos do fazer, ler e contextualizar. Aproveite e pesquise para construir seus planos de aula! FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=7886>. Acesso em: 28 nov. 2018. 44 Neste tópico, você aprendeu que: • As abordagens teóricas e práticas no ensino de arte ajudam a aprimorar as habilidades, competências e conhecimentos dos alunos. • Os professores de arte precisam ter conhecimentos teóricos/práticos acerca dos conteúdos de arte, fazendo leituras, pesquisas e exercícios práticos. • As linguagens da arte se subdividem em áreas de conhecimento como: visuais, teatro, dança e música. • Os campos conceituais (a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade) estão apresentados por meio da abordagem triangular de Ana Mae Barbosa. • A abordagem triangular de Barbosa acontece pelos campos conceituais ou eixos de aprendizagem do fazer artístico, da leitura de imagem e da contextualização. RESUMO DO TÓPICO 1 45 1 A linguagem das artes se apresenta em diversas manifestações artísticas. Responda quais são as manifestações artísticas que contemplam as artes visuais. a) ( ) pintura, luz, cinema, música. b) ( ) cinema, teatro, pintura, escultura. c) ( ) dança, teatro, fotografia, cor. d) ( ) desenho, pintura, escultura, gravura. 2 Nas aulas de artes, é preciso que o professor possibilite aos alunos na linguagem das artes visuais o acesso aos campos conceituais da criação/ produção, da percepção/análise e o conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade. Verifique as questões a seguir respondendo verdadeiro (V) ou falso (F) e qual resposta está correta: ( ) Criação/produção é o fazer artístico, produzir, criar algo, em que se procura refletir sobre ele. ( ) Percepção/análise é observar, analisar, conhecer. Assim, a apreciação/ análise/fruição fazem parte da aula de arte, conhecer a obra e o artista, saber como foi feita, quais materiais utilizados. ( ) A contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico- estética da humanidade refere-se a relações que são feitas ao contexto atual, e que nunca se deve descontextualizar o ensino. O ensino deve estar sempre referido ao seu contexto. a) V – V – F. b) F – F – V. c) V – V – V. d) F – F – F. 3 Organize e elabore um plano de aula que apresente os campos conceituais através de um conteúdo escolhido por você. Escolha uma turma para posteriormente aplicar. Não se esqueça de elaborar seus objetivos, procedimentos metodológicos e avaliação. Sugestão para o plano através dos campos conceituais, o que deve contemplar na elaboração: Turma: Tema: Conteúdo: Objetivos: Metodologia: Campos conceituais: Descrever as ações/atividades que serão exploradas. AUTOATIVIDADE 46 47 TÓPICO 2 EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO A arte está presente na escola através de experiências educacionais, artísticas e culturais diversas. Como professores precisamos dispor aos nossos alunos o contato com as diversas linguagens artísticas, mas para isso, caro acadêmico de artes visuais, é preciso também realizar criações, atividades, fazer experimentações, ter a vivência artística que poderá ser proposta em sala de aula com seus alunos. O contato cultural se apresenta desde o início da história da humanidade. A arte já se fazia presente através dos desenhos feitos nas paredes das cavernas, chamados de arte rupestre. Assim, a produção artística manifestou-se em todos os períodos da história da arte, e todos com grande potencial criativo, continuando ainda nos dias atuais. Nas crianças menores, na educação infantil, por exemplo, são feitos estímulos mais significativos, através de atividades lúdicas que tragam aprendizagens significativas. Como docentes, precisamos criar maneiras e métodos para o ensino de arte, mostrando a arte, as linguagens artísticas para os alunos através da curiosidade, por meio de perguntas, instigando o aluno a pensar e refletir. Assim, querido acadêmico, futuro ou atual professor de arte, é preciso sempre se atualizar, estudando, buscando conhecimento nas diferentes áreas artísticas. Neste tópico, você, acadêmico, refletirá sobre o papel do docente, suas formações e experiências educacionais com os educandos. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 48 2 MODOS DE APRENDER DOS EDUCANDOS O papel do docente na disciplina de arte é fazer com que os estudantes participem, reflitam sobre o fazer artístico. Precisamos estar atentos para aulas que instigam a curiosidade, a sensibilidade, trazendo significados para as suas criações, vivenciando todos os momentos da sua produção e compreendendo a arte num todo. Para Iavelberg (2003, p. 79): Ensinar a criar requer maturidade e experiência de criação na área em que se ensina; requer generosidade, conhecimento sobre o ensino e sobre aprendizagem, conhecimento de arte e, ainda, desejo e entusiasmo com o desenvolvimento do outro. Ensinar a criar é uma prática nova – ainda que muito antiga- e preciosa. Hoje, nenhuma mudança em educação pode ocorrer em larga escala sem um grande número de formadores habilitados, competentes, que dominem e articulem saberes de diversas procedências. No entanto, o professor de artes precisa dominar os conteúdos, fazer leituras e, assim, pensar em articulações comos campos conceituais em sala de aula. Para isso, os modos de aprender dos educandos referem-se a práticas educativas. É quando o professor apresenta um conteúdo de maneira que a aprendizagem se torne significativa. Segundo Freire (1996, p. 69), “toda prática educativa demanda a existência de sujeitos, um que, ensinando, aprende, outro que aprendendo, ensina”. Assim, há uma troca de saberes em sala de aula. Os alunos e professores aprendem e ensinam juntos, dialogam sobre os saberes. Para uma prática educativa nas aulas de artes, trazer o cotidiano do aluno para dentro da sala de aula faz mais sentido e, assim, suas experiências artísticas se tornam relevantes, como: Quando as obras são apresentadas às crianças que também fazem atividades artísticas, percebe-se que elas adquirem novos repertórios, principalmente aqueles referentes à sua região, seu país, sua comunidade e são capazes de fazer relações com suas próprias experiências (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 74). Como docente, é importante propor atividades nas aulas de arte, nas suas diversas linguagens, que se aproximam da realidade do aluno, ao contexto escolar a que está atendendo. Os educandos precisam de diferentes espaços, com um ensino voltado para a realidade, trazendo qualidade na formação cultural dos estudantes. Para Raach (2016, p. 44): A arte na escola se faz com o diálogo entre as imagens, evidenciando os diversos momentos que remetem à construção cultural. A aula de arte acontece por meio de seus diferentes espaços: a sala de aula, os ambientes digitais virtuais, a visita a um espaço cultural e ao ar livre. A partir do significado da palavra arte, e de como se apresenta no currículo escolar, temos a técnica, a disciplina, os conteúdos, as linguagens artísticas, as representações do mundo, em suma, uma área de conhecimento. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 49 Assim, percebe-se que o conhecimento artístico pode ser ampliado a partir de experiências em espaços alternativos, como levando os alunos para museus e galerias ou nas cidades menores, que não possuem espaços culturais; levar os alunos para observarem e realizarem desenhos de observação de alguma arquitetura da cidade ou até mesmo pinturas ao ar livre. FIGURA 30 – ARTE EM SEUS DIVERSOS ESPAÇOS FONTE: Raach (2016, p. 44) A imagem mostra um pouco da arte em seus diversos espaços, do sair da sala de aula. É preciso levar o estudante para poder visitar outros locais da cidade, conversar sobre as praças, por exemplo, conhecer sua história. Pode-se também propor análise de imagens culturais como placas, outdoors, propagandas. Explorar o cotidiano do aluno é um modo de aprender. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 50 FIGURA 31 – OUTDOOR CRIATIVO FONTE: <http://keitesoares.blogspot.com/2012/10/outdoor-criativo.html>. Acesso em: 5 nov. 2018. Os conteúdos e conceitos de artes visuais devem ser ensinados através de propostas pedagógicas, com orientações que alcancem os modos de aprender dos educandos. Assim, devem assegurar a participação de todos na aula de artes. Segundo Raach (2016, p. 44): O estudante cria composições artísticas através da pesquisa, da vivência e do coletivo. Dessa forma, a construção do conhecimento em arte instiga momentos de diálogo com o objeto de conhecimento, o fazer, o ler e o contextualizar em sala de aula. Retomando novamente a abordagem triangular de Barbosa (o fazer artístico, a leitura de imagem e a contextualização se mostram importantes nos modos de aprender dos educandos), é relevante instigar o aluno através de perguntas ao olhar imagens, objetos, refletindo a partir de alguns questionamentos como: [...] esta obra muda alguma coisa na forma de representar o que ela pretende representar? Esta obra muda algo em mim? Esta obra muda algum conceito de arte? Esta obra opera alguma mudança na arte hoje? Qual a mudança que ela significa para a arte de outros tempos ou para a arte em diversos outros tempos? (BARBOSA, 2010, p. 44). A partir das perguntas que podem nortear um modo de aprendizagem dos educandos, a obra de arte a seguir, chamada “A noite estrelada”, de Vincent Van Gogh, sugere para observar o ritmo e movimento que encontramos na pintura. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 51 FIGURA 32 – OBRA A NOITE ESTRELADA DO ARTISTA VINCENT VAN GOGH (1889) FONTE: <http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=410>. Acesso em: 8 jun. 2018. A obra chamada “A noite estrelada” foi pintada por um grande artista holandês, Vincent van Gogh (1853-1890), que pertenceu a um período de arte chamado impressionismo. Alguns estudiosos até dizem que o artista já faz parte de outro período, o pós-impressionismo. Assim, o artista desenvolveu a pintura “A noite estrelada” a partir da sua memória e não por meio de uma observação, isto é, olhando uma paisagem, um local, por exemplo. A pintura foi feita quando o artista tinha 37 anos de idade e estava em um asilo que se localizava em Saint-Rémy-de-Provence. O quadro foi pintado com tinta a óleo e feito em junho de 1889. Com os alunos em sala de aula, é possível desenvolver a leitura de imagem e contextualização, analisando os dados técnicos, os elementos da linguagem visual (cor, ritmo, textura e movimento), fazendo relações com o cotidiano. Assim, como sugestão, no fazer artístico é possível realizar trabalhos que enfatizam os conteúdos de arte, como os elementos visuais, o uso de linhas, texturas e cores, a materialidade expressada na obra. Além disso, a apreciação artística de uma obra de arte é também composta pelos créditos, que são os dados principais da obra que são encontrados nas fichas técnicas, isto é, em museus (exposições). As fichas localizam-se do lado das obras de arte, ou em obras impressas. Estas devem estar no verso da imagem ou no decorrer de um texto. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 52 Nesse sentido, continuando a observar a pintura “A noite estrelada”, de Vincent van Gogh, é possível realizar a seguinte descrição através de perguntas, que podem ser usadas como um roteiro para aperfeiçoar a análise crítica reflexiva, ou melhor, a leitura e contextualização de uma obra de arte. Observe os créditos de A noite estrelada por Vincent Van Gogh [...]. Qual mistura foi usada para criar esta pintura? Qual o tamanho desta pintura? Observe a maneira como a tinta foi aplicada à tela. O que você vê? Agora descreva tudo o que você vê na pintura. Para ajudá- lo a organizar seus pensamentos, comece listando as coisas que você reconhece no primeiro plano. Então liste as coisas que você vê no plano do meio, ao fundo e no céu (BARBOSA, 2009, p. 74). Para isso, a ficha técnica ou chamados créditos de uma obra de arte ajudam a pensar, refletir e responder às perguntas sugeridas anteriormente. Agora, seguindo para outra etapa de análise da mesma obra, “A noite estrelada”, de Vincent van Gogh, podemos verificar como a obra está organizada e estruturada através de perguntas motivadoras, que instigam o nosso olhar para a imagem. Antes de você estudar a maneira que Van Gogh utiliza o ritmo, observe os diferentes elementos artísticos que ele usa. Agora olhe a maneira como o artista arranjou as sombras, formas e espaço. Existe algum espaço negativo totalmente vazio? Qual o efeito expressivo das sombras maiores? As cores neste trabalho são importantes. Onde você encontra as cores mais brilhantes? A seguir estude as texturas. Van Gogh está tentando imitar as texturas reais dos objetos? A textura das pinceladas é mostrada? Agora você está pronto para observar os ritmos visuais em A noite estrelada. Quais os elementos e objetos usados como motivo neste trabalho? Descreva-os. Quetipos de ritmos Van Gogh utilizou? Você pode encontrar exemplos de ritmos regulares? Você vê algum ritmo alternativo? (BARBOSA, 2009, p. 74). Após a análise da obra de arte por meio de perguntas, seguimos para a interpretação da imagem, com mais alguns questionamentos, indagando: O que está acontecendo? O que o artista está tentado dizer? [...] coloque-se na posição do artista, imagine os pensamentos que estavam correndo através de sua mente enquanto ele pintava. Escreva palavras ou frases que ele devia estar pensando. Escreva um parágrafo explicando sua interpretação (BARBOSA, 2009, p. 74 -75). Novamente pensando e analisando um pouco mais da obra de arte através da contextualização, referindo sobre o julgamento desta obra, reflita: O que você pensa acerca da, pintura? Você gosta do assunto desta pintura? Você gosta da maneira pela qual o artista organizou os elementos de arte? A pintura toca seus sentimentos? (BARBOSA, 2010). TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 53 Com isso, o exemplo sobre a obra “A noite estrelada”, de Vincent van Gogh, traz possibilidades de estudos de uma imagem através de muitas perguntas que norteiam a sua análise. Segundo Barbosa (2010, p. 44), “a obra de arte deve ser saboreada, e requer para isto uma concentração de significados que advêm de sua complexidade. A obra para ter qualidade estética deve ter o poder de sumarizar múltiplos significados”. Modos de aprender é saborear uma imagem, isto é, o espectador precisa desenvolver a capacidade de criar múltiplas interpretações, tudo por meio de perguntas que instigam a curiosidade. Os educandos precisam ser convidados, motivados, provocados a exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar, ouvir, ver, tocar e assim, refletir sobre as imagens. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 119), “ensinar – que epistemologicamente significa apontar signos – é deixar que o outro construa sentidos, isto é, viva a experiência e construa signos internos na busca de compreender conceitos, processos e valores”. Como professor de arte, é preciso de mediação para trazer a imagem para ser observada e saboreada numa aula. A participação do aluno irá motivar e decidir os caminhos que irá percorrer na análise de uma obra, como vemos segundo Iavelberg (2003, p. 77): Fazer a mediação entre o público e a obra é ensinar arte, apresentar objetos artísticos específicos é também educar com arte. Do ponto de vista da didática da arte, o educador cria ao fazer a mediação das obras e, nesse sentido, vive momentos análogos aos do artista em seu espaço de trabalho. Nada ou muito pouco em sua prática é preconcebido. No entanto, a aula de arte, o planejamento de um conteúdo pelo professor, muitas vezes, percorre outros caminhos, dependendo da turma de alunos. Através da leitura e contextualização da imagem poderemos remeter ao fazer artístico de outra maneira, isto é, uma prática que não é preconcebida, ela surge da necessidade, dos interesses e curiosidades dos alunos a partir da mediação do professor. Na linguagem da arte, há criação, construção, invenção. O ser humano, por meio dela, forma, transforma a matéria oferecida pelo mundo da natureza e da cultura em algo significativo. Atribui significados a sons, gestos, cores, com uma intenção, num exercício que mais parece um jogo de armar, um quebra-cabeça no qual se busca a forma justa. Vários caminhos são percorridos, várias soluções são experimentadas, num processo de ir e vir, um fazer/construir lúdico-estético (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 47). Assim, a aula de arte acontece por meio da criação, de exercícios de construção e reconstrução, de processos de ir e vir, de experimentações, de momentos artísticos diversos. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 54 IMPORTANT E Projeto Arte na Escola O Instituto Arte na Escola é uma associação civil sem fins lucrativos que, desde 1989, qualifica, incentiva e reconhece o ensino da arte, por meio da formação continuada de professores da Educação Básica. Tem como premissa que a arte, enquanto objeto do saber, desenvolve nos alunos habilidades perceptivas, capacidade reflexiva e incentiva a formação de uma consciência crítica, sem se limitar à autoexpressão e à criatividade. FONTE: <http://artenaescola.org.br/ institucional/>. Acesso em: 5 nov. 2018. 3 APRENDENDO A APRENDER Neste momento, vamos conversar sobre o aprender como docente. O professor deve estar disposto a conhecer, a experimentar, a criar e, assim, a poder explorar em sala de aula com os educandos o conhecimento de maneira mais significativa. DICAS Aprender a aprender O Vídeo “Aprender a aprender” encontramos no site do YOUTUBE no seguinte link: <https:// www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_ EmzI>. Acesso em: 11 dez. 2018. O vídeo nos traz uma reflexão sobre a arte de ensinar e aprender através de uma animação que mostra a relação entre o mestre e seu aprendiz. FONTE: <http://animacurtas.blogspot.com/2011/08/aprender-aprender.html>. Acesso em: 11 dez. 2018. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 55 Para se dedicar como professor de arte no século XXI, é preciso estar sempre se atualizando, fazendo leituras, visitando exposições, buscando formação e conhecimento na área em que atua. Muitas ideias e estratégias de ensino são necessárias e também maneiras de como lidar com os alunos que vêm com atitudes, hábitos, valores que muitas vezes precisamos ensinar ou rever. “Cada aula, como um jogo de aprender e ensinar, é um instante mágico. Requer preparação e coordenação especiais, de mãos habilidosas que tocam, que apontam, que escolhem contextos significativos para o aprendiz tecer sua rede de significações” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 119). O professor de arte precisa ter autonomia e capacidade de decisão em momentos diversos da aula de artes e muita criatividade. A aprendizagem dos alunos é um processo contínuo, e nas aulas de artes o fazer não é apenas o resultado de uma atividade, e sim, são todas as etapas da criação que fazem parte da aula e da avaliação. Para Barbosa (1975, p. 94): [...] os professores de arte precisam, em primeiro lugar, de sólidos conhecimentos teóricos acerca das teorias da Arte-Educação, e de um modo de pensar acerca da arte que possa ajudá-los a definir as atividades artísticas na escola e a arte na sociedade moderna, sua função e praticalidade. Aprender a aprender é estar constantemente fazendo avaliações e reflexões de suas práticas de sala de aula, e podendo mudar e melhorar suas ações, seu planejamento, seu jeito de ser, suas estratégias de ensino. Muitas vezes, como professores de arte, realizamos um planejamento de conteúdos para determinada turma de alunos, mas na prática diária, no dia a dia da sala de aula, precisamos fazer alterações, mudanças de atividades, conteúdos, observando a realidade da turma, os questionamentos e curiosidades que aparecem no decorrer das aulas. Para isso, os professores precisam superar limites na busca de novas aprendizagens, revendo seus modos de aprender, suas competências para uma prática mais reflexiva, observando também os educandos. Segundo Barbosa (1975, p. 94): É igualmente importante para o arte-educador desenvolver ideias acerca de prioridades relacionadas com objetivos e métodos, e acerca das imposições do mundo exterior sobre a substância da Arte- Educação, assim como a óbvia necessidade de conhecer a criança, seu desenvolvimento físico, neurológico, intelectual, emocional, perceptivo e expressivo-comunicativo. Assim, professores de arte, desde o início de sua formação, de seus estudos, precisam estar engajados em uma formação continuada, na busca do aprender a aprender, pois é preciso adaptarmuitas vezes as aulas de arte, dependendo de situações ocorridas com os alunos. Devemos ter sabedoria, postura crítica e tomada de decisões. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 56 O professor de arte pode promover espaços de reflexão, sendo multiplicador de ideias, motivador de estímulos para os alunos enfrentarem os trabalhos propostos em sala de aula. Ser um profissional reflexivo, estimulando e mediando os alunos na construção do conhecimento em arte. Assim, segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51): Nesse sentido, arte é conteúdo e forma. Ambos são inseparáveis, um não vive sem o outro, são processos simultâneos. Se ao conteúdo está associada a temática, à forma está associada a marca do autor, a sua poética, o seu modo de fazer/ mostrar/expressar esse conteúdo. Na figura a seguir encontramos exemplos de obras de arte que retratam a mesma temática por meio de vários artistas. Aprender e ensinar aos alunos modos diferentes de fazer e expressar arte. FIGURA 33 – EXEMPLOS DE OBRAS DE ARTE COM A MESMA TEMÁTICA POR MEIO DE VÁRIOS ARTISTAS Obra: Os corredores”, do pintor francês Robert Delaunay (1885-1941. O óleo sobre canvas foi produzido em 1924. O Time”, do cearense Aldemir Martins (1922-2006), acrílica sobre tela produzida em 1966. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 57 Mural do inglês Bansky, criado por ocasião da realização dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. “Os jogadores de Futebol”, do russo Nicolas de Stael (1914-1955). Óleo sobre canvas, produzido pelo artista em 1952. “Pipas e sonhos”, do grafiteiro paulista Kobra, um dos pôsteres produzidos por artistas brasileiros para os Jogos Olímpicos 2016. FONTE: <https://www.metropoles.com/entretenimento/exposicao/10-obras-de-arte-de- diferentes-epocas-inspiradas-pelos-esportes-olimpicos>. Acesso em: 14 jul. 2018. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 58 As imagens mostram a mesma temática, obras de arte com o tema futebol de maneiras diferentes, sendo possível ver as diferenças através das marcas dos próprios artistas, seu jeito de criar e retratar, assim, pinturas que mostram em diferentes perspectivas a temática. Por isso, podemos perceber que, “tudo na obra de arte tem uma intenção. Há uma intenção em cada gesto, cor, movimento, postura” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 48). 4 REFLEXÃO CRÍTICA A reflexão crítica faz parte do ensino de artes. Os professores, em sua docência, precisam ter o hábito de analisar e refletir sobre sua prática, suas ações em sala de aula, os resultados obtidos de um planejamento aplicado. Cada docente, com o passar do tempo, em suas experiências cria seu próprio percurso de sala de aula. É preciso formar alunos que vejam a arte em suas vidas através de novos olhares. Segundo Raach (2016, p. 47), “a arte convida a um novo olhar, para pensar um ensino voltado para a formação de estudantes mais conscientes sobre a importância das artes em suas vidas, para a construção de valores e desenvolvimento da criatividade e mudanças no contexto atual”. As aulas de artes devem ser um espaço de reflexão. O professor poderá trazer provocações, questionamentos acerca das diversas manifestações artísticas. As obras de arte ou imagens do cotidiano estão presentes e trazem conceitos e ideias, trazem interação com o artista. Observando as imagens, as obras de arte, temos contato com diversos elementos históricos, artísticos, culturais de determinado tempo/época que estão em constante transformação. Se o conhecimento está sujeito à perpétua transformação ao longo do tempo, a formação do educador também deve ser constante. Nesse sentido, a formação inicial é revisitada pelo imaginário do monitor contemporâneo, à medida que realiza sua formação contínua. Como um historiador de si mesmo, o educador reescreve sua biografia profissional todos os dias e a reconstrói conforme seu imaginário se transforma, orientado por suas experiências de aprendizagem em sentido lato (IAVELBERG, 2003, p. 78). Assim, os professores necessitam estar atentos às transformações diárias e dar importância às leituras em arte, atualizações, cursos, estar como docente sempre aprendendo, buscando novos conhecimentos. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 59 DICAS O livro Iniciação à docência em artes visuais, um guia com experiências, contém 144 páginas da editora Oikos e foi produzido pela professora Paola Zordan, junto com estagiários e bolsistas de arte no ano de 2011. O livro fala do planejamento nas aulas de arte, sugestões, relatos de angústias e dúvidas de ser professor de artes visuais. Segundo Tati e Machado (2004, p. 5), “um grande artista não é necessariamente um grande professor, e vice-versa. Mas para ser um bom professor é muito importante vivenciar a proposta antes de trazê-la”. Assim, o professor de arte precisa observar a faixa etária dos alunos que irá atender, planejando seu conteúdo através da realização de atividades, estas, que se puder, sejam experienciadas antes, vivenciadas talvez pelo professor para perceber as futuras dificuldades ou imaginar o processo desta criação, dos materiais necessários e de como será executada a atividade em sala de aula com os alunos. Lembrando que cada aluno tem seu tempo de criação, por isso, não usar como modelo apenas sua experiência pessoal, deixando surgir a liberdade de expressão de cada aluno. Segundo Barbosa (2010, p. 118), nas aulas de arte “o importante é que o professor não exija representação fiel, pois a obra observada é suporte interpretativo e não modelo para os alunos copiarem”. Trazer embasamento teórico é importante para análise e reflexão para as criações do fazer artístico. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 60 DICAS A imagem no ensino da Arte, de Ana Mae Barbosa (2010) Este livro apresenta sobre a didática das artes no Brasil, promovendo leituras de obras de arte relacionando com metodologias de ensino. Aproveite e leia! O ensino de arte voltado para momentos de experimentação artística traz acesso a diversas linguagens e materiais, sempre mostrando que através dos tempos a arte foi se aperfeiçoando, mudando, e que sempre estamos aprendendo no processo da criação. Um professor de arte renascentista que fez uso de criação não foi nem mais nem menos avançado do que um professor contemporâneo que hoje cria suas aulas. Apenas se utilizam de recursos distintos. Trabalhar com têmpera ou com tinta acrílica, com construção ou desconstrução, com beleza ou estranhamento é uma decorrência de época. O problema reside na difícil compreensão de que é possível ensinar a criar, mesmo que isso tenha ocorrido de modos distintos ao longo da história. Hoje, podemos compreender que os homens aprendem como sujeitos do processo, a partir de experiências de aprendizagem significativa (IAVELBERG, 2003, p. 78). Caro acadêmico, nas próximas unidades do livro de estudos, você encontrará mais reflexões, mais motivações para ensinar seu aluno a criar, ou seja, possibilidades de propostas pedagógicas em artes visuais. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 61 DICAS Filme O sorriso de Monalisa Este filme americano foi produzido em 2003. O título é uma referência à pintura famosa de Leonardo da Vinci, a Monalisa. O filme trata de uma professora de História da Arte, que leciona numa escola feminina e em suas aulas tenta “abrir a mente de suas alunas” enfatizando a livre expressão e a consciência crítica e não apenas a reprodução de conhecimento, falando sobre a mulher ter também seus sonhos e pensamentos. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO,FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 62 LEITURA COMPLEMENTAR ABORDAGEM TRIANGULAR E CULTURA VISUAL Possibilidades no ensino da arte complementares ou excludentes? Sylvia Bojunga Ao preparar planos de ensino e conceber projetos educativos nas diferentes linguagens artísticas, os professores de arte deparam-se com a necessidade de fazer escolhas. Diante da multiplicidade de tendências pedagógicas no campo do ensino das artes, que convergem conceitos e elementos constitutivos dessa área de conhecimento, que caminho escolher? Que pressupostos teóricos, metodológicos e político-pedagógicos estariam mais sintonizados com a contemporaneidade e a realidade escolar? Nesse cenário, fazemos a seguinte provocação: a abordagem triangular e a cultura visual se excluem? Com a palavra, os especialistas que convidamos para expor seus pontos de vista são: FERNANDO HERNÁNDEZ-HERNÁNDEZ Professor da Unidade de Pedagogias Culturais da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Barcelona, Espanha, é coordenador da Pós-graduação em Artes e Educação. “Nada começa do zero: as tendências em ensino da arte se entrecruzam e transitam por espaços de diálogo.” Aprendi com Bruno Lattour que enfrentar perspectivas científicas esconde, na realidade, uma armadilha estratégica: enquanto se reafirma a existência de um TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 63 foco através da negação de uma tendência anterior ou se defende a superação do que essa posição representava, o que se pretende, de fato, é reconhecer que ‘o novo’ emerge e acontece, porque aquilo que se rejeita, em algum momento, existiu. Se fosse reconhecido, como defende Lattour, que nada parte do zero, seria possível assumir que não faz sentido ontológico ou epistemológico constituir um campo de conhecimento, uma perspectiva científica, uma tendência Educação das Artes Visuais contra… Isso pode ser feito, mas será uma estratégia para reafirmar posições de poder e controle e delimitar espaços de influência pessoais ou do grupo. Vejamos um exemplo. Durante anos, a orientação predominante nas escolas foi o ensino do desenho (à mão livre, cópia…), posto que cumpria uma função social vinculada, principalmente, ao desenvolvimento de diferentes práticas industriais. Depois da Segunda Guerra Mundial, a perspectiva foi questionada por aqueles que sustentavam a importância de se permitir que os indivíduos se ‘expressassem’ sem quaisquer limitações a normas e métodos. Posteriormente, nos anos 1970, pela influência do cognitivismo e de um movimento favorável às disciplinas no currículo, principalmente nos Estados Unidos, foi colocada uma questão fundamental para uma virada na Educação das Artes, qual seja, é válido que os indivíduos se expressem, mas, o que aprendem quando assim o fazem? Isto levou à configuração da perspectiva da Educação Artística baseada nas disciplinas, a qual está relacionada à ‘proposta triangular’ apresentada pela professora Ana Mae Barbosa, em 1987. Contudo, chega-se a um ponto em que a arte contemporânea ultrapassa os limites da representação, e a reflexão cultural pós-moderna convida ao questionamento dos relatos hegemônicos sobre a arte e a própria história da arte. Além disso, surge uma crítica, a partir de posições relacionadas ao multiculturalismo e à justiça social, a algumas das contribuições da perspectiva disciplinar. Este movimento articula-se de forma díspar, em torno daquilo que Paul Duncum viria a chamar posteriormente de Educação Artística para a cultura visual. Cada uma das perspectivas, o desenho, o expressionismo, a perspectiva disciplinar ou a educação da cultura visual, surgem porque outras perspectivas oferecem elementos para o diálogo. Porque abrem caminhos para outras formas de pensamento, as quais possibilitam outras práticas. Os movimentos, as tendências dentro dos campos do saber ou das práticas sociais, sempre fazem parte de um diálogo entrecruzado. Ainda que não se reconheça, ainda que nos esforcemos em negar a existência do outro. Somos o que somos, abrimos caminho através das nossas ações, porque outros, anteriormente, abriram uma trilha que agora permite que continuemos a nossa. Sem o caminho aberto, não poderíamos avançar, ainda que esse caminho siga em outra direção. Por isso sempre avançamos em companhia, inclusive de onde que já consideramos que não fazemos mais parte, mas que foi um local onde aprendemos a explorar o território diverso e complexo das relações entre as artes e a educação. UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO 64 Mas o fato é que, além disso, os caminhos coexistem, renovam-se e adquirem novo vigor a partir do surgimento de uma perspectiva que, inicialmente, pode até questioná-los. O desenho hoje é um valor em alta como forma de pensamento e representação, resgatada pela perspectiva das multimodalidades. A expressão foi revalorizada no campo das terapias criativas e adquiriu nova força junto a práticas performativas de expressão. A perspectiva disciplinar se expandiu, incorporando novos conhecimentos e saberes, e ampliando os sentidos das artes mais além dos limites inicialmente definidos a partir dos princípios modernistas que deram o impulso inicial. A educação da cultura visual é cada vez mais híbrida e superou a fase de ampliação de formas de representação, focando em formas de relação que dialogam não apenas com a complexidade das práticas artísticas contemporâneas, mas que incorporam formas de fazer decorrentes de outras tendências. Por tudo isso, posicionar-se no enfrentamento pode ser entendido como necessidade de delimitar espaços de influência e poder. Mas perde o sentido quando se olha a partir da perspectiva que mencionei aqui: não se trata de clãs que vão a guerras estéreis para a conquista de novos territórios. Uns e outros fecundam se a atuação emana de posições não excludentes. Afinal de contas, todos nós perseguimos um mesmo fim: que seja reconhecido o valor cívico da educação desde as artes, para que dessa forma seja alcançada uma sociedade mais justa, na qual os indivíduos são livres para contar suas próprias histórias e reconhecidos como autores e portadores de saber. BELIDSON DIAS Prof. associado do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília, é pós-doutor pela Universidade de Barcelona, Espanha, doutor em Estudos Curriculares em Arte Educação – Artes Visuais pela British Columbia University, Canadá e líder do Grupo de Pesquisa do CNPq – Transviações: Educação e Visualidade (UnB/DF). A Abordagem Triangular e a Educação da Cultura Visual, embora apresentem pontos de contatos e justaposições de práticas pedagógicas, contrastam categoricamente em seus projetos políticos e ideológicos. A Abordagem Triangular foca na busca por uma instituição que incluirá e ensinará arte como disciplina. Já na Educação da Cultura Visual, o foco está nas questões da visualidade da vida cotidiana como objetos materiais essenciais para os sujeitos em busca de seus empoderamentos individuais e de grupo. A Abordagem Triangular propõe um currículo abrangente ao oferecer aos participantes um envolvimento com as artes, ensinando-lhes a olhar a arte, a utilização de técnicas de estúdio, aprendizagem das linguagens, o fazer e entender as obras de arte em seus contextos culturais e históricos. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES 65 Já a Educação da Cultura Visual destaca representações visuais do cotidiano como os elementos centrais que estimulam práticas de produção, apreciação e crítica de artes e que desenvolvem processos de pensamento simbólico, conceitual, crítico, cognição, imaginação, consciência social e sentimento de justiça com temáticas de gênero, sexualidade, raça, etnia, necessidades especiais, religião, entreoutras. Desse modo, elas estariam apostas em relação ao uso multifacetado de práticas de ensino. Mas nem tanto! Apesar de ter pontos fortes, a Abordagem Triangular frustra na integração entre teoria e prática. De fato, ela ainda concentra excessivamente conteúdos curriculares formalistas e modernistas da arte, que não lidam assaz com as realidades, os contextos e as subjetividades pelas quais os estudantes veem, visualizam e constroem seus universos. Ao contrário, na Educação da Cultura Visual questões pedagógicas centradas em um currículo fundamentado no cotidiano expandido dos sujeitos os conduzem à consciência crítica social como um diálogo preliminar, que leva à compreensão e, então, à ação. Ela é uma concepção aberta para as criações pedagógicas de professores e alunos. FONTE: BOJUNGA, Sylvia. Possibilidades no ensino da arte complementares ou excludentes? 2015. Disponível em: <http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=75450>. Acesso em: 26 maio 2018. 66 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O papel do docente na disciplina de Artes é fazer com que os estudantes participem, reflitam sobre o fazer artístico. Precisamos estar atentos para aulas que instigam a curiosidade, a sensibilidade, trazendo significados para as suas criações, vivenciando todos os momentos da sua produção e compreendendo a arte como um todo. • Modos de aprender é saborear uma imagem, isto é, o espectador ter a capacidade de criar múltiplas interpretações, tudo isso por meio de perguntas que instigam a curiosidade. Os educandos precisam ser convidados, motivados, provocados a exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar, ouvir, ver, tocar e refletir sobre as imagens. • Aprender a aprender é fazer constantemente avaliações e reflexões de suas práticas de sala de aula. É poder mudar e melhorar suas ações, seu planejamento, seu jeito de agir, suas estratégias de ensino em sala de aula. • A reflexão crítica faz parte do ensino de artes. Os professores em sua docência precisam ter o hábito de analisar e refletir sobre sua prática, suas ações em sala de aula e os resultados obtidos de um planejamento aplicado. 67 1 Responda qual é a questão correta que se refere aos modos de aprender dos educandos: a) ( ) É poder criar espaços em sala de aula de maneira tradicional, onde apenas o professor direciona o conteúdo e as atividades. b) ( ) É saborear uma imagem, isto é, o espectador ter a capacidade de criar múltiplas interpretações, tudo isso por meio de perguntas que instigam a curiosidade. c) ( ) É convidar e motivar para atividades de reprodução de obras de arte. d) ( ) É poder exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar, copiar, ouvir e assim, refletir sobre as imagens. 2 O professor de Artes precisa: ( ) Ter autonomia e capacidade de decisão em momentos diversos da sala de aula e muita criatividade. ( ) Observar a aprendizagem dos alunos, pois é um processo contínuo. ( ) Ver que nas aulas de artes o fazer artístico não é apenas o resultado de uma atividade, e sim, todas as etapas da criação fazem parte da aula e da avaliação. ( ) De sólidos conhecimentos teóricos acerca das teorias da arte. a) V, V, V, V. b) V, F, V, F. c) F, F, V, V. d) V, V, F, V. 3 Pesquise sobre uma temática (escolha a temática, exemplos, casas, animais, retratos etc.). Escolhida a temática, pesquise obras de arte que mostrem qual é o artista que desenvolveu a obra. Observe e anote as diferenças de cada obra relacionando-as ao artista e à época. Olhe o exemplo de temáticas no tópico Aprender a Aprender. Faça anotações, organize um plano de ensino ou uma leitura de imagem (análise estética) e discuta com seus colegas. Sucesso em sua pesquisa! Exemplo de site sobre leitura de imagem: FONTE: <http://www.historiadasartes.com/wp-content/uploads/2016/02/AnaliseEstetica-1. pdf>. Acesso em: 12 dez. 2018. AUTOATIVIDADE 68 69 UNIDADE 2 PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de: • conhecer projetos de ensino de arte; • identificar possibilidades de criar e realizar práticas de criação nos projetos de ensino de arte; • reconhecer os espaços e práticas de criação, de percepções, de identidades, de subjetividades e de reflexão crítica; • analisar a arte e seus espaços criativos; • refletir e vivenciar o processo criativo para o ensino de arte. Esta unidade de estudos será apresentada em três tópicos. Em cada um deles, você encontrará, ao final dos tópicos, um resumo e autoatividades que auxiliarão na compreensão dos conteúdos estudados. TÓPICO 1 – PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES TÓPICO 3 – ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 70 71 TÓPICO 1 PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Na primeira unidade do livro de estudos mencionamos constantemente os campos conceituais do fazer artístico, da contextualização e da leitura de imagem no ensino de arte. Assim, nesta segunda unidade, você, acadêmico, encontrará leituras e sugestões de atividades sobre projetos no ensino de arte. Os projetos ajudam os alunos a terem maior grau de significação de um determinado tema/conteúdo em sua aprendizagem, proporcionando momentos de pesquisa e reflexão em torno de uma temática escolhida. Para Iavelberg (2003, p. 63): A aprendizagem é um processo complexo, não linear, com idas e vindas. É preciso saber avaliar em vez de controlar as aprendizagens dos alunos. É preciso também que esse professor esteja consciente de que nem toda atividade que ele planeja transforma-se necessariamente em aprendizagem. A orientação do processo é sua tarefa. Portanto, neste primeiro tópico, o texto evidencia possíveis aprendizagens por meio de temáticas/conteúdos, isto é, teremos atividades com orientações no decorrer de um projeto, como os projetos na escola, projetos artísticos e projetos em ação, que se apresentam através de exemplos práticos. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 72 2 PROJETOS NA ESCOLA Os projetos na escola promovem diálogos entre os alunos, os professores e a comunidade escolar. Na disciplina de arte é possível o diálogo entre imagens, entre as próprias linguagens artísticas, entre técnicas, entre conteúdos de diferentes áreas, que podem ser explorados em um projeto de escola. O projeto pode surgir de diferentes preocupações, indagações ou curiosidades que se apresentam em um grupo de alunos ou de maneira individual, de apenas um aluno, ou também pelo professor. Assim, a principal tarefa da escola é ajudar o aluno a desenvolver a capacidade de construir relações e conexões entre os vários nós da imensa rede de conhecimento que nos enreda a todos. Somente quando elaboramos relações significativas entre objetos, fatos, conceitos podemos dizer que aprendemos (KLEIMAN, 1999, p. 91). Portanto, os projetos na escola são uma técnica de aprendizagem, uma opção de trabalho que envolve estratégias de ensino com regras preestabelecidas, isto é, ele é organizado a partir de uma problemática, de outra forma de planejar as aulas, incentivando o aluno a construir relações significativas na construção do seu conhecimento. Assim, um projeto é uma intenção, que precisa ser continuamente avaliado e replanejado. Pode ser transformado durante sua concretização, na medida em que novas ações precisem ser inseridas a fim de que os objetivos e os conteúdos possam ser alcançados (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 148). Organizar as propostas pedagógicas em artes desenvolvidas em sala de aula. As atividades são construídas em uma sequênciaou não, interligando saberes e temáticas e podem ser um caminho de aprendizagem, um futuro projeto. O projeto não é um método, é sim uma atitude pedagógica que está sendo construída e adaptada a cada realidade escolar, a cada turma de alunos que está sendo atendida, pois as indagações que surgem são diferentes e novas ideias serão germinadas. Precisamos nos manter e manter nossos aprendizes da arte em estado de invenção, abertos e sensíveis, instigando com ideias germinadoras, nutrindo com imagens visuais, sonoras, cinestésicas/coreográficas, cênicas e desafiando a ousadia de buscar novas perspectivas, novos modos de ver, ouvir e agir, de conhecer outras épocas e culturas. E novas ideias fluirão em rede de múltiplas conexões (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 150). Em sala de aula, o projeto poderá ter vários ritmos de entendimento e participação dos alunos, pois alguns se motivam de início e buscam conhecimento, empenham-se nos estudos, outros demoram a entender a proposta de estudos. Também, muitas vezes, a problemática e tema escolhido para o projeto não têm surgido do grande grupo de alunos e sim, de uma minoria, que demonstrou interesse ou até do professor, que sentiu a necessidade de trazer a temática para a turma de alunos. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 73 Como professores no desenvolvimento de um projeto, precisamos ser persistentes e não desistir no meio do caminho. Nós somos responsáveis em provocar nossos alunos na busca de conhecimento e, assim, desenvolver suas habilidades e competências. O projeto acontece aos poucos, e os alunos desenvolvem suas pesquisas e atividades com “uma intencionalidade, que ainda é um vir a ser” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 147). A sala de aula torna-se um espaço mais dinâmico. O objeto de estudo apresenta-se interativo, estudando-o através de questões, mas com mudanças de ações da própria escola. O professor precisa organizar instrumentos de observação e avaliação dos alunos, como Iavelberg (2003, p. 63) relata: O professor precisa desenvolver instrumentos de avaliação e observação dos alunos para saber, por exemplo, como a criança formula suas representações, suas hipóteses sobre os conteúdos apresentados, como trabalha com o erro, que estratégias constrói para aprender. Dessa forma, mesmo não tendo controle de todas as aprendizagens, o professor pode criar instrumentos para observar as ideias e as ações dos alunos. Projetos demandam mais tempo e organização, implicam um trabalho em equipe, sendo pensados de maneira coletiva, estudando conteúdos que muitas vezes saem do espaço da sala de aula. “A criança estabelece relações com muitos aspectos de seus conhecimentos anteriores, enquanto que, ao mesmo tempo, vai integrando novos conhecimentos significativos” (HERNANDEZ, 1998, p. 50). Assim, o projeto desenvolvido em sala de aula integra novos conhecimentos, pois ensina o aluno a buscar as informações, a solucionar os problemas, a aprender pela pesquisa. Os projetos permitem aos alunos a assumirem as próprias responsabilidades, produzindo conhecimentos que tragam significado a sua realidade e, para isso, o professor tem papel importante, pois pode criar estratégias, mediando as ações do objeto de conhecimento (tema a ser estudado). DICAS Caro Acadêmico! No site do “Instituto Arte na Escola” podemos encontrar diversos projetos vencedores. O “Instituto Arte na Escola” realiza anualmente um evento que abre espaço para divulgar os projetos desenvolvidos em sala de aula, selecionando os melhores projetos e premiando-os. Aproveite e explore o espaço, conhecendo alguns projetos desenvolvidos nas escolas de todo o Brasil. Acesse: Projetos vencedores – Instituto Arte na Escola. FONTE: <artenaescola.org.br/premio/projeto.php?id=71769>. Acesso em: 5 fev. 2019. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 74 No projeto, o aluno aprende a fazer “fazendo”, tomando decisões, fazendo pesquisas, realizando experiências práticas, construindo sua autonomia. Assim, um projeto necessita de: • Tema: escolher uma temática para estudar, que pode ser escolhida pelo professor ou pelos alunos. • Conteúdos: definir conteúdos que possam ser estudados na temática escolhida. • Tempo do projeto: organizar as aulas (datas) para aplicação do projeto. A duração do projeto poderá ser de algumas aulas ou no decorrer de um ano letivo. • Objetivos: organizar os objetivos a serem atingidos no projeto. Ideal organizar um objetivo geral que abrange o todo do projeto e os específicos relacionados com as ações a serem desenvolvidas. • Justificativa: justificar a temática escolhida, de que maneira surgiu interesse ao assunto que será estudado. • Problema: levantamento através de perguntas problematizadoras da temática escolhida. • Desenvolvimento do projeto: ações e atividades que atendam aos objetivos e às perguntas problematizadoras. • Fechamento do projeto: mostrar o resultado através de exposições, apresentações, diálogos etc. Pode conter anexos com fotos e atividades do projeto. Lembrando que o projeto deve ser estruturado, mas não necessariamente sendo feito seguindo como regra fixa, isto é, desde que as atividades venham a responder à problemática apontada e seus objetivos. Assim, os projetos podem ser individuais (que favorecem a autonomia do aluno) ou coletivos (o grupo de alunos aprende a lidar com conflitos e troca de ideias). Portanto, os projetos auxiliam na aprendizagem dos alunos, proporcionando momentos de atividades individuais e coletivas. É uma prática pedagógica que incentiva os alunos através da pesquisa, da expressão, do pensamento crítico, de uma construção conjunta da aprendizagem. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51), “no jogo do fazer/ construir da criação artística, somos conduzidos por um pensamento que espreita a nossa mente: um pensamento projetante. Pensamento que pensa o “depois”, pensando a mudança do que é para o que será”. É preciso pensar e planejar ao fazer um projeto, pois parte de uma problematização, de algum tema ou assunto que esteja instigando os alunos, assim, também promove a interdisciplinaridade, em que os alunos buscam pesquisas em outras áreas de conhecimento. Segundo Hernández (1998, p. 720), “aprender a pensar criticamente requer dar significado à informação, analisá-la, sintetizá-la, planejar ações, resolver problemas, criar novos materiais ou ideias e envolver-se mais na tarefa de TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 75 aprendizagem”. Assim, projetos realizados na escola de maneira interdisciplinar fazem com que várias disciplinas conversem sobre uma mesma temática, trazendo diversos conhecimentos aos alunos. Como exemplo de um projeto interdisciplinar, apresentamos o que foi desenvolvido pela professora Islene Leal, em uma turma do 2º ano do ensino fundamental no estado de Minas Gerais. A professora iniciou o projeto através de uma curiosidade dos alunos, que desejavam conhecer o Pantanal. Com isso, a professora teve uma ideia, propor uma viagem a distância para todos os alunos poderem explorar a natureza do Pantanal. Para isso, a professora, a equipe da escola e outros professores planejaram as atividades de maneira integrada, observando o currículo do 2º ano. O projeto contemplou quatro disciplinas e teve duração de três meses. Na disciplina de ciências, os alunos conheceram o ecossistema do Pantanal, tipos de animais, através de vídeos, imagens e textos, fazendo relações com o ambiente em que vivem. Na língua portuguesa, os textos que foram usados em ciências foram retomados e, assim, os alunos conheceram o gênero textual informativo produzindo outros tipos de textos. Nas artes visuais, os alunos observaram em imagens as plantas e animais. Como atividade, foram feitos trabalhos sobre texturas.Em matemática, os alunos registraram em tabelas os números dos animais, como peso e altura. Em todas as disciplinas, os materiais produzidos foram apresentados em uma coletânea final. Relato completo se encontra em: <https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1586/um-exemplo-real-de- projeto-interdisciplinar>. Acesso em: 5 fev. 2019. DICAS Outro projeto interdisciplinar você encontra no link a seguir. FONTE: <http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/06/volume_2_ artigo_091.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2019. Assim, o professor, ao desenvolver projetos em sala de aula, não precisa aplicar e desenvolver todos os conteúdos previstos, e sim, deixar os alunos participarem, buscando através das pesquisas com orientação do próprio professor. Vamos agora conhecer outro projeto para as aulas de artes, que poderá ser ampliado, recriado e atualizado ao grupo de alunos que cada professor atende. • Tema: Criando com linhas e formas • Disciplina: Arte • Conteúdos: Arte abstrata, arte figurativa, elementos da linguagem visual (ponto linhas, formas) UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 76 • Turma: Ensino médio • Tempo do projeto: 10 aulas de 45 minutos cada. • Objetivos: Conhecer a arte figurativa e abstrata, relacionando com práticas artísticas através dos elementos da linguagem visual. Proporcionar novas manifestações artísticas, mostrando sobre o desenho, fotografia, instalação. • Justificativa: Os alunos nas aulas de artes não queriam mais desenhar e pintar usando o lápis de cor. Assim, o projeto retoma o fazer artístico do desenho e da pintura de uma maneira simples, apresentando o que é visto como arte figurativa e arte abstrata. • Problema: Como instigar os alunos pelo gosto do desenho e da pintura? • Desenvolvimento do projeto: Os alunos podem realizar exercícios abstratos de composição com linhas e formas, desenvolvendo a pintura degradê, utilizando o lápis de cor. Na imagem a seguir, tem-se um exemplo de composição feita com linhas e pintura em degradê com lápis de cor. FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO ABSTRATA COM LINHAS FONTE: A autora (2018) DICAS Logo após, como sugestão, apresente aos alunos o vídeo arte figurativa e arte abstrata. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=0caiC_X9Edo>. Acesso em: 8 fev. 2019. Discuta sobre o vídeo com os alunos e peça para que registrem em forma de mapa conceitual. Explique o que é um mapa conceitual. O vídeo foi feito para o ensino médio e inicia com uma pergunta, se as imagens enganam, fazendo relações com a arte e realidade. Também relata, na história das civilizações, as imagens consideradas mais ou menos figurativas ou abstratas. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 77 FONTE: A autora (2018) DICAS O projeto poderá seguir para outro vídeo, chamado Lixo Extraordinário, com o artista Vik Muniz, que realiza composições fotográficas a partir do preenchimento de imagens com materiais diversos retirados do lixo. Você encontra o vídeo acessando o site: <https://www.youtube.com/watch?v=qyFDC-r9zlA>. Acesso em: 5 fev. 2019. Como mais uma atividade, desenvolva desenhos com imagens de revista. A própria imagem é utilizada como base, seus contornos principais são desenhados em uma folha A4, e o preenchimento do desenho será de tipos de linhas, formas e texturas. FIGURA 2 – PREENCHENDO A IMAGEM COM TEXTURAS Para o fechamento do projeto poderá ser proposta a criação de composições com materiais diversos pelo chão da sala em grupos de alunos. Os grupos de alunos poderão utilizar os materiais da mochila, como cadernos, estojos, canetas e, assim, montar de maneira coletiva com registro fotográfico da produção. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 78 FIGURA 3 – COMPOSIÇÃO COM CADERNOS E ESTOJOS FORMANDO UMA FLOR FONTE: A autora (2018) É preciso explorar a leitura de imagem das obras, analisando os materiais que o artista utilizou para compor a imagem e contextualizar com os alunos perguntando sobre como foi a proposta de vivência artística. Finalizar o projeto com exposições pela escola das atividades realizadas. A seguir, será apresentado um projeto desenvolvido pela autora Adriana Raach no ano de 2016, contendo um planejamento de atividades aplicadas com alunos dos anos finais do Ensino Fundamental nas aulas de artes. Foram utilizados os celulares dos alunos, as tecnologias móveis sem fio (TMSF) e também os recursos analógicos, cadernos e livros. • Tema: Criando releituras usando as tecnologias móveis sem fio (celulares). • Disciplina: Artes • Turma: 7º ano do ensino fundamental • Conteúdos: Missão artística francesa, obras do artista Jean Baptiste Debret • Tempo do projeto: 8 aulas de artes • Objetivo geral: Analisar o processo de construção do conhecimento dos estudantes, na disciplina de Arte, por meio de práticas pedagógicas, dando ênfase ao uso das tecnologias móveis sem fio. • Justificativa: O projeto emergiu da observação da professora nas aulas de artes, verificando o uso dos celulares pelos alunos apenas para jogos e redes sociais. • Problema: Como ocorre a construção do conhecimento na disciplina de Arte por meio de práticas pedagógicas que utilizam as tecnologias móveis sem fio? TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 79 • Desenvolvimento do projeto: 1ª Semana – Conteúdo: Missão artística francesa Objetivo: Identificar as características da missão artística francesa, observando as obras do artista Debret. Atividades: Ler: Leitura e pesquisa sobre o contexto histórico (Missão Artística Francesa) e sobre o artista Debret, através dos recursos analógicos e digitais, conforme a escolha dos estudantes. Fazer: Registro das pesquisas nos cadernos de arte de maneira individual. Contextualizar: Conversas entre os estudantes e professora sobre as pesquisas desenvolvidas. Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF. Avaliação: Registro da pesquisa incluindo: contexto histórico da missão, contexto artístico da obra e a vida do artista. Utilização de recursos analógicos e digitais (TMSF). Participação nas conversas sobre as pesquisas realizadas contemplando: expressão oral, interação entre os estudantes e a professora, crítica argumentativa. • 2ª Semana: Conteúdo: Missão Artística Francesa e releituras das obras de Debret. Objetivo: Interferir esteticamente em obras, produzindo releituras a partir da compreensão da arte e de seu contexto. Atividades: Contextualizar: explanação sobre os registros no caderno e correção oral sobre o capítulo Missão Artística Francesa com participação dos estudantes. Ler: Observar as obras do artista Debret, destacando os elementos da linguagem visual (leitura formal) e o que a obra suscita (leituras objetivas e subjetivas). Fazer: Planejamento de uma releitura em grupos de estudantes. Escolher a obra do artista Debret, definir um esboço de releitura (desenho) e escolher a linguagem artística da criação. Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF. Avaliação: Participação nas conversas sobre as pesquisas realizadas contemplando: expressão oral, interação entre os estudantes e a professora, crítica argumentativa. Registro no caderno de arte do esboço da releitura planejada incluindo os seguintes aspectos: apresentação da obra escolhida, definição das linguagens artísticas e criar o esboço da releitura. • 3ª Semana: Conteúdo: Releituras das obras de Debret. Objetivos: Reconhecer diferentes funções da arte e do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais, observando diferentes releituras. Criar, em grupo, uma releitura do artista Debret, utilizando diferentes linguagens artísticas e recursos. Atividades: Fazer: Em grupos, criar releitura de uma obra do artista Debret, trazendo a mistura de linguagens artísticas. Manter a originalidade da obra sem ser cópia, recriando e transformando.Ler: Observar as obras do artista Debret, destacando os elementos da linguagem visual (leitura formal) e o que a obra suscita (leituras objetivas e subjetivas). Contextualizar: Pesquisa na internet (TMSF) de obras do artista e sobre releituras existentes de outros artistas. Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF, papéis, lápis de cor, tintas. Avaliação: Participação do grupo de estudantes na criação da releitura por meio: ação (desenhar, pintar, fotografar, pesquisar) e cooperação (entre os participantes), identificação de linguagens e recursos híbridos para criação artística. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 80 • 4ª Semana: Conteúdo: Releituras das obras de Debret. Objetivo: Apresentar as releituras criadas, observando a obra original a partir da compreensão da arte e de seu contexto. Atividades: Fazer: Finalização das criações referentes à releitura de uma obra de Debret nos grupos de estudantes. Realizar ações como desenhar, pintar ou fotografar com a participação do grupo de estudantes. Ler e Contextualizar: Apresentação das criações realizadas, relacionando a releitura com a obra original. Cada grupo de estudantes comenta qual foi a obra escolhida no seu trabalho e mostra sua criação referente à releitura, ao grande grupo. Materiais: TMSF, papéis, lápis de cor, tintas. Avaliação: Apresentação das releituras observando: expressão oral, crítica argumentativa e interação entre os estudantes e a professora. Registro no caderno de arte sobre as aprendizagens vivenciadas durante as atividades (diário de bordo) contemplando: leitura da imagem, releitura e as linguagens artísticas (RAACH, 2016). • Fechamento do projeto: Apresentação das releituras projetadas quando cada equipe de alunos dialoga sobre a criação. Exposição das releituras feitas. Os alunos tinham o desafio de pensar em uma composição artística e o fazer da releitura não seria apenas desenhar e pintar. Portanto, nas figuras a seguir, é possível visualizar o resultado de um trabalho feito por um grupo de alunas. Registraram a cena com seus celulares e retrataram a cena encenando nas posições dos personagens da obra escolhida. Com a fotografia feita, realizaram a edição da fotografia com um aplicativo de edição de fotos e alteraram o cenário na imagem. Visualize o resultado: FIGURA 4 – VENDEDOR DA FLOR FORA DE UMA PORTA DA IGREJA, DE JEAN BAPTISTE DEBRET FONTE: <http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/vejarj/teatro_debret/galeria/07.jpg>. Acesso em: 7 maio 2016. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 81 FIGURA 5 – REGISTRANDO A CENA COM O CELULAR FONTE: Raach (2016, p. 86) FIGURA 6 – EDIÇÃO DA FOTO COM UM APLICATIVO FONTE: Raach (2016, p. 87) Seguindo o texto, você, acadêmico, encontrará mais sobre projetos. 3 PROJETOS ARTÍSTICOS Os projetos artísticos visam instigar exercícios criativos, que podem ser realizados de maneira individual com o aluno ou em grupos. Tais exercícios criativos contemplam as diferentes manifestações artísticas. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 82 Alguns estudos que as autoras Martins, Picosque e Guerra (2010) realizaram relatam desenhos simplificados que foram feitos por alguns alunos, desenhos como de árvores simples, com tronco marrom, com copa verde arredondada e maçã vermelha. Um padrão feito pela maioria dos alunos nas escolas, desenhos parecidos uns dos outros, estereotipados e simplificados. Assim, o professor, como mediador, precisa intervir e trazer outras maneiras de desenhar árvores a partir de outros olhares, de outras imagens, obras de arte, pois não seria mais interessante criar uma nova forma de representação de uma árvore, talvez uma árvore fantasiosa, que não exista? O copiar não constrói conhecimento, é preciso gerar novas experiências artísticas, novos exercícios criativos, isto é, um desafio para o professor, que é provocar os alunos para a observação do seu cotidiano, em seu próprio fazer artístico. Nas imagens a seguir, encontraremos obras do artista holandês Piet Mondrian. O artista fez uma série de desenhos e pinturas da temática árvore, e recria pelo seu traçado e pelo uso da cor. FIGURA 7 – OBRA: A ÁRVORE VERMELHA, PIET MONDRIAN, C. 1909/1910, ÓLEO SOBRE TELA 70 X 99 CM, GEMEENTE MUSEUM, HAIA, HOLANDA FONTE: <http://virusdaarte.net/mondrian-a-arvore-vermelha/>. Acesso em: 10 ago. 2018. A composição é referente à “Árvore Vermelha”, uma pintura que surge da observação de uma árvore, mas afasta-se da imitação real, deformando e alterando pela técnica o seu desenho, lembrando um pouco do período de arte chamado pós-impressionismo. Podemos perceber que, na pintura, ele utilizou as três cores primárias (azul, amarelo e vermelho). Outra obra que o artista produziu é a pintura da “Árvore Prateada”, levemente na forma oval, usando as cores cinza, branco e castanho. A impressão revela uma luz branca refletindo entre os galhos da árvore, e assim, o artista cria uma pintura que remete ao período do cubismo. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 83 FIGURA 8 – OBRA: A ARVORE PRATEADA DO ARTISTA PIET MONDRIAN, 1911, ÓLEO SOBRE TELA, 78,5 X 107,5 CM. GEMEENTE MUSEUM, HAIA, HOLANDA FONTE: <http://aodisseiadepenelope.blogspot.com/2011/11/mondrian-serie-das-arvores.html>. Acesso em: 10 ago. 2018. DICAS Como sugestão, apresentamos um projeto com a temática árvore, do artista Piet Mondrian, trabalhando a observação e o desenho: Disciplina: Arte – Educação Artística Ciclo: Anos Iniciais do Ensino Fundamental Assunto: Observação e desenho Tipo: Artes visuais Nas produções artísticas de alunos do 4° ano são comuns alguns desenhos estereotipados como a casinha, a árvore de maçãs, o “homem palito”, pássaros em forma de um “v”, sol com carinha etc. O desenho estereotipado se justifica porque as crianças identificam como aceito, um tipo de desenho que elas “não erram” ao realizá-lo. Tais desenhos estereotipados, no entanto, acabam por limitar as descobertas visuais e a capacidade de expressão das crianças, reduzindo seu repertório visual e expressivo. Assim, propor desafios para os alunos desenharem, descobrindo, com o professor, novas maneiras de realizar esses desenhos. Propomos um trabalho, em três aulas, sobre o tema “árvore”, pois é um dos desenhos frequentemente realizados pelos alunos a partir do estereótipo. Quando solicitados a desenhar uma árvore, costumam apresentá-la com copa verde e maçãs vermelhas. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 84 Na primeira aula, converse com os alunos sobre as variedades de árvores que existem, leve- os a perceber que cada tipo de árvore tem formas, linhas, cores, folhas, tamanhos, flores e frutos diferentes. Em seguida, convide-os a dar uma volta no quarteirão da escola ou em algum outro lugar próximo, descobrindo e observando pausadamente as diferentes árvores existentes. Conversem sobre os detalhes, as semelhanças e diferenças entre uma e outra. Os alunos podem registrar as observações com rascunhos de desenhos ou anotações descritivas. Se não houver árvore nas proximidades da escola, passa-se para a etapa seguinte, que é a de observação de árvores em fotografias etc. Se for possível, peça aos alunos que tragam de casa recortes de revistas e jornais, calendários, fotografias ou selos que contenham imagens de árvores para a próxima aula. Leve reproduções de diferentes épocas com imagens de árvores que mostrem os vários momentos da História da Arte como os antigos egípcios, os artistas japoneses, os africanos, as árvores no Renascimento e na Arte Contemporânea. Pode ser interessante trazer a série de árvores criadas por Mondrian, que pode ser encontrada em livros de arte. Mostre as imagens aos alunos e compare-as entre si e com as que os alunos trouxeram;proponha a observação de semelhanças e diferenças entre elas, as diversas cores que existem, quantos tons de verde conseguem identificar, as muitas formas, texturas, tipos de folha, flores, galhos, troncos e as variadas formas que os artistas usam para representar uma árvore. Cole as imagens que você trouxe no centro de cartolinas grandes e peça para que cada aluno escolha uma imagem de árvore que ele trouxe e cole em uma das cartolinas, justificando para a classe por que as imagens devem ficar juntas. Monte, assim, vários painéis que poderão ser colocados nas paredes da sala. Conversem sobre os painéis e os detalhes que impressionaram. Procure demonstrar que, em Arte, não existem duas árvores iguais, a não ser que usemos um tipo de reprodução para copiar o modelo. Na aula seguinte, com os painéis expostos, proponha a cada aluno escolher um detalhe de árvore para ser desenhado, como os galhos, as folhas, a forma externa da árvore, a forma dos galhos etc. É interessante que eles utilizem todo o espaço da folha. Depois, organize os desenhos, agrupando-os pelos temas desenhados: folhas, galhos, raízes, formatos etc. Exponha os trabalhos para que todos observem os resultados dos temas tratados que, em geral, são bons, bens diferentes das eternas árvores com maçãs. Discuta com os alunos sobre a possibilidade de fazer o desenho de um modo novo, que fuja ao lugar comum. Reveja com eles as condições do trabalho de arte – procurar conhecer o que se vai representar, observar ou mesmo imaginar o objeto ou situação de um jeito diferente do habitual, buscar novas formas de representar. Referência Ticuna. O livro das árvores. Benjamin Constant: Global, 2000. Programa “Um pé de quê?” – Canal Futura, apresentado por Regina Casé. Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro Edição: Equipe EducaRede FONTE: <http://www.aberta.org.br/educarede/2013/05/21/fugindo-do-estereotipo-i-projeto- arvore/>. Acesso em: 10 ago. 2018. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 85 DICAS Piet Mondrian – A Journey Through Modern Art. Como sugestão, o vídeo mostra as obras (pinturas) do artista Piet Mondrian. FONTE: <https://www.youtube.com/ watch?time_continue=317&v=9fmiK OOvLUo>. Acesso em: 18 set. 2018. Os projetos artísticos abrem possibilidades de criação. A poética pessoal é expressada através do fazer artístico, trazendo significados para quem produziu, como as autoras mencionam: Para compreender a relação forma-conteúdo, é preciso provocar experiências estéticas em nossos aprendizes para que tenham a experiência do fazer artístico como marca e poética pessoal, pois trabalhos iguais não apresentam formas expressivas, mas somente “formas” repetitivas sem significado (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 53). Uma sequência de atividades possíveis e que seja viável transformar em um projeto é experimentar novas linguagens, ferramentas, materialidades, novos meios de criar. DICAS Veja outro projeto chamado “Árvores da minha vida”, organizado pela autora Claudia Matos Pereira, aplicado nos anos iniciais do ensino fundamental. FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6839>. Acesso em: 10 ago. 2018. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 86 Vamos trazer novos significados nas propostas pedagógicas em artes, os projetos são caminhos possíveis e instigam os alunos a participarem na construção do conhecimento. 4 PROJETOS EM AÇÃO Os projetos em ação desenvolvem-se através de conteúdos da linguagem da arte sendo conduzidos no fazer artístico, na contextualização e na leitura de imagem. É preciso saber compreender e saber fazer articulando tais ações. Assim, por meio dos projetos em ação, a linguagem artística poderá contemplar: A produção artístico-estética da humanidade por meio de suas modalidades artísticas. A gramática das linguagens artísticas por meio de seus códigos verbais e não verbais. A produção e a leitura de um sistema simbólico utilizado artisticamente para ressignificação do mundo e das coisas (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 178). Assim, os assuntos e temáticas trazidos pelos alunos em sala de aula podem ser interligados aos conteúdos previstos pelo professor no planejamento anual. O projeto em ação pode proporcionar ao grupo diversas aprendizagens, pois as habilidades desenvolvidas devido às escolhas, opiniões, discussões fazem com que o aprendizado entre professor e alunos se torne concreto enfatizando situações de aprendizagem. Muitas vezes o aprendiz ainda não viveu encontros felizes com a arte, talvez tenha dificuldades em explorar e comunicar ideias de pensamentos/sentimentos e pode ter aprendido apenas a seguir a lição dos outros. Silenciado do seu próprio pensar/sentir, repetidor do pensamento de outro, esse aprendiz terá de ser envolvido na rede da linguagem da arte por outros caminhos. É preciso abrir espaço para que possa desvelar o que pensa, sente e sabe, ampliando sua percepção para uma compreensão de mundo mais rica e significativa (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 120). Os projetos em ação, para serem desenvolvidos na escola, precisam ser referentes a uma temática, que venha evidenciar alguma dificuldade ou interesse da turma de alunos. No entanto, é preciso: Um objeto de pesquisa e estudo, isto é, uma temática, um conjunto de perguntas e ideias que se articulam a partir da leitura de necessidades, interesses e faltas apresentadas pelos alunos. Existem temáticas mais amplas ou mais restritas, centradas na construção da própria linguagem, na sua história, ou relacionadas à natureza, à vida social etc. Uma sequência de situações de aprendizagem que instiga o aprendiz de arte a perseguir respostas às perguntas e ideias germinais, problematizando, desvelando pensamentos/sentimentos e ampliando referências. Essa sequência não é definida previamente, mas vai se estruturando pela análise dos seus resultados, levando as novas ações, como exercício do pensamento projetante. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 87 A utilização dos códigos da linguagem da arte como meio não só de concretizar o que se quer expressar e comunicar, mas também de ler e conhecer os objetos da produção artística da Humanidade. Os atos de desvelar e ampliar como ações que se alimentam dialeticamente. É preciso aflorar o que está velado e abrir horizontes de possibilidades e potencialidades (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 154-155). O trabalho com projetos na escola vem propiciar aos alunos uma nova maneira de aprender os conteúdos e assim proporciona uma inter-relação com o todo. A seguir, conheça um projeto realizado pelo professor Jayse Antonio, de Pernambuco, fazendo com que a aula de arte e outras disciplinas melhorassem a autoestima dos alunos e diminuíssem o preconceito. DICAS DICAS Projeto: EU SOU UMA OBRA DE ARTE: ETNIAS DO MUNDO O projeto vem ao encontro dos alunos, fala da autoestima através da arte e do conhecimento das várias etnias do mundo: esta foi a proposta do professor Jayse Antonio, da Escola de Referência em Ensino Médio Frei Orlando, em Itambé, Pernambuco. O projeto EU SOU UMA OBRA DE ARTE: Etnias do Mundo, criado em 2014 pelo professor de Arte, nasceu de uma conversa em sala de aula, quando ele notou que a maioria dos seus alunos tinha dificuldades em responder a uma parte do questionário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não querendo se identificar como negros ou pardos. Foi assim que o professor resolveu mostrar o quanto a diversidade é bonita e instigou os alunos a pesquisarem sobre o assunto. As propostas práticas foram de fotografias dos próprios alunos representando uma etnia e o resultado foi uma exposição aberta para a comunidade. O projeto faz relações com a BNCC (a nova Base Nacional CurricularComum) e relatando a igualdade, diversidade e equidade, pois as necessidades dos alunos são diferentes. Assim, no projeto, se percebe o cuidado em reverter uma situação de exclusão referente aos povos negros e indígenas. FONTE:<https://novaescola.org.br/conteudo/12865/como-a-aula-de-arte-aumentou-a- autoestima-e-diminuiu-preconceitos acesso em 10/12/2018>. Acesso em: 1 fev. 2019. Será apresentado um projeto desenvolvido pelo “Instituto Net Claro Embratel”, referente a instalações no espaço escolar, um projeto que amplia o trabalho de artes utilizando novos espaços da escola. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 88 • Projeto: Instalações artísticas. • Objetivo: Desenvolver uma proposta prática de instalação no espaço escolar, conhecendo os conceitos e artistas contemporâneos. • Conteúdos: Conceito de instalação, obras e artistas da arte contemporânea. • Sugestão de artistas: Cildo Meireles, Nelson Leirner, Ernesto Neto, Tunga, Hélio Oiticica etc. • Ações: Pesquisas sobre o conceito de instalação e o tridimensional. Pesquisa da vida e obra de artistas contemporâneos. • Materiais: Escolhidos pelos alunos como sucatas, roupas, barbantes. • Relato: É preciso que o professor dialogue com a direção escolar para verificar em quais espaços da escola é possível criar instalações e, assim, planejar o tempo de duração da criação. A instalação necessita de visitantes que vão até o espaço conhecer e apreciar, participando e dialogando com a obra. Lembre-se de registrar em foto ou vídeo a instalação criada. Dialogue com os alunos sobre o resultado, mas também sobre todo o processo de criação das instalações. FONTE:<https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/planos-de- aula/artes-visuais-instalacoes/>. Acesso em: 20 ago. 2018. DICAS O site, a seguir, serve como sugestão para proporcionar o estudo sobre conceito de instalação. FONTE: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index. cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3648>. Conheça também artistas contemporâneos. Acesse o site! FONTE: <http://pt.wikipedia. org/wiki/Instala%C3%A7%C3%A3o_(arte)>. Para conhecer mais sobre obras contemporâneas, acesse o site. FONTE: <http://www. inhotim.org.br/index.php/p/v/172>. Acesso em: 5 fev. 2019. O trabalho do professor no projeto em ação, segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 155), está pautado na “ação-reflexão-ação”. Assim, o projeto se desenvolve em três momentos, com atividades, objetivos e ações: 1º momento: avaliação iniciante – sondagem para o levantamento de repertório; 2º momento: encaminhamento de ações – levantamento de propostas possíveis, avaliações e replanejamentos; 3º momento: sistematização – apropriação do conhecimento construído. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 89 O professor de arte na ação do dia a dia tem um olhar de observação diante os seus alunos a cada atividade realizada. Diante de um grupo grande de alunos é preciso reorganizar, fazendo rodízios de observação para identificar as individualidades de cada aluno. Para a sondagem será necessário observar o grupo de alunos que está participando de um projeto. Para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 178), os alunos participantes de um projeto podem: • Agir poeticamente sobre um objeto/temática de pesquisa e estudo, aprofundando suas investigações por meio de suas próprias escolhas expressivas. • Construir o seu sentido sobre tal objeto/temática, dialogando, confrontando, percebendo semelhanças e diferenças com o ponto de vista de parceiros e de outras pessoas. • Aprender a dar forma poética – ordenar, reordenar e criar suas imagens, ideias, pensamentos, sentimentos e emoções sobre o objeto/temática de pesquisa e estudo, por meio dos códigos e elementos das linguagens artísticas. • Conceituar e conhecer a forma específica de a arte significar o mundo e as coisas, expondo o que pensam sobre a forma expressiva que veem e o sentido que elaboram em relação ao rendimento da produção artística. Para o projeto em ação é preciso ter uma meta, o professor imagina alcançar suas intenções pelas ações desenvolvidas. Assim, também segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 177-178), é preciso cuidar e não perder de vista algumas intenções que são: • Instigar a percepção estética e a imaginação criadora no exercício do pensamento que se concretiza. • Despertar o prazer de conhecer, compreender, refletir e aprender também pela troca com seus parceiros. • Levantar possibilidades para processos educativos, articuladores da aprendizagem inventiva dos códigos e elementos das linguagens artísticas. É preciso potencializar a competência simbólica do grupo de aprendizes. • Possibilitar o acesso dos aprendizes às obras artísticas de diferentes modalidades, épocas, lugares e movimentos artísticos que enfocam o mesmo objeto/temática de pesquisa e estudo. Deve haver o desenvolvimento de habilidades, hábitos e atitudes de observação, percepção, comparação, conexão e conhecimento da produção do artista e suas soluções expressivas. • Em resumo, aguçar a curiosidade de querer poetizar, fruir e conhecer o mundo e as coisas através das linguagens da arte. Assim, o projeto terá muitas ideias, e estas “são hipóteses, potenciais de ação. São mutantes, frágeis, nebulosas” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 156). UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 90 A partir da sondagem do repertório que os alunos já têm, muitas vezes o projeto poderá trazer situações que trazem medo, insegurança, e a temática escolhida não consegue envolver os alunos e assim não consegue trazer bons resultados. O professor tem o desafio de escolher e direcionar as ações do projeto para melhor aproveitamento de todos e, assim, realizar com êxito e motivação. DICAS O texto a seguir é um projeto ganhador do XIII Prêmio Arte na Escola realizado em 2012, na categoria da educação fundamental I. A professora premiada foi Maria da Paz Melo de Santa Rita de Sapucaí (MG), da Escola Municipal Valéria Junqueira Paduan, que pode servir de inspiração para a criação de um projeto nas aulas de artes. Arte contemporânea: produção e fruição no Fundamental I Projeto ganhador do XIII Prêmio Arte na Escola (realizado em 2012) na categoria: Educação Fundamental I O projeto Buscou a construção de uma consciência estética em relação à arte contemporânea, como linguagem e forma de comunicação. Trabalhou o sensível e a percepção, entendendo o aprendizado a partir do fazer pensando (em que a produção versus a criatividade foram adequadas ao desenvolvimento de cada criança). Linguagem: Artes Visuais. Objetivo Possibilitar à criança ser responsável pela própria produção, desenvolvendo a sensibilidade e a criatividade ao conciliar a imaginação e a vivência do aluno no processo voltado para a arte contemporânea. Conteúdos da arte O livro “Teoria e prática do ensino de arte” e os ensinamentos de Gisa Picosque e Ana Mae Barbosa fundamentaram o projeto. Técnicas e materiais envolvendo simultaneamente a colagem, o desenho e a pintura. Como fazer - Pesquisar a linha de trabalho em toda a sua potencialidade. - Dialogar com os alunos sobre materiais e suportes. TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 91 - Desenvolver a linguagem do desenho usando canetas, gravetos ou marcadores para que as crianças adquiram segurança no traço. - Apresentar a arte produzida nas últimas décadas, de forma que os alunos assimilem estilos diferentes de se trabalhar com materiais não padronizados. A pintura abstrata de Tapiés, Mondrian e Matisse, com suas linhas, manchas e formas, funciona como uma introdução à arte contemporânea. - Solicitar, aos pais, comunidade do entorno e empresas, materiais recicláveis, papelões, plásticos, tecidos, imagensde livros ou revistas, embalagens de todo tipo, fios diversos, anilina, tintas, pigmentos, durex e colas. - Explorar a liberdade da contemporaneidade a partir de algum artista plástico que tenha relação com a proposta de incentivar o imaginário, a concentração e a tomada de decisões. O que aprenderam As crianças aprenderam ser possível fazer arte a partir de elementos aparentemente antagônicos e a observar os trabalhos, seus e dos colegas. Com a utilização das técnicas mistas adquiriram vários conhecimentos quanto aos inúmeros tipos de suportes, pastéis, tintas, pigmentos. Esqueceram conceitos como feio e bonito. Desaprenderam a desenhar corações e casinhas padronizadas e aprenderam que é preciso pensar antes de começar a produção. As respostas deverão ser dadas pelos alunos, os construtores do próprio conhecimento. Assista ao vídeo sobre o projeto. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=3lgw- R0ire8>. Acesso em: 21 set. 2018. FONTE: <http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=69535&>. Acesso em: 21 set. 2018. 92 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Um projeto é aquilo que se pretende fazer, mas pode ser constantemente replanejado e avaliado, pois a cada ação desenvolvida com os alunos é preciso observar se os objetivos e conteúdos estão sendo alcançados. • Projetos demandam mais tempo e organização e implicam um trabalho em equipe. Podem-se ter projetos com conteúdos que saem do espaço da sala de aula. • Os projetos permitem aos alunos assumirem as próprias responsabilidades, produzindo conhecimentos que tragam significado para a sua realidade. Assim, o professor tem um papel importante, pois pode criar estratégias de ensino/aprendizagem mediando as ações do objeto de conhecimento (tema a ser estudado). • Um projeto necessita de: tema; conteúdos; tempo do projeto; objetivos; justificativa; problema; desenvolvimento do projeto e fechamento do projeto. • Os projetos em ação que se desenvolvem devem ser conduzidos no fazer artístico, na contextualização e na leitura. 93 AUTOATIVIDADE 1 Em conformidade com Martins, Picosque e Guerra (2010), é CORRETO afirmar que os alunos participantes de um projeto podem: a) Agir poeticamente sobre um objeto/temática de pesquisa e estudo. b) Construir o seu sentido sobre o objeto/temática, dialogando, confrontando. c) Aprender a dar forma poética – ordenar, reordenar e criar suas imagens. d) Conceituar e conhecer, através do contato com o mundo da cultura, a forma específica de a arte significar o mundo e as coisas. Assim, escolha a alternativa correta: 1 Correta é a afirmativa B. 2 Correta é a afirmativa C. 3 Nenhuma alternativa está correta. 4 Todas as alternativas estão corretas. 2 Complete a coluna com a resposta correta: Um projeto é uma _______________. Precisa ser continuamente avaliado e replanejado. Pode ser transformado durante sua concretização, na medida em que novas _______ precisem ser inseridas a fim de que os ____________ e os conteúdos possam ser alcançados. a) ( ) intenção – ações – objetivos b) ( ) ideia – situações – problemas c) ( ) intenção – oportunidades – resultados d) ( ) ação – criações – temas 3 Construa um projeto de alguma temática relevante e que acredite ser possível desenvolver em uma turma do Ensino Fundamental. Escolha a turma, siga o roteiro e mãos à obra! Lembrando que, para a atividade, um projeto necessita de: tema; conteúdos; tempo do projeto; objetivos; justificativa; problema; desenvolvimento e fechamento do projeto. 94 95 TÓPICO 2 EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO As aulas de artes devem apresentar diversas experiências/vivências práticas, oportunizando ao aluno o contato com as diversas linguagens artísticas e suas manifestações. Cada aluno traz consigo uma bagagem cultural, um repertório imagético devido aos estímulos a que foi submetido. Assim, nós, professores, somos mediadores, somos estimuladores do conhecimento teórico e prático. Neste tópico, caro acadêmico, você irá encontrar informações sobre experiências práticas na elaboração de projetos de pesquisa em educação. 2 EXPERIENCIAÇÃO NA PRÁTICA ARTÍSTICA A experienciação na prática artística é considerada um momento de grande importância a todos envolvidos na aula de artes, ou seja, os alunos esperam muito pelas práticas artísticas, pelas novas experiências que terão nas aulas. É preciso “explorar o que a palavra experiência permite pensar, dizer e fazer no campo pedagógico” (LARROSA, 2015, p. 38). Inserir práticas artísticas que remetem à experienciação é um desafio ao professor, pois envolve espaço físico para produzir arte, conhecer técnicas e materiais. Algumas práticas artísticas que podem ser desenvolvidas em sala de aula remetem ao estudo de obras de arte, ou atividades que explorem a imagem, o recorte e colagem, a intervenção artística, as diversas manifestações artísticas, o próprio fazer artístico. Então: “O fazer” é mais praticado na escola, embora muitas vezes faltem clareza e objetividade às ações dos professores que orientam a produção de arte. No passado, o fato até contribuiu para que existissem, inclusive, repetições e cópias pouco refletidas. A formação inicial e contínua do professor que trabalha com a arte precisa ter bem clara a amplitude do fazer, com experiências em que o pensamento, a sensibilidade e a emoção concorrem para a criação (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 28). UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 96 Assim, o professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando, com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico. Um fazer artístico que instigue a reflexão, contextualização e não traga criações referentes a repetições de obras de arte. Um exemplo de prática artística que pode ser feito com alunos da educação infantil é a experienciação através de um conteúdo como as cores. Pode ser mostrada a mistura das cores através de várias ações, como o uso de tintas e pincéis, pintura com dedos ou mãos, mistura com a massinha de modelar e descobrindo a mistura do amarelo com vermelho, trazendo o resultado da cor laranja. As descobertas, para as crianças, são muito marcantes pela experimentação, são momentos únicos que desenvolvem a curiosidade e imaginação. Assim, precisam de estímulos do professor de arte para o acesso à variedade de práticas. A seguir será apresentada uma proposta artística, uma prática realizada com alunos da educação infantil nas aulas de artes relacionada ao estudo das cores, observando o resultado das misturas feitas a partir da técnica da pintura soprada. A atividade foi realizada com um canudinho para soprar a tinta que estava bem diluída com água. FIGURA 9 – CRIANDO CABELOS MALUCOS COLORIDOS FONTE: A autora (2018) TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 97 DICAS Livro: Artur faz Arte, de Patrick McDonnell (2007), editora Girafinha. O livro mostra um menino de 5-6 anos chamado Artur, que mostra seu processo criativo até a exposição. A capa do livro já é convidativa. O menino se mistura com as tintas e todo livro é uma explosão artística de cores, linhas, experimentação. FONTE: <https://repensandomuseus.blogspot. com/2011/07/falando-de-literatura-e-museu.html>. Acesso em: 25 set. 2018. Continuando a conversa sobre experienciação na prática artística, um artista que pode ser estudado nas aulas de artes e trazer o conceito da arte abstrata é Jackson Pollock (1912-1956). O artista Pollock faz a chamada pintura de ação (ActionPainting), em que realizava suas produções em gigantescas telas que ficavam no chão. Jogava a tinta direto das latas, derramando, respingando com pincéis, jogando com o auxílio de varetas. FIGURA 10 – JACKSON POLLOCK (1950) –PINTURA DE ACTIONPAINTING FONTE: <https://terrylongimagery.files.wordpress.com/2013/04/pollock2.jpeg>. Acesso em: 30 nov. 2018. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 98 Uma atividade que pode ser inserida na aula de artes para o uso de tintas e remeter a uma pintura em ação é a criação em camisetas. FIGURA 11 – CRIANDO EM CAMISETA FONTE: A autora (2018) Na figura anterior, o aluno explorou linhas, cores através do uso de pincéis e também carimbou suas próprias mãos com as tintas, trazendo a pintura em ação e gestual. Lembrando que as atividades propostas neste livro podem ser transformadas em projetos, que contemplem mais ações e instiguem os alunos a fazerem relações com outras áreas do conhecimento. DICAS Acesse o site que apresenta planos de aula, recursos e temas especiais que podem ser desenvolvidos em sala de aula. Aproveite e explore o espaço! FONTE: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/>. Acesso em: 5 fev. 2019. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 99 3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS Neste espaço do livro de estudos, apresentaremos sugestões de atividades práticas que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes. Iniciamos a conversa sobre um conteúdo muito estudado nas aulas de artes, a arte rupestre, que são os desenhos feitos nas paredes de cavernas. O conteúdo pode ser desenvolvido em todas as faixas etárias. FIGURA 12 – PINTURAS DE RINOCERONTES E CAVALOS NA CAVERNA DE CHAUVET, NO SUL DA FRANÇA, C.28.000 AEC. FONTE: Bell (2008, p. 14-15) A obra mostra desenhos feitos pelos homens da caverna usando o carvão. Para uma atividade em sala de aula, a busca de texturas com o giz de cera sobre áreas da escola, como no chão, pedras, paredes e, assim, simular tais texturas encontradas sobre folhas de papel A4 como sendo uma base, que lembre uma parede de caverna. Assim, sobre a folha cheia de marcas e texturas, desenhar com um pedaço de carvão ou lápis 6B alguns desenhos que remetam aos tempos atuais. Instigar a reflexão. Como foi o tempo de arte rupestre, onde os primeiros homens da caverna não tinham quase nada, onde seus desenhos feitos nas paredes eram de caças de animais. E o que nós como seres humanos de hoje em dia temos? Se tivéssemos que deixar marcas sobre uma parede nos dias de hoje para as futuras gerações, que marcas, que desenhos seriam? Os alunos podem desenhar tudo que acham ser do momento atual que estão vivendo, por exemplo, desenhar celulares (tecnologia) ou comidas, como pizza, bebida como Coca-Cola. Organizar uma instalação, como uma parede, que remeta à caverna com arte rupestre, colando todas as folhas juntas, uma do lado da outra, sem deixar espaços. Continuando o conteúdo sobre arte rupestre, outra sugestão de atividade é desenhar com cola colorida sobre pedras, como mostra a figura a seguir. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 100 FIGURA 13 – LEITURA DE IMAGEM DE OBRAS SOBRE A ARTE RUPESTRE FONTE: A autora (2018) O desenvolvimento da atividade pode ser iniciado por uma roda de conversa com todos os alunos a partir do contato de imagens. As imagens podem ser passadas de mão em mão, e assim, os alunos vão apreciando e dialogando sobre o que veem. A prática artística pode ser desenvolvida em pequenos grupos de alunos. Eles deixam suas marcas, seus desenhos nas pedras, usando a cola colorida. FIGURA 14 – PINTANDO PEDRAS COM COLA COLORIDA FONTE: A autora (2018) As atividades práticas podem ser adaptadas de acordo com a faixa etária dos alunos através de diferentes propostas, níveis de complexidade, como vamos conhecer uma sugestão sobre o conteúdo retrato e autorretrato. Para trabalhar o assunto em sala de aula é necessário mostrar muitas imagens, muitas obras de arte que relatam as diferenças entre o retrato e o autorretrato. Mostrar obras de artistas que fizeram seus autorretratos, como Tarsila do Amaral, Frida Kahlo, Van Gogh, Portinari. Escolha obras de arte de diferentes períodos históricos que mostrem autorretratos e retratos criados. Como exemplo de retrato, pode-se citar uma pintura de Vincent van Gogh, que retratou um carteiro. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 101 FIGURA 15 – VINCENT VAN GOGH: RETRATO DO CARTEIRO ROULIN (1888); TELA, 0,79X0,63 M. BOSTON, MUSEUMOF FINE ARTS FONTE: Argan (1992, p. 126) Uma atividade adorada pelos alunos é a de desenhar o outro lado da fotografia, continuar seu retrato, sua foto. Primeiro, você, professor, fotografa o rosto de cada aluno. A fotografia deve ser impressa preto e branco e cortada ao meio. Cada metade da foto poderá ser explorada de alguma maneira. Na imagem a seguir a proposta foi de uma parte da foto ser realista (desenhar, de forma parecida, a outra metade da foto) e outra foto ser surrealista (a metade da foto que sobrou desenhar continuando de maneira maluca, usando a imaginação, com cores diferentes, algo não realista). Assim, a proposta é que o aluno criará, através de uma foto impressa, dois autorretratos, o real e o surreal. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 102 FIGURA 16 – DESENHANDO COM A METADE DA FOTOGRAFIA FONTE: A autora (2018) O autorretrato e retrato também podem ser estudados a partir das obras de Giuseppe Arcimboldo, que é um artista pertencente ao movimento artístico maneirista. Suas pinturas retratam rostos de maneiras diferentes, usando frutas, flores, objetos em suas criações. FIGURA 17 – IMPERADOR RODOLFO II, GIUSEPPE ARCIMBOLDO (1527-1593) FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/giuseppe-arcimboldo/#jp- carousel-4750>. Acesso em: 29 set. 2018. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 103 Os retratos compostos, na proposta a seguir, mostram a criação através de recortes de revistas e realizando a colagem formando rostos, ou seja, compor um rosto por fragmentos retirados de revistas e colados sobre uma folha. A atividade pode ser realizada em grupos de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. É interessante que sejam realizadas exposições dos trabalhos criados, que podem ser por meio de murais, bem como instalações. FIGURA 18 – RETRATOS FEITOS COM RECORTES DE REVISTAS FONTE: A autora (2018) Outra proposta explora os conceitos de retrato e autorretrato, que pode ser feita com alunos dos anos finais (8º e 9º anos) ou ensino médio. Na atividade, o aluno traz um retrato de alguma pessoa famosa, algum artista que seja fã ou que admire. A imagem será a base, ficará abaixo de uma transparência (de retroprojetor) e usará uma caneta preta permanente, delineando o retrato escolhido, contornando com a caneta as principais partes do rosto sobre a transparência. Após, o aluno irá colorir com pincel usando nanquim colorido, mas é importante ter muito cuidado, pois o nanquim é muito líquido, e assim, evitar que extrapole a cor em áreas indevidas do retrato. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 104 FIGURA 19 – RETRATOS DE FAMOSOS COM NANQUIM SOBRE TRANSPARÊNCIA FONTE: A autora (2018) O trabalho desenvolvido em transparências poderá ser mostrado a toda turma através do uso de um retroprojetor. A transparência pronta poderá ser visualizada por todos quando projetada sobre uma parede branca. DICAS Vídeo: Autorretrato O documentário é da coleção do Instituto Arte na Escola e mostra uma exposição chamada “Autorretrato: espelho de artista”, uma mediação cultural organizada pelo MAC/USP. O tema é apresentado em seis módulos sob a curadora Katia Canton, feito no ano de 2001. A indicação do filme é a partir do 1º ano do ensino fundamental, duração de 23 minutos. FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/catalogo/dvd/74/>. Acesso em: 5 fev. 2018. Tambémse encontra, neste site, o material educativo para ser desenvolvido com os alunos do vídeo. FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_pdf_74.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2018. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 105 A seguir, será apresentada uma proposta, um de plano de aula que pode ser desenvolvido com alunos da Educação Infantil e readaptado para um futuro projeto. Plano de aula: conhecendo as obras do artista Aldemir Martins • Conteúdo: Cores primárias; leitura de imagem. • Tempo de realização do projeto: 6 aulas com 50 minutos cada. • Objetivo geral: Despertar nos alunos o gosto pela arte através das obras do artista Aldemir Martins. • Objetivos específicos: • Conhecer a biografia do artista Aldemir Martins. • Analisar as obras de arte do artista a partir da leitura de imagem, observando elementos da visualidade (cor, forma, linha, textura etc.); • Observar a temática abordada nas obras. • Identificar as cores primárias. • Desenvolver a expressão artística através do desenho, pintura e/ou dobradura. • Utilizar materiais diversos para a criação de composições artísticas. • Desenvolvimento: • Trazer para a aula algumas imagens das obras do artista Aldemir Martins (obra dos gatos – azul, amarelo e vermelho). FIGURA 20 – OS GATOS DE ALDEMIR MARTINS (1922-2006) FONTE: <http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/aldemir-martins.html>. Acesso em: 1 set. 2018. • Roda de conversa com os alunos: Quem foi o artista Aldemir Martins? O que pintou? Quais cores mais usava? A conversa com os alunos deve ser de maneira lúdica e dinâmica, contando sobre a vida do artista e realizando a leitura de imagens com os alunos (poderão estar sentados em um grande círculo), e assim, explorar no coletivo os detalhes das imagens. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 106 • Criar desenhos de seus animais preferidos e/ou de estimação (pintar com tintas, lápis de cor, canetinhas ou giz de cera usando as cores primárias). • Criar dobradura da cabeça de um gato e posteriormente colar a dobradura em outra folha, completando com o desenho do corpo e o cenário (pintar com tintas, lápis de cor, canetinhas ou giz de cera usando as cores primárias). FIGURA 21 – DOBRADURA DO GATO E A CRIAÇÃO DO DESENHO FONTE: A autora (2018) • Exposição final das atividades criadas para apreciação da comunidade escolar e família. • Recursos e materiais: • Projeção de imagens pelo uso do projetor e notebook. • Imagens impressas das obras do artista Aldemir Martins. • Lápis de cor, giz de cera, canetinhas, tinta guache. • Folhas brancas A4 e A3. • Cola branca. • Tesoura. • Pincel. • Avaliação: a avaliação do projeto acontece diariamente, é processual, isto é, no transcorrer das atividades é feita a observação, além do registro do desenvolvimento dos alunos. Agora vamos conhecer o estudo de arte geométrica do artista Piet Mondrian. Como sugestão de atividade, mostrar suas composições abstratas geométricas, relatar sua vida e obras instigando os alunos nas leituras de imagem. O objetivo da atividade foi conhecer a vida e as obras do pintor, observando o desenvolvimento cromático. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 107 FIGURA 22 – PIET MONDRIAN: COMPOSIÇÃO EM VERMELHO, AMARELO, AZUL (1927); TELA, 0,61X 0,41 M. AMSTERDÃ, STEDELIJKMUSEUM FONTE: Argan (1992, p. 411) Em relação às maneiras do artista Mondrian compor, podem ser feitas dentro de silhuetas desenhadas em papel, imagens figurativas que são preenchidas com quadrados e retângulos de vários tamanhos e pintadas nas cores que o aluno escolher. FIGURA 23 – SILHUETAS MONDRIAN FONTE: A autora (2018) Desenhos de observação também são atividades que podem ser desenvolvidas com os alunos, trazendo objetos ou observando locais. As atividades desenvolvidas instigam os alunos na observação de detalhes, tamanho, cor. A obra Bica de cobre, de Jean-SiméonChardin, é uma pintura figurativa. Percebemos detalhes nos objetos da obra. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 108 FIGURA 24 – ARTISTA JEAN-SIMÉONCHARDIN, BICA DE COBRE, 1734 FONTE: Bell (2008, p. 271) Como atividade referente ao desenho de observação, podem-se trazer para a sala de aula plantas, objetos, frutas e flores, assim, explorar o que é a natureza-morta (gênero da pintura que retrata seres inanimados). Na figura a seguir, existem bromélias que foram observadas por alunos dos anos iniciais, sendo desenhados os detalhes da planta em folha A4. FIGURA 25 – DESENHO DE OBSERVAÇÃO DE PLANTAS (BROMÉLIAS) FONTE: A autora (2018) TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 109 O desenho de observação também poderá ser a partir de uma imagem de revista, que pode ser ampliada, isto é, escolher uma parte e colocar uma janelinha de papel, e assim, desenhar apenas o que está se vendo da pequena ampliação. Pode ser explorada a pintura e um dos desenhos pode ser monocromático (preto e branco) e o outro desenho pode ser policromático (muitas cores). Seguem imagens que ilustram a proposta sugerida: FIGURA 26 – DESENHO DE OBSERVAÇÃO DE UMA IMAGEM DE REVISTA (AMPLIAÇÃO DE FRAGMENTO) FONTE: A autora (2018) Os alunos gostam muito de desenhar. Assim, atividades que desenvolvem os elementos da linguagem visual, como linhas, formas, cores e texturas, podem ser exploradas nas aulas de artes. Na proposta “criando as texturas”, os alunos recortam de revistas partes de imagens que mostram texturas. Tais recortes devem ser em formato de quadrado e são colados sobre uma folha. Em outra folha, o aluno realiza o desenho de observação de cada quadrado da textura encontrada, usando caneta nanquim preta ou canetinha. FIGURA 27 – CRIANDO AS TEXTURAS VISUALIZADAS EM REVISTAS FONTE: A autora (2018) UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 110 Estudando o artista Edvard Munch, podemos relatar situações sobre o desenho de memória. O que é um desenho de memória? Um desenho que remete a lembranças boas e ruins, desenhos que surgem de rabiscos, de algo que lembramos e está na memória. Assim, na pintura “o grito”, observa-se também um desenho referente à memória, às lembranças. É um momento de desespero que se evidencia na expressão do rosto, e não como um desenho da realidade como ela é. FIGURA 28 – EDVARD MUNCH: O GRITO (C.1893); MADEIRA, 0,83X0,66 M. OSLO, MUNCH-MUSEET FONTE: <https://multiplasoralidades.wordpress.com/construcao-do-blog-2/o-grito-1893-de- edvard-munch/>. Acesso em: 29 set. 2018. Como proposta de atividade para os anos finais do ensino fundamental, pode ser feito o desenho de memória com base na obra “O grito (1893)”, relacionando com momentos registrados na memória do aluno. O desenho pode expressar angústias do cotidiano ou outros gritos da vida. Outra atividade é desenvolver com os alunos algumas placas escritas com pedidos, gritos da sociedade ou da vida dos alunos. Assim, com as placas prontas, os alunos podem encenar a cena da obra de arte, produzindo pequenas esquetes teatrais que podem ser filmadas e fotografadas. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 111 FIGURA 29 – RELEITURA CRÍTICA DA OBRA O GRITO DE MUNCH FONTE: <https://segundosanosinacio.blogspot.com/2010_08_01_archive.html>. Acesso em: 29 set. 2018. A sala de aula é considerada um espaço de práticas artísticas. Alunos e professores vão construindo sua história, trocando conhecimentos, explorando e vivenciando o fazer artístico. DICAS Livro: Descobrindo grandes artistas: a prática da arte para crianças Autoras: Mary Ann F. Kohl e Kim Solga Editora: Artmed Ano: 2001 Este livro apresenta um conjunto de atividades de artes que podem ser aplicadas para estudantes de 4 até 12 anos de idade. São 110atividades que fazem o aluno experimentar diferentes técnicas, conhecendo artistas e movimentos artísticos. IPTU, IPVA, ICMS IMPOSTO DE RENDA, IOF - Aaaaaaa!!! não aguento mais tanto Imposto... Eu vou me jogar dessa ponte... Aposto cinquenta que ele pula. Que cara maluco. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 112 4 TRANSVERSALIDADE DO CONHECIMENTO Os projetos que são desenvolvidos nas aulas de artes podem incluir conhecimentos teóricos e práticos de outras áreas, de outras disciplinas. Os temas transversais são propostos em todas as disciplinas da escola, que podem ser intercalados aos conteúdos específicos de cada área. Os temas transversais permitem que os alunos tenham um maior diálogo sobre ética e cidadania, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde e orientação sexual, aprendendo sobre condutas, diferenças entre as pessoas e, assim, observando as diferentes realidades regionais e locais. Portanto, a transversalidade do conhecimento diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação (aprender na realidade e da realidade). A forma de sistematizar o trabalho e incluí-lo impactam na organização curricular, garantindo sua continuidade e aprofundamento ao longo da escolaridade (PCN, 1998, p. 30). A transversalidade agrega questões sobre a realidade de vida, a ética e a cidadania. A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua dinâmica, dando a mesma importância das áreas convencionais. O currículo ganha em flexibilidade e abertura, uma vez que os temas podem ser priorizados e contextualizados de acordo com as diferentes realidades locais e regionais e que novos temas sempre podem ser incluídos. O conjunto de temas aqui proposto – Ética, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo – recebeu o título geral de Temas Transversais, indicando a metodologia proposta para sua inclusão no currículo e seu tratamento didático (PCN, 1998, p. 25). Um tema transversal como o meio ambiente poderá ser inserido no planejamento das aulas de artes como um projeto ou sequência didática. Assim, a arte se mostra importante na abordagem do tema em sala de aula e explora estratégicas de conscientização, fazendo com que o aluno reflita e tenha uma compreensão e um olhar crítico sobre sua realidade de vida, bem como a realidade coletiva, havendo respeito e conscientização. DICAS Leia mais em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ttransversais.pdf e http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2019. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 113 Um projeto desenvolvido a partir de um tema transversal, que contemple várias áreas do conhecimento, que instigue os alunos a pensarem sobre suas comunidades, sobre sua realidade de vida. Tais projetos podem propor uma maior criticidade aos alunos, fazendo refletir sobre a vida comunitária, por exemplo, sobre o meio ambiente, verificar o que sua cidade faz com o recolhimento do lixo ou como o lixo está sendo separado na escola. Seguem algumas sugestões de como inserir o conhecimento transversal nas aulas de artes através dos temas transversais: atividades que explorem os temas de trabalho e consumo podem ser referentes à violência, como no trânsito, e às bebidas (alcoolismo), drogas e cigarros. Todos os assuntos podem ser trabalhados em sala de aula junto com algum conteúdo previsto e os resultados poderão ser: encenações teatrais, criações de histórias em quadrinhos ou outras composições artísticas como os trípticos de papel. FIGURA 30 – ANUNCIAÇÃO, 1333, DE SIMONE MARTINI FONTE: Bell (2008, p. 150) A partir do conhecimento do que é um tríptico, os alunos podem criar sua própria produção usando papelão. Uma proposta sugerida para alunos dos anos finais do ensino fundamental é o debate e discussão do tema Consumo- alcoolismo junto ao trânsito. A partir da temática, os alunos criam, nas três partes do tríptico, uma história em quadrinhos, que representa a conscientização sobre os temas transversais estudados. UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 114 FIGURA 31 – TRÍPTICO EM PAPELÃO (TEMA ALCOOLISMO NO TRÂNSITO) FONTE: A autora (2018) Exposições que apresentem desenhos e criações diversas que tenham explorado algum tema transversal, como outro exemplo, o meio ambiente. Nas imagens a seguir, encontram-se uma obra do artista e a atividade de alunos. A utilização das caixas vazias, sendo abertas, desmontadas e remontadas utilizando o verso da caixa para desenhar e criar. Assim, a parte interna da caixa vira a parte externa e sendo possível criar composições figurativas ou abstratas. O artista Carlos Asp faz assim, cria trabalhos sobre o verso das caixas vazias. FIGURA 32 – ARTISTA CARLOS ASP. CAMPO VERDE FRANCÊS, 2008 | DESENHO SOBRE EMBALAGEM| 41,5 X 23,8 CM FONTE: <http://www.ufrgs.br/acervoartes/obras/desenho/desenho/carlos-asp/view>. Acesso em: 29 set. 2018. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 115 FIGURA 33 – CRIANDO NO VERSO DAS EMBALAGENS FONTE: A autora (2018) Os materiais recicláveis também podem ser trabalhados em oficinas. Têm o objetivo de refletir e conscientizar sobre o lixo produzido atualmente, preservando o meio ambiente. Existe uma infinidade de propostas de criação artística com materiais recicláveis. Uma proposta é usar jornais velhos que serão cortados em pedaços e enrolados. FIGURA 34 – COLAGEM DE ROLINHOS DE JORNAL FONTE: A autora (2018) UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 116 Uma artista paulistana contemporânea é Debora Muszkat, artista multimídia que faz uso de fotografia e se apropriou da reciclagem de vidro, um material cortante, perigoso, mas que precisa ser reaproveitado. Artista reconhecida atualmente por seu trabalho com vidros 100% reciclados, pois divulga várias possibilidades de reaproveitamento do material e tendo a preocupação com o meio ambiente. FIGURA 35 – ARTISTA DEBORA MUSZKAT, OBRA “DIAMANTE DE VIDRO”, 2015, INSTALAÇÃO FONTE: <http://glorinhacohen.com.br/?p=30020>. Acesso em: 12 dez. 2018. Já a pluralidade cultural pode ser inserida através da arte indígena, mostrando exemplos de artesanato, de pinturas, que evidenciam os costumes e as tradições do povo. O trançado, por exemplo, é uma atividade que faz refletir como os índios produziam suas cestarias. Segue uma proposta de trançado de papel que pode ser feito de forma bidimensional e outra proposta que se refere ao trançado com rolinhos de jornal para desenvolver uma produção tridimensional. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 117 FIGURA 36 – TRANÇADOS DE PAPEL E DE JORNAL FONTE: A autora (2018) DICAS Temática: O artesanato como estratégia de ensino/aprendizagem Conteúdos relacionados: - Português: gênero carta, bilhete e e-mail, escrita e reescrita. - Matemática: geometria: retas paralelas, medidas. - Artes: cestaria. - História: índios, primeiros artesãos. - Geografia: localidades que usam o artesanato como subsistência. Ano escolar: Alunos do 5º e 6º ano do ensino fundamental Objetivo geral: - Reconhecer as várias formas de conhecimento existentes nos trabalhos artesanais. Objetivos específicos: - Conhecer diversos tipos de artesanato. - Identificar os costumes e tradições presentes no trabalho artesanal. - Identificar semelhanças e diferenças entre os termos: cultura, cultura popular, saber popular,costumes, tradições etc. - Conhecer os tipos de artesanato típicos da nossa região. - Explorar conteúdos específicos das diversas áreas de conhecimento (português, matemática, história, geografia e artes) UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 118 Procedimentos: 1º Momento: - Através de textos e exposição de imagens no data show, reconhecer os índios como os primeiros artesãos no Brasil, suas produções em cerâmica, cestaria, tecelagem, esculturas etc. 2º Momento: - Identificar os diferentes tipos de tecelagem de fibras como do capim dourado, que é muito procurado no exterior em bolsas, chapéus etc. No sertão da Bahia há um grande número de pessoas que sobrevivem da trançagem da fibra de uma árvore chamada licuri (que produz o coquinho), esteiras, chapéus, balaios etc. - Fazer a trançagem com tiras de papel colorido que pode ser usado para confeccionar cartões: explorar aspectos geométricos, como retas paralelas e sistema de medidas (metro e centímetro). 3º Momento: - Construir, com os alunos, pequenos cestos com canudos de jornal explorando os conceitos geométricos de retas paralelas e perpendiculares, ao mesmo tempo explorar a origem da trança, como o homem começou a usar a trançagem na construção de suas casas ou cabanas a, aproximadamente, 6000 anos a.C. 4º Momento: - Utilizar a trançagem para confeccionar o cartão do dia das mães: explorar o gênero textual bilhete, carta e e-mail. Recursos: - Data show - Textos - Livros e revistas sobre o tema - Internet (se possível) - Jornal (para os canudos) - Papel colorido - Cola - Estilete - Régua - Lápis - Canetas coloridas - Hidrocor - Lápis de cor - Verniz A aplicação de oficinas possibilita que os alunos desenvolvam conhecimentos interdisciplinares ao mesmo tempo em que se efetivam práticas sociais de leitura e escrita. Por meio da oficina, os alunos realizam leituras de conteúdos que são atraentes e despertam conhecimentos de mundo, visto que é comum encontrarmos em nosso cotidiano algum tipo de artesanato. Também foram explorados, na mesma oficina, aspectos da matemática que são importantes e fazem parte da vida de todos: retas, paralelismo e sistema de medidas. O conhecimento de leitura está em todas as áreas e fica mais evidente a sua presença por meio da atuação dos projetos desenvolvidos. Ainda, conteúdos de Língua Portuguesa também são abordados junto às práticas sociais de leitura e escrita, considerando que todos necessitam, em algum momento, escrever um bilhete, carta ou e-mail (na contemporaneidade). FONTE: <http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/06/volume_2_ artigo_091.pdf>. Acesso em: 6 fev. 2019. TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES 119 Portanto, a disciplina de arte contribui para o estudo dos temas transversais, pois permite estabelecer múltiplas conexões com diferentes áreas do conhecimento, conectando o aluno aos saberes populares e científicos, de forma a promover a conscientização e o compromisso com a construção da cidadania. DICAS Livro: “A imagem da arte e os temas transversais”, da autora Aurora Ferreira (2008). O livro mostra projetos didáticos para o ensino fundamental com obras de arte que abordam os temas transversais. Os temas são abordados com obras de arte como: sobre saúde, a obra Mamão e melancia (1860), de Agostinho da Mota; Pluralidade cultural – redenção de Cã (1895), de Modesto Brocos e Engenho de mandioca (1892) do mesmo autor; Meio ambiente – vista de uma mato virgem que se está reduzindo a carvão (1843), de Félix Emile Taunay; Ética e cidadania – a caminho da escola (1925), de Eliseu Visconti; Relações de gênero – postura, crenças, tabus e valores bom tempo ou idílio campestre (1893), de Belmiro de Almeida. 120 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • O professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando, com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico. • O artista Pollock fez a chamada pintura de ação (ActionPainting). Realizava suas produções em gigantescas telas que ficavam no chão, onde jogava a tinta direto das latas, derramando, respingando com pincéis, jogando a tinta com o auxílio de varetas. • A transversalidade do conhecimento diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação (aprender na realidade e da realidade). • Os temas transversais são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde, orientação sexual, trabalho e consumo. 121 AUTOATIVIDADE 1 Assinale a alternativa que preenche a lacuna CORRETAMENTE: O artista Pollock faz a chamada __________________. Realizava suas produções em gigantescas telas que ficavam no chão e jogava a tinta direto das latas. a) pintura em tela com tinta a óleo b) pintura com tinta acrílica c) pintura com cores monocromáticas d) pintura de ação ActionPainting 2 Sobre a transversalidade do conhecimento: I- O professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando, com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico. II- Diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação (aprender na realidade e da realidade). III- Os temas transversais são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde, orientação sexual, trabalho e consumo. Está(ão) CORRETO(S): a) Somente o item I. b) Somente o item II. c) Os itens I e III. d) Os itens II e III. 3 Escreva uma sugestão de atividade prática através do tema transversal “Meio Ambiente”. Escolha uma turma de alunos e organize suas ações, seu planejamento de conteúdos e atividades sobre a temática. Apresente para os colegas! 122 123 TÓPICO 3 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, você, acadêmico, encontrará propostas que envolvem o processo criativo explorando diferentes espaços de práticas artísticas. As propostas de atividades são proposições que podem ser ampliadas, adaptadas e recriadas conforme a faixa etária atendida pelo professor nas aulas de artes. Assim, o processo criativo acontece por meio das linguagens artísticas, nos campos conceituais do fazer artístico, da leitura e da contextualização. O processo criativo e o processo de subjetividade acontecem em sua multiplicidade de vivências e experiências, momentos diversos. Assim, os conhecimentos são construídos a partir do contato e desenvolvimento de práticas artísticas nos vários espaços, como o espaço da sala de artes. 2 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS Os espaços para as práticas artísticas tornam-se muitas vezes restritos, isto é, a sala de aula da própria turma é a sala de criação da aula de artes. Percebe-se que a maioria das escolas não disponibiliza espaço físico específico para o ensino de artes. As práticas artísticas necessitam de espaços para termos atividades mais estimulantes e motivadoras para os alunos. Assim, no ambiente escolar, “o espaço de arte deve ser o espaço de criação e conhecimento cultural” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 156). Uma sala é um espaço físico para os alunos produzirem e guardarem suas criações, além de materiais para a aula. O espaço é [...] algo dinâmico e unitário, onde se reúnem materialidade e ação humana. O espaço seria o conjunto indissociável de sistemas de objetos, naturais ou fabricados, e de sistemas de ações, deliberadas ou não. A cada época, novos objetos e novas ações vêm juntar-se às outras, modificando o todo, tantoformal quanto substancialmente (SANTOS, 2008, p. 46). 124 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE O espaço nem sempre precisa ser fechado, com paredes em todos os lados como uma sala tradicional, pode ser um espaço externo e aberto, aproveitando a própria natureza que existe ao redor da escola. Assim, a sala de arte pode ter marcas pessoais e estéticas, e se transformar em uma pequena sede cultural que guarda documentos, imagens, livros, objetos e a torna distinta de outros espaços impessoais, como ainda se vê em muitas escolas. E isto só é possível quando a instituição e o professor conseguem demonstrar a importância da sala ambiente e sua utilização como ateliê e oficina de arte (FERRAZ; FUSARI, 2009, p.157). Uma sala de artes que tenha mesas e cadeiras, onde os alunos ficam sentados em grupos, que tenha torneira e tanques para limpeza dos materiais seria ideal. Contudo, que também possam ser colocadas, coladas nas paredes algumas imagens como obras de arte, desenhos e pinturas dos alunos. Um espaço de organização dos materiais, secagem de produções artísticas, de visualidade estética, que promova aprendizagem e contato com diferentes imagens. FIGURA 37 – SALA AMBIENTE DE ARTES FONTE: <http://www.amocuritiba.com.br/acontece-em-curitiba/soma-abre-inscricoes-para- programa-de-residencias-artisticas.html>. Acesso em: 14 set. 2018. Os espaços de práticas artísticas retratam também a cultura visual, o cotidiano. A pintura e a escultura abrem espaços para outras possibilidades de trabalho e produção. Os alunos têm a possibilidade de participar trazendo imagens para refletir sobre o que veem, escutam e sentem, ou seja, sobre tudo que está ao seu redor, que faz parte da sua vida. A sala de arte precisa ser pensada como um espaço físico que pode oferecer vivências para a formação estética do aluno, um espaço de interação entre pessoas, objetos, materiais, promovendo um maior repertório imagético, TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 125 ampliando experiências estéticas. Um espaço diferenciado que vem proporcionar vivências/experiências, maneiras de ver, sentir e perceber o mundo ao seu redor. Também é importante destacar outros espaços de criações artísticas que podem ser as galerias, museus, espaços culturais em livrarias. FIGURA 38 – ESPAÇO ALTERNATIVO DE PRÁTICA ARTÍSTICA FONTE: A autora (2018) São espaços alternativos que podem promover a aprendizagem por meio de oficinas de artes e a comunidade em geral também participa. Os mais diversos espaços físicos influenciam diretamente na prática artística, no processo criativo dos alunos. Podem influenciar de maneira positiva, enfatizando o gosto pela arte, por aprender, desenvolvendo e aprimorando seus conhecimentos. No espaço, o professor orienta e organiza momentos e o aluno é produtor de arte e apreciador, estimulando os campos conceituais de arte (criação/produção; percepção/análise; conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade). O espaço, seja a sala de aula ou outro local, simula ser uma espécie de ateliê do próprio artista, fazendo com que o aluno seja, por um momento, o artista, criando e vivenciando sua produção, seu fazer artístico. Sabemos que muitas escolas não possuem um espaço físico específico para as aulas de artes, sendo que elas acontecem na própria sala de aula da turma. Assim, é importante que os professores de artes sejam criativos em desenvolver as práticas artísticas nos diferentes espaços disponíveis, outros lugares como galpão da escola, área aberta como um parque, ou mesmo visitação de algum lugar da cidade e/ou região. 126 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE É preciso possibilitar o conhecimento artístico, por exemplo: uma obra de arte exposta em algum lugar (arte urbana) para apreciação a fim de provocar a experiência, criando ambientes prazerosos que possibilitam realizar as atividades da melhor forma possível. 3 PROCESSO CRIATIVO O processo criativo está presente em todas as linguagens artísticas. Na escola, em especial nas aulas de artes visuais, o processo criativo do aluno está imbricado ao planejamento do professor, isto é, as criações artísticas são feitas pelos alunos a partir de conteúdos propostos em cada faixa etária, sendo que, raramente, as atividades são livres e sem direcionamento do professor. Assim, olhando para a linha do tempo, para a história da arte, muitos artistas eram considerados gênios em sua arte, apresentando um talento em suas criações, um dom, como muitos dizem. Tais artistas, muitas vezes, foram autodidatas, construindo seu processo criativo de maneira individual e não em espaços escolares. Podemos dizer que, na contemporaneidade, no momento atual que estamos vivendo, cada sujeito poderá desenvolver-se criativamente. O ser criativo é um processo contínuo, se aprende todos os dias, ao longo de toda a vida, em momentos da época escolar ou por conta própria, buscando aperfeiçoar-se em cursos ou autoestudos. O professor pode explorar conteúdos que vão além das artes clássicas e, assim, percorrer em novos caminhos que façam o processo criativo se desenvolver de maneira mais ousada, isto é, levar para a sala de aula obras de arte que mostrem outras manifestações artísticas, como a instalação, performance ou propostas de artistas atuais, artistas vivos que estão produzindo e expondo em galerias e museus. Contudo, é importante salientar o cuidado que o professor precisa ter em elaborar um planejamento, que proporcione experiências embasadas em conteúdos e atividades de artes com significado para o aluno. Para Pougy (2011), o desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá- los para que possam descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação, sua criatividade. É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações do fazer artístico, assim, a marca pessoal de cada aluno pode surgir através do predomínio de cores, formas, texturas ou outro elemento visual. Portanto, a criatividade é a capacidade ou habilidade humana de unir elementos díspares (imagens, sons, gestos, movimentos, ideias, conceitos e teorias) “estocados” no imaginário e na memória de quem cria. É a fonte de invenção artística, bem como científica e filosófica. Quanto mais repertório, mais “matéria-prima” de criação (POUGY, 2011, p. 67). TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 127 Assim, o aluno, para construir seu repertório imagético, cultural e criativo, necessita das seguintes ações na construção do seu conhecimento em sala de aula: A aprendizagem de fatos e conceitos envolve: analisar, interpretar, conhecer, explicar, descrever, comparar, relacionar, identificar, situar (no tempo e no espaço), reconhecer, classificar, recordar, inferir, generalizar etc.; A aprendizagem de procedimentos envolve: construir, simbolizar, representar, observar, experimentar, elaborar, manejar, compor, confeccionar, utilizar, simular, reconstruir, planejar etc.; A aprendizagem de atitudes, valores, normas envolve: apreciar, valorizar (positiva e negativamente), ser consciente de estar sensibilizado a sentir, a perceber-se, prestar atenção, deleitar-se com, brincar com, preferir etc. (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 129). As ações de aprendizagem instigam o aluno em seu processo criativo. Analisar, construir e apreciar se tornam indispensáveis em qualquer criação artística de todas as linguagens. Muitas vezes, o processo criativo não é contemplado nas aulas de artes devido a um planejamento fechado. Muitas vezes a aula não condiz com o desenvolvimento e interesse do aluno, bem como no seu processo de criação e, negando assim, as sugestõese situações que surgem no andamento das aulas pelos próprios alunos. A imagem a seguir mostra um processo criativo. O grupo de alunos descobriu uma nova composição artística a partir da sombra dos objetos. Os alunos projetaram a luz da lanterna do celular e observaram o contorno dos objetos projetados. Esta ação dos alunos não estava prevista no planejamento da aula do professor, a proposta era apenas fotografar cada personagem fazendo uma animação, assim, foi o próprio grupo de alunos que registrou a imagem, relatando o fazer artístico. FIGURA 39 – DESCOBRINDO SILHUETAS PELAS SOMBRAS PROJETADAS FONTE: A autora (2018) 128 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE Retomando propostas que contemplem as diferentes manifestações artísticas nas aulas de artes visuais, o processo criativo contempla os diferentes espaços de práticas artísticas. “Uma aprendizagem em arte só é significativa quando o objeto de conhecimento é a própria arte” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 9). O aluno que tem acesso aos espaços culturais, às exposições, aos espetáculos de música, às apresentações de dança e de teatro será instigado, provocado a pensar mais sobre a arte, contribuindo para um processo criativo que contemple um repertório cultural maior. Tudo faz parte do processo criativo e, como professor de arte, é preciso trazer reflexões sobre a criação do aluno, ou seja, analisar se a produção artística contém a sua expressão e cuidar com cópia de trabalhos já prontos. Outra contribuição significativa para o processo de aprendizagem criativa é proporcionar o contato do aluno com as galerias e museus virtuais, sendo que muitas escolas se localizam longe desses espaços. Atualmente, é possível explorar um espaço virtual de arte chamado Google Art Project, uma ferramenta que nos ajuda a conhecer e a visitar vários museus no mundo todo, simulando, muitas vezes, uma visita real. Acesse o link e descubra obras impressionantes de arte, aprimorando seus conhecimentos e seu processo criativo como professor. FONTE: <https:// artsandculture.google.com/asset/untitled/nwEWnMaur6L4jQ?hl=pt-BR>. Acesso em: 6 fev. 2018. UNI FIGURA 40 – ESPAÇO VIRTUAL DO GOOGLE ART PROJECT FONTE: <https://artsandculture.google.com/explore?hl=pt-BR>. Acesso em: 12 fev. 2019. TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 129 Ter conhecimento das diversas linguagens artísticas, das diferentes produções de diversos artistas permite ter outros modos de fazer e pensar arte, estimulando o processo criativo tanto do professor quanto dos alunos. Vamos conhecer mais uma proposta pedagógica que envolve criatividade. A partir de um estudo sobre moda na arte, surgiu a ideia de criação usando materiais diferentes. O exemplo a seguir foi criado por uma aluna que criou a partir de seu repertório imagético e do seu processo criativo. FIGURA 41 – TINGIR A CAMISETA COM TINTA FONTE: A autora (2018) A aluna criou um trabalho na aula de artes que proporcionou a experimentação de uma técnica que potencializou a sua marca pessoal por meio da cor e da forma. Segundo Pougy (2011, p. 72): A fim de estimular o estilo e a marca pessoal dos alunos, promova oficinas de percurso, momentos de experimentação e criação que podem constar regularmente no seu planejamento anual. Trata-se de deixar à disposição dos alunos pincéis, tintas, lápis, giz de cera, papéis, argila, instrumentos musicais, fantasias, marionetes, fantoches, etc., e de orientá-los a decidir como utilizá-los, se vão fazer o trabalho individualmente ou em grupo. Toda a arte desenvolvida pelos alunos não acontece de maneira estática, o poetizar, fruir e o conhecer se manifestam nas ações do fazer artístico, no ato de criar. Segundo Barbosa (1998, p. 18), "através da apreciação e da decodificação de trabalhos artísticos, desenvolvemos fluência, flexibilidade, elaboração e originalidade - processos básicos da criatividade". 130 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE Assim, é necessário que o professor de arte reflita sobre: quais são as referências artísticas que podem ser contextualizadas na aula de artes? Quais imagens, materiais visuais, gestuais e sonoros são relevantes para desenvolver o pensamento crítico e criativo dos alunos? De que maneira procedem as minhas escolhas enquanto professor? Tais escolhas estão motivando o processo criativo e a aprendizagem dos alunos? Pense sobre isto! O professor precisa ser o mediador entre os alunos e do conhecimento artístico, sendo importante: Escolher cuidadosamente as obras, levando em consideração o repertório dos aprendizes e o conteúdo curricular, tendo clareza da intenção da escolha que fez. É preciso cuidar da apresentação das obras, com boas reproduções. Em relação às artes visuais, cobrir texto e ilustrações que desviem o olhar é uma boa estratégia; Desafiar leituras com a mesma profundidade, tanto para os trabalhos de artistas como os de aprendizes; Promover o acesso a artistas vivos, contemporâneos, brasileiros, não só pintores, como também escultores, gravadores, músicos, compositores, bailarinos, atores; Estar consciente de que nem sempre a leitura da obra precisa gerar produções que a focalizam. Ela pode ampliar referências para outros trabalhos em um sentido mais amplo; Promover visitas aos museus e galerias, ruas, parques e praças, teatros, sala de concerto. São atividades especialmente provocantes, quando o caráter de passeio ou visita é transformado em expedição – artística, exploratória, científica – planejada anteriormente com os alunos (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 130). Uma atividade que é muito interessante para os alunos perceberem seu processo criativo e de aprendizagem é fazer um “Diário de bordo” (também é conhecido como “livro de memória artística”, “registro de experiências estéticas”). O diário se apresenta no formato de um caderno e o aluno ou o professor registram, a cada semana, as atividades e conceitos aprendidos. Ainda, é um material que também pode ter colagens de obras ou de exposições encontradas em revistas, de fotografias da turma ou outros registros que apresentem momentos de experiências artísticas. Também é um local no qual o aluno ou o professor possam realizar seus esboços, seus desenhos, suas criações e suas ideias, ou seja, o próprio processo criativo. TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 131 FIGURA 42 – EXEMPLOS DE REGISTROS NO DIÁRIO DE BORDO FONTE: <https://agorav4i.wordpress.com/tag/destrua-este-diario/>. Acesso em: 10 dez. 2018. Como exemplo de processo criativo ousado, vamos conhecer as obras do artista brasileiro Guto Lacaz (1948), que se aproximam desta abordagem, criando com humor e ironia suas obras. O documentário “As máquinas de Guto Lacaz”, do Arte na Escola, é um vídeo que mostra o artista em seu ateliê, produzindo e apresentando alguns trabalhos como instalações e performance. A produção do artista se dá através do design gráfico, criação de objetos do cotidiano e exploração das possibilidades tecnológicas na arte. FIGURA 43 – FRAGMENTO DO VÍDEO “AS MÁQUINAS DE GUTO LACAZ” – DVDTECA ARTE NA ESCOLA (2006) FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/catalogo/dvd/32/>. Acesso em: 15 set. 2018. 132 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE DICAS Podemos encontrar na internet os trabalhos do artista Guto Lacaz, sendo possível explorar um material educativo que se encontra no site arte na escola, que foi produzido a partir do vídeo das máquinas do Guto Lacaz. Acesse e aproveite as dicas. FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_pdf_32.pdf>. Acesso em: 6 fev. 2019. Outro material didático que apresenta um artista brasileiro é o DVDteca Arte naEscola. O documentário mostra a artista Leda Catunda (1961), chamado “Recortes de Leda Catunda”. O vídeo foi feito na casa-ateliê da artista, mostrando obras, materiais e seu processo criativo. A artista Leda Catunda explora texturas e superfícies de materiais industrializados, utilizando materiais como tecidos com referência aos elementos da natureza, visando despertar as sensações táteis. Suas obras apresentam o processo criativo a partir do uso de materiais populares, do cotidiano, criando até moldes com papel Kraft. DICAS Assista ao vídeo: “Recortes de Leda Catunda”. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=HY3ebDwkGgc>. Acesso em: 6 fev. 2019. FIGURA 44 – OBRA: CAMINHO DOM FLORES – 2005 – LEDA CATUNDA – COLAGEM FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/leda-catunda/#jp- carousel-8619>. Acesso em: 10 dez. 2018. TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 133 DICAS Sobre a artista, você encontra materiais nos seguintes links: <http:// artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/recortes_de_leda_catunda.pdf> e <https://www. historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/leda-catunda/>. Acesso em: 6 fev. 2019. E agora, vamos pensar? Como professor de arte que pretende desenvolver atividades abordando um projeto artístico, é necessário que se façam reflexões e análises constantes sobre: observar o processo de criação dos alunos, ou seja, perceber se foi semelhante uns dos outros ou teve destaques nas criações? No desenvolvimento da proposta pedagógica de artes, surgiram novas descobertas e possibilidades sobre o assunto que estudaram? Tais perguntas podem nortear as propostas pedagógicas em artes e, com elas, o surgimento de propostas inovadoras e um processo criativo que contemple a liberdade de expressão e o conhecimento artístico, cultural e estético. DICAS Aproveite e se inspire em um plano de aula que se encontra no site da nova escola. É possível desenvolver um projeto que explore as manifestações artísticas, o processo criativo, como o grafite em espaços não convencionais. Acesse o link! FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/7768/manifestacoes-artisticas-em-espacos- nao-convencionais>. Acesso em: 6 fev. 2019. 4 PROCESSO DE SUBJETIVIDADE A arte está na vida das pessoas, no cotidiano, e cada um se identifica, se sensibiliza de forma diferente, ou seja, cada ser humano tem empatia com alguma arte, com alguma manifestação artística. Assim, a arte é também subjetiva, sendo que as pessoas sentem e contemplam a arte de maneira distinta, gostam ou se opõem a ela, sendo diferentes as reações de pessoa para pessoa, e isto também acontece no espaço da sala de aula com imagens de obras de arte e/ou com imagens visuais do cotidiano. Assim, 134 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE o conhecimento em arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo no qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente as existências, que é preciso mudar referências a cada momento, ser reflexível. Isso quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é condição fundamental para aprender (BRASIL, 1997, p. 21). A atividade de desenho pode ser uma boa proposta para revelar a subjetividade das pessoas. Nos desenhos das “mochilas da vida”, os alunos do ensino médio realizaram, inicialmente, um desenho de observação de sua mochila/bolsa, analisando os detalhes. Após, o professor indagou sobre o que teria dentro da mochila, caso fosse aberta, o que sairia dela sobre cada aluno? Que escolhas, gostos, preferências, sonhos podem sair do objeto desenhado? FIGURA 45 – MOCHILAS DA VIDA FONTE: A autora (2018) O processo de subjetividade é expresso através do desenho de maneira particular e única, retrata os pensamentos e a visão de mundo. Na perspectiva, durante as aulas de artes, o processo criativo e subjetivo do próprio aluno se baseia em suas experiências e vivências, seu repertório imagético. Assim, quando o aluno realiza uma atividade artística, este vivencia a técnica ou o processo criativo de um determinado período de arte ou de artista. A composição abstrata a seguir foi desenvolvida por alunos do 3º ano do ensino fundamental. Os alunos estudaram a arte abstrata observando várias obras de diversos artistas. O processo de criação da prática artística é percebido como subjetivo, isto é, a subjetividade está na obra, na leitura e na contextualização de todas as obras de arte, seja figurativa ou abstrata, pois não é possível definir o que cada aluno estava sentindo e/ou pensando no momento de sua criação. O conceito de subjetividade está relacionado com o mundo interno de qualquer ser humano, através dos pensamentos e sentimentos. Assim, o subjetivo não é sinônimo de abstração. A subjetividade está na obra, na leitura e na contextualização de todas as obras de arte. TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 135 FONTE: A autora (2018) FIGURA 46 – COMPOSIÇÃO ABSTRATA COM USO DE GIZ DE CERA Portanto, a arte é subjetiva, e conteúdos de artes trabalhados em sala de aula sempre terão percepções e resultados diferentes, ou seja, uma subjetividade que se apresenta no fazer artístico do criador. A arte continua até hoje sendo indagada, questionada, pois o criador e o observador poderão ter respostas diferentes de um determinado objeto artístico, principalmente se tratando da compreensão da arte contemporânea. E assim, o que é arte e para que serve? FIGURA 47 – OBRA: O QUE É ARTE? PARA QUE SERVE?, DE PAULO BRUSCKY,1978. DOCUMENTAÇÃO DE AÇÃO DA IMPRESSÃO EM PAPEL FOTOGRÁFICO FOSCO, 40 CM 329 CM. NA IMAGEM, UMA DAS QUATRO FOTOGRAFIAS EXPOSTAS NA 29ª BIENAL DE ARTE DE SÃO PAULO, EM 2010 FONTE: <https://bombmagazine.org/articles/paulo-bruscky/>. Acesso em: 29 set. 2018. 136 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE Na obra do artista Paulo Bruscky percebemos o que é arte e para que serve, de uma maneira crítica e subjetiva. Cada espectador, ao olhar a produção, terá uma resposta, um questionamento, uma reflexão. O artista iniciou sua carreira publicando desenhos em jornais e depois estudou jornalismo. Sua arte indaga sobre informação, protesto e denúncia. DICAS Leia “O livro de arte para criança”, da editora artmed, escrito por Amanda Renshaw, em 2006. No livro encontramos 30 artistas que apresentam um pouco das obras de arte. Muitas obras são pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, instalações que exploram a imaginação e a criatividade das crianças através da análise de cores, formas e texturas. TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 137 LEITURA COMPLEMENTAR Este plano de aula foi elaborado por participantes do programa Educonexão, que forma professores para o uso de tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem. Disciplinas/Áreas do Conhecimento: • Linguagem Oral e Escrita; Linguagem Corporal; Linguagem Artística. Competência(s)/Objetivo(s) de Aprendizagem • Interagir com as diferentes linguagens, incluindo registros verbais e não verbais. • Perceber relações entre o tema e seu cotidiano. • Desenvolver a sensibilidade, a curiosidade e o gosto pela arte. • Ampliar os conhecimentos gerais sobre o assunto. • Participar das atividades artísticas baseadas nas obras estudadas. Conteúdos: • Obras de arte de Portinari. • Brinquedos e brincadeiras. • Múltiplas linguagens. Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais O filme pode ser encontrado no YouTube, por meio do seguinte link: <https://youtu.be/BTs5i3PIp6I>. A biografia de Cândido Portinari segue no link: <https://pt.wikipedia.org/ wiki/Candido_Portinari>. É possível ao educador,também, consultar o link: <www.portinari.org. br/> –Projeto Portinari – para saber mais de sua vida e obra. A canção “Loja do Mestre André”, da turma Galinha Pitadinha, apresenta os diferentes tipos de instrumentos musicais que podem ser explorados de forma lúdica com a vida e obra de Portinari. A canção pode ser encontrada no link: <https://youtu.be/j0Q7MG3kZ0o>. O livro literário Encontro com Portinari também pode ser adquirido pelo link: <www.saraiva.com.br/encontro-com-portinari-5-ed-2001-brochura-3987>. 138 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE História de Cândido Portinari Sinopse: A biografia de Portinari encontra-se em forma de documentário, com linguagem clara e objetiva para Educação Infantil. A obra de Portinari foi intensa e diversificada. Pintou diferentes temas: tipos regionais do Brasil, como cangaceiros e índios; retratos; músicos; o homem do campo; e, principalmente, crianças. Portinari adorava pintar crianças brincando, e dizia: "Sabem por que eu pinto tanto menino em gangorra e balanço? Para botá-los no ar, feito anjos”. Crianças brincando em mangueiras frondosas ou participantes de "peladas" de futebol e de festas de São João, trazendo a lembrança da vida rural. A criança, agrupada em bandos, é apresentada com roupas claras e rústicas, geralmente em movimento, com gestos largos ou de posse de brinquedos manufaturados. Espantalhos, pipas, luas e estrelas são elementos recorrentes que refletem o apego à cultura rural e à paisagem do interior. O universo infantil é povoado de elementos lúdicos, como brinquedos, brincadeiras e jogos: “Nossos brinquedos eram variados, conforme o mês, e também existiam os para o dia e os para a noite”. Para o dia eram: gude, pião, arco, avião, papagaio, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol. Para a noite: pique, barra-manteiga, pulando carniça etc. Ficha técnica: Título: História de Portinari Gênero: Documentário Duração: 4:38 min. Publicado por: Ines Braitt Classificação: Livre Ano/País de Produção: Publicado em: 26 dez. 2012/Brasil. Proposta de Trabalho 1ª Etapa: Exibição do Filme Antes de iniciar o trabalho, consulte os links sugeridos na aba “Para organizar o trabalho e saber mais”. O documentário disponível no link 1, na aba Para organizar o trabalho e saber mais, pode ser apresentado às crianças durante um projeto de trabalho na Educação Infantil e/ou como forma de apresentar um artista que adorava pintar crianças brincando. É curto e objetivo, o que facilita a compreensão pelas crianças e as atrai pelo fato de conter elementos lúdicos como brinquedos e brincadeiras. 2ª Etapa: Debate sobre o filme Após a exibição, converse com as crianças sobre as primeiras impressões que tiveram. Proponha que comparem a relação das brincadeiras contidas nas TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 139 obras de Portinari com as brincadeiras do cotidiano. Para suscitar o debate é interessante retomar com o grupo: • Quem era Cândido Portinari? • Quais obras pintadas por ele que eles mais gostaram? Por quê? • Que brincadeiras aparecem na biografia que eles desconhecem? • Por que Portinari gostava de desenhar crianças brincando? • Do que Portinari tinha medo? Por quê? Elucidar tais questões auxiliará as crianças a compreenderem as diversas obras pintadas pelo artista contidas no documentário e a relação entre os brinquedos e brincadeiras de antigamente com os brinquedos e brincadeiras da atualidade. É necessário, também, expor a questão do medo tão presente na vida do pintor que visivelmente era retrato em suas obras. É uma boa oportunidade para o professor ater-se aos desenhos das crianças de forma reflexiva e preventiva. 140 UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE 3º Etapa: Desenvolvimento das múltiplas linguagens Durante o trabalho com a obra de Portinari o professor poderá auxiliar os alunos a desenvolverem diversas linguagens: Linguagem oral – conversa informal sobre a vida e a obra do artista, roda de músicas, roda de conversa após realizarem o “Roteiro para o olhar” definido por Robert William Ott. Para a leitura das imagens, existem diferentes métodos, mas o abordado neste projeto será o roteiro criado pelo pesquisador norte-americano Robert William Ott. Ele criou o roteiro para treinar o olhar sobre obras de arte. Roteiro para o olhar (Robert William Ott) 1) Descrever Para aproveitar tudo o que uma imagem pode oferecer, os olhos precisam percorrer o objeto de estudo com atenção. Mostre a imagem e dê um tempo para que a criança a observe cuidadosamente. Em sala de aula, peça para que as crianças descrevam o que veem. A partir do exercício de ver, elas poderão, posteriormente, identificar e interpretar os detalhes visuais. 2) Analisar É hora de perceber os detalhes. As perguntas feitas pelo professor devem ter por objetivo estimular o aluno a prestar atenção na linguagem visual, com seus elementos, texturas, dimensões, materiais, suportes e técnicas. 3) Interpretar A partir das ideias colocadas pelos alunos, o professor poderá aproveitá- las para as possibilidades pedagógicas. Liste-as e eleja, com as crianças, as que correspondem aos objetivos de ensino. Todos devem ter espaço para expressar as próprias interpretações, bem como sentimentos e emoções. Mostre outras manifestações visuais que tratem do mesmo tema e estimule comparações (cores, formas, linhas, texturas, organização espacial etc.). 4) Fundamentar Com as questões definidas que balizarão o trabalho, é tarefa do aluno buscar respostas. Elabore, junto com eles, uma lista com os aspectos que provocam curiosidade sobre a obra, o autor, o processo de criação, a época etc. De acordo com a faixa etária, os interesses e o nível de conhecimento da classe, ofereça textos de diversas áreas do conhecimento para pesquisa e indique bibliografia e sites para consulta. TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO 141 5) Revelar Com tantas novidades e aprendizados, a criança certamente estará estimulada a produzir. Discuta com todas como gostariam de expor suas ideias. Quais são e como comunicá-las? É hora de criar por meio do desenho, encorajar a atividade criadora em grupo, experimentar com representações em três dimensões, investigar materiais plásticos, formas, cores, texturas e linhas, exercitar as habilidades para recorte, colagem, modelagem, pintura etc. Linguagem Artística: Aproveite para introduzir os conceitos de cores primárias, secundárias e terciárias (experiência com as cores), a releitura e reprodução das obras por meio de diferentes recursos didáticos e solicitar que criem diferentes instrumentos musicais recicláveis etc. Linguagem Musical: Apresente os diferentes instrumentos musicais e proponha que relacionem com a obra que Portinari pintou de seu pai Batista tocando um instrumento. Vocês podem brincar com os instrumentos construídos com materiais recicláveis e cantar a música: loja do mestre André (Galinha Pitadinha), disponível no link 4, na aba Para organizar seu trabalho e saber mais, além de buscar na internet outras músicas etc. Linguagem Corporal: Crie, com os alunos, danças ou peças de teatro com movimentos curtos e amplos. Linguagem Escrita: Escrita de lista coletiva ou individual com os nomes das brincadeiras citadas na obra e/ou outras citadas por eles. Pode pedir que realizem pesquisas sobre os instrumentos musicais e o histórico sobre o Café no Brasil, por exemplo. Linguagem Lógica da Matemática: Construa a linha do tempo com as crianças sobre a criação das obras até os dias de hoje, adição e subtração em relação à data de nascimento e morte do pintor, conceitos de igual e diferente. 4º Etapa: Construindo um vídeo Faça umvídeo com o aplicativo Viva Vídeo sobre a releitura das obras de Portinari com as crianças brincando ou por meio das produções artísticas delas. Plano de aula: Leila de Fátima Soares e Rosa Maria Matos de Lima da Silva. E-mail: <rosa_mmls@hotmail.com>. Edição final: Portal NET Educação FONTE: SOARES, Leila de Fátima; SILVA, Rosa Maria Matos de Lima da. Artes plásticas: encontro com Portinari. 2018. Disponível em: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/ para-ensinar/planos-de-aula/artes-plasticas-encontro-com-portinari./>. Acesso em: 10 set. 2018. 142 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O espaço é algo dinâmico e unitário, onde se reúnem materialidade e ação humana. O espaço é o conjunto indissociável de sistemas de objetos, naturais ou fabricados, e de sistemas de ações, deliberadas ou não. • As práticas artísticas necessitam de espaços para serem desenvolvidas. As atividades podem ser estimulantes e motivadoras, fazendo os alunos vivenciarem experiências práticas na elaboração de projetos de artes. • O processo criativo acontece pelas vivências e experiências adquiridas nos vários espaços, como na escola, museus, galerias, teatros, espaços virtuais etc. • O desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-los para que possam descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação, estimulando sua criatividade. • É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações do fazer artístico, assim, a marca pessoal de cada aluno pode surgir através do predomínio de cores, formas, texturas ou outro elemento visual. • A fim de estimular o estilo e a marca pessoal dos alunos, o professor de arte precisa promover oficinas de percurso, momento de experimentação e criação que podem constar regularmente no planejamento anual. • A arte é subjetiva. Os conteúdos de artes trabalhados em sala de aula sempre terão percepções diferentes, uma subjetividade que se apresenta no fazer artístico do criador. 143 1 Sobre o processo criativo, analise os itens a seguir: I- O processo criativo se dá no sujeito pelas vivências e experiências adquiridas em um único espaço. II- O processo criativo se dá no sujeito pelas vivências e experiências adquiridas nos vários espaços. III- É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações do fazer artístico. IV- O desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-los para que possam descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação. Estão CORRETOS: a) Os itens I e II. b) Os itens I e III. c) Os itens I, III e IV. d) Os itens II, III e IV. 2 Sob a perspectiva de Martins, Picosque e Guerra (2010), responda à questão correta: a) Escolher cuidadosamente as obras, levando em consideração o repertório dos aprendizes e o conteúdo curricular. b) Estar consciente de que sempre a leitura da obra de arte precisa gerar produções que a focalizam. c) Promover visitas aos museus e galerias apenas de maneira presencial, levando os alunos até os locais. d) Não é preciso cuidar da apresentação das obras e nem observar o repertório dos aprendizes. 3 Segundo Pougy (2011), referente ao conceito da criatividade, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: Criatividade é a capacidade ou habilidade humana de unir elementos díspares (imagens, sons, gestos, movimentos, ideias, conceitos e teorias) “estocados” no ________________ e na memória de quem cria. É a fonte de invenção artística, bem como ___________ e filosófica. Quanto mais repertório, mais “matéria- prima” de criação. a) imaginário – científica b) cérebro – física c) imaginário – cotidiana d) fazer – científica AUTOATIVIDADE 144 145 UNIDADE 3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de: ● conhecer as propostas pedagógicas atuais em Artes; ● conhecer sobre a cultura visual e possíveis propostas pedagógicas; ● identificar as ferramentas e materiais que são utilizados nas aulas de Artes. Esta unidade de estudos será apresentada em três tópicos. Em cada um deles, você encontrará, ao final dos tópicos, resumo e autoatividade para o auxílio na compreensão dos conteúdos estudados. TÓPICO 1 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES TÓPICO 2 – CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS TÓPICO 3 – PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES 146 147 TÓPICO 1 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste primeiro tópico serão abordadas as propostas pedagógicas atuais em arte, trazendo sugestões de atividades para a Educação Básica, ou seja, desde a educação infantil até o ensino médio. As atividades serão explanadas com exemplos práticos, enfatizando os campos conceituais da arte, do ler, contextualizar e fazer artístico. As propostas pedagógicas de arte envolvem momentos de experiência, de criação, de sensibilização, de interação com a obra, com o espaço e com o outro. Assim, também se faz necessário planejar propostas pedagógicas inclusivas para as aulas de artes, fazendo com que os alunos vivenciem as diversas manifestações artísticas e tenham oportunidades de conhecer e respeitar as diferenças. Também serão abordadas as metodologias de ensino e aprendizagem, considerando a sociointeracionista, que é a tendência atual do ensino de arte, em que as aulas acontecem através dos campos conceituais do ler, contextualizar e fazer artístico. Na metodologia, o professor se torna mediador em sala de aula. 2 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DE ARTES NA EDUCAÇÃO BÁSICA As propostas pedagógicas de artes na educação básica devem ser apresentadas aos alunos através de planejamentos que possam enfatizar conceitos, períodos de arte, ou mostrando artistas e suas obras através dos campos conceituais da arte (fazer, ler e contextualizar). Na exploração de uma proposta é preciso ter um planejamento que contenha todas as ações, todas as atividades e objetivos que desejamos atingir com determinada turma de alunos, enfatizando os campos conceituais da arte. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 148 Assim, a mediação do professor é essencial para os procedimentos artísticos realizados em sala de aula com os alunos. Como professor de arte, observe os alunos, a faixa etária atendida e planeje temas adequados, que atendam a todos os alunos. Como exemplo na educação infantil, a escolha das temáticas remete ao mundo da fantasia, com atividades que exploram as brincadeiras, as histórias, os temas como família, natureza, cotidiano etc. Portanto, propostas pedagógicas de artes devem envolver momentos de experiência, de criação e de interação com a obra e com tudo que faz parte dela. Martins, Picosque e Guerra (2010) nos trazem sobre a palavra interação, que se faz necessária em um planejamento ou projeto de escola, pois é na interação com o outro que se constrói conhecimento, a interação do aluno com as linguagens da arte, o seu contato direto. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte (1997, p. 25) mencionam que a interação envolve: A experiência de fazer formas artísticas e tudo o que entra em jogo na ação criadora: recursos pessoais, habilidades, pesquisa de materiais e técnicas, a relação entre perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte. A experiência de fruir formas artísticas, utilizando informações e qualidades perceptivas e imaginativas para estabelecer um contato, uma conversa em que as formas signifiquem coisas diferentes para cada pessoa. A experiência de refletir sobre a arte como objeto de conhecimento. Importam dados sobre a cultura em que o trabalho artístico foi realizado, a história da arte e os elementos e princípios formais que constituem a produção artística, tanto de artistas quanto dospróprios alunos. Assim, a interação em sala de aula se torna importante entre professor e os alunos para terem os momentos de experiência através dos campos conceituais da arte, do fazer, fruir e refletir. Tais experiências podem ser contempladas com propostas pedagógicas que proporcionem a criação artística, com interação entre os alunos, professores e comunidade, trazendo uma aprendizagem significativa. A criação artística envolve aprendizagem. Todo fazedor de arte se forma trabalhando em processos de criação, com as informações, deformações e formações que os atos de criação propõem durante a procura incansável de uma poética pessoal de tal forma que, enquanto a obra se faz, se inventa o seu próprio modo de fazer (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 192). Para tanto, as experiências artísticas que são planejadas no ensino de artes ampliam o olhar do aluno, seu pensamento criativo e imagético, e assim, seu próprio percurso artístico, o seu fazer com marcas pessoais e tudo isso acontece por um processo, um percurso no qual surgem ideias e muita invenção, não tendo lugar para o permanente. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 149 A processualidade se faz no percurso e no modo como o percurso é percorrido. Nas condições, professor e aprendizes vivem uma vida pedagógica que poderíamos nomear de nômade, porque não há lugar para ideias de permanência ou estabilidade. Ou seja, o aprender- ensinar deixa de ser tarefa entediante de execução e reprodução de saberes para vir a ser um ato de investigação, de invenção (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 201). Propostas pedagógicas em artes podem ser planejadas e executadas por meio de conexões transdisciplinares, isto é, organizando um mapa conceitual ou uma cartografia com intenções, fazendo conexões entre os conteúdos e até com outras áreas do conhecimento. Assim, conteúdos e conceitos de arte podem ser relacionados com outras áreas do conhecimento, como estudar o período de arte rupestre nas aulas de artes junto com as disciplinas de história e geografia, cartografando e mapeando outros caminhos de aprendizagem. Cartografar seu próprio fazer pedagógico, como um professor- propositor, é elevar-se à condição de criador dos próprios percursos de aprendizagem junto aos alunos, de tecer a coautoria do seu pensar/ fazer pedagógico com escolha de caminhos que possam abrigar e expressar também os desejos de seus alunos (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 195). Assim, desenvolver planejamentos através de uma cartografia, de um mapa conceitual com ações possíveis, mas não fixas e únicas, de maneira que não sejam ideias permanentes, são possibilidades. O professor precisa estar aberto ao diálogo, à aceitação do novo e sujeito a mudanças de percurso, de caminhos a seguir nas ações da sala de aula. O professor planeja os conteúdos para sua turma, organiza as propostas pedagógicas e precisa estar disposto a abrigar outras sugestões dos próprios alunos no percorrer das aulas de artes. Na figura a seguir, temos um exemplo de mapa conceitual que trata dos caminhos que a arte percorreu por meio dos movimentos artísticos, trazendo rupturas históricas através da ciência, tecnologia e, ainda, as influências do patrimônio histórico da humanidade. Os mapas conceituais são utilizados para registrar os principais conceitos de determinado tema e, assim, de maneira visual é mais fácil entender o assunto a ser estudado. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 150 FIGURA 1 – EXEMPLO DE UM MAPA CONCEITUAL DE ARTE FONTE: <https://photos1.blogger.com/blogger/6659/3207/1600/Noemicursop%3F%3Fs%20 -%20Arte%20e%20Tecnologia2.1.jpg>. Acesso em: 20 out. 2018. Com o exemplo de mapa conceitual ilustrado anteriormente, você, acadêmico e futuro professor, poderá organizar seu planejamento através de anotações simples. É uma atividade que instigará seus conhecimentos na área artística, fazendo ligações por meio de conceitos, obras e artistas de uma maneira clara e objetiva. DICAS Caro acadêmico! Tente desenvolver um mapa conceitual de arte organizando as ações/conteúdos que deseja aplicar em uma turma de alunos. Escolha um tema e faça o exercício. A seguir, conheça várias propostas pedagógicas de artes para a educação básica que irão enfatizar os campos conceituais da arte no planejamento e nas ações das aulas. • Pensando na educação infantil As propostas pedagógicas de artes na educação infantil são planejadas a partir dos vários estímulos que as crianças necessitam por meio das experiências que as linguagens artísticas possibilitam. O professor de arte interage e faz TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 151 mediação a partir das propostas, incentivando a criança em suas diversas formas de expressão. Esta adquire seus conhecimentos em arte, desenvolve o pensamento criativo e estético, além da formação afetiva, social e intelectual. Como professor de arte, é importante ter o cuidado de não fazer comparações entre os alunos ou selecionar trabalhos que valorizam apenas os que se destacaram em suas produções artísticas. Todas as crianças têm condições de se expressar através das linguagens visuais: cada uma do seu jeito, com seu ritmo, deixando suas próprias marcas e, por isso, devem ter suas produções artísticas respeitadas e valorizadas (BRASIL, 2006). Na educação infantil, é preciso analisar as atividades apresentadas para cada faixa etária, ou seja, não realizar atividades muito complexas em que as crianças terão dificuldade de realização e compreensão. Assim, é interessante desenvolver propostas pedagógicas que utilizem materiais como o giz de cera, tintas atóxicas, colagem de papéis, rasgadura de papéis, modelagem com massinha etc. Quando realizar atividades em grupo, desenvolver a proposta envolvendo todos os alunos, podendo ser um aluno de cada vez, desde que todos participem do processo de criação coletiva. A arte na educação infantil contribui para o desenvolvimento da criança, e as emoções são reveladas através do fazer artístico dos desenhos, das pinturas, das colagens ou de modelagens. Na educação infantil é preciso o equilíbrio nas propostas pedagógicas, isto é, deixar as crianças terem momentos de trabalhos/ desenhos livres, mas também com atividades que sejam mediadas a partir da inspiração em conceitos artísticos e/ou obras de arte. Cada criança cria sua arte, manifesta suas marcas, seus gostos em seu fazer artístico. As crianças têm acesso à arte desde pequenas, muitas vezes não intencional, por meio das músicas cantadas pelos familiares, dos desenhos, das brincadeiras, dos vídeos, dos jogos, das contações de estórias, e vivenciam cores, formas ou traços sem saber identificá-los. Por meio de diálogos, apresentação de imagens e análise de ilustrações (reproduções gráficas), objetos etc., e usando uma linguagem acessível, é possível explicar às crianças de todas as idades as técnicas, o jeito de ver o mundo e (se for o caso) as maneiras de que se valem os artistas para produzi-las (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 179). O lúdico e a fantasia fazem parte das aulas de artes. Propostas pedagógicas podem contemplar tais momentos com as crianças através da criação artística. Assim, é possível verificar o processo criativo expresso no desenho pelos sentimentos compartilhados oralmente pela criança. Muitas vezes, após a criação dos desenhos, quando o professor estimula a apresentação oral, as crianças costumam dialogar com as suas criações e, é no momento, que elas usam sua imaginação e fantasia para explicar e falar sobre a sua produção. Assim, “o fazer e a apreciação em cada uma das linguagens artísticas devem estar ligados a atividades criativas e lúdicas” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 172). UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 152 Na educação infantil, o ensino de arte oferecemomentos de descobertas através de experiências e vivências com atividades que utilizam materiais como tintas, pincéis, massa de modelar, giz, lápis, pois são muito atraentes para as crianças pequenas. Por meio do manuseio de tais materiais é possível desenvolver percepções sensíveis. Nas crianças, desde bebês, a sensibilidade de cores, formas, sons e movimentos é bem nítida e está sempre presente [...]. Todos, indistintamente, são perfeitamente capazes de selecionar formas e objetos que são prazerosos e que mais atraem (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 172). Na educação infantil os elementos da linguagem visual podem ser muito explorados em diversas atividades. Pensar em propostas pedagógicas, que contemplam o uso de cores e suas misturas, pode ocasionar a experiência da transformação das cores. Lembrar que, ao trabalhar uma atividade artística com as crianças pequenas, sempre é bom trazer um exemplo, uma prática já desenvolvida. Isto não quer dizer que exemplos sejam modelos para serem seguidos e sim, tornam-se uma ampliação do repertório visual através de cores, formas, linhas, expressões. Como professor de arte é necessário também apresentar uma variedade de imagens do cotidiano, de obras de arte, além de oportunizar a exploração de elementos visuais, pois ajudam a criança na sua inicial formação estética artística. Antes dos 3 anos a criança já sabe o que é desenhar, pintar, cantar, dançar e tais conceitos constituem-se no primeiro repertório de arte. Da idade em diante, nota-se que elas também sabem manifestar opiniões estéticas de gostar, desgostar, achar bonito, feio. Nós, professores, é que devemos saber como dar continuidade a esse início de formação artística e estética (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 173). Portanto, ao explorarmos atividades que usam diferentes técnicas como pintura, colagem e gravura, podemos perceber o uso de cores, formas e texturas. Assim com a busca de uma construção formal por meio de recortes, rasgos e junções, os educandos exercitam o olhar, a coordenação motora e vivenciam suas composições. O percurso individual de cada criança ficará evidente quando o docente tiver clareza das ações que foram utilizadas nas atividades de perceber, expressar e comunicar as formas visivas (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 178). Outro aspecto a se destacar nas aulas de artes na educação infantil são os estímulos às expressões e sensações. A pintura com tintas, utilizando pincéis, é uma técnica que permite observar os sentimentos e as expressões das crianças em suas criações. A seguir serão apresentadas sugestões de diversas atividades que podem ser aplicadas na educação infantil considerando conceitos artísticos. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 153 • Objetivos: - Conhecer materiais diversos. - Conhecer e manipular suportes e agentes gráficos. - Explorar diversas texturas. - Adquirir habilidades com materiais diversos. - Aprender técnicas variadas de pintura e impressão. • Atividades: Apresentar o papel sulfite e o que se pode fazer com a folha de papel: abanar, dobrar, proteger, acenar, usar para banho, lavar, torcer, tocar música, fazer um chapéu etc. Apresentar diversos tipos de papéis para perceber a textura, o barulho que cada um faz e identificar as sensações. Transformar o papel em um objeto. Motivar através de uma história e concluir colocando o objeto criado. Criar desenhos a partir de histórias contadas. Usar a folha sulfite branca e dar uma forma colorida usando tinta. Dobrar o papel e ver a imagem que forma. Montar uma imagem com os papéis usados. Criar gravuras na areia, farinha etc. com a própria mão ou utilizando palitos. Transportar a areia ou similar para o papel. Desenhar com giz de lousa no chão (formas figurativas geométricas etc.). Criar brincadeiras e jogos com os desenhos. Pintar com giz de cera as cores primárias no papel kraft. Desenhar com giz de cera no papel sulfite branco, colorido, camurça, crepon. Comparar as diferenças. Pintar as cores primárias com diferentes brochinhas sobre o papel. Pintar com os dedos, fazendo representações no papel. Pintar com cola colorida em papéis diversos. Rasgadura de papel com a mão, de diferentes formas, e colar no papel branco. Contornar a mão na folha sulfite e colar papel colorido fazendo um mosaico. Criar formas com diferentes papéis utilizando várias técnicas como: dobraduras, recortes, colagens. Misturar as cores usando cola colorida sobre o papel branco. Colar materiais diversos (semente, algodão, palitos, botões, folhas, barbantes) em papéis diferentes. Modelar com massa própria e/ou argila. Estampar com carimbos feitos com legumes. Carimbar com materiais como algodão, pedações de madeira etc. Pintar usando cotonetes. Criar a técnica da monotipia utilizando a matriz no azulejo e impressão no papel. Imprimir com rolinhos de espuma, formando desenhos abstratos. Pintar utilizando barbantes. Criar desenhos e pinturas em painel coletivo explorando formas, linhas e cores. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 154 Todas as atividades que foram apresentadas no planejamento de artes devem ser pensadas de maneira contextualizada, isto é, quando realizar uma pintura na tela, dependendo do mês da atividade que ela será aplicada, podemos trabalhar a mistura de cores, o gênero da natureza morta (desenhando flores) e até realizar a pintura para, posteriormente, presentear em alguma data comemorativa. Assim é necessário realizar as propostas pedagógicas através dos campos conceituais da arte, ou seja, do ler, do contextualizar e do fazer artístico. Na imagem a seguir, encontra-se um exemplo de atividade lúdica, que explora um jogo de equilíbrio, de coordenação, de atenção, de observação entre a cor da parede com o chão. O aluno precisa ligar seu corpo com as cores. FIGURA 2 – JOGO DO CORPO E DAS CORES FONTE: <http://www.criandocomapego.com/60-jogos-educativos-para-ensinar-as-cores-as- criancas/o-corpo-e-as-cores/>. Acesso em: 20 out. 2018. Atividades que trazem o jogo e a brincadeira abrem novas possibilidades de conhecimento aos alunos. Assim, é importante criar jogos que enfatizam elementos visuais. Um jogo como o quebra-cabeça, por exemplo, revela imagens de obras de arte, também é boa opção para garantir uma aula de arte interessante e com muita aprendizagem. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 155 DICAS Caro acadêmico! Aproveite e baixe o aplicativo “Pinterest” em seu celular ou acesse pelo computador a página virtual. O espaço contempla muitas atividades artísticas que podem inspirar as suas propostas pedagógicas como professor de artes! Lembre-se dos campos conceituais da arte em cada atividade realizada. Acesse: <https://br.pinterest.com/ explore/atividades-de-artes-visuais/>. A releitura também é uma proposta pedagógica em artes que é feita por meio de uma nova interpretação, mantendo o tema original da imagem. Assim, a releitura não é fazer uma cópia do que já está criado, mas é ler novamente a imagem escolhida através de um novo contexto, realizar a compreensão da obra e criar uma produção artística, um novo trabalho, ou seja, desenvolver uma nova criação. Na releitura não é necessário utilizar a mesma técnica usada pelo artista na obra original, desta forma, deve-se exercitar a criatividade. • Proposta prática: dobradura do barco – releitura da obra do artista Alfredo Volpi Trazer a obra intitulada “Barco com bandeiras e pássaros” do artista Alfredo Volpi e instigar as crianças a observarem e falarem oralmente sobre o que elas estão vendo, como observam as cores, as formas, as figuras, ou seja, explorar os signos visuais da imagem. FIGURA 3 – OBRA BARCO COM BANDEIRINHAS E PÁSSAROS (1950), DE ALFREDO VOLPI. TÊMPERA SOBRE TELA, 54.20 CM X 73.00 CM, COLEÇÃO MUSEU DEFONTE: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1783/barco-com-bandeirinhas-e-passaros>. Acesso em: 17 out. 2018. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 156 ● Como professor, levar uma folha A3 e realizar a dobradura do barco com todas as crianças visualizando o fazer artístico, o passo a passo da dobradura. O professor fará apenas uma dobradura maior para, assim, todos compreenderem e visualizarem o barco de papel. ● Em um passe de mágica, lembrando de maneira lúdica, retirar, de uma caixa ou bolsa, vários barcos menores já feitos antes, pois na idade como o maternal (2-3 anos) e jardim (4 anos), as crianças ainda não conseguem fazer as dobraduras sozinhas. ● Cada criança retira o seu barco da caixa mágica e decora sua dobradura, pintando, desenhando e fazendo também colagem de bandeirinhas. ● A exposição deve ser montada com todas as crianças participando, levando seu barco no espaço proposto pelo professor. ● Realizar uma conversa informal, olhando a obra do artista com o resultado dos barcos das crianças, fazendo relações, observando as semelhanças com a produção do artista Alfredo Volpi. ● Criar uma exposição com os trabalhos dos alunos. Pode ser feita em forma de instalação ou sobre alguma base. FIGURA 4 – EXPOSIÇÃO DOS BARCOS DE PAPEL FONTE: A autora (2018) • Proposta prática: Obra Viva – interpretando uma obra de arte ● Inicie a conversa com os alunos sobre uma folha de papel A3: que cor é a folha que a professora tem? Ela está na horizontal e/ou vertical? (de maneira lúdica, conversar que horizontal lembra de deitado e vertical é estar de pé, assim, podemos pedir para as crianças que fiquem de pé ou deitem-se, mostrando a folha nas posições como se fosse uma brincadeira). TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 157 ● Nesta atividade, a folha A3 será utilizada para fazer uma dobradura do chapéu. Nos passos da dobradura aparecerá a forma triângulo que poderá ser enfatizada, e assim, mostrando aos alunos o passo a passo. ● Traga as dobraduras de chapéu já prontas para, assim, cada criança receber o seu chapéu de papel. Lembrando que crianças de 2, 3 e 4 anos ainda não conseguem realizar as suas dobraduras. ● Brinque com o chapéu de papel, instigando as crianças sobre quem usa, para que serve o chapéu, quem tem o chapéu em casa. Provavelmente algumas crianças irão lembrar do chapéu, que é cantado na música marcha soldado. ● Cante a música: “Marcha soldado”, caminhando pela sala, em fila com os alunos, segurando o chapéu sobre a cabeça, brincando de maneira lúdica. ● Mostre a obra “Menino com pião” e instigue os alunos a pensarem sobre a imagem: o que aparece na imagem? O menino está triste ou alegre? Está em pé ou sentado? Quais objetos aparecem na imagem? O que ele está segurando? Está de chapéu? Como é o chapéu? FIGURA 5 – OBRA MENINO COM PIÃO (1947) DO ARTISTA CANDIDO PORTINARI FONTE: <https://www.arteeeducacao.net/candido-portinari---httpwww/menino-com- piao---1947---.html>. Acesso em: 17 out. 2018. ● Peça às crianças para escolherem um brinquedo de que gostam, um brinquedo da escola. ● Chame cada criança com seu brinquedo e seu chapéu e peça para encenar, sentar na cadeira e observar seu brinquedo. Registre a cena com uma câmera fotográfica (pode ser a do celular). ● Sugestão: com as fotos feitas, é possível editá-las, alterando a cor da imagem para representar, da forma mais parecida possível, a obra de arte. Após, faça uma exposição das fotografias. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 158 As atividades que foram citadas trazem um pouco do conceito de ressignificação, isto é, um elemento muito importante para o processo criativo. Ressignificar uma imagem, uma obra de arte é poder atribuir novos significados, dependendo do contexto que os alunos estão vivenciando. DICAS Livro: A rainha das cores (2003). A autora do livro é Jutta Bauer, que realizou ilustrações com giz de cera, publicado pela editora Cosac Naify e premiado na Alemanha. Um livro infantil que mostra as cores, enfatizando os diferentes momentos que passamos em nossas vidas, como a tristeza e a alegria. O livro convida para uma reflexão por meio das cores, como ficar vermelho de raiva ou cinza de triste. Podemos encontrar o livro na íntegra no site a seguir. FONTE:<https://pt.slideshare.net/cruchinho/a-rainha-das-cores-100441683?from_action =save>. Acesso em: 12 fev. 2019. • Ensino fundamental No ensino fundamental, o atendimento dos alunos é do 1º ao 9º ano, sendo que o percurso de criação pessoal só é desenvolvido através de uma variedade de experiências artísticas que consideram a observação e a análise das diferentes imagens e obras de arte, bem como o estudo de conceitos e de contato com as linguagens artísticas. Assim, o professor é o responsável nas escolhas de conceitos e materiais que apresenta em sala de aula, observando também os interesses dos alunos e o que a escola oferece de recursos. As propostas pedagógicas em artes no ensino fundamental devem ser organizadas observando a faixa etária dos alunos para o desenvolvimento de atividades que se apresentam através dos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar). Vamos conhecer algumas sugestões de propostas. Intervenção com fragmento de imagem ou obra de artista Estudar com os alunos o conceito de intervenção é mostrar as diversas possibilidades de criação artística. Assim, as intervenções são manifestações artísticas que podem ser feitas em imagens, obras de arte, ou ainda, em espaços urbanos que interagem com objetos e pessoas. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 159 DICAS Leia mais sobre intervenção urbana utilizando espaços públicos. FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/intervencao-artistica-urbana/>. Acesso em: 12 fev. 2019. Como uma atividade de intervenção, utilize, com os alunos, fragmentos de uma obra de um artista (podem ser fotocópias da imagem). Os alunos irão criar novos contextos iniciando pelo fragmento. Peça para os alunos relacionarem suas criações de intervenção com o intertexto, isto é, irão procurar imagens que façam relação com a obra ou fragmento, verificando as semelhanças. A proposta prática também pode ser realizada através de imagens de revistas ou dos livros da literatura. Para exemplificar, será apresentada a intervenção de imagem criada pelo artista de rua britânico Banksy (1974). FIGURA 6 – INTERVENÇÃO ARTÍSTICA EM UMA OBRA DE ARTE FEITA PELO ARTISTA BANKSY FONTE: <http://www.banksy.co.uk/in.asp>. Acesso em: 22 dez. 2018. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 160 O artista Banksy desenvolveu intervenções artísticas em imagens, refletindo criticamente temas que revelam a autoridade e o poder, e em relação a assuntos sociais, políticos e comportamentais. O artista busca provocar reflexões em seus observadores por meio das suas criações. Que tal propor aos alunos pequenas intervenções diretamente em imagens de revistas, dizendo que poderão desenhar sobre ela e pintar? • Criando trajes caipiras ou das diferentes festas populares regionais Como leitura e contextualização, apresente o conteúdo sobre a arte Naif para alunos do 1º ao 6º ano do ensino fundamental (fale sobre a simplicidade da arte, o seu colorido). Mostre diversas obras de artistas brasileiros e contextualize com as de sua região, relacionando e observando as festas locais, suas tradições e costumes, bem como os trajes (roupas) usados. Observando a obra “Festa de São João”, do artista Nerival Rodrigues da Silva, podem-se perceber o colorido e os detalhes nas vestimentas dos personagens. FIGURA 7 – OBRA: FESTA DE SÃO JOÃO – ARTE NAIF DO ARTISTA NERIVAL RODRIGUES FONTE: <https://criandoartecommagia.blogspot.com/2013/06/trabalhando-obras-de-arte-na- festa.html>. Acesso em: 20 dez.2018. Como proposta pedagógica sugere-se a criação de um boneco que evidencie a cultura e os costumes de um determinado povo por meio das vestimentas. O boneco pode ser feito usando uma base (molde de figura humana). Assim, os alunos fazem o preenchimento desenhando os detalhes do rosto e criando sua roupa. Os trajes são feitos com colagem de retalhos de tecido, pedaços de papel colorido, botões, sementes, lantejoulas ou outros materiais que a escola e os alunos dispuserem. As atividades podem ser individuais ou coletivas, e um aluno poderá deitar sobre o papel pardo, contornar seu corpo e, quando o desenho da silhueta estiver pronto, realizar a colagem fazendo o preenchimento de uma roupa. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 161 FIGURA 8 – CRIANDO TRAJES CAIPIRAS OU DAS DIFERENTES FESTAS REGIONAIS (ATIVIDADE INDIVIDUAL) FONTE: A autora (2018) FONTE: A autora (2018) FIGURA 9 – TRAJES CAIPIRAS GIGANTES (TAMANHO DO ALUNO – ATIVIDADE COLETIVA) • Painel coletivo de animais A proposta prática pode ser realizada com os alunos dos 2º e 3º anos do ensino fundamental. Como leitura e contextualização, apresentar a obra “Animais entrando na Arca de Noé” e conhecer a vida do artista italiano Jacopo Bassano (1510-1592). UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 162 FIGURA 10 – OS ANIMAIS ENTRANDO NA ARCA DE NOÉ, 1570. JACOPO BASSANO FONTE: <https://institutopoimenica.com/2012/09/30/os-animais-entrando-na-arca-de-no- jacopo-bassano/>. Acesso em: 20 out. 2018. Desde jovem, o artista Jacopo Bassano revelou-se um excelente desenhista e sempre utilizava giz de cores vivas em suas obras para ajudar a colorir. Na obra, o artista mostra Noé, sua família e os bichos entrando, aos pares, na arca, antes do amanhecer. A arca, contudo, não é o elemento principal dessa composição. O enfoque total é dado aos animais que atingem a perfeição com as cores e o movimento de vivacidade que o artista deu a cada espécie. Bassano deve ter estudado minuciosamente a anatomia desses seres para pintá-los com tamanha perfeição. A pintura é relacionada com a história da bíblia do dilúvio. Noé constrói uma barca e salva levando um casal de cada animal. Inicialmente, na proposta pedagógica, é importante realizar a leitura de imagem por meio de questionamentos: quantos animais diferentes são possíveis ver no quadro? Será possível que todos os animais estejam juntos em um mesmo lugar? Será que não iriam brigar uns com os outros? Como são os animais hoje em dia? Podem ficar todos juntos? Quais animais são calmos e quais são agitados? Será que o artista pintou todos os animais do mundo? Quais estão faltando? Você tem animais em sua casa? Quais são esses animais? Você gosta de animais? De quais animais você mais gosta? Depois da conversa realizada com a turma sobre a obra, é possível realizar um painel coletivo, no qual cada aluno desenha um animal que gostaria que fizesse parte da arca, que fosse salvo do dilúvio que cobriu a Terra. Desenhar o animal em papel, pintar e recortar. Montar coletivamente o painel em um mural. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 163 FIGURA 11 – FRAGMENTO DO PAINEL COLETIVO FONTE: A autora (2018) • Releitura da obra Monalisa através de um vídeo de animação Como proposta prática sugere-se a técnica de stop motion, que pode ser realizada com os alunos dos 7º, 8º e 9º anos do ensino fundamental. Como leitura e contextualização, apresentar a obra Monalisa, do artista Leonardo da Vinci, explorando a vida do artista, a leitura de imagem e os dados da obra. Para a contextualização e seu fazer artístico, instigar os alunos a criarem uma Monalisa dos tempos atuais: como seria a Monalisa nos dias de hoje? Quais roupas ela usaria? Como seria seu cabelo (cor, corte, penteado)? Usaria maquiagem? Usaria algum acessório? Como seria a paisagem de fundo da obra? Após a análise, os alunos poderão criar roupas e acessórios para a sua Monalisa, mas sempre mantendo a estrutura básica da obra. Para a criação da releitura, faz-se o desenho de retrato da Monalisa e acessórios e outros objetos separadamente (peças recortadas). Para realizar um vídeo de animação da obra de arte com a técnica do stop motion, é preciso fazer as fotos uma a uma com pequenas alterações na cena principal, isto é, fotos mostrando o desenho da Monalisa e, aos poucos, entram na cena os detalhes nos cabelos com acessórios, como podemos observar no exemplo a seguir. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 164 FIGURA 12 – TÉCNICA DE ANIMAÇÃO - STOP MOTION - RELEITURA DA OBRA MONALISA FONTE: A autora (2018) Contudo, o que seriam animações usando a Técnica Stop Motion? Stop Motion (termo que pode ser traduzido como “movimento parado”) é uma técnica cinematográfica que utiliza a disposição sequencial de diferentes fotografias de um objeto, simulando seu movimento. Cada fotografia, comumente chamada de quadro, difere minimamente da anterior, e geralmente são tiradas por uma câmera estática. O que deve ser movido é o objeto em questão. Na verdade, o movimento produzido pela técnica, nada mais é do que uma ilusão de óptica. FONTE: <https://recursoscomputacionais.wordpress.com/2011/04/14/a-tecnica- do-stop-motion/>. Acesso em: 29 out. 2018. Pesquise e leia mais nos seguintes links: <https://pt.wikihow.com/Criar-uma-Anima%C3%A7%C3%A3o-em-Stop-Motion>. <https://novaescola.org.br/conteudo/5746/como-fazer-animacoes-stop-motion>. <http://www.cafecomgalo.com.br/a-tecnica-do-stop-motion/>. Acesso em: 29 out. 2018. IMPORTANT E Neste exemplo, temos apenas algumas fotos para mostrar o processo da técnica da animação, mas para ser um vídeo é preciso de muitas fotografias para assim mostrar o movimento, os acontecimentos na imagem. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 165 • Artista: Max Ernst e a técnica da frottage A proposta prática da técnica da frottage pode ser realizada com alunos dos 1º aos 5º anos do ensino fundamental. A técnica da frottage é usada para obter as diferentes texturas e marcas sobre uma superfície por meio da fricção, ou seja, é necessário esfregar com lápis ou giz colocando a folha sobre um local e, assim, obter os contornos e relevos existentes. Como leitura e contextualização, apresentar o artista Max Ernst (1891- 1976), que empregou a técnica em suas pinturas em tela, utilizando tecidos rugosos ou outras marcas como das folhas. O artista Max, que foi percursor da técnica, reinventou outra forma de expressão. FIGURA 13 – OBRA O EVADIDO (1925), HISTÓRIA NATURAL, FOLHA 30, FROTTAGE, LÁPIS S/ PAPEL MAX ERNST FONTE: <http://shortyart.blogspot.com/2013/02/frottage.html>. Acesso em: 17 out. 2018. Para vivenciar a experiência da frottage, no fazer artístico, pode-se realizar a técnica com papéis e giz de cera, buscando texturas/marcas pelo espaço da escola. Também é possível a frottage em tecidos, como mostra a figura a seguir: UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 166 FIGURA 14 – FROTTAGE EM TECIDO FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/495607133986135496/>. Acesso em: 21 out. 2018. Nas criações foram usadas texturas e marcas da cidade, isto é, as tampas de bueiro ou paredes de um muro. Nos exemplos, é preciso passar a tinta (tecido ou outra) com um rolinho sobre o local e pressionar o tecido sobre as marcas, esfregando para retirar o desenho de maneira impressa. • Artista: Sebastião Salgado e as fotografias Nesta proposta prática, o estudo do artista e suas obras podem ser apresentados nas turmas de 6º ao 9º ano. Como leitura e contextualização, apresentar as fotografias do artista Sebastião Salgado, bem como explanar sobre a sua vida e carreira profissional. O artista Sebastião Salgado é um fotógrafo conhecido mundialmente com suas fotografias em preto e branco, nascido em Aimorés (MG), em 1944. Como sugestão,assista ao vídeo produzido pelo instituto Arte Na Escola, de Sebastião Salgado: cidadão do mundo. FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/ catalogo/dvd/48/>. Acesso em: 29 out. 2018. No vídeo, as fotografias mostram as diferentes migrações, povos que todos os dias estão fugindo de guerras, migrando para outros lugares legalmente ou ilegalmente. Leia mais e baixe o material educativo sobre o artista. FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/ dvdteca/pdf/arq_pdf_48.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018. UNI Para o fazer artístico temos vários caminhos, como pedir aos alunos para fazerem fotos em preto e branco com seus celulares mostrando seu bairro, suas casas, ou seja, a realidade em que vivem. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 167 Outra possibilidade de atividade é criar um fanzine com fotografias da vida do aluno (cópias de xerox) e recortes de revistas que apresentem um pouco da vida do aluno, isto é, seus gostos, sua família, sua idade ou o local onde nasceu. Você sabe o que é fanzine (ou zine para os íntimos)? É toda publicação feita pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e significa, literalmente, “revista do fã” (fanatic magazine). Alguns estudiosos do assunto consideram fanzine somente a publicação que traz textos, informações, matérias sobre algum assunto. Quando a publicação traz produção artística inédita seria chamada revista alternativa. No entanto, o termo fanzine se disseminou de tal forma que hoje engloba todo tipo de publicação que tenha caráter amador, que seja feita sem intenção de lucro, pela simples paixão pelo assunto enfocado. Assim são fanzines as publicações que trazem textos diversos, histórias em quadrinhos, reprodução de HQs antigas, poesias, divulgação de bandas independentes, contos, colagens, experimentações gráficas, enfim, tudo que o editor julgar interessante. Os fanzines são o resultado da iniciativa e esforço de pessoas que se propõem a veicular produções artísticas ou informações, que possam ser reproduzidas e enviadas a outras pessoas, fora das estruturas comerciais de produção cultural. FONTE: <https://fanzineexpo.wordpress. com/o-que-e-fanzine/>. Acesso em: 29 out. 2018. IMPORTANT E A criação artística poderá ter frases, letras de músicas e desenhos, tudo que remeta ao aluno que está produzindo seu fanzine. Para a produção do material, serão necessárias apenas uma folha A4 ou A3 e uma tesoura ou estilete para o corte central da folha. FIGURA 15 – CRIANDO UM FANZINE DA PRÓPRIA VIDA COM CÓPIAS DE FOTOGRAFIAS FONTE: A autora (2018) UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 168 Após feita a base do fanzine, dobrando a folha, cortando e montando uma espécie de “caderninho de páginas”, a criação poderá ser de variadas maneiras, contendo desenhos, recortes, colagens, palavras, impressões etc. • Criando vitrais na escola A proposta prática da criação de um vitral pode ser realizada com alunos de 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Os vitrais se referem a uma técnica artística muito usada em vidros, janelas de templos e igrejas, sendo muito característica da arte gótica. Como leitura e contextualização, apresentar aos alunos exemplos de vitrais de diferentes períodos de arte, podendo explorar a arte gótica com exemplos de catedrais como Chartres e Notre Dame de Paris. FIGURA 16 – A ANUNCIAÇÃO E A VISITAÇÃO, DETALHE DA JANELA NA SAINTE-CHAPELLE, PARIS, 1243-48 FONTE: Bell (2008, p. 123) Existem diversas possibilidades de materiais para que possamos criar a técnica do vitral em sala de aula. Pode-se propor uma atividade utilizando celofane e palitos. No exemplo de vitral a seguir, foram criadas estrelas com a montagem de palitos e colagem de pedaços de celofane coloridos nos espaços da estrela. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 169 FIGURA 17 – VITRAL COM CELOFANE EM FORMA DE ESTRELA FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/445856431851081437/>. Acesso em: 18 out. 2018. A exposição que simboliza e valoriza a técnica do vitral pode ser feita em frente a uma janela ou locais que tenham passagem de luz. • Criando sua escultura com sabonete A proposta prática de criação de uma escultura com sabonete poderá ser realizada com alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental. Para leitura e contextualização, podemos explorar conceitos referentes às formas bidimensional e tridimensional. Como exemplo de artista que trabalha a escultura, pode ser apresentado o brasileiro Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), mais conhecido como Aleijadinho, que criou obras que representam a arte barroca brasileira. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 170 FIGURA 18 – ESCULTURAS DE ALEIJADINHO (1730) FONTE: <http://www.iarq.com.br/aleijadinho/>. Acesso em: 29 out. 2018. Outras obras de diferentes épocas podem ser apresentadas aos alunos para poderem analisar as semelhanças e diferenças no passar dos tempos, como a obra “Última Ceia”, feita em 1250, e a escultura de Edgar Degas, feita em 1886. FIGURA 19 – A ÚLTIMA CEIA, ESCULTURA NO ARCO CRUZEIRO DA CATEDRAL DE NAUMBURG, C.1250 FONTE: Bell (2008, p. 141) TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 171 FIGURA 20 – EDGAR DEGAS: DANSEUSE (C.1886); BRONZE. PARIS, MUSÉE D`ORSAY FONTE: Argan (1992, p. 107) Ao analisar as obras de diferentes épocas, cada aluno cria sua escultura. Poderá fazê-la compreendendo os conceitos bidimensionais e/ou tridimensionais. O material utilizado será sabão ou sabonete e uma colher. FIGURA 21 – ESCULTURA COM SABÃO OU SABONETE FONTE: A autora (2018) • Jogando e criando com objetos – conhecendo a arte conceitual A proposta prática sobre a arte conceitual poderá ser realizada com alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental. Para leitura e contextualização, é necessário apresentar, primeiramente, o conceito de arte conceitual. A arte conceitual é uma expressão artística que instiga a reflexão. Algumas manifestações artísticas que podem expressar a arte conceitual são: readymade, performance e happening. Como proposta prática para o readymade é possível fazer em forma de um jogo, ou seja, pedir aos alunos que retirem da mochila algum objeto, como uma cola, uma chave, uma garrafa de água. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 172 Pensar sobre o objeto escolhido de maneira poética, isto é, propondo uma reflexão, trazendo outros significados, retirando sua função tradicional do dia a dia. Assim, peça aos alunos anotarem em seus cadernos o novo significado em forma de poesia. Como proposta teórica, pode-se estudar o artista Marcel Duchamp, apresentando a obra “A fonte”, que é uma réplica de um mictório de porcelana que foi originalmente comprado e inscrito em uma exposição de arte. FIGURA 22 – FONTE, 1917, PORCELANA, ALTURA 33,5 CM, MARCEL DUCHAMP FONTE: <https://artefontedeconhecimento.blogspot.com/2010/11/fonte-marcel-duchamp. html>. Acesso em: 18 out. 2018. Os alunos poderão inventar títulos para os objetos escolhidos, relacionando a sua prática artística com a obra do artista Duchamp. A exposição pode ser realizada nas próprias mesas, potencializando diálogo com todos os alunos, de forma que eles poderão caminhar e observar os objetos e seus novos títulos e suas poesias, com o objetivo de propor novos significados a objetos do cotidiano. DICAS Arte – Descubra as conexões através de perguntas e respostas de Caroline Grimshaw, da editora Callis (1998). O livro mostra 50 questões sobre arte, como: por que o mundo precisa de arte? Podemos pintar sem pincel? Quais são as decisões de um artista? O que a arte nos diz sobre a história? Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte? E muito mais... TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 173 • Ensino médio Para o Ensino Médio, as propostas pedagógicas precisam serpensadas e organizadas de tal forma que explorem e apresentem a articulação entre a teoria com a prática, proporcionando vivências/experiências das diferentes manifestações artísticas. Os alunos do ensino médio costumam apresentar autonomia no uso das tecnologias digitais, como o computador ou o celular, que pode ser benéfico para a realização de algumas propostas. Contudo, também é importante que o professor esteja atento à utilização dos meios tecnológicos, mediando o uso nas aulas. As sugestões de atividades para o ensino médio também estão pautadas nos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar). • Fotografia através da técnica da perspectiva forçada A proposta prática da técnica da perspectiva forçada por meio de fotografias poderá ser realizada com alunos do 1º e 2º ano do ensino médio. Para leitura e contextualização, explorar os conceitos da fotografia (história da fotografia) e a técnica da perspectiva forçada, que é uma ilusão feita aproximando o objeto ou a pessoa à câmera do celular. FIGURA 23 – EXEMPLO DE FOTOGRAFIA DE PERSPECTIVA FORÇADA FONTE: <https://deixadefrescura.com/2012/05/fotografia-perspectiva-forcada.html>. Acesso em: 21 dez. 2018. No fazer artístico, proponha aos alunos formarem grupos de trabalho e escolherem objetos para serem registrados por uma câmera fotográfica que pode ser a do celular. Os alunos também podem escolher quais espaços da escola querem para produzirem suas fotografias em perspectiva forçada. Faça uma exposição do resultado das fotografias feitas pelos alunos. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 174 FIGURA 24 – PERSPECTIVA FORÇADA FEITA PELOS ALUNOS NOS ESPAÇOS DA ESCOLA FONTE: A autora (2018) DICAS Conheça o site com dicas da técnica. FONTE: <https://www.tecmundo.com. br/internet/12400-fotografia-como-criar-ilusoes-com-perspectiva.htm>. • Criando seu tênis gigante – desenho surrealista A proposta prática desenhando um tênis gigante poderá ser realizada com alunos do 1º ano do ensino médio. Para a leitura e a contextualização, explorar o movimento artístico de arte surrealista e conhecer as obras dos artistas Salvador Dalí, Joan Miró, Frida Kahlo e René Magritte. Veja a obra do artista René Magritte (1898-1967). Sua arte está além da realidade. FIGURA 25 – RENÉ MAGRITTE: A CONDIÇÃO HUMANA II (1935); TELA FONTE: Argan (1992, p. 482) TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 175 O artista é considerado surrealista e pintou objetos do dia a dia, como a obra A Condição Humana II. Faz com a gente pare para olhar a imagem e pensar no que tem nela de surreal. O artista transforma seus desenhos, como se fosse uma mágica, muitas vezes desenhava as coisas maiores ou menores do que o normal. Com os alunos, é possível desenvolver uma proposta pedagógica através da observação do próprio calçado, ou seja, do seu tênis e/ou sapato que está usando no momento. Peça para o aluno tirar do seu pé e colocar sobre a mesa. Assim, fará a criação pela observação, mas escolhendo desenhar o tênis bem maior ou bem menor do que o tamanho original. Podemos acrescentar outros elementos à cena, como pessoas escalando o tênis ou outros objetos de maneira surreal. FIGURA 26 – DESENHANDO SEU TÊNIS SURREALISTA FONTE: A autora (2018) • Artista Vik Muniz e a série “postcards” A proposta prática usa a técnica da colagem utilizando recortes de postais, revistas, jornais, podendo ser realizada com alunos do 1º e 2º ano do ensino médio. Para a leitura e a contextualização, apresentar as obras e a vida do artista brasileiro Vik Muniz (1961), da série “Postcards”. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 176 FIGURA 27 – OBRA DA SÉRIE “POSTCARDS” RIO DE JANEIRO DE VIK MUNIZ (2013) FONTE: <http://vikmuniz.net/gallery/postcards-from-nowhere>. Acesso em: 29 out. 2018. A atividade poderá ser feita em grupos de alunos realizando uma composição figurativa em cartolina, composta de recortes de imagens de revistas/ jornais. A ideia é que se escolha uma imagem figurativa e, assim, desenhe os traços básicos de um lugar, de uma paisagem ou de um personagem de jogos ou de desenhos animados. Após, deve-se montar a imagem com recortes diversos retirados de revistas/jornais, colando-os. FIGURA 28 – COLAGEM DE PEDAÇOS DE REVISTA FONTE: A autora (2018) TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 177 • Criando uma proposta de arte contemporânea A proposta prática poderá ser realizada com as turmas do ensino médio, mas desenvolvida em grupos de alunos. Para leitura e contextualização, explorar o conceito de arte contemporânea, de landart e de instalação artística. A arte contemporânea articula as diferentes linguagens artísticas, não tendo mais definições próprias, são as criações atuais, as que estão surgindo trazendo reflexões subjetivas nas obras. Assim, a arte contemporânea propõe reflexões ao olhar uma obra, uma criação artística. A land art é considerada uma arte contemporânea que apresenta obras que têm a utilização de recursos da própria natureza, que têm como característica a efemeridade e é uma arte que critica a industrialização. Já a instalação é uma manifestação artística contemporânea, que explora diferentes espaços, amplia cenários que saem dos ambientes convencionais da arte. FIGURA 29 – ROBERT SMITHSON: SPIRAL JETTY (1970). UTAH. GRANDE LAGO SALGADO FONTE: Argan (1992, p. 583) Como atividade prática, os grupos de alunos irão escolher um espaço da escola que tenha a possibilidade de criação de uma instalação, como é o caso de uma tela ou uma cerca, que permita sair da ideia tradicional de espaço artístico. A proposta é de uma instalação coletiva dentro do contexto contemporâneo da land art. Outro fato importante é verificar se a escola autoriza a interferência no espaço escolhido. Após a escolha e autorização do uso do espaço, os alunos irão criar sua instalação utilizando copos descartáveis que já foram usados, estes podem ser pintados com tintas como esmaltes, PVA, tecido, acrílica etc. A montagem e a imagem a ser retratada ficam a critério da imaginação e criatividade do grupo de alunos. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 178 FIGURA 30 – INSTALAÇÃO ARTÍSTICA COM COPINHOS PLÁSTICOS FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/412079434628876650/>. Acesso em: 26 dez. 2018. DICAS Conheça mais sobre a arte contemporânea – a instalação como nova forma de produção artística. FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5296>. Também conheça mais sobre os móbiles de Calder como possibilidades de explorar novas poéticas em sala de aula. FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5314>. Acesso em: 29 out. 2018. 3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS Para o contexto da inclusão é de grande importância que os alunos vivenciem as diferentes expressões artísticas e tenham oportunidades adequadas para cada faixa etária, bem como respeitando as individualidades de cada aluno. Com isso, nos PCN – Arte (BRASIL, 1993, p. 15): TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 179 A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido às experiências das pessoas: o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a imaginação de aprender, pois a arte envolve, basicamente, fazer trabalhos artísticos, apreciar e refletir sobre eles. Envolve, também, conhecer, apreciar, refletir sobre as formas da natureza e sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e épocas. Para tanto, a escola deve saber aproveitar a diversidade de recursos humanos e materiais disponíveis na comunidade em que ela esteja inserida, a fim de que o aluno, ao longo da escolaridade, tenha a oportunidade de vivenciar o maior número deformas de arte. Levando em consideração que a aula de artes é um espaço de troca de conhecimento, de oportunidade, de reflexão e de estímulo das percepções sensíveis, é imprescindível que todos os alunos tenham a oportunidade de participar, de interagir e de contribuir com o momento significativo do contexto escolar. Na escola regular, o aluno com necessidades especiais convive no mesmo ambiente que os demais alunos, com o objetivo de ter oportunidades de convivência e de aprendizagem. Assim, Mantoan (2003, p. 70), afirma que “a inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar para esta ou aquela deficiência e/ou dificuldade de aprender”, assim, que tenham práticas que tragam oportunidades a todos os envolvidos. Planejar propostas pedagógicas inclusivas nas aulas de artes é propor atividades que estimulem a criação e a criatividade, com adaptações levando em consideração a necessidade especial de cada aluno. Sabemos que todos os alunos são diferentes, mas é importante lembrar que alguns apresentam maiores dificuldades, que cada aluno tem seu ritmo de aprendizagem, demonstrando suas limitações e potencialidades. Para Mittler (2003, p. 20), “a inclusão depende do trabalho cotidiano do professor na sala de aula e do seu sucesso em garantir que todas as crianças possam participar de cada aula e da vida da escola como um todo”. Nas aulas de artes, o desenvolvimento cognitivo dos alunos é ampliado conforme os estímulos recebidos, influenciando muito as crianças com necessidades especiais. Na comunicação verbal e não verbal, o desenho expressa os sentimentos, suas necessidades e limitações, e muitas vezes tornando-se um diagnóstico terapêutico. A escola precisa ser pensada como um espaço para a diversidade, para a inclusão, trazendo oportunidade de estabelecer vínculos entre professores, alunos e comunidade. A escola, como espaço tempo de ensino e aprendizagem sistemático e intencional, é um dos locais onde os alunos têm a oportunidade de estabelecer vínculos entre os conhecimentos construídos e os sociais e culturais. Por isso, é também o lugar e o momento em que podemos verificar e estudar os modos de produção e difusão da arte na própria comunidade, região, país, ou na sociedade em geral. Assim, o aprendizado da arte vai incidir sobre a elaboração de formas de expressão e comunicação artística (pelos alunos e por artistas) e o domínio de noções sobre a arte derivativa da cultura universal (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 19). UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 180 A escola é um lugar de aprendizagens, de formas de expressão, de saberes culturais e seus espaços devem estar aptos para recebimento dos alunos com necessidades especiais, garantindo a acessibilidade. Para propormos atividades inclusivas, também precisamos conhecer a turma de alunos, para isso, desenvolver um trabalho que realmente seja inclusivo e tenha seus objetivos alcançados. Como proposta, podem-se explorar as sensações por meio do contato com diferentes materiais e texturas, assim como oportunizar atividades que explorem sons, movimentos corporais, favorecendo a integração entre alunos e professores e ampliando o conhecimento de mundo. DICAS Como exemplo, a cartilha de inclusão escolar (feita em 2014 e lançada no Congresso Aprender Criança) apresenta a deficiência visual, ressaltando o seguinte: O professor de Artes, em cuja sala existem deficientes visuais, deve lembrar que: • Os alunos com deficiência visual podem fazer muitas das coisas que se faz com a visão, valendo-se do tato e dos demais sentidos, embora nenhum deles, ou eles em conjunto, substituirão a visão. • Os alunos cegos não podem ver cores, todavia é importante que as cores sejam ensinadas, por exemplo, falando de suas variações de tonalidade, azul claro, verde escuro, onde aparecem, na maçã vermelha, no cabelo amarelo do amiguinho; que elas se combinam quando juntas, por exemplo, na blusa e na sandália rosa da amiguinha. • Os alunos terão grande proveito ao usarem diferentes materiais, com diferentes texturas, que permitam diferentes temperaturas, que provocam diferentes odores; esses materiais devem fazer parte dos trabalhos de todos os alunos. • O trabalho que não for possível fazer sem a visão, deverá contemplar o aluno cego, por exemplo, permitindo com que ele participe de fases do trabalho, cortando, dobrando, colando ou dando ideias. • Todos se beneficiarão quando o professor propiciar o trabalho em grupo, o trabalho participativo na sala. • O desenho e o desenhar devem fazer parte do ensino do aluno com deficiência, com prioridade para as orientações de como representar as coisas na maneira como são vistas, na perspectiva, de frente, atrás etc. • Colagens e outras técnicas devem ser ensinadas, cuidando para que o aluno cego possa oferecer, ao seu trabalho, a mesma beleza visual que oferecerá com a estética tátil. A beleza e a estética visual precisam ser ensinadas e estar presentes nas produções dos alunos para que sejam apreciadas, também nesse particular. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 181 DICAS • Elogios e similares sempre são positivos para a criança, porém, o excesso de elogios quando o trabalho merece maior cuidado poderá ser danoso, uma vez que o aluno pode, de fato, achar que o que fez já está bom, não buscando aprimorar-se. Não se trata de fazer do aluno um artista, mas se for essa sua habilidade, ajudá-lo a tirar o máximo dela. • Para a produção dos trabalhos escolares, o aluno deve receber informações que, por vezes, já estão disponíveis para as pessoas que enxergam. A observação e a exploração de objetos, animais, flores, ambientes reais, concretos e/ou sua descrição devem compor a educação artística e visual do aluno com deficiência. Leia na íntegra o texto, acessando a cartilha no site Aprender Criança. FONTE: <http:// www.aprendercrianca.com.br/index.php/cartilha-da-inclusao/385-cartilha-da-inclusao-3>. Acesso em: 12 fev. 2019. Assim, precisamos organizar e preparar os materiais de maneira ampliada, onde se utilizam as cores preto ou vermelho para destacar melhor a atividade. Também lembrar que as atividades não são visualizadas, por isso, propor criações em alto relevo, ou que explorem os outros sentidos, como olfato, auditivo e tátil. Acadêmico, explore os espaços virtuais! É possível encontrar muitos materiais explicativos sobre a inclusão em sala de aula. Acesse a cartilha que apresenta sugestões de atividades de inclusão na escola: Aproveite e baixe seu material. FONTE: <http://iparadigma.org. br/arquivos/cartilha%20atividades%20inclusivas.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018. Seguem mais alguns materiais para leituras complementares. FONTE:<https://novaescola.org.br/conteudo/1370/alunos- surdos-cantam-dancam-e-interpretam-na-aula-de-arte>. <http://portal.aprendiz.uol.com.br/2013/09/27/arte-inspira- tres-experiencias-de-inclusao/>. <http://tribunadoceara.uol.com.br/noticias/educacao/ projeto-promove-arte-de-forma-inclusiva-para-pessoas-com- deficiencia-visual/>. <http://playtable.com.br/blog/conheca-e-aplique-jogos-didaticos-para-criancas-com- deficiencia-visual/>. <https://www.pragentemiuda.org/2011/01/especial-educacao-especial-inclusiva.html>. <http://www.fmss.org.br/seis-curtas-metragens-animados-sobre-inclusao-para-assistir-em- qualquer-lugar/>. <http://emiliofigueira.com/colecao-gratuita-a-educacao-especial-na-perspectiva- da- inclusao-escolar/?fbcl id=IwAR1sCqSZbNPm_jd-wZUDrgbntpmYL7bywcs_ rcQzjLyJZVdQ7Sj17CpCxx8>. Acesso em: 29 out. 2018. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 182 4 METODOLOGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM ARTE Iniciamos nossos estudos sobre as metodologias de ensino e aprendizagem em arte com reflexões sobre atividades práticas. Contudo, o que significa a palavra metodologia? Vamos pensar juntos.A palavra metodologia estuda os diferentes métodos, classificando e descrevendo, ajudando o professor em sala de aula, indicando as ações e maneiras para ensinar um conteúdo e observando os objetivos a atingir. Assim, as metodologias mais comuns no ensino de arte são a tradicional, livre expressão e sociointeracionismo. Na metodologia tradicional o professor é um transmissor de conhecimentos. As atividades desenvolvidas em sala enfatizam as habilidades manuais, a repetição de técnicas, memorização e cópia de modelos de desenhos prontos. Para Ferraz e Fusari (2009, p. 47), o ensino e aprendizagem concentram-se apenas na “transmissão” de conteúdos reprodutivistas, desvinculando-se da realidade social e das diferenças individuais. Os conteúdos eram percebidos e trabalhados como um fim em si mesmos. O conhecimento continua centrado no professor, que procura desenvolver em seus alunos também a memorização, habilidades manuais e hábitos de precisão, organização e limpeza, mas sem deixá-los criar ou explorar essas habilidades. Os alunos apenas atendem às orientações do professor, sem poder questionar ou contribuir com opiniões na aula. Um exemplo, com relação às atividades artísticas, é a pintura de imagens de obras de arte impressas, xerocadas e ou mimeografadas. Na metodologia de livre expressão, que teve influências da Escola Nova, as experiências em aula eram mais importantes do que o resultado final. As atividades resumiam-se, principalmente, em desenho livre, sendo que não tinha o que era certo e errado e eram utilizados diversos materiais. Assim, o ensino e aprendizagem de arte referem-se às experimentações artísticas, inventividade e ao conhecimento de si próprio, concentrando- se na figura do aluno e na aquisição de saberes vinculados à realidade e diversidade individual. Essa mudança de foco foi muito importante, pois colocou ênfase no educando – ou ser que aprende – e não apenas no conhecimento (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 51). O professor não podia apresentar obras de outros artistas, pois o aluno era para ser livre em sua expressão, era visto como um ser criativo. Segundo o PCN – Arte (1997, p. 25): Da conscientização profissional, que predominou no início do movimento ArteEducação, tivemos evoluções para discussões que geraram concepções e novas metodologias para o ensino e a aprendizagem de arte nas escolas. É com determinado cenário que chegamos ao final da década de 90, mobilizando novas tendências curriculares em Arte, pensando no terceiro milênio. São características TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 183 desse novo marco curricular as reivindicações de identificar a área por Arte (e não mais por Educação Artística) e de incluí-la na estrutura curricular como área, com conteúdos próprios ligados à cultura artística e não apenas como atividade. Dentre as várias propostas que estão sendo difundidas no Brasil na transição para o século XXI, destacam-se aquelas que têm se afirmado pela abrangência e por envolver ações que, sem dúvida, estão interferindo na melhoria do ensino e da aprendizagem de arte. São estudos sobre a educação estética, a estética do cotidiano, complementando a formação artística dos alunos. Ressalta-se ainda o encaminhamento pedagógico-artístico, que tem por premissas básicas a integração do fazer artístico, a apreciação da obra de arte e sua contextualização histórica. Já a metodologia do sociointeracionismo, considerada a tendência atual do ensino de arte, vem ao encontro do que os PCN – Arte apresentam. O aluno tem contato com as linguagens artísticas, conhecendo os conteúdos e não apenas atividades. O aluno poderá participar da aula trazendo suas experiências e o professor se torna o mediador. As aulas acontecem através dos campos conceituais integrando o fazer artístico, a leitura e a contextualização, que é a atual abordagem triangular de Ana Mae Barbosa. Segundo Ferraz e Fusari (2009, p. 58), as novas diretrizes metodológicas procuram encaminhar a organização de currículos a partir da reflexão e discussão conjunta na unidade escolar, de maneira a integrar outros projetos, em uma visão inter e transdisciplinar. Os objetivos da área são sintetizados na busca do conhecimento de arte como cultura e linguagem e caminho para o desenvolvimento de potencialidades dos educandos (percepção, observação, imaginação, sensibilidade). Os conteúdos se organizam a partir de eixos norteadores de aprendizagem, a saber: produção em arte – desenvolvimento do percurso de criação pessoal; fruição – apreciação significativa da arte e reflexão – sobre a arte enquanto produto pessoal e pertencente à multiplicidade das culturas humanas, de todas as épocas. Esta talvez seja uma das principais e inovadoras metas do ensino de arte, que busca o diálogo com todas as culturas e formas de arte, do erudito ao popular. A proposição da área, como consta nos PCN de Arte, passou a incorporar as quatro linguagens: artes visuais, dança, música e teatro, de modo que os educandos, ao longo do curso, possam ter acesso fundamentado a essas modalidades artísticas. Mas não significa que o documento esteja sugerindo a retomada da polivalência, como foi entendido por muitos professores, ou seja, que o professor de Arte integre em sua prática essas modalidades artísticas e, sim, que a escola possibilite a presença de professores habilitados para assumirem as diversas linguagens de arte. Cada uma dessas linguagens pressupõe conhecimentos específicos, que foram analisados e sistematizados também por especialistas, autores do documento. Atividades que instiguem os campos conceituais da arte devem ser planejadas e propostas em sala de aula. Segue um exemplo de atividade contextualizada da obra “Abaporu”, da artista Tarsila do Amaral (1886-1973), para as aulas de artes: UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 184 FIGURA 31 – OBRA ABAPORU, 1928, DA ARTISTA TARSILA DO AMARAL. TÉCNICA: ÓLEO SOBRE TELA FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Abaporu#/media/File:Abaporu.jpg>. Acesso em: 10 jan. 2019. • Objetivo: contextualizar sobre a temática da obra “Abaporu” e criar releituras que consideram o conhecimento adquirido. • Proposta pedagógica: Pesquisar sobre quem foi Tarsila do Amaral, em que época ela viveu e o que acontecia no mundo daquela época (Modernismo), como eram suas obras, suas fases artísticas, as cores que ela usava, as linhas, enfim, trazer o máximo de informações. Fazer uma roda de conversa, na qual cada aluno fala um pouco sobre o que foi pesquisado. Propor que escrevam um texto coletivo sobre a artista e suas obras. Mostrar a obra “Abaporu” para os alunos e pedir que falem o que veem. Fazer com os alunos a leitura formal: Que cores vocês veem? Quais as linhas que aparecem na obra? As formas? Existe perspectiva? Texturas? Quais são os elementos que aparecem na obra? (Se preferir, poderá inserir outros questionamentos). Realizar a leitura interpretativa: O que a obra quer dizer? Que mensagem ela está representando? Como era o Brasil e o mundo na época em que que a obra foi realizada? Qual a intenção de Tarsila representar a cabeça do homem tão pequena e os pés tão grandes? Obs.: No momento, os alunos já conhecem Tarsila, suas obras, o momento histórico que ela viveu e o que a obra Abaporu representa. Pedir para que os alunos se apropriem da obra e criem sua própria produção artística: TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 185 - Representem uma parte dela (zoom). - Representem a obra, trazendo-a para os dias atuais, inserindo outros elementos. - Juntem a obra com outra obra da Tarsila ou de outro artista que represente o mesmo tema. - Represente a obra mudando os elementos de lugar. - Represente-a com diferentes técnicas, materiais e bases. - Represente-a de forma tridimensional etc. Promover uma exposição dos trabalhos dos alunos e apresentação sobre o que aprenderam com o tema. Agora, vamos conhecer uma obra/objeto e pensar como desenvolver uma atividade contextualizada no atual ensino de arte. A obra Objeto é da artista chamada Meret Oppenheim (1913-1985), nascida em Berlim-Alemanha, mas considerada artista plástica e fotógrafa suíça que apresentava traços do movimento surrealista em seus trabalhos. FIGURA 32 – MERET OPPENHEIM, OBJECT, 1936 FONTE: Holm (2005, p. 36) Como proposta prática, converse sobre a artista, sua vida e obra, realizando momentos de pesquisa, leitura e contextualização, relacionando com o cotidiano dos alunos, instigando sobre o objeto que a artista utilizou. Questione os alunos se existem xícaras decoradas dessa maneira e como seria se cada aluno criasse a sua. Proponha o fazer artístico pedindo aos alunos para trazerem para a aula de artes algumas xícaras velhas e materiais diversos para poderem realizar uma colagem ou mesmo uma pintura. Instigue práticas diferentes e deixe os alunos participarem com sugestões. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 186 DICAS Livro: HOLM, Anna Marie. Fazer e pensar arte. São Paulo: Museu de Arte Moderna, 2005. O livro Fazer e Pensar Arte surgiu pela artista contemporânea Anna Marie Holm. Ela organizou em seu livro uma coleção de atividades que registrou em seu trabalho cotidiano, mostrando os desafios que propôs às crianças e fazendo refletir sobre as escolhas estéticas. Outra proposta prática é realizar uma atividade de observação considerando o gênero natureza-morta. A atividade poderá ser realizada com a leitura de imagem de obras, como a obra “Vaso de flor”, de Giorgio Morandi (1890-1964). Explorar a leitura de imagem e a vida do artista. Trazer um vaso com flores naturais e organizar em uma mesa para os alunos analisarem com a pintura do artista. É importante instigar os alunos a refletirem, a fazerem relações com a obra e o vaso de flor natural. Quais semelhanças e diferenças podemos observar? Após ter realizada a análise, com o fazer artístico, criar com os alunos desenhos de observação do vaso de flores exposto sobre a mesa da sala de aula, desenhando os detalhes dele. Converse com os alunos sobre os desenhos de observação, fazendo uma exposição pela sala. TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES 187 FIGURA 33 – FLORES (VASO DE FLORES), 1951, GIORGIO MORANDI, ÓLEO SOBRE TELA, 43,4 X 37,3 FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_ Giorgio-Morandi-no-Brasil-1.pdf>. Acesso em: 26 out. 2018. Como professor de artes, e mediador do conhecimento, é importante propor práticas pedagógicas enfatizando conceitos que os alunos tenham interesse de aprender, explorando-os através dos campos conceituais. 188 Neste tópico, você aprendeu que: ● As propostas pedagógicas de artes envolvem momentos de vivência, experiência, de conhecimento, de criação, de reflexão, de compreensão, de interação com o outro, com a obra e com os elementos visuais do cotidiano através dos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar). ● As propostas pedagógicas de artes devem ser planejadas através dos campos conceituais da arte: ler, contextualizar e fazer. Na escolha de uma temática de estudo, é relevante propor leituras das obras de arte ou imagens, contextualizar com os dias de hoje e propor o fazer artístico enfatizando o que foi estudado. ● Cada aluno cria sua produção artística, manifestando suas percepções sensíveis, seus conhecimentos, suas marcas, seu estilo e seus gostos. As crianças têm acesso à arte desde pequenas, muitas vezes não intencional, por meio das músicas cantadas pelos familiares, dos desenhos, das brincadeiras, dos vídeos, dos jogos, das contações de estórias. Desde muito cedo elas têm contato com as cores e com as formas por meio de imagens ilustrativas em livros, revistas, televisão, placas, computadores etc. e reais como objetos, lugares etc. ● Para o contexto da inclusão, é de grande importância que os alunos vivenciem as diferentes manifestações artísticas. Assim, planejar propostas pedagógicas inclusivas nas aulas de artes é propor atividades que estimulem a criação e a criatividade, e com adaptações, levando em consideração a necessidade especial de cada aluno. ● As metodologias mais comuns usadas são a tradicional, de livre expressão e o sociointeracionismo. Atualmente, as aulas de arte têm influência do sociointeracionismo, isto é, aulas com professores mediadores, com propostas práticas através dos campos conceituais da arte e os alunos sendo protagonistas em busca da construção do conhecimento. RESUMO DO TÓPICO 1 189 1 Sobre as metodologias mais comuns no ensino de Arte, enumere a 2ª coluna de acordo com a 1ª e assinale a alternativa CORRETA: (1) Tradicional. (2) Livre expressão. (3) Sociointeracionismo. ( ) É a tendência atual do ensino de arte. As aulas são planejadas através dos campos conceituais da arte: ler, contextualizar e fazer e o professor se torna mediador em sala de aula. ( ) Os alunos fazem apenas desenhos livres, sem a interferência do professor. ( ) O professor é o transmissor do conhecimento e os alunos realizam muitos desenhos impressos e utilizam modelos prontos. a) 1 – 2 – 3. b) 3 – 2 – 1. c) 2 – 3 – 1. d) 2 – 1 – 3. 2 Segundo Ferraz e Fusari (2009), assinale a alternativa que preenche a lacuna corretamente: Antes dos 3 anos a criança já sabe o que é desenhar, pintar, cantar, dançar e estes ___________ constituem-se no primeiro repertório de arte. Dessa idade em diante, notamos que elas também sabem manifestar opiniões estéticas de gostar, desgostar, achar bonito, feio. Nós, professores, devemos saber como dar continuidade a esse início de formação artística e estética. a) fazeres b) conceitos c) exercícios d) momentos AUTOATIVIDADE 190 3 Analise os itens a seguir sobre o contexto da inclusão, verificando quais são os itens corretos: I- Para o contexto da inclusão é de grande importância que os alunos vivenciem as diferentes expressões artísticas e tenham oportunidades adequadas a cada necessidade, respeitando as diferenças. II- Planejar propostas pedagógicas nas aulas de artes é apresentar atividades que estimulem a criação e a criatividade, mas sem adaptações no contexto da inclusão. III- A inclusão depende do trabalho cotidiano dos professores na sala de aula e do seu sucesso em garantir que todas as crianças possam participar de cada aula e da vida da escola como um todo. Estão CORRETOS: a) Somente o item I. b) Somente o item II. c) Os itens I e III. d) Os itens II e III. 191 TÓPICO 2 CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Neste segundo tópico, caro acadêmico, você irá conhecer propostas pedagógicas referentes à cultura visual, que tanto se faz presente na vida dos alunos através das mais variadas imagens e plataformas digitais. A cultura visual pode ser apresentada nas aulas de artes por meio da reflexão sobre a cultura e as imagens que influenciam o dia a dia das pessoas. A cultura visual é apresentada na televisão (filmes, novelas), nos jogos, na rua, nos locais, nas redes sociais (Facebook, Instagram) etc. Assim, os alunos fazem parte da sociedade contemporânea e precisam ser instigados a refletir criticamente sobre todas as imagens visualizadas diariamente que resultam na cultura visual para compreenderem melhor o mundo em que vivem. 2 CONHECENDO AS IMAGENS Os alunos estão diante de um turbilhão de imagens, sejam elas fotografias, imagens de livros, revistas, jornais, imagens dos outdoors e placas, das revistas, dos sites e redes sociais, da televisão e tudo o que está ao seu alcance visualmente. Grande parte dos alunos tem seus próprios celulares,computadores e interagem constantemente nas redes sociais, acessando imagens, vídeos e textos. Compartilham nas redes sociais diversos materiais que mostram suas preferências, opiniões e gostos. As interações, muitas vezes, acabam influenciando e afetando a vida deles. As imagens se tornam, de alguma maneira, parte das escolhas, vivências, preferências dos alunos. Assim, podemos conhecer três definições sobre a cultura visual: 1) uma condição cultural na qual a experiência humana é profundamente afetada por imagens, novas tecnologias do olhar e diversas práticas do ver, mostrar e retratar; 2) um conjunto inclusivo de imagens, objetos e aparatos; 3) um campo de estudo crítico que examina e interpreta díspares manifestações de experiências visuais em uma cultura (TAVIN, 2009, p. 226). 192 UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES Percebe-se que as imagens afetam a vida dos alunos, tanto de maneira positiva quanto negativa. Assim, os significados e sentidos produzidos pelas imagens no campo da cultura visual fazem com que seja necessária a discussão com os alunos em sala de aula, uma vez que tais concepções afetam a todos. Assim, é importante apresentar diversas imagens em sala de aula e instigar as diferentes opiniões, interpretações e compreensões sobre a maneira que foi representada socialmente, sobre seu signos e significados, sobre aspectos culturais, sociais, políticos, econômicos, históricos, estéticos, ou outro campo de estudo que permeia a imagem. A cultura visual possibilita as diferentes leituras, experiências subjetivas, fazendo o aluno sentir, pensar, construir novos conhecimentos a partir das imagens que são visualizadas no cotidiano. Seguem algumas imagens para serem analisadas: FIGURA 34 – IMAGENS DIVERSAS FONTE: <http://julian-arte.blogspot.com/p/planejamento.html>. Acesso em: 28 dez. 2018. Quando falamos em imagens, podemos viajar em um mundo visual e sonoro. No exemplo retratado sobre o corpo e a arte, percebemos diferentes representações com temáticas distintas que consideram aspectos culturais e sociais. A partir das imagens, é possível criarmos propostas pedagógicas que estimulam o pensar sobre os diferentes campos visuais da imagem, proporcionando aos alunos pesquisas sobre diferentes tatuagens, pinturas corporais indígenas, maquiagens, sobre a festa carnavalesca e sua representação alegórica, bem como a bodyart (que é a arte que utiliza o próprio corpo). Tudo isso pensando no cotidiano dos alunos, na cultura visual, fazendo relações e propondo novas produções artísticas. TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS 193 DICAS Como proposta prática de trabalhar com imagens, conheça uma sugestão de atividade encontrada no site: <https://novaescola.org.br/conteudo/1018/um-mundo-de- imagens-para-ler>. Acesso em: 15 fev. 2019. Um exercício de análise que poderá ser feito com qualquer imagem do cotidiano do aluno. A cultura visual já faz parte dos diferentes períodos da história da arte. Por exemplo, na Idade Média, a cultura visual se apresentava nos temas religiosos retratados nas imagens sacras. Assim, o tempo atual é marcado pela variedade de imagens, representadas pelas culturas, e cada época é vista de uma maneira. Quando o estudante realiza uma atividade vinculada ao conhecimento artístico ele não só desenvolve uma habilidade manual ou um dos sentidos, mas, sobretudo, delineia e fortalece sua identidade em relação às capacidades de discernir, valorizar, interpretar, compreender, respeitar, imaginar etc. o que lhe cerca e também a si mesmo (HERNÁNDEZ, 2000, p. 42). A cultura visual está nas imagens da publicidade, da moda e também da arquitetura. Como professor de arte, observe a sua turma de alunos, que tipos de imagens estão circulando nas aulas, verifique quem são os personagens de jogos que aparecem nos desenhos. Será que as imagens exercem alguma influência nos alunos? Instigue atividades artísticas que façam os alunos mostrarem tudo que gera sentido a eles. Após, realize reflexões sobre os diferentes significados, sobre as concepções estéticas existentes. FIGURA 35 – CULTURA VISUAL PELA PUBLICIDADE FONTE: <https://poracaso.com/sera-voce-pertence-geracao-so-cabecinha/>. Acesso em: 28 dez. 2018. 194 UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES DICAS Leia este projeto: Cultura visual: as imagens da cidade a partir do olhar dos alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Profª Cléia Godoy Fabrini da Silva, de autoria de Aida Rosa Dieguez Sábio, de Londrina-PR. Resumo: O presente trabalho se justifica ao destacar a Cultura Visual, que se encontra enraizada na sociedade contemporânea, juntamente com os elementos visuais que estão no entorno da escola e que devem contribuir para a compreensão de mundo, na produção de significados visuais, estéticos, sonoros de nossos alunos. Os conteúdos programáticos, aliados às mídias audiovisuais e à mediação do professor, devem contribuir com o processo ensino e aprendizagem desses alunos, trazendo, assim, resultados imagéticos concretos que ampliam os saberes e os conhecimentos na disciplina Arte. Os objetivos principais desta pesquisa são: desenvolver nos alunos a competência crítica de refletir a Cultura Visual partindo das diversas linguagens, identificando assim os aspectos dessa Cultura Visual que está no entorno da escola e da cidade em que vivem. A abordagem metodológica do projeto será a pesquisa-ação e, para o desenvolvimento do trabalho, teremos como principal fio condutor Fernando Hernández, educador espanhol, estudioso do campo da Cultura Visual e do Ensino da Arte. A aplicabilidade do trabalho será feita através do método do estudioso que é o Projeto de Trabalho. A avaliação do referido trabalho será feita através do Portfólio criado pelos alunos e da apresentação do produto final. FONTE:<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_ pde/2013/2013_uel_arte_pdp_aida_rosa_de_paula_dieguez.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019. Martins (2004) mostra, a seguir, como observar objetos do cotidiano e aprender com eles. No exemplo, ela usou xícaras. FIGURA 36 – OBSERVANDO DIFERENTES XÍCARAS FONTE: <https://educacao-em-foco02.webnode.com/artes/>. Acesso em: 18 fev. 2019. TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS 195 Se você escolher outros materiais para explorar com seus alunos, é preciso adaptar as questões. O primeiro passo é fazer uma descrição detalhada, para conhecer as características e funções. Em seguida, passe às perguntas. • Em sua casa as pessoas têm o hábito de tomar café e/ou oferecê-lo às visitas? • Quais são as semelhanças e diferenças entre as xícaras ao lado? Descreva-as. • Para que serve cada um de seus elementos? Por que foram desenhados assim? • Todas as xícaras são utilizadas hoje? Onde? Por quem? • É possível estimar em que época elas foram feitas? Quais elementos levam a essas hipóteses? Por quem foram produzidas? Em que época? • O que as imagens provocam em você? Perceba suas emoções e sensações. • Como seu corpo reage às três xícaras e à obra de Regina Silveira? • O que podemos pensar sobre os hábitos de nossa cultura? • Outros povos têm costume de tomar café? Eles produzem outros tipos de xícara? • Por que os americanos tomam a bebida em xícaras grandes? Por que os árabes costumam ler a borra do café que fica no fundo da xícara? • Como seria nosso autorretrato como xícara? Que tipo de xícara seríamos? • O que se pode criar com base nas imagens anteriores? É possível inventar histórias para cada uma, criar personagens com as mesmas características das xícaras? Escrever, desenhar, dramatizar, dançar, esculpir uma cena da história? Criar um novo desenho de xícara, pensando em quem tem um grande bigode ou um enorme nariz? Portanto, a cultura visual propõe levar o cotidiano do aluno, seu conhecimento,suas experiências visuais para dentro da sala de aula. Você, futuro professor, aproveite os interesses dos alunos e explore as imagens nas aulas com pesquisas, reflexões e análises aprofundadas. 3 PROCESSOS CULTURAIS A cultura visual é apresentada em sala de aula por meio de propostas que envolvem o conhecimento cultural que se dá através das tradições, dos hábitos e dos costumes de diferentes povos. Assim, é imprescindível saber que os processos culturais trazem diferentes sentidos, significados, tudo isso em meio às relações humanas. A cultura visual se configura como um campo amplo, múltiplo, em que se abordam espaços e maneiras como a cultura se torna visível e visível se torna cultura. Corpus de conhecimento emergente, resultante de um esforço acadêmico proveniente dos Estudos Culturais. A cultura visual é considerada um campo novo em razão do foco no visual com prioridade da experiência do cotidiano (MARTINS, 2004, p. 160). A cultura visual apresentada na escola poderá abordar aspectos como o pensar e o agir dos alunos, bem como dos diferentes povos. Conhecer outras culturas, além da sua, possibilita respeito e valorização, distanciando pensamentos preconceituosos e discriminatórios. 196 UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES DICAS Como proposta prática, segue uma sugestão da arte educadora e pedagoga Ivete Raffa: Postagem – "Arte Africana" – Colégio Canadá – Guarulhos – SP Prof. Walkyria (Arte) e Marileide (Língua Portuguesa) - 7ºs, 8ºs e 9ºs anos. Objetivo: Demonstrar uma nova forma de olhar a África, identificar seus valores culturais que tanto influenciaram e influenciam a Cultura Brasileira (música, dança, pintura, espiritualidade etc.). FIGURA 37 – EXPOSIÇÃO SOBRE ARTE AFRICANA FONTE: <http://iveteraffa.blogspot.com/2016/08/arte-nas-escolas-arte-africana.html>. Acesso em: 18 fev. 2019. Atividade: Abayomi - Boneca de nós Material: TNT preto ou papel crepom impermeável (Novaprint), tecido (Chitão estampado), fita de cetim nº 01, guarda-chuva (suporte), barbante e tesoura. FIGURA 38 – BONECAS DE NÓS DE TECIDO TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS 197 Modo de fazer: • Fale para os alunos sobre as bonecas que eram feitas pelas mães das crianças nos navios de escravos enquanto atravessavam o mar. • Corte tiras de TNT ou papel crepom impermeável (preto ou marrom). Faça nós para montar a boneca conforme imagem anterior. • Com tecido (Chita) ou crepom faça a roupa. Amarre a fita na cintura. • Pendure com barbante em sombrinhas para expor. FONTE: <http://iveteraffa.blogspot.com/p/arte-nas-escolas.html>. Acesso em: 7 jan. 2019. Pensar na cultura visual de maneira transdisciplinar, isto é, trazer para a sala de aula a variedade de representações visuais que instigam e perpassam as diferentes áreas e não apenas as artes visuais. Potencializa um exercício mais amplo da cognição humana. Também é necessário confrontar imagens atuais com imagens e obras antigas, para produzir conhecimentos históricos e novos significados e saberes. Como proposta prática referente à cultura visual, vamos conversar sobre o artista Siron Franco (1947), pois suas obras estabelecem diálogos sobre contextos sociais, políticos e ecológicos. Assim, o artista apresenta um discurso visual com várias técnicas e processos culturais. Vamos conhecer a obra. FIGURA 39 – OBRA SALVAI NOSSAS ALMAS 1, DA SÉRIE CÉSIO, 1999, DE SIRON FRANCO FONTE: <https://artenaescola.org.br/ecoart/material/siron-franco/#/de-olho-no-artista-no- brasil-e-no-mundo>. Acesso em: 27 dez. 2018. 198 UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES O artista criou um grande painel em lona denunciando a contaminação do meio ambiente pelo material radioativo césio 137, em Goiânia, em 1987, composto por colagem de roupas, radiografias e pinturas. A criação é considerada uma assemblage, que é um tipo de colagem. A criação é feita sobre um suporte qualquer, escolhido pelo artista. Como atividade, instigue os alunos sobre objetos e imagens que retratem a sua vida, que contem histórias da família ou da comunidade em que vivem. Assim, peça que tragam caixas vazias, imagens de revistas, fotografias, personagens que gostam, tudo que envolva seus gostos e preferências. A criação deve ser individual, construindo uma caixa assemblage, que reúna vários objetos, recortes de imagens ou fotografias, ou tudo que faça trazer algum sentido e significado em sua criação artística. Explore leituras e diálogos em grande grupo apresentando os resultados das caixas da vida. Por fim, cada aluno apresenta os sentidos e significados das escolhas mostradas em sua criação. FIGURA 40 – CRIANDO CAIXAS DA VIDA FONTE: <http://julian-arte.blogspot.com/p/planejamento.html>. Acesso em: 28 dez. 2018. Portanto, as representações visuais, elencadas por cada aluno, têm relação direta com as formas de socialização, do seu pensar e agir na sociedade, sendo influenciadas pelo que veem, ouvem e/ou escutam no seu dia a dia. DICAS Leia o artigo: O desafio de fazer História com imagens: arte e cultura visual, de Paulo Knauss. FONTE: <http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF12/ArtCultura%2012_knauss. pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019. TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS 199 4 RECURSOS REFERENTES À CULTURA VISUAL A cultura visual está por toda a parte na humanidade e deve provocar pensamentos e reflexões. Imagens mostram o mundo, revelam seus comportamentos, suas atitudes e formas de pensar. Imagens podem transformar os pensamentos das pessoas e também instigam novas criações. Vamos pensar sobre a imagem a seguir, chamada “Fatia de neve”, do artista britânico Andy Goldsworthy (1956). O que seria a imagem? Onde foi feita? Qual foi o material usado na criação? Tais materiais existem onde você mora? FIGURA 41 – FATIA DE NEVE, 1987. ARTISTA ANDY GOLDSWORTHY. INSTALAÇÃO COM NEVE E PEDAÇOS FINOS DE BAMBU. IZUMI-MURA (JAPÃO) FONTE: <https://lugarnenhum.net/arte/esculturas-com-gelo/>. Acesso em: 27 dez. 2018. A obra utiliza elementos naturais da natureza, como o gelo e o bambu, e é considerada uma criação efêmera. O artista registra suas produções por meio da fotografia, pois a obra tem pouco tempo de duração. Pensando um pouco mais em criações efêmeras, que tal propor uma prática aos alunos com montagens de elementos colhidos no caminho de casa até a escola? Organize grupos de alunos e peça para comporem suas criações em um espaço da escola. Lembre-se de registrar por meio da fotografia e, após, desmontar e reorganizar os materiais. Lembre os alunos de não arrancarem elementos da natureza, mas colherem o que está caído pelo chão. A cultura visual está expressa na experiência cotidiana do ser humano e assim vem discutir significados. As práticas educativas que são apresentadas em sala de aula, que enfatizam a cultura visual, podem trazer discussões e fazer o aluno pensar os significados para suas produções e possíveis escolhas. 200 UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES Trabalhar com fotografia na escola também é uma boa opção para analisar espaços, objetos e, consequentemente, conceitos estéticos, principalmente quando houver a apreciação de fotografias antigas e atuais. As propostas pedagógicas por meio da fotografia que buscam analisar a cultura visual podem ser interessantes para os alunos, justamente porque são imagens do cotidiano, imagens atuais e que expressam significados culturais relativos à vivência. Fotografias que retratam as pessoas (familiares, amigos, festas, encontros), fotografia de paisagens, lugares e objetos trazem ricas reflexões, mostrando as transformações do tempo, dialogando sobre as posturas, comportamentos, hábitos e costumes. DICAS Leia o artigo: A arte contemporânea e a cultura visual na sala de aula, de autoria de Ana Beatriz Campos Vaz. Resumo: Tema finalidade de discutir a arte contemporânea e a cultura visual e sua presença na sala de aula, amparado em autores que refletem sobre a imagem, como mediadora, dentro de uma perspectiva crítica. FONTE: <https://seminarioculturavisual.fav.ufg.br/up/778/o/2014-eixo3_a_arte_contempo- ranea_e_a_cultura.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019. 5 CONHECENDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE ENVOLVEM A CULTURA VISUAL O campo da cultura visual é amplo, transdisciplinar e propõe uma análise reflexiva sobre questões que estão relacionadas ao desenvolvimento humano dentro dos diversos contextos sociais e culturais que demandam um conhecimento abrangente dos signos e seus significados. A seguir, serão apresentadas propostas sobre a cultura visual que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes tendo como objetivo estimular a percepção visual e, consequentemente, a reflexão crítica dos alunos sobre os mais diversos conteúdos, assuntos e temas. Veja uma sugestão de plano de aula sobre a cultura visual: Objetivos: • Discutir o papel das imagens na contemporaneidade. • Realizar a semana da cultura visual na escola por um viés crítico-educativo. TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS 201 • Analisar a cultura do ver na experiência dos alunos. Estratégias e recursos da aula: • Aula sobre leitura de imagens (escolha imagens diversas sobre a temática que você deseja trabalhar): • Apresente aos alunos uma série de imagens e pesquise o que elas provocam neles: sentimentos, impressões, pensamentos, ideias etc. • Peça para que eles registrem em seus cadernos. • Terminada a sessão de imagens, peça que socializem o que registraram em seus cadernos com toda a turma. • Aulas que irão trabalhar com as imagens: • Após a análise das imagens, será desenvolvida uma produção visual sobre o entorno da escola e da comunidade. Antes dos alunos iniciarem o trabalho de campo, reúna os professores de diferentes disciplinas para a construção da proposta de trabalho. Cada área, a partir de seus conhecimentos, irá contribuir para a construção do projeto de produção visual dos grupos. • Promova, com os alunos, uma excursão pela comunidade e entorno da escola e peça que registrem as imagens diversas percebidas por eles: cenas do cotidiano, o dia a dia da comunidade, os movimentos, a arquitetura, flora e fauna, aspectos culturais dos hábitos daquela comunidade que são marcantes. Tais imagens serão registradas em formato de vídeo, fotos, desenhos, esboços etc. • Os grupos trarão para a sala de aula as imagens registradas e a leitura que fizeram de tais registros, suas impressões, emoções, sentimentos envolvidos ao manusearem tais imagens. • Cada grupo socializará suas imagens e suas impressões registradas para toda a turma. • Aulas de organização da Semana da Cultura Visual • Cada grupo organizará a apresentação da pesquisa realizada por meio de cartazes, folders, panfletos etc. Também precisará se organizar com relação ao espaço da exposição, horário etc. • A comunidade poderá ser convidada a participar do evento. Solicite uma avaliação da comunidade com feedback para os alunos. • Aula: Conclusão do projeto 202 UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES • Reserve um dia para que a atividade tenha uma avaliação conjunta entre alunos e professores participantes do projeto. Segue mais uma proposta por Paola Gentile, intitulada “Grande Viagem Cultural”: No início do ano passado, Célia Maria Meirelles começou a estudar a formação do povo brasileiro por meio da arte com suas turmas de 7ª série na Escola Municipal Governador Ildo Meneghetti, em Porto Alegre. Ninguém imaginava que o trabalho se estenderia por mais de um ano – só está previsto para terminar em junho. Tudo começou com um anúncio que a professora viu em uma revista. A página, dividida em quatro faixas horizontais (nas cores vermelha, amarela, branca e preta), tinha os dizeres: "Quando você mistura as cores das quatro raças, você tem a cor da Terra". Ela usou o material para cutucar a garotada e convidar a todos para uma longa viagem cultural. Antes do embarque, uma reflexão sobre a palavra viagem, ilustrada com imagens de jornais e revistas. Os alunos descreveram e justificaram suas escolhas, falaram sobre as sensações ao apreciar os trabalhos. A primeira escala foi no Brasil antes da chegada dos portugueses. Os jovens estudaram o significado das formas geométricas presentes nas pinturas corporais e em cestas e potes. Em seguida, produziram peças de cerâmica e madeira. Aproveitando o interesse provocado pela Copa do Mundo na Coreia do Sul e no Japão, a Ásia virou foco de estudo. Durante uma semana, todos anotaram o que viram nos jornais e ouviram na televisão sobre o Oriente, para compartilhar dúvidas em classe. Depois, os alunos participaram de oficinas de origâmis e chapéus típicos de papel-machê e, junto com outros professores, tomaram chá verde em silêncio, como em um típico ritual oriental. A cultura negra rendeu estudos sobre tecidos e joias, com direito à re- produção de estamparias e adereços – devidamente acompanhados de textos explicativos. Neste ano, o trabalho recomeçou com os europeus. Contudo, o grande barato é mesmo o produto final bolado por Célia e seus alunos: a montagem de malas que revelassem todas as cultu- ras estudadas, tal qual um turista que guarda objetos dos lugares que visitou para nunca se esquecer do que aprendeu na viagem. FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/1018/um-mundo-de-imagens-pa- ra-ler>. Acesso em: 19 fev. 2019. 203 Neste tópico, você aprendeu que: ● A cultura visual possibilita diferentes leituras, compreensões, experiências e percepções subjetivas, fazendo o aluno sentir, pensar, construir novos conhecimentos a partir das imagens do cotidiano. ● As imagens da publicidade, da moda, da arquitetura, do dia a dia dos alunos fazem parte da cultura visual. ● A cultura visual está expressa na experiência cotidiana do ser humano e, assim, vem discutir significados e seus sentidos. ● As práticas educativas que são apresentadas em sala de aula, enfatizando a cultura visual, podem trazer discussões e fazer o aluno pensar sobre os significados existentes socialmente e culturalmente, promovendo escolhas, opiniões e saberes diversos. RESUMO DO TÓPICO 2 204 AUTOATIVIDADE 1 Segundo Martins (2004), sobre a cultura visual, assinale a alternativa que preenche a lacuna corretamente: A cultura visual é considerada um campo novo em razão do foco no visual com prioridade da experiência do ______________________. a) cotidiano. b) fazer artístico. c) contextualizar. d) imagético. 2 Sobre a cultura visual, segundo Tavin (2009), analise os itens a seguir: I- Uma condição cultural na qual a experiência humana é profundamente afetada por imagens, novas tecnologias do olhar e diversas práticas do ver, mostrar e retratar. II- Um conjunto inclusivo de imagens, objetos e aparatos. III- Um campo de estudo crítico que examina e interpreta díspares manifestações de experiências visuais em uma cultura. IV- Uma condição cultural na qual a experiência humana não é afetada por imagens e sim por práticas visuais. Estão CORRETOS os seguintes itens: a) Os itens II e III. b) Os itens I e III. c) Os itens I, III e IV. d) Os itens I, II e III. 3 Organize uma proposta prática enfatizando os campos conceituais da arte referentes à cultura visual nas aulas. Como exemplo, leve revistas para recorte e peça para os alunos retirarem uma imagem que mais chama a atenção. Pense com os alunos no que seria feito com tal imagem. Por que escolheram as imagens? Instigue os alunos a olharem. Que proposta prática poderia ser feita? Anote suas ideias e monte um planejamento pensando sobre a temática da cultura visual. 205 TÓPICO 3 PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS EMATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO No terceiro tópico serão apresentadas as ferramentas, além dos materiais visuais utilizados nas aulas de artes. O assunto se faz necessário, pois quando for utilizar determinada ferramenta e material com os alunos, deve-se observar para que é utilizado e como usar, principalmente em relação ao uso das tintas, uma vez que nem todas as tintas são adequadas a todos os tipos de bases e/ou materiais. Na produção de ferramentas e materiais visuais, os procedimentos serão no “fazer” da criação, trazendo no texto o passo a passo de como organizar na aula de artes. 2 CONHECENDO AS FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS Nas aulas de artes, as ferramentas utilizadas são o quadro, giz, livros, multimídia, obras de arte impressas, pincéis etc. As ferramentas são utilizadas como apoio nos conteúdos de artes e nas criações do fazer artístico. Já os materiais visuais são as tintas, os papéis, a tela. Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial quando se inicia a lecionar em uma escola. É importante verificar o que a escola oferece de ferramentas e materiais, bem como o que os alunos podem trazer nas aulas. Geralmente, a escola dispõe de uma lista de materiais para cada turma de alunos, assim, providenciam para uso nas aulas. É interessante organizar uma caixa, que pode ser uma caixa de sapato usada, com os materiais de cada aluno para que seja utilizada durante o ano letivo. Essa caixa pode ficar na sala de aula para que seja usada em todas as aulas, não somente na aula de artes, mas sim, quando alguma aula sentir a necessidade de desenvolver trabalhos artísticos como desenho, pintura, colagem, gravura etc. Já para o professor, como sugestão de organizar os seus materiais, poderia utilizar uma caixa maior, ou usar um armário ou até em uma mala antiga, e se a mala tiver rodinha, é possível levar de sala em sala. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 206 Pensando sobre as ferramentas e materiais nas aulas de artes, para um bom andamento de uma atividade artística, é preciso deixar organizado o que irá utilizar com a turma de alunos. Assim, verifique com a escola ou com os alunos os seguintes materiais para a realização da atividade, ou seja, se temos papéis (que tipo de papéis), tintas (verificar as cores), os pincéis (verificar o tamanho), potes para lavar os pincéis, panos para limpeza, jornais velhos, tesoura, cola, lápis de cor (verificar as cores) e demais materiais que forem necessários. Tudo é essencial para a realização das atividades artísticas. Assim, os materiais que são considerados como itens básicos para as aulas de artes são: pincéis, tintas, lápis de cor, giz de cera, canetinhas, papéis A4 e A3 (branco e coloridos), tesoura, cola etc. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 192), os materiais fazem parte da obra, da criação, do suporte, da poética apresentada. O estudo da materialidade das obras de artes nos aproxima da poética dos materiais, do sentido que brota e de que modo brota da própria matéria pela sua simbolização. Matéria, procedimentos com a matéria, suportes e ferramentas estão envolvidos intrinsecamente. Assim, se a escola não disponibiliza uma sala específica de artes e as aulas acontecem na própria sala da turma, é preciso ter o cuidado com as mesas no momento de atividades práticas, sendo necessário, muitas vezes, forrar as mesas com jornais ou papéis velhos. Durante o ano letivo, as aulas podem necessitar de outros materiais como os recicláveis (garrafas pet vazias, caixas, rolinhos de papel higiênico etc.) ou materiais orgânicos/naturais (folhas secas, pedras, sementes etc.). O professor precisa se organizar antecipadamente para solicitar esse tipo de material para os alunos. É importante estimular os alunos a reutilizarem e criarem produções a partir de materiais recicláveis. Para desenvolver produções artísticas, nada mais interessante que ter uma sala de artes organizada que pode ser chamada de “ateliê escolar”. Segue uma dica de como organizar um ateliê e quais atividades podem ser desenvolvidas. O ateliê escolar, por mais modesto que seja, sempre será um local que pode ser prazeroso tanto para o profissional como para os seus alunos ficarem à vontade para usar a Arte como expressão. Professor, prepare o seu palco! • Viver a arte As experiências em artes visuais são fundamentais na educação infantil. O mais importante e básico é a criança ter espaço para viver a arte na escola. TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES 207 • Espaço Previamente preparado com riqueza de materiais para que a criança possa escolher o material para a sua expressão artística. • Professor Aula preparada sempre, se não conhece a técnica faz a sua experimentação anteriormente. Explicar a proposta, incentivar o aluno para experimentar, trazer informações, mostrar as possibilidades e deixar o aluno criar. • Registro Documentar o suporte (papel, caixa, sucata, tela) que será utilizado com logo da escola, nome da criança, tema e técnica. Caso o suporte seja a parede de azulejos, o chão etc., registre através da fotografia. O artista precisa ser valorizado, cuidando que a sua obra seja sempre identificada, exposta para todos da escola e para os pais. FIGURA 42 – GARFOS SENDO USADOS COMO PINCÉIS NA AULA DE ARTES FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/como-montar-seu-atelie- escolar/>. Acesso em: 18 fev. 2019. • Sugestões de materiais para ateliê • Tintas variadas e espessas (todas solúveis em água). • Pincéis de variados tamanhos (chatos, redondos, brochas pequenas). • Rolinhos de espuma. • Lápis de cor, giz de cera e outros. • Papéis canson, paraná, sulfite, kraft, revistas coloridas e outros. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 208 • Tela para pintura. • Cola líquida para atividades diversas. • Cola em bastão para uso no papel. • Sucatas divididas por materiais: garrafas grandes, garrafas pequenas, retalhos de papelão, retalhos de papéis coloridos, retalhos de madeira, caixas de ovos, caixas grandes, caixas pequenas etc. • Potes contendo: botões, pastilhas, lixas, folhas secas, sementes, serragem, conchinhas, pedras pequenas, pedras lisas e rugosas, tampinhas variadas, argolas grandes e pequenas, retalhos de tecidos, giz de lousa e de costura, carvão para desenho, borrifadores, linhas, barbantes ou outros tipos de fios, canudos de refresco, palitos de sorvete, rolhas de diversos tamanhos, cones de linha e carreteis vazios, massa de modelar, argila, areia, farinha… • E o que mais a criatividade imaginar. Assim, vamos conhecer um relato escrito na revista Nova Escola, que enfatiza sobre fabricar materiais apontando possibilidades artísticas, intitulado “Meu pincel, minha tinta”, reportagem de Luiza Andrade (2009). FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/1046/meu-pincel-minha-tinta>. Acesso em: 19 fev. 2019. Considerado um dos maiores pintores do século 20, o francês Henri Matisse (1869-1954) não era um artista de materiais convencionais. Na década de 1940, para vivenciar um novo jeito de pintar, realizou uma famosa série de obras com um pincel preso a uma longa vareta. Isso transformou também o suporte de sua pintura: em vez da tela tradicional, ele optou por um mural preso a uma parede. O francês não está só: assim como Matisse, muitos artistas lançam mão de recursos parecidos, utilizando galhos, folhas, escovas de dente e até vassouras como ferramentas para realizar diversos quadros. A sala de aula pode ser palco de um processo semelhante, que se estende por todo o Ensino Fundamental. Desenvolver esse tipo de atividade com a classe permite explorar inúmeras formas de fazer arte. "É experimentando que o artista descobre cada vez mais ferramentas,suportes e procedimentos. Na escola, contemplar essa variação amplia o leque de possibilidades expressivas dos alunos", diz Mirian Celeste Martins. Para o professor, o trabalho começa antes mesmo de se propor a atividade aos alunos. "É importante investigar materiais variados e dedicar especial atenção aos recursos naturais próximos à escola que podem servir de base para as ferramentas", explica Marisa Szpigel. Em seguida, é o momento de convidar toda a turma para embarcar na exploração. Ao apresentar os exemplos que havia pesquisado, Silvanete Pereira Lima, professora da 3ª série da EM Roseana Sarney, em Pindaré Mirim, à 180 quilômetros de distância de São Luís, pediu que os alunos trouxessem ideias de casa. O grupo soltou a imaginação e criou ferramentas com gravetos, cabos de vassoura, bambus, canos, escovas de dente e palitos de sorvete e de churrasco. Pelos, espumas, buchas e penas, entre outros, foram presos aos suportes com barbante, linha ou fita adesiva. No levantamento das matérias-primas para tintas, a mesma avalanche de sugestões: areia colorida, argila, borra de café, açaí, buriti, carvão, urucum, giz, cenoura, espinafre e beterraba. TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES 209 O conteúdo do 6º ao 9º ano – Nas séries finais do Ensino Fundamental, os conteúdos já estudados nas aulas de Arte ficam mais complexos. "É importante, sim, que o que já foi visto seja retomado, com aprofundamento e ampliação do repertório", afirma Mirian Celeste Martins. A fabricação de tintas e pincéis pode voltar, então, como uma aliada de novos projetos. Um bom exemplo é incentivar os alunos a encontrarem modos particulares de trabalhar com a cor. "Para isso, você pode mostrar, como referência, obras de vários artistas contemporâneos, como as do pintor e ilustrador paulista Paulo Pasta, que revelam tons com contrastes sutis e brincam com a percepção da cor; as do gaúcho Iberê Camargo (1914-1994), com grossas camadas e muita tinta; e as do paulista Thomaz Ianelli (1932-2001), mais diluídas", sugere Mirian. Nessa fase, a ideia é que as novas ferramentas e o maior conhecimento de arte contemporânea possibilitem a cada aluno a chance de desenvolver melhor uma forma própria de se relacionar com as cores. O ato de fabricar ferramentas é, por si só, conteúdo curricular: É preciso ter em mente que a fabricação de pincéis e tintas não é mera preparação para a aula. A atividade já é um conteúdo, pois o aspecto final da obra depende diretamente da forma e da qualidade das ferramentas. Você pode e deve pontuar o processo com questões relativas ao produto final: que tipo de pincelada o pelo escolhido para o pincel vai produzir? O que acontece se eu usar mais ou menos pigmento na tinta? "Esse tipo de indagação estética faz todo sentido, pois a ferramenta é um artefato com forma e função. A fabricação não deve ser entendida como uma linha de produção, mas como um processo de desenvolvimento de estratégias artísticas pessoais", explica Marisa. A turma de 4º ano da EM Deputado José Carlos Vaz de Miranda, em Vassouras, à 89 quilômetros de distância do Rio de Janeiro, percebeu isso na prática. Entre a diversidade de pincéis criados – com mato, pedaços de flores ou enfeites de durex colorido –, uma das crianças escolheu um modelo com folhas de árvores bem grandes e surpreendeu-se com o efeito. "Ela notou que bastava uma pincelada para cobrir uma folha inteira de papel. Por isso, acabou precisando encontrar um suporte maior para pintar", conta a professora Solange Maria da Silva Guimarães. Instrumentos prontos, chega a hora de utilizá-los para as pinturas, sempre no plural. É que, como explica Mirian, um projeto de Arte não visa gerar apenas uma produção, mas uma série que traduza as intenções de cada criança. "Ocorre o mesmo com os artistas. Para pintar Guernica, Pablo Picasso (1881- 1973) fez uma série de esboços, que, além de servirem de base para o quadro, são tão importantes que foram considerados obras acabadas, inspirando outras criações do artista", afirma. Propor uma série de pinturas para amadurecer a produção: O tema dessa série de produções é bastante variável. "Pode ser livre, de observação, de imaginação. O que será feito com os materiais é um novo conteúdo e estimulará o debate sobre o que essa ferramenta pode ajudar a produzir. É ainda uma boa hora para testar suportes diferentes para a pintura, como mesa, parede e chão", diz Marisa. A professora Silvanete optou pelo tema livre, do qual saíram cores, texturas e formas surpreendentes. Já Solange escolheu o desenho de observação de árvores do pátio da escola – isso depois de apresentar referências variadas. Em todos os casos, o resultado é sempre diverso daquele em que são usados materiais convencionais, pois introduz não apenas ferramentas diferentes, mas também novos jeitos de pintar e pensar a Arte. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 210 DICAS Leia na íntegra o texto e conheça as imagens. FONTE: <https://novaescola. org.br/conteudo/1046/meu-pincel-minha-tinta>. Acesso em: 7 jan. 2019. 3 PRODUZINDO FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS Como sugestão, ao realizar uma atividade em sala de aula, com alunos que já a terminaram e para não ficarem ociosos e andando pela sala, apresente a caixa de ideias. Pode ser produzido o material colocando em uma sacola ou caixa. Dentro da caixa colocar as palavras de temas que os alunos poderão desenhar. A atividade será por sorteio, isto é, o aluno coloca a mão na sacola ou caixa e retira dela um bilhete, no qual está escrito algum tema. O desenho será construído a partir do sorteio do assunto. Os alunos gostam, muitas vezes sorteiam mais de um tema, e assim, a cena se constrói com mais detalhes, misturando as temáticas sorteadas. DICAS Temas/palavras para o sorteio: Parque de diversões, navio de piratas, casa assombrada, loja de brinquedos, supermercado, sorveteria, caverna do dragão, circo, fazenda, piquenique, zoológico, aquário, templo oriental, convenção das bruxas, consultório de dentista, nave extraterrestre, festival de música, noite de natal, baile de carnaval, morada de anjos celestiais, mundo submarino, lançamento de foguete, praia, vale dos dinossauros, casamento, estúdio de televisão, floresta selvagem, fábrica de automóveis, jardim florido, estação de trem, corrida de fórmula 1, piscina do clube, banda de rock, palácio do imperador, confeitaria, salão de beleza, cinema, tribo de índios, castelo medieval, vampiros, colmeia, missa católica, cemitério, festa de aniversário, super- heróis, restaurante, barcos, mundo de gnomos, tendas de ciganos, bombeiros, antigo Egito, país das maravilhas, corrida de balões, desfile de moda, acampamento, mapa do tesouro, exposição de artes, corrida de cavalos, terra da fantasia, inferno, pizzas e saladas, hospital, páscoa, festa junina, bebê chorando, bicicleta, cachorro e gato, castelo, dinossauro, Mickey e Minnie, Bob esponja, Peppa, borboletas azuis, panelas e xícaras, vassoura, sofá e abajur. As palavras como temas de desenho e criação podem ser escritas em papéis e recortadas uma a uma, dobradas e colocadas em uma caixa ou bolsa de sorteio. Mantenha o material sempre em mãos para usar quando necessário. Outros materiais podem ser produzidos para as aulas de artes, a seguir alguns exemplos com passo a passo: TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES 211 DICAS Leia o plano de aula. FONTE: <http://marinatanzi.blogspot.com/2016/07/plano-de-aula-com-massinha-de-mde lar.html>. Acesso em: 15 fev. 2019. • Massa de modelar caseira: Materiais necessários: 1 xícara de sal de cozinha, 4 xícaras de farinha de trigo, 2 colheres de óleo de cozinha, 1 colher de vinagre branco, 1 xícara e meia de água. Como fazer: Misture todos osingredientes e amasse-os. Para colorir utilize corantes alimentícios de várias cores. Guarde cada cor em um pote e coloque na geladeira para não estragar. Proposta pedagógica: é possível criar inúmeras formas figurativas e/ou abstratas tridimensionais. FIGURA 43 – RECEITA E PASSO A PASSO DA MASSINHA DE MODELAR CASEIRA FONTE: <http://www.mamaetagarela.com/massinha-de-modelar-caseira/>. Acesso em: 28 dez. 2018. UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 212 • Cola colorida: Materiais necessários: precisamos de corantes como anelina ou guache e cola branca. Como fazer: misturar bem a cola com o corante. Proposta pedagógica: é possível criarmos pinturas diversas, bem como trabalharmos com linhas inspiradas em várias obras de arte, por exemplo, obras abstratas. DICAS Livro de técnicas da Faber Castell. FONTE: <http://educacao.faber-castell. com.br/wp-content/uploads/2014/07/livrotecnicas-parte2.pdf>. Acesso em: 29 dez. 2018. ● Papel reciclado: Materiais necessários: balde, água, bacias/vasilhas plásticas, molduras com tela (que podem ser substituídas por peneiras), papéis usados, jornal, cola ou grude, liquidificador. Como fazer: 1) preparar as mesas da sala de aula forrando-as com jornal; 2) disponibilize os materiais aos alunos: balde, água, bacias/vasilhas plásticas, molduras com tela (que podem ser substituídas por peneiras), papéis usados, jornal, cola ou grude; 3) solicite aos alunos para que piquem os retalhos de papel coletados e coloquem de molho em uma bacia/balde com água; 4) coloquem o papel amolecido no liquidificador com água e batam a mistura para obtenção da polpa; 5) despejem a polpa em uma vasilha grande e quadrada com água; 6) colham a polpa com a moldura (ou peneira) de baixo para cima, no sentido de criar uma película sobre a tela; 7) coloquem para secagem em local seguro e de fácil ventilação. Proposta pedagógica: é possível aproveitar o papel reciclado como tela, moldura, capa etc., criando sobre ele pinturas, desenhos, gravuras, colagens etc. TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES 213 FIGURA 44 – RESULTADO DO PAPEL RECICLADO FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19338>. Acesso em: 2 jan. 2019. Leia na íntegra um plano de aula sobre o papel reciclado. O plano conta em detalhes o processo de produção de papel, desde pesquisas com os alunos com sugestões de leituras. Acesse o link a seguir. FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/ fichaTecnicaAula.html?aula=19338>. Acesso em: 15 fev. 2019. UNI UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 214 • Criando pincéis: que tal produzir pincéis com esponjas usadas? Materiais necessários: esponja de espuma (tipo de lavar louça), tesoura, grampos de roupa. Como fazer: corte em pequenos pedaços a esponja e prenda cada pedaço em um grampo de roupa. Criar vários pincéis de esponja para utilizar todas as cores. Proposta pedagógica: a pintura poderá ser de carimbar ou esfregar sobre diversos tipos de papéis. FIGURA 45 – PINCÉIS COM GRAMPO E ESPONJA FONTE: <https://trabalhosdaprofivani.blogspot.com/2012/09/jogos-e-atividades-ludicas-com. html>. Acesso em: 17 jan. 2019. DICAS Leia na íntegra um plano sobre uso de pincéis como a esponja explorando o estudo das cores. FONTE: <https://planosdeaula.blogspot.com/2006/10/aula-de-artes.html>. Acesso em: 15 fev. 2019. TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES 215 LEITURA COMPLEMENTAR QUE MATERIAIS SÃO USADOS NA ARTE MODERNA? Na Arte Moderna, os materiais utilizados variam conforme as preferências do artista. Se for pintor, escultor, cinegrafista ou fotógrafo, o meio determinará os tipos de materiais que serão utilizados. Praticamente qualquer coisa imaginável pode ser usada dentro de todos os distintos ramos da arte visual. Pintura Pintores usam a tinta para expressar suas ideias no mundo real, de uma maneira que a fotografia não é capaz. Pinturas são vivas. A tinta pode ser aplicada em toda superfície tratada. Tudo o que é necessário são algumas demãos de gesso, o qual é um fundo especialmente desenvolvido para a pintura. É necessário lixar entre as camadas. Pintores usam tinta a óleo, acrílica ou guache. Todas as três têm o poder de fazer obras de arte incríveis. Cada uma é diferente das outras e possui características particulares. Artistas de aquarela usam um papel especial para esse tipo de tinta. Pintores também podem utilizar bisnagas de tinta a óleo, que são específicas para a pintura. Desenho Pintores devem ser capazes de desenhar bem para fazer pinturas de qualidade. Em retratos usa-se caneta, carvão, pastel, hidrocor, giz, lápis e lápis de cor. Qualquer uma das ferramentas pode ser usada em conjunto ou individualmente para fazer uma obra de arte. Caneta e tinta normalmente são compradas separadamente e a caneta é de um tipo especial. O carvão vegetal é utilizado em folhas maiores, geralmente papel-jornal para o esboço e papel de qualidade superior para a obra final. O carvão pode aparecer em uma variedade de cores. Por vezes, no entanto, apenas o preto é utilizado. Artistas usam canetas hidrocor para preencher com cor, e para criar renderizações e desenhos requintados. Giz colorido é popular entre artistas de rua, que criam representações brilhantes nas calçadas. Já o lápis de cor deve ser pressionado para fazer renderizações mais escuras, que têm mais apelo do que desenhos levemente sombreados. Desenhistas podem recorrer a qualquer superfície que desejam. Podem desenhar na cartolina, prancheta, papel branco, papel colorido, ou na superfície mais adequada. Mistura de materiais Artistas que misturam materiais usam imagens, padrões, tecidos, papel, plástico, formas tridimensionais, materiais secos. Os artistas podem usar praticamente qualquer coisa para poderem fazer uma obra de arte. Eles juntam materiais sobre madeira, tela emoldurada, ou sobre qualquer superfície plana ou UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES 216 curva com a qual seja possível fazer uma obra de arte. Esses artistas se inspiram em sua experiência pessoal e em outros artistas para formular uma obra de arte. Selecionam materiais que se relacionam com a ideia que desejam transmitir. Às vezes, também podem utilizar itens aparentemente desconexos e deixar o admirador fazer associações entre os materiais. Ainda, por vezes, os materiais são combinados meramente pelo efeito estético que proporcionam. Escultura No contexto da arte tridimensional, nada vai tão longe quanto os materiais usados nela. Escultores já fizeram esculturas de tudo, desde peças de automóveis até pétalas de flores. Eles adicionam ou removem materiais quando fazem esculturas. Também podem fazê-las em moldes. Em um processo subtrativo, eles esculpem removendo partes dos materiais. Também usam madeira, pedra-sabão, mármore, e qualquer coisa que possa ser esculpida com um cinzel ou ferramentas elétricas. Quando criam suas esculturas, alguns artistas fazem um molde de plástico, borracha ou gesso. O molde pode ser preenchido com resina, bronze ou qualquer material passível de ser fundido. Fotografia e vídeo Fotógrafos usam uma variedade de dispositivos e acessórios para poderem criar imagens incríveis. Eles podem escolher uma vasta gama de modelos de câmeras, das baratas às mais caras. Podem usar lentes grande-angular para capturar imagens a uma grande distância. Ainda, podem usam filtros de luz para capturar um brilho específico. Uma gama de lentes está disponível para fins específicos. E eles ainda podem usar Photoshop para ajustar e modificar imagens. Já os videomakers usam o Adobe Premiere para editar, combinar e adicionar som a produções de vídeo. Ambos usam tripés para equilibrare estabilizar suas câmeras. Kits de iluminação são usados para fornecer a quantidade certa de luz no lugar exato em que se deseja. Leia o texto na íntegra acessando o link a seguir. FONTE: <https://www.ehow.com.br/materiais-usados-moderna-sobre_6407/>. Acesso em: 30 out. 2018. 217 Neste tópico, você aprendeu que: ● As ferramentas são utilizadas como apoio nos conteúdos de artes e nas criações do fazer artístico. ● Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial para desenvolver produções artísticas. ● Verificar o que a escola oferece de materiais e o que os alunos podem trazer nas aulas são boas estratégias para iniciar o planejamento. ● Os materiais que são considerados itens básicos para as aulas de artes são: pincéis, tintas, lápis de cor, giz de cera, canetinhas, papéis A4 e A3 (brancos e coloridos), tesoura, cola, entre outros. ● Se a escola não disponibiliza uma sala de artes específica, e as aulas acontecem na própria sala da turma, é preciso ter o cuidado com as mesas no momento de atividades práticas. ● Durante o ano letivo, as aulas podem necessitar de outros materiais como recicláveis ou materiais orgânicos/naturais. ● Crie com os alunos os materiais em sala de aula desenvolvendo o estudo de conteúdos de arte. RESUMO DO TÓPICO 3 218 AUTOATIVIDADE 1 Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010), assinale a alternativa que preenche a lacuna a seguir CORRETAMENTE: “Combinações de materiais. Cada material, uma _____________ que dá consistência física à obra de arte”. a) criação b) exposição c) combinação d) matéria 2 Assinalar a alternativa que preenche a lacuna CORRETAMENTE: Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial quando se inicia a lecionar em uma escola. É importante verificar o que a escola oferece de ferramentas e materiais, bem como, o que os alunos podem trazer nas aulas. Geralmente, a escola dispõe de uma ___________ para cada turma de alunos, assim, os mesmos providenciam estes materiais para uso nas aulas de artes. a) lista de materiais b) caixa de materiais c) caixa de ferramentas d) lista de livros 3 Crie uma proposta prática para a aula de artes produzindo um material com os alunos, como produção de tintas. Observe no texto do Tópico 3 as sugestões já utilizadas. Vamos lá! 219 REFERÊNCIAS ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo. Companhia das Letras, 1992. BARBOSA Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: Editora C/Arte. 1998. BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da Arte: anos 1980 e novos tempos. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010. BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação: leitura no subsolo. Editora Cortez 2. ed. São Paulo, 1991. BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e mudanças no ensino de arte. São Paulo: Cortez, 2002. BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo: Cultrix, 1978. BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo: Cultrix, 1975. BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998. BARBOSA, Ana Mae; CUNHA, Fernanda Pereira da (Orgs.). Abordagem triangular: no ensino das artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez, 2010. BARBOSA, Ana. Mae. 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