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Direito do Trabalho I - CURTAM E SALVEM O MATERIAL!!!

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2021.2 
Direito do Trabalho I Direito do Trabalho I 
 
 
Antecedentes Históricos 
 
É impossível compreender o Direito do Trabalho sem 
conhecer o seu passado. Este ramo do Direito é 
muito dinâmico, mudando as condições de trabalho 
com muita frequência, pois está ligado com as 
questões econômicas. 
Para analisar o direito do trabalho, se faz necessário 
lembrar sua gênese e de seu desenvolvimento no 
decorrer do tempo. 
 
→ Trabalho vem do latim “tripaluim” que era 
uma espécie de instrumento de tortura. 
 
O primeiro trabalho da humanidade foi a escravidão, 
assim, inicialmente, o termo “trabalho” tinha um tom 
pejorativo, pois remetia a essa primeira função. 
 
O trabalho advém da agregação social onde se 
trabalhava por conta própria (para sua 
sobrevivência) ou por trabalho conta alheia. Assim se 
trabalhar por conta própria já possuía por si a ideia 
de pena, o trabalho por conta alheia impôs um 
sentimento bem mais negativo, pois as ideias mais 
remotas em torno desse tópico remetem 
diretamente a sofrimento e dor, como já foi 
explicado. 
 
A professora Aldacy Rachid Coutinho realizou 
incursão etimológica e por meio desta é possível 
perceber a concepção originária da expressão 
“trabalho”: 
 
Nas mais variadas línguas, a expressão trabalho 
trouxe acorrentado o significado da dor. De um lado, o 
português trabalho, o francês travail e o espanhol trabajo, 
remontam à sua origem latina no vocábulo trepalium ou 
tripalium, um instrumento de tortura composto de três paus 
ferrados ou, ainda, um aparelho que servia para prender 
grandes animais domésticos enquanto eram ferrados. Por 
denotação, do seu emprego na forma verbal — tripaliare 
—, passa a representar qualquer ato que represente dor e 
sofrimento. (...). De outro lado, a expressão italiana lavoro e a 
inglesa labour derivam de labor, que em latim significava dor, 
sofrimento, esforço, fadiga, atividade penosa. Seu 
correspondente grego era ponos, que deu origem à palavra 
pena. 
A ressignificação da palavra “trabalho”, 
como atributo de dignidade e de 
valor, decorreu de um novo sentido que lhe foi 
outorgado por aqueles que, sendo submissos 
(escravos e servos), encontravam nele a chave para 
a liberdade e por aqueles que, sendo livres, atribuíam 
a ele o valor de lazer e de aperfeiçoamento do 
espírito. 
 
Linha do tempo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Escravidão: o escravo era considerado 
apenas uma coisa, não tendo qualquer 
direito, muito menos trabalhista. O escravo, 
portanto, não era considerado sujeito de 
direito. Neste período o trabalho escravo 
perdurava até quando o escravo vivesse ou 
deixasse de ter essa condição. 
 
2. Grécia: Platão e Aristóteles entendiam que 
o trabalho tinha sentido pejorativo, pois 
envolvia apenas a força física e naquele 
momento histórico a dignidade do homem 
consistia em participar dos negócios da 
cidade por meio da palavra (os escravos 
trabalhavam duro, enquanto os outros 
Primeira forma de 
trabalho: Escravidão 
Grécia 
Roma 
Idade Média 
Corporações 
de Ofício 
Revolução Francesa 
Revolução Industrial 
 
 
(intelectuais) podiam ser livres). Aqui o 
trabalho não tinha o significado de 
realização pessoal. 
 Vale ressaltar que Hesído, Protágoras 
e os Sofistas mostram o valor social e 
religioso do trabalho, no sentido de que 
agradaria os deuses, criando riquezas 
e tornando os homens independentes. 
 
3. Roma: o trabalho era visto como algo 
desonroso, mas existiam homens livres que 
desenvolviam atividades independentes. 
 
4. Idade Média: num segundo momento, 
encontramos a servidão. Era a época do 
feudalismo, em que os senhores feudais 
davam proteção militar e política aos 
servos, que não eram livres, mas, ao 
contrário, tinham de prestar serviços na 
terra do senhor feudal. Deveriam os servos 
entregar parte da produção rural aos 
senhores feudais e m troca da proteção 
que recebiam e do uso da terra. 
Evidenciava-se também a continuidade do 
trabalho até que o servo falecesse ou 
deixasse de ter essa condição. Inexistia, 
ainda, nesse momento contrato de trabalho. 
Nessa época, o trabalho era considerado um 
castigo. Os nobres não trabalhavam. 
 
5. Corporações de Oficio: observamos num 
terceiro plano as corporações de ofício, em 
que existiam três personagens: os mestres, 
os companheiros e os aprendizes. No início 
das corporações de ofício só existiam dois 
graus dentro dessas organizações: 
mestres e aprendizes. No século XIV. surge 
o grau intermediário dos companheiros. 
Os mestres eram os proprietários das 
oficinas, que já tinham passado 
pela prova da obra-mestra. Os 
companheiros eram trabalhadores que 
percebiam salários dos mestres. Os 
aprendizes eram os menores que recebiam 
dos mestres o ensino metódico do ofício ou 
profissão. 
 Repara-se que nessa fase histórica 
havia um pouco mais de “liberdade” 
para os trabalhadores, PORÉM o que 
realmente importava eram os 
interesses das corporações mais do 
que conferir qualquer proteção aos 
trabalhadores. 
 
 
 
6. Revolução Francesa: as corporações de 
ofício foram suprimidas com a Revolução 
Francesa de 1789, pois foram consideradas 
incompatíveis com o ideal de liberdade do 
homem. Dizia Rousseau, na época, que a 
liberdade individual repele a existência de 
corpos intermediários entre o indivíduo e o 
Estado. Outras causas da extinção das 
corporações de ofício foram a liberdade de 
comércio e o encarecimento dos produtos 
das corporações. Em 1791, logo após a 
Revolução Francesa, houve na França o 
início da liberdade contratual. O Decreto 
d’Allarde suprimiu de vez as corporações de 
ofício, permitindo a liberdade de trabalho. A Lei Le 
Chapelier, de 1791, proibia o restabelecimento das 
corporações de ofício, o agrupamento de 
profissionais e as coalizões, eliminando as 
corporações de cidadãos. 
 
Mestres: que eram os 
donos das oficinas, 
que já tinham 
passado pela prova de 
obra-mestra.
Companheiros: que
recebiam salários dos 
mestres. 
Aprendizes: que eram os menores de 
idade, ensinados pelos mestres, o ensino 
metódico do ofício ou profissão.
 
 
7. Rev. Industrial: a Revolução Industrial acabou 
transformando o trabalho em emprego. 
Os trabalhadores, de maneira geral, 
passaram a trabalhar por salários. Com a 
mudança, houve uma nova cultura a ser 
apreendida e uma antiga a ser 
desconsiderada. 
 
 Num primeiro momento, o contrato de 
trabalho era celebrado mediante livre 
acordo entre as partes. Entretanto, 
constatava-se que o empregador 
ainda era o senhor do trabalhador, 
extinguindo a relação a qualquer 
momento, sem qualquer 
responsabilidade. O contrato era 
rescindido sem pagamento de 
indenização. Na prática, havia uma 
espécie de servidão, pois era 
explorado o trabalho dos menores e 
das mulheres, que, além de 
trabalharem jornadas excessivas 
de doze até dezesseis horas por dia, 
ainda tinham salários ínfimos. 
 
Afirma-se que o Direito do Trabalho e o contrato de 
trabalho passaram a desenvolver-se com o 
surgimento da Rev. Industrial. 
Constata-se nessa época que a principal causa 
econômica do surgimento da Revolução Industrial 
foi o aparecimento da máquina a vapor como fonte 
energética. Com o surgimento da máquina a vapor, 
houve a instalação das indústrias onde existisse 
carvão, como ocorreu na Inglaterra. O trabalhador 
prestava serviços e m condições insalubres, 
estavam sujeitos a incêndios, explosões, intoxicação 
por gases, inundações, desmoronamentos, 
prestando serviços por baixos salários e trabalhando 
muito mais do que oito horas por dia. Ocorriam 
muitos acidentes de trabalho, além de várias 
doenças decorrentes dos gases, da poeira, 
principalmente a tuberculose e a asma. 
 
Começa a haver necessidade de intervenção estatal 
nas relações de trabalho, dados os abusos que 
vinham sendo cometidos, de modo geral, pelos 
empregadores. Passa, portanto, a haver um 
intervencionismo do Estado, principalmente para 
realizar o bem-estar social e melhorar

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