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câncer do endométrio

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CÂNCER DO ENDOMÉTRIO 
AULA 5 – GINECOLOGIA E OBSTETRICIA 
EPIDEMIOLOGIA 
Nos EUA: 
♥ 25,3 para cada 100 mil mulheres 
♥ 4,4 mortes a cada 100 mil mulheres 
No Brasil: 
♥ 6° câncer mais comum em mulheres, excluindo 
lesões não melanotica; 
♥ 6,74 casos em 100 mil mulheres 
♥ Região norte: 2,71 casos em 100 mil mulheres 
♥ Região sudoeste: 9,58 casos em 100 mil mulheres 
Idade mais comum é nas mulheres entre 50 e 65 anos – 
perimenopausa e menopausa. 
25% são diagnosticados antes da menopausa. 
5% ocorrem em mulheres com menos de 40 anos. 
FATORES DE RISCO 
♥ Exposição prolongada ao Estrogênio: amenorreia 
crônica por anovulação crônica, SOP, tumores 
ovarianos produtores de estrogênio. 
♥ TRH (terapia de reposição hormonal) com 
estrogênio isolado. Não é recomendado usar 
estrogênio isolado em pacientes que tenham útero 
ainda. 
♥ Obesidade principalmente na menopausa. Porque 
aquela paciente que já parou de produzir 
hormônio, ela continua produzindo hormônio pela 
gordura periférica. A androstenediona é 
transformada em estrona que atua em todo 
organismo. A estrona é um estrogênio que tem 
baixa ação, ela se liga aos receptores de 
estrogênio. Assim, as pacientes obesas, tem 
grande produção de estrona, o que torna um 
grande estimulo de estrogênio. Assim, eles vão lá 
estimula o endométrio e um dia vira câncer. 
♥ Diabetes – ligado a resistência periférica a insulina 
associada ao câncer de endométrio. 
♥ Uso de Tamoxifeno para o tratamento de câncer 
de mama – as pacientes que tem câncer de mama 
e tem receptor positivo hormonal, elas têm 
benefício ao uso de tamoxifeno, elas têm que usar 
volta de 5 anos. Só que o tamoxifeno é agonista de 
estrogênio no endométrio, então ele estimula a 
proliferação do endométrio. Então, normalmente 
a paciente que tem ca de mama vai ter uma 
hiperplasia endometrial, nem sempre vira câncer. 
Muitos médicos até indicam uma histerectomia, 
mas não existe essa indicação na literatura, no 
entanto muitas pacientes acabam tendo que fazer 
por causa do uso de tamoxifeno. 
♥ História familiar ou pessoal de HNPCC (Síndrome 
do cêncer colorretal hereditário não polipose) 
antes dos 40 anos. 
FATORES DE PROTEÇÃO 
♥ TRH combinada – estrogênio + progesterona 
♥ DIU de progesterona 
♥ Tabagismo – o tabaco atua junto com os 
receptores de estrogênio e impede a ligação dos 
receptores e impede o estimulo do endométrio. 
♥ ACO combinado oral. 
♥ Ovulação 
Já que a anovulação crônica é um risco para o 
câncer, a ovulação é proteção. 
Isso é explicado porque na ovulação, todo mês, a 
mulher libera aquele ovulo e produz o corpo luteo 
que produz a progesterona, então todo mês o 
endométrio fica regulado. 
Na anovulação crônica, tem sempre o estimulo do 
estrogênio, não ovula, então, fica um grande 
tempo com o estimulo do endométrio. Fica sem 
progesterona. 
QUADRO CLÍNICO 
Antes da menopausa, a paciente pode ser assintomática. 
A paciente que já está a mais tempo na menopausa, o 
sangramento pode não exteriorizar. Porque acontece uma 
atrofia do orifício interno do colo. E aquele sangramento 
que quer sair ele faz um hematométrio ou piométrio. 
Se tem sangramento demais, distende a cavidade uterina e 
causa dor. A paciente vai no consultório por causa de dor, 
faz o USG e descobre hematométrio. Ou se ta lá há muito 
tempo, pode causar uma infecção por progressão das 
bactérias vaginais e causa um piométrio. 
♥ Sangramento pós-menopáusatico 
♥ Pós-menopáusica com hematométrio ou piométrio 
♥ Pacientes assintomáticas que apresentem células 
endometriais típicas ou atípicas no exame de 
citologia cervical. 
♥ Pacientes pré-menopáusicas com sangramento 
irregular ou abundante. 
BOM PROGNÓSTICO: 
Tipo I: obesas, hiperlipidêmicas, hiperestrínicas, com 
histórias de ciclos anavolutórios e que apresentam tumores 
moderadamente ou bem diferenciados. 
MAU PROGNÓSTICO: 
Tipo II: sem nenhuma das características anteriores, 
tumores pouco diferenciados, invasão profunda do 
miométrio, linfonodos positivos. 
DIAGNÓSTICO 
Anamnese + exame físico (o útero pode estar de tamanho 
normal, mas pode estar com comprometimento da doença, 
o útero pode estar aumentado). Pode ter 
comprometimento dos paramétrios – toque retal. 
US pélvico transvaginal: Primeiro exame para avaliar a 
espessura do endométrio. Avalia as características desse 
endométrio, um endométrio homogêneo, fala a favor de 
benignidade. E heterogêneo com fluxo ao dopller, fala a 
favor de malignidade. 
O tamanho do endométrio normal para paciente na 
manacne por volta de 8. Porém, depende da fase do ciclo 
que ela está (secretor, antes de menstruar, ele pode estar 
com 10-12), desde que a paciente esteja assintomática, 
esteja homogêneo. 
E para pacientes na menopausa o valor é até 4. Para 
pacientes que faz TRH, pode estar até 8 também. 
Observar que não é só a espessura que indica o câncer, as 
vezes o ca inicial, e a paciente já tinha uma espessura 
menor do endométrio, se tiver lesão inicial e focal, o 
endométrio não fica mais espessado. 
A característica que pode ascender o alerta é o endométrio 
heterogêneo. 
O próximo passo se a paciente vem com USG alterado, seja 
na espessura, seja no conteúdo heterogêneo é a biopsia. 
Biopsia endometrial: 
Em consultório: aspiração (sonda uretral), cureta de Novak. 
Cânula de Pipelle – em 22% dos casos não se obtém 
material adequado para análise. 
Já que 22% dos casos não se obtém material, a gente deixa 
para fazer no consultório, só se não existe a possibilidade 
de fazer a curetragem ou histeroscopia. 
Curetagem uterina: é um exame que a gente faz as cegas, 
passa a cureta dentro do útero inteiro e manda para 
análise. 
Só que a curetagem pode deixar de ver 30% da curetagem, 
se for uma lesão focal, lá no fundo, as vezes pode não 
pegar. Se for uma lesão difusa, a chance é maior de pegar o 
material. 
Padrão ouro: Histeroscopia diagnóstica: se for uma lesão 
focal, a histeroscopia é sempre melhor. 
Melhor acurácia e bom para lesões focais. 
 
São úteros normais. A figura 1 representa um corte 
longitudinal do útero inteiro e no meio o endométrio. A 
linha fina dá para ver que esta homogêneo, fino. É um 
endométrio na fase proliferativa. 
Figura 2: também na longitudinal. Pode perceber que está 
um útero mais grosso. Só que é normal que chamamos de 
trilaminar: lamina inferior, do meio e superior. é 
característico da fase pré-ovulatória. 
Figura 3: quando o estrogênio começa a agir, temos o 
endométrio secretor. Mais espesso. Só que ele é 
homogêneo, bem delimitado, não tem invasão da parte 
branca para o endométrio. Esse secretor pode estar mais 
que 8 cm, assim temos que ver em qual fase a paciente está 
no ciclo para correlacionar. 
 
Esses são o que os que devemos biopsiar. Figura A está no 
corte axial, como se tivesse vendo o útero por cima. E 
podemos ver que está embolado, não vê delimitado o 
endométrio. Mais ecogênio. É heterogêneo, tem 
característica diferente na mesma região que são as áreas 
císticas, irregulares, maiores, menores. 
Figura B: se jogamos o doppler, podemos ver que tem 
vasos. São vasos de baixa resistência, puxa o fluxo pra ele, 
com alta atividade, com atividade mitótica. O fluxo de 
sangue é grande para aquele local. 
 
Na histeroscopia, aparece assim, joga um soro, dilata a 
cavidade. Entra com a câmera e conseguimos ver as áreas 
císticas, alguns vasos e escolhe onde vai fazer a biopsia. É 
uma biopsia dirigida, não é às cegas como na curetagem. 
histeroscopia diagnóstica. 
RASTREAMENTO 
♥ Rastreamento universal: não existe recomendação 
pela literatura. 
♥ Exceção: história familiar. Só faz rastreamento se 
tiver história familiar. 
♥ Para pacientes em uso de Tamoxifeno: fazer US 
anterior ao uso. Se ela tiver um espessamento e 
tiver que fazer investigação, tem que fazer antes 
de fazer o tamoxifeno. 
Após, não há recomendação para rastreamento. Não existe 
recomendação de fazer USG após, fazer rastreamento. 
Se fizer USG depois de 1 ano de tamoxifeno,