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RESUMO 3 - Direitos da personalidade

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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 
DIREITO CIVIL 
Dos direitos da personalidade 
 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1 DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
 
Em sintonia com a Constituição Federal - que enumerou os direitos 
fundamentais postos à disposição da pessoa humana - o Código Civil de 2002 passou a 
tratar dos direitos da personalidade entre os seus arts. 11 a 21. 
 
É de se ver, portanto, que o Código Civil dedicou um capítulo específico aos 
direitos de personalidade, pois, segundo Miguel Reale “tratando-se de matéria de per si 
complexa e de significação ética essencial, foi preferido o enunciado de poucas normas 
dotadas de rigor e clareza, cujos objetivos permitirão os naturais desenvolvimentos da 
doutrina e da jurisprudência”. 
 
Na visão civil-constitucional, assim como os direitos da personalidade estão 
para o Código Civil, os direitos fundamentais estão para a Constituição Federal. Bem por 
isso é que o Enunciado n. 274 da IV Jornada de Direito Civil estabelece que o rol dos 
direitos da personalidade previsto entre os arts. 11 a 21 do CC/2002 é meramente 
exemplificativo (numerus apertus). 
 
Assim, os direitos de personalidade são direitos subjetivos que possuem como 
objeto os bens e valores essenciais da pessoa humana, em seu aspecto físico, moral e 
intelectual. São direitos inalienáveis, que se encontram fora do comércio e que merecem, 
sobremaneira, a proteção legal. 
 
Podem ser conceituados como sendo aqueles direitos inerentes à pessoa e à 
sua dignidade. São direitos subjetivos que têm por objeto os bens e valores essenciais 
da pessoa, no seu aspecto físico, moral e intelectual. 
 
Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald os conceituam como sendo 
aqueles direitos subjetivos reconhecidos à pessoa, tomada em si mesma e em suas 
necessárias projeções sociais. Enfim, são direitos essenciais ao desenvolvimento da 
pessoa humana, em que se convertem as projeções físicas, psíquicas e intelectuais do 
seu titular, individualizando-o de modo a lhe emprestar segura e avançada tutela jurídica. 
 
Surgem cinco ícones principais: vida/integridade física, honra, imagem, nome 
e intimidade. 
 
Em virtude da constitucionalização do direito civil, os direitos da personalidade 
foram elevados à categoria de direitos fundamentais. 
 
Segundo o art. 11 do Código Civil “os direitos da personalidade são 
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação 
voluntária”. Podemos destacar as seguintes características: 
 
a) Intransmissibilidade e irrenunciabilidade – não podem seus titulares dispor dos 
direitos de personalidade, transferindo-os a terceiros, renunciando o seu uso ou 
simplesmente os abandonando, pois nascem e se extinguem com a própria pessoa. Por 
óbvio que ninguém pode desfrutar em nome de outrem de bens como a vida, a honra, 
a liberdade, etc. Alguns atributos da personalidade admitem a cessão de seu uso, como 
por exemplo, a imagem que pode ser explorada comercialmente, mediante retribuição. 
Permite-se também a cessão gratuita de órgãos do corpo humano para fins terapêuticos. 
Assim a indisponibilidade dos direitos da personalidade é tida como relativa. 
 
b) Absolutismo – o caráter absoluto do direito da personalidade deve-se ao fato de ele 
ser oponível erga omnes. 
 
c) Não-limitação – o rol dos direitos da personalidade existente no Código Civil é 
meramente exemplificativo (numerus apertus), pois é impossível imaginar-se um rol 
exaustivo dos direitos da personalidade. Desta forma, são direitos da personalidade o 
direito a alimentos, ao meio ambiente saudável, à velhice digna, ao culto religioso, à 
liberdade de pensamento, etc. 
 
d) Imprescritibilidade – os direitos da personalidade não se extinguem pelo decurso do 
tempo. Malgrado o dano moral consista na lesão a um interesse que visa a satisfação de 
um bem jurídico extrapatrimonial contido nos direitos da personalidade, a pretensão à 
reparação civil está sujeita aos prazos prescricionais, por ter caráter patrimonial. 
 
e) Impenhorabilidade – se os direitos da personalidade são indisponíveis, logicamente 
tornam-se impenhoráveis. Frise-se que os reflexos patrimoniais dos direitos da 
personalidade podem ser penhorados. 
 
f) Vitaliciedade – os direitos da personalidade são inatos, ou seja, são adquiridos no 
momento da concepção e acompanham a pessoa por toda a sua vida até sua morte. 
Aliás, mesmo após a morte de uma pessoa alguns direitos são resguardados, como 
o respeito ao morto, sua honra ou memória, etc. 
ATENÇÃO! 
- Enunciado 4, I JDC. O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação 
voluntária, desde que não seja permanente nem geral. 
- Enunciado 139, III JDC. Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda 
que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de 
direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes. 
- Enunciado 274, IV JDC. Os direitos da personalidade, regulados de maneira não 
exaustiva pelo CC, são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contida 
no art. 1.º, III, da CF (princípio da dignidade da pessoa humana). Em caso de colisão entre 
eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, deve-se aplicar a técnica da ponderação. 
 
1.1.2 Proteção aos Direitos da Personalidade 
 
De acordo com o art. 12 do CC - Pode-se exigir que cesse a ameaça (tutela 
inibitória), ou lesão (ação indenizatória) a direito da personalidade, e reclamar perdas e 
danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Embora o direito da 
personalidade seja imprescritível, a pretensão indenizatória por sua violação prescreve 
em 3 (três) anos. 
 
A legitimidade para propor a ação é do ofendido. No entanto, se já falecido, 
terá legitimidade para requerer a medida prevista o cônjuge sobrevivente, ou qualquer 
parente em linha reta, ou colateral até 4o (quarto) grau (art. 12, parágrafo único, do CC). 
 
ATENÇÃO! 
- O Enunciado 275 da IV JDC. O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12, parágrafo 
único, e 20, parágrafo único, do Código Civil também compreende o companheiro. 
- O Enunciado 398 da V JDC. As medidas previstas no artigo 12, parágrafo único, do 
Código Civil, podem ser invocadas por qualquer uma das pessoas ali mencionadas de 
forma concorrente e autônoma. 
- O Enunciado 399, V JDC. Os poderes conferidos aos legitimados para a tutela post 
mortem dos direitos da personalidade, nos termos dos arts. 12, parágrafo único, e 20, 
parágrafo único, do CC, não compreendem a faculdade de limitação voluntária. 
 
Vale dizer que, na VII Jornada de Direito Civil, realizada pelo Conselho da Justiça 
Federal em setembro de 2015, foi aprovado o Enunciado n. 576, estabelecendo que o 
direito ao esquecimento pode ser assegurado por tutela judicial inibitória. Assim, nos 
termos do art. 12 do Código Civil, cabem medidas de tutela específica para evitar a lesão 
a esse direito, sem prejuízo da reparação dos danos suportados pela vítima. 
 
Registramos, por oportuno, que “(...) o direito ao esquecimento é, (...) um direito 
(a) exercido necessariamente por uma pessoa humana; (b) em face de agentes públicos 
ou privados que tenham a aptidão fática de promover representações daquela pessoa 
sobre a esfera pública (opinião social); incluindo veículos de imprensa, emissoras de TV, 
fornecedores de serviços de busca na internet etc.; (c) em oposição a uma recordação 
opressiva dos fatos, assim entendida a recordação que se caracteriza, a um só tempo, 
por ser de atual e recair sobre aspecto sensível da personalidade, comprometendo a 
plena realização da identidade daquela pessoa humana, ao apresenta-la sob falsas luzes 
à sociedade.” (Anderson SCHREIBER. Direito ao esquecimento e proteção de dados 
pessoais na Lei 13.709/2018. In: TEPEDINO, G; FRAZÃO, A; OLIVA, M.D. Lei geral de 
proteção de dados pessoais e suas repercussões no direito brasileiro. São Paulo: 
Thomson Reuters

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