A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
66 pág.
Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

Pré-visualização | Página 11 de 19

STF de reclamações 
envolvendo a Súmula Vinculante 10. Portanto, é importante estar atento às 
decisões recentes proferidas e identificar os contornos que as diferenciam, 
pois é bastante tênue a linha de distinção. 
Observe-se o seguinte julgado: 
‘’Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão 
do órgão fracionário do Tribunal que deixa de aplicar a norma 
infraconstitucional por entender não haver subsunção aos fatos ou, ainda, 
que a incidência normativa seja resolvida mediante a sua mesma 
interpretação, sem potencial ofensa direta à Constituição”. STF. 1ª Turma. Rcl 
24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848). 
Nesse sentido, veja como já decidiu o STF em outra oportunidade: (...) A simples 
ausência de aplicação de uma dada norma jurídica ao caso sob exame não 
caracteriza, apenas por isso, violação da orientação firmada pelo Supremo 
Tribunal Federal. 2. Para caracterização da contrariedade à súmula vinculante n. 
10, do Supremo Tribunal Federal, é necessário que a decisão fundamente-se na 
incompatibilidade entre a norma legal tomada como base dos argumentos 
expostos na ação e a Constituição. (...) STF. 
Plenário. Rcl 6944, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/06/2010. 
 Segundo a Min. Cármen Lúcia, "é possível que dada norma não sirva para desate 
do quadro submetido ao crivo jurisdicional pura e simplesmente porque não há 
subsunção" (Rcl 6944). 
Em resumo, quando a lei ou ato normativo não se enquadra no caso concreto 
não haverá incidência da cláusula de reserva de plenário. 
Logo, deve-se ter bastante atenção, pois as alternativas embora aparentemente 
contraditórias se distinguem na medida em que, para que haja violação da 
cláusula de reserva de plenário, é necessário que o órgão fracionário do tribunal 
tenha afastado a lei ou ato normativo sob o argumento, expresso ou implícito, 
de que a norma infraconstitucional é incompatível com os critérios previstos na 
Constituição. 
Se o afastamento da lei ou ato normativo foi por causa de falta de subsunção, 
não há ofensa ao art. 97 da CF/88. 
 
 
ATENÇÃO! Tese de Repercussão Geral: 
É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar o art. 94, II, da Lei 9.472/1997 
(‘terceirização’), sem observar a cláusula de reserva de Plenário (CF, art. 
97), observado o art. 949 do Código de Processo Civil. 
 
1.1.11. PROCEDIMENTO DE JULGAMENTO DA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI EM 
CONTROLE DIFUSO NOS TRIBUNAIS: 
 
O Código de Processo Civil tratou do procedimento para julgamento da questão 
referente à arguição de inconstitucionalidade em controle difuso, de maneira compatível à 
regra do art. 97 da CF, buscando uma unidade no processamento da questão nos Tribunais. 
Segue o que dispõe o CPC: 
 
i. Análise Pelas Turmas ou Câmaras - art. 948 do NCPC - Arguida, 
em controle difuso, a inconstitucionalidade de lei ou de ato 
normativo do poder público, o relator, após ouvir o Ministério 
Público e as partes, submeterá a questão à turma ou à câmara a qual 
competir o conhecimento do processo. ii. Envio ao Pleno ou ao 
Órgão Especial para Julgamento - art. 
949, I e II, do NCPC - Se a alegação for rejeitada, prosseguir o 
julgamento; se for acolhida, será lavrado o acórdão, a fim de ser 
submetida a questão ao tribunal pleno. 
iii. Não Submissão ao Pleno ou Órgão Especial no Caso de 
Jurisprudência Firmada Sobre a Questão - Art. 949, parágrafo 
único, NCPC - Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão 
ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de 
inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou 
do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão. 
Nesses casos, as turmas ou câmaras podem decidir diretamente 
sobre a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, desde 
que em conformidade com a jurisprudência firmada no Tribunal 
ou no STF. 
iv. Designação da Sessão de Julgamento - art. 950, caput, do 
NCPC - Remetida a cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente 
do tribunal designará a sessão de julgamento. 
v. Manifestação do MP e dos Responsáveis pela Edição do 
Ato - § 1º, do art. 950 do NCPC - As pessoas jurídicas de direito 
 
público responsáveis pela edição do ato questionado poderão 
manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade se assim o 
requererem, observados os prazos e as condições previstos no 
regimento interno do tribunal. 
vi. Manifestação dos Legitimados para o Controle 
Concentrado - § 2º, art. 950, do NCPC - A parte legitimada à 
propositura das ações previstas no art. 103 da Constituição Federal 
poderá manifestar-se, por escrito, sobre a questão constitucional 
objeto de apreciação, no prazo previsto pelo regimento interno, 
sendolhe assegurado o direito de apresentar memoriais ou de 
requerer a juntada de documentos. 
vii. Manifestação de Terceiros (Amicus Curiae) - § 3º, art. 950, 
do NCPC - Considerando a relevância da matéria e a 
representatividade dos postulantes, o relator poderá admitir, por 
despacho irrecorrível, a manifestação de outros órgãos ou 
entidades. 
OBS: Súmula 513 do STF - A decisão que enseja a interposição de 
recurso ordinário ou extraordinário não é a do plenário, que resolve 
o incidente de inconstitucionalidade, mas a do órgão (câmaras, 
grupos ou turmas) que completa o julgamento do feito. 
 
Efeitos da Decisão – Em regra, conforme entendimento clássico, a decisão 
referente ao controle difuso de constitucionalidade tem eficácia entre as partes (interpartes) 
e seus efeitos são retroativos (ex tunc). Ou seja, os limites subjetivos da coisa julgada 
restringem-se às partes que demandaram em juízo e os limites objetivos são o dispositivo 
da decisão, ou seja, o acolhimento ou rejeição do pedido, e não da causa de pedir. 
 A inconstitucionalidade ou constitucionalidade estaria na 
fundamentação, que não transita em julgado. 
 
Exceção ao Efeito Ex Tunc da Decisão - A jurisprudência e a doutrina dominante 
entendem que é possível a modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade 
incidental com base na segurança jurídica e excepcional interesse social por analogia 
ao art. 27 da Lei 9.868/99. 
 
OBSERVAÇÃO: Modulação de efeitos no controle difuso 
O leading case, nesse sentido, foi o julgamento do RE 197.917, pelo qual o STF reduziu o 
número de vereadores do Município de Mira Estrela de 11 para 9 e determinou que a 
aludida decisão só atingisse a próxima legislatura. Entendeu a Corte estar diante de 
 
“situação excepcional em que a declaração de nulidade, com seus normais efeitos ex tunc, 
resultaria grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente. 
Prevalência do interesse público para assegurar, em caráter de exceção, efeitos pro futuro 
à declaração incidental de inconstitucionalidade, valendo apenas para as eleições 
seguintes” (se os efeitos fossem normais, toda a atuação do parlamento anterior à decisão, 
que atuou com 11 e o correto seriam 9 vereadores, estaria comprometida) (cf. RE 197.917, 
Rel. Min. Maurício Corrêa, j. 06.06.2002, Pleno,D J de 07.05.2004). 
 
Exceção ao Efeito Inter partes da Decisão no controle incidental - art. 52, X da 
CF - O Senado Federal pode suspender a execução, no todo ou em parte, da lei declarada 
inconstitucional por decisão definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. 
Isso seria conveniente em ações cujo objeto seja comum a um número muito 
grande de pessoas, como os cruzados bloqueados, a cobrança de um tributo que 
entendam inconstitucional, por exemplo, a extinta CPMF etc. 
Sobre esse assunto, há nova tendência/realidade em razão daquilo que vem sendo 
chamado de transcendência dos motivos determinantes da sentença em controle difuso 
ou de abstrativização do controle difuso, ou de objetivação do controle difuso (temática 
já enfrentada pelo STF no julgamento da Rcl 4.335, j. 20.03.2014, DJE de 21.10.2014, e, com 
profundas alterações, no debate do julgamento