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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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das ADIs 3.406 e 3.470, j. 29.11.2017). 
Com efeito, o STF fez uma releitura do art. 52, X, da Constituição Federal, 
entendendo que houve mutação constitucional. Assim, atualmente, se uma lei ou ato 
normativo é declarado inconstitucional pelo PLENÁRIO do STF, ainda que em controle 
difuso-incidental, esta decisão será considerada erga omnes e vinculante, cabendo ao 
Senado Federal apenas dar publicidade à decisão. 
A ideia do STF é evitar anomias e fragmentação da unidade, atribuindo-se à 
decisão proferida em sede de controle incidental-difuso a mesma eficácia da decisão 
tomada em sede de controle abstrato-concentrado. 
O § 5º do art. 535 do CPC/2015 reforça esse novo entendimento: 
 
Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu 
representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, 
querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, 
impugnar a execução, podendo arguir: 
 
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
§ 5º Para efeito do disposto no inciso III do caput deste artigo, 
considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título 
executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado 
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em 
 
aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo 
Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição 
Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou 
difuso. 
 
ATENÇÃO! Tese de repercussão geral 
São constitucionais as disposições normativas do parágrafo único do art. 741 do CPC, do 
§ 1º do art. 475-L, ambos do CPC/73, bem como os correspondentes dispositivos do 
CPC/15, o art. 525, § 1º, III e §§ 12 e 14, o art. 535, § 5º. 
 São dispositivos que, buscando harmonizar a garantia da coisa julgada com o primado da 
Constituição, vieram agregar ao sistema processual brasileiro um mecanismo com eficácia 
rescisória de sentenças revestidas de vício de inconstitucionalidade qualificado, assim 
caracterizado nas hipóteses em que 
a) a sentença exequenda esteja fundada em norma reconhecidamente inconstitucional, 
seja por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma em situação ou com um 
sentido inconstitucional; ou 
b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente 
constitucional; e 
c) desde que, em qualquer dos casos, o reconhecimento dessa constitucionalidade ou 
inconstitucionalidade tenha decorrido de julgamento do STF realizado em data anterior 
ao trânsito em julgado da sentença exequenda. 
 
ATENÇÃO! MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL. Mutação constitucional pode ser conceituada 
como a alteração informal da constituição. O texto normativo não é alterado em sua 
redação (emenda constitucional), mas há uma alteração do seu sentido por mudança na 
forma como a CF é interpretada. 
Há três situações que legitimam a mutação constitucional e a superação de jurisprudência 
consolidada: 
a) mudança na percepção do direito; 
b) modificações na realidade fática; e 
c) consequência prática negativa de determinada linha de entendimento. 
 
Repercussão geral das questões constitucionais no RE: Pressuposto que visa 
filtrar as questões que chegam até o STF, conferindo um caráter mais objetivo para o 
instrumento recursal. Conforme o art. 102, § 3°, CF/88, o recorrente deverá demonstrar a 
 
repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim 
de que o STF examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela 
manifestação de dois terços de seus membros. 
 
A repercussão geral é um requisito intrínseco de admissibilidade do recurso, 
antecedente e prejudicial a qualquer outro, cujo ônus da demonstração é do recorrente e 
que deve ser explicitado em tópico preliminar na petição recursal. A análise de sua 
existência é feita exclusivamente pelo STF. Insta informar a existência de uma hipótese 
de presunção absoluta de existência de repercussão geral no recurso extraordinário: quando 
o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal 
(vide art. 1.035, parágrafo 3º, do CPC). 
Por fim, vale ressaltar que a decisão que não conhece o extraordinário por ausência 
de repercussão geral é irrecorrível (vide art. 1.035, caput, do CPC). 
Amicus Curiae no RE Representativo - É possível a manifestação de amicus curiae 
no julgamento de Recurso Extraordinário que servirá de modelo (art. 1.038, I, do NCPC). 
O procedimento de julgamento destes REs está previsto nos arts. 1.036 a 1.041 
do NCPC. 
Ação Civil Pública e Controle Difuso - Não é possível como pedido principal a 
declaração de inconstitucionalidade de uma lei. O único controle permitido em uma ação 
civil pública é o incidental (difuso), sob pena de usurpação da competência do STF. 
Isto posto, só será possível o controle difuso, em sede de ação civil pública quando 
a controvérsia constitucional, longe de identificar-se como objeto único da demanda, 
qualifique-se como simples questão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal 
(Min.Celso de Mello, Rcl 1.733-SP, DJ de 1.º.12.2000 — Inf. 212/STF). 
Por conseguinte, a jurisprudência do STF “... exclui a possibilidade do exercício da 
ação civil pública, quando, nela, o autor deduzir pretensão efetivamente destinada a 
viabilizar o controle abstrato de constitucionalidade de determinada lei ou ato normativo” 
(RDA 206/267, Rel. Min. Carlos Velloso — Ag. 189.601-GO (AgRg), Rel. Min. Moreira Alves). 
Como os limites subjetivos da Ação Civil Pública podem inclusive fazer com que a 
eficácia da coisa julgada se estenda erga omnes, entender o contrário possibilitaria a um juiz 
de primeiro grau se arvorar de intérprete definitivo da Constituição, usurpando competência 
do STF. 
 
1.1.11.1. Teoria da Abstrativização do Controle Difuso 
 
 
Como visto, esta teoria afirma que, em determinados casos, a decisão do STF 
em controle difuso teria efeito erga omnes e vinculante sem a resolução do Senado. 
Tradicionalmente, os limites subjetivos e objetivos no controle difuso são estritamente o 
que foi decidido na questão principal (bem da vida em discussão) e alcançam apenas as 
partes. 
 
Para a doutrina clássica, se a declaração de inconstitucionalidade ocorre 
incidentalmente, pela acolhida da questão prejudicial que é fundamento do pedido ou da 
defesa, a decisão não tem autoridade de coisa julgada, nem se projeta, mesmo inter partes 
— fora do processo no qual foi proferida. 
Ocorre que desde o RE 197.917/SP (Caso Mira Estrela), começou a aflorar com mais 
vigor a ideia da vocação expansiva do controle difuso, tendo em vista a própria natureza da 
Corte e das questões discutidas em juízo, o que foi ganhando força com a exigência de 
repercussão geral para que os recursos extraordinários fossem conhecidos. 
Logo, em sede doutrinária e entre os Ministros, ganhou corpo a ideia de 
aproximação entre o controle difuso e concentrado, sob a perspectiva de haver idêntica 
autoridade nas decisões do STF tanto na via recursal como em sede principal. Neste sentido, 
a ABSTRATIVIZAÇÃO do controle difuso é justamente dar contorno abstrato ao caso 
concreto posto à apreciação do STF. 
O STF ao julgar um recurso extraordinário estaria não atuando como mera instância 
recursal, e sim na condição de guardião da Constituição, e por isso, o que fosse decidido 
em sede de recurso extraordinário deveria valer não apenas para as partes, mas sim para 
todos. 
Ou seja, a ideia de ABSTRATIVIZAÇÃO consiste em dar ao controle difuso o 
tratamento do controle concentrado, no que se refere aos limites SUBJETIVOS da coisa 
julgada, conferindo eficácia geral ao dispositivo, para além das partes (Não apenas na via 
recursal, mas também em processos de competência originária, como por exemplo um HC). 
O STF historicamente já adotou essa técnica em alguns casos, sendo essa 
técnica mais aceita