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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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que a transcendência dos motivos determinantes, que se trata de 
perspectiva distinta. 
Registre-se: A abstrativização do controle difuso consiste apenas na aproximação 
dos dois meios de controle, mas o STF não reconhece tradicionalmente a vinculação da 
fundamentação, sequer no controle concentrado, razão pela qual seria prematuro afirmar 
algo nesse sentido em relação ao controle difuso. 
Indo além, o acolhimento da abstrativização, ao equiparar o controle difuso e 
concentrado quando realizado pelo STF impacta diretamente no disposto no art. 52, X, da 
CF. Aludido dispositivo, como já mencionado, indica ser competência do Senado suspender 
a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF no controle difuso. 
De acordo com o entendimento do Min. Gilmar Mendes, a “suspensão de execução 
da lei pelo Senado há de ter simples efeito de publicidade, ou seja, se o STF, em sede de controle 
 
incidental, declarar, definitivamente, que a lei é inconstitucional, essa decisão terá efeitos 
gerais, fazendo-se a comunicação àquela Casa Legislativa para que publique a decisão no 
Diário do Congresso” (Recl. 4.335-AC, STF, Rel. Min. Gilmar Mendes). 
Inicialmente, a tese do Min. Gilmar Mendes não foi seguida no STF, tendo 
sido 
mantida na ocasião do julgamento da Recl. 4335 incólume o sentido literal do art. 52, X, da 
CF. Em outras palavras, o efeito erga omnes no controle difuso ainda dependia de 
resolução do Senado Federal, ou, de súmula vinculante do STF, entendimento que foi 
alterado, como visto acima. 
 
1.1.11.2. Transcendência dos motivos determinantes (Importante diferenciar!) 
 
Em sentido ligeiramente diverso, a transcendência dos motivos determinantes seria 
a atribuição de eficácia erga omnes à ratio decidendi, ou seja, à parte da fundamentação 
necessária e suficiente à conclusão do julgamento. Teoricamente, pode ocorrer em controle 
difuso ou concentrado. 
Aqui, ampliam-se não apenas os limites subjetivos, mas principalmente objetivos 
da coisa julgada. O fundamento determinante passaria a ter caráter vinculante, o que 
inclusive possibilitaria a propositura de reclamação não apenas quando desrespeitado o 
dispositivo da decisão, mas também o fundamento principal, razão pela qual o STF sempre 
enxergou com ressalvas a aplicação desta teoria. 
Com base nessa teoria, se o Supremo declarasse a inconstitucionalidade de uma 
lei de determinado Estado, em controle abstrato ou incidental, a fundamentação utilizada 
nessa ação como razão de decidir (ratio decidendi) teria eficácia vinculante erga omnes 
(contra todos) e atingiria todas as leis materialmente iguais de outros Estados, sem a 
necessidade de se propor novas ações diretas. 
Sucede, porém, que como o STF sempre rejeitou a tese da eficácia vinculante e 
transcendente dos motivos determinantes das decisões de ações de controle abstrato de 
constitucionalidade, a mera declaração de inconstitucionalidade da Lei “A” não implicaria 
por si a inconstitucionalidade da Lei “B” com idêntico teor, sendo necessária a propositura 
de nova ADI, e da mesma forma não caberia reclamação caso fossem reconhecidas nas 
instâncias inferiores a validade da Lei “B”, sendo necessário percorrer a via recursal. 
Logo, verifica-se que a teoria da transcendência dos motivos determinantes não se 
confunde com a abstrativização do controle difuso. A transcendência tem relação com o 
aspecto objetivo da coisa julgada, seja no controle incidental ou abstrato. A abstrativização 
embora também tangencie esse aspecto, é mais ligada aos limites subjetivos, propondo 
uma ampliação dos efeitos da decisão para todos (erga omnes). 
 
 Em suma, a abstrativização consiste apenas na aproximação dos dois meios de 
controle, mas isso não gera necessariamente a vinculação da inconstitucionalidade 
reconhecida de forma incidental, pois o STF não reconhece tradicionalmente a vinculação 
da fundamentação no controle concentrado. 
 
1.1.11.3. Objetivação do Recurso Extraordinário 
 
Ligeiramente diversa também é a perspectiva da objetivação do Recurso 
Extraordinário. A doutrina aponta de forma convergente este fenômeno, mormente em 
relação das sucessivas alterações legislativas que ampliaram significativamente a 
eficácia e importância dos precedentes em nosso ordenamento jurídico. 
Falar em objetivação significa que o recurso extraordinário levado ao 
conhecimento do STF, embora traga consigo um caso concreto subjacente, possui nítida 
feição objetiva, transcendendo o interesse das partes. Ao julgar o recurso, o STF tutela não 
apenas os direitos subjetivos discutidos, mas também a higidez do ordenamento e 
intangibilidade da ordem constitucional, assumindo nítida feição objetiva, sobretudo em 
razão do requisito da repercussão geral, além de instrumentos como a Súmula 
Vinculante, que advém do julgamento de casos concretos. Observe-se: 
 
“A Emenda Constitucional nº 45/2004 introduziu dois novos 
institutos: a súmula vinculante (CF, art. 103-A) e a repercussão geral 
no recurso extraordinário (CF, art. 102, § 3. º). No caso das súmulas 
vinculantes, verifica-se a atribuição de um efeito típico do controle 
abstrato a enunciados aprovados a partir de reiteradas decisões 
sobre matéria constitucional em processos subjetivos. Por seu turno, 
a exigência de demonstração da repercussão geral em questões 
constitucionalmente discutidas no recurso extraordinário, como 
requisito intrínseco para sua admissibilidade, demonstra que o 
instrumento vem perdendo seu caráter eminentemente subjetivo 
para assumir o papel de defesa da ordem constitucional 
objetiva” 
 
Por derradeiro, o Código de Processo Civil de 2015 ampliou a eficácia dos 
precedentes, indicando a eficácia vinculante das decisões do STF quando se trata de 
recursos julgado sobre o rito dos casos repetitivos (sistema de gestão de precedentes). 
Neste contexto, a doutrina afirma que os efeitos do recurso extraordinário não 
ficam restritos às partes do processo. Isso é afirmado com base na previsão do julgamento 
por amostragem, ou seja, na situação em que o STF julga apenas um recurso, devendo seu 
 
entendimento ser aplicado aos outros recursos sobrestados pelos tribunais inferiores com 
questões idênticas. 
Nesta senda, na perspectiva de objetivação do RE, a análise do STF não é feita em 
relação aos sujeitos do RE, mas em relação à própria tese (aí a necessidade da demonstração 
de repercussão geral). A tese acolhida deve vincular inclusive o próprio STF quando a 
decisão for proferida pelo pleno (dever de autorreferência), construindo uma jurisprudência 
íntegra, estável e coerente, na forma professada pelo atual Código de Processo Civil, em 
consonância com o princípio da segurança jurídica, valor essencial em um estado 
democrático de direito. 
É possível observar em relação a essa linha que o STF vem seguindo tais contornos, 
dando uma feição mais objetiva aos processos que chegam à corte na via incidental. 
 
1.1.11.4. Aprofundamento - novas perspectivas inauguradas a partir do 
julgamento das ADIs 3.406 e 3.470, Rel. Min. Rosa Weber, j. 29.11.2017 – Mutação 
Constitucional do art. 52, X, da CF. Abstrativização do controle difuso? 
Transcendência dos motivos determinantes? 
 
 
O julgamento destas ADI’s trouxe inúmeras dúvidas em relação às teorias acima 
explicadas e sua aceitação no STF. Longe de ter a pretensão de indicar uma posição 
definitiva sobre o tema, buscamos problematizar a questão de acordo com os fatos 
concretos do julgamento, para ao final buscar conclusões que podem ser extraídas neste 
primeiro momento, e ao final sugerindo a postura a ser adotada em caso de cobrança em 
provas. 
As ações em análise, divulgadas no informativo 886 do STF, tinham por objeto lei 
estadual do Rio de Janeiro que proibiu a extração do asbesto/amianto em todo território 
daquela unidade da federação, ou seja, tratava de controle CONCENTRADO E ABSTRATO. 
Não