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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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se tratava de controle difuso, pois o proposto diretamente perante o STF, tampouco 
incidental pois o pedido principal era justamente a declaração de inconstitucionalidade da 
Lei que proibia o uso do amianto, em razão do confronto com a Lei Federal que tratava do 
tema e permitia a utilização, com a ressalva de algumas condições; logo, sustenta-se invasão 
à competência legislativa da união em relação às normas gerais, tratando-se de hipótese de 
controle concentrado e abstrato. 
O STF na ocasião declarou que a Lei que proibia o amianto era CONSTITUCIONAL. 
A Lei Federal permissiva era que padecia do vício da inconstitucionalidade, o que abriria 
lacuna normativa e permitiria o exercício da competência supletiva pelo Estado, legitimando 
a norma proibitiva. 
Ou seja, na sua fundamentação - mais precisamente na ratio decidendi -, o STF 
entendeu que o art. 2º da Lei n. 9.055/95 (federal) era inconstitucional, relembrando 
que sua inconstitucionalidade já havia sido reconhecida em outra ADI. Veja: 
 
 
“A Corte declarou, também por maioria e incidentalmente, a 
inconstitucionalidade do art. 2º (1) da Lei federal nº 9.055/1995, com 
efeito vinculante e “erga omnes”. O dispositivo já havia sido 
declarado inconstitucional, incidentalmente, no julgamento da 
ADI 3.937/SP (rel. orig. min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. min. Dias 
Toffoli, julgamento em 24.8.2017)”. 
 
Ou seja, a Lei Federal já havia sido declarada inconstitucional pelo STF, porém de 
forma incidental, e como não houve pronunciamento de nulidade com efeito erga omnes, a 
Corte debruçou-se, novamente, sobre a problemática da lei federal, e nesta ocasião foi além, 
não só reafirmando a sua inconstitucionalidade, como, também, dando efeito erga omnes 
e vinculante a essa decisão sobre a questão prejudicial. 
Em resumo, a declaração de inconstitucionalidade da Lei Federal que permitia o 
uso do amianto se deu incidentalmente em um processo de controle concentrado e abstrato 
que tinha como objeto principal a lei estadual do Rio de Janeiro. No julgamento, o STF 
decidiu que, mesmo declarada incidentalmente a inconstitucionalidade de uma 
lei, essa decisão também terá efeito vinculante e erga omnes. 
Diante de tal situação, surgiu querela doutrinária em relação ao julgamento. 
Teria o STF acolhido definitivamente a abstrativização do controle difuso? Ou foi 
aplicado no caso a transcendência dos motivos determinantes? Em virtude da ausência 
 
de publicação do acórdão, bem como maior amadurecimento destas perspectivas na corte, 
sobretudo em relação aos efeitos decorrentes do acolhimento de uma ou outra posição, é 
prematuro afirmar peremptoriamente que foi acolhida qualquer dessas 
teorias. 
De início, é possível afirmar que, no caso concreto, o que aconteceu mais se 
aproxima da transcendência dos motivos do que abstrativização propriamente dita, o que 
não significa dizer que o STF admite, de forma definitiva, tal teoria. 
É que houve no caso o reconhecimento de uma inconstitucionalidade de forma 
incidental - já que a lei federal não era o objeto da demanda, ou seja, foi uma questão 
considerada na fundamentação; pois não era o objeto principal, aquilo que é decidido 
no dispositivo. A essa declaração incidental, declarada na fundamentação de uma ação de 
controle abstrato, o STF decidiu dar efeitos erga omnes. 
Não se pode confundir a classificação difuso/concentrado (classificação quanto à 
competência) com incidental/abstrato (classificação quanto ao objeto). O controle difuso 
será, como regra, incidental. Mas também pode haver declaração incidental de 
inconstitucionalidade em controle concentrado, que foi exatamente o que ocorreu. Ao 
julgar o pedido principal, o STF considerou a lei impugnada constitucional (questão 
 
principal), mas julgou parte da lei federal não impugnada inconstitucional (questão 
incidental, adotada na fundamentação). 
A teoria da abstrativização foi suscitada em virtude de um ponto que ficou claro 
no julgado: por 7x2, os Ministros decidiram que deve ser feita uma releitura do art. 52, X, 
da CF/88. Portanto, quando o Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucionalidade de 
uma lei, ainda que em sede de controle difuso, a decisão já tem efeito vinculante e erga 
omnes e apenas haverá a comunicação da decisão ao Senado Federal com o objetivo 
de publicidade daquilo que foi decidido, seguindo antigo entendimento do Min. Gilmar 
Mendes. 
Ocorre que não ficou claro se esse efeito erga omnes seria apenas nas situações de 
declaração incidental em controle concentrado, ou também se aplicaria de forma indistinta 
ao controle difuso, como sempre defendeu, por exemplo, o Ministro Gilmar Mendes. Outro 
ponto a ser questionado é se tal efeito seria alcançado mesmo que a decisão fosse tomada, 
por exemplo, por turma do STF. São questões ainda pendentes a serem melhor esclarecidas 
pela própria Corte. De toda forma, a sistemática dos precedentes inaugurada pelo CPC 
tende a solidificar a ideia da abstrativização, restando apenas delimitar os contornos de sua 
aplicação. 
Dito isto, em razão da anunciada mutação constitucional do art. 52, X, da CF, que 
era uma das principais decorrências da abstrativização do controle difuso, e de todo o 
contexto inaugurado pelo CPC, alguns juristas passaram imediatamente a defender que 
houve o acolhimento da teoria da abstrativização do controle difuso. 
Entretanto, tal conclusão deve ser vista com parcimônia, pois implica acolher que 
o STF sufragou toda a teoria da abstrativização em razão do reconhecimento de um dos 
seus possíveis efeitos, no que se refere ao papel do Senado. O acolhimento definitivo ou 
não da perspectiva da abstrativização demanda então um maior debate, inclusive no 
próprio STF, razão pela qual não é adequado afirmar, apenas em decorrência da mutação 
do art. 52, X, que tal teoria foi encampada pelo Supremo. 
 
 Diante do que foi exposto em sede teórica, houve no caso das ADI´s 
transcendência dos motivos determinantes, pois foi conferido efeito vinculante a uma 
declaração incidental, que se encontrava na fundamentação do acórdão em OUTRA ADI. 
Não houve exercício de controle difuso. A abstrativização é algo diverso e que se verifica no 
âmbito do controle difuso, não estando ligada diretamente ao controle principal, pois este 
é abstrato desde sempre. 
O que a abstrativização teoriza é justamente a aproximação dos efeitos do controle 
difuso e incidental aos efeitos do controle concentrado e principal, razão pela qual não faz 
sentido falar em abstrativização no controle que já é abstrato. 
 
ATENÇÃO! Embora a transcendência tenha de fato sido adotada, pelo 
menos em um 
 
dos seus aspectos, antes do julgamento em questão, a Segunda Turma 
decidiu que não cabe o uso de reclamação com base na transcendência dos 
motivos determinantes, razão pela qual não pode se afirmar que tal teoria 
foi acolhida no STF. (Rcl 22012/RS, rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo 
Lewandowski, julgamento em 12.9.2017, informativo n. 887) 
 
Logo, o quadro mais seguro, pelo menos diante do que foi divulgado no 
informativo é o seguinte: 
1) O STF conferiu, no julgamento em análise, efeito 
vinculante a uma declaração de inconstitucionalidade 
incidental em controle concentrado, reconhecendo a essa 
declaração incidental eficácia erga omnes. 
2) Os Ministros, por maioria de 7x 2, reconheceram uma 
mutação constitucional em relação ao papel do Senado quanto 
ao art. 52, X, da CRFB/88. 
3) No julgamento, foi adotada a técnica da transcendência 
dos motivos determinantes, mas não se pode afirmar que o STF 
passou a adotar tal teoria, e tampouco que a adotará em casos 
futuros. Pelo contrário, o mais seguro é afirmar que o STF não 
acolhe a teoria da transcendência dos motivos. 
 
POSIÇÃO PARA CONCURSOS – De tudo o que foi exposto, a conclusão de que 
houve MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL em relação ao art.52, X, da CF é