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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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quando o órgão competente é distinto dos três poderes, com incumbência específica de 
analisar a constitucionalidade, com a feição de Cortes Constitucionais. Neste sentido, Pinto 
Ferreira e Alexandre de Morais. 
José Afonso da Silva adota posição mais abrangente, e aduz que o controle quando 
exercido pelo poder Legislativo e Executivo também se qualifica como político. No Brasil, é 
possível observar a participação de órgãos políticos no controle de constitucionalidade, 
como no caso do parecer da CCJ, do veto jurídico, como aponta 
Barroso, dentre outras situações. O controle político tem feição preventiva, via de regra. 
Registre-se que é possível que o judiciário atue no controle preventivo, em caráter 
excepcional, no caso da impetração de Mandado de Segurança por parlamentar para 
assegurar seu direito líquido e certo a participar de um processo legislativo hígido. Nessa 
hipótese, eventual perda do mandato implicará perda superveniente de legitimidade 
para causa, acarretando a extinção do mandado de segurança, conforme 
entendimento do STF. 
 
OBSERVAÇÃO: A rigor, todo controle de constitucionalidade é revestido de um conteúdo 
político, pois se está a avalizar ou invalidar uma decisão política. Trata-se de uma das 
características imanentes ao exercício da jurisdição constitucional. Esta classificação, no 
entanto, refere-se a outra coisa. Aqui fala-se do contexto em que o controle é exercido. 
Quando ele é exercido na prestação jurisdicional, trata-se de controle jurisdicional, e 
 
quando o órgão que exerce está fora da estrutura do poder judiciário, seja um órgão de 
composição plural, como o Conselho Constitucional Francês ou mesmo o Poder Legislativo 
e Executivo no caso do Brasil, dizemos que o controle é político. 
 
Sistema Jurisdicional (judicial review) - Nesse sistema, o controle de 
constitucionalidade é realizado pelos órgãos do judiciário. 
Esta é a regra no Brasil no que se refere ao controle de constitucionalidade 
repressivo. Segundo Lenza, o Brasil adotou um sistema jurisdicional misto, pois coexistem 
o sistema difuso, no qual todos os juízes podem apreciar a constitucionalidade da Leis e 
atos normativos e de forma concentrada. Há autonomia entre os sistemas de controle, 
porém, em razão da sobreposição do STF, uma decisão em controle concentrado tem 
caráter vinculante, devendo ser seguida pelos demais órgãos. 
NÃO CONFUNDA: conforme a doutrina, o Brasil adota o sistema JURISDICIONAL, 
e, dentro desse sistema, classifica-se como misto, pois convivem os sistemas difuso e 
concentrado. 
Sistema misto: Ocorre o sistema híbrido ou misto quando determinadas leis são 
submetidas ao controle constitucional político e outras ao controle constitucional 
jurisdicional. Ex: na Suíça, as leis federais ficam sob controle político da Assembleia Nacional, 
e as leis locais se submetem ao controle jurisdicional. 
 
1.1.4. HISTÓRICO DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: 
 
Texto de 1824 - Não havia qualquer tipo de controle de constitucionalidade, pois 
se tratava de uma Constituição semirrígida. Vigorava o dogma da Soberania do 
Parlamento. Nesse sistema os conflitos eram resolvidos pelo Poder Moderador. 
Texto de 1891 - Surge o controle difuso de constitucionalidade por influência 
norte-americana. O controle difuso é mantido até hoje. 
Texto de 1934 - Mantém o sistema difuso e cria a ADI interventiva; a Cláusula 
de Reserva de Plenário; e a possibilidade de o Senado suspender lei declarada 
inconstitucional em controle difuso. 
Texto de 1937 - Nesse foi mantido apenas o Sistema Difuso. Assim, ocorreu uma 
hipertrofia do poder executivo, dada a ditadura Vargas, em relação aos demais poderes (art. 
96, parágrafo único da CF de 1937). 
Texto de 1946 - O sistema difuso foi mantido, entretanto surgiu o controle 
concentrado de constitucionalidade no Brasil com a EC 16/65. Nesse sistema, apenas o 
Procurador-Geral era legitimado para atuar. Além disso, com essa Constituição criou-se 
também o controle concentrado estadual. 
 
Texto de 1967 - No que se refere ao controle de constitucionalidade, repete o 
dispositivo do texto de 1946, com a exceção da retirada do controle concentrado estadual. 
Emenda nº 1 de 1969 - Mantém os controles de 1946, entretanto, o controle 
estadual é reestabelecido apenas para intervenção. 
Texto de 1988 - Mantém o controle difuso e mantém o concentrado, mas amplia 
os legitimados do controle concentrado (art. 103 da CF). Além disso, cria o controle das 
omissões legislativas (ADI por Omissão), possui ampla previsão de controle estadual e cria 
a figura da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Ressalta-se, por 
fim, que, por meio da EC 03/93, criou-se a Ação Declaratória de Constitucionalidade 
(ADC). 
Memorize: 
O controle difuso foi trazido pela primeira vez pela Constituição de 1891. 
O controle concentrado surgiu em 1934 com a previsão da representação 12 
interventiva. A EC 16/65, emenda ao texto constitucional de 1946, por sua vez, trouxe o 
controle concentrado-abstrato de constitucionalidade. 
Assim, atenção à forma de questionamento em provas- alguns enunciados 
consideram correto simplesmente a menção à EC 16/65 como origem do controle 
concentrado. 
 
OBSERVAÇÃO: Percebam que a Ação Direta de Constitucionalidade não foi prevista no 
texto originário da CF/88, mas sim decorre da vontade do poder constituinte derivado (tal 
informação já foi cobrada em concurso público). 
 
ADI e ADC (ambas com efeito vinculante) - Regulamentadas pela Lei 9.868/99. 
ADO - Regulamentada pela Lei 12.063/09. 
ADPF - Regulamentada pela Lei 9.882/99. 
 
1.1.5. ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE 
 
O fenômeno da inconstitucionalidade consiste na violação à Constituição e se 
manifesta de diversas formas, o que se inicia por meio de uma ação ou estado de omissão 
do legislador. 
Inconstitucionalidade por Ação (positiva) - Ocorre quando há a existência de lei 
ou ato normativo que viola a Constituição. Quanto à norma ofendida, pode ser: 
 
A. VÍCIO FORMAL - Caracteriza uma inconstitucionalidade nomodinâmica, ou 
seja, ligada ao procedimento de formação do ato normativo. Este pode ser subdivido em 
três tipos de vícios: 
 
A.1 Orgânico - O vício está relacionado à violação da norma que 
estabelece o órgão com competência legislativa para elaboração 
do ato (competência federal, estadual, distrital ou municipal). É 
frequente o questionamento de Leis estaduais no STF sob este 
prisma, e a análise reside justamente em perquirir se o legislador 
estadual respeitou a repartição de competências estabelecida na 
Constituição. 
A.2 Formal Propriamente Dito: Está relacionado ao processo 
legislativo em si. Divide-se em: 
i. Subjetivo - Vício no procedimento relacionado à fase de 
iniciativa do projeto de lei (competência para propor o projeto de 
lei - art. 61, § 1º, I e II da CF). Alguns projetos de Lei têm sua iniciativa 
reservada, como, por exemplo, os que tratam da estrutura e 
atribuições dos órgãos públicos, matéria tipicamente administrativa, 
que por expressa previsão constitucional é de competência privativa 
do chefe do executivo. 
ii. Objetivo - Vício de procedimento referente às fases posteriores, 
ou seja, nas demais fases do processo legislativo. Como exemplo 
citamos uma lei complementar sendo votada por um quorum de 
maioria relativa. Existe um vício formal objetivo, na medida em que 
a lei complementar, por força do art. 69 da 
CF/88, deveria ter sido aprovada por maioria absoluta. 
Questão mais sensível se verifica nas hipóteses em que há violação 
ao bicameralismo federativo, em razão da alteração substancial do 
texto na casa revisora sem que haja o retorno à casa iniciadora. 
Atenção!! No caso das chamadas emendas de redação, não se faz 
necessário o retorno. Emenda de redação é aquela que promove 
uma adequação no texto, esclarecendo ou corrigindo imperfeições

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