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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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sem que implique em mudança no sentido da norma. 
A.3 Por violação a pressupostos objetivo do ato - Esse vício se 
refere aos pressupostos constitucionalmente considerados 
como elementos determinantes de competência dos órgãos 
legislativos em relação a certas matérias. 
 
Ex.: Criação de Medida Provisória sem observância dos pressupostos 
da urgência e relevância; criação de municípios sem observância dos 
requisitos do art. 18, § 4º da CF. 
ATENÇÃO! Requisitos: relevância e urgência das Medidas Provisórias 
A definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas provisórias 
consiste, em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência 
do Presidente da República, controlado pelo Congresso Nacional. Desse modo, salvo em 
caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos da 
MP. 
Exemplo excepcional em que a jurisprudência admitiu a análise dos requisitos de urgência 
e relevância pelo STF: quando o chefe do Executivo revogou a medida provisória em vigor 
e tentou reeditá-la na mesma sessão legislativa (no mesmo ‘ano congressual’): 
‘o ato de revogação pura e simples de uma medida provisória outra coisa não é senão uma 
auto-rejeição; ou seja, o autor da medida a se antecipar a qualquer deliberação legislativa 
para proclamar, ele mesmo (Poder Executivo), que sua obra normativa já não tem serventia. 
Logo, reeditá-la significaria artificializar os requisitos constitucionais de urgência e 
relevância, já categoricamente desmentidos pela revogação em si. 
(...)’STF. Plenário. ADI 3964 MC, Rel. Min. Carlos Britto, julgado em 12/12/2007. 
 
B) VÍCIO MATERIAL - Caracteriza uma inconstitucionalidade nomoestática, 
ligada ao conteúdo do ato normativo. Vincula-se ao princípio da unidade do 
ordenamento jurídico. 
Pode traduzir-se no confronto com uma regra constitucional — exemplo: a 
fixação de vencimentos equiparados entre carreiras distintas no funcionalismo público, o 
que viola o art. 37, XIII, da CF e é aplicado em reiterados julgados no STF — ou com um 
princípio constitucional, como no caso de lei que restrinja ilegitimamente a participação 
de candidatos em concurso público, em razão do sexo ou idade (arts. 5.º, caput, e 3.º, IV), 
em desarmonia com o mandamento da isonomia. 
O princípio constitucional violado pode estar também implícito no texto 
constitucional, o que amplia o espectro de controle. Como exemplos, o princípio da 
razoabilidade, da segurança jurídica, da proporcionalidade, dentre outros. 
O controle material de constitucionalidade pode ter como parâmetro todas as 
categorias de normas constitucionais: de organização, definidoras de direitos e 
programáticas. 
 
ATENÇÃO! O preâmbulo constitucional não pode ser parâmetro de controle de 
constitucionalidade. O STF adota a teoria da irrelevância jurídica do preâmbulo, 
 
segundo a qual ele tem natureza histórico-política e interpretativa, mas não jurídica. Assim, 
não há obrigatoriedade de repetição do preâmbulo da Constituição Federal pelas ordens 
parciais (constituições estaduais). 
 
Ressalta-se que nem sempre uma discriminação (desigualdade) presente no ato 
gera uma inconstitucionalidade material, pois certas discriminações são necessárias e 
autorizadas pela CF para a proteção das minorias (idosos, mulheres etc.). 
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ATENÇÃO! Outras terminologias sobre tipos de inconstitucionalidade 
Inconstitucionalidade Chapada, ou enlouquecida/desvairada- O STF usa esse termo 
quando a inconstitucionalidade da lei está extremamente clara, evidente e flagrante, seja 
o vício formal ou material (Ministro Sepúlveda Pertence). 
Inconstitucionalidade circunstancial – A lei é, em tese, constitucional, porém, sua 
aplicação a determinadas circunstâncias se reveste de inconstitucionalidade. Também 
denominada inconstitucionalidade “axiológica”, exemplo é o da ADI 223, na qual se 
analisava a constitucionalidade das restrições à concessão de tutela antecipada em face 
ATENÇÃO! Desvio e excesso de poder legislativo e princípio da 
proporcionalidade 
Registre-se, ainda, que pode haver inconstitucionalidade material não apenas 
pela colisão com o texto constitucional. Anota Gilmar Mendes que é possível que 
se verifique inconstitucionalidade no plano material por desvio de poder ou 
excesso de poder legislativo. Neste caso, a aferição gira em torno da 
compatibilidade da lei com os fins constitucionalmente previstos, e no caso do 
excesso o grande norte é o princípio da proporcionalidade, que assume 
fundamental importância quando se trata de restrições ou conformações a 
direitos fundamentais. 
Sobretudo em matéria de Direitos Fundamentais, a discricionariedade do 
legislador é limitada, embora se reconheça uma margem de liberdade. O 
princípio da proporcionalidade surge como importante baliza neste aspecto. É 
vedado o excesso de poder, mas há outra face. É que se reconhece que, em 
diversas situações, há também um dever constitucional de legislar, de maneira 
que a doutrina de Gilmar Mendes equipara, neste ponto, a omissão ao excesso. 
Dessa forma, é possível compreender o princípio da proporcionalidade como 
vetor de proibição de excesso (Ubermassverbot), sendo inconstitucionais atos 
normativos que se excedam na intervenção na esfera de liberdade do particular; 
ou, ainda, que façam além do necessário para alcançar os fins colimados. Aplica-
se sobretudo aos direitos de defesa (que impõem uma abstenção ao Estado). Na 
outra faceta, também é inconstitucional a omissão, sobretudo quando há um 
dever constitucional de legislar, seja no aspecto de proteção a direitos ou mesmo 
quando há uma prestação material em favor do particular. Neste caso, destaca-
se a proibição da proteção insuficiente (Untermassverbot). 
 
da Fazenda Pública, tendo sido decidido que em determinadas situações a aplicação 
poderia se revelar inconstitucional. 
Lei “ainda constitucional” ou “em trânsito para inconstitucionalidade” – A norma é 
constitucional em razão das condições fáticas, contudo, há perspectiva que, diante da 
alteração destas condições, a norma venha a se tornar inconstitucional. Exemplo é a regra 
do prazo em dobro para a Defensoria no Processo Penal, pois haveria em tese violação ao 
princípio da isonomia, pois os prazos do MP são simples. Ocorre que até que a Defensoria 
esteja devidamente estruturada, tal como o é o Ministério Público, justifica-se o tratamento 
diferenciado, o que deixa de subsistir quando da devida estruturação e aparelhamento do 
órgão em todo o território nacional. Outro exemplo seria o art. 68 do Código de Processo 
Penal, também entendido ainda constitucional até a estruturação suficiente da Defensoria 
Pública. 
 
OBSERVAÇÃO: Vício de Decoro Parlamentar - O professor Pedro Lenza identifica outro 
tipo de vício. O vício decorrente da corrupção do Congresso, ou seja, um vício de decoro. 
Surgiu com a discussão do mensalão, com a compra e venda de votos dos parlamentares. 
O vício por decoro parlamentar tem por base o art. 55, § 1º da CF, que afirma que é 
incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o 
abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de 
vantagens indevidas. 
O STF, recentemente, encampou a posição doutrinária e admitiu a possibilidade de vício 
formal de constitucionalidade por quebra do decoro parlamentar consistente na “compra 
de votos” pelos parlamentares. Vejamos trecho da ementa do julgado: 
 “As emendas constitucionais são passíveis de controle abstrato de 
constitucionalidade. Precedentes. 
4. O vício que corrompe a vontade do parlamentar ofende o devido processo 
legislativo contrariando o princípio democrático e a moralidade administrativa. 
Quebra do decoro parlamentar pela conduta ilegítima de malversação do uso da 
prerrogativa do voto pelo parlamentar configura crise de representação.

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