A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
66 pág.
Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

Pré-visualização | Página 5 de 19

6. No caso, o número alegado de “votos comprados” não se comprova suficiente para 16 
comprometer o resultado das votações ocorridas na aprovação da emenda constitucional 
n. 41//2003. Respeitado o rígido quórum exigido pela Constituição da República. 
Precedentes. Ação direta de inconstitucionalidade em parte não conhecida, e na outra parte, 
julgada improcedente. (ADI 4888, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 
11/11/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-279 DIVULG 24-11-2020 PUBLIC 25-11-2020) 
 
Inconstitucionalidade por Omissão (negativa) - Ocorre quando há o silêncio 
legislativo que impede ou limita a concretização de determinado direito. 
 
Essa temática surgiu com o desenvolvimento da Constituição dirigente, que trouxe 
a necessidade da edição de leis para integrar a vontade do constituinte, fazendo nascer o 
conceito de inconstitucionalidade por omissão, ou seja, também se viola a Constituição 
quando se deixa de fazer algo que ela determine. 
Inconstitucionalidade por omissão não é a simples inércia do legislador, mas sua 
inércia quando houver a obrigação de legislar (é uma omissão qualificada), ou seja, quando 
a norma constitucional não pode ser aplicada (tem eficácia limitada). Nesta hipótese, em 
cada norma constitucional que carece de regulamentação existe um comando subjacente 
ao legislador para que edite uma lei disciplinadora. 
Quando o legislador viola esta norma implícita, ele está descumprindo o dever de 
agir, o que caracteriza a inconstitucionalidade por omissão, gerando o que a doutrina chama 
de ‘erosão da consciência constitucional’. Decorre da ausência ou da insuficiência da norma 
regulamentadora, mas não é o simples não cumprimento da Constituição. 
Por exemplo, se a Constituição manda o Executivo fazer alguma coisa e ele não faz, 
isto não é uma inconstitucionalidade por omissão, mas um simples descumprimento da 
Constituição. Neste caso, há de se buscar as vias ordinárias, pois há verdadeira obrigação 
de fazer. 
A omissão inconstitucional pode ainda ser total ou parcial. 
Omissão parcial: quando o legislador cumpre, de modo insuficiente ou 
insatisfatório, o seu dever de legislar em face da norma constitucional. Na omissão parcial, 
embora exista atuação legislativa, nela falta algo para se dar plena satisfação ao comando 
constitucional. 
 
ATENÇÃO! OMISSÃO CONSTITUCIONAL PARCIAL EM PERSPECTIVA VERTICAL E 
HORIZONTAL 
Perspectiva vertical – quando relacionada à intensidade ou suficiência de realização 
da norma. 
Perspectiva horizontal – relacionada à abrangência dos seus beneficiários. 
Em tese, a lei pode realizar, em maior ou menor intensidade ou suficiência, o desejo da 
norma constitucional. Neste sentido, a lei que estabelece o salário-mínimo pode ter uma 
eficácia jurídica e social elevada, sendo fiscalizada e aplicada, abarcando seus beneficiários 
que podem inclusive reclamar em juízo por eventual descumprimento. 
Ocorre que, embora a lei alcance seus destinatários, seu conteúdo material (valor 
fixado) pode ser considerado insuficiente em relação ao mandamento constitucional que 
visa garantir ao cidadão remuneração digna (art. 7º, IV, da CF), e é neste sentido que se 
fala em omissão inconstitucional parcial em perspectiva vertical. 
 
Enquanto isso, o caso em que a lei, atenta à norma constitucional, deixa de considerar 
grupo ou categoria que também dela é beneficiário, como acontece quando a lei concede 
revisão de remuneração aos militares sem contemplar os civis, configura hipótese de 
omissão inconstitucional parcial em sentido horizontal. 
 
Omissão total: Neste caso, há total descumprimento do dever constitucional de 
legislar. O legislador sequer edita qualquer norma, tratando-se de situação de verdadeiro 
vácuo legislativo. Exemplo é a regulamentação da greve no serviço público, que até hoje 
não foi realizada (o STF precisou determinar a aplicação da Lei de greve do setor privado, 
por analogia). 
São formas de controle desses vícios: 
 
A. Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão - ADO 
B. Mandado de Injunção – MI 
 
Ambos os instrumentos são destinados ao combate da ‘’síndrome da inefetividade 
das normas constitucionais”, porém, o Mandado de Injunção é uma garantia instrumental, 
um remédio constitucional estabelecido com escopo de resguardar direitos violados pela 
falta de norma regulamentadora. Visa resguardar direitos subjetivos. A ADO, por sua vez, é 
ação abstrata, sendo instrumento de controle concentrado e, portanto, julgada pelo STF. 
Apenas os legitimados indicados no art. 103 da CF podem propor tal ação, que se reveste 
de conteúdo objetivo, não havendo questão individual subjacente. 
 
1.1.5.1. Notas sobre o Estado de coisas inconstitucional 
 
A terminologia “estado de coisas inconstitucional” foi utilizada pelo Min. Marco 
Aurélio, no julgamento da cautelar na ADPF 347, e tem como origem decisão proferida pela 
Corte Constitucional da Colômbia. Nas palavras do Ministro, o Estado de coisas 
inconstitucional se caracteriza quando há um ‘’quadro de violação massiva e persistente 
de direitos fundamentais, decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas 
e cuja modificação depende de medidas abrangentes de natureza normativa, administrativa 
e orçamentária’’. 
O STF reconheceu então que o sistema carcerário se encontra nesse estado, pois a 
situação atual decorre de falhas estruturantes e imputáveis aos três poderes, que devem se 
articular em conjunto para superar o estado de inconstitucionalidade. Neste sentido, o 
judiciário se arvoraria na condição de coordenador institucional da atuação do poder 
público, indicando medidas a serem adotadas. 
 
Sistematicamente, analisando a decisão do STF e o precedente da Corte 
Colombiana, podemos elencar os seguintes requisitos para o reconhecimento do "estado 
de coisas inconstitucional": 
 
 
a) vulneração massiva e generalizada de direitos 
fundamentais de um número significativo de pessoas; 
b) prolongado omissão das autoridades no cumprimento de 
suas obrigações para garantia e promoção dos direitos; 
c) a superação das violações de direitos pressupõe a adoção 
de medidas complexas por uma pluralidade de órgãos, 
envolvendo mudanças estruturais, que podem depender da 
alocação de recursos públicos, correção das políticas públicas 
existentes ou formulação de novas políticas, dentre outras medidas; 
e 
d) potencialidade de congestionamento da justiça, se todos 
os que tiverem os seus direitos violados acorrerem 
individualmente ao Poder Judiciário. 
 
Para as provas objetivas, é suficiente conhecer a terminologia, características e 
requisitos acima expostos. Para as fases mais agudas, sobretudo se a banca buscar um 
raciocínio mais alinhado com a defesa dos interesses fazendários, é interessante lançar um 
olhar mais crítico sobre o tema. 
Diversos apontamentos podem ser feitos, sobretudo considerando a ADPF 347, 
que inaugurou a discussão em nosso ordenamento. Verificam-se que os pedidos têm 
natureza demasiadamente genérica e elevado grau de abstração, razão pela qual seria mais 
oportuno a discussão de situações concretas, e não a mera repetição de obrigações que já 
constam no ordenamento jurídico. 
O STF estaria de fato assumindo o papel do poder público na criação de políticas 
públicas, ao arrepio da repartição de competências estabelecida na Constituição. 
Outro aspecto de viés mais teórico é que o reconhecimento de 
inconstitucionalidade sobre situações fáticas (e não sobre normas jurídicas) não 
encontra, em tese, amparo na teoria do controle de constitucionalidade nem na 
Constituição. 
Por derradeiro, a importação de uma teoria proveniente de outro país desconsidera 
aspectos peculiares do nosso ordenamento jurídico. Um dos fundamentos para a aplicação 
do Estado de Coisas Inconstitucional na Corte Colombiana foi justamente o potencial de 
congestionamento da

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.