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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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justiça, porém, já existem mecanismos de tutela eficazes para este 
tipo de situação, como as ações coletivas, bem como mecanismos processuais de gestão de 
 
casos repetitivos no CPC, os quais seriam suficientes para solucionar as questões nas vias 
ordinárias, principalmente considerando que o volume de processos no STF já é imenso. 
Logo, da mesma maneira que apontamos os requisitos, é possível sistematizar 
 19 as seguintes críticas: 
a) Excessiva abrangência e o caráter genérico dos pedidos 
formulados na ação que veicula a teoria do estado de coisas 
inconstitucional, o que prejudica a eficácia e, portanto, a utilidade 
da ação; 
b) Ausência de legitimidade do STF para impor ao Executivo 
a obrigação de elaborar políticas públicas, assumindo também 
a atribuição de homologar e monitorar os respectivos planos 
(intenso ativismo judicial); 
c) Ausência de previsão legal, constitucional e utilidade no 
reconhecimento de inconstitucionalidade sobre situações 
fáticas (e não sobre normas jurídicas), o que não encontra 
amparo na teoria do controle de constitucionalidade; 
d) Falta de lógica no último requisito para a aplicação da teoria 
no Brasil ("potencialidade de congestionamento da justiça, se todos 
os que tiverem os seus direitos violados acorrerem individualmente 
ao Poder Judiciário"), tendo em vista a via das ações coletivas em 
primeiro grau. (Sistematização proposta por 
 João Paulo Lordelo, disponível em: 
https://www.joaolordelo.com/single-post/2017/04/24/Notassobre-
a-teoria-do-estado-de-coisas-inconstitucional) 
 
Tal tema ainda será aprofundado no STF e pela doutrina, porém, atualmente o 
conhecimento sobre o que seria o Estado de Coisas Inconstitucional, bem como suas 
características, requisitos e críticas fornece subsídios para enfrentar o tema nos concursos 
públicos. 
 
1.1.6. INCONSTITUCIONALIDADE ORIGINÁRIA E SUPERVENIENTE 
 
Em relação ao momento de aferição da inconstitucionalidade, a premissa correta é 
dizer que a lei é inconstitucional quando confronta com a Constituição vigente. Porém, se, 
posteriormente à edição da lei, surge novo texto constitucional, é possível indagar se a lei 
foi revogada ou se a lei permanece constitucional, cogitando-se, neste último caso, de 
inconstitucionalidade superveniente. 
Sustentar a existência de inconstitucionalidade superveniente pressupõe aceitar 
que a lei pode ter a sua validade aferida em face de Constituição posterior, com base no 
 
princípio da supremacia da Constituição. Por outro lado, falar em revogação (ou juízo de 
recepção) implica admitir que a superveniência de norma constitucional derroga a lei com 
ela incompatível, circunscrevendo-se a questão ao âmbito do direito intertemporal. 
Esta discussão tem consequências práticas relevantes. Se o caso é de mera 
revogação, não seria necessário a observância de formalidades peculiares ao juízo de 
inconstitucionalidade, como a reserva de plenário. 
O STF manteve a orientação que se formara sob o regime constitucional anterior, 
declarando que a Constituição revoga o direito anterior que com ela é incompatível. A 
ementa do acórdão que reflete a posição do STF é a seguinte: 
 
“o vício da inconstitucionalidade é congênito à lei e há de ser 
apurado em face da Constituição vigente ao tempo de sua 
elaboração. Lei anterior não pode ser inconstitucional em relação à 
Constituição superveniente; nem o legislador poderia infringir 
Constituição futura. A Constituição sobrevinda não torna 
inconstitucionais leis anteriores com ela conflitantes; revoga-as”. 
 
Logo, o STF entende que a inconstitucionalidade é vício de origem, reafirmando o 
princípio da contemporaneidade, devendo o ato normativo ser confrontado para fins de 
aferir a sua constitucionalidade com a Constituição Federal da época em que foi editado. 
Tal concepção não se restringe à hipótese de sucessivas Constituições, mas 
também se verifica em relação à mudança do texto da Constituição por emendas. As 
emendas revogam a legislação em conflito, não se tratando de inconstitucionalidade 
superveniente. 
Da mesma forma, também não é possível a correção de vícios de 
inconstitucionalidade por meio da edição de emendas à constituição, pois repise-se, o vício 
é congênito. (Não obstante o STF já tenha reconhecido a validade da atuação do legislador 
neste sentido, no caso específico dos Municípios que foram criados em desacordo com as 
normas constitucionais e tiveram sua validade declarada por emenda à constituição). 
 
OBSERVAÇÃO: no caso específico da convalidação de Municípios criados sem a 
observância dos requisitos constitucionais, o STF citou a teoria da reserva do impossível, 
termo usado para cunhar fatos políticos consolidados e complexos que não poderiam ser 
desfeitos por decisão judicial. 
 
1.1.6.1. Alteração dos fatos e modificação da concepção geral acerca do direito 
 
 
Outra concepção de inconstitucionalidade superveniente se relaciona com a 
alteração dos fatos e circunstâncias, e se isso pode tornar inconstitucional norma que, em 
princípio, apresentava-se como constitucional. A mutação da realidade, ao se projetar sobre 
o texto normativo, pode lhe dar outra fisionomia, impondo nova interpretação e, por 
consequência, a desarmonia de determinadas normas infraconstitucionais diante da 
Constituição. 
Há, neste sentido, um processo de inconstitucionalização da lei derivado de um 
processo de mutação da realidade. Neste específico sentido, a 
inconstitucionalidade superveniente foi acolhida no STF. CUIDADO: em provas, 
responda sobre a 
 
possibilidade de inconstitucionalidade superveniente apenas se questionado de maneira 
específica sobre esse sentido, derivado da mutação da realidade. 
Situação similar diz respeito à alteração da concepção geral do direito, a conduzir 
a uma mutação da jurisprudência constitucional. A alteração da compreensão do direito 
caracteriza uma nova concepção jurídica acerca de uma mesma situação fática. De qualquer 
forma, assim como a alteração dos fatos, a modificação da concepção geral acerca do direito 
permite a revogação de precedente constitucional, e, assim, também de precedente que 
considerava certa lei constitucional, não importando se este gerou coisa julgada erga omnes. 
 
OBSERVAÇÃO: Processo de Inconstitucionalização na jurisprudência do STF. Art. 2º 
da Lei nº 9.055/95 - STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ 
o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/8/2017 (Info 874). 
A utilização de amianto no Brasil, permitida por Lei federal gerou intensos debates durante 
muito tempo em relação à constitucionalidade. Inicialmente, o STF afirmou que a Lei 
federal permissiva era constitucional, e estabelecia condições suficientes para 
compatibilizar a utilização do amianto com a garantia do direito à saúde. 
Recentemente, em julgado rico de temas para discussão em se tratando de controle de 
constitucionalidade, o STF mudou de entendimento. 
 
momento atual, segundo passou a entender o STF, NÃO se compatibiliza com a 
Constituição de 1988. 
Esse fenômeno da inconstitucionalidade superveniente decorre de um processo 
de inconstitucionalização, sendo perfeitamente possível que o STF reconheça 
uma Lei como constitucional, mas posteriormente mude de posição e declare a 
invalidade ou inaplicabilidade da norma, o que pode ocorrer por algumas razões, 
resumindo o que foi exposto: 
 
Razões pelas quais pode ocorrer o processo de inconstitucionalização de uma 
lei ou ato normativo 
1) em virtude da mudança no 
parâmetro de controle (mudança 
na CF). Isso pode acontecer de 
dois modos: 
1.1) pela alteração formal do 
texto constitucional (houve uma 
emenda constitucional e a lei 
antiga tornou-se incompatível 
com a nova redação) – Neste caso, 
não há processo de 
inconstitucionalização 
propriamente dito, pois haverá 
mera REVOGAÇÃO, uma vez que 
a

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