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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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emenda é Lei posterior e 
hierarquicamente superior; 
1.2) pela alteração no sentido 
da norma constitucional, ou seja, 
mudança na forma como a CF é 
interpretada. Neste caso, tem-se 
aquilo que se chama de “mutação 
constitucional”. 
2) por força de alterações nas 
relações fáticas subjacentes à 
norma jurídica, ou seja, 
mudanças no cenário jurídico, 
político, econômico ou social do 
país. 
Interpretação do STF a respeito 
do § 3º do art. 20 da Lei nº 
8.742/93 (Rcl 4374/PE, rel. Min. 
Gilmar Mendes, 18/4/2013. Info 
702). 
CPF: 396.095.808-07 
A Lei nº 9.055/95 passou por um processo de inconstitucionalização em razão 
da alteração no substrato fático do presente caso (hipótese 2 do quadro acima). 
Isso porque antigamente havia menos informações acerca dos riscos do amianto 
do que existem atualmente, o que reforça a necessidade do banimento de sua 
utilização. 
Antes, falava-se na possibilidade do uso controlado da crisotila (espécie de 
amianto permitida pelo art. 2º da Lei nº 9.055/95). Atualmente, contudo, o que 
se observa é um consenso em torno da natureza altamente cancerígena do 
mineral e da inviabilidade de seu uso de forma efetivamente segura, sendo esse 
o entendimento oficial dos órgãos nacionais e internacionais que detêm 
autoridade no tema da saúde em geral e da saúde do trabalhador. 
A caracterização do que é seguro ou não à saúde depende do avanço do 
conhecimento científico acerca da questão. Enfim, se em 1995, tolerava-se, sob 
certas circunstâncias e condições, a utilização da crisotila, especialmente em 
 
razão da inexistência naquele momento de substitutivos, atualmente, o consenso 
científico é no sentido da impossibilidade técnica do uso seguro da crisotila e da 
existência de substitutivo idôneo. 
Neste sentido é que se falou que foi verificada a inconstitucionalidade 
superveniente deste dispositivo legal, o que não se confunde com a análise da 
compatibilidade de leis 
 
Dessa forma, no sentido exposto anteriormente, pode-se dizer que o art. 2º da Lei federal 
nº 9.055/1995 passou por um processo de inconstitucionalização e, no 22 
 
pré-constitucionais. Sob esse prisma, a inconstitucionalidade superveniente não é 
admitida. 
 
1.1.7. NORMAS CONSTITUCIONAIS INCONSTITUCIONAIS 
 
O caráter unitário da constituição impede o estabelecimento de uma 
hierarquia normativa entre seus dispositivos. 
A possibilidade de declaração da inconstitucionalidade de norma originária da 
Constituição tem sido afastada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Em síntese, 
afirma o STF que ele não pode ser tido como um fiscal do poder constituinte originário, 
bem como as cláusulas pétreas dispostas no texto constitucional impõem limites tão 
somente ao poder constituinte derivado. Em outras palavras, o STF não admite a teoria das 
normas constitucionais inconstitucionais, defendida por Otto Bachov. 
Desta forma, eventual conflito aparente deve ser solucionado pelos mecanismos 
próprios da interpretação constitucional, como a concordância prática, harmonização, 
ponderação, dentre outras técnicas que reforcem a validade e unidade do texto 
constitucional. 
Por fim, cuidado para não confundir a impossibilidade de declaração de 
inconstitucionalidade de norma constitucional originária com a declaração de 
inconstitucionalidade de norma constitucional derivada (emenda constitucional), esta sim 
possível. 
 
Pergunta de concurso (TJ-CE) - É juridicamente cabível questionar a 
constitucionalidade de norma que afirme a inelegibilidade dos analfabetos? 
Resposta: Não, pois trata-se de norma constitucional originária, sendo 
juridicamente impossível questionar a constitucionalidade de norma constitucional 
originária no sistema brasileiro (ADI 4.097/AgR, DJ de 21/11/2008). No mesmo sentido: “(...) 
a tese de que há hierarquia entre normas constitucionais originárias dando azo à declaração 
de inconstitucionalidade de umas em face de outras é incompossível com o sistema de 
Constituição rígida” - ADI 815, DJ de 10/5/1996. 
No mesmo sentido, pergunta da prova oral do MP-MG: Há normas constitucionais 
inconstitucionais? 
Resposta: Não. A teoria das normas constitucionais inconstitucionais, defendida 
por Otto Bachov, não é aplicada no Brasil. Nem mesmo as cláusulas pétreas podem ser 
invocadas para sustentação da tese da inconstitucionalidade de normas constitucionais 
inferiores em face de normas constitucionais superiores, porquanto a Constituição as prevê 
apenas como limites ao Poder Constituinte derivado. 
Assim, sob o ponto de vista formal, não há hierarquia entre as normas 
constitucionais originárias. 
 
 
1.1.8. MOMENTOS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: 
 
A) PRÉVIO OU PREVENTIVO - É aquele realizado sobre o projeto lei. Será 
realizado pelo: 
 
A.1. Legislativo - Controle na criação, ou seja, o legislador quando 
está criando a lei avalia concomitantemente sua 
constitucionalidade. Ex.: Comissão de Constituição e Justiça e de 
Cidadania - CCJC. 
A.2. Executivo - Ocorre na deliberação executiva sobre o projeto 
de lei. Faz-se o controle preventivo, pelo Executivo, por meio do 
veto, que pode ocorrer quando o projeto de lei for contrário ao 
interesse público (veto político) ou quando houver 
inconstitucionalidade (veto jurídico). 
 
ATENÇÃO! TESE DE REPERCUSSÃO GERAL 
É constitucional a promulgação, pelo Chefe do Poder Executivo, de parte incontroversa 
de projeto da lei que não foi vetada, antes da manifestação do Poder Legislativo pela 
manutenção ou pela rejeição do veto, inexistindo vício de inconstitucionalidade dessa 
parte inicialmente publicada pela ausência de promulgação da derrubada dos vetos. 
 
A.3. Judiciário (sistema jurisdicional) - Ocorre na impetração de 
Mandado de Segurança preventivo por parlamentar visando barrar 
projeto de lei inconstitucional (tem como fundamento o direito 
líquido e certo ao devido processo legislativo). * 
 
Importante – A legitimidade é apenas do PARLAMENTAR, 
enquanto conservar essa condição. A perda do mandato implica 
na perda superveniente de legitimidade para causa, 
acarretando a extinção do MS (STF). * * O presidente da 
República, embora participe do processo legislativo, NÃO ostenta 
legitimidade neste caso. Falta interesse de agir, pois ele possui o 
poder de vetar o projeto (já cobrado pelo CESPE). 
 
O controle preventivo realizado pelo Poder Judiciário é realizado por meio de 
mandado de segurança impetrado exclusivamente por Parlamentar em duas hipóteses: 
 
 
i) PEC manifestamente ofensiva à cláusula pétrea; e ii) projeto de 
lei ou PEC em cuja tramitação se verifique ofensa às regras 
constitucionais sobre o processo legislativo. (MS 32033/DF) 
 
ATENÇÃO! Controle preventivo judicial e “normas constitucionais interpostas”: 
O controle preventivo a ser exercido pelo Poder Judiciário, durante o processo legislativo, 
abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a 
Constituição. Não cabe, portanto, ao Judiciário imiscuir‐se em questões políticas e de 
organização interna do Poder Legislativo, sendo‐lhe vedado interpretar os chamados atos 
interna corporis, que se aperfeiçoam em normas regimentais. 
A regra a ser fixada é, pois, a impossibilidade de controle de constitucionalidade dos 
referidos atos interna corporis, como o regimento interno do Congresso Nacional, na 
análise da elaboração das normas. 
Todavia, Gilmar Mendes propõe a possibilidade de aferição de constitucionalidade formal 
desses atos quando eles disserem respeito ao processo legislativo previsto na CF/88, 
especialmente quando se referirem ao trâmite de Emenda Constitucional. 
Mendes, trazendo em pauta o estudo de Gustavo Zagrebelsky, asseverou que “... se as 
normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas, a 
violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas, que,

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