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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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muito embora 
não sejam formalmente constitucionais, vinculam os atos e procedimentos legislativos, 
constituindo-se normas constitucionais interpostas” (ZAGREBELSKY, Gustavo. La 
giustizia costituzionale. Bologna, Mulino, 1979, p. 40-41). 
Ocorre que o Mandado de segurança que apreciava a matéria no STF foi extinto sem 
adentrar nessa questão, de modo que não é possível afirmar que tal teoria é ou será 
acolhida. De toda forma, fica o registro. 
 
Pergunta da prova oral do TJ-PA: O Supremo Tribunal Federal pode fazer controle 
de constitucionalidade preventivo de norma em fase de elaboração? 
Padrão de resposta da banca: Classicamente, o Poder Judiciário realiza o controle 
repressivo de constitucionalidade, cabendo aos Poderes Executivo e Legislativo a primazia 
do controle preventivo. Contudo, como exceção, admite a jurisprudência do 
STF o controle de constitucionalidade em relação aos requisitos formais. Nesse caso, o 
parlamentar, e somente ele, possui legitimidade para impetrar mandado de segurança “com 
a finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou emenda 
constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que disciplinam o processo 
legislativo” (STF, MS 24.667, min. Carlos Velloso, Pleno, DJ de 23/4/2004). 
 
Sobre o tema da inviabilidade do controle de constitucionalidade preventivo para 
verificação de requisitos materiais pelo Poder Judiciário (salvo manifesta ofensa à cláusula 
pétrea), confira-se in verbis o seguinte precedente do STF. 
 
CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTROLE 
PREVENTIVO DE CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL DE PROJETO 
DE LEI. INVIABILIDADE. 1. Não se admite, no sistema brasileiro, o 
controle jurisdicional de constitucionalidade material de projetos de 
lei (controle preventivo de normas em curso de formação). O que a 
jurisprudência do STF tem admitido, como exceção, é “a 
legitimidade do parlamentar - e somente do parlamentar - para 
impetrar mandado de segurança com a finalidade de coibir atos 
praticados no processo de aprovação de lei ou emenda 
constitucional incompatíveis com disposições constitucionais que 
disciplinam o processo legislativo” (MS 24.667, Pleno, min. Carlos 
Velloso, DJ de 23.04.04). Nessas excepcionais situações, em que 
o vício de inconstitucionalidade está diretamente relacionado a 
aspectos formais e procedimentais da atuação legislativa, a 
impetração de segurança é admissível, segundo a 
jurisprudência do STF, porque visa a corrigir vício já 
efetivamente concretizado no próprio curso do processo de 
formação da norma, antes mesmo e independentemente de sua 
final aprovação ou não. 2. Sendo inadmissível o controle 
preventivo da constitucionalidade material das normas em curso de 
formação, não cabe atribuir a parlamentar, a quem a Constituição 
nega habilitação para provocar o controle abstrato repressivo, a 
prerrogativa, sob todos os aspectos mais abrangente e mais 
eficiente, de provocar esse mesmo controle antecipadamente, por 
via de mandado de segurança. 3. A prematura intervenção 
do Judiciário em domínio jurídico e político de formação dos 
atos normativos em curso no Parlamento, além de universalizar 
um sistema de controle preventivo não admitido pela 
Constituição, subtrairia dos outros Poderes da República, sem 
justificação plausível, a prerrogativa constitucional que detém 
de debater e aperfeiçoar os projetos, inclusive para sanar seus 
eventuais vícios de inconstitucionalidade. Quanto 
mais evidente e grotesca possa ser a inconstitucionalidade material 
de projetos de leis, menos ainda se deverá duvidar do exercício 
responsável do papel do Legislativo, de negar-lhe aprovação, e do 
Executivo, de apor-lhe veto, se for o caso. Partir da suposição 
contrária significaria menosprezar a seriedade e o senso de 
 
responsabilidade desses dois Poderes do Estado. E se, 
eventualmente, um projeto assim se transformar em lei, sempre 
haverá a possibilidade de provocar o controle repressivo pelo 
Judiciário, para negar-lhe validade, retirando-a do ordenamento 
jurídico. 4. Mandado de segurança indeferido. 
 
ATENÇÃO! O controle de constitucionalidade preventivo realizado pelo STF é considerado 
concreto/incidental e não impede posterior controle repressivo. Em outras palavras, o fato 
de o STF ter indeferido Mandado de Segurança impetrado por parlamentar para trancar 
projeto de lei supostamente ofensivo ao processo legislativo constitucional não impede 
posterior análise de ADI contra a mesma lei, nem vincula seu resultado. 
 
B) POSTERIOR OU REPRESSIVO (sistema jurisdicional) - É aquele realizado 
sobre a lei já criada. É por regra exercido pelo Poder Judiciário pelos sistemas difuso 
e concentrado de controle de constitucionalidade. Entretanto, em determinados casos, 
o controle posterior poderá ser realizado por outros órgãos que não o Judiciário (exceções 
- sistema político): 
 
B.1. Legislativo - São exemplos de controle posterior/repressivo 
do legislativo: 
i) votação sobre Medida Provisória editada pelo Presidente e 
encaminhamento ao Congresso (art. 62 da CF); ii) sustação pelo 
Congresso de atos do Executivo que extrapolem competência 
regulamentar (art. 49, V, 68 e 84, IV da CF); 
B.2. Executivo - Antes da CF de 1988, o chefe do poder executivo 
poderia determinar, por decreto, aos órgãos subordinados, que se 
abstivessem de aplicar determinada lei considerada 
inconstitucional. A justificativa era que apenas o PGR era legitimado 
para propor a ADI, e neste contexto, se consolidou que o Chefe do 
Executivo poderia deixar de aplicar uma Lei por entender que seja 
ela inconstitucional. Registre-se: “EMENTA: É 
 
constitucional decreto de chefe de poder executivo estadual 
que determina aos órgãos a ele subordinados que se 
abstenham da prática de atos que impliquem a execução de 
dispositivos legais vetados por falta de iniciativa exclusiva 
do poder executivo. Constitucionalidade do Decreto n.7.864, 
de 30 de abril de 1976, do Governador do Estado de São 
Paulo. Representação julgada improcedente” (Rp 980/SP, 
Rel. Min. Moreira Alves, j. 21.11.1979, Pleno, DJ de 
19.09.1980, p.7202, RTJ 96-03/496). Nesse mesmo sentido, 
ainda: “O Poder Executivo não é obrigado a cumprir leis que 
considere inconstitucionais” (Recurso de MS 13.950, j. 
10.10.1968, Min. Amaral Santos, RDA 97/116). 
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Ocorre que o quadro se modificou com o advento da Constituição Federal de 1988, 
que promoveu significativa ampliação do rol de legitimados à propositura de ADI, inclusive 
incluindo o chefe do executivo Federal e Estadual. 
Algumas vozes na doutrina passaram a questionar então o entendimento de que o 
chefe do executivo não pode determinar descumprimento de lei manifestamente 
inconstitucional, uma vez que a lei possui presunção de legitimidade, até que se declare o 
contrário, e com a expansão da legitimação para propor ADI, o mais coerente seria provocar 
a jurisdição do STF. 
Tal entendimento, contudo, não é unânime. Pedro Lenza, citando Barroso, entende 
pela possibilidade de descumprimento da Lei Inconstitucional pelo Chefe do executivo, 
citando ainda julgado do STF no qual foi validada a possibilidade de impor ao executivo 
que determine a não observância de leis inconstitucionais; da mesma forma há precedente 
na 1ª Turma do STJ, consagrando a tese do controle posterior ou repressivo pelo 
Executivo: 
 
“Lei inconstitucional — Poder Executivo — Negativa de eficácia. O 
poder executivo deve negar execução a ato normativo que lhe 
pareça inconstitucional” (REsp 23121/GO, Rel. Min. Humberto 
Gomes de Barros; 1.ª Turma, j. 06.10.1993, DJ de 08.11.1993, p. 
23521, LEXSTJ 55/152). 
 
Nos concursos, em provas objetivas deve se atentar aos contornos do enunciado. 
Havendo expressa menção à jurisprudência do STJ, deve-se acolher a possibilidade de 
controle posterior e repressivo pelo executivo. No STF, embora o julgado

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