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Constitucional - Controle de Constitucionalidade I

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se incline pela 
possibilidade, não houve afirmação expressa como no STJ. Contudo, em se tratando de mera 
negativa à execução da Lei, tal medida encontra albergue na jurisprudência do STF (Gilmar 
Mendes, 2018), valendo frisar que é necessário que o chefe do Executivo motive a recusa à 
 
execução da lei e dê publicidade, e que ela só perdure até eventual decisão do STF com 
efeito vinculante. 
 Gilmar Mendes e Marcelo Novelino defendem ainda que, por coerência, quando 
houver recusa ao cumprimento de lei manifestamente inconstitucional pelo Chefe do 
Executivo, este deve, simultaneamente, propor ADI contra o ato normativo em questão. 
Sendo silente o enunciado, a corrente que entende pela possibilidade de 
controle repressivo pelo executivo possui mais adeptos, podendo ser citados além de Lenza, 
L. R. Barroso, O controle..., 2. ed., p. 71; Clèmerson Merlin Clève, A fiscalização abstrata de 
constitucionalidade no direito brasileiro, 2. ed., p. 247-248; e Gustavo Binenbojm, A nova 
jurisdição constitucional brasileira, p. 216 e s, razão pela qual é a posição mais segura a ser 
adotada. Em provas subjetivas, deve-se expor que há divergência, em razão dos obstáculos 
citados. 
 
 
B.3 TCU (e por extensão o CNJ e CNMP) - art. 71, X da CF - O 
Tribunal de Contas da União, no exercício de suas funções, pode 
apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público? 
Atualmente, após o julgamento do MS 35410, Rel. Min. 
Alexandre de Moraes, julgado em 12/04/2021, entende-se que 
a Súmula 347 do STF está superada. 
 
A Súmula 347 do STF dizia que: “O Tribunal de Contas, no exercício 
de suas atribuições, pode apreciar a constitucionalidade das leis e 
dos atos do poder público”. 
 
A discussão sobre a validade da Súmula foi inaugurada no STF pelo Min. Gilmar 
Mendes, “a própria evolução do sistema de controle de constitucionalidade no Brasil, 
verificada desde então, está a demonstrar a necessidade de se reavaliar a subsistência 
da Súmula 347 em face da ordem constitucional instaurada com a Constituição de 1988”. 
O certo é que os julgados mais recentes vinham promovendo uma releitura da 
referida súmula, tendo chegado, o próprio Min. Gilmar, em um primeiro momento, a admitir 
a possibilidade de os órgãos da administração deixarem de aplicar normas vigentes quando 
essa determinação decorrer de interpretação já estabelecida na Corte (cf. MS 26.739, 2.ª T., 
j. 1.º.03.2016). 
No julgamento da Pet 4.656, foi explicitado que referidos órgãos administrativos 
não exercem controle de constitucionalidade, mas da validade dos atos 
administrativos, e, para tanto, podem apreciar sua juridicidade, eventual revogação 
por ato normativo posterior, etc (Pleno, j. 19.12.2016, DJE de 04.12.2017). 
 
Em que pese a existência de críticas doutrinárias, a Súmula 347 do STF, que 
possibilitava a análise da constitucionalidade pelo Tribunal de Contas continuava em vigor 
e poderia ser objeto de prova, uma vez que não havia sido superada. 
Entretanto, em recente julgamento do Supremo Tribunal Federal, foi novamente 
analisada a possibilidade de o Tribunal de Contas realizar o controle de constitucionalidade. 
O Min. Alexandre de Moraes, em seu voto, rememorou que o TCU é um órgão 
técnico de fiscalização contábil, financeira e orçamentária e que possui as suas 
competências descritas no art. 71 da Constituição Federal. 
Observou, ainda, que além de desrespeitar a função jurisdicional e a 
competência exclusiva do STF, o entendimento do Tribunal de Contas, ao julgar a 
inconstitucionalidade/constitucionalidade de leis e atos normativos, também afronta 
as funções do Legislativo, órgão responsável pela produção das normas jurídicas, 
gerando um “triplo desrespeito” à Constituição Federal. 
 
Portanto, em resumo, o STF entendeu que a Súmula 347 do STF está superada. 
Quanto ao CNJ, vejamos um caso concreto: ficou decidido que o CNJ pode 
determinar que Tribunais de Justiça reduzam adicionais de férias dos magistrados para 1/3, 
conforme LOMAN. De fato, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, 
embora respaldado por legislação estadual, distancie-se do entendimento pacífico do STF. 
Não viola a autonomia dos tribunais locais deliberação do CNJ que determina aos tribunais 
de justiça que enviem projeto de lei tendente à adequação da legislação local ao 
regramento uniforme de âmbito nacional, pois não há no caso reserva de iniciativa da 
matéria aos tribunais locais; ao contrário, os direitos da magistratura, dentre os quais o 
direito ao abono de férias, são matéria de regramento nacional uniforme - MS 31667 AgR. 
Esquematizando, quanto ao CNJ, não confunda os seguintes precedentes, já 
cobrados em provas: 
CNJ NÃO realiza controle de constitucionalidade. 
 
O Conselho Nacional de Justiça, embora seja órgão do Poder 
Judiciário, nos termos do art. 103-B, § 4º, II, da Constituição Federal, 
possui, tão somente, atribuições de natureza administrativa e, nesse 
sentido, não lhe é permitido apreciar a constitucionalidade dos atos 
administrativos, mas somente sua legalidade. 
STF. Plenário. MS 28872 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 
julgado em 24/02/2011. 
 
CNJ, no âmbito de sua competência de controle administrativo do Poder Judiciário, 
pode determinar aos Tribunais o cumprimento de jurisprudência pacífica do STF: 
 
 
“O CNJ não exorbita de sua competência constitucional ao 
simplesmente cumprir reiterada jurisprudência desta Corte.” (STF. 2ª 
Turma. ACO 2143 ED, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
25/08/2017). 
A deliberação do CNJ que deixa de aplicar lei estadual anterior à 
Constituição que conflite com o regime remuneratório da 
magistratura regulado pelo art. 39, § 4º, da Constituição e com a 
LOMAN decorre do exercício direto da competência que lhe foi 
constitucionalmente atribuída, de zelar pela legalidade da atuação 
administrativa de membros e órgãos do Poder Judiciário, nos 
termos da jurisprudência consolidada desta 
Corte. (...) 
STF. 2ª Turma. MS 27935 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado 
 em 21/08/2017. 
 
1.1.9. FORMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE JURISDICIONAL (MISTO): 
 
A) CRITÉRIO SUBJETIVO OU ORGÂNICO - Refere-se ao órgão que realiza o 
controle: 
 
a. Sistema Difuso - Nesse sistema qualquer juiz ou tribunal 
realiza o controle de constitucionalidade. 
b. Sistema Concentrado - Nesse sistema o controle é realizado 
por 2 órgãos específicos: o TJ e o STF. 
 
B) CRITÉRIO FORMAL - Refere-se à forma que se dá o controle: 
 
a. Incidental ou concreto - O controle não é realizado como 
pedido, mas como a causa de pedir (controle incidenter tantum, de 
exceção, no caso concreto). A finalidade principal é a proteção de 
direitos subjetivos. 
b. Principal ou abstrato - O controle é exatamente o pedido da 
ação (principalite, direto, em abstrato). A finalidade principal é a 
proteção da supremacia constitucional, da ordem constitucional 
objetiva. 
 
 
Observação: a regra é o controle difuso-incidental e concentrado-abstrato, razão 
pela qual os termos são inclusive tratados como sinônimos em alguns julgados e provas de 
concurso. Tecnicamente, a doutrina aponta exceções: 
 
- Exemplos de controle concentrado-concreto: Representação 
interventiva, ADPF incidental, mandado de segurança impetrado 
por parlamentar para tutela do direito ao devido processo 
constitucional legislativo. Em todos os exemplos, o controle é 
concentrado em um órgão específico, mas objetiva a proteção de 
direitos subjetivos, concretos. 
- Exemplo de controle difuso-abstrato: Quando o Plenário ou 
órgão especial decide sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato 
normativo- art. 97 da Constituição Federal. O controle é difuso, pois 
realizado pelo plenário ou órgão especial de qualquer Tribunal, mas 
abstrato, uma vez que fixa apenas a tese jurídica e devolve para o 
órgão fracionário (ex: Turmas)

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