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MFC II- Síndromes demenciais

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Medicina de Família e Comunidade II - Dra Camila Braga
Síndromes demenciais
Demência
- Processo neuropatológico causador de dano significativo das funções cognitivas.
- Perda da independência funcional.
- Declínio cognitivo-funcional de natureza cerebral orgânica.
Classificação:
- evolutivas: declínio progressivo por doenças neurodegenerativas, vascular ou infecciosa crônica;
- estáticas: demência vascular com fator de risco controlado, sequela de lesão cerebral aguda por trauma ou
infecção ( irreversíveis); ou demência causada por deficiência de vitamina B12 ou hipotireoidismo ( reversíveis).
→ Anamnese
• Conversar com o paciente , e depois com um acompanhante.
• Observar algumas possíveis alterações de linguagem, como a fluência ao falar, se ocorrem pausas ou dificuldade de
nomeação, assim como aspectos da memória .
• Inicio súbito ou progressivo.
• Alterações comportamentais como apatia, desinibição, impulsividade, perda de empatia, alucinações, delírio,
distúrbios do sono antes mesmo de ocorrerem outros sintomas cognitivos evidentes.
• Histórico de doenças neurológicas, doenças crônicas, hábitos de vida, histórico familiar.
• Caracterizar adequadamente o declínio funcional, ou seja, avaliar as atividades de vida diária, as básicas – Escala de
Katz- (higiene, alimentar-se sozinho, vestir-se sozinho, continência urinária e fecal) e as instrumentais – Escala de
Lawton e Brody- (preparar refeições, pagar contas, cuidar das próprias finanças, limpar a casa, fazer compras), sempre
comparando com o nível cognitivo prévio do indivíduo avaliado.
Gabriela de Oliveira | T3 | 6º período
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• O comprometimento cognitivo ou comportamental afeta pelo menos dois entre os cinco domínios:
• Memória: adquirir ou evocar informações recentes, com sintomas que incluem repetição das mesmas perguntas ou
assuntos, esquecimento de eventos, compromissos ou do lugar onde guardou seus pertences.
• Funções executivas: comprometimento do raciocínio, da realização de tarefas complexas e do julgamento, com
sintomas como compreensão pobre de situações de risco, redução da capacidade para cuidar das finanças, de tomar
decisões e de planejar atividades complexas ou sequenciais.
• Habilidades visoespaciais: com sintomas que incluem incapacidade de reconhecer faces ou objetos comuns,
encontrar objetos no campo visual, dificuldade para manusear utensílios, para vestir-se, não explicáveis por deficiência
visual ou motora.
• Linguagem: afeta expressão, compreensão, leitura ou escrita. Inclui sintomas como dificuldade para encontrar e/ou
compreender palavras, erros ao falar e escrever, com trocas de palavras ou fonemas, não explicáveis por déficit sensorial
ou motor.
• Personalidade ou comportamento: com sintomas que incluem alterações do humor, agitação, apatia, desinteresse,
isolamento social, perda de empatia, desinibição, comportamentos obsessivos, compulsivos ou socialmente
inaceitáveis.
• Na avaliação inicial da suspeita de demência deve-se caracterizar se os achados são atribuíveis aos diagnósticos
diferenciais mais comuns: delirium e depressão.
• Delirium é definido como uma síndrome aguda de curso flutuante e por causa potencialmente reversível ( infecções
ou internamento). O principal domínio cognitivo afetado é a atenção.
• É causado frequentemente por infecção (pulmonar, urinária e intestinal), distúrbio metabólico (doença renal aguda,
hiponatremia) ou medicamentos (benzodiazepínicos, neurolépticos).
• Idosos com declínio cognitivo leve (DCL) e com demência têm maior risco de delirium.
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• O exame neurológico sumário visa avaliar déficits focais, alteração de uma função nervosa numa parte específica do
corpo (presentes em pacientes com AVC) , ou uma função específica (como no caso de a fala ser afetada, mas não a
capacidade de escrever).
• Movimentos anormais e sintomas parkinsonianos (lentificação dos movimentos, rigidez plástica, tremor de repouso e
instabilidade postural).
Exame físico
• Durante o exame neurológico completo, devemse buscar sinais importantes como parkinsonismo, outros transtornos
do movimento, alterações na motricidade ocular, alterações de sensibilidade profunda, presença de reflexos primitivos,
pesquisa de disautonomia, alterações da marcha.
• Exame neurológico cognitivo, deve abranger todos os domínios – linguagem, funções executivas, memória, funções
visoespaciais, praxias, gnosias – aliados a testes de rastreio como o mini exame do estado mental.
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• Com o objetivo de investigar outras causas potencialmente reversíveis de declínio cognitivo, os seguintes exames
laboratoriais devem ser solicitados aos pacientes: TSH, vitamina B12, sorologia para HIV e sífilis (VDRL e fta-abs),
hemograma e plaquetas (anemia, sangramento por plaquetopenia) e bioquímica (sódio, potássio, glicose, ureia e
creatinina).
● Demência de Alzheimer
• A DA é a forma mais frequente de demência em idosos e sua prevalência aumenta de forma expressiva com a idade.
• Com relação aos aspectos patológicos, na DA há atrofia cortical macroscópica, sobretudo em áreas do córtex
associativo neocortical e regiões temporais mesiais (hipocampais).
• Na microscopia, observam-se emaranhados neurofibrilares intracelulares com proteína TAU e deposição de peptídeo
B-amilóide em placas neuríticas extracelulares.
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• Vale salientar que o exame neuropatológico constitui o padrão-ouro para o diagnóstico de DA, observando-se a
distribuição e a quantidade das lesões descritas.
• Inicialmente, a principal característica do quadro clínico é o comprometimento de memória episódica, como, por
exemplo, dificuldade de lembra-se de fatos recentes, repetição de perguntas e perda de objetos pessoais.
• Além das dificuldades para realizar atividades funcionais da vida diária, os sintomas comportamentais são bastante
prevalentes, sobretudo apatia, depressão e agitação psicomotora.
• Com o avançar da doença há prejuízo para realizar atividades básicas da vida diária, o paciente torna-se incapaz de
realizar sua própria higiene pessoal, de alimentar-se ou vestir-se.
● Demência vascular
• Demência associada a doença cerebrovascular - esta, por sua vez, definida pela presença de alterações ao exame
neurológico ou através de exames de imagem – e uma relação estabelecida entre ambos.
• Esta relação pode ser, por exemplo, por início de uma síndrome demencial dentro de três meses após um AVC
• Algumas características reforçam o diagnóstico, como presença precoce de distúrbios da marcha, tais como marcha
apráxica, relato de desequilíbrio, paralisia pseudobulbar e urgência urinária precoce, além de mudanças na
personalidade ou humor.
● Demência fronto-temporal
• A DFT caracteriza-se por significativa alteração da personalidade e do comportamento, com relativa preservação das
funções cognitivas praxia, gnosia e memória. • A linguagem, por sua vez, é progressivamente afetada, podendo ocorrer
dificuldades na compreensão e na expressão verbal, com redução da fluência ou mesmo mutismo. • As queixas são
freqüentemente trazidas por familiares, pois a maioria dos pacientes ignora suas alterações de personalidade, de
comportamento e de conduta social. • Se, por sua vez, ocorrer principalmente alteração das habilidades linguísticas,
têm-se as afasias progressivas primárias (demência semântica e afasia progressiva não fluente).
• Na variante comportamental há sintomas decorrentes de lesão em áreas de lobo pré-frontal, como redução de
empatia, afeto inapropriado, irritabilidade e perda de autocrítica. • Apatia é marcadamente presente no quadro clínico,
associada à lesão na parte anterior do giro de cíngulo. • Alterações da preferência

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