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As Cinco 
Solas da 
Reforma 
Protestante 
Extraído do Site: www.ministeriofiel.com.br 
 
 
Introdução : A palavra “Solas” é uma palavra em latim que significa “Somente”. 
É um contraponto a teologia da Igreja Católica que dominava na época. Sendo 
assim, a reforma protestante é caracterizada por esses cinco pontos onde 
enfocam somente na Bíblia, na Graça, na Fé, em Cristo e na Glória a Deus como 
pontos principais que direcionaram e direcionam o povo que se identifica com o 
protestantismo. 
 
 
 
 
 
 
SOLA SCRIPTURA 
(Somente as Escrituras) 
 
 
Vivemos em um mundo cheio de reivindicações de verdades concorrentes. 
Todos os dias, somos bombardeados com declarações de que uma coisa é 
verdadeira e a outra, falsa. Dizem-nos no que acreditar e no que não acreditar. 
Pedem-nos que nos comportemos de um jeito ao invés de outro. Em sua coluna 
mensal “O que eu sei com certeza”, Oprah Winfrey nos diz sobre como lidar com 
as nossas vidas e relacionamentos. A página editorial do New York Times nos 
diz regularmente qual abordagem devemos usar nas grandes questões morais, 
jurídicas ou de políticas públicas de nossos dias. Richard Dawkins, o ateu e 
evolucionista britânico, nos diz como pensar a respeito de nossas origens 
históricas e nosso lugar no universo. 
Como filtraremos todas essas alegações? Como as pessoas sabem o que 
pensar sobre relacionamentos, moralidade, Deus, origem do universo e muitas 
outras questões importantes? Para responder a essas perguntas, as pessoas 
precisam de algum tipo de norma, padrão ou critério ao qual possam recorrer. 
Em outras palavras, precisamos de uma autoridade máxima. É claro que todo 
mundo tem algum tipo de norma suprema à qual recorrer, quer estejam cientes 
ou não do que essa norma venha a ser. Algumas pessoas recorrem à razão e à 
lógica para julgar essas alegações de verdade concorrentes. Outras recorrem ao 
senso de experiência. Outros recorrem a si mesmos e ao seu próprio senso 
subjetivo das coisas. Embora haja alguma verdade em cada uma dessas 
abordagens, os cristãos têm historicamente rejeitado todas elas como o padrão 
definitivo para o conhecimento. Em vez disso, o povo de Deus tem afirmado 
universalmente que há apenas uma coisa que pode legitimamente funcionar 
como o padrão supremo: a Palavra de Deus. Não pode haver nenhuma 
autoridade maior que o próprio Deus. 
É claro que não somos a primeira geração de pessoas a enfrentar o desafio das 
reivindicações de verdades concorrentes. Na verdade, Adão e Eva enfrentaram 
um dilema no início. Deus havia dito claramente a eles: “Certamente morrerás”, 
se comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:17). Por 
outro lado, a Serpente disse o oposto a eles: “É certo que não morrereis!” (3:4). 
Como Adão e Eva deveriam ter julgado essas alegações discordantes? Pelo 
empirismo? Pelo racionalismo? Através daquilo que parecia certo para eles? 
Não, havia apenas um padrão ao qual eles deveriam ter recorrido para tomar 
essa decisão: a palavra que Deus havia falado a eles. Infelizmente, não foi isso 
o que aconteceu. Em vez de olhar para a revelação de Deus, Eva decidiu 
investigar ainda mais as coisas por si mesma: “Vendo a mulher que a árvore era 
boa para se comer, agradável aos olhos... tomou-lhe do fruto e comeu” (3:6). 
Não se engane, a queda não foi apenas uma questão de Adão e Eva terem 
comido o fruto. Na sua essência, a queda tratou-se de o povo de Deus ter 
rejeitado a Palavra de Deus como o padrão máximo para toda a vida. 
Mas se a Palavra de Deus é o padrão máximo para toda a vida, a próxima 
pergunta é crucial: aonde iremos para conseguir a Palavra de Deus? Onde ela 
pode ser encontrada? Esta questão, é claro, nos leva a um dos debates centrais 
da Reforma Protestante. Ao mesmo tempo que as autoridades da Igreja Católica 
Romana concordavam que a Palavra de Deus era o padrão máximo para toda a 
vida e doutrina, eles acreditavam que essa palavra podia ser encontrada em 
locais fora das Escrituras. Roma reivindicou uma estrutura de autoridade de três 
partes, que incluía a Escritura, a tradição e o Magistério. O componente principal 
desta estrutura de autoridade era o próprio Magistério, que é o magistério oficial 
da Igreja Católica Romana, manifestado principalmente no papa. Porque o papa 
era considerado o sucessor do apóstolo Pedro, seus pronunciamentos oficiais 
(ex cathedra) eram considerados como as palavras do próprio Deus. 
Foi neste ponto que os Reformadores mantiveram-se firmes. Apesar de 
reconhecerem que Deus havia entregado sua Palavra ao seu povo de várias 
maneiras antes da vinda de Cristo (Hebreus 1:1), eles argumentaram que não 
devíamos mais aguardar a revelação contínua, agora que Deus havia falado 
finalmente através do seu Filho (v. 2). A Escritura é clara quanto ao dom 
apostólico ter sido projetado para executar uma tarefa única e histórico-
redentiva: estabelecer as bases da igreja (Efésios 2:20). A atividade de 
estabelecimento da fundação realizada pelos Apóstolos consistia principalmente 
em dar à igreja um depósito de ensino autorizado que testemunhasse a grande 
obra redentora de Cristo. Assim, os escritos do Novo Testamento, que são a 
personificação permanente do ensino apostólico, devem ser vistos como a última 
parcela da revelação de Deus para o seu povo. Esses escritos, juntamente com 
o Antigo Testamento, são os únicos que são corretamente considerados a 
Palavra de Deus. 
Esta convicção de sola Scriptura - somente as Escrituras são a Palavra de Deus 
e, portanto, a única regra infalível para a vida e doutrina - fornecia o combustível 
necessário para inflamar a Reforma. Na verdade, foi considerada como a “causa 
formal” da Reforma (considerando que sola fide, ou “somente a fé”, foi 
considerada como a “causa material”). Os pontos de vista desta doutrina são 
personificados no famoso discurso de Martinho Lutero na Dieta de Worms 
(1521), depois que ele foi convidado a retratar os seus ensinamentos: 
A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e 
por claros argumentos (visto que não creio no papa, nem nos concílios; é 
evidente que todos eles frequentemente erram e se contradizem); estou 
conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está cativa 
à Palavra de Deus. Não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso 
fazer algo contra a consciência...Que Deus me ajude. Amém! 
Para Lutero, as Escrituras, e somente as Escrituras, eram o árbitro máximo do 
que devemos acreditar. 
Claro que, como muitas convicções cristãs fundamentais, a doutrina da Sola 
Scriptura tem sido mal-entendida e mal-aplicada. Infelizmente, alguns têm 
usado sola Scriptura como justificativa para um tipo de individualismo “eu, Deus 
e a Bíblia”, onde a igreja não tem nenhuma autoridade real, e a história da igreja 
não é considerada ao interpretar e aplicar a Escritura. Assim sendo, muitas 
igrejas hoje são quase “ahistóricas” - separadas inteiramente das ricas tradições, 
credos e confissões da igreja. Eles entendem erroneamente que sola 
Scripturasignifica que a Bíblia é a única autoridade em vez de compreender que 
isso significa que a Bíblia é a única autoridade infalível. Ironicamente, tal 
abordagem individualista na verdade enfraquece a própria doutrina que a sola 
Scriptura pretende proteger. Ao enfatizar a autonomia do crente, fica-se apenas 
com conclusões particulares, subjetivas sobre o que a Bíblia quer dizer. Não é 
tanto a autoridade das Escrituras que é valorizada, mas a autoridade do 
indivíduo. 
Os Reformadores não teriam reconhecido tal distorção como a doutrina da sola 
Scriptura em que criam. Pelo contrário, eles estavam bastante dispostos ??a 
confiar nos pais da igreja, nos conselhos da igreja e nos credos e confissões da 
igreja. Tal embasamento histórico foi encarado não apenas como um meio para 
manter a ortodoxia, mas também como um meio para manter a humildade. Ao 
contrário da percepção popular, os Reformadores não se viam como se 
estivessem trazendo algo novo. Emvez disso, eles entendiam que estavam 
recuperando algo muito antigo - algo que a igreja tinha acreditado inicialmente, 
mas que depois havia se torcido e distorcido. Os Reformadores não eram 
inovadores, mas escavadores. 
Existem outros extremos contra os quais a doutrina da sola Scripturanos 
protege. Embora queiramos evitar a postura individualista e “ahistórica” de 
muitas igrejas hoje, a sola Scriptura também nos protege de elevarmos credos e 
confissões ou outros documentos humanos (ou ideias) ao nível das Escrituras. 
Devemos estar sempre atentos para não cometermos o mesmo erro de Roma, 
que abraçou o que poderíamos chamar de “tradicionalismo”, que tenta vincular 
as consciências dos cristãos a áreas que a Bíblia não vincula. Nesse sentido, 
a sola Scriptura é uma guardiã da liberdade cristã. Mas o maior perigo que 
enfrentamos quando tratamos da sola Scriptura é entendê-la de forma errada. O 
maior perigo é esquecê-la. Somos propensos a pensar nessa doutrina 
puramente em termos de debates do século XVI - apenas um vestígio das 
antigas batalhas entre católicos e protestantes, e irrelevantes para os dias de 
hoje. Mas, nos dias de hoje, a igreja protestante precisa dessa doutrina mais do 
que nunca. As lições da Reforma têm sido esquecidas em sua maioria e a igreja, 
mais uma vez, começou a confiar em autoridades supremas fora das Escrituras. 
A fim de levar a igreja de volta à sola Scriptura, temos de perceber que não 
podemos fazer isso apenas através do ensino da doutrina em si (embora 
devamos fazer isso). Antes, a principal maneira para levar a igreja de volta é, de 
fato, pregando as Escrituras. Somente a Palavra de Deus tem o poder de 
transformar e reformar nossas igrejas. Portanto, não devemos apenas falar 
sobre a sola Scriptura, mas devemos demonstrá-la. E quando assim o fizermos, 
devemos pregar toda a Palavra de Deus - sem escolher as partes que preferimos 
ou pensar no que nossas congregações querem ouvir. Devemos pregar apenas 
a Palavra (sola Scriptura), e devemos pregar toda a Palavra (tota Scriptura). As 
duas doutrinas andam lado a lado. Quando elas são unidas, no poder do Espírito 
Santo, podemos ter a esperança de uma 
 
 
 
 
Autor: Michael Kruger 
 
Dr. Michael J. Kruger é professor de Novo Testamento e Reitor no Reformed 
Theological Seminary em Charlotte, N.C. Ele é autor do livro Canon Revisited: 
Establishing the Origins and Authority of the New Testament Books. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/410/Michael%20Kruger
http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/410/Michael Kruger
SOLA GRATIA 
(Somente a Graça) 
 
“Maravilhosa Graça! Quão doce o som que salvou um miserável como eu!”; 
“Maravilhosa graça do nosso amado Senhor, a graça que excede o nosso 
pecado e a nossa culpa”. “Maravilhosa graça de Jesus, maior do que todos os 
meus pecados, como a minha língua deveria descrevê-lo, por onde deveria 
começar o seu louvor?”. 
Os cristãos adoram cantar sobre a graça salvadora de Deus – e com razão. João 
nos diz que de Jesus “todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre 
graça” (João 1:16). Muitas das cartas do Novo Testamento começam e terminam 
com os escritores expressando seu desejo de que a graça de Jesus estivesse 
com o seu povo. As últimas palavras da Bíblia são: “A graça do Senhor Jesus 
seja com todos. Amém” (Apocalipse 22:21). 
Os reformadores entenderam a importância da graça de Deus para o ensino 
bíblico sobre a salvação. De fato, um dos lemas que vieram a definir o ensino da 
Reforma era sola gratia, que é o latim para “somente pela graça”. Os cristãos 
são salvos somente pela graça de Deus. 
Entre os protestantes, existe uma conhecida incompreensão e uma distorção do 
ensino da Igreja Católica Romana sobre a graça. Às vezes é dito: “Roma ensina 
que somos salvos pelas obras, mas os protestantes ensinam que somos salvos 
pela graça”. Esta declaração, mesmo sendo comum, é uma calúnia contra a 
Igreja Católica Romana. Roma não ensina que alguém é salvo pelas obras à 
parte da graça de Deus. Ela, de fato, ensina que uma pessoa é salva pela graça 
de Deus. 
A que, então, Roma objetou no ensino dos reformadores? Onde está a linha que 
diferencia Roma da Reforma? Encontra-se em uma única palavra 
– sola (“somente”). Os reformadores sustentavam que o pecador é salvo pela 
graça de Deus, o seu favor imerecido, somente. Essa doutrina significa que nada 
que o pecador fizer pode trazer-lhe o mérito para obter a graça de Deus, e que 
o pecador não coopera com Deus, a fim de merecer a sua salvação. A salvação, 
do começo ao fim, é o dom soberano de Deus para os indignos e não 
merecedores. Conforme Paulo escreveu aos cristãos de Corinto que estavam 
inclinados a vangloriar-se: “Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que 
não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não 
tiveras recebido?” (1 Coríntios. 4:7). Ninguém pode estar diante de Deus e dizer: 
“Olhe para mim e veja o que eu fiz!” Deus não é devedor de ninguém, nem 
mesmo em matéria de salvação (Romanos 11:35). 
Uma passagem da Escritura na qual a doutrina da salvação somente pela graça 
brilha é Efésios 2:1-10. Paulo escreveu aos Efésios, depois de ter ministrado 
entre eles por cerca de três anos (Atos 20:31). Está claro a partir do livro de Atos 
dos Apóstolos que Paulo dedicou-se profundamente a pregar e ensinar a Palavra 
de Deus para eles (19:8-10, 20:20-21). 
A carta aos Efésios nos dá um vislumbre do banquete de ensino que Paulo havia 
colocado diante daquela igreja. No primeiro capítulo, Paulo leva-nos para os 
“lugares celestiais” (1:3). Ele nos mostra o plano do Pai para salvar os pecadores 
através da obra de seu Filho, uma obra que é aplicada e garantida pelo Espírito. 
Este plano é um plano generoso – o Pai “nos abençoou em Cristo com todas as 
bênçãos espirituais” (v. 3). Acima de tudo, Paulo enfatiza como esse plano de 
redenção redunda em louvor da gloriosa graça de Deus (vv. 6, 12, 14). 
Depois de uma pausa para agradecer a Deus e interceder pelos Efésios, Paulo 
aplica as realidades celestiais de 1:3-14 às nossas vidas cristãs individuais em 
2:1-10. Ele destaca duas vezes o fato de que “pela graça sois salvos” (2:5, 8). 
Como é a graça de Deus evidente na salvação? Nós vemos a graça de Deus em 
evidência, Paulo diz, quando Deus faz com que o morto viva em Cristo. Para 
apreciar plenamente a graça de Deus, vamos considerar a partir de Efésios 2:1-
10 o que significa estar “morto” e o que significa estar “vivo”. 
Quem são os “mortos”? Os Efésios estão incluídos. (“Vocês estavam mortos 
em... delitos e pecados...”, v.1). Inclui Paulo e seus companheiros judeus. (“Nós 
todos vivíamos nas paixões da nossa carne”, v. 3). De fato, inclui todo homem, 
mulher e criança em Adão. (“[Nós] éramos por natureza filhos da ira, como o 
resto da humanidade”, v.3). A palavra “mortos” inclui pessoas como você e eu. 
O que significa estar "morto"? Paulo aponta para três coisas nesta passagem. 
Primeiramente, isso significa estar sob condenação. Antes de Cristo, estávamos 
“mortos nos delitos e pecados nos quais [nós] uma vez andávamos”. Deus disse 
a Adão em Gênesis 2, que a morte é a penalidade para o pecado. Quando 
violamos a lei de Deus, nós somos culpados perante este Deus santo, e 
responderemos perante a sua justiça. Em segundo lugar, estar morto significa 
que estávamos debaixo do jugo. Servíamos a três mestres: o mundo (“seguir o 
curso deste mundo”, 2:2), a carne (“todos nós vivíamos segundo as paixões da 
nossa carne, realizando os desejos do corpo e da mente”, 2:3), e o Diabo 
(“seguindo o príncipe do poder do ar, do espírito que agora atua nos filhos da 
desobediência”, 2:2). Em terceiro lugar, estar morto significa que estávamos sob 
a ira. Nós “éramos por natureza filhos da ira, como o resto da humanidade” (2:3). 
Estávamos justamente sujeitos ao descontentamento santo de Deus por causa 
do nosso pecado. Éramos assim “por natureza” - em outras palavras, nascemosnessa condição. 
Muitos não aceitam esse ensinamento. Fora da igreja, muitos assumem que as 
pessoas são basicamente boas. Elas tendem a acreditar, pelo menos 
implicitamente, que se dermos às pessoas uma educação adequada, os 
exemplos ou leis, então eles vão seguir o caminho certo. Leis justas, exemplos 
nobres e educação adequada são inestimáveis, mas são impotentes para mudar 
um coração comprometido com sua rebelião contra Deus. Dentro da igreja, 
muitos já disseram e ainda dizem que as pessoas estão doentes, e até mesmo 
desesperadamente doentes. No entanto, ainda diz-se a esses doentes que eles 
têm os recursos necessários para responder e cooperar com a graça de Deus. 
Mas Paulo não diz que estamos doentes. Ele diz que, longe de Cristo, nós 
estamos mortos. Espiritualmente falando, somos cadáveres no chão, sem Jesus. 
Não podemos nos aproximar de Deus, assim como um cadáver não pode reunir 
forças para sair de seu túmulo. Assim é o quão ruim estamos quando estamos 
longe de Cristo. 
Felizmente, Paulo não termina por aí. Começando no versículo 4, Paulo se volta 
de nós para Deus, do mal que fizemos para o bem que Deus está fazendo em 
Cristo. Ele destaca três coisas sobre a graça de Deus no resto desta passagem: 
Primeiro, ele nos aponta para a obra de Deus nos versículos 5-6: “Deus nos deu 
vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos – e nos ressuscitou 
juntamente com ele e nos fez assentar com ele nos lugares celestiais em Cristo 
Jesus”. Deus ressuscitou Cristo dentre os mortos e o fez assentar-se à sua 
direita (1:18-20), e ele nos fez algo incrível em nossa união com Cristo. Deus, 
Paulo disse, fez os mortos viverem. Isso é o que evoca a exclamação de Paulo: 
“Pela graça sois salvos” (2:5). 
Em segundo lugar, Paulo nos aponta para a motivação de Deus. Por que Deus 
fez o morto reviver? Não foi por causa de nossas obras, Paulo diz no versículo 
9, nem as obras que fizemos antes de nos tornarmos cristãos, nem as obras que 
temos feito depois que nos tornamos cristãos. Caso contrário, poderíamos ter 
motivo para “nos gloriar” (v. 9). Em vez disso, Paulo diz, Deus nos deu vida por 
causa de sua “misericórdia”, de seu “grande amor com que nos amou” (v. 4). 
Paulo sai do seu caminho para incutir em nós que o próprio amor e a misericórdia 
de Deus são a fonte da nossa salvação. 
Em terceiro lugar, Paulo nos aponta para o propósito de Deus. Com que 
propósito Deus fez o morto reviver? Paulo diz no versículo 7, foi para que 
possamos colocar em exposição, tanto agora como na eternidade, as “riquezas 
imensuráveis ??da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus”. 
Como podemos fazer isso? Através da exposição em nossas vidas da obra prima 
de nosso Criador e Redentor - fomos “criados em Cristo Jesus para boas obras, 
as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (v. 10). 
Nós somos salvos, então, sola gratia – somente pela graça de Deus. Longe de 
levar-nos a abraçar uma vida de libertinagem e imprudência moral, a graça de 
Deus no evangelho nos leva a buscarmos uma vida de consagração e santidade. 
Por que isso acontece? O grande compositor de hinos, Isaac Watts, capturou 
bem o ponto de Paulo quando escreveu em seu hino “Quando eu vejo a 
maravilhosa cruz”: “Se toda a criação me pertencesse, ainda assim seria um 
presente muito pequeno, se comparado ao amor tão incrível, tão divino, que 
exigiria a minha alma, a minha vida, o meu tudo”. Pense nisso da próxima vez 
que cantar sobre a graça de Deus. 
 
 
 
 
Autor: Guy Prentiss Waters 
 
Dr. Guy Prentiss Waters é professor de Novo Testamento no Reformed 
Theological Seminary em Jackson, Mississippi. Ele é autor do livro How Jesus 
Runs the Church. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/398/Guy%20Prentiss%20Waters
http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/398/Guy Prentiss Waters
SOLA FIDE 
(Somente a Fé) 
 
Em 1647, um grupo de pastores e teólogos reformados reunidos na Abadia de 
Westminster, em Londres, elaborou um conjunto de documentos que hoje 
conhecemos como os Padrões de Westminster, que incluem a Confissão de Fé, 
o Catecismo Maior e o Breve Catecismo. Os teólogos procuraram sistematizar o 
ensino reformado a fim de criar uma igreja Reformada unificada nas Ilhas 
Britânicas. Na pergunta e resposta 33 do Breve Catecismo, eles resumem um 
dos principais pilares da tradição reformada: 
O que é a justificação? Justificação é um ato da livre graça de Deus, através da 
qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante de si, 
somente pela justiça de Cristo a nós imputada e recebida pela fé somente. 
Incluída nesta breve declaração está a ideia de que os pecadores são 
justificados sola fide - somente pela fé. Mas o que significa sola fide? Antes de 
mergulhar em seu significado, um pouco de contexto histórico é essencial para 
entender a sua importância. Uma pessoa só pode apreciar verdadeiramente uma 
luz brilhante contra o pano de fundo da escuridão. 
Um Pano de Fundo das Trevas 
Quando Martinho Lutero pregou suas Noventa e Cinco Teses na porta da Igreja 
do Castelo em Wittenberg, em 1517, demorou algum tempo para que as 
implicações da sua ação reverberassem ao longo da história. O fruto de seu 
trabalho emergiu em algumas confissões luteranas e reformadas, as quais 
afirmaram que os pecadores são declarados justos aos olhos de Deus, não com 
base em suas próprias boas obras, mas somente pela fé, somente em Cristo e 
pela graça de Deus somente - sola fide, solus Christus e sola gratia. A Igreja 
Católica Romana foi compelida a responder, e o fez no famoso Concílio de 
Trento, quando realizou uma série de pronunciamentos sobre a doutrina da 
justificação em sua sexta sessão, em 13 de janeiro de 1547. 
Dentre os muitos pontos que Roma apresentou, vários deles reivindicações-
chave, os principais foram: (1) que os pecadores são justificados pelo seu 
batismo, (2) que a justificação é pela fé em Cristo e pelas boas obras de uma 
pessoa, (3) que os pecadores não são justificados unicamente pela justiça 
imputada de Jesus Cristo, e (4) que uma pessoa pode perder sua posição de 
justificação. Todos esses pontos se fundem na seguinte declaração: 
Se alguém disser que o pecador é justificado somente pela fé, ou seja, que não 
é necessária nenhuma outra forma de cooperação para que ele obtenha a graça 
da justificação e que, em nenhum sentido, é necessário que ele faça a 
preparação e seja eliminado por um movimento de sua própria vontade: seja 
anátema. (Canon IX) 
A Igreja Católica Romana claramente condenou a sola fide - não confessou que 
os pecadores são justificados somente pela fé. 
Uma Luz na Escuridão 
Em contraste com esse pano de fundo, podemos apreciar como o Breve 
Catecismo define biblicamente a doutrina da justificação e explica o que é sola 
fide. Para Roma, os pecadores são justificados pela fé e obras. Sua doutrina da 
fé é introspectiva - uma pessoa deve olhar para dentro de suas próprias boas 
obras, a fim de ser justificado. O Breve Catecismo, por outro lado, argumenta 
que a fé é extrospectiva - os pecadores olham para fora de si, para a obra perfeita 
e completa de Cristo para a sua justificação. Mas o que, especificamente, os 
pecadores recebem somente pela fé? 
O primeiro benefício da justificação é que Deus perdoa todos os nossos pecados 
passados, presentes e futuros. Os teólogos mencionam a citação que Paulo fez 
do Salmo 32: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado 
é coberto” (Romanos 4:7, Salmo 32:1). O segundo benefício da justificação é a 
aceitação do pecador como justo aos olhos de Deus "apenas pela justiça de 
Cristo imputada a nós". Ter o status de “justo” conferido a si mesmo é bastante 
surpreendente. Quando um juiz declara uma pessoa inocente, isso 
simplesmente significa que ele não é culpado de ter quebrado a lei. Mas, se um 
juiz declara uma pessoa justa, significa que não somente ela é inocente de violar 
a lei, mas também que elacumpriu a exigência da lei. Tomemos como exemplo 
o roubo. Para uma pessoa ser justa nesse caso, ela deve abster-se de roubar. 
Mas, além disso, ela também deve proteger os bens dos outros. Ela deve atender 
as demandas negativas e positivas da lei contra o roubo. Por justificação, um 
pecador é aceito como justo, não por uma parte da lei, mas por toda a lei - cada 
mandamento, cada jota e til. Ele é contado como aquele que guardou todas as 
dimensões de toda a lei. De onde surge essa justiça? 
A justiça, ou obediência, pertence a Cristo. Os teólogos citam duas passagens-
chave das Escrituras para fundamentar a imputação, ou confirmação, da justiça 
de Cristo para o crente. Primeiro, eles citam 2 Coríntios 5:21:“Aquele que não 
conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos 
justiça de Deus”. De acordo com as Escrituras, Cristo era o Cordeiro imaculado, 
perfeito e sem pecado (1 Pedro 1:19; Hebreus 4:15). Ainda, Cristo carregou o 
pecado do seu povo - foi imputado a ele e ele o carregou. A maneira pela qual 
Cristo foi imputado com o nosso pecado para que ele pudesse suportar a 
maldição da lei (imputação) é a mesma maneira pela qual recebemos a perfeita 
obediência de Cristo - seu cumprimento de todas as exigências da lei. Os 
teólogos citam Romanos 5:19 para este efeito: “Porque, como pela 
desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim, 
pela obediência de um só homem muitos serão constituídos justos” (versão do 
autor). A desobediência de Adão foi imputada a todos os que estão unidos a ele, 
e a obediência de Cristo, o último Adão, é imputada a todos aqueles unidos a 
Jesus (1 Coríntios. 15:45). 
Nunca os dois devem se encontrar 
Se já não estiver aparente, a visão dos teólogos de Westminster sobre a 
justificação é diametralmente oposta à visão da Igreja Católica Romana. Para 
Roma, a justificação do pecador é uma tentativa de alquimia doutrinária, 
tentando misturar as obras de Cristo com as do crente, a fim de produzir o ouro 
da justificação. A teologia reformada, por outro lado, sistematizada no Breve 
Catecismo Menor e refletindo o ensino das Escrituras, repousa a justificação do 
pecador somente sobre a obra de Cristo. O único meio pelo qual a perfeita obra 
de Cristo é recebida é pela fé somente - sola fide. Nós não temos outra 
embaixada de paz para encontrar abrigo da justa ira de Deus, a não ser na 
perfeita justiça e sofrimento de Cristo, e não há outra ponte entre o homem e 
Cristo, somente a fé. 
 
 
 
Autor: J. V. Fesko 
 
Dr. J. V. Fesko é reitor acadêmico e professor de Teologia Sistemática e 
Teologia Histórica no Westminster Seminary California. Ele é autor do 
livro Word, Water and Spirit: A Reformed Perspective on Baptism. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SOLUS CHRISTUS 
(Somente Cristo) 
 
A teologia reformada afirma que a Escritura e sua doutrina sobre a graça e fé 
enfatizam que a salvação é solus Christus, “somente por Cristo”, isto é, Cristo é 
o único Salvador (Atos 4:12). B.B. Warfield escreveu: “O poder salvador da fé 
reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo Poderoso”. 
A centralidade de Cristo é o fundamento da fé protestante. Martinho Lutero disse 
que Jesus Cristo é o “centro e a circunferência da Bíblia” — isso significa que 
quem ele é e o que ele fez em sua morte e ressurreição são o conteúdo 
fundamental da Escritura. Ulrich Zwingli disse: “Cristo é o Cabeça de todos os 
crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”. 
Sem Cristo, nada podemos fazer; nele, podemos fazer todas as coisas (João 
15:5; Filipenses 4:13). Somente Cristo pode trazer salvação. Paulo deixa claro 
em Romanos 1-2 que, embora haja uma auto-manifestação de Deus além da 
sua obra salvadora em Cristo, nenhuma porção de teologia natural pode unir 
Deus e o homem. A união com Cristo é o único caminho da salvação. 
Nós precisamos urgentemente ouvir solus Christus em nossos dias de teologia 
pluralista. Muitas pessoas hoje questionam a crença de que a salvação é 
somente pela fé em Cristo. Como Carl Braaten diz, eles “estão voltando à velha 
e falida forma de abordagem cristológica do século XIX, do liberalismo 
protestante, e chamando-a de “nova”, quando, na verdade, é pouco mais que 
uma “Jesusologia” superficial”. O resultado final é que, atualmente, muitas 
pessoas, como H.R. Niebuhr disse em sua famosa frase a respeito do liberalismo 
— proclamam e adoram “um Deus sem ira, o qual trouxe homens sem pecado 
para um reino sem julgamento por meio de ministrações de um Cristo sem a 
cruz”. 
Nossos antepassados reformados, aproveitando uma perspectiva que rastreia 
todo o caminho de volta aos escritos de Eusébio de Cesaréia, no século IV, 
acharam útil pensar a respeito de Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei. A 
Confissão Batista de Londres de 1689, por exemplo, coloca isso da seguinte 
forma: “Cristo, e somente Cristo, está apto a ser o mediador entre Deus e o 
homem. Ele é o profeta, sacerdote e rei da igreja de Deus” (8.9). Observemos 
mais detalhadamente esses três ofícios. 
Cristo, o Profeta 
Cristo é o Profeta que precisamos para nos instruir nas coisas de Deus, a fim de 
curar a nossa cegueira e ignorância. O Catecismo de Heidelberg o chama de 
“nosso principal Profeta e Mestre, que nos revelou totalmente o conselho secreto 
e a vontade de Deus a respeito da nossa redenção” (A. 31). “O Senhor, teu 
Deus”, Moisés declarou em Deuteronômio 18:15, “te suscitará um profeta do 
meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás”. Ele é o Filho de 
Deus, e Deus exige que nós o escutemos (Mateus 17:5). 
Como o Profeta, Jesus é o único que pode revelar o que Deus tem planejado na 
história “desde a fundação do mundo”, e que pode ensinar e manifestar o real 
significado das “escrituras dos profetas” (o Antigo Testamento, ver Romanos 
16:25-26). Podemos esperar progredir em nossa vida cristã apenas se dermos 
ouvidos à sua instrução e ensino. 
Cristo, o Sacerdote 
Cristo é também o Sacerdote—nosso extremamente necessário Sumo 
Sacerdote que, como diz o Catecismo de Heidelberg: “pelo sacrifício de Seu 
corpo, nos redimiu, e faz contínua intercessão junto ao Pai por nós” (A. 31). Nas 
palavras da Confissão Batista de Londres de 1689 “por causa do nosso 
afastamento de Deus e da imperfeição de nossos melhores serviços, precisamos 
de seu ofício sacerdotal para nos reconciliar com Deus e nos tornar aceitáveis 
por ele” (8.10). 
A salvação está somente em Jesus Cristo, porque há duas condições que, não 
importa o quanto nos esforcemos, nunca poderemos satisfazer. No entanto, elas 
devem ser cumpridas se estamos para ser salvos. A primeira é satisfazer a 
justiça de Deus pela obediência à lei. A segunda é pagar o preço de nossos 
pecados. Nós não podemos cumprir nenhuma dessas condições, mas Cristo as 
cumpriu perfeitamente. Romanos 5:19 diz: “ por meio da obediência de um só, 
muitos se tornarão justos”. Romanos 5:10 diz: “nós, quando inimigos, fomos 
reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho”. Não há outra maneira 
de entrar na presença de Deus a não ser por meio de Cristo somente. 
O sacrifício de Jesus ocorreu apenas uma vez, mas ele ainda continua sendo 
nosso grande Sumo Sacerdote, aquele através do qual toda a oração e louvor 
são feitos aceitáveis a Deus. Nos lugares celestiais, ele continua sendo nosso 
constante Intercessor e Advogado (Romanos 8:34; 1 João 2:1). Não é de se 
admirar, então, que Paulo diz que a glória deve ser dada a Deus “por meio de 
Jesus Cristo pelos séculos dos séculos” (Romanos 16:27). O gozo de 
achegarmo-nos a Deus pode crescer apenas por uma confiança profunda nele 
como nosso sacrifício e intercessor. 
Cristo, o Rei 
Finalmente, Cristo é o Rei, que reina sobre todas as coisas. Ele reina sobre sua 
Igreja por meio de seu Espírito Santo (Atos 2:30-33). Ele soberanamente dá o 
arrependimentoao impenitente e concede perdão ao culpado (Atos 5:31). Cristo 
é “o nosso Rei eterno que nos governa por sua Palavra e Espírito, e que defende 
e preserva-nos no gozo da salvação que ele adquiriu para nós” (O Catecismo de 
Heidelberg, P&R.31). Como o Herdeiro real da nova criação, ele nos levará a um 
reino de eterna luz e amor. 
Neste sentido, podemos concordar com João Calvino quando ele diz: “Nós 
podemos passar pacientemente por esta vida com sua miséria, frieza, desprezo, 
injúrias e outros problemas—satisfeitos com uma coisa: que o nosso Rei nunca 
nos deixará desamparados, mas suprirá as nossas necessidades, até que, ao 
terminar nossa luta, sejamos chamados para o triunfo”. Podemos crescer na vida 
cristã apenas se vivermos obedientemente sob o domínio de Cristo e pelo seu 
poder. 
Se você é um filho de Deus, Cristo em seu tríplice ofício como Profeta, Sacerdote 
e Rei significará tudo para você. Você ama solus Christus? Você o ama em sua 
pessoa, ofícios, naturezas e benefícios? Ele é o seu Profeta para ensinar-lhe; o 
seu Sacerdote para sacrificar e interceder por você e lhe abençoar, e o seu Rei 
para governá-lo e guiá-lo? 
Depois de uma execução empolgante da Nona Sinfonia de Beethoven, o famoso 
maestro italiano Arturo Toscanini disse à orquestra: “Eu não sou nada. Você não 
é nada. Beethoven é tudo”. Se Toscanini pode dizer isso sobre um compositor 
brilhante, mas que está morto, quanto mais os cristãos devem dizer o mesmo 
sobre o Salvador que vive, o qual, no que diz respeito à nossa salvação, é o 
compositor, músico e até mesmo a própria bela música. 
 
 
Autor: Joel Beeke 
Joel Beeke é presidente e professor de teologia sistemática no Puritan 
Reformed Theological Seminary (EUA) e pastor da Heritage Netherlands 
Reformed Congregation. Beeke é Ph.D. em teologia pelo Westminster 
Theological Seminary. Publicou 50 livros, dentre eles, “Vivendo para a Glória 
de Deus” e “Vencendo o Mundo” (Fiel). 
 
 
 
 
 
 
http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/125/Joel%20Beeke
http://www.ministeriofiel.com.br/autores/detalhes/125/Joel Beeke
SOLI DEO GLORIA 
(Glória Somente a Deus) 
 
Usamos a frase glória de Deus com tanta frequência que ela tende a perder sua 
força bíblica. Mas essa glória, como o sol, não é menos ardente - e não menos 
benéfica - porque as pessoas a ignoram. No entanto, Deus odeia ser ignorado. 
“Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos 
despedace, sem haver quem vos livre”. (Salmo 50:22). Então, vamos nos 
concentrar novamente na glória de Deus. O que é a glória de Deus e quão 
importante ela é? 
O que é a glória de Deus? 
A glória de Deus é a santidade de Deus colocada em exposição. Isto é, o valor 
infinito de Deus manifestado. Perceba como Isaías muda de “santo” para “glória”: 
“E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos 
Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”. (Isaías 6:3). Quando a santidade 
de Deus enche a terra para que as pessoas vejam, ela chama-se glória. 
O significado básico de santo é “separado do comum”. Assim sendo, a santidade 
de Deus é a sua infinita “separação” de tudo o que é comum. É isso que o faz 
ser o único infinito - como o diamante mais raro e mais perfeito do mundo - só 
que não existem outros deuses-diamantes. A singularidade de Deus como sendo 
o único Deus - Sua “Divindade” - o faz infinitamente valioso e santo. 
Ao falar da glória de Deus, a Bíblia admite que este valor infinito teve sua entrada 
na criação. Brilhou, assim como era. A glória de Deus é o resplendor da sua 
santidade, a irradiação do seu valor infinito. E quando ela flui, é vista como bela 
e grandiosa. Ela tem tanto a qualidade de ser infinita quanto a magnitude. Desta 
forma, podemos definir a glória de Deus como a beleza e a grandeza da sua 
multiforme perfeição. 
Digo “multiforme perfeição”, porque a Bíblia diz que aspectos específicos do ser 
de Deus contêm glória. Por exemplo, lemos sobre a “gloriosa graça” (Efésios 1:6) 
e “a glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:9). O próprio Deus é glorioso, pois 
ele é a perfeita união de todas as suas multiformes e gloriosas perfeições. 
Mas esta definição deve ser qualificada. A Bíblia também fala da glória de Deus 
antes de ser revelada na criação. Por exemplo, Jesus orou: “e, agora, glorifica-
me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que 
houvesse mundo” (João 17:5). Portanto, quero sugerir a seguinte definição: A 
glória de Deus é o esplendor externo da beleza intrínseca e grandeza da sua 
multiforme perfeição. 
Estou ciente de que palavras apontam para uma definição muito pobre. Eu 
substituí uma palavra inadequada-glória-por duas palavras inadequadas - beleza 
e grandeza. No entanto, Deus se revelou a nós em palavras como “a glória de 
Deus”. Portanto, elas não são palavras sem sentido. 
Devemos constantemente nos lembrar de que estamos falando de uma glória 
que está além de qualquer comparação na criação. “A glória de Deus” é como 
designamos a beleza e a grandeza infinita da Pessoa que existia antes de 
qualquer coisa. Essa beleza e grandeza existem sem origem, sem comparação, 
sem analogia, sem serem julgadas por qualquer critério externo. A glória de Deus 
é definitiva, o padrão absolutamente original de grandeza e beleza. Toda a 
grandeza e beleza criadas vêm dela e aponta para ela, mas não podem 
reproduzi-la de forma adequada e em sua abrangência. 
“A glória de Deus” é uma forma de dizer que há uma realidade objetiva e absoluta 
para a qual apontam todas as maravilhas, respeito, veneração, louvor, honra, 
elogio e adoração dos seres humanos. Nós fomos feitos para encontrar o nosso 
mais profundo prazer em admirar o infinitamente admirável - a glória de Deus. 
Essa glória não é a projeção psicológica do desejo humano insatisfeito sobre a 
realidade. Pelo contrário, o desejo inconsolável do ser humano é a evidência de 
que fomos feitos para a glória de Deus. 
Quão central é a glória de Deus? 
A glória de Deus é o objetivo de todas as coisas (1 Coríntios 10:31;Isaías 43:6-
7). A grande missão da Igreja é declarar a glória de Deus entre as nações. 
“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas 
maravilhas”. (Salmo 96:1-3; Ezequiel 39:21; Isaías 66:18-19). 
Qual é a nossa esperança? 
Nossa máxima esperança é ver a glória de Deus. “E gloriamo-nos na esperança 
da glória de Deus” (Romanos 5:2). Deus irá “vos apresentar com exultação, 
imaculados diante da sua glória” (Judas 24). Ele irá “conhecer as riquezas da 
sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão” 
(Romanos 9:23). Jesus, em toda a sua pessoa e obra, é a encarnação e 
revelação máxima da glória de Deus (João 17:24; Hebreus 1:3). 
Além disso, não somente veremos a glória de Deus, mas também teremos 
participação, em algum sentido, em sua glória. “Rogo, pois, aos presbíteros que 
há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, 
e ainda co-participante da glória que há de ser revelada” (1 Pedro 5:1). “Aos que 
justificou, a esses também glorificou” (Romanos 8:30). A esperança que é 
verdadeiramente conhecida e estimada tem um efeito decisivo sobre os nossos 
valores, escolhas e ações hoje. 
Valorizando a Glória de Deus 
Conheça a glória de Deus. Estude a glória de Deus, a glória de Cristo. Estude 
sua alma. Conheça as glórias pelas quais você é seduzido e porque você 
valoriza glórias que não são a glória de Deus. 
Estude a sua própria alma para saber como fazer as glórias do mundo 
desmoronarem como Dagom, em pedaços miseráveis, ??no chão dos templos 
do mundo (1 Samuel 5:4). Tenha fome de ver e compartilhar mais da glória de 
Cristo, a imagem de Deus. 
 
Autor: John Piper 
John Piper é um dos ministros e autores cristãos mais proeminentes e atuantes 
dos dias atuais, atingindo com suas publicações e mensagens milhões de 
pessoas em todo o mundo. Ele exerce seu ministério pastoral na Bethlehem 
Baptist Church, em Minneapolis,MN, nos EUA desde 1980. 
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