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Teoria das Dinâmicas dos Grupos - Kurt Lewin

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Os primeiros estudos sobre grupos datam do final do século 19 a partir dos estudos da
Psicologia das Massas ou Psicologia das Multidões de onde surgiu a Psicologia
Social. Mas, foi a partir do estudo de grupos menores que se desenvolveram
pesquisas de grupos. O teórico que realizou pesquisas nos Estados Unidos a partir de
1930 foi Kurt Lewin e que influenciou o desenvolvimento de uma teoria organizacional
psicológica aplicada no estudo das relações humanas do trabalho e foram feitos
investimentos para o desenvolvimento e aplicação desta teoria ao campo
organizacional. (BOCK et al, 2002).
Estudos aprofundados realizados por Kurt Lewin e seus discípulos deram sequência
às pesquisas quanto à estrutura e funcionamento do grupo. Quando um grupo é
formado,as questões do processo grupal passam a atuar no grupo e nas pessoas,
num processo interativo e constante, ou seja, a “mudança no estado de qualquer
subparte modifica o estado do grupo como um todo” (BOCK et al, 2002, p. 220).
Priorizaremos sobre a abordagem de Kurt Lewin, muito bem referenciado na obra de
Afonso (2001) como o primeiro teórico a utilizar o termo “dinâmica”, relacionado ao
trabalho com grupos
O contato face a face favorece que os indivíduos compartilhem experiências e
aprendam mutualmente.
Existem fatores importantes para a sobrevivência do grupo. São eles: a existência, a
interdependência de seus membros e a contemporaneidade. Cada grupo possui
características peculiares que compõe o que Kurt Lewin (teórico que pesquisou
grupos) chamou de atmosfera grupal. Os objetivos do grupo não precisam ser
idênticos aos objetivos do indivíduo e as divergências entre ambos possui um limite
para que não haja rompimento. (MINICUCCI, 1997).
- Fundador da Dinâmica de grupo
A descoberta do feedback é apenas um dos achados que possibilitaram a definição de
um novo campo de estudo. Lewin cunhou o termo “dinâmica de grupos” e lhe definiu
os primeiros contornos com o objetivo de viabilizar a realização da pesquisa-ação. O
termo “dinâmica” vem do sentido que a física lhe empresta, qual seja, contrário ao
conceito de estática, que significa sem movimento. Assim, dinâmica encerra a ideia de
movimento, ou seja, a concepção de que, nos grupos, ocorrem fenômenos que lhe

dão movimento, ou melhor, vida. Nos grupos ocorrem fenômenos subjetivos e
psicológicos que provocam movimento e apenas o estudo científico destes poderá
desvelar esses fenômenos. O laboratório, ou oficina, era um evento coletivo que
reivindicava a participação das pessoas. A necessidade de resolverem problemas
sociais em comum proporcionou a Lewin também um dos meios para tal fim, o
trabalho em grupo. Mas para trabalhar em grupo foi necessária não apenas a
organização, mas entender como as pessoas agem em grupo. Para viabilizar a
pesquisa-ação era necessário compreender os fenômenos de grupo. Por esse motivo
Barbier (1985) afirma que Lewin criou a dinâmica dos grupos como decorrência da
pesquisa-ação, pois ela apenas pode ocorrer em grupo exigindo, assim, a
compreensão de como eles funcionam. O fato da pesquisa-ação apenas ocorrer em
interação grupal exigiu a compreensão desse trabalho coletivo. Para Haguette (1997,
p. 115), o imbricamento entre a pesquisa-ação e a dinâmica dos grupos é tal que o
pesquisador “deve dominar as técnicas de dinâmica dos grupos e as teorias subjetivas
que a informam”. Afinal, a pesquisa-ação é literalmente a ação dinâmica dos grupos
como pesquisador.
Uma descoberta importante feita por Lewin e seus associados refere-se diretamente à
segunda pergunta que figura à cabeça deste sumario: “porque se utiliza o método
laboratório para ensinar a dinâmica de grupo?” Lewin fez o relatório de experiências
cujo fim era ensinar às pessoas novos comportamentos. Por exemplo: mudar-se os
hábitos alimentares ou aumentar a sua produção durante a guerra. Ele descobriu que,
para modificar as ideais e o comportamento social, determinados métodos de
discussão e de decisão em grupo apresentavam grandes vantagens em relação às
conferências e ao ensino individual. Seguidamente, estes métodos de grupo foram
aplicados a aprendizagem da própria dinâmica de grupo, considerada como domínio
de conhecimentos e como competência aplicada. Informando as pessoas sobre a
alimentação, não se lhes muda em nada os gostos porque a apresentação de fatos,
por si só, não modifica as atitudes pessoais. De igual modo, a simples explicação do
comportamento individual. Pelo contrário, a maior parte das pessoas, quando têm
ocasião de trabalhar num “grupo de laboratorio”, sentem-se atingidas por aquilo que lá
se passa de modo suficiente para ressentimento e observarem os processos que
aprendem a conceitualizar. Deste modo, “aprendem alguma coisa” acerca do seu
próprio comportamento nos grupos, ao mesmo tempo que evoluem na penetracao da
dinâmica de grupo em geral. Aquele que ensina o funcionamento dos Grupos observa,
repetidas vezes, que a leitura de textos obrigatórios fornece bem poucos
conhecimentos profundos aos seus estudantes, enquanto eles não podem
estabelecer a relação entre as ideais expostas nos manuais e a própria experiência
direta. À medida que o curso avança, os estudantes declaram espontaneamente que
as leituras parecem adquirir, de repente, mais significado e suscitam neles um
interesse muito mais vivo que ao princípio. O trabalho dos diferentes laboratório de
Dinâmica de Grupo tende a confirmar estas impressões.
“(...) para K. Lewin um grupo é um conjunto de pessoas reunidas, por razões
experimentais ou de sua vida diária, para realizar algo em comum e que estabelecem
relações entre si; conformarão desse modo uma totalidade que produz maiores efeitos
que os mesmos indivíduos isolados. Isso quer dizer que o grupo é irredutível aos
indivíduos que o compõe, na medida em que estes estabeleçam um sistema de
interdependência; disso dependerá a força ou dinâmica de um grupo.”
“(para Lewin), o funcionamento do grupo se explica pelo sistema de interdependência
próprio daquele grupo em determinado momento, seja esse funcionamento interno

(subgrupos, afinidades ou papéis) ou referido à ação sobre a realidade exterior. Nisso
reside a força do grupo ou, em termos mais precisos, nisso reside o sistema de forças
que o impulsiona, isto é, sua dinâmica.”
Em seu livro O Campo Grupal, Fernandez desenvolve a idéia de que o interesse pelo
conhecimento acerca dos grupos humanos e de seu funcionamento teria como um de
seus pontos de origem principais uma forte demanda proveniente da prática social
empresarial, localizada basicamente na década de 20 dos EUA. No contexto do
taylorismo e da ênfase à racionalização do trabalho com sua organização científica, a
dimensão humana nesta nova forma de produção, antes deixada em segundo plano,
passa a se destacar por seu impacto no processo produtivo. A conexão entre as
relações sociais dos trabalhadores e o rendimento no trabalho passa a ser objeto de
observação e pesquisa. Ou seja, passa a ser de interesse, por exemplo, o
funcionamento de um conjunto de pessoas em intercâmbio informal afetivo dentro da
empresa devido justamente à sua relação com a produção. Neste sentido, o
conhecimento sobre os grupos humanos passou a interessar os investigadores
sociais, empresários e homens de Estado. Segundo esta autora, esta demanda
econômica e política da época levara Lewin a elaborar, baseado na Gestalt, a t eoria
da dinâmica de grupos, conjugando o campo da análise e o campo da intervenção,
instituindo o dispositivo grupal como meio de pesquisa e ação. Inaugura-se, assim, as
experimentações sociais que se apresentam sempre vinculadas à ação, e o dispositivo
grupal passa a ser utilizado por diversas áreas: empresarial, educacional, de mercado,
etc.
Atmosfera: Para Lewin a atmosfera do grupo é uma propriedade da situação social
como um todo, podendo ser medida cientificamente. Retoma o experimento de Lippitt,
comparativo entre a atmosfera democrática e a autocrática, criando estruturas que
permitissem a compreensão da dinâmica subjacente do grupo. Dois grupos de jovens
com uma tarefa e com lideranças democráticas e autocráticas que, por conseqüência,
criavam diferentes atmosferas. Observou-se nos resultados do experimento que no
grupo autocrático o impacto do líder sobre o grupo era mais forte, o objetivo,
estabelecido pelo líder, era induzido e tornavase uma barreira para o alcance do
objetivo do sujeito e do livre movimento dos membros, junto ao enfraquecimento de
seus campos de força. As relações entre os membros mostraramse diferentes em
ambos os grupos, na autocracia a hostilidade foi marcante, enquanto na democracia, a
cooperação evidenciou-se. Frente aos resultados, o autor conclui que o estilo de vida
e pensamento introduzido pelo líder dominou as relações entre os sujeitos (hostilidade
e cooperação, individualismo e coletivismo) e entre eles e o líder (maior submissão ao
líder e menor aos membros no caso da autocracia, vice-versa na democracia). A
estrutura dinâmica é diferente no grupo autocrático e no democrático, principalmente,
no que se refere ao papel do líder que no autocrático cria uma distancia em relação
aos membros, e no democrático esta distancia é menor. Há uma diferença ainda de
originalidade dos indivíduos na tarefa e de união espontânea entre eles. Na autocracia
há uma maior rivalidade entre os membros, uma se torna inimigo em potencial das
outras, enfraquecendo-se todos, e para alcançarem algo próximo do status da
liderança que lhes é inalcançável, suprimem violentamente um dos companheiros,
elegendo um bode espiatório. Numa variação do experimento em que uma criança de
um grupo era colocada no outro, observou-se que o comportamento das crianças
espelhou rapidamente a atmosfera do grupo em que se moviam, não provendo as
reações de diferenças individuais e sim da atmosfera do grupo.