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Tipos de conhecimentos

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UNIVERSIDADE DE UBERABA 
LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS 
1 TIPOS DE CONHECIMENTO 
O homem é um ser existencial, que  interpreta a si e ao mundo em que vive, 
atribuindo­lhes  significado.  A  esta  representação  significativa  da  realidade, 
denominamos conhecimento. 
Agora,  apresentaremos  alguns  conceitos  sobre  conhecimento  para  que 
possamos traçar uma base conceitual para as nossas reflexões. 
Para Luckesi (1985), o conhecimento pode ser abordado de três formas: 
1. Como mecanismo de compreensão e transformação do mundo. 
2. Como uma necessidade para a ação. 
3. Como elemento de libertação. 
Vejamos, resumidamente, cada uma dessas abordagens! (Figura 1).
Figura 1: Abordagens sobre os tipos de conhecimento. 
Leia  estas  ideias  de  Luckesi  (1985)  sobre  o  conhecimento  como  forma  de 
libertação e de opressão. 
O  conhecimento  liberta  o  sujeito  porque  lhe  dá  independência  e 
autonomia. Desde que saiba que se conheça, pode­se agir sem estar 
dependendo  da  alienação  de  nossas  necessidades  a  outros.  (...) 
Desconhecer  nossos  direitos  torna­nos  seres  dependentes.  Ignorar 
nossas  capacidades  e  nossos  poderes  de  luta  e  transformação 
conduz­nos ao entreguismo e ao comodismo social e histórico. 
O  conhecimento  é  construído  de  várias  formas,  tais  como:  pela  observação  das 
informações  do  mundo  exterior;  pelas  crenças  religiosas;  pelos  sentimentos  e 
motivações  das  pessoas;  pelas  normas  e  procedimentos  determinados  por  pais, 
professores,  jornalistas  e  escritores;  pelos  ensinamentos  dos  filósofos,  enfim,  pelos 
diversos segmentos de nossa sociedade. 
Importante!
O ato de conhecer é  tão natural que, muitas vezes, não nos damos conta de 
sua complexidade. Nesse sentido, ao tentarmos nos apropriar da realidade nos 
defrontamos com vários tipos de conhecimento como: conhecimento de senso 
comum, filosófico, mitológico, científico, teológico e outros. 
Será que todos nossos conhecimentos são verdadeiros? 
É claro que quando se trata de conhecer, temos em mente o conhecimento da 
verdade, do pensamento verdadeiro (OLIVEIRA, 2002). Entretanto, nem todos 
os  nossos  conhecimentos  são  verdadeiros;  logo,  entendemos  por 
conhecimento  (independente  de  ser  falso  ou  verdadeiro)  todo  conhecimento 
que representa uma relação entre sujeito cognoscente (mente, consciência) e o 
objeto  conhecido  (fatos,  acontecimentos,  objetos  e  fenômenos  da  realidade 
exterior). 
Nesse sentido, o conhecimento implica numa dualidade de realidades. (Figura 
2). 
Figura 2: Dualidade de realidades do conhecimento. 
Veremos,  portanto,  quatro  tipos  fundamentais  de  conhecimento.  Cada  um 
deles originário do tipo de apropriação que o homem faz da  realidade. Esses 
quatro tipos são: o conhecimento científico, o conhecimento de senso comum, 
o conhecimento filosófico e o conhecimento teológico.
A seguir, iremos estudá­los com mais detalhes. 
1.1 Conhecimento científico 
O conhecimento científico surge da necessidade de o homem não assumir uma 
posição  meramente  passiva,  de  testemunha  dos  fenômenos,  sem  nenhum 
poder de ação ou controle dos mesmos. 
O  que  impulsiona  o  homem  em  direção  à  ciência  é  a  necessidade  de 
compreender  a  cadeia  de  relações  que  se  esconde  por  trás  das  aparências 
sensíveis dos objetos, fatos ou fenômenos, captadas pela percepção sensorial 
e  analisadas  de  forma  superficial,  subjetiva  e  acrítica  pelo  senso  comum.  O 
homem quer ir além dessa forma de ver a realidade imediatamente percebida 
(KÖCHE, 2000). 
O conhecimento científico é, portanto, um produto que resulta da investigação 
científica. Decorre não apenas da necessidade de buscar soluções e respostas 
para problemas de ordem prática da vida diária, característica essa também do 
conhecimento  do  senso  comum,  mas  do  desejo  de  fornecer  explicações 
sistemáticas,  que  possam  ser  submetidas  a  testes  rigorosos  e  ao  crivo  da 
crítica.  Resulta,  assim,  da  necessidade  de  alcançar  um  conhecimento  mais 
seguro e confiável. 
Podemos,  então,  relacionar  as  seguintes  características  do  conhecimento 
científico (GALLIANO,1986): 
· racional e objetivo; 
· atém­se aos fatos; 
· transcende aos fatos; 
· analítico;
· requer exatidão e clareza; 
· comunicável; 
· verificável; 
· depende de investigação metódica; 
· busca e aplica leis; 
· explicativo; 
· pode fazer predições; 
· aberto; 
· útil. 
1.2 Conhecimento empírico ou senso comum 
O  conhecimento  do  senso  comum  é  um  conhecimento  espontâneo  ou 
instintivo.  É  resultado  da  necessidade  de  resolver  os  problemas  diários, 
imediatos, não sendo, portanto, antecipadamente programado ou planejado. À 
medida  que  a  vida  vai  acontecendo,  ele  se  desenvolve,  segundo  a  ordem 
natural dos acontecimentos. 
Esse  tipo  de conhecimento é  também chamado empírico,  porque se  refere  à 
experiência imediata sobre fatos ou fenômenos observados, ou seja, baseia­se 
na  experiência  cotidiana  e  comum  das  pessoas.  Como  se  baseia  na 
experiência,  ao  buscar  informações  e  elaborar  soluções  para  os  seus 
problemas  imediatos,  não  esclarece  as  razões  ou  fundamentos  teóricos  que 
possam  demonstrar  ou  justificar  a  sua  utilização,  bem  como  a  sua  possível 
correção  ou  confiabilidade,  por  não  compreender  e  não  saber  explicar  as 
relações  que  há  entre  os  fenômenos.  Em  geral,  no  conhecimento  do  senso 
comum,  utilizam­se  conhecimentos  que  funcionam  razoavelmente  bem  na 
solução  dos  problemas  imediatos,  embora  não  se  compreendam  ou  se 
desconheçam as explicações a respeito de seu sucesso. Quando acontece de 
darem certo, esses conhecimentos se transformam em convicções, em crenças
que são  transmitidas de um  indivíduo para o outro e de uma geração para a 
outra. 
Podemos  ilustrar,  aqui,  com o  conhecimento  que  o  lavrador  iletrado  tem das 
coisas do campo: ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos anunciadores 
de chuva, o comportamento dos animais; sabe onde cavar um poço para obter 
água,  quando  podar  uma  planta,  etc.  Os  conhecimentos  que  esse  lavrador 
possui,  entretanto,  são  frutos  de  sua  experiência  prática  e,  por  isso,  não 
penetram  nos  fenômenos,  permanecendo,  apenas,  na  ordem  aparente  da 
realidade. 
1.3 Conhecimento filosófico 
Segundo  Oliveira  (2002),  o  conhecimento  filosófico  procura  conhecer  as 
causas primeiras dos  fenômenos, ou seja, as causas profundas e remotas de 
todas as coisas, a origem das coisas, e, para elas, as respostas. 
Na  acepção  clássica,  a  filosofia  era  considerada  como  o  conhecimento  das 
coisas por suas causas primeiras. Modernamente, prefere­se falar em filosofar. 
O filosofar é um interrogar, é um contínuo questionar, é uma busca constante 
de  sentido,  de  justificação,  de  interpretação  a  respeito  de  tudo  aquilo  que 
envolve  o  homem e  sobre  o próprio  homem em  sua  existência concreta,  em 
seu contexto histórico. 
Esse contexto muda através dos tempos, o que explica o surgimento de novos 
temas  de  reflexão  filosófica.  Alguns  temas  são  permanentes,  outros  vão 
surgindo conforme muda o contexto histórico.
O campo de reflexão se ampliou muito em nossos dias. Hoje, os filósofos, além 
das  interrogações 
metafísicas  tradicionais, 
formulam  novas  questões, 
como  as  que  envolvem  a 
técnica,  os  valores,  etc. 
Além disso,  a  filosofia  está 
presente  em  todos  os 
setores  do  conhecimento  e  da  ação,  como  reflexão  crítica  a  respeito  dos 
fundamentos desse conhecimentoe dessa ação. Assim, por exemplo, a Física 
e  a  Química  são  ciências  e  usam  determinado  método,  mas  saber  o  que  é 
ciência, o que distingue este conhecimento de outros, o que é método, qual a 
sua  validade,  não  é  da  alçada  do  próprio  físico  ou  do  químico.  Esses  são 
problemas filosóficos (CERVO; BERVIAN, 1972). 
1.4 Conhecimento teológico 
A religião existiu e existe em todos os povos. Para as civilizações do passado e 
do presente da história da humanidade, a  religião  tem seus  fundamentos em 
dogmas  e  ritos,  que  são  aceitos  pela  fé  e  não  podem  ser  provados,  não  se 
admitindo críticas, porque a fé é a única fonte de verdade (OLIVEIRA, 2002). 
Segundo  Chauí  (2000),  esse  conhecimento  busca  uma  explicação  para  a 
realidade  e  se  endereça  ao  coração  dos  crentes,  despertando  emoções  e 
sentimentos de admiração, espanto, medo, esperança, amor, ódio. Nesse tipo 
de  conhecimento,  a  religião  pede  ao  crente  uma  só  coisa:  fé,  ou  seja,  a 
confiança e a adesão plena ao que lhe é manifestado como ação da divindade. 
O conhecimento teológico abrange 3 fases (OLIVEIRA, 2002):
1.5 Conhecimento mitológico 
O  conhecimento  mítico  é  aquele  que  se  vale  de  uma  linguagem  figurada, 
metafórica,  fantasiosa, para explicar a  realidade em geral,  fatos da existência 
ou a própria existência. Segundo Andery (1996 apud ANDRADE FILHO, 2003), 
o mito surge da necessidade consciente e  inconsciente que o homem tem de 
explicar seu meio, seus problemas desconhecidos. O mito não é questionado, 
não  é  objeto  de  crítica,  mas  objeto  de  crença,  de  fé.  Não  se  discute, 
simplesmente submete sua razão à fé. 
Então,  que  vem  a  ser  um  mito?  Mito  é  um  contexto  explicativo  não  lógico, 
muitas  vezes  fantástico, motivado  pelo meio  físico  e  humano  em que  vive  a
comunidade.  Fantasioso,  porque  apela  mais  para  as  forças  da  imaginação, 
pouco lógico, porque não tem coerência interna, é contraditório; explicativo, se 
não tiver por função explicar algum fenômeno, alguma coisa, não é mito. 
Além disso, o mito apresenta uma espécie de comunicação de um sentimento 
coletivo; é transmitido por meio de gerações como forma de explicar o mundo, 
explicação que não é objeto de discussão; ao contrário, ele une e canaliza as 
emoções  coletivas,  tranquilizando  o  homem  no  mundo  que  o  ameaça.  É 
indispensável na vida social, na medida  em que  fixa modelos  da  realidade e 
das atividades humanas. 
Além desses tipos de conhecimento, existem outros. 
Na sequência, vamos conhecer alguns deles! 
Saiba mais
1.6 Conhecimento intelectual 
Segundo  Paulo  Júnior  (2003),  dentre  as  quatro  formas  ou  graus  de 
conhecimento  que  ele  considerava  (crença,  opinião,  raciocínio  e  a  intuição 
intelectual), o conhecimento intelectual (raciocínio e intuição) era o que permitia 
que  o  ser  alcançasse  a  essência  das  coisas,  pois,  para  Platão,  o  raciocínio 
treina  e  exercita  nosso  pensamento,  objetivando  uma  preparação  para  as 
causas intelectuais. 
Esse  conhecimento  é  dividido  em  conhecimento  racional  e  conhecimento 
intuitivo. Vejamos, agora, cada um desses tipos de conhecimento. 
1.6.1 Conhecimento Intuitivo 
Podemos  afirmar  que  o  conhecimento  intuitivo  é  aquele  baseado  na 
experiência (também chamado conhecimento tácito). 
A intuição é uma das áreas que ainda necessita de maior pesquisa no sentido 
de descobrir  as  potencialidades  de cognição  e de comunicação psíquicas  do 
indivíduo e de aprofundar novas  formas de  interação com os outros e com o 
universo. 
Segundo  Moran  (2003),  a  intuição  não  se  opõe  à  razão,  mas  não  segue 
exatamente os mesmos caminhos, pois está ligada à capacidade de: 
· relacionar mais livremente os dados; 
· associar temas de forma inesperada; 
· aprender pela descoberta.
Segundo  Moran  (2003),  para  que  haja  o  desenvolvimento  do  conhecimento 
intuitivo,  precisamos  relaxar  internamente,  dialogar  conosco,  decodificar  a 
linguagem do silêncio,  fazer  conexões e superposições  inesperadas, navegar 
não linearmente. 
1.6.2 Conhecimento racional 
Para  Moran  (2003),  o  racional  é  o  caminho  mais  conhecido  para  o 
conhecimento  e  a  comunicação.  Pela  razão  organizamos,  sistematizamos, 
hierarquizamos,  priorizamos,  relacionamos,  sequencializamos,  causalizamos 
os dados que nos chegam de forma caótica, dispersa,  ininteligível. O racional 
explica,  contextualiza,  aprofunda  as  dimensões  sensoriais  e  intuitivas.  Mas, 
sem  elas,  torna­se  reducionista,  simplificador,  incompleto. O  caminho  para  o 
conhecimento  integral  funciona  melhor  se  começa  pela  indução,  pela 
experiência  concreta,  vivida,  sensorial  e  vai  incorporando  a  intuição,  o 
emocional e o racional. 
1.6 Conhecimento sensitivo 
O conhecimento sensorial possui a vantagem de ser imediato, “natural”, fácil de 
perceber.  Nele  predomina  a  ideia  de  integração  corpo­mente,  sujeito­objeto. 
Por  ser  fruto  da  experiência  imediata,  ele pressiona  por  respostas  imediatas, 
por  soluções  muitas  vezes  ditadas  pela  emoção,  portanto,  sem 
aprofundamento (MORAN, 2003).
Por  possibilitar  facilmente  a manifestação  do  subjetivismo,  a  interferência  de 
valores e percepções altamente pessoais, ele predispõe e  facilita a  interação 
em ambientes de aprendizagem. 
O  aspecto  afetivo  é  um  componente  básico  do  conhecimento  e  está 
intimamente ligado ao conhecimento sensitivo e ao intuitivo, pois se manifesta 
no  clima de acolhimento,  de empatia,  de  inclinação, de  desejo,  de gosto,  de 
paixão, de ternura, da compreensão para consigo mesmo, para com os outros 
e para com o objeto do conhecimento. 
Segundo Moran (2003), o afetivo proporciona: 
· dinamização das interações, das trocas, da busca, dos resultados; 
· facilita a comunicação, toca os participantes, promove a união; 
· prende totalmente, envolve plenamente, multiplica as potencialidades. 
O homem contemporâneo é marcado por esse tipo de conhecimento por meio 
da  forte  relação  com  os  meios  de  comunicação  e  pela  solidão  da  cidade 
grande, estando muito  sensível  às  formas  de  comunicação que enfatizam os 
apelos emocionais e afetivos mais do que os racionais. 
Finalizamos  esse  item,  que  trata  dos  tipos de conhecimento,  com a  seguinte 
reflexão, de Moran (2003): 
O  conhecimento  não  pode  ser  reduzido  unicamente  ao  racional. 
Conhecer  significa  compreender  todas  as  dimensões  da  realidade, 
captar e expressar essa  totalidade de  forma cada vez mais ampla e 
integral. Entendo a educação como um processo de desenvolvimento 
global  da  consciência  e  da  comunicação  (do  educador  e  do 
educando),  integrando,  dentro de uma visão de  totalidade, os vários 
níveis  de  conhecimento  e  de  expressão:  o  sensorial,  o  intuitivo,  o 
afetivo e o racional. 
Vamos prosseguir, enfatizando a diferença entre conhecimento e  informação, 
considerando  que  milhões  de  informações  não  representam  nenhum 
conhecimento, pois 
para  saber  algo  em  profundidade  é  preciso  relacionar  conceitos, 
saber  as  causas,  o  porquê  das  coisas.  Este  é  um  dos  grandes
dilemas  do  novo  século,  impulsionado  pelo  rápido  e  fácil  acesso  a 
fontes  de  informação. Podemos  obter  instantaneamente milhões  de 
informações,  mas  corremos  o  perigo  de  tornar­nos  incapazes  de 
processá­las  de um modo  orgânico,  integrado,  coerente,  através  da 
relação  causa­efeito  que  caracteriza  o  conhecimento  científico 
(RAMOS, 2003). 
2 Fontes de pesquisa 
Preocupar­se  com  as  fontes  de  pesquisasutilizadas  em  um  procedimento 
científico significa  preocupar­se com o  que pode vir a ser a  base,  o  alicerce, 
para  a  realização  da  pesquisa.  Para  entendermos  melhor  essa  afirmação, 
vamos  discutir  sobre  a  importância  dessas  fontes,  que  podem  viabilizar  a 
fundamentação  teórica  de  todo  o  trabalho  científico.  Em  seguida, 
prosseguiremos com um estudo que ressalta a importância da diversificação de 
acesso a essas  fontes, considerando a variedade de opções de publicação e 
disseminação do conhecimento científico. 
2.1 A fundamentação teórica 
Vimos que, ao realizarmos um trabalho científico, podemos utilizar um ou mais 
tipos de pesquisa. Entre eles, conhecemos o  tipo bibliográfico, que é um tipo 
fortemente baseado nas publicações que já existem na nossa literatura e o tipo 
documental,  que  se  baseia  em  documentos  originais  (leis,  portarias, 
regimentos,  documentos  ou  registros  pessoais),  que  ainda  não  sofreram  um 
processo analítico, para que possam ser publicados. 
2.2 Processo analítico 
Processo  pelo  qual  documentos  originais  devem  passar  para  que 
possam ser publicados,  conforme as  normas de publicação  regidas por 
órgãos, como a Associação Brasileira de Normas Técnicas, por exemplo. 
Esses dois tipos de pesquisa (bibliográfico e o documental) estão estreitamente 
relacionados  com  um  processo  que  chamamos  de  fundamentação  teórica. 
Cruz;  Ribeiro  (2003,  p.50)  utilizam  a  expressão  “referencial  teórico”  para  se
referir aos princípios científicos que  irão sustentar a  reflexão e argumentação 
do  pesquisador.  Podemos,  então,  concluir  que  há  uma  estreita  relação  entre 
esses dois tipos específicos de pesquisa com a fundamentação teórica. 
É  importante  saber  que,  independentemente  do  tipo  de  pesquisa  que 
adotarmos,  temos  que  nos  preocupar  com  a  consistência  da  fundamentação 
teórica. 
Então, quando alguém lhe disser que você precisa de uma boa fundamentação 
teórica no seu  trabalho de pesquisa, essa pessoa está  lhe dizendo que você 
precisa buscar subsídios,  tanto na  literatura quanto em documentos originais, 
de maneira a desenvolver um trabalho que: 
· não esteja “reinventando a roda”; 
· não  seja  necessariamente  inédito  (exceto  em  casos  de  teses  de 
doutorado); 
· seja coerente, ou seja,  que  esteja  relacionado  com o  conhecimento  já 
produzido na área ou áreas afins; 
· seja consistente, ou seja, que mantenha  relação  lógica entre as partes 
do trabalho desenvolvido; 
· apresente originalidade, ampliando a literatura existente. 
Dessa forma, será um trabalho que apresentará resultados relevantes, não só 
à comunidade científica, mas  também,  ao meio social em que o  pesquisador 
faz parte e que, certamente, dará contribuições que justifiquem a realização da 
pesquisa. 
A  fundamentação  teórica  pode  ser  entendida  como  um  processo  de  seleção  de 
argumentos científicos, a partir dos quais sustenta­se a nossa proposta de pesquisa e 
justifica­se a sua continuidade. 
Parada para reflexão
2.3 A diversificação das fontes de pesquisa 
Uma das etapas para se desenvolver uma pesquisa científica é o levantamento 
bibliográfico.  Essa  etapa  é  muito  importante  no  processo  da  fundamentação 
teórica da pesquisa. 
Cuidado!  Um  levantamento  bibliográfico  mal  realizado  pode  comprometer  (e 
muito)  a consistência de  uma pesquisa. Mais  um motivo  para que  possamos 
realizar  esse  levantamento  de  forma  que  não  comprometa  a  pesquisa 
realizada. 
Quando você tem que desenvolver um trabalho escolar, onde você 
busca dados, informações e conhecimentos sobre o assunto? 
Certamente,  na  biblioteca,  não  é  mesmo?  Ou  seja,  já  consultamos  muito  e 
ainda consultaremos, com intensidade, os fiéis livros. 
Veja  o  que  Cervo  (2002,  p.  88),  ao  descrever  o  levantamento  bibliográfico, 
registra sobre os  livros:  “Praticamente  todo o conhecimento humano pode ser 
encontrado  nos  livros  ou  em  outros  impressos  que  se  encontram  nas 
bibliotecas”. 
Os locais e as fontes em que encontramos conhecimento para construir outros 
conhecimentos  estão  cada  vez  mais  diversificados  e,  para  que  você  possa 
usufruir desse novo cenário, é preciso estar atento às mudanças tecnológicas 
que vêm ocorrendo. 
Confirmado pelo próprio Cervo (2002, p. 89): “[...] a fonte das informações, por 
excelência,  estará  sempre  na  forma  de  documentos  escritos,  estejam  eles 
impressos  ou depositados  em meios magnéticos ou  eletrônicos”.  Talvez  seja 
interessante  você,  a  partir  de  agora,  diversificar  cada  vez  mais  os  locais  de 
busca  e  os  tipos  de  materiais  para  consultar,  quando  for  desenvolver  seus 
trabalhos acadêmicos.
Em  virtude  das  transformações  sociais,  tecnológicas  e  das  atuais  formas  de 
gerenciamento  de  recursos  de  informação,  temos  vivido  mudanças  de 
paradigma  (modelos)  tradicionais  das  bibliotecas.  Este  fato  tem  ajudado 
inclusive a formular um novo conceito de biblioteca: as bibliotecas digitais. 
As  bibliotecas  digitais  têm  se  apresentado  como  alternativa  para  ampliar  as 
condições  de  busca,  disponibilidade  e  recuperação de  informações  de  forma 
globalizada, qualitativa, pertinente e racional. Elas viabilizam a democratização 
da  informação,  respeitando  o  ritmo  e  a  disponibilidade  de  tempo  de  cada 
pessoa que tenha interesse em usufruir dos seus recursos. 
Vejamos agora um conceito mais completo de biblioteca digital: 
A  biblioteca  digital  difere  das  demais,  porque  a  informação  que  ela 
contém  existe  apenas  na  forma  digital,  podendo  residir  em  meios 
diferentes  de  armazenagem,  como  as  memórias  eletrônicas  (discos 
magnéticos  e  ópticos).  Desta  forma,  a  biblioteca  digital  não  contém 
livros na forma convencional e a  informação pode ser acessada, em 
locais  específicos  e  remotamente,  por  meio  de  redes  de 
computadores. A grande vantagem da  informação digitalizada é que 
ela pode ser  compartilhada  instantânea e  facilmente,  com um custo 
relativamente baixo (BARKER, 1992 apud MARCHIORI, 1997). 
Pesquisadores  da  ciência  da  informação  (área  que  estuda,  entre  outros 
assuntos,  as  bibliotecas  e  seus  serviços)  apontam  quatro  tipos  distintos  de 
bibliotecas:  as  virtuais,  as  polimídias,  as  digitais  e  as  eletrônicas.  Vejamos 
alguns  exemplos  de  bibliotecas  digitais,  que  também  são  conhecidas  como 
bibliotecas  virtuais.  Para  conhecê­las,  assim  que  tiver  uma  oportunidade, 
acesse os links indicados.
Ainda  sobre  a  diversificação  de  fontes  de  pesquisa,  existe  um  serviço  que 
também é muito utilizado: consultas em metabuscadores. Podemos citar alguns 
exemplos: 
· Google (www.google.com); 
· Alta vista (www.altavista.com); 
· Cadê (www.cade.com.br); 
· Yahoo (www.yahoo.com.br) 
Nada contra os metabuscadores, até porque eles vêm aperfeiçoando cada vez 
mais os serviços prestados aos seus usuários. Porém, os  links  trazidos como 
respostas às pesquisas realizadas, muitas vezes, referem­se a sites e arquivos 
que não passaram por uma seleção ou uma análise criteriosa de uma equipe 
editorial,  que  se  preocupa  inclusive  com  a  publicação  com  informações 
essenciais à organização das referências, como, por exemplo: nome do autor e 
data de publicação. Nesses casos, o resultado da busca é sempre muito mais 
amplo. 
O  Google,  por  exemplo,  lançou  recentemente  um  serviço  chamado  Google 
Acadêmico,  que  viabiliza  a  busca  de  artigos,  teses  e  outras  publicações
produzidas  no  meio  acadêmico.  Para  conhecer  este  serviço,acesse 
http://scholar.google.com/advanced_scholar_search.  Em  serviços  específicos 
como esse, as possibilidades de acesso a sites incompletos são minimizadas, 
mas mesmo assim é preciso manter­se atento. 
Problemas  editoriais  como  os  que  acontecem  com  os  metabuscadores  são 
evitados nas  bibliotecas  digitais  e  nas  bases  de dados  on­line,  que são uma 
outra  alternativa  que  podemos  usufruir  para  diversificar  as  nossas  fontes  de 
pesquisa. 
Algumas  dessas  bases  de  dados  on­line  são  de  acesso  público  e  outras 
privado.  No  Brasil,  temos  um  número  considerável  de  bases  de  dados  com 
acesso livre. Uma das bases mais ricas disponíveis é a PERIÓDICOS. Acesse 
assim que puder, ou se necessitar realizar pesquisas no endereço: 
Vejamos alguns outros exemplos de bases de dados:
Outro  recurso  interessante  que  vem  sendo  explorado  por  pessoas  do  meio 
acadêmico,  para  consultar  ou  auxiliar  na  realização  de  pesquisas,  são  as 
enciclopédias  livres  e colaborativas. Elas estão  disponíveis  na Web  e  podem 
contar  com  a  nossa  ajuda,  inclusive  na  manutenção  das  informações 
publicadas. 
Uma delas,  a Wikipédia  (http://wikipedia.org/),  criada em 2001, disponível  em 
mais de duzentos idiomas. 
Observe como o acesso ao conhecimento está cada vez mais dinâmico. Pense 
nisso! 
Bom estudo!
REFERÊNCIAS 
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