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Aula 07 - Direito Penal - Curso Estágio Ministério Público Estadual

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CURSO: Ministério Público Estadual 
 
 
 
Estagiando Direito 
@estagiando_direito_ 
 
AULA 07 – 
Direito Penal 
 
 
 
 
 
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 Olá, alunos. Na aula de hoje, trataremos sobre o Crime Impossível e o Erro de Tipo. 
Lembrando que, por problemas técnicos, algumas aulas estão sendo postadas em dias 
diferentes para suprir as matérias do curso. Entretanto, em breve os problemas serão sanados 
e as aulas voltarão às datas normais. 
 
Erro de Tipo 
 
 Pois bem. O Erro de Tipo determina que aquele indivíduo que atua em desconhecimento 
ou em erro acerca dos elementos construtivos de um tipo penal não age com dolo, dessa forma, 
consequentemente, não pratica um fato criminoso. Ademais, assim explicita o artigo 20 do 
Código Penal. 
 
Artigo. 20 do Código Penal: O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal 
de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se 
previsto em lei. 
 
 Outrossim, quando um determinado indivíduo se encontra em uma falsa percepção de 
uma realidade sobre os elementos que constituem um tipo legal, ele, consequentemente, 
atuará em erro, o que poderá excluir a prática criminosa conforme o artigo supracitado. 
 
Espécies de erro de tipo 
 
 1. Erro de Tipo Essencial: Aquele em que há uma falsa percepção da realidade quanto 
às elementares (elementos constitutivos do tipo legal), circunstâncias ou qualquer outra 
informação que se agregue à figura típica. 
 
 Ademais, é imperioso ressaltar que o autor do fato delituoso deve conhecer os 
elementos objetivos que integram o tipo penal. Pois, qualquer desconhecimento ou erro acerca 
da existência desses elementos exclui o dolo. Destarte, sem a vontade e sem a consciência 
não há o que se falar em dolo. 
 
 
 
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 Assim, o Erro de Tipo, ao afastar a vontade e a consciência da agente, sempre excluem 
o dolo. Entretanto, a situações em que se permite a punição da conduta culposa, se, entretanto, 
houve a previsão legal, que são os casos de Erro de Tipo vencível ou evitável. 
 
 Adentrando nas espécies de Erro de Tipo Essencial, têm-se: A Escusável (inevitável, 
invencível ou desculpável) e a Inescusável (evitável, vencível ou indesculpável). 
 
 1.1 O Erro de Tipo Escusável (inevitável, invencível ou desculpável) é aquele que o 
agente não com culpa – ainda que estivesse atuado com a cautela e prudência do homem 
médio – ele não poderia evitar a falsa percepção da realidade. Exemplo, o indivíduo que tem 
relações sexuais com uma jovem menor de 14, que estava em uma festa onde só é permitida 
a entrada de maiores de 18 anos e bebendo, apresentando ainda, feições adultas. Assim, não 
há a ocorrência do crime previsto no artigo 217 do Código Penal (Estupro de Vulnerável) e a 
conduta torna-se atípica. 
 
 1.2 Por sua vez, o Erro de Tipo Inescusável (evitável, vencível ou indesculpável), o 
erro irá prover da culpa do agente, ou seja, se ele tivesse atuado com a cautela e prudência do 
homem médio, ele seria capaz de compreender o carácter ilícito de sua conduta. Exemplo, o 
indivíduo em uma área de caça (legal), dispara em um colega por confundiu-o com um animal 
e mata-o. Aqui, excluirá-se-ar o dolo, mas o indivíduo responderá pelo crime na modalidade 
culposa, qual seja, o homicídio culposo, por este ser previsto em lei. 
 
 Dessa forma, pode-se concluir que o Erro de Tipo Escusável exclui o dolo e a culpa, e 
não há crime. Por sua vez, o Erro de Tipo Inescusável exclui o dolo, porém, permite a punição 
à título de culpa se previsto em lei. 
 
 1.3. Erro determinado por terceiro: O artigo 20, § 2º do Código Penal nos diz: 
Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. Assim, trata-se da hipótese na qual quem 
pratica a conduta tem uma falsa percepção da realidade no que diz respeito aos elementos 
constitutivos do tipo penal em razão da atuação de um terceiro. 
 
 2. Erro de Tipo Acidental: Este, é o que recai sobre dados diversos dos elementos 
constitutivos do tipo penal, assim, ele ocorre sobre as circunstâncias (qualificadoras, 
 
 
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agravantes genéricas e causas de aumento da pena) e também, de fatores irrelevantes à figura 
típica. Pode ocorrer nas modalidades: 
 
 2.1. Erro sobre a pessoa (error in persona): O agente confunde a pessoa visada, 
contra a qual deseja praticar um fato criminoso, com pessoa diversa. Exemplo, A visando matar 
B, efetua disparos contra C imaginando se tratar de B. Destarte, quanto à aplicação da pena, 
considerar-se-á aquela vítima que sujeito pretendia matar (vítima virtual). Dessa forma, mesmo 
A matando C, ele irá responder como se tivesse matado B, com as suas devidas características 
no âmbito da aplicação penal. 
 
 2.2. Erro sobre o objeto: O sujeito acredita veementemente que sua conduta recai 
sobre um determinado objeto, entretanto, incide contra coisa diversa. Exemplo, A furta um 
celular imaginando ser um Iphone X de R$4000,00, entretanto, trata-se de uma réplica de 
R$100,00. Ademais, tal erro é irrelevante para a tipicidade penal. Dessa forma, A responderá 
pelo delito previsto no artigo 155 do Código Penal. 
 
 2.3. Erro sobre o nexo causal (aberratio causae): Trata-se do engano relacionado à 
causa do crime, o resultado pretendido pelo agente ocorreu em razão de um acontecimento 
diverso daquele que ele primariamente idealizou. 
 
 2.4. Erro na execução (aberratio ictus): Leia-se, primeiramente, o artigo 73 do Código 
Penal: 
 
Artigo 73 do Código Penal: Quando, por acidente ou erro no uso dos meios 
de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, 
atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra 
aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso 
de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-
se a regra do art. 70 deste Código. 
 
 Assim, trata-se da aberração no ataque, em relação à pessoa ser atingida pela conduta 
criminosa. O agente, por um desastre ou qualquer meio que o atrapalhe, erra o alvo e acaba 
acertando algo diverso do pretendido. Exemplo, A pretende matar B, mas, por ser meio 
desastrado quanto à pontaria, acabada acertando C, matando-o. Dessa forma, o artigo 73 faz 
 
 
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menção ao § 3º do artigo 20 do Código Penal, assim, quanto à aplicação da pena, considerar-
se-á aquela vítima que sujeito pretendia matar (vítima virtual). Dessa forma, mesmo A matando 
C, ele irá responder como se tivesse matado B, com as suas devidas características no âmbito 
da aplicação penal. 
 
 2.5. Resultado diverso do pretendido (aberratio delicti ou aberratio criminis): 
Conforme preconiza o artigo 74 do Código Penal: 
 
Artigo 74 do Código Penal: Fora dos casos do artigo anterior, quando, por 
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do 
pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime 
culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 
70 deste Código. 
 
 Assim, é disciplinada a situação em que, por acidente ou erro na execução do delito, 
sobrevém resultado diverso do pretendido. Ou seja, o agente desejava praticar um delito, mas, 
acaba por praticar um outro. 
 
 2.5.1. Resultado diverso do pretendido com unidade simples ou com resultado 
único: O agente, atinge somente o bem diverso do pretendido. Exemplo, um indivíduo que atira 
uma pedra com intuito de quebrar uma vidraça, mas erra o alvo, e acerta o crânio de uma 
pessoa que passava pelo local. Aqui, o artigo 74 diz: o agente responde por culpa, se o fato é 
previsto como crime culposo. 
 
 2.5.2. Resultado diverso do pretendido com unidade complexa ou resultado duplo: 
O agente, atinge o bem jurídico desejado e, o bem jurídico diverso, de forma culposa. No 
exemplo supracitado, utilizar-se-á a regra do concurso formal, aplicando-se a pena do crime 
mais grave, aumentada em 1/6 ou em até ½. 
 
 2.6. Erro sobre a qualificadora: Aqui, há uma

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