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Arquitetura no Brasil - Sistemas Construtivos - 5 Vãos

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o , p o r ém , na t r ad i ção , pregadas sempre na face da f o l ha e 
não na sua junção c om o batente ( como é usua l hoje) em v i r tude de suas largas d imen -
sões que p o d em ser ta is a pon to de se p ro l onga rem até atravessar quase t oda a largura 
da f o l h a . São f i xadas a prego s imples de fe r ro ba t i do ou grandes pregos de cabeça re-
d o nda que vão aparecer pelo lado de f o r a . Estes cach imbos são t ambém chamados 
missagras. (f ig. 75)'** 
Ou t r o s t i pos de ferragens usadas nas esquadr ias são os f e r r o l hos , que são bar-
ras co l o cadas ve r t i ca lmen te nas fo lhas e que , po r me io de gancho e mov imen t o de ro ta-
ção, se enca i xam em peças co locadas nas vergas e pe i to r i s . P o d em t ambém ter mov i -
men to apenas ve r t i ca l , inser indo-se em reba ixo da so le i ra ou do pe i to r i l . A l guns deles 
são a inda garan t idos por me io de fechadura que prende a alça des t inada a ro tação da 
peça que , ass im, não t em este mov imen t o . 
O c o r r em , a i nda , as a ldabras, que são t i pos de maçanetas, em f o rma de alça, 
c om as qua is pelo lado de f o r a , se levantam as t ranque tas e que t ambém servem c omo 
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i n s t rumen to de percussão. C o m esta ú l t ima f i na l i dade apenas, são as a ldrabas f i xas e 
levam, no local da percussão, chapa ou bo tão de fe r ro para p ro teção da made i ra . 
A s tranquetas são pequenas alavancas sobrepos tas nas f o l has e que , c omo t ra-
vas, se inserem em espera , t amb ém de fe r ro , n o po r ta l . São móve is , po r den t r o , por 
me io de o re lha nelas f i xadas e, por f o r a , pelas a ldabras . P o d em a inda ser mov idas por 
me io de dede i ra c o l o cada sobre a alça fixa, pe lo lado de f o r a , à fe ição dos falin-blin de 
hoje e que , por a lavanca , levantam as t ranquetas pe lo lado ex t e r no , es tando neste caso 
as pequenas t ranque tas dos pos t igos , ( f ig. 75) 
Fechadu ras de pa ine l são co locadas nas por tas , em me ia made i ra no seu para-
men to i n te rno e c o m espe lho s imples o u recor tado pe lo lado e x t e r no , q uando se ab rem 
por do i s lados. 
Já no século X I X e no a tua l , estas ferragens f o r am subs t i tu ídas pela dobrad iça 
c o m um , de j unção , pela pa lme i a , po r fechaduras de embu t i r , tar jetas e c remones bem 
c omo d iversos ou t r os t i pos e .node los . 
A s f o l has são t ambém conhec idas , no sécuio X I X , po r venez ianas . Estas são 
compos tas de um quadro onde se inserem, ho r i z on t a lmen t e e i nc l i nadas espaçada-
men te , réguas de made i r a , pe rm i t i n do a vent i lação mas ev i t ando as águas p luv ia is . 
132 A. 
MOTAS AO CAP I TULO 5 
42 — ENSUTADO = "Ass im, rasgo ensutado seria aquele que possui em seus flancos, engras ou 
enxalsos". 
E NGRA = "Corruptela de ângulo, designa o canto formado por duas oaredes concorren-
tes. O termo comumente é aplicado para designar o canto reentrante, para diferenciá-lo 
do cunhal, que é canto ou ângulo saliente. A palavra engra, ás vezes, também é aplicad,- em 
relação às paredes ou faces inclinadas, que "fazem ângulos" com outras. Por essa :azão, 
chama-se engra, ou enxalso, a face inclinada em cada um dos lados do rasgo de uma j . j r e i p 
ou porta situada em parede de grande espessura". 
E NXA LSO = "O mesmo que engra, quando esta palavra designa a faca inclinada dos rasgos 
de portas ou janelas". 
Apud CORONA e LEIVIOS, "Dicionário da Arquitetura Brasileira", Edart — São '2ulo 
Livraria Editora Ltda., 1? edição. São Paulo, 1972, pgs. 187, 186 e 189, 
43 — "Nas janelas das prisões, colocavam-se grades de madeira ou de ferro s, bsm entendidr, 
que cada janela leva(va) duas grades" quase sempre. Grades de fetro de macho-e-têi"ea 
simplesmente, ou , então, de macho-e-fêmea com travessas encalcadas. Ferros de >3 !9 r ; ) : ' 3 
e meia foram os preconizados por A lpo im, em 1745, para a Cadeia de Vila Rica. Os das 
grades da cadeia de Mariana deviam meter todas as suas pontas meio palmo na cantaria. 
Grades de madeira encontramo-las em Aracati, Jaguaripe e Goiás, Alpoim determinou 
para a cadeia de Vila Rica que as grades de pau tivessem "três polegadas de lado". Grades 
de pau, feitas com pernas-de-três, é como diríamos hoje. Advertiremos, porém, que iodas 
as grades de madeira eram chapeadas com ferro. As janelas "para se fecharem as grades 
das enchovias" apareciam sempre reforçadas. As das enxovias maiianenses foram manda-
das fazer com quatro dedos de grossura", 
THED IM BARRETO , PAULO — "Casa de Camara e Cadeia", in Revista do Património 
Histórico de Artístico Nacional, n9 11, Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro, 
1947, pg. 123. 
44 — R E L H A = "Peça estreita e comprida de madeira, que atravessa as tábuas que compõem as 
folhas de portas e janelas solidarizando-ss. Ao contrário das travessas comuns, aparentes no 
tardoz, a relha fica totalmente embebida na espessura dos pranchões", 
Apud CORONA e LEMOS, ob. cit., pg. 406. 
45 - PINTO, ESTEVÃO - "Wluxarabis a Balcões" in Revista do Serviço do Patrimônio Históri-
co e Artístico Nacional, n9 7, Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro, 1943, >JS. 
317, 318 e 319: "Penso que, a não ser em Diamantina, já não existe um só muxarabí meei-
ro no Brasil, Esse elemento arquitetônico, entretanto, talvez se encontrasse em quase todas 
as cidades coloniais do BrasiL Do Brasil e de toda a América Latina (em Cuzco, em Bogotá, 
e tc ) . Ê possível que os muxarabis tenham relação de parentesco com os balestreiros (mã-
chicounlis). Os balestreiros eram fortificações abalcoadas, eretas geralmente no ulto das 
torres. Serviam para defender a entrada dos castelos ou das praças. Essa relação é tão clara 
que Henry Guédy define a palavra muxarabi da seguinte maneira: "balcon feimé, percé de 
mâchiconlis et ordinairement placé au-des-sus d'une porte pour en défendre l'entrée". 
(Dictionaire d'Architecture", Paris. 1902, p, 369). O que é, também, com mais clareza, a 
definição dos enciclopedistas franceses: "Sorte de balcon, garni d'un parapet élevé et 
offrant par les bas une grande ouverture pour lancer des projectiles, que les ingénieurs 
militaires du moyen âge établissaient au-dessus des portes et des fenêtres suyettes à !'esca-
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lacle". É oportuno lembrar que o arco de Santo Antonio (Recife), nos meados do século 
X IX , possuia uma espécie de abalcoado, não se sabe se algum vestígio das edificações des-
tinadas a proteger a passagem de sua porta. Outro interessante abalcoado era o arco de 
Bom Jesus, também no Recife. Estava voltado para o lado das construções em que se aloja-
va o capitaão-comandante do mesmo arco, depois transformadas em capela, (cf. A ,A . Pe-
reira da Costa, "As Portas do Reci fe" , em R.P. n9 42, 1891, p. 285 e 55) 
A passagem dos muxarabis, dos castelos para as construções civis, foi um passo. Esse fato 
parece mesmo ter sido comum. "Bretècfie", v.g., era uma obra de madeira destinada à 
defesa das praças-fortes. Diz Viollet-le-Dac que a "bretèche" foi , posteriormente, emprega-
da em muitas construções civis da Europa. ("DIctionnaire Raisonné de TArchitecture Fran-
caisodu X le , au XVIe. Siécle, II, Paris, 1867, p. 67). Daí o motivo porque as primeiras mo-
radias da Idade Média lembram tanto as fortificações militares. (IMão foi outra, por exem-
plo, a impressão que a Elisabeth Ahlenstiel-Engel deram certas mesquitas e palácios árabes, 
com suas torres, barbacãs, seteiras e muralhas ameadas. A impressão de fortalezas ("Arte 
Árabe, Barcelona, 1932, p. 116 ss.). A propósito convém lembrar que Morales de los Rios 
acredita no caráter defensivo das sacadas dos velhos sobrados recifenses — sacadas apoia-
das em cães de pedra com estrado móvel, o qual poderia ser facilmente ser retirado ao pri-
meiro sinal de ameaça