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suplementação nutricional atleta - portal educação

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higiênicas prejudiquem a preparação e/ou 
consumo de alimentos; 
 
 
e) É necessária a recuperação rápida e o indivíduo apresenta anorexia pós-esforço (falta de 
apetite após o treino); 
 
 
 
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f) Há necessidade de obtenção de nutrientes por parte de indivíduos submetidos a períodos de 
restrição calórica, evitando, assim, o surgimento de carências nutricionais. 
 
 
9.3 EFICÁCIA E SEGURANÇA DOS SUPLEMENTOS: 
 
 
Várias questões, como as listadas abaixo, dificultam uma análise mais detalhada a 
respeito da eficácia pretendida pelos “suplementos”: 
 
a) Grande quantidade de novos produtos lançados no mercado; 
b) Falta de controle sobre a propaganda; 
c) Desconhecimento científico do público em geral; 
d) As pesquisas utilizando os “suplementos” são conduzidas pelos próprios 
fabricantes e publicadas em seu próprio jornal, aumentando o risco de manipulação do estudo, 
em favor do fabricante; 
e) Os resultados das pesquisas foram obtidos em outro contexto, e não aquele em 
que se propõe utilizar o “suplemento”; 
f) A eficácia do suplemento normalmente é confirmada por depoimentos pagos de 
estrelas do esporte ou técnicos famosos. 
Entretanto, vale lembrar que um fator determinante na questão da eficácia dos 
“suplementos” esportivos é a pesquisa científica de alto nível, pois neste tipo de pesquisa, 
diferentes fatores devem ser controlados a fim de garantir a idoneidade dos resultados obtidos. E 
por questões de ordem ética, a maioria das pesquisas é realizada em animais, e nem sempre os 
resultados são aplicáveis a seres humanos. 
 
 
 
 
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E quanto à segurança na utilização dos “suplementos”? 
Os “suplementos” não serão seguros se: 
 
 Qualquer um de seus ingredientes apresentarem risco de provocar lesões ou 
doença, sob suas condições padrão de uso; 
 Qualquer um de seus ingredientes apresentarem risco de provocar lesões ou 
doença, no que se refere ao uso esporádico, quando nada a respeito está indicado no rótulo; 
 Produto contém algum novo ingrediente para o qual não há informação 
suficiente, garantindo que é seguro; 
 
 Os órgãos reguladores do governo (ex.: ANVISA) decidem que o produto 
representa um risco para a saúde pública. 
 
Classificação dos Recursos Ergogênicos: 
Os “suplementos” ou recursos ergogênicos classificam-se em cinco categorias de 
“ajuda”: 
 
 Nutricional - servem principalmente para aumentar o tecido muscular, a oferta de 
energia para o músculo e a taxa de produção de energia no músculo; 
 Farmacológica; 
 Fisiológica; 
 Psicológica; 
 Biomecânica e mecânica. 
Estudaremos os recursos ergogênicos nutricionais e mais adiante falaremos um pouco 
dos recursos farmacológicos. 
 
 
 
 
 
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9.4 SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS 
 
 
BCAA (Aminoácidos de Cadeia Ramificada ou Branched Chain AAs) 
 
São eles: Leucina, Isoleucina, Valina - aas essenciais. 
Fontes alimentares - alimentos proteicos de origem animal. 
A absorção ocorre no intestino delgado, por transporte ativo sódio-dependente. Os 
BCAA são transportados até o fígado, pela circulação portal. No fígado são utilizados como 
substrato para síntese proteica. 
Constituem uma importante fonte energética para o musculoesquelético, durante 
períodos de estresse metabólico - promovem síntese proteica, evitam catabolismo e servem de 
substrato para a gliconeogênese. 
São catabolizados no musculoesquelético, onde estimulam produção de glutamina e 
alanina. 
 
Seus principais efeitos ergogênicos são: 
 Auxiliam na hipertrofia muscular; 
 Possuem ação anticatabólica; 
 Retardam a fadiga central; 
 Melhoram a performance - estudos não são conclusivos; 
 Poupam os estoques de glicogênio muscular; 
 Aumentam os níveis plasmáticos de glutamina, após exercício intenso, podendo fortalecer o 
sistema imunológico. 
 
Observações: 
 
 
 
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 Doses estudadas: 77 a 100mg/Kg; 
 Apresentação: cápsulas, comprimidos e pó; 
 Efeitos adversos: doses > 20g/dia - transtornos GI (diarreia, e comprometimento da 
absorção de outros AAs); 
 Seu uso é considerado ético. 
 
 
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Creatina: 
Acredita-se que a suplementação com creatina aumenta a força e a velocidade em 
esportes nos quais a fonte predominante de energia é proveniente do sistema energético - ATP-
CP. 
Parte da creatina pode ser obtida pela alimentação, mas dificilmente consegue-se uma 
ingestão maior que 3-4g/dia. 
Dose de carga recomendada - 20 a 30g/dia de creatina mono-hidratada. 
As doses são fracionadas em 4-6 doses de 5g, pois doses maiores podem ocasionar 
náuseas, diarreia e fadiga. 
Alguns autores acreditam que a dose de carga é necessária por apenas cinco a sete 
dias, para elevar ao máximo os estoques de creatina nos músculos - depois de completos os 
estoques, o excedente é excretado na urina. 
Dose de manutenção - 2 a 5g/dia 
Hultman recomenda dose de carga de 0,3g/kg durante cinco dias + seguidos de 
0,03g/kg/dia (manutenção) por 28 dias. Após os 28 dias, faz-se uma parada de três meses, 
antes de iniciar nova dose de carga. 
Estudos demonstram que a combinação de creatina com CHO simples (glicose), 
ocorre aumento no armazenamento de creatina no músculo em até 60% quando comparado ao 
uso de creatina isolada. Para cada 5g de creatina, são associados 35 a 90g de CHO. 
A cafeína parece exercer efeito contrário ao do CHO, no armazenamento de creatina 
no músculo. 
Efeitos Ergogênicos: 
 Aumento da massa corporal magra; 
 Aumento da força; 
 Recuperação entre esforços repetidos de alta intensidade. 
Obs.: Especula-se que em esportes que requerem sucessivos movimentos de alta 
intensidade e curta duração (futebol, basquete, hóquei, tênis), a suplementação de creatina pode 
 
 
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exercer um efeito ergogênico, caso a disponibilidade de creatina fosfato nos músculos esteja 
limitada. 
Há controvérsias de a creatina promove somente ganho de massa muscular ou se o 
aumento da massa também se deva à retenção hídrica. 
Apresentação: líquida, comprimido, pó. 
Efeitos Adversos: 
 
 Aumento da massa corporal total; 
 Diarreia; 
 Possível estresse renal e danos ao fígado; 
 Retenção de líquidos pode promover alteração no perfil eletrolítico - 
desidratação e/ou alterações na temperatura corporal; 
 Maior incidência de lesões musculares após a suplementação, mas ainda faltam 
dados científicos para confirmar a teoria. 
 
 Obs.: até hoje não aparece na lista de substâncias banidas pelo COI (Comitê Olímpico 
Internacional), possivelmente pela dificuldade de se detectar o que é ingerido pela alimentação e 
a suplementação, mas sua comercialização foi proibida pela ANVISA. 
 
 
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L-Carnitina (ác. Butirico β-hidroxi-γ-trimetil-amina): 
 
Muito utilizado para reduzir o percentual de gordura corporal, com o mínimo de 
esforços e sem restrições alimentares. 
No passado era considerado um aminoácido, por ser sintetizada nos rins e no cérebro 
a partir da lisina e da metionina. 
Atualmente é considerada uma substância vitamin-like, pois apresenta estrutura 
química semelhante à das vitaminas do complexo B. 
São necessárias 30g de PTN para a síntese de 1g de carnitina. 
Cerca de 10 a 25% das necessidades diárias são supridas pela síntese orgânica, 
sendo o restante fornecido pela alimentação (carnes e produtos de origem animal). Indivíduos 
onívoros apresentam ingestão de 50 mg carnitina/dia, o que não ocorre com os veganos e 
indivíduos em dietas de restrição calórica. 
Alguns autores recomendam ingestão de 150 a 250mg/dia para suprir as demandas. 
Outros recomendam 250 a 500mg/dia. 
Depois de ingerida, a carnitina é absorvida pelo intestino delgado, por processo ativo 
sódio dependente e também por transporte passivo. 
 
Fontes alimentares: 
 
 Carneiro - 210 mg/Kg; 
 Cordeiro - 80 mg/Kg; 
 Boi - 60 mg/Kg/; 
 Porco - 60 mg/kg; 
 Coelho - 20 mg/Kg; 
 Frango - 7,5mg/Kg. 
 
 
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Efeitos Ergogênicos: 
 
 Aumento da oxidação de ácidos graxos;
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