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o coração. O venoso ainda tem o auxílio do linfático na retirada 
do excesso de líquidos e toxinas, além de ajudar o sistema imunológico. Algumas alterações e patologias 
afetam esses três sistemas e trazem complicações para o nosso organismo. Neste livro-texto, comentaremos 
as principais. Entre as doenças arteriais, a doença oclusiva aguda e a insuficiência arterial crônica; entre as 
venosas, veremos a doença venosa aguda, as veias varicosas e a doença venosa crônica; já entre as linfáticas, 
o linfedema.
Esperamos que gostem e aproveitem ao máximo o conteúdo deste material.
Bom estudo!
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REEDUCAÇÃO FUNCIONAL
Unidade I
Serão abordados o treino de marcha com e sem dispositivos auxiliares, as técnicas de transferência 
e mudança de decúbito, os exercícios de mobilização, alongamento e fortalecimento para a coluna 
vertebral e algumas técnicas específicas, como o método McKenzie, a série de Williams, o método Klapp 
e o método Feldenkrais.
1 TREINO DE MARCHA
A marcha humana ou bípede, também chamada de deambulação, é simplesmente o nosso caminhar 
ou locomoção. Sem dúvida, é uma das atividades mais importantes para o homem para ter ou manter sua 
independência e funcionalidade. A partir dela, realizamos várias tarefas indispensáveis para o nosso dia a dia.
A marcha humana pode ser definida como uma sucessão de desequilíbrios controlados que resultam 
em progressão com segurança e com o menor gasto energético possível. Também pode ser definida como 
um movimento para frente do corpo ereto, utilizando os membros inferiores para propulsão do corpo.
O treino de marcha deve ser proposto ou realizado a partir das necessidades e/ou limitações do 
indivíduo, as quais serão observadas numa análise crítica e minuciosa da marcha. A análise deve se 
iniciar a partir da sua unidade funcional, o ciclo completo da marcha ou, ainda, passada. Devemos 
considerar seus intervalos ou fases, começando pelo apoio, que corresponde a 60% do ciclo, com cinco 
subfases (contato inicial, resposta carga, apoio médio, apoio terminal e pré-balanço), e a fase de balanço, 
que corresponde aos outros 40% do ciclo, com três subfases (balanço inicial, médio e terminal).
Além disso, devemos lembrar que tais movimentos acontecem simultaneamente nos membros 
inferiores, intercalando momentos de apoio simples (apenas um pé em apoio no solo) e duplo apoio 
(dois pés apoiados no solo). Essa análise pode ser dividida em dois momentos: a análise cinemática da 
marcha, que analisa os padrões de movimento, e a análise cinética, que analisa as forças envolvidas.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a análise da marcha, sugerimos a leitura do livro 
a seguir:
O’SULLIVAN, S. B.; SCHMITZ, T. J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 
5. ed. São Paulo: Manole, 2010. p. 343-361.
Muitos pacientes apresentarão dificuldades e não conseguirão realizar a marcha, mesmo com o uso 
de dispositivos auxiliares. Portanto, o treino de marcha começa muito antes de colocarmos o paciente 
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Unidade I
para deambular e ficarmos corrigindo seus déficits. Precisamos estimular a realização de tarefas 
progressivas até chegar à realização da marcha. Esses exercícios são chamados de pré-deambulação.
A pré-deambulação consiste em treinar sequencialmente algumas posturas evolutivas, como: 
decúbito ventral com apoio dos cotovelos e, depois, sobre as mãos; decúbito dorsal com os joelhos 
fletidos e com os pés apoiados para posterior elevação pélvica ou exercício de ponte; posição de quatro 
apoios e posição ajoelhada; posição semiajoelhada e posição sentada; bipedestação e marcha com e 
sem o auxílio das barras paralelas. Essas posturas são apresentadas nas figuras a seguir.
A) B) 
Figura 1 – Paciente em decúbito ventral com apoio dos cotovelos (A); 
paciente em decúbito ventral com apoio das mãos (B)
A) B) 
Figura 2 – Paciente em decúbito dorsal com os joelhos fletidos (A); 
paciente realizando exercício de ponte (B)
A) B) 
Figura 3 – Paciente em quatro apoios (A); paciente na posição ajoelhada (B)
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REEDUCAÇÃO FUNCIONAL
A) B) 
Figura 4 – Paciente na posição semiajoelhada (A); paciente na posição sentada (B)
A) B) 
Figura 5 – Paciente realizando marcha com auxílio das barras paralelas (A); 
paciente realizando treino de marcha sem auxílio das barras paralelas (B)
1.1 Dispositivos auxiliares à marcha
Os dispositivos auxiliares à marcha são instrumentos que ajudam o paciente que apresenta dificuldade 
ao realizar a deambulação, aumentando sua base de apoio e, consequentemente, sua segurança para 
a realização da marcha. Podem ser utilizados também na divisão da descarga de peso nos membros 
inferiores, onde parte do peso corporal é transmitido ao solo através dos membros superiores, aliviando 
a descarga de peso no membro inferior debilitado.
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Unidade I
São considerados dispositivos auxiliares à marcha: bengalas, muletas e andadores. A regulagem e 
a utilização são peculiares a cada um deles, conforme será explicado a seguir, mas todos os dispositivos 
utilizam em suas extremidades inferiores um salto de borracha, a qual, com o tempo de uso, desgasta 
e deve ser trocada, evitando que o dispositivo escorregue no solo e cause algum acidente ao paciente.
1.1.1 Bengalas
As bengalas são o tipo mais simples e mais barato de dispositivo auxiliar à marcha. São encontradas no 
mercado em madeira (não reguláveis, devem ser serradas na extremidade inferior para ajuste) e em alumínio 
(autoajustáveis). Para a regulagem de altura do dispositivo, a manopla ou o cabo deve ser mantido na altura do 
trocânter maior do fêmur do paciente, mantendo o cotovelo de 20 a 30 graus de flexão, com o ombro relaxado.
São indicadas apenas quando o indivíduo puder fazer descarga de peso nos membros inferiores, 
total ou parcialmente. Deve ser usada apenas uma no membro superior oposto ao membro inferior 
debilitado. Em caso de uso para melhora do equilíbrio e/ou aumento da segurança para deambular, 
pode ser utilizada no lado que o paciente se sentir mais confiante e confortável. Tais regulagens devem 
ser feitas com o paciente em bipedestação, com o tronco ereto e os membros inferiores estendidos. 
Outra referência para regulagem de altura é o processo estiloide da ulna; porém, por se tratar de uma 
referência do membro superior, não é muito utilizado.
As bengalas são contraindicadas a pacientes que não possam descarregar peso no membro inferior, 
seja por alguma lesão, como fraturas, seja por cirurgias que impossibilitem o apoio.
Figura 6 – Bengalas de apoio simples: madeira (à esquerda) e alumínio (à direita)
 Observação
O trocânter maior do fêmur é a proeminência óssea localizada na região 
lateral do quadril. É facilmente palpável com o paciente em pé realizando 
flexão e extensão do quadril.
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REEDUCAÇÃO FUNCIONAL
A) B) 
Figura 7 – Regulagem correta da bengala na altura do trocânter maior do fêmur, 
com a postura alinhada e o ombro relaxado (A); regulagem incorreta (B)
Existem também as bengalas de quatro apoios. Elas possuem as mesmas indicações e regulagens, 
mas aumentam ainda mais a base de suporte do paciente, trazendo mais estabilidade e segurança. 
Mesmo soltas, permanecem em pé; no entanto, são inadequadas em locais de muita circulação de 
pessoas e degraus, pois podem ocorrer acidentes.
Figura 8 – Bengala de quatro apoios
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Unidade I
Na figura anterior, a seta aponta uma adaptação: o uso de fita para fixação e/ou substituição da 
borracha danificada. Esse tipo de improviso coloca a integridade do paciente em risco, uma vez que o 
dispositivo pode escorregar na hora que ocorrer a descarga de peso.
As bengalas de quatro apoios devem ser usadas unilateralmente, sendo seu apoio no solo 
durante a marcha, com cerca de 15 centímetros anteriores e 5 centímetros laterais ao pé, para que 
a descarga de peso seja eficiente, não corra o risco de escorregar e tampouco ocorra uma colisão 
com o pé de apoio.
Iniciamos a marcha com a bengala e o membro inferior oposto ou lesionado simultaneamente. 
Em seguida, o membro inferior
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