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livro (1)Ecologia Biodiversidade Áreas protegidas

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momentos distintos.
• As diversas interações ecológicas ocorrentes entre os organismos acarretaram 
o desenvolvimento de algumas estratégias por parte das espécies consideradas 
recurso alimentar. Entre essas estratégias pode-se citar a camuflagem, a coloração 
de advertência, o mimetismo batesiano e mülleriano, e o desenvolvimento de 
substâncias tóxicas.
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AUTOATIVIDADE
1 Dependendo do livro didático que um professor de Ciências e Biologia adotar 
em sua prática de sala de aula, ele poderá encontrar diferentes definições para 
uma mesma interação ecológica. Qual problemática esta realidade coloca em 
evidência?
2 As interações ecológicas podem ser divididas em interações intraespecíficas 
e interespecíficas. Qual é a principal diferença entre estes dois tipos de 
interação?
3 As interações interespecíficas podem beneficiar ambos os envolvidos na 
associação, ser benéfica a um organismo e prejudicial ao outro, ou ainda ser 
indiferente a um dos integrantes. Com relação às interações interespecíficas, 
associe os itens através do código a seguir:
I- Herbivoria.
II- Comensalismo.
III- Competição.
IV- Alelopatia.
( ) Esta interação envolve o uso de recursos limitados no ambiente.
( ) Dependendo da situação, esta interação pode ser considerada como um 
evento de predação ou parasitismo.
( ) É um exemplo a interação entre esponjas e peixes que utilizam o seu interior 
como moradia. 
( ) Constitui no uso de substâncias tóxicas para inibir o crescimento de outro 
organismo.
Agora assinale a alternativa com a sequência CORRETA:
a) ( ) III – I – II – IV.
b) ( ) I – III – II – IV.
b) ( ) III – I – IV – II.
d) ( ) I – III – VI – II.
4 A competição entre os organismos pode ocorrer diretamente ou indiretamente. 
Explique de que forma estas interações ocorrem.
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TÓPICO 3
ECOLOGIA DE COMUNIDADES
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
É denominada uma comunidade o conjunto de organismos de diferentes 
espécies que vivem em um determinado local e que estão conectados uns com 
os outros por suas relações de alimentação e outras interações. Muitas destas 
interações já foram vistas no tópico passado e algumas outras também serão 
vistas neste tópico. 
Compreender como as comunidades variam de lugar para lugar é 
o primeiro passo para entender os processos que influenciam a estrutura e o 
funcionamento dos sistemas ecológicos, e determinam as abundâncias relativas 
das espécies (RICKLEFS, 2010). Todavia, para compreendermos os processos 
que ocorrem nas comunidades naturais é necessário que alguns conceitos 
ecológicos estejam bem claros em nossa mente, de forma a evitar confusões e 
interpretações equivocadas. Alguns termos são mais utilizados, outros menos, 
mas independente da frequência e intensidade de seu uso, a sua correta 
interpretação é indispensável.
Afinal, o que significa o termo habitat e qual é a diferença entre esse 
conceito e nicho ecológico?
Considera-se habitat o local onde um organismo vive, ou seja, o espaço 
físico que este organismo ocupa. O nicho ecológico, por sua vez, não inclui apenas 
essa característica, mas também o total de necessidades e condições necessárias à 
sua sobrevivência. Em outras palavras, o nicho ecológico abarca as especificidades 
do organismo quanto à temperatura do ambiente, pH, solo, umidade, entre outras 
diversas características (ODUM, 2010).
Dessa forma, se construíssemos um gráfico com todas as características 
necessárias à sobrevivência de um organismo, utilizando cada eixo desse gráfico 
(x, y, z,...) como uma necessidade, teríamos como resultado uma representação 
gráfica n-dimensional (Figura 49). 
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UNIDADE 2 | ORGANISMOS, POPULAÇÕES, COMUNIDADES E ECOSSISTEMAS
FIGURA 49 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO NICHO ECOLÓGICO DE UMA 
ESPÉCIE CONSIDERANDO TRÊS DIMENSÕES DE CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À 
SUA SOBREVIVÊNCIA
FONTE: Disponível em: <http://ecologia.ib.usp.br/bie212/images/stories/
BIE212/AULAS/Aula2.pdf>. Acesso em: 9 abr. 2013.
O conceito de nicho ecológico é bastante abstrato e um pouco difícil de compreender 
em um primeiro momento. Mas isso não deve ser um empecilho para que ensinemos aos alunos 
de Ensino Fundamental e Médio o conceito correto desse termo. Conceituações ultrapassadas 
como profissão da espécie devem ser evitadas, visto que dão uma visão antropocêntrica ao 
mundo natural e simplificam em demasia o conjunto de exigências dos organismos.
Quando o assunto é o nicho ecológico dos organismos, as dimensões 
mais quantificadas são a largura do nicho e a sobreposição de nichos entre vizinhos. 
Grupos de espécies com papéis ecológicos e de dimensões de nicho comparáveis 
são denominados de guildas (ODUM, 2010). Todavia, duas ou mais espécies que 
tenham exatamente o mesmo nicho ecológico não sobrevivem no mesmo local, 
devido às fortes consequências da competição pelos recursos.
Se a situação acima não é possível, o fato é que as espécies disputam com 
outras em diversos dos seus “eixos” de necessidades vitais. Assim sendo, dificilmente 
uma espécie consegue aproveitar totalmente o intervalo de condições dentro das 
quais a espécie poderia sobreviver, o que é denominado de nicho fundamental. Além 
de competidores, patógenos e predadores também impedem esse aproveitamento 
máximo. Desta forma, as espécies acabam por utilizar um intervalo menor de 
condições – o chamado nicho percebido (RICKLEFS, 2010) (Figura 50).
UNI
TÓPICO 3 | ECOLOGIA DE COMUNIDADES
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FIGURA 50 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO NICHO ECOLÓGICO 
FUNDAMENTAL DE UMA ESPÉCIE CONSIDERANDO DUAS DIMENSÕES 
DE CONDIÇÕES NECESSÁRIAS À SUA SOBREVIVÊNCIA E DO NICHO 
REALMENTE UTILIZADO – O NICHO PERCEBIDO 
FONTE: As autoras
2 CADEIAS ALIMENTARES
As diferentes formas de vida existentes em uma comunidade estão 
interligadas por relações tróficas, isto é, pela transferência de energia e nutrientes 
através de cadeias alimentares formadas por diferentes níveis tróficos. Cada cadeia 
inicia com um organismo dito produtor (primeiro nível trófico), que recebe esse 
nome por ser capaz de “produzir” uma forma de energia assimilável pelos demais 
organismos participantes da cadeia – os consumidores.
São organismos produtores as plantas, as algas verdes e azuis, e algumas 
bactérias fotossintetizantes. Ao absorverem a energia luminosa, esses seres a 
transformam em energia química por intermédio da fotossíntese. Por este motivo, 
os produtores são também intitulados de seres autotróficos.
Os consumidores, também denominados heterótrofos, não são capazes de 
realizar tal transformação, necessitando, portanto, se alimentar de outro ser vivo para 
obter energia necessária às suas atividades. De acordo com os seus hábitos alimentares, 
os consumidores podem ser chamados de herbívoros, carnívoros ou detritívoros. 
De acordo com a posição que ocupam na cadeia alimentar, os carnívoros 
recebem uma especificação. Assim, os carnívoros que se alimentam de herbívoros são 
chamados de carnívoros primários e fazem parte do segundo nível trófico. Por sua vez, o 
organismo que se alimenta deste carnívoro primário recebe a nomenclatura de carnívoro 
secundário (terceiro nível trófico), e assim por diante.
UNI
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UNIDADE 2 | ORGANISMOS, POPULAÇÕES, COMUNIDADES E ECOSSISTEMAS
O último nível trófico é ocupado pelos organismos decompositores, ou 
seja, que se alimentam de organismos mortos e seus subprodutos, provenientes 
de todos os níveis tróficos anteriores. Os decompositores possuem uma grande 
importância ecológica, possibilitando que a matéria volte a se tornar disponível no 
ambiente. Esse papel é feito por várias espécies de fungos e as bactérias.
Agora que já identificamos os níveis tróficos que constituem uma cadeia 
alimentar, vamos agora compreender como estas cadeias são representadas?
Vejamos o exemplo a seguir:
Portanto, costuma-se colocar as espécies envolvidas na cadeia em ordem do 
fluxo de energia, utilizando uma seta para indicar a direção em que a energia flui. 
Atentemos para o fato de que as cadeias alimentares não ocorrem de forma
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