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TCC - Matheus Cavalheiro Ferreira

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17
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – UFF
FACULDADE DE DIREITO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO
MATHEUS CAVALHEIRO FERREIRA
A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA IMÓVEL DE ALTO VALOR
NITERÓI
2018
MATHEUS CAVALHEIRO FERREIRA
A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA IMÓVEL DE ALTO VALOR
	
	Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Pereira de Almeida
NITERÓI
2018
Ficha catalográfica automática - SDC/BFD
F383i	Ferreira , Matheus Cavalheiro
A (im)penhorabilidade do bem de família imóvel de alto valor
· Matheus Cavalheiro Ferreira ; Prof. Dr. Marcelo Pereira De Almeida, orientador. Niterói, 2018.
58 f.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Direito)-Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Direito, Niterói, 2018.
1. Direito à moradia. 2. Patrimônio mínimo. 3. Bem de família de alto valor. 4. Impenhorabilidade . 5. Produção intelectual. I. Título II. De Almeida,Prof. Dr. Marcelo Pereira, orientador. III. Universidade Federal Fluminense. Faculdade de Direito.
CDD -
		 Bibliotecária responsável: Elazimar Menezes - CRB7/3912
	MATHEUS CAVALHEIRO FERREIRA
A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA IMÓVEL DE ALTO VALOR
	
	Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito.
Aprovada em dezembro de 2018.
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr. Marcelo Pereira de Almeida – Orientador
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
Prof. Carlos Eduardo Dutra Curado
Prof. Ricardo Proença Pinto
Dedico este trabalho à memória do meu querido padrinho Clézio, que muito me ensinou, me ajudou e moldou meu caráter ao longo de 17 inesquecíveis anos ao meu lado. Onde quer que você esteja, esta conquista também é sua.
AGRADECIMENTOS
À minha mãe, Madalena, mulher guerreira, pelo apoio incondicional ao longo de toda minha vida e por ter me ensinado valores que carregarei para sempre;
Ao meu pai, Lenildo, por toda ajuda ao longo da minha trajetória; 
À minha madrinha, Maria Eni, que mesmo sem obrigação, sempre esteve presente, sendo minha maior incentivadora;
À Marianna, que mesmo com altos e baixos, esteve comigo durante quase toda graduação, sendo meu ponto de equilíbrio; 
Aos meus bons amigos, os próximos e os distantes, fundamentais no dia a dia; 
Aos meus colegas de turma pela convivência fraterna e ajuda mútua;
Ao meu orientador, Marcelo, pela condução deste trabalho. 
	
“Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não tem como se conscientizar.”
1984. George Orwell
RESUMO
O direito à moradia é consagrado como um direito social, presente no artigo 6º da Constituição Federal. Ele recebe especial proteção no ordenamento jurídico brasileiro, sendo a figura do bem de família o principal meio de proteção da moradia familiar. O bem de família tem como tem como princípio basilar a proteção do imóvel residencial, por meio da garantia de impenhorabilidade nos processos de execução, sendo a Lei 8.009/90 resultado dessa proteção. Com isso, visa-se garantir a dignidade do devedor, que não deve, no processo de execução, ser privado de um patrimônio mínimo necessário à sua sobrevivência. Nesse sentido, surgem questionamentos sobre o bem de família imóvel de alto valor, pois a sua intangibilidade, em determinados casos concretos, pode representar afronta aos princípios da razoabilidade e do acesso à justiça. Isso se justifica pois o bem de família representa proteção ao mínimo necessário para uma vida digna, e imóveis luxuosos exacerbam este caráter. Além disso, caso a penhora seja permitida, seria garantido ao devedor um montante do valor, a fim de que ele possa adquirir novo imóvel, provavelmente menos luxuoso, garantindo-se o direito fundamental à moradia. Isso representa que o credor deve receber o mesmo tratamento do devedor nos processos de execução, porque o credor também é sujeito de direitos e frustrar a satisfação do crédito que ele tem a receber, permitindo uma vida luxuosa ao devedor, pode representar a perda do direito ao patrimônio mínimo do credor. 
Palavras-chave: Moradia. Dignidade Humana. Patrimônio mínimo. Bem de família. Alto valor. 
ABSTRACT 
The right to housing is enshrined as a social right, present in Article 6 of the Federal Constitution. It receives special protection in the Brazilian legal system, and the homestead is the main means of protecting family housing. The homestead has as its basic principle the protection of the residential property, through the guarantee of no attachment in the execution processes, being Law 8.009/90 being the result of this protection. This is to ensure the dignity of the debtor, who must not be deprived of the minimum assets necessary for his or her survival in the execution process. In this sense, questions arise about the property of a high-value immovable family, since its intangibility, in certain concrete cases, may represent an affront to the principles of reasonableness and access to justice. This is justified because the homestead represents protection to the minimum necessary for a dignified life, and luxurious real estate exacerbate this character. In addition, if the attachment is allowed, the debtor would be guaranteed an amount of the value, so that he can acquire new property, probably less luxurious, guaranteeing the fundamental right to housing. This means that the creditor must receive the same treatment as the debtor in the enforcement proceedings, because the creditor is also subject to rights and frustrate the satisfaction of the credit he has to receive, allowing a luxurious life to the debtor, can represent the loss of the right to the creditor's minimum equity.
Keywords: Housing. Human dignity. Minimum equity. Homestead. High value. Reasonability. 
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO	11
1. DO DIREITO FUNDAMENTAL À MORADIA	13
1.1. DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA	15
1.2. DO MÍNIMO EXISTENCIAL	16
1.3. TEORIA DO ESTATUTO JURÍDICO DO PATRIMÔNIO MÍNIMO	17
2. DO BEM DE FAMÍLIA NO DIREITO BRASILEIRO	21
2.1. O CONCEITO DE FAMÍLIA E SUA PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL	22
2.2. A ORIGEM DO BEM DE FAMÍLIA E O INSTITUTO DO HOMESTEAD	24
2.3. BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO OU CONVENCIONAL (CC/02)	27
2.4. BEM DE FAMÍLIA LEGAL (RESIDÊNCIA FAMILIAR): ASPECTOS GERAIS	31
2.5. A LEI 8.009/90: PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS	33
2.5.1. As exceções à impenhorabilidade na Lei 8.009/90	37
2.5.2. Do adquirente insolvente de má fé de imóvel mais valioso	39
3. A (IM)PENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA IMÓVEL DE ALTO VALOR	42
3.1. ANÁLISE DO RECURSO ESPECIAL 1351571/SP	44
3.2. O PATRIMÔNIO MÍNIMO E OS BENS LUXUOSOS	48
3.3. OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS FRENTE À IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA IMÓVEL DE ALTO VALOR	49
CONCLUSÃO	55
REFERÊNCIAS	57
INTRODUÇÃO
O presente trabalho objetiva retratar a relação entre a impenhorabilidade do bem de família, tutelado no Código Civil de 2002 entre os artigos 1.711 e 1.722 e, principalmente, na Lei 8.009/90, e a satisfação do crédito quando o devedor possuir um único imóvel residencial de alto valor e não sendo possível a penhora de outros bens. Será feito um paralelo entre as garantias fundamentais do devedor à moradia digna e ao mínimo existencial, baseado na teoria do patrimônio mínimo e as garantias fundamentais do credor ao acesso à justiça e também ao mínimo existencial, uma vez que o crédito a ser recebido, como em boa parte das dívidas trabalhistas, pode possuir natureza alimentar e de sustento da família. 
Tal análise da possibilidade de penhora do bem de família imóvel de alto valor é relevante e necessária, uma vez que a

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