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INFECÇÕES DO TRATO URINÁRIO NA GESTAÇÃO

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As infecções do trato urinário são as mais comuns 
durante o período gestacional. São definidas pela 
colonização, invasão e proliferação de agentes 
infecciosos em qualquer parto do sistema urinário. 
O aumento da frequência de ITUs na gestação é 
devido fatores diversos, desencadeados pela 
adaptação fisiológica do organismo materno. 
Com isso, as alterações anatômicas e fisiológicas 
que ocorrem durante a gestação levam à estase 
de urina abundante, decorrente da compressão 
da bexiga e ureteres pelo útero gravídico (relaxa-
mento da musculatura lisa causado pela proges-
terona, além da elevação da bexiga e retificação 
do trígono vesical, acarretando refluxo vesicoure-
teral), essa urina é menos concentrada e rica em 
nutrientes, configurando um microambiente ade-
quado para a proliferação de microrganismos e a 
instalação da ITU. 
Cinco a dez por cento das grávidas serão acome-
tidas, com os seguintes quadros clínicos: 
1. Bacteriúria assintomática; 
2. Cistite aguda; 
3. Pielonefrite aguda. 
Enterobactérias 
Escherichia coli (70%) 
Klebsiella sp(6%) 
Enterobacter cloacae(4%) 
Gram-negativas 
Proteus mirabilis (8%) 
Pseudomonas 
Gram-positivas 
Staphylococcus spp (7%) 
Estreptococos do grupo B 
Outras 
Gardnerella vaginalis 
Ureaplasma urealyticum 
 
É definida com a presença significativa de bacté-
rias (≥ 100.000/µL) no trato urinário na ausência de 
sintomas em duas amostras consecutivas de urina. 
O sumário de urina com a presença de blocos pi-
ocitários, hemácias, nitrito positivo e estearase pre-
sente, fornece dados para a suspeição diagnós-
tica. 
Cerca de 2 a 10% das gestantes apresentam bac-
teriúria assintomática e, quando não tratadas, 15 
a 45% delas desenvolverão pielonefrite, em sua 
maioria no segundo e terceiro trimestres da gesta-
ção. 
Os protocolos nacionais e mundiais recomendam 
o rastreio universal da bacteriúria assintomática na 
gestação, diferindo entre eles no período do ras-
treio e na necessidade ou não de repetição em 
caso do rastreio inicial negativo. 
Portanto, toda as gestantes com bacteriúria assin-
tomática necessitam de tratamento com antibió-
tico a nível ambulatorial, com duração média de 
7 dias. De preferência utilizar: 
• Cefalexina 500 mg de 6-6h, VO (baixo custo, 
mas não é muito bom); 
• Amoxicilina 500mg de 8-8h, VO (primeira esco-
lha); 
• Ampicilina 500mg de 6-6h, VO; 
• Nitrofurantoína 100mg de 6-6h, VO; 
• Trimetoprim/sulfametoxazol: 80/400 mg de 12 – 
12 h, VO (utilizar no 2º trimestre, por ter como 
efeitos adversos alterações no tubo neural, 
cardiovasculares, do trato urinário e fenda pa-
latina); 
• Fosfomicina: 3g, dose única, VO, um só dia 
(boa escolha, porém é de alto custo). 
*Deve-se evitar o uso das quinolonas, uma vez que 
induzem a insuficiência placentária. 
*O uso da Gentamicina deve ser feito em alerta, 
por ser nefro e ototóxica. 
 
É definida pela presença de bactérias associadas 
ao quadro clínico de disúria, polaciúria, urgência 
miccional, dor suprapúbica e hematúria, naquelas 
pacientes em que se descartou vaginite e cervi-
cite. Está presente em 1 a 2% das gestantes. Nos 
exames laboratoriais, o sumário de urina se apre-
senta rico em alterações, como hematúria, piúria, 
leucocitúria , estearase e nitrito positivos. 
Infecções do trato urinário na gestação Infecções do trato urinário na gestação 
A cistite complicada é diagnosticada quando ou-
tros sintomas se associam aos descritos acima, 
como febre e/ou hematúria. Já a cistite recorrente 
é definida quando há dois ou mais episódios de ITU 
na gestação ou quando há duas ITU nos últimos 
seis meses ou três episódios nos últimos doze me-
ses, antes do início da gestação. 
O tratamento ambulatório deve ser iniciado, utili-
zando os mesmos esquemas da bacteriúria assin-
tomática. Mas, pode-se fazer uso, também, de 
analgésicos das vias urinárias, como: 
• Fenazopiridina 100 mg, de 8–8 h, VO, enquanto 
perdurarem os sintomas. 
*Fármaco de alto custo, pode haver mudança na 
cor da urina durante o uso. 
*Nos casos de cistite recorrente, recomenda-se 
profilaxia com antibiótico (nitrofurantoína 100 
mg/dia ou cefalexina 250 mg/dia) após ato sexual 
ou ao dormir até 36 semanas de gestação. 
A urocultura deve ser refeita após 14 dias do tér-
mino do tratamento. 
 
É definida como infecção do trato urinário alto, 
comprometendo o sistema coletor e a medulo re-
nal. Se apresenta em 1 a 2% das gestações. Apre-
senta-se com manifestações sistêmicas como fe-
bre elevada com calafrios, dor lombar espontâ-
nea ou provocada (Sinal de Giordano) e urina es-
cura com odor forte em 25% das pacientes podem 
ser detectados sinais de bacteremia. 
O sumário de urina se apresenta bastante alte-
rado. A urocultura faz a confirmação do diagnós-
tico, entretanto, não há necessidade de aguardar 
o resultado para iniciar o tratamento. 
Também pode ser realizados os seguintes exames: 
• Antibiograma – para orientar o tratamento; 
• Hemograma – para avalizar anemia; 
• Leucograma – leucocitose com desvio a es-
querda; 
• Ureia e creatinina – elevados; 
• Hemocultura e lactato sérico – em caso de fe-
bre elevada persistente, podendo suspeitar de 
sepse. 
A USG das vias urinárias pode ter evidências de hi-
dronefrose, litíase e abcesso perinefrético (indica-
tivo de doença grave e de imediata conduta ci-
rúrgica – drenagem de abscesso ou nefrectomia). 
Devido ao alto risco de complicações (urosepse, 
insuficiência renal aguda coagulopatia e até 
morte materna), o tratamento deve ser feito em 
regime de internação, permitindo monitorização 
dos sinais vitais, identificação precoce de sinais de 
gravidade, controle da diurese, hidratação paren-
tal com soro glicosado e ringer lactato, analgesia 
sistêmica, antitérmico e utilização parenteral dos 
antibióticos. 
• Cefalotina 1 g de 6–6h, EV, nos três primeiros 
dias de tratamento; 
• A seguir, complementa–se com cefalexina 500 
mg de 6–6h, VO, até completar 14 dias. 
• A partir de então, do décimo quinto dia em di-
ante, utiliza–se da quimioprofilaxia até o final 
da gestação: Nitrofurantoína 100 mg, via oral, 
ao deitar-se 
• Nos casos em que não é possível utilizar a nitro-
furantoína, pode–se lançar mão de pequenas 
doses dos seguintes fármacos: Cefalexina 250 
mg, VO, ao deitar ou Amoxicilina 250 mg, VO, 
ao deitar-se. 
• Outros esquemas de antibióticos: Ceftriaxona 
1 g de 12–12 h, EV ou Ampicilina–sulbactan 1,5 
g, de 12–12 h, EV ou Gentamicina 60 mg, de 8–
8 h, EV. 
*Durante o tratamento, é espero o aparecimento 
de vaginite por fungo, assim, é indicado a utiliza-
ção, intravaginal, de creme ou óvulo de micona-
zol, clotrimazol ou terconazol. 
* O uso oral de fluconazol serve apenas para os 
casos de candidíase de repetição e após o pri-
meiro trimestre de gravidez. 
A alta hospitalar ocorre por ocasião da prescrição 
de ATB VO, após controle total dos sintomas. 
Deve-se repetir a urocultura após 15 dias do tér-
mino do tratamento. 
Pode ocorrer uma recorrência da infecção (com 
a presença do mesmo germe que causou a infec-
ção anterior) ou uma reinfecção (com a presença 
de um novo agente infeccioso). 
Observa–se risco elevado nesta gravidez de com-
plicações, como: amniorrexe prematura, parto 
prematuro, infecções puerperais e sepse neona-
tal.

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