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direito_seguro_resseguro_matriz_ai - MARIA CORADO NOGUEIRA

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ATIVIDADE INDIVIDUAL 
 
Matriz de análise 
Disciplina: DIREITO DO SEGURO E 
RESSEGURO 
Módulo: 3 
Aluno: MARIA CORADO NOGUEIRA Turma: 0322-2_4 
Tarefa: Parecer fundamentado nas questões jurídicas como tese de defesa a ser 
utilizado pela seguradora, considerando as condições contratuais previstas na Circular 
Susep 477/2013. 
Introdução 
Em suma, trata-se de problemática que envolve a construtora XPTO, que 
logrou êxito numa licitação do governo federal, para construção de uma grande obra, 
orçada em 980 milhões de reais, sendo o contrato assinado 25/05/2023, na vigência da 
nova lei de licitação nº 14.133/2021, que está em vigor desde 01/04/2021. O prazo de 
entrega desta obra está previsto para 25/05/2027. 
O governo federal exigiu a garantia nos termos da nova Lei de Licitações nº 
14.133/2021, tendo a construtora ofertado o seguro garantia nos termos Circular Susep 
477/2013. 
Não obstante, em 20/02/2025 a seguradora foi surpreendida com uma 
notificação do governo federal, que exigiu a rescisão contratual, que culminou na 
aplicação de uma multa à Construtora XPTO a ordem de 120 milhões de reais, sendo 
cobrado da seguradora, em razão do seguro garantia. 
Por outro lado, a seguradora negou cobertura em 03/03/2025, com a 
justificativa de que o segurado não cumpriu com as suas obrigações previstas em 
apólice. 
Antes de passar para fundamentação, faz-se necessário esclarecer a 
dinâmica do seguro garantia e quem são as pessoas envolvidas nessa relação 
contratual, considerando o caso concreto. 
O seguro garantia tem como objetivo principal garantir uma outra relação 
https://ls.cursos.fgv.br/d2l/home/386529
 
 
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jurídica que pode ser contratual ou obrigacional, sua finaliade é garantir um outro 
contrato ou uma outra obrigação, tendo como parte a seguradora, o tomador e o 
segurado. Para a doutrina, a definição de contrato de garantia, no entendimento de 
Buranello1, é a seguinte: 
“o seguro garantia de obrigações contratuais é o instrumento pelo 
qual uma seguradora ou empresa se obriga, a garantir interesse 
legitimo do segurado relativo à obrigação comercial de dar ou fazer 
assumida pelo tomador.” 
Voltando ao caso concreto, esclarecemos quem são as partes nesse contrato 
de garantia: 
• Seguradora – é quem irá garantir o cumprimento do contrato feito pelo 
tomador para o segurado; 
• Tomador – é a Construtora XPTO, contratada pelo segurado; 
• Segurado – é o governo federal, beneficiário; 
É notório que a licitação tem como finalidade precípua atender aos interesses 
da administração pública, visando uma proposta mais vantajosa e assegurar igualdade 
de condições aos que queiram contratar com o poder público, com observância aos 
princípios constitucionais que regem os contratos. 
De outra senda, para o particular existem inúmeras vantagens em contratar 
com o poder público, especialmente pela garantia de recebimento da quantia acordada. 
Feito esses esclarecimentos, passa-se análise jurídica acerca da 
controvérsia. 
Desenvolvimento 
 
1. DO CONTRATO DE SEGURO 
Diferentemente do que ocorre em tantos outros contratos – seja ele de 
compra e venda – prestação de serviços –, no contrato de seguro, o que se contrata na 
 
 
1 BURANELLO, Renato Macedo. Do contrato de seguro: o seguro garantia de obrigações 
contratuais. São Paulo: Quartier Latin, 2006. p. 173. 
verdade é uma segurança, uma tranquilidade, uma garantia de poder contar com a 
seguradora caso ocorra o inesperado sinistro. 
Segundo a doutrina2, o contrato de seguro é classificado como (i) bilateral, (ii) 
oneroso, (iii) aleatório e (iv) por adesão. Sendo materializado de um lado o contratante 
(segurado) que preenche a proposta, paga o prêmio e recebe apólice e do outro a 
seguradora além de pagar a indenização, necessita de uma sofisticada estrutura 
organizacional para enfrentar um alto número de sinistros diários. 
O nexo de causalidade que une a obrigação de pagar prêmio por parte do 
segurado e o dever de honrar com a garantia compete a seguradora, tal obrigação está 
previsto no art. 757, do CC/02, que estabelece que “o segurador se obriga, mediante 
pagamento do prêmio, a garantir interessse legítimo do segurado”, dando uma maior 
amplitude securitária e garantia do seguro contratado, nasce para o segurador a 
obrigação de gerenciar um fundo mútuo com respaldo em ciências atuariais e 
estatísticas para administrar seus contratos. 
Importante salienter que, para que seguradora possa cumprir com sua 
obrigação de indenizar, necessário que o segurado também cumpra com sua parte no 
contrato comunicar imediatamente à seguradora quando da ocorrência do sinistro, sob 
pena causar desequilíbrio financeiro ao fundo mútuo em razão do prejuízo. 
 
2. DO NÃO AVISO IMEDIATO DO SINISTRO (RECLAMAÇÃO) 
O governo federal exigiu que o contrato de seguro-garantia fosse elaborado 
considerando as sanções previstas nova Lei de Licitações nº 14.133/2021, qual seja, 
que a penalidade de eventual inadimplência, seria equivalente a 30% do valor inicial do 
contrato3. 
De outra senda, a Construtora XPTO ponderou que o seguro-garantia seria 
nos moldes da Circular Susep 477/2013, item 4.14, significando dizer que eventual 
 
 
2 Caio Mario da Silva. Instituições de direito civil. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 453; 
3 Art. 99. Nas contratações de obras e serviços de engenharia de grande vulto, poderá ser exigida a 
prestação de garantia, na modalidade seguro-garantia, com cláusula de retomada prevista no art. 102 
desta Lei, em percentual equivalente a até 30% (trinta por cento) do valor inicial do contrato. 
4 4.1. Expectativa: tão logo realizada a abertura do processo administrativo para apurar possível 
inadimplência do tomador, este deverá ser imediatamente notificado pelo segurado, indicando 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm?msclkid=8f2aed32c1ab11ecba56f3127145964a#art102
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14133.htm?msclkid=8f2aed32c1ab11ecba56f3127145964a#art102
 
 
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inadimplência da Construtora, o governo federal deveria comunicá-la imediatamente, 
justificando os itens não cumpridos, bem como concedendo prazo para regularização e 
encaminhar uma cópia para sua seguradora. 
Pois bem, o governo federal ignorou complemente as cláusulas do seu 
seguro-garantia, quando notificou a seguradora, de forma equivocada, para recisão 
contratual e pagamento de multa no valor de 120 milhões de reais por inadimplemento. 
Observa-se que o governo federal não fez notificação prévia, para explicar 
quais foram os itens não cumpridos, bem como não foi concedido prazo para que as 
partes envolvidadas pudessem apresentar suas justificativas e correções, não sendo 
justo com a construtora e com a seguradora. 
Assim, não é devido qualquer quantia por parte da seguradora ao governo 
federal, tendo em vista que ele não obedeceu aos procedimentos previstos na Circular 
Susep 477/2013 item 4.1, quebrando assim as regras contratuais, o que atrai aplicação 
do art. 476 do CC/025. Ou seja, não pode se exigir cumprimento por parte do tomador, 
já que segurado não observou às cláusulas avençadas. 
Ainda, é importante asseverar que, a legislação prever sanções para o 
segurado quando ele não realizar a comunicação imediatada da ocorrência do sinistro, 
vejamos o que diz o art. 771 do CC/02: 
“Art. 771. Sob pena de perder o direito à indenização, o segurado 
participará o sinistro ao segurador, logo que o saiba, e tomará as 
providências imediatas para minorar-lhe as consequências. 
Parágrafo único. Correm à conta do segurador, até o limite fixado 
no contrato, as despesas de salvamento conseqüente ao sinistro.” 
Analisando o cáput esse dispositivo, observa-se claramente que a 
penalidade é de perder o direito de indenização, qual seja, a seguradora não 
reembolsará eventuais prejuizos, mas continuará prestando a garantia durante a 
vigência do contrato.
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