A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
20 pág.
Vulvovaginites

Pré-visualização | Página 3 de 5

estrogênio tópico. Na maioria dos casos, o uso diário de 1 g de creme de estrogênios conjugados por via intravaginal, durante 1 a 2 semanas, proporciona alívio. Deve-se considerar a terapia de manutenção com estrogênio, tópico ou sistêmico, a fim de que se evite a recorrência do distúrbio.
 
Cervicite
· Diagnóstico
O diagnóstico de cervicite baseia-se na presença de corrimento endocervical purulento, em geral de cor amarela ou verde, denominado “mucopus”.30
1. Após a remoção das secreções ectocervicais com um swab grande, insere-se um swab pequeno de algodão no canal endocervical para que se extraia o muco cervical. O swab de algodão é examinado contra um fundo branco ou preto com o objetivo de se detectar a cor verde ou amarela do mucopus. Além disso, a zona de ectopia (epitélio glandular) é friável e sangra com facilidade. Essa característica pode ser avaliada tocando-se o ectrópio com um swab de algodão ou uma espátula
2. A distribuição do mucopus sobre uma lâmina que pode ser corada pelo método de Gram mostra o aumento do número de neutrófilos (> 30 por campo de grande aumento). Também é possível se detectarem diplococos gram-negativos intracelulares, o que leva ao diagnóstico presuntivo de endocervicite gonocócica. Se os resultados da coloração pelo Gram forem negativos para gonococos, o diagnóstico presuntivo é de cervicite por clamídia
3. Devem ser feitos exames para gonorreia e clamídia, de preferência testes de amplificação de ácido nucleico. A etiologia microbiana da endocervicite é desconhecida em cerca de 50% dos casos nos quais não são detectados gonococos nem clamídia.
· Tratamento
O tratamento da cervicite é feito com um esquema antibiótico recomendado para tratamento de infecção não complicada do sistema genital inferior por clamídia e gonorreia16 (Tabela 18.3). A resistência à fluoroquinolona é comum em isolados de Neisseria gonorrhoeae; portanto, esses fármacos não são mais recomendados para o tratamento de mulheres com cervicite gonocócica. É fundamental todos os parceiros sexuais serem tratados com esquema antibiótico semelhante. É comum a associação de cervicite e VB, que, se não tratada ao mesmo tempo, causa acentuada persistência dos sinais e sintomas de cervicite.
 
4- Depreender a abordagem propedêutica ginecológica
• Somos todos produtos do nosso ambiente, nosso background e da nossa cultura. É de extrema importância que se verifique a situação geral, social e familiar da paciente. Para isso, o médico deve ser imparcial, sobretudo no que diz respeito a questões sobre práticas sexuais e orientação sexual.
• Para a avaliação e o tratamento da paciente, é essencial uma boa comunicação. O alicerce dessa comunicação baseia-se em quatro habilidades-chave, a saber: empatia, escuta atenciosa, conhecimento especializado e bom relacionamento médico-paciente. Tais habilidades podem ser aprendidas e refinadas.
• O juramento de Hipócrates exige que os médicos sejam prudentes com todas as informações relativas à paciente. Para que esse diálogo seja eficaz, a paciente precisa sentir-se capaz de discutir seus problemas profunda e confidencialmente.
• Diferentes estilos de comunicação influenciam a capacidade médica de perceber o estado da paciente e alcançar tanto o objetivo de avaliação ideal como um tratamento bem-sucedido. A natureza íntima e altamente pessoal de muitas condições ginecológicas demanda extrema sensibilidade para se evocar uma resposta satisfatória.
• Algumas pacientes não obtêm informações acuradas a respeito de suas doenças, o que pode resultar em insatisfação com a assistência médica, agravamento da ansiedade, angústia, dificuldades de enfrentamento, insucesso no tratamento e resposta insatisfatória a ele.
• Após o estabelecimento do diálogo, a avaliação da paciente ocorre obtendo-se uma anamnese e a realização do exame fisico. Ambos os aspectos da avaliação dependem da boa relação médico-paciente e de atenção aos detalhes.
• Após a conclusão do exame físico, a paciente deve ser informada a respeito dos achados. Quando os resultados são normais, é necessário que ela seja tranquilizada adequadamente. Quando, porém, eles revelam uma possível anormalidade, a paciente tem de ser informada de imediato; essa conversa precisa ocorrer após o exame, com a paciente vestida.
A prática da ginecologia exige muitas habilidades. Para além do conhecimento técnico, o ginecologista deve desenvolver habilidades interpessoais e de comunicação que promovam a relação médico-paciente e a confiança.
A avaliação tem de ser da “paciente como um todo” – e não apenas do seu estado de saúde –, observando qualquer condição clínica aparente, assim como seus aspectos psicológicos, sociais e familiares. Para se analisar a paciente dentro de um contexto apropriado, questões ambientais e culturais que a afetam também têm de ser levadas em consideração. Tal abordagem é valiosa em avaliações de rotina e de condições clínicas específicas, pois fornecem oportunidades para assistência preventiva e aconselhamento continuado.
Variáveis que influenciam o estado da paciente
Inúmeras variáveis externas exercem influência na paciente e na assistência que ela recebe. Alguns desses fatores incluem seus entes queridos – familiares, amigos e relacionamentos pessoais e íntimos (Tabela 1.1) –, bem como questões psicológicas, genéticas, biológicas, sociais e econômicas. Fatores que influenciam a percepção de doença e dor da paciente e os meios pelos quais ela foi ensinada a lidar com a doença incluem seu grau de escolaridade, suas atitudes, sua compreensão tanto da sexualidade como da reprodução humana e sua história familiar.1-3
Fatores culturais – como condição socioeconômica, religião, etnia, idioma, idade e orientação sexual – são considerações importantes no entendimento da resposta da paciente à sua assistência.
Tabela 1.1 Variáveis que influenciam o estado da paciente.
	Paciente
	Idade
	História da doença atual
	Atitudes e percepções
	Orientação sexual
	Hábitos pessoais (p. ex., etilismo, tabagismo e uso de medicamentos/drogas ilícitas)
	Família
	Estado civil da paciente (p. ex., casada, separada, solteira, mas vivendo em união estável, divorciada)
	Obrigações familiares (p. ex., crianças pequenas, crianças com necessidades especiais, pais idosos)
	Irmãos (p. ex., quantidade, idade, nível de proximidade)
	História (p. ex., doença)
	Ambiente
	Ambiente social (p. ex., comunidade, conexão social)
	Condição econômica (p. ex., pobreza, sem seguro social)
	Religião (p. ex., religiosidade, espiritualidade)
	Background cultural e étnico (p. ex., língua nativa, comunidade)
	Carreira (p. ex., ambiente de trabalho, satisfação, responsabilidades, estresse)
Somos todos produtos do nosso ambiente, nosso background e da nossa cultura. É de extrema importância que se verifique a situação geral, social e familiar da paciente.4 A base cultural é particularmente importante para a assistência em saúde reprodutiva.5
O contexto familiar da paciente pode e deve ser verificado de modo direto. É necessário que se inclua, na história da família, uma análise cuidadosa dos parentes que manifestaram doenças significativas, tais como câncer ou uma enfermidade a qual a paciente percebe ser uma explicação potencial para seus próprios sintomas. A perspectiva dela com relação à própria doença fornece informações importantes para a análise médica, e um questionamento específico para se extraírem esses dados pode melhorar a satisfação com a interação. 
É importante o entendimento da paciente a respeito dos eventos-chave na história clínica da família e de como eles se relacionam com ela. A história sexual da paciente, seus relacionamentos e suas práticas devem ser entendidos, e seu nível funcional de satisfação nessas áreas, determinado. Para isso, o médico deve ser imparcial, sobretudo no que diz respeito a questões sobre práticas sexuais e orientação sexual.
Comunicação
Para a avaliação e o tratamento da paciente, é essencial uma boa comunicação. A relação médico-paciente baseia-se na comunicação conduzida de maneira aberta,