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honesta e cuidadosa, pois isso possibilita que os problemas e a situação da paciente sejam acuradamente entendidos e que soluções eficazes sejam elaboradas em conjunto. Uma boa comunicação demanda paciência, dedicação e prática; além disso, envolve escuta cuidadosa e comunicação tanto verbal quanto não verbal.
O alicerce dessa comunicação baseia-se em quatro habilidades-chave, a saber: empatia, escuta atenciosa, conhecimento especializado e bom relacionamento médico-paciente. Tais habilidades podem ser aprendidas e refinadas. Quando o relacionamento inicial com a paciente é estabelecido, o médico precisa buscar atentamente técnicas de entrevista que continuem criando oportunidades para promover a compreensão das preocupações da paciente. Confiança é o elemento fundamental que encoraja a comunicação aberta dos sentimentos, das preocupações e dos pensamentos da paciente, em vez da ocultação de informações. 
Um elemento essencial do diálogo – o compartilhamento do idioma e da cultura – pode ser perdido quando o médico interage com uma paciente que não entenda o idioma dele ou o compreenda bem apenas parcialmente. A concordância linguística entre o médico e a paciente é presumida em muitas discussões sobre comunicação. Mais de 18% das norte-americanas falam outro idioma além do inglês em casa, ao passo que mais de 8% têm conhecimento limitado do inglês. Barreiras linguísticas estão associadas à educação sanitária limitada, ao cuidado interpessoal comprometido e à baixa satisfação da paciente com a assistência médica. No entanto, intérpretes ou médicos bilíngues podem mitigar esses efeitos.
O Estado da Califórnia reconhece a importância da comunicação nas interações médico-paciente por meio de uma provisão no Código de Saúde e Segurança que diz: “onde barreiras linguísticas ou de comunicação existem entre pacientes e a equipe de qualquer hospital geral de emergência, adaptações devem ser feitas para que intérpretes ou equipes de profissionais bilíngues possam garantir uma comunicação adequada e rápida entre os pacientes e a equipe”. Portanto, treinamentos de futuros médicos em línguas estrangeiras têm recebido atenção crescente nas escolas médicas dos Estados Unidos e contribuirão para a melhora da prática clínica e a redução das disparidades na assistência médica.14
Embora existam muitos estilos de interação com as pacientes e cada médico deva determinar e desenvolver a melhor maneira de se manter esse relacionamento, os médicos devem transmitir que estão aptos e dispostos a ouvir e que recebem a informação delas com total confidencialidade. 
O juramento de Hipócrates exige que os médicos sejam prudentes com todas as informações relativas à paciente. O The Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPAA), em vigor desde 2003, estabeleceu padrões nacionais com a intenção de proteger a privacidade da informação da paciente. Medos iniciais expressos sobre o impacto das regulações do HIPAA e o potencial para responsabilidade legal levaram a discussões sobre a comunicação apropriada e julgamentos médicos fundamentados em princípios éticos de confidencialidade para se prover uma boa assistência médica (ver Capítulo 2). 
Habilidades de comunicação
É essencial para o médico se comunicar com a paciente de uma maneira que a possibilite continuar a buscar atenção médica apropriada. As palavras usadas, os padrões de discurso, a maneira como as palavras são ditas, mesmo a linguagem corporal e o contato visual, são aspectos importantes da relação médico-paciente.
O papel tradicional do médico era paternalista, com a expectativa dele em dizer comandos ou “ordens” diretas e orientações específicas sobre todos os assuntos.4 Agora, porém, as pacientes exigem e esperam uma comunicação mais equilibrada com seus médicos, o que é mais apropriado. Embora elas não tenham conhecimentos equivalentes aos dos médicos, esperam ser tratadas com consideração e respeito, de maneira que se reconheça sua individualidade. 
A comunicação entre o médico e a paciente tem recebido mais atenção na formação médica atual e está sendo reconhecida como uma tarefa importante do aprendizado profissional ao longo da vida, além de ser um elemento-chave na prestação bem-sucedida de assistência médica.18
Como resultado do acesso eletrônico à informação médica, as pacientes às vezes dispõem de um conhecimento médico mais específico de determinado problema clínico que o próprio médico. Quando esse é o caso, é imperativo que o médico não fique na defensiva. A paciente, com frequência, não tem conhecimento amplo do contexto do problema, consciência da confiabilidade variável das fontes de informação eletrônicas, capacidade para acessar determinado estudo ou relato no jornal dentro de um contexto histórico ou em comparação com outros estudos sobre o assunto, conhecimento das interações medicamentosas, capacidade de manter distância intelectual objetiva do tópico ou experiência essencial na arte e ciência da medicina. O médico tem tais habilidades e extenso conhecimento, enquanto o interesse da paciente é pessoal, intensamente focado na sua condição clínica específica.
Estudos sobre as percepções dos médicos sobre o impacto da informação médica baseada na Internet na relação médico-paciente encontraram pontos tanto positivos quanto negativos; médicos expressaram preocupações sobre o entrave no manejo eficiente do tempo durante uma consulta, mas um ponto positivo nos efeitos potenciais na qualidade da assistência e nos desfechos da paciente. Uma relação de colaboração que possibilite às pacientes um envolvimento interativo maior na relação médico-paciente pode levar a melhores resultados. 
Relação médico-paciente
O padrão do discurso do médico pode influenciar a interação com a paciente. Existe evidência de que habilidades de entrevista originadas cientificamente e validadas do ponto de vista empírico podem ser ensinadas e aprendidas, e o uso consciente dessas habilidades é capaz de resultar em melhores desfechos.
Para que esse diálogo seja eficaz, a paciente precisa sentir-se capaz de discutir seus problemas profunda e confidencialmente. Porém, essa comunicação tem-se tornado mais difícil em razão das restrições de tempo impostas pela pressão da agenda do médico por questões econômicas. Por isso, tanto o médico quanto a paciente precisam reavaliar, com frequência, suas prioridades.
Se a paciente percebe que participa da tomada de decisão e que recebe o máximo de informação médica possível, ela responderá ao plano de tratamento mutuamente planejado com níveis menores de ansiedade e de depressão, adotando-o como um plano de ação colaborativo. Ela deve ser capaz de propor alternativas ou modificações às recomendações médicas que reflitam suas próprias crenças e atitudes.
Existe ampla evidência de que a comunicação, o entendimento e os resultados do tratamento da paciente apresentam melhoras quando as conversas com os médicos são mais diálogos do que palestras. Ademais, quando as pacientes sentem que têm algum espaço para negociação, elas tendem a reter mais informação acerca das recomendações da assistência médica.
O conceito de planejamento colaborativo entre pacientes e médicos é adotado como uma aliança mais eficaz do que o modelo prévio no qual médicos emitiam ordens.22 A paciente, então, torna-se mais ativa no processo de determinação das escolhas da assistência médica. Por exemplo, decisões sobre os riscos e benefícios da terapia de reposição hormonal na menopausa devem ser discutidas no contexto da saúde individual e história familiar, assim como no de suas crenças e seus objetivos. A mulher decide se os benefícios potenciais superam os riscos potenciais, e ela é a pessoa que determina se irá ou não usar tal terapia. Enquanto a maioria das pacientes prefere dividir a tomada de decisão na face da incerteza, com uma discussão baseada em evidência dos seus riscos e benefícios, outras querem uma abordagem mais direta.23 O desafio do médico é ser capaz de personalizar a interação e a comunicação.
Existe evidência de que, quando as pacientes são