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AUTORIA Tatiana de Medeiros Santos Olá! Sou formada em Pedagogia e especialista em Educação Infantil e também em Gestão Educacional, com experiência técnico-profissional na área de educação. Sou mestre em Educação Popular e doutora em Educação, professora do Ensino Fundamental e Ensino Superior há mais de 10 anos. Passei por instituições como a Universidade Federal da Paraíba, como professora substituta do curso de Pedagogia. Sou professora da rede municipal de ensino de João Pessoa, da UNAVIDA – UVA, da UNINASSAU e tutora do curso a distância de Pedagogia da UFPB. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico 10 A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos ....... 21 Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação da Gestão Escolar Democrática .................................................................................. 31 A Gestão Democrática na Escola Pública .........................................40 7 UNIDADE 03 Gestão Educacional 8 INTRODUÇÃO Você sabia que a gestão educacional é um campo muito importante na educação? É uma área responsável pela geração de vários empregos, pois gerir uma instituição educacional é a chave para o sucesso dos que ali transitam. Além disso, é um dos empregos que não acabam, já que a educação está em todo lugar. Isso mesmo! A área de gestão educacional faz parte da cadeia de ações que devem acontecer em prol do processo de ensino-aprendizagem de uma instituição educativa, em nosso caso, a escola. Sua principal responsabilidade é gerenciar questões financeiras, administrativas, pedagógicas e relações interpessoais. Tudo isso envolve normas, leis, princípios e gerenciamento de recursos humanos, uma vez que nosso principal capital dentro de uma escola é o ser humano. Por isso, vamos conhecer um pouco sobre a LDBEN (Lei nº 9.394/1996), o Plano Municipal de Educação e como deve acontecer uma gestão na escola de forma democrática. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste universo! Gestão Educacional 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3, nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento dos seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Interpretar os fundamentos teóricos e legais da Gestão Democrática. 2. Explicar os fundamentos e as ferramentas da gestão em ambientes escolares e não escolares que atendam aos desafios da contemporaneidade. 3. Identificar os princípios e diferentes características da gestão democrática. 4. Interpretar como a gestão pode acontecer em espaços escolares e não escolares, com o foco na atuação pedagógica. Caro aluno, acredito que agora estamos prontos compreender o que é gestão democrática, os desafios da participação efetiva e o Projeto Político-Pedagógico. Vamos começar? Boa leitura! Gestão Educacional 10 Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar os desafios da escola quanto à gestão democrática e a importância da construção do Projeto Político-Pedagógico na busca de melhorias para a escola. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Figura 1 – Gestão democrática Fonte: Pixabay Trabalhar com gestão democrática não é tarefa fácil, haja vista de no histórico de nosso país existir um modelo de gestão vertical. Todavia, não é tarefa impossível. Por isso, podemos dizer que ser gestor exige desse profissional da escola um perfil de gestão que pregue os valores Gestão Educacional 11 da democracia. Ter o perfil de liderança, de agregar pessoas, trazer para perto, trazer a participação, a colaboração, é fazer as pessoas produzirem mais e de forma que fique leve para todos, não sobrecarregando “A” ou “B”. Tudo isso requer que seja desenvolvido um espírito de equipe, um clima saudável na escola, em que todos sejam convidados a participar do projeto educativo da escola. REFLITA: Você pode estar aí do outro lado se perguntando: como fazer isso? Como ter essa varinha mágica que dá os comandos e tudo acontece? Para quem vê tudo funcionando direitinho do lado de fora, parece ser muito simples. Porém, não é tarefa nada fácil. Vamos entender como a gestão democrática acontece e a ideia aqui não será a de receitar um caminho único sem possibilidades de erro nem apontar como deve acontecer. Você, aluno, será quem vai trilhar esse caminho quanto a cada realidade que pode encontrar no caminho. É preciso buscar realizar ou iniciar a conscientização de que é preciso que haja todo um esforço e comprometimento coletivo dos que fazem parte da escola, a fim de se alcançar os objetivos pedagógicos propostos. Para que haja a conscientização de uma gestão democrática, é preciso que o gestor una toda sua equipe e explique a importância do trabalho coletivo em prol de um projeto educativo que forme pessoas para exercer a cidadania e saber cobrar seus direitos. O gestor deve fazer isso por meio do diálogo franco, aberto sobre as necessidades e o que a escola precisa para que a realidade mude, sempre em busca da qualidade do trabalho educativo. Ainda, é preciso ter cuidado, pois dialogar, ser democrático e líder não quer dizer que o gestor vai encontrar soluções para todas as coisas de forma consensual, também irão acontecer conflitos dos mais diferentes. Será que o conflito na escola é algo bom ou ruim? Será que todos devem estar prontos para concordar com tudo que será posto nas reuniões? Gestão Educacional 12 EXPLICANDO MELHOR: Seria muito prática uma escola que só recebesse comandos e executasse-os, não discutindo o que é bom ou não para a sua realidade local. A escola que não dá trabalho seria maravilhosa. No entanto, não é bem assim que a gestão democrática deve acontecer. Se assim o fosse, então para que mudar a concepção de diretor para gestor? Não faria sentido, não é mesmo? Os conflitos na escola devem ser vistos como algo saudável. Algo que deve acontecer à base de diálogo, escuta e propostas de soluções que estejam dentro da legislação escolar e que contemplem a realidade local da escola. Não pode haver, jamais, favoritismos, questões pessoais de grupo “A” ou “B” na escola, mas, sim, deve-se remar juntos no caminho democrático de da busca de soluções para problemáticas. Ao encontrar essa solução, a equipe deve estar amadurecida para ouvir possíveisnão ou sim. NOTA: É de inteira responsabilidade do gestor guiar o diálogo na busca de diagnosticar realidades, planejar e avaliar, com sua equipe, a busca de soluções para problemáticas que acontecem cotidianamente na escola. Por isso, o gestor é o líder desse diálogo democrático e deve conhecer a legislação para dialogar e escutar problemas e soluções com sua equipe de trabalho, mas não pode dizer sim para todas as soluções nem as negar completamente. Gestão Educacional 13 IMPORTANTE: O gestor deve ser uma pessoa conhecedora da legislação da educação, para que não autorize propostas que possam prejudicar a escola, dar margem a denúncias e/ou até mesmo processos judiciais. Por isso, ele será a pessoa que deve dialogar sempre (mas isso não implica concordar com tudo) e ter sabedoria para conduzir esse diálogo rumo a boas propostas para o crescimento da qualidade da escola. Para que tudo isso aconteça, é preciso ter uma equipe amadurecida para o diálogo e suas implicações, e caso haja um “sim” ou “não”, estes devem ser explicados na tentativa de evitar discursos de predileção e favoritismos. É necessário destacar essas recomendações sobre diálogo, escuta, diagnósticos, planejamentos, avaliação e reavaliação, quando for preciso, porque não é tarefa fácil ser democrático. Todavia, é um princípio rumo à qualidade dos afazeres da escola, que devem primar pelo bom desempenho e pela preocupação de a escola deve ter um processo de Ensino e de aprendizagem de qualidade. Para que tudo isso aconteça, é preciso comprometimento e responsabilidade de toda a equipe escolar com o papel que cada um desempenha, já que não existe funcionário maior ou menor, precisamos da participação de todos para que escola aconteça de fato. Por isso, Gadotti e Romão (1997) destacam a participação que influencia o processo de democratização e melhoria da qualidade de ensino. Gestão Educacional 14 Figura 2 – Qualidade do ensino Fonte: Pixabay O diálogo é um ponto-chave para auxiliar cada segmento da comunidade escolar a compreender como deve ser o funcionamento e acompanhamento da educação que ali acontece. Também é importante para a convivência em sociedade o diálogo sobre inclusão, justiça, participação, diversidade, entre outros. É preciso conscientizar sobre a participação de todos nos processos decisórios da escola. Esse debate pode contemplar a comunidade interna e externa, convidando todos a participar e entender as funções da escola e o que implicam direta e indiretamente para o projeto educativo. Sobre a participação, Libâneo (2004, p. 144) menciona que esta é uma construção coletiva que deve resultar na autonomia da escola. Destaca que a presença da comunidade interna e externa à escola tem implicações positivas, pois os seus respectivos representantes irão contribuir com os afazeres do “Conselho da Escola da Associação de Pais e Mestres para preparar o projeto pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados”. Gestão Educacional 15 Tudo isso deve acontecer, pois: Considera-se que a gestão democrática veio substituir a gestão autoritária, com espaço sem coletividade, onde apenas um gestor decretava os objetivos, decidia tudo, ninguém tinha o direito de falar, de participar das decisões tomadas ou de pelos menos pensar sobre elas, que controvérsia, afinal, a escola não é o lugar onde as pessoas desenvolvem suas habilidades intelectuais, emocionais e sociais? Como a organização desse lugar pode ser dessa forma? Partindo desse ponto, surge a necessidade de que cada um coloque em pratica suas habilidades, opiniões acerca de um determinado assunto, com possibilidades de participar nas decisões, assim o gestor que era detentor de todo poder, se vê em posição de partilhar suas decisões em prol da melhoria da educação. Nascem assim novos desafios, que o impulsiona a necessidade de repensar suas práticas, adequando-se ao novo modelo de sociedade. (SILVA, 2017, p. 16.997) Libâneo (2004) destaca que muitos podem não ter a consciência do seu papel em processos democrático da escola. Por isso, é preciso que a escola se organize de forma a instrumentalizar os seus participantes a entender a força transformadora que têm, a fim de que o diálogo aconteça de forma madura, em que todos convivam como sujeitos, com seus direitos e deveres respeitados a partir de discussões e decisões coletivas. Dessa forma, Medeiros (2003, p. 61) explica que o trabalho com a gestão democrática da educação não pode ser dissociado de mecanismos legais da educação: Está associada ao estabelecimento de mecanismos legais e institucionais e à organização de ações que desencadeiem a participação social: na formulação de políticas educacionais; no planejamento; na tomada de decisões; na definição do uso de recursos e necessidades de investimento; na execução das deliberações coletivas; nos momentos de avaliação da escola e da política educacional. Também a democratização do acesso e estratégias que garantam a permanência na escola, tendo como horizonte a universalização do ensino para toda a população, bem como o debate sobre a qualidade social dessa educação universalizada, são questões que estão relacionadas a esse debate. (MEDEIROS, 2003, p. 61) Gestão Educacional 16 NOTA: Tudo isso deve estar articulado com o trabalho do gestor, por isso não cansamos de explicar a gestão é democrática. Esse gestor deve ser conhecedor de como acontece a legislação da educação brasileira e suas políticas públicas, para atuar politicamente da forma correta, como manda a gestão democrática. Nem sempre os participantes de reuniões nas escolas entendem a importância que tem o seu diálogo, o seu ponto de vista como pais, professores, alunos, funcionários, entre outros. É nesse momento que a escola deve entrar conscientizando os seus participantes, explicando como acontece seu funcionamento e as ações das instâncias colegiadas e seus respectivos processos decisórios, como: Associação de Pais, Mestres e Funcionários, Grêmio Estudantil e Projeto Político-Pedagógico. Adiante, vamos entender muito brevemente o que significa cada um deles. • Associação de Pais e Mestres Figura 3 – Representantes de cada categoria escolar Fonte: Pixabay É uma instância de participação que acontece com a intenção de unir pais e mestres no sentido de fortalecer o relacionamento de família e escola. A partir dessa união, serão eleitos representantes na busca de contribuir para a prática de gestão democrática. Gestão Educacional 17 • Grêmio estudantil Figura 4 – Grêmio estudantil: representação dos alunos Fonte: Pixabay É um espaço no qual os alunos se reúnem para eleger seus representantes. É também o lugar onde os alunos estão aprendendo atuar de forma democrática. Trata-se de um acontecimento que terá reflexo mais tarde na vida dos estudantes, no exercício da cidadania na vida em sociedade, pois a participação deles na construção da gestão democrática da escola proporciona a experiência de como ter práticas sociais e democráticas. Gestão Educacional 18 • Projeto Político-Pedagógico Figura 5 – Participação e colaboração Fonte: Freepik O Projeto Político-Pedagógico, mais conhecido como PPP, é um documento construído na escola. Esse documento define a identidade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. Por isso, trata-se de um planejamento que acontece mediante a participação conjunta de todos que fazem parte da escola, por meio dos representantes de cada categoria que representa a instituição. Esses representantes, reunidos, dialogam sobre a finalidade de construir um documento que retrate a escola como ela é na sua realidade local, trazendo o histórico de sua existência, seus problemas e indicações para que aconteçam soluções. SAIBA MAIS: O Projeto Político-Pedagógico é um documento que representa a identidade de cadaescola brasileira. É um documento que é construído para a escola. Gestão Educacional 19 A essa altura, a pergunta que pode estar surgindo é: por que esse documento deve ser uma construção com representantes de todas as categorias que fazem parte da escola? Esse documento deve ser construído por representantes de cada categoria dos participantes da escola, como gestores, técnicos administrativos e de apoio, docentes, discentes, pais e comunidade local, porque, ao se unirem para construir o PPP, se encontrarão na perspectiva de dar a sua contribuição na elaboração deste documento. Dessa forma, trarão sua ótica sobre a realidade da escola e zelarão para que não se torne um trabalho fragmentado e com norteamentos definidos por alguém de fora da escola, que provavelmente por mais que esteja cheio de boas intenções, conhece pouco sobre a realidade local. Por isso, deve haver um esforço coletivo para que sejam realizadas nesse espaço da escolar discussões sobre a atual realidade da escola. A partir desse diálogo, deve-se planejar, registrar no documento a realidade em que a escola se encontra, elencar necessidades e planejar tomadas de decisões em prol da qualidade da educação proporcionada na escola. Para que tudo isso aconteça, é necessário conscientizar toda a equipe escolar de que dialogar não implica concordar com tudo que está sendo discutido, é preciso também se posicionar sobre algumas questões, defendendo seus respectivos pontos de vista. Também se deve zelar para que esses representantes não se tornem objetos de manipulação dos interesses de poucos que fazem parte da escola. Tudo isso deve acontecer com o intuito de garantir, no decorrer do processo, o direito à voz, defendendo a diversidade, a autonomia da escola e a participação de todos. Só assim, após ter colaborado para a construção desse documento, que vamos ter elementos para contribuir com a escola no sentido de tentar cumprir metas, ações e objetivos nele propostos. ACESSE: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo “A importância da Gestão democrática dentro do processo escolar”, de Josiele Leal dos Santos Flôres e Mara Lucia T. Brum, disponível aqui. Gestão Educacional http://gestaouniversitaria.com.br/artigos/a-importancia-da-gestao-democratica-dentro-do-processo-escolar 20 RESUMINDO: E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a gestão democrática é de suma importância para as escolas, pois permite que, por meio da participação ativa, os membros que fazem parte do contexto escolar busquem pelo diálogo emitir opiniões e aprender a respeitar a dos outros. Assim, juntos buscarão o melhor caminho para tentar solucionar a problemática oriunda do cotidiano escolar. Por isso, devemos ter em mente que a participação ativa é que faz com que nossos direitos e deveres sejam respeitados. Dentro desse contexto, tem-se o Projeto Político-Pedagógico (PPP), que é um documento construído na escola, que define sua identidade e aponta caminhos para que juntos possamos melhorar o processo de ensino-aprendizagem. E, para que isso ocorra de forma concreta e não fique só no papel, todos que fazem parte e representam a escola devem se reunir e dialogar para construção de um documento que retrate a escola como ela é, na busca de soluções para os problemas elencados. Gestão Educacional 21 A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz compreender a importância das mudanças de comportamentos na gestão democrática escolar. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Figura 6 – Gestão democrática: decisão de qual caminho seguir Fonte: Pixabay Na atualidade, para uma boa gestão, o desafio maior da escola se dá na busca da união de seus profissionais, inclusive em maior esforço por parte dos professores, para que sejam desenvolvidas competências e habilidades específicas nos alunos. Essa visão deve contemplar os alunos, analisando o contexto social deles, na busca de propor ações e metodologias competentes, para o melhor desempenho do processo de ensino-aprendizagem. Ainda é necessário que o professor compreenda que, em pleno século XXI, seus alunos têm maneiras e desempenhos distintos no decorrer do processo ensino-aprendizagem. Gestão Educacional 22 Por isso, temos de ver gestor escolar como um aliado nos trabalhos dos professores, como um líder, cujas ações devem envolver todos que fazem parte da escola. Para ser gestor, é necessário ter o perfil que essa profissão exige, e isso envolve conhecimento, condições pessoais, vocação e formação contínua, haja vista que ser gestor é uma tarefa complexa que exige ser um agente de mudança na escola, propondo resolução de conflitos, realização de tarefas e resolução de questões que acontecerão no dia a dia da escola, que envolvem desde a estrutura física, administrativa, financeira, pedagógica e até as relações interpessoais (LÜCK, 2001). EXPLICANDO MELHOR: Em se tratando do perfil do gestor escolar, esta não é mais a do administrador escolar, pois, passou a ser a figura daquele que vai ser o líder provocador de mudanças. Desse modo, é preciso ser a pessoa que, junto da sua equipe, apresentará propostas inovadoras, realizará parcerias e apresentará estratégias de ação para serem desenvolvidas em equipe, na busca pela eficiência. Para ser gestor, é preciso estar atento às mudanças, pois estas estão acontecendo em diversos campos em nossa sociedade, tanto na legislação, a exemplo da Base Nacional Curricular Comum, como nas ciências, na tecnologia da comunicação e da informação. No mundo da competitividade, o gestor deve zelar para que as atualidades da sociedade não fiquem de fora. Um entendimento que não pode faltar dentro dos muros da escola é do que se trata a democracia, pois é preciso conscientizar a todos de que todo cidadão tem direitos, mas também deveres a cumprir. De acordo com o Ghanem, a democracia é: o meio político de salvaguardar a diversidade social e cultural dos membros da sociedade nacional ou local, simultaneamente à manutenção de uma língua nacional e um sistema jurídico que se aplique a todos; é a única possibilidade de limitar a crescente dissociação entre racionalidade instrumental e identidades culturais; é Gestão Educacional 23 uma luta pela libertação em relação a um poder, seja o despotismo racionalista, seja a ditadura comunitária; é um espaço de tensões e conflitos, ameaçado constantemente por algum poder; é o espaço institucional livre, no qual se desenvolve esse trabalho do sujeito sobre si mesmo, trabalho pelo qual as pessoas encontram o papel de criadoras e produtoras, não somente de consumidoras. (GHANEM, 2004, p. 21-23) SAIBA MAIS: O gestor deve trilhar na busca de tornar a escola em que atua um espaço democrático, pois esse é o princípio norteador da gestão democrática. É preciso democratizar o ensino, pois ele não é para acontecer para poucos, mas, sim, atingir todas as camadas sociais da população em geral, oferecendo mais oportunidades de os alunos ingressarem e se manterem nas escolas, frequentando-as com a finalidade de dar continuidade aos seus estudos. Por isso, a escola deve ser democrática e garantir que o pleno exercício da cidadania aconteça em seu interior. Lück (2001) esclarece que, para que tudo isso aconteça, é preciso que o gestor conte com participação e colaboração de todos que fazem parte da escola na construção e no cumprimento do plano de desenvolvimento. Isso demanda uma ação gestora que envolve trabalho em equipe, levando em conta características locais da realidade escolar e temas relevantes para serem discutidoscom os que fazem parte da escola. Outro ponto importante é que a gestão deve trabalhar, incessantemente, pela descentralização do ensino e instituição da autonomia e da gestão democrática. Mudanças de mentalidades dos que fazem parte da escola devem ocorrer, pois é histórica a centralização das práticas de algumas dessas instâncias, deixando para segundo plano o que deveria ser o principal, que é o fazer pedagógico. Gestão Educacional 24 Por isso, a gestão de uma escola precisa de um foco e ele deve existir para que, diariamente, todos os segmentos trabalhem unidos traçando caminhos, possibilidades, com compromisso e, principalmente, zelo pelas responsabilidades que cada um assume. Trabalhar na perspectiva da gestão democrática exige de um gestor o perfil de agregar pessoas, de saber trazê-las para perto, com participação por meio do diálogo. Nesse sentido, deve haver comprometimento dos que fazem parte da escola na busca de alcançar os objetivos pedagógicos propostos, e o seu fruto será a qualidade da educação, que deve ser constantemente cultivada para que se adote uma nova cultura de organização, unindo teoria e prática (PARO, 2005). Nessa linha de entendimento, a institucionalização de instâncias colegiadas na escola pública, a exemplo do Conselho Escolar, tem se tornado o momento em que se une teoria e prática na busca pela democratização das escolas públicas. Gadotti e Romão (1998, p. 16) atestam que a participação de todos é algo que acaba por influenciar na democratização da gestão e também na melhoria da qualidade de ensino. Para tanto, é preciso diálogo, para que todos passem a compreender de forma mais efetiva o funcionamento da escola. Nesse ínterim, vale discutir os valores que devem ser praticados na escola, tais como a inclusão, a justiça, a participação, entre outros, sem se esquecer de contemplar a diversidade, reconhecendo como é importante ouvir diferentes pontos de vista na hora de tomar decisões, deixando bem claro a participação, a decisão e a ideia do outro. Libâneo (2004) esclarece que, para que essas necessidades e possibilidades aconteçam de fato no interior das escolas, deve haver participação. É justamente com a promoção da participação nos espaços da escola que esta alcança, cada vez mais, a sua autonomia nos processos decisórios, já que o princípio da autonomia requer proximidade com a comunidade educativa e os pais. O autor defende que: a presença da comunidade na escola, especialmente dos pais, tem várias implicações. Prioritariamente os pais e outros representantes participam do Conselho da Escola da Associação de Pais e Mestres para preparar o projeto pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados. (LIBÂNEO, 2004, p. 144) Gestão Educacional 25 A escola precisa se organizar de forma a instrumentalizar os seus participantes na percepção da força transformadora que terão, juntos, unidos, colaborando com a escola. Por isso, o diálogo é o caminho para a democracia acontecer em um clima saudável em que todos convivam como sujeitos de direitos e deveres, que devem ser respeitados, na sua diversidade, a partir de discussões e decisões coletivas. REFLITA: Você pode estar se perguntando: como tudo isso deve acontecer? Instrumentalizando os seus participantes para compreender como a escola funciona. Deixando clara a necessidade de instâncias colegiadas para atuar nos decisórios, como: Conselho Escolar, Associação de Pais, Mestres e Funcionários, Grêmio Estudantil, Projeto Político-Pedagógico. Agora vamos entender um pouco mais sobre como funcionam o Conselho Escolar e a Associação de Pais e Mestres. O Projeto Político- Pedagógico será estudado adiante. • Conselho Escolar Figura 7 – Conselho escolar: representantes de cada segmento Fonte: Pixabay Gestão Educacional 26 O Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca a participação de todos da escola, mas lida diretamente com os representantes de cada segmento escolar. Por isso, faz a eleição destes de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres. De acordo com o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, por meio da publicação do caderno Conselhos Escolares: Democratização da escola e construção da cidadania (BRASIL, 2004, p. 34), os Conselhos Escolares “são órgãos colegiados compostos por representantes das comunidades escolar e local, que têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas, financeiras, no âmbito da escola”. Esse caderno, produzido pelo Ministério da Educação, explica que cabe aos conselhos a tarefa de analisar as ações a empreender nas escolas, os meios a serem usados e acompanhar o cumprimento destas. As pessoas que compõem esse conselho devem estar cientes de que estão ali não para representar seus interesses pessoais, mas, sim, os de sua comunidade escolar e local, atuando com união para traçar percursos e realizarem deliberações de sua responsabilidade. Dessa forma, segundo esse caderno, as pessoas que fazem parte do conselho da escola “representam, assim, um lugar de participação e decisão, um espaço de discussão, negociação e encaminhamento das demandas educacionais, possibilitando a participação social e promovendo a gestão democrática” (BRASIL, 2004, p. 35). Esse órgão se consolida na escola com a finalidade de ser uma instância de “discussão, acompanhamento e deliberação”, de forma democrática. Desse modo, as funções do Conselho Escolar são: a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político- pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao Gestão Educacional 27 seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou financeiro. b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, analisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou não ser acatadas pelas direções das unidades escolares. c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e a qualidade social do cotidiano escolar. d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma integrada, dos segmentos representativos da escola e da comunidade local em diversas atividades, contribuindo assim para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da qualidade social da educação. (BRASIL, 2004, p. 41) Na escolha de representantes, é preciso ter cuidado para que não sejam pessoas indicadas pela gestão, mas, sim, por cada segmento escolar. Esse zelo deve acontecer para que cada categoria possa defender, nas reuniões, seus respectivos pontos de vista, e não servir de instrumento para legitimar a voz da direção, pois deve representar a diversidade e a pluralidade do segmento a que pertence. O Conselho Escolar deve ser composto pela “direção da escola e a representação dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos estudantes, dos professores, dos trabalhadores em educação não- docentes e da comunidade local” (BRASIL, 2004, p. 44). As decisões só podem ser tomadas após discussões realizadas coletivamente e só podem acontecer quando todos estão reunidos. Nenhum de seus membros têm autorização para tomar decisões de forma individual fora das reuniões destinadas a esse fim. No entanto, é o gestor quem: Atua como coordenador na execução das deliberações do Conselho Escolar e também como o articulador das ações de todos os segmentos, visando a efetivação do projeto pedagógico na construçãodo trabalho educativo. Ele poderá – ou não – ser o próprio presidente do Gestão Educacional 28 Conselho Escolar, a critério de cada Conselho, conforme estabelecido pelo Regimento Interno. (BRASIL, 2004, p. 44) Na eleição para os membros do Conselho Escolar, deve haver candidatos de representantes de cada segmento da escola. Há, ainda, o cargo dos suplentes, que não estão impedidos de estar nas reuniões, mas sua atuação será somente de direito à voz na presença do membro efetivo. Apenas na falta do membro efetivo que o suplente participará do voto. O gestor tem a sua participação garantida no Conselho Escolar. A seguir estão elencadas algumas atribuições dos Conselhos Escolares: • elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar; • coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do Regimento Escolar; • convocar assembleias-gerais da comunidade escolar ou de seus segmentos; • garantir a participação das comunidades escolar e local na definição do projeto político-pedagógico da unidade escolar; • promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber • do estudante e valorize a cultura da comunidade local; • propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, respeitada a legislação vigente, a partir da análise, entre outros aspectos, do aproveitamento significativo do tempo e dos espaços pedagógicos na escola; • propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as alterações metodológicas, didáticas e administrativas na escola, respeitada a legislação vigente; • participar da elaboração do calendário escolar, no que competir à • unidade escolar, observada a legislação vigente; • acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono Gestão Educacional 29 • escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros) propondo, quando se fizerem necessárias, intervenções pedagógicas e/ou medidas socioeducativas visando à melhoria da qualidade social da educação escolar; • elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros escolares, visando ampliar a qualificação de sua atuação; • aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da • escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros, • promovendo alterações, se for o caso; • fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar; • promover relações de cooperação e intercâmbio com outros Conselhos Escolares. (BRASIL, 2004, p. 49) Ainda com base na publicação (BRASIL, 2004), para os seus participantes exercitar essas atribuições tem se tornado um aprendizado democrático, pois só conseguem ser colocadas em prática se os cidadãos forem respeitados e ouvidos na tomada de decisões a partir de práticas democráticas. Antunes (2002, p. 23) explica que é por meio do Conselho de Escola que os problemas que envolvem a gestão escolar são debatidos, analisados e votados “em plenária, - ser aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões ou sugestões do Conselho de Escola”. Por isso, Navarro et al. (2004) acrescentam que o Conselho Escolar é um órgão colegiado, democrático, que delibera sobre diversas questões que estão presentes no interior de cada escola e que tem decisões que precisam ser tomadas para casos específicos que envolvam tanto o lado pedagógico como o administrativo e financeiro. Por isso, são necessárias reuniões com a participação dos que fazem parte da escola e suas respectivas representações nos debates e nas propostas que visem à tomada de decisões. Portanto, é preciso que o Conselho Escolar se forme com pessoas que sejam ativas, comprometidas como o mesmo objetivo da escola e que defendam ferrenhamente a melhoria na qualidade do ensino. Gestão Educacional 30 ACESSE: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo “Gestão da educação: inovação e mudança”, de Rita Schultz, disponível aqui. RESUMINDO: E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que um dos maiores desafios atualmente na gestão democrática é conscientizar as pessoas que fazem parte do contexto educacional de que sua participação é importante na busca de soluções das dificuldades encontradas na escola e que sua presença faz com que seu direito de cidadão seja respeitado. Um entendimento que não pode faltar dentro dos muros da escola se refere ao que é democracia, pois é preciso conscientizar que todo cidadão tem direitos, mas também deve cumprir com seus deveres. Nesse contexto, o Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca a participação de todos da escola, mas lida diretamente com os representantes de cada segmento escolar e, por isso, faz a eleição destes de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres. Gestão Educacional https://www.fclar.unesp.br/Home/Departamentos/CienciasdaEducacao/RevistaEletronica/edi5_artigoritaschultz.pdf 31 Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação da Gestão Escolar Democrática OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como ocorreram os princípios e mecanismos da gestão escolar democrática. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante! Figura 8 – Participação de todos Fonte: Freepik. Para abordar sobre gestão democrática, primeiro é preciso entender que a pessoa que faz o papel de quem está direção escolar, mais conhecido como gestor escolar, por muito tempo, centralizou suas práticas, com base nas relações de poder, em processos administrativos e financeiros, colocando em prática as imposições do sistema, sem questioná-lo. Gestão Educacional 32 O maior ganho das escolas brasileiras ocorreu a partir da segunda metade da década de 1990, com a promulgação da LDBEN (Lei nº 9.394/1996). A LDBEN garantia a gestão democrática, uma prática de descentralização de poderes nas escolas, por meio da qual passamos a ter como prioridade o diálogo, o estímulo ao trabalho coletivo e a ênfase no incetivo à participação de todos no auxílio do trabalho da gestão da escola. Outro destaque desse novo modelo de gestão foi o interesse no fazer pedagógico, nas relações interpessoais, no desempenho de quem trabalha na escola e dos alunos, na avaliação e reavaliação constante de tudo que é planejado na escola e a autoavaliação, sem deixar de lado a avaliação dos alunos aprendentes. Por isso, o princípio de gestão democrática foi confirmado e aprimorado pelo estabelecimento das demais legislações após a LDBEN, tanto no Plano Nacional de Educação (PNE) instituído pela Lei nº 10.172/2001, como no PNE instituído pela Lei nº 13.005/2014. REFLITA: Todas essas alterações ocorreram quando estávamos saindo do regime militar e precisávamos realizar mudanças de postura e de comportamento. No entanto, até os dias atuais podemos dizer que alguns profissionais que trabalham com educação ainda não compreenderam essas mudanças. Mas isso está mudando e o ideal é lutar para que esses profissionais que possuem uma prática autoritária compreendam que precisamos acompanhar o que dita a legislação educacional brasileira. Podemos dizer que, a partir dessa determinação da legislação brasileira que autoriza as escolas públicas a atuar no modelo de gestão democrática, os esforços foram concentrados na busca por mudanças de mentalidade, atitudes e de postura ética, para que o que preconizava a lei acontecesse de fato (LÜCK, 2000). Gestão Educacional 33 É preciso esclarecer aqui que descentralizar atividades é dividir responsabilidades e isso não vai dar autoridade ao gestor nem tirá-la, e de ninguém na escola, mas abre possibilidades de todos crescerem juntos em busca de melhorias.Por isso, Lück destaca que, para ser um gestor, é preciso que este tenha um perfil de quem lidera o seu grupo, com: Abertura na aceitação das expressões das pessoas no trabalho, observando os desafios, dificuldades e limitação na tentativa de possibilitar a superação. Observar e desenvolver o que de melhor existe nas pessoas ao seu redor, partindo com uma visão proativa da sua atuação. Ter uma visão clara diante da missão dos valores educacionais permitindo a compreensão dos indivíduos na expressão de suas atitudes. (LÜCK, 2009, p. 75) A autora ainda explica que, para ser gestor, é preciso o perfil de líder, devendo realizar a conscientização de seus membros, orientando que a participação de todos é muito importante para que: Sejam promovidas melhorias a todos, em principal aos processos educativos. Permitir um diálogo aberto com capacidade de ouvir e compreender as questões de modo contínuo. Possibilitar oportunidades a todos a fim de compartilhar responsabilidades. Ter atitudes e expressões de liderança e não de chefia. Exercício contínuo do diálogo aberto e da capacidade de ouvir. (LÜCK, 2009, p. 75) EXPLICANDO MELHOR: Provocar mudanças de mentalidade significa algo pensado para acontecer. Na singularidade de uma pessoa, por mais cuidado e carinho que possam ter sido empregados, foi pensado apenas pela visão dessa pessoa. Quando jogamos nossas propostas para serem discutidas em grupo, o que foi pensado de início por uma pessoa, após as discussões, pode ganhar uma dimensão muito maior, ou não. Pode acontecer também dessa proposta ser diminuída, caso, após a reunião, os participantes cheguem à conclusão de que não há condições de fazer nem a metade do que foi planejado por esta única pessoa. As reuniões servem para mensurar os prós e contras da proposta apresentada, fazendo-a crescer ou diminuir. Por isso, é primordial que as pessoas, quando em reuniões, estejam abertas ao diálogo e às críticas, para ouvir também os contras e saber propor sugestões que atendam à diversidade presente nas escolas. Gestão Educacional 34 Figura 9 – O líder e o diálogo com todos que fazem parte da escola Fonte: Pixabay Os participantes devem estar maduros para trabalhar em grupo, com diálogo, e não podemos negar que sempre haverá conflitos para crescimento. É pelo diálogo que se abrem portas para acontecer as mesmas coisas, mas de outras formas. Essa soma de experiências entre os colegas de trabalho, deve acontecer de forma dialogada, pois são eles quem põem em prática a gestão democrática de forma produtiva, resolvendo conflitos, realizando planejamentos e avaliações do que deve acontecer nas escolas públicas. Sobre fazer as coisas acontecerem Paro explica que: no campo da liberdade, o papel da gestão escolar está inextricavelmente ligado à questão da democracia, não apenas porque, pela educação, faculta-se ao educando o acesso à ciência, à arte, à tecnologia, enfim, ao saber histórico que possibilita o domínio das leis da natureza e seu uso em benefício humano, fazendo afastar assim o âmbito da necessidade, mas também porque pode propiciar a aquisição de valores e recursos democráticos propiciadores da convivência pacífica entre os homens em sociedade. (PARO, 2005, p. 51) Gestão Educacional 35 As gestão democrática escolar deve ter como um de seus objetivos de trabalho o processo educativo, considerando os seus sujeitos sociais. Assim, suas ações devem envolver todos os segmentos escolares, dialogando sempre nesse sentido. Além disso, devem contemplar uma concepção de escola inclusiva, que traga todos os seus participantes para dentro do projeto educativo defendido, zelanado para que este seja colocado em prática e esteja em constante avaliação. Nesse sentido, a gestão escolar dever estar focada em sua área de atuação, garantindo que se estabeleça a “efetivação das finalidades, princípios, diretrizes e objetivos educacionais orientadoras da promoção de ações educacionais com qualidade social” (LÜCK, 2000, p. 23). É essencial trabalhar sempre com a finalidade de obter uma escola com qualidade, em que todos os alunos reconheçam que somos diferentes e devemos respeitar as diferenças. Quando tratamos de práticas inclusivas é no sentido de que essas devem ser participativas, promovendo o acesso e a construção do conhecimento, criando “condições para que o educando possa enfrentar criticamente os desafios de se tornar um cidadão atuante e transformador da realidade sociocultural e econômica vigente, e de dar continuidade permanente aos seus estudos” (LÜCK, 2000, p. 23). Sobre a gestão democrática, Ferreira explica que: gestão é administração, é tomada de decisão, é organização, é direção. Relaciona-se com a atividade de impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, cumprir sua função, desempenhar seu papel. Constitui- se de princípios e práticas decorrentes que afirmam ou desafirmam os princípios que a geram. Estes princípios, entretanto não são intrínsecos à gestão como a concebia a administração clássica, mas são princípios sociais, visto que a gestão da educação se destina à promoção humana. (FERREIRA, 2008, p. 306) Nessa linha de entendimento, todos que fazem a escola acontecer devem perceber o quanto é importante, nas práticas educativas da escola, o trabalho coletivo, seguido de respeito, participação, diálogo, entre outros, em prol de que seja colocado em prática o que foi planejado no projeto educativo da escola. Gestão Educacional 36 IMPORTANTE: A gestão deve trabalhar junto com o corpo de especialista que há na escola, como orientador educacional, supervisor escolar, psicólogo escolar e assistente social. A participação de todos da comunidade escolar, sejam eles pais, alunos, professores, secretários, merendeiras etc. é essencial em uma gestão democrática participativa, envolvendo-os em processos de decisões coletivas na escola, a exemplo da seleção de gestores, a criação do Conselho Escolar, entre outros. O gestor, que não age mais de forma hierárquica na distribuição de atividades da escola, impondo o seu poder, tem sua parcela de responsabilidade quanto ao sucesso ou insucesso da gestão democrática. É primordial que ele não continue perpetuando as práticas do diretor escolar, que por muito tempo tiveram base nas relações de poder. Agora o foco deve ser, além do administrativo e financeiro, a organização do trabalho escolar. Por isso a importância do diálogo com toda a comunidade escolar, buscando processos que tornem a escola mais autônoma. Para que isso aconteça, é preciso assegurar que as decisões na escola possam acontecer de forma participativa e coletiva. Para que haja uma gestão escolar democrática de fato, o gestor deve garantir que na sua equipe escolar estejam claras as concepções de organização democrático-participativa. Por isso, em sua postura de atuação na escola, explicitam-se o(a): a. Definição explicita, por parte da equipe escolar, de objetivos sociopolíticos e pedagógicos da escola; b. Articulação da atividade de direção com iniciativa e a participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela; c. Qualificação e competência profissional; d. Busca de objetividade no trato das questões da organização e da gestão, mediante coleta de informações reais; Gestão Educacional 37 e. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnostico, acompanhamento dos trabalhos, reorientação de rumos e ações, tomada de decisões; f. Todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados; g. Ênfase tanto nas tarefas quanto nas relações. (LIBÂNEO et al., 2012, p. 449) Estando explícitas nas práticas democrático-participativas, essas posturas vêm para dentro da escola com a intenção de promover a democracia, para que todos que dela fazem parte tenham a oportunidade de participar de uma organização de forma coletiva, com a finalidadede garantir a autonomia da escola e de sua equipe. Figura 10 – A gestão precisa de todos que fazem parte da escola Fonte: Pixabay Desse modo, Lück defende que: A gestão democrática pressupõe a mobilização e organização das pessoas para atuar coletivamente na promoção de objetivos educacionais, o trabalho dos diretores escolares se assenta sobre sua competência de liderança, que se expressa em sua capacidade de influenciar a atuação de pessoas (professores, funcionários, alunos, pais, outros) para a efetivação desses objetivos e o seu envolvimento na realização das ações educacionais necessárias para sua realização. (LÜCK, 2009, p. 75) Gestão Educacional 38 Para que haja eficácia da gestão escolar, o gestor precisa de sua equipe para dar conta da qualidade pedagógica, do currículo, da capacitação de professores, entre outros. Em um modelo de gestão democrática, o gestor precisa, e muito, do trabalho coletivo de todos que fazem parte da escola pública (LÜCK, 2009). Dentro desse trabalho democrático, o gestor deve conscientizar os participantes sobre a responsabilidade de cada um, pois esse modelo de gestão é proposto para a escola pública. Para que a gestão escolar aconteça de forma democrática, mecanismos de autonomia da escola devem ser desenvolvidos, como o financiamento das escolas; a participação da escolha de seus dirigentes escolares; a garantia e meios para a criação de órgãos colegiados; a construção democrática do Projeto Político-Pedagógico; e a participação da comunidade interna e externa à escola. A gestão democrática, sendo colocada em prática escola pública, serve também para conscientizar o cidadão para a sua emancipação. De acordo com o Ministério da Educação, na publicação Gestão democrática nos sistemas e na escola, quatro pontos são necessários para a efetivação desse modelo de gestão, são eles: a. participação - é quando os projetos são construídos pela mediação da coletividade, oferecendo a todos os participantes a oportunidade de desenvolver de forma conjunta ações que visam à melhoria da educação; b. pluralismo - quando há o reconhecimento da presença das diversidades e dos diferentes interesses daqueles que fazem parte da escola; c. autonomia - é a descentralização do poder, onde a escola pode se adequar às reais necessidades da comunidade na qual se encontra inserida, onde o seu Projeto Político Pedagógico – PPP - é construído de forma coletiva, visando à emancipação e à transformação social; d. transparência - é o retrato da dimensão política da escola, mostrando que esta é um espaço público que se encontra aberto à diversidade e às opiniões daqueles que participam da estrutura da escola. (BRASIL, 2007, on-line) Gestão Educacional 39 Trabalhar com o modelo de gestão escolar democrática se torna, dentro da escola, uma decisão política, porque suas ações implicam entender a visão dos que fazem parte direta e indiretamente dessa escola, como: pais, alunos, professores, funcionários e a própria comunidade interna e externa à escola. É uma ação política, porque envolve diretamente a tomada de decisões e, para isso acontecer, deve haver participação, trabalho coletivo e união na hora de gerir e organizar a escola, sem hierarquização de poderes. ACESSE: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo “A gestão democrática e a participação dos educadores na elaboração do projeto político-pedagógico de escolas públicas no Brasil”, de Pauleany Simões de Morais et al., disponível aqui. RESUMINDO: E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, com a implementação da gestão democrática nas escolas a partir da década de 1990, por meio da LDBEN, a gestão nas escolas passou a ser descentralizada. Assim, começou-se a implementar a divisão das tomadas de decisões na escola, que deixaram de ser somente do gestor e passaram a ser responsabilidade de todos que representam a escola. Por meio de reuniões, agora é possível emitir opiniões e debater, com diálogo, possíveis soluções em prol de melhorias para a escola. A gestão democrática por meio da participação ativa, do pluralismo, da autonomia e da transparência, começa a fazer com que as pessoas se sintam parte da escola. Gestão Educacional http://www.anpae.org.br/iberoamericano2012/Trabalhos/PauleanySimoesDeMorais_res_int_GT4.pdf 40 A Gestão Democrática na Escola Pública OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como ocorre, de fato, a gestão democrática na escola pública. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!. A gestão na escola pública deve atuar de forma democrática, sempre trilhando na busca da qualidade de ensino, que “é, portanto, qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares em contextos concretos” (LIBÂNEO, 2007, p. 26). Nesse sentido, nas práticas educativas são respondidas as cobranças da sociedade, como o objetivo colaborar com o desenvolvimento dos alunos. Essa mesma gestão tem o intuito de melhorar a qualidade do ensino e aprendizagem. O segmento de cada comunidade escolar deve trabalhar junto ao gestor, sabendo aonde querem chegar em relação aos alunos, pois a educação se torna um ato político. Este deve ter como fruto as tomadas de decisões. Por isso, afirma-se que a gestão da escola deve funcionar de forma política, pois o ato político: Exige um posicionar-se diante das alternativas. A gestão escolar não é neutra, pois todas as ações desenvolvidas na escola envolvem atores e tomadas de decisões. Nesse sentido, ações simples, como a limpeza e a conservação do prédio escolar, até ações mais complexas, como as definições pedagógicas, o trato com situações de violência, entre outras, indica uma determinada lógica e horizonte de gestão, pois são ações que expressam interesses, princípios e compromissos que permeiam as escolhas e os rumos tomados pela escola. (OLIVEIRA et al., 2009, p. 7) Gestão Educacional 41 Dourado e Oliveira (2009) explicam que, para que haja efetivação desse processo, é de suma importância que a escola organize o trabalho escolar com: Planejamento, monitoramento e avaliação dos programas e projetos; organização do trabalho escolar compatível com os objetivos educativos estabelecidos pela instituição, tendo em vista a garantia da aprendizagem dos alunos; mecanismos adequados de informação e de comunicação entre todos os segmentos da escola; gestão democrático participativa, incluindo condições administrativas, financeiras e pedagógicas; mecanismos de integração e de participação dos diferentes grupos e pessoas nas atividades e espaços escolares. (DOURADO; OLIVEIRA, 2009, p. 209) O trabalho da gestão democrática tem a função de acompanhar o processo de ensino-aprendizagem que ocorre na escola. Também deve abrir espaços para que as pessoas possam participar ativamente das decisões da escola, e o gestor deve estar capacitado para lidar com diversas formas de pensar, colaborando para que sua equipe alcance a qualidade do ensino. Para Dourado e Oliveira (2009), o gestor escolar, por intermédio de sua competência, deve garantir um: Projeto pedagógico coletivo da escola que contemple os fins sociais e pedagógicos da escola, a atuação e autonomia escolar, as atividades pedagógicas e curriculares, os tempos e espaços de formação; disponibilidade de docentes na escola para todas as atividades curriculares; definição de programas curriculares relevantes aos diferentes níveis, ciclos e etapas do processo de aprendizagem; métodos pedagógicos apropriados ao desenvolvimento dos conteúdos; processos avaliativos voltados para a identificação, monitoramento e solução dos problemas de aprendizagem e para o desenvolvimento da instituiçãoescolar; tecnologias educacionais e recursos pedagógicos apropriados ao processo de aprendizagem; planejamento e gestão coletiva do trabalho pedagógico; jornada escolar ampliada ou integrada, visando a garantia de espaços e tempos apropriados às atividades educativas; mecanismos de participação do aluno na escola; valoração adequada dos usuários no tocante aos serviços prestados pela escola. (DOURADO; OLIVEIRA, 2009, p. 209) Gestão Educacional 42 A partir dessa realidade, o gestor deve garantir que os diversos segmentos da escola participem de forma ativa, como os docentes, alunos, funcionários, gestores, pais e comunidade extra e interescolar, na construção do Projeto Político-Pedagógico. Esse planejamento maior, que visa à construção do PPP, deve fornecer condições, espaços e escolha de tempo, com o intuito de que seus participantes tenham a formação e os conhecimentos necessários para colocar em prática o que lhes for proposto para ação e execução de forma efetiva. A direção deve dividir responsabilidades, auxiliar o Conselho de Classe a dividir as tomadas de decisões com todos no contexto escolar. Por isso, compreende-se que a gestão que trabalha ainda de forma tradicional, na qual o gestor é autoritário e não compartilha as tomadas de decisões com a comunidade escolar, começa a enfrentar dificuldades e assim não atinge os objetivos que a comunidade escolar almeja. EXPLICANDO MELHOR: O gestor é o líder de uma instituição escolar e deve trabalhar com a equipe de funcionários da escola. Essa equipe é constituída pelo pessoal da cozinha, da limpeza, da merenda escolar, dos serviços da secretaria, pelo diretor e vice-diretores, coordenação pedagógica e orientação. O Conselho Escolar caracteriza-se, então, como órgão de representação da comunidade escolar e, desse modo, zela para que se mantenha a cultura de participação. É considerado um espaço que constitui um aprendizado político, democrático e de formação político- -pedagógica. Ele está apto a participar ativamente da construção do Projeto Político-Pedagógico. O Conselho Escolar deve buscar formas de incentivar a participação de todos os segmentos envolvidos no processo educativo da escola e isso implica se organizar para a construção de outros documentos da escola (MARQUES, 2007, p. 22). Gestão Educacional 43 O Regimento Escolar é um documento da escola que deve ser elaborado e acompanhado pelas pessoas que compõe o Conselho Escolar. Os respectivos membros do Conselho Escolar devem agir da mesma forma na elaboração e acompanhamento da execução do Projeto Político-Pedagógico, ou seja, deve acompanhar e fiscalizar tanto a gestão pedagógica quanto a financeira. Figura 11 – Discussão saudável Fonte: Pixabay O Conselho Escolar também tem a função de planejar e aprovar o Plano Anual da escola. Seus membros devem acompanhar o desenvolvimento dos indicadores educacionais, como o da aprendizagem dos alunos, evasão, aprovação, reprovação, entre outros detalhes que envolvem o lado pedagógico. O Conselho Escolar pode levantar informações, junto aos seus componentes, com a finalidade de disseminar informações e conhecimentos que contribuam para melhorias na escola. Gestão Educacional 44 IMPORTANTE: Nesse percurso, é primordial que um gestor democrático crie um ambiente agradável para seus componentes falarem abertamente, e que não fique mais criando barreiras para atuação do Conselho Escolar, mas facilitando o diálogo, toda vez que for preciso, para a realização de uma plenária. Portanto, a democratização adequada ao Conselho Escolar permite aos seus membros se reunir para discutir questões em relação a assuntos como: conteúdo curricular, informações novas ou não, as experiências dos colegas. A gestão democrática deve entender que a participação e a democracia ajudam a melhorar as ações que envolvem o processo de ensino-aprendizagem nas escolas. Mas, os diversos segmentos escolares também devem cuidar para percorrer um caminho em que essa preparação ao exercício da democracia e cidadania não fique no papel. Figura 12 – Participação Fonte: Pixabay Por isso, ainda há muito a se fazer para conscientizar todos os membros da comunidade escolar: pais, professores, alunos, gestores, funcionários, comunidade, entre outros, no sentido da importância de sua participação no debate. Gestão Educacional 45 Outra medida é a busca pela qualidade do ensino, que deve advir da democratização do espaço da sala de aula, por meio de conteúdos e métodos. O aluno deve fazer parte do processo de aprendizagem de forma ativa, crítica e reflexiva. A escola deve proporcionar um ambiente para a comunidade trocar dados e conhecimentos na busca de solucionar as problemáticas escolares, promovendo, assim, a integração. Ela também deve atender aos interesses da maioria, agindo por votação. Na busca de garantir um espaço democrático, com formação ampla discente e zelo para formar o aluno de modo integral, os professores devem agir de forma consciente, crítica e reflexiva, apoiando os alunos como sujeito sociocultural. Figura 13 – Formar alunos solidários, críticos, éticos e participativo Fonte: Pixabay Gestão Educacional 46 A escola democrática pública tem a função social de formar o aluno para a vida, para saber exercer a sua cidadania. Para isso, é preciso proporcionar a construção de conhecimentos, valores que formem um ser humano pronto para atuar em sociedade, permitindo-lhe ser solidário, crítico, ético e participativo na sua vida em geral. A escola, ao organizar os Conselhos Escolares, democraticamente irá agir de forma organizada em busca da participação de todos da comunidade escolar, respeitando os seus direitos e deveres. Para tanto, nesse percurso, é preciso ter cuidado para que os representantes da comunidade escolar possam expressar seus diferentes pontos de vista, além de impedir que, implicitamente, esses representantes ajam de forma a apenas servir de instrumento para legitimar a voz da direção. Por isso, esse cuidado deve se iniciar na origem, no momento da escolha de quem vai fazer parte dos conselhos, pois estes precisam representar, de fato, a diversidade, a pluralidade de que faz parte da comunidade escolar. Antunes esclarece que os conselhos sabem dos problemas da gestão escolar e estes serão discutidos e as reclamações educativas serão Analisadas para, se for o caso, dependendo dos encaminhamentos e da votação em plenária, - ser aprovadas e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões ou sugestões do Conselho de Escola. (ANTUNES, 2002, p. 23) Figura 14 – Votação Fonte: Pixabay Gestão Educacional 47 Sobre a participação dos pais na escola, Libâneo (2004, p. 114) destaca que “a escola não pode ser mais uma instituição isolada em si mesma, separada da realidade circundante, mas integrada numa comunidade que interage com a vida social ampla”. Por isso, deve conquistar a representação dos pais no Conselho de Escola. A atuação dos diversos segmentos da comunidade escolar deve acontecer de forma que esse cidadão brasileiro se expresse por meio de relação saudável, aberta para críticas, diálogos e defesa de ponto de vista, dos argumentos de cada um. Navarro et al. (2004) nos explicam que é por meio dos conselhos que a escola se une para atuar de forma democrática, deliberando, assim, sobre questões particularizadas que devem envolver também o pedagógico, o administrativo e o financeiro. Por isso, devem acontecer aqui participação, debates, propostas e tomada de decisões, que só deve ocorrer após muitas reivindicações das necessidades educacionais. O debate, portanto, deve ser fomentado por uma cultura que resgate nas escolas a democracia, a participação, a cidadania, em substituição à cultura patrimonialista. Desse modo, devemos entender que oConselho Escolar nas escolas públicas deve atuar como o sustentáculo de Projetos Políticos-Pedagógicos. Paro (2004, p. 12) destaca que esse percurso é o que vai tratar a escola como democrática, superando, assim, as práticas burocráticas, que passam a ser vistas como desafios a superar. Fundamentado o Projeto Político-Pedagógico nessas considerações, a escola só poderá desempenhar um papel transformador ao organizar- se para atender aos seus interesses. Daí temos a aprendizagem coletiva, condição mister para agir democraticamente, visando a construir, efetivamente, uma educação de qualidade social. Gestão Educacional 48 ACESSE: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura do artigo “Gestão democrática da escola pública: desafios e perspectiva”, de Débora Quetti Marques de Souza, disponível aqui. RESUMINDO: E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, na gestão democrática, o gestor deve ser um líder que compartilha as tomadas de decisões com as pessoas que fazem parte do contexto escolar. Essa gestão visa a atuar de maneira democrática, com a participação ativa dos membros, do diálogo, da escuta e da opinião de todos, na busca de melhorias na qualidade de ensino. A sociedade deve cobrar essas melhorias com o intuito de colaborar com o desenvolvimento dos alunos. A gestão da escola deve funcionar de forma política e o trabalho da gestão democrática tem a função de acompanhar o processo de ensino-aprendizagem. O gestor deve ter em mente que trabalhar com a gestão democrática só tende a fortalecer a escola, e não que irá tirar sua autoridade nas tomadas de decisões. Pelo contrário, a gestão democrática é um espaço para que todos os envolvidos no processo escolar possam participar ativamente na divisão das tomadas de decisões, e o gestor devidamente capacitado, conhecedor das leis, deve dialogar, escutar, abrir espaços para opiniões e junto com a comunidade escolar lutar por melhorias na qualidade de ensino. Gestão Educacional https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2008/328_174.pdf 49 REFERÊNCIAS ANTUNES, A. Aceita um Conselho? Como organizar o colegiado escolar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nova LDB (Lei nº 9.394/1996). Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. BRASIL, Ministério da Educação. Gestão democrática nos sistemas e na escola. Brasília: Universidade de Brasília, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem.pdf. Acesso em: 08 ago. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. 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