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AUTORIA
Tatiana de Medeiros Santos
Olá! Sou formada em Pedagogia e especialista em Educação Infantil 
e também em Gestão Educacional, com experiência técnico-profissional 
na área de educação. Sou mestre em Educação Popular e doutora em 
Educação, professora do Ensino Fundamental e Ensino Superior há mais 
de 10 anos. Passei por instituições como a Universidade Federal da Paraíba, 
como professora substituta do curso de Pedagogia. Sou professora 
da rede municipal de ensino de João Pessoa, da UNAVIDA – UVA, da 
UNINASSAU e tutora do curso a distância de Pedagogia da UFPB. Sou 
apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida 
àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada 
pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. 
Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e 
trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR:
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS:
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE:
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES:
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Gestão Escolar Democrática e o Projeto Político-Pedagógico 10
A Gestão Democrática e a Mudança de Comportamentos ....... 21
Princípios e Mecanismos Básicos de Implementação da Gestão 
Escolar Democrática .................................................................................. 31
A Gestão Democrática na Escola Pública .........................................40
7
UNIDADE
03
Gestão Educacional
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a gestão educacional é um campo muito importante na 
educação? É uma área responsável pela geração de vários empregos, pois gerir 
uma instituição educacional é a chave para o sucesso dos que ali transitam. Além 
disso, é um dos empregos que não acabam, já que a educação está em todo 
lugar. Isso mesmo! A área de gestão educacional faz parte da cadeia de ações 
que devem acontecer em prol do processo de ensino-aprendizagem de uma 
instituição educativa, em nosso caso, a escola. Sua principal responsabilidade 
é gerenciar questões financeiras, administrativas, pedagógicas e relações 
interpessoais. Tudo isso envolve normas, leis, princípios e gerenciamento de 
recursos humanos, uma vez que nosso principal capital dentro de uma escola 
é o ser humano. 
Por isso, vamos conhecer um pouco sobre a LDBEN (Lei nº 9.394/1996), 
o Plano Municipal de Educação e como deve acontecer uma gestão na escola 
de forma democrática. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai 
mergulhar neste universo!
Gestão Educacional
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3, nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento dos seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Interpretar os fundamentos teóricos e legais da Gestão 
Democrática.
2. Explicar os fundamentos e as ferramentas da gestão em 
ambientes escolares e não escolares que atendam aos desafios 
da contemporaneidade.
3. Identificar os princípios e diferentes características da gestão 
democrática.
4. Interpretar como a gestão pode acontecer em espaços escolares 
e não escolares, com o foco na atuação pedagógica.
Caro aluno, acredito que agora estamos prontos compreender o 
que é gestão democrática, os desafios da participação efetiva e o Projeto 
Político-Pedagógico. Vamos começar?
Boa leitura!
Gestão Educacional
10
Gestão Escolar Democrática e o Projeto 
Político-Pedagógico
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar 
os desafios da escola quanto à gestão democrática e a 
importância da construção do Projeto Político-Pedagógico 
na busca de melhorias para a escola. Isso será fundamental 
para o exercício de sua profissão. E, então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então, vamos lá. Avante!
Figura 1 – Gestão democrática
Fonte: Pixabay
Trabalhar com gestão democrática não é tarefa fácil, haja vista de 
no histórico de nosso país existir um modelo de gestão vertical. Todavia, 
não é tarefa impossível. Por isso, podemos dizer que ser gestor exige 
desse profissional da escola um perfil de gestão que pregue os valores 
Gestão Educacional
11
da democracia. Ter o perfil de liderança, de agregar pessoas, trazer para 
perto, trazer a participação, a colaboração, é fazer as pessoas produzirem 
mais e de forma que fique leve para todos, não sobrecarregando “A” ou 
“B”. Tudo isso requer que seja desenvolvido um espírito de equipe, um 
clima saudável na escola, em que todos sejam convidados a participar do 
projeto educativo da escola.
REFLITA:
Você pode estar aí do outro lado se perguntando: 
como fazer isso? Como ter essa varinha mágica que 
dá os comandos e tudo acontece? Para quem vê tudo 
funcionando direitinho do lado de fora, parece ser muito 
simples. Porém, não é tarefa nada fácil. Vamos entender 
como a gestão democrática acontece e a ideia aqui não 
será a de receitar um caminho único sem possibilidades de 
erro nem apontar como deve acontecer. Você, aluno, será 
quem vai trilhar esse caminho quanto a cada realidade que 
pode encontrar no caminho. É preciso buscar realizar ou 
iniciar a conscientização de que é preciso que haja todo um 
esforço e comprometimento coletivo dos que fazem parte 
da escola, a fim de se alcançar os objetivos pedagógicos 
propostos. 
Para que haja a conscientização de uma gestão democrática, é 
preciso que o gestor una toda sua equipe e explique a importância do 
trabalho coletivo em prol de um projeto educativo que forme pessoas 
para exercer a cidadania e saber cobrar seus direitos. O gestor deve fazer 
isso por meio do diálogo franco, aberto sobre as necessidades e o que a 
escola precisa para que a realidade mude, sempre em busca da qualidade 
do trabalho educativo. Ainda, é preciso ter cuidado, pois dialogar, ser 
democrático e líder não quer dizer que o gestor vai encontrar soluções 
para todas as coisas de forma consensual, também irão acontecer 
conflitos dos mais diferentes. 
Será que o conflito na escola é algo bom ou ruim? Será que todos 
devem estar prontos para concordar com tudo que será posto nas reuniões?
Gestão Educacional
12
EXPLICANDO MELHOR:
Seria muito prática uma escola que só recebesse comandos 
e executasse-os, não discutindo o que é bom ou não para 
a sua realidade local. A escola que não dá trabalho seria 
maravilhosa. No entanto, não é bem assim que a gestão 
democrática deve acontecer. Se assim o fosse, então para 
que mudar a concepção de diretor para gestor? Não faria 
sentido, não é mesmo?
Os conflitos na escola devem ser vistos como algo saudável. Algo 
que deve acontecer à base de diálogo, escuta e propostas de soluções 
que estejam dentro da legislação escolar e que contemplem a realidade 
local da escola. 
Não pode haver, jamais, favoritismos, questões pessoais de grupo “A” 
ou “B” na escola, mas, sim, deve-se remar juntos no caminho democrático 
de da busca de soluções para problemáticas. Ao encontrar essa solução, 
a equipe deve estar amadurecida para ouvir possíveisnão ou sim.
NOTA:
É de inteira responsabilidade do gestor guiar o diálogo na 
busca de diagnosticar realidades, planejar e avaliar, com 
sua equipe, a busca de soluções para problemáticas que 
acontecem cotidianamente na escola. Por isso, o gestor 
é o líder desse diálogo democrático e deve conhecer a 
legislação para dialogar e escutar problemas e soluções 
com sua equipe de trabalho, mas não pode dizer sim para 
todas as soluções nem as negar completamente.
Gestão Educacional
13
IMPORTANTE:
O gestor deve ser uma pessoa conhecedora da legislação 
da educação, para que não autorize propostas que possam 
prejudicar a escola, dar margem a denúncias e/ou até 
mesmo processos judiciais. Por isso, ele será a pessoa que 
deve dialogar sempre (mas isso não implica concordar 
com tudo) e ter sabedoria para conduzir esse diálogo 
rumo a boas propostas para o crescimento da qualidade 
da escola. Para que tudo isso aconteça, é preciso ter uma 
equipe amadurecida para o diálogo e suas implicações, e 
caso haja um “sim” ou “não”, estes devem ser explicados na 
tentativa de evitar discursos de predileção e favoritismos. 
É necessário destacar essas recomendações sobre diálogo, 
escuta, diagnósticos, planejamentos, avaliação e reavaliação, quando for 
preciso, porque não é tarefa fácil ser democrático. Todavia, é um princípio 
rumo à qualidade dos afazeres da escola, que devem primar pelo bom 
desempenho e pela preocupação de a escola deve ter um processo de 
Ensino e de aprendizagem de qualidade. 
Para que tudo isso aconteça, é preciso comprometimento e 
responsabilidade de toda a equipe escolar com o papel que cada um 
desempenha, já que não existe funcionário maior ou menor, precisamos 
da participação de todos para que escola aconteça de fato. Por isso, 
Gadotti e Romão (1997) destacam a participação que influencia o processo 
de democratização e melhoria da qualidade de ensino. 
Gestão Educacional
14
Figura 2 – Qualidade do ensino
Fonte: Pixabay
O diálogo é um ponto-chave para auxiliar cada segmento da 
comunidade escolar a compreender como deve ser o funcionamento e 
acompanhamento da educação que ali acontece. Também é importante 
para a convivência em sociedade o diálogo sobre inclusão, justiça, 
participação, diversidade, entre outros. É preciso conscientizar sobre a 
participação de todos nos processos decisórios da escola. Esse debate 
pode contemplar a comunidade interna e externa, convidando todos 
a participar e entender as funções da escola e o que implicam direta e 
indiretamente para o projeto educativo. 
Sobre a participação, Libâneo (2004, p. 144) menciona que esta 
é uma construção coletiva que deve resultar na autonomia da escola. 
Destaca que a presença da comunidade interna e externa à escola 
tem implicações positivas, pois os seus respectivos representantes irão 
contribuir com os afazeres do “Conselho da Escola da Associação de Pais 
e Mestres para preparar o projeto pedagógico curricular e acompanhar e 
avaliar a qualidade dos serviços prestados”. 
Gestão Educacional
15
Tudo isso deve acontecer, pois:
Considera-se que a gestão democrática veio substituir a 
gestão autoritária, com espaço sem coletividade, onde 
apenas um gestor decretava os objetivos, decidia tudo, 
ninguém tinha o direito de falar, de participar das decisões 
tomadas ou de pelos menos pensar sobre elas, que 
controvérsia, afinal, a escola não é o lugar onde as pessoas 
desenvolvem suas habilidades intelectuais, emocionais e 
sociais? Como a organização desse lugar pode ser dessa 
forma? 
Partindo desse ponto, surge a necessidade de que cada 
um coloque em pratica suas habilidades, opiniões acerca 
de um determinado assunto, com possibilidades de 
participar nas decisões, assim o gestor que era detentor de 
todo poder, se vê em posição de partilhar suas decisões 
em prol da melhoria da educação. Nascem assim novos 
desafios, que o impulsiona a necessidade de repensar suas 
práticas, adequando-se ao novo modelo de sociedade. 
(SILVA, 2017, p. 16.997)
Libâneo (2004) destaca que muitos podem não ter a consciência do 
seu papel em processos democrático da escola. Por isso, é preciso que 
a escola se organize de forma a instrumentalizar os seus participantes a 
entender a força transformadora que têm, a fim de que o diálogo aconteça 
de forma madura, em que todos convivam como sujeitos, com seus 
direitos e deveres respeitados a partir de discussões e decisões coletivas. 
Dessa forma, Medeiros (2003, p. 61) explica que o trabalho com a 
gestão democrática da educação não pode ser dissociado de mecanismos 
legais da educação: 
Está associada ao estabelecimento de mecanismos 
legais e institucionais e à organização de ações que 
desencadeiem a participação social: na formulação de 
políticas educacionais; no planejamento; na tomada de 
decisões; na definição do uso de recursos e necessidades 
de investimento; na execução das deliberações coletivas; 
nos momentos de avaliação da escola e da política 
educacional. Também a democratização do acesso e 
estratégias que garantam a permanência na escola, tendo 
como horizonte a universalização do ensino para toda a 
população, bem como o debate sobre a qualidade social 
dessa educação universalizada, são questões que estão 
relacionadas a esse debate. (MEDEIROS, 2003, p. 61)
Gestão Educacional
16
NOTA:
Tudo isso deve estar articulado com o trabalho do gestor, 
por isso não cansamos de explicar a gestão é democrática. 
Esse gestor deve ser conhecedor de como acontece a 
legislação da educação brasileira e suas políticas públicas, 
para atuar politicamente da forma correta, como manda a 
gestão democrática. 
Nem sempre os participantes de reuniões nas escolas entendem 
a importância que tem o seu diálogo, o seu ponto de vista como pais, 
professores, alunos, funcionários, entre outros. É nesse momento que 
a escola deve entrar conscientizando os seus participantes, explicando 
como acontece seu funcionamento e as ações das instâncias colegiadas 
e seus respectivos processos decisórios, como: Associação de Pais, 
Mestres e Funcionários, Grêmio Estudantil e Projeto Político-Pedagógico. 
Adiante, vamos entender muito brevemente o que significa cada um deles.
 • Associação de Pais e Mestres
Figura 3 – Representantes de cada categoria escolar
Fonte: Pixabay
É uma instância de participação que acontece com a intenção de 
unir pais e mestres no sentido de fortalecer o relacionamento de família 
e escola. A partir dessa união, serão eleitos representantes na busca de 
contribuir para a prática de gestão democrática.
Gestão Educacional
17
 • Grêmio estudantil
Figura 4 – Grêmio estudantil: representação dos alunos
Fonte: Pixabay
É um espaço no qual os alunos se reúnem para eleger seus 
representantes. É também o lugar onde os alunos estão aprendendo 
atuar de forma democrática. Trata-se de um acontecimento que terá 
reflexo mais tarde na vida dos estudantes, no exercício da cidadania na 
vida em sociedade, pois a participação deles na construção da gestão 
democrática da escola proporciona a experiência de como ter práticas 
sociais e democráticas. 
Gestão Educacional
18
 • Projeto Político-Pedagógico
Figura 5 – Participação e colaboração
Fonte: Freepik
O Projeto Político-Pedagógico, mais conhecido como PPP, é um 
documento construído na escola. Esse documento define a identidade da 
escola e indica caminhos para ensinar com qualidade. Por isso, trata-se 
de um planejamento que acontece mediante a participação conjunta de 
todos que fazem parte da escola, por meio dos representantes de cada 
categoria que representa a instituição. Esses representantes, reunidos, 
dialogam sobre a finalidade de construir um documento que retrate a 
escola como ela é na sua realidade local, trazendo o histórico de sua 
existência, seus problemas e indicações para que aconteçam soluções.
SAIBA MAIS:
O Projeto Político-Pedagógico é um documento que 
representa a identidade de cadaescola brasileira. É um 
documento que é construído para a escola. 
Gestão Educacional
19
A essa altura, a pergunta que pode estar surgindo é: por que esse 
documento deve ser uma construção com representantes de todas as 
categorias que fazem parte da escola? 
Esse documento deve ser construído por representantes de 
cada categoria dos participantes da escola, como gestores, técnicos 
administrativos e de apoio, docentes, discentes, pais e comunidade local, 
porque, ao se unirem para construir o PPP, se encontrarão na perspectiva 
de dar a sua contribuição na elaboração deste documento. Dessa forma, 
trarão sua ótica sobre a realidade da escola e zelarão para que não se 
torne um trabalho fragmentado e com norteamentos definidos por 
alguém de fora da escola, que provavelmente por mais que esteja cheio 
de boas intenções, conhece pouco sobre a realidade local.
Por isso, deve haver um esforço coletivo para que sejam realizadas 
nesse espaço da escolar discussões sobre a atual realidade da escola. A 
partir desse diálogo, deve-se planejar, registrar no documento a realidade 
em que a escola se encontra, elencar necessidades e planejar tomadas 
de decisões em prol da qualidade da educação proporcionada na escola. 
Para que tudo isso aconteça, é necessário conscientizar toda a 
equipe escolar de que dialogar não implica concordar com tudo que 
está sendo discutido, é preciso também se posicionar sobre algumas 
questões, defendendo seus respectivos pontos de vista. Também se 
deve zelar para que esses representantes não se tornem objetos de 
manipulação dos interesses de poucos que fazem parte da escola. Tudo 
isso deve acontecer com o intuito de garantir, no decorrer do processo, 
o direito à voz, defendendo a diversidade, a autonomia da escola e a 
participação de todos. Só assim, após ter colaborado para a construção 
desse documento, que vamos ter elementos para contribuir com a escola 
no sentido de tentar cumprir metas, ações e objetivos nele propostos.
ACESSE:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura 
do artigo “A importância da Gestão democrática dentro do 
processo escolar”, de Josiele Leal dos Santos Flôres e Mara 
Lucia T. Brum, disponível aqui. 
Gestão Educacional
http://gestaouniversitaria.com.br/artigos/a-importancia-da-gestao-democratica-dentro-do-processo-escolar
20
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que a gestão democrática é de suma importância para 
as escolas, pois permite que, por meio da participação 
ativa, os membros que fazem parte do contexto escolar 
busquem pelo diálogo emitir opiniões e aprender a 
respeitar a dos outros. Assim, juntos buscarão o melhor 
caminho para tentar solucionar a problemática oriunda 
do cotidiano escolar. Por isso, devemos ter em mente que 
a participação ativa é que faz com que nossos direitos e 
deveres sejam respeitados. Dentro desse contexto, tem-se 
o Projeto Político-Pedagógico (PPP), que é um documento 
construído na escola, que define sua identidade e aponta 
caminhos para que juntos possamos melhorar o processo 
de ensino-aprendizagem. E, para que isso ocorra de forma 
concreta e não fique só no papel, todos que fazem parte 
e representam a escola devem se reunir e dialogar para 
construção de um documento que retrate a escola como 
ela é, na busca de soluções para os problemas elencados.
Gestão Educacional
21
A Gestão Democrática e a Mudança de 
Comportamentos
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz compreender a 
importância das mudanças de comportamentos na gestão 
democrática escolar. Isso será fundamental para o exercício 
de sua profissão. E, então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
Figura 6 – Gestão democrática: decisão de qual caminho seguir
Fonte: Pixabay
Na atualidade, para uma boa gestão, o desafio maior da escola se 
dá na busca da união de seus profissionais, inclusive em maior esforço 
por parte dos professores, para que sejam desenvolvidas competências 
e habilidades específicas nos alunos. Essa visão deve contemplar os 
alunos, analisando o contexto social deles, na busca de propor ações e 
metodologias competentes, para o melhor desempenho do processo de 
ensino-aprendizagem. Ainda é necessário que o professor compreenda 
que, em pleno século XXI, seus alunos têm maneiras e desempenhos 
distintos no decorrer do processo ensino-aprendizagem. 
Gestão Educacional
22
Por isso, temos de ver gestor escolar como um aliado nos trabalhos 
dos professores, como um líder, cujas ações devem envolver todos que 
fazem parte da escola. 
Para ser gestor, é necessário ter o perfil que essa profissão exige, 
e isso envolve conhecimento, condições pessoais, vocação e formação 
contínua, haja vista que ser gestor é uma tarefa complexa que exige ser 
um agente de mudança na escola, propondo resolução de conflitos, 
realização de tarefas e resolução de questões que acontecerão no dia 
a dia da escola, que envolvem desde a estrutura física, administrativa, 
financeira, pedagógica e até as relações interpessoais (LÜCK, 2001). 
EXPLICANDO MELHOR:
Em se tratando do perfil do gestor escolar, esta não é mais a 
do administrador escolar, pois, passou a ser a figura daquele 
que vai ser o líder provocador de mudanças. Desse modo, é 
preciso ser a pessoa que, junto da sua equipe, apresentará 
propostas inovadoras, realizará parcerias e apresentará 
estratégias de ação para serem desenvolvidas em equipe, 
na busca pela eficiência. Para ser gestor, é preciso estar 
atento às mudanças, pois estas estão acontecendo em 
diversos campos em nossa sociedade, tanto na legislação, 
a exemplo da Base Nacional Curricular Comum, como nas 
ciências, na tecnologia da comunicação e da informação. 
No mundo da competitividade, o gestor deve zelar para 
que as atualidades da sociedade não fiquem de fora. 
Um entendimento que não pode faltar dentro dos muros da escola 
é do que se trata a democracia, pois é preciso conscientizar a todos de 
que todo cidadão tem direitos, mas também deveres a cumprir. De acordo 
com o Ghanem, a democracia é: 
o meio político de salvaguardar a diversidade social e 
cultural dos membros da sociedade nacional ou local, 
simultaneamente à manutenção de uma língua nacional 
e um sistema jurídico que se aplique a todos; é a única 
possibilidade de limitar a crescente dissociação entre 
racionalidade instrumental e identidades culturais; é 
Gestão Educacional
23
uma luta pela libertação em relação a um poder, seja o 
despotismo racionalista, seja a ditadura comunitária; é um 
espaço de tensões e conflitos, ameaçado constantemente 
por algum poder; é o espaço institucional livre, no qual 
se desenvolve esse trabalho do sujeito sobre si mesmo, 
trabalho pelo qual as pessoas encontram o papel de 
criadoras e produtoras, não somente de consumidoras. 
(GHANEM, 2004, p. 21-23)
SAIBA MAIS:
O gestor deve trilhar na busca de tornar a escola em que 
atua um espaço democrático, pois esse é o princípio 
norteador da gestão democrática. 
É preciso democratizar o ensino, pois ele não é para acontecer para 
poucos, mas, sim, atingir todas as camadas sociais da população em geral, 
oferecendo mais oportunidades de os alunos ingressarem e se manterem 
nas escolas, frequentando-as com a finalidade de dar continuidade aos 
seus estudos. Por isso, a escola deve ser democrática e garantir que o 
pleno exercício da cidadania aconteça em seu interior. 
Lück (2001) esclarece que, para que tudo isso aconteça, é preciso 
que o gestor conte com participação e colaboração de todos que 
fazem parte da escola na construção e no cumprimento do plano de 
desenvolvimento. Isso demanda uma ação gestora que envolve trabalho 
em equipe, levando em conta características locais da realidade escolar 
e temas relevantes para serem discutidoscom os que fazem parte da 
escola. 
Outro ponto importante é que a gestão deve trabalhar, 
incessantemente, pela descentralização do ensino e instituição da 
autonomia e da gestão democrática. Mudanças de mentalidades dos que 
fazem parte da escola devem ocorrer, pois é histórica a centralização das 
práticas de algumas dessas instâncias, deixando para segundo plano o 
que deveria ser o principal, que é o fazer pedagógico. 
Gestão Educacional
24
Por isso, a gestão de uma escola precisa de um foco e ele deve existir 
para que, diariamente, todos os segmentos trabalhem unidos traçando 
caminhos, possibilidades, com compromisso e, principalmente, zelo pelas 
responsabilidades que cada um assume. Trabalhar na perspectiva da gestão 
democrática exige de um gestor o perfil de agregar pessoas, de saber 
trazê-las para perto, com participação por meio do diálogo. Nesse sentido, 
deve haver comprometimento dos que fazem parte da escola na busca de 
alcançar os objetivos pedagógicos propostos, e o seu fruto será a qualidade 
da educação, que deve ser constantemente cultivada para que se adote 
uma nova cultura de organização, unindo teoria e prática (PARO, 2005). 
Nessa linha de entendimento, a institucionalização de instâncias 
colegiadas na escola pública, a exemplo do Conselho Escolar, tem 
se tornado o momento em que se une teoria e prática na busca pela 
democratização das escolas públicas. 
Gadotti e Romão (1998, p. 16) atestam que a participação de todos é 
algo que acaba por influenciar na democratização da gestão e também na 
melhoria da qualidade de ensino. Para tanto, é preciso diálogo, para que 
todos passem a compreender de forma mais efetiva o funcionamento da 
escola. Nesse ínterim, vale discutir os valores que devem ser praticados 
na escola, tais como a inclusão, a justiça, a participação, entre outros, 
sem se esquecer de contemplar a diversidade, reconhecendo como é 
importante ouvir diferentes pontos de vista na hora de tomar decisões, 
deixando bem claro a participação, a decisão e a ideia do outro. 
Libâneo (2004) esclarece que, para que essas necessidades e 
possibilidades aconteçam de fato no interior das escolas, deve haver 
participação. É justamente com a promoção da participação nos espaços 
da escola que esta alcança, cada vez mais, a sua autonomia nos processos 
decisórios, já que o princípio da autonomia requer proximidade com a 
comunidade educativa e os pais. O autor defende que:
a presença da comunidade na escola, especialmente dos 
pais, tem várias implicações. Prioritariamente os pais e 
outros representantes participam do Conselho da Escola 
da Associação de Pais e Mestres para preparar o projeto 
pedagógico curricular e acompanhar e avaliar a qualidade 
dos serviços prestados. (LIBÂNEO, 2004, p. 144)
Gestão Educacional
25
A escola precisa se organizar de forma a instrumentalizar os seus 
participantes na percepção da força transformadora que terão, juntos, 
unidos, colaborando com a escola. Por isso, o diálogo é o caminho para 
a democracia acontecer em um clima saudável em que todos convivam 
como sujeitos de direitos e deveres, que devem ser respeitados, na sua 
diversidade, a partir de discussões e decisões coletivas.
REFLITA:
Você pode estar se perguntando: como tudo isso deve 
acontecer?
Instrumentalizando os seus participantes para compreender 
como a escola funciona. Deixando clara a necessidade 
de instâncias colegiadas para atuar nos decisórios, como: 
Conselho Escolar, Associação de Pais, Mestres e Funcionários, 
Grêmio Estudantil, Projeto Político-Pedagógico.
Agora vamos entender um pouco mais sobre como funcionam o 
Conselho Escolar e a Associação de Pais e Mestres. O Projeto Político-
Pedagógico será estudado adiante.
 • Conselho Escolar 
Figura 7 – Conselho escolar: representantes de cada segmento
Fonte: Pixabay
Gestão Educacional
26
O Conselho Escolar é uma instância colegiada que busca 
a participação de todos da escola, mas lida diretamente com os 
representantes de cada segmento escolar. Por isso, faz a eleição destes 
de forma democrática, zelando por seus direitos e deveres.
De acordo com o Programa Nacional de Fortalecimento dos 
Conselhos Escolares, por meio da publicação do caderno Conselhos 
Escolares: Democratização da escola e construção da cidadania (BRASIL, 
2004, p. 34), os Conselhos Escolares “são órgãos colegiados compostos 
por representantes das comunidades escolar e local, que têm como 
atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas, 
financeiras, no âmbito da escola”. 
Esse caderno, produzido pelo Ministério da Educação, explica 
que cabe aos conselhos a tarefa de analisar as ações a empreender nas 
escolas, os meios a serem usados e acompanhar o cumprimento destas. 
As pessoas que compõem esse conselho devem estar cientes de que 
estão ali não para representar seus interesses pessoais, mas, sim, os de 
sua comunidade escolar e local, atuando com união para traçar percursos 
e realizarem deliberações de sua responsabilidade. 
Dessa forma, segundo esse caderno, as pessoas que fazem parte 
do conselho da escola “representam, assim, um lugar de participação 
e decisão, um espaço de discussão, negociação e encaminhamento 
das demandas educacionais, possibilitando a participação social e 
promovendo a gestão democrática” (BRASIL, 2004, p. 35). 
Esse órgão se consolida na escola com a finalidade de ser uma 
instância de “discussão, acompanhamento e deliberação”, de forma 
democrática. Desse modo, as funções do Conselho Escolar são:
a. Deliberativas: quando decidem sobre o projeto político-
pedagógico e outros assuntos da escola, aprovam 
encaminhamentos de problemas, garantem a elaboração de 
normas internas e o cumprimento das normas dos sistemas de 
ensino e decidem sobre a organização e o funcionamento geral 
das escolas, propondo à direção as ações a serem desenvolvidas. 
Elaboram normas internas da escola sobre questões referentes ao 
Gestão Educacional
27
seu funcionamento nos aspectos pedagógico, administrativo ou 
financeiro.
b. Consultivas: quando têm um caráter de assessoramento, 
analisando as questões encaminhadas pelos diversos segmentos 
da escola e apresentando sugestões ou soluções, que poderão ou 
não ser acatadas pelas direções das unidades escolares.
c. Fiscais (acompanhamento e avaliação): quando acompanham a 
execução das ações pedagógicas, administrativas e financeiras, 
avaliando e garantindo o cumprimento das normas das escolas e 
a qualidade social do cotidiano escolar.
d. Mobilizadoras: quando promovem a participação, de forma 
integrada, dos segmentos representativos da escola e da 
comunidade local em diversas atividades, contribuindo assim 
para a efetivação da democracia participativa e para a melhoria da 
qualidade social da educação. (BRASIL, 2004, p. 41)
Na escolha de representantes, é preciso ter cuidado para que não 
sejam pessoas indicadas pela gestão, mas, sim, por cada segmento 
escolar. Esse zelo deve acontecer para que cada categoria possa 
defender, nas reuniões, seus respectivos pontos de vista, e não servir 
de instrumento para legitimar a voz da direção, pois deve representar a 
diversidade e a pluralidade do segmento a que pertence. 
O Conselho Escolar deve ser composto pela “direção da escola 
e a representação dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos 
estudantes, dos professores, dos trabalhadores em educação não-
docentes e da comunidade local” (BRASIL, 2004, p. 44). As decisões 
só podem ser tomadas após discussões realizadas coletivamente e 
só podem acontecer quando todos estão reunidos. Nenhum de seus 
membros têm autorização para tomar decisões de forma individual fora 
das reuniões destinadas a esse fim. No entanto, é o gestor quem:
Atua como coordenador na execução das deliberações 
do Conselho Escolar e também como o articulador das 
ações de todos os segmentos, visando a efetivação do 
projeto pedagógico na construçãodo trabalho educativo. 
Ele poderá – ou não – ser o próprio presidente do 
Gestão Educacional
28
Conselho Escolar, a critério de cada Conselho, conforme 
estabelecido pelo Regimento Interno. (BRASIL, 2004, p. 44)
Na eleição para os membros do Conselho Escolar, deve haver 
candidatos de representantes de cada segmento da escola. Há, ainda, 
o cargo dos suplentes, que não estão impedidos de estar nas reuniões, 
mas sua atuação será somente de direito à voz na presença do membro 
efetivo. Apenas na falta do membro efetivo que o suplente participará do 
voto. O gestor tem a sua participação garantida no Conselho Escolar. 
A seguir estão elencadas algumas atribuições dos Conselhos 
Escolares:
 • elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar;
 • coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do 
Regimento Escolar;
 • convocar assembleias-gerais da comunidade escolar ou de seus 
segmentos;
 • garantir a participação das comunidades escolar e local na 
definição do projeto político-pedagógico da unidade escolar;
 • promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao 
saber
 • do estudante e valorize a cultura da comunidade local;
 • propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, 
respeitada a legislação vigente, a partir da análise, entre outros 
aspectos, do aproveitamento significativo do tempo e dos espaços 
pedagógicos na escola;
 • propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as 
alterações metodológicas, didáticas e administrativas na escola, 
respeitada a legislação vigente;
 • participar da elaboração do calendário escolar, no que competir à
 • unidade escolar, observada a legislação vigente;
 • acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono
Gestão Educacional
29
 • escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros) propondo, 
quando se fizerem necessárias, intervenções pedagógicas e/ou 
medidas socioeducativas visando à melhoria da qualidade social 
da educação escolar;
 • elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros 
escolares, visando ampliar a qualificação de sua atuação;
 • aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da
 • escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros,
 • promovendo alterações, se for o caso;
 • fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da 
unidade escolar;
 • promover relações de cooperação e intercâmbio com outros 
Conselhos Escolares. (BRASIL, 2004, p. 49)
Ainda com base na publicação (BRASIL, 2004), para os seus participantes 
exercitar essas atribuições tem se tornado um aprendizado democrático, pois 
só conseguem ser colocadas em prática se os cidadãos forem respeitados e 
ouvidos na tomada de decisões a partir de práticas democráticas. 
Antunes (2002, p. 23) explica que é por meio do Conselho de 
Escola que os problemas que envolvem a gestão escolar são debatidos, 
analisados e votados “em plenária, - ser aprovadas e remetidas para o 
corpo diretivo da escola, instância executiva, que se encarrega de pôr em 
prática, as decisões ou sugestões do Conselho de Escola”. 
Por isso, Navarro et al. (2004) acrescentam que o Conselho Escolar 
é um órgão colegiado, democrático, que delibera sobre diversas questões 
que estão presentes no interior de cada escola e que tem decisões que 
precisam ser tomadas para casos específicos que envolvam tanto o lado 
pedagógico como o administrativo e financeiro. Por isso, são necessárias 
reuniões com a participação dos que fazem parte da escola e suas 
respectivas representações nos debates e nas propostas que visem à 
tomada de decisões. Portanto, é preciso que o Conselho Escolar se forme 
com pessoas que sejam ativas, comprometidas como o mesmo objetivo da 
escola e que defendam ferrenhamente a melhoria na qualidade do ensino.
Gestão Educacional
30
ACESSE:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura 
do artigo “Gestão da educação: inovação e mudança”, de 
Rita Schultz, disponível aqui. 
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter 
aprendido que um dos maiores desafios atualmente na 
gestão democrática é conscientizar as pessoas que fazem 
parte do contexto educacional de que sua participação 
é importante na busca de soluções das dificuldades 
encontradas na escola e que sua presença faz com que 
seu direito de cidadão seja respeitado. Um entendimento 
que não pode faltar dentro dos muros da escola se refere 
ao que é democracia, pois é preciso conscientizar que 
todo cidadão tem direitos, mas também deve cumprir com 
seus deveres. Nesse contexto, o Conselho Escolar é uma 
instância colegiada que busca a participação de todos da 
escola, mas lida diretamente com os representantes de 
cada segmento escolar e, por isso, faz a eleição destes de 
forma democrática, zelando por seus direitos e deveres.
Gestão Educacional
https://www.fclar.unesp.br/Home/Departamentos/CienciasdaEducacao/RevistaEletronica/edi5_artigoritaschultz.pdf
31
Princípios e Mecanismos Básicos de 
Implementação da Gestão Escolar 
Democrática
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender 
como ocorreram os princípios e mecanismos da gestão 
escolar democrática. Isso será fundamental para o exercício 
de sua profissão. E, então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então, vamos lá. Avante!
Figura 8 – Participação de todos
Fonte: Freepik.
Para abordar sobre gestão democrática, primeiro é preciso entender 
que a pessoa que faz o papel de quem está direção escolar, mais conhecido 
como gestor escolar, por muito tempo, centralizou suas práticas, com 
base nas relações de poder, em processos administrativos e financeiros, 
colocando em prática as imposições do sistema, sem questioná-lo. 
Gestão Educacional
32
O maior ganho das escolas brasileiras ocorreu a partir da segunda 
metade da década de 1990, com a promulgação da LDBEN (Lei nº 
9.394/1996). A LDBEN garantia a gestão democrática, uma prática de 
descentralização de poderes nas escolas, por meio da qual passamos a 
ter como prioridade o diálogo, o estímulo ao trabalho coletivo e a ênfase 
no incetivo à participação de todos no auxílio do trabalho da gestão da 
escola. 
Outro destaque desse novo modelo de gestão foi o interesse no 
fazer pedagógico, nas relações interpessoais, no desempenho de quem 
trabalha na escola e dos alunos, na avaliação e reavaliação constante 
de tudo que é planejado na escola e a autoavaliação, sem deixar de 
lado a avaliação dos alunos aprendentes. Por isso, o princípio de gestão 
democrática foi confirmado e aprimorado pelo estabelecimento das 
demais legislações após a LDBEN, tanto no Plano Nacional de Educação 
(PNE) instituído pela Lei nº 10.172/2001, como no PNE instituído pela Lei 
nº 13.005/2014.
REFLITA:
Todas essas alterações ocorreram quando estávamos 
saindo do regime militar e precisávamos realizar mudanças 
de postura e de comportamento. No entanto, até os 
dias atuais podemos dizer que alguns profissionais que 
trabalham com educação ainda não compreenderam 
essas mudanças. Mas isso está mudando e o ideal é lutar 
para que esses profissionais que possuem uma prática 
autoritária compreendam que precisamos acompanhar o 
que dita a legislação educacional brasileira. Podemos dizer 
que, a partir dessa determinação da legislação brasileira 
que autoriza as escolas públicas a atuar no modelo de 
gestão democrática, os esforços foram concentrados na 
busca por mudanças de mentalidade, atitudes e de postura 
ética, para que o que preconizava a lei acontecesse de fato 
(LÜCK, 2000). 
Gestão Educacional
33
É preciso esclarecer aqui que descentralizar atividades é dividir 
responsabilidades e isso não vai dar autoridade ao gestor nem tirá-la, e de 
ninguém na escola, mas abre possibilidades de todos crescerem juntos 
em busca de melhorias.Por isso, Lück destaca que, para ser um gestor, é 
preciso que este tenha um perfil de quem lidera o seu grupo, com: 
Abertura na aceitação das expressões das pessoas no 
trabalho, observando os desafios, dificuldades e limitação 
na tentativa de possibilitar a superação. Observar e 
desenvolver o que de melhor existe nas pessoas ao seu 
redor, partindo com uma visão proativa da sua atuação. Ter 
uma visão clara diante da missão dos valores educacionais 
permitindo a compreensão dos indivíduos na expressão 
de suas atitudes. (LÜCK, 2009, p. 75)
A autora ainda explica que, para ser gestor, é preciso o perfil de 
líder, devendo realizar a conscientização de seus membros, orientando 
que a participação de todos é muito importante para que: 
Sejam promovidas melhorias a todos, em principal aos 
processos educativos. Permitir um diálogo aberto com 
capacidade de ouvir e compreender as questões de 
modo contínuo. Possibilitar oportunidades a todos a fim de 
compartilhar responsabilidades. Ter atitudes e expressões 
de liderança e não de chefia. Exercício contínuo do diálogo 
aberto e da capacidade de ouvir. (LÜCK, 2009, p. 75) 
EXPLICANDO MELHOR:
Provocar mudanças de mentalidade significa algo pensado 
para acontecer. Na singularidade de uma pessoa, por mais 
cuidado e carinho que possam ter sido empregados, foi 
pensado apenas pela visão dessa pessoa. Quando jogamos 
nossas propostas para serem discutidas em grupo, o que 
foi pensado de início por uma pessoa, após as discussões, 
pode ganhar uma dimensão muito maior, ou não. Pode 
acontecer também dessa proposta ser diminuída, caso, após 
a reunião, os participantes cheguem à conclusão de que não 
há condições de fazer nem a metade do que foi planejado 
por esta única pessoa. As reuniões servem para mensurar os 
prós e contras da proposta apresentada, fazendo-a crescer 
ou diminuir. Por isso, é primordial que as pessoas, quando 
em reuniões, estejam abertas ao diálogo e às críticas, para 
ouvir também os contras e saber propor sugestões que 
atendam à diversidade presente nas escolas. 
Gestão Educacional
34
Figura 9 – O líder e o diálogo com todos que fazem parte da escola
Fonte: Pixabay
Os participantes devem estar maduros para trabalhar em grupo, 
com diálogo, e não podemos negar que sempre haverá conflitos para 
crescimento. É pelo diálogo que se abrem portas para acontecer as 
mesmas coisas, mas de outras formas. Essa soma de experiências entre 
os colegas de trabalho, deve acontecer de forma dialogada, pois são 
eles quem põem em prática a gestão democrática de forma produtiva, 
resolvendo conflitos, realizando planejamentos e avaliações do que deve 
acontecer nas escolas públicas. Sobre fazer as coisas acontecerem Paro 
explica que: 
no campo da liberdade, o papel da gestão escolar está 
inextricavelmente ligado à questão da democracia, não 
apenas porque, pela educação, faculta-se ao educando 
o acesso à ciência, à arte, à tecnologia, enfim, ao saber 
histórico que possibilita o domínio das leis da natureza 
e seu uso em benefício humano, fazendo afastar assim 
o âmbito da necessidade, mas também porque pode 
propiciar a aquisição de valores e recursos democráticos 
propiciadores da convivência pacífica entre os homens em 
sociedade. (PARO, 2005, p. 51) 
Gestão Educacional
35
As gestão democrática escolar deve ter como um de seus objetivos 
de trabalho o processo educativo, considerando os seus sujeitos sociais. 
Assim, suas ações devem envolver todos os segmentos escolares, 
dialogando sempre nesse sentido. Além disso, devem contemplar uma 
concepção de escola inclusiva, que traga todos os seus participantes 
para dentro do projeto educativo defendido, zelanado para que este seja 
colocado em prática e esteja em constante avaliação. Nesse sentido, a 
gestão escolar dever estar focada em sua área de atuação, garantindo 
que se estabeleça a “efetivação das finalidades, princípios, diretrizes e 
objetivos educacionais orientadoras da promoção de ações educacionais 
com qualidade social” (LÜCK, 2000, p. 23).
É essencial trabalhar sempre com a finalidade de obter uma escola 
com qualidade, em que todos os alunos reconheçam que somos diferentes 
e devemos respeitar as diferenças. Quando tratamos de práticas inclusivas 
é no sentido de que essas devem ser participativas, promovendo o acesso 
e a construção do conhecimento, criando “condições para que o educando 
possa enfrentar criticamente os desafios de se tornar um cidadão atuante 
e transformador da realidade sociocultural e econômica vigente, e de dar 
continuidade permanente aos seus estudos” (LÜCK, 2000, p. 23).
Sobre a gestão democrática, Ferreira explica que: 
gestão é administração, é tomada de decisão, é 
organização, é direção. Relaciona-se com a atividade de 
impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, 
cumprir sua função, desempenhar seu papel. Constitui-
se de princípios e práticas decorrentes que afirmam ou 
desafirmam os princípios que a geram. Estes princípios, 
entretanto não são intrínsecos à gestão como a concebia 
a administração clássica, mas são princípios sociais, visto 
que a gestão da educação se destina à promoção humana. 
(FERREIRA, 2008, p. 306)
Nessa linha de entendimento, todos que fazem a escola acontecer 
devem perceber o quanto é importante, nas práticas educativas da 
escola, o trabalho coletivo, seguido de respeito, participação, diálogo, 
entre outros, em prol de que seja colocado em prática o que foi planejado 
no projeto educativo da escola.
Gestão Educacional
36
IMPORTANTE:
A gestão deve trabalhar junto com o corpo de especialista 
que há na escola, como orientador educacional, supervisor 
escolar, psicólogo escolar e assistente social. A participação 
de todos da comunidade escolar, sejam eles pais, alunos, 
professores, secretários, merendeiras etc. é essencial em 
uma gestão democrática participativa, envolvendo-os em 
processos de decisões coletivas na escola, a exemplo da 
seleção de gestores, a criação do Conselho Escolar, entre 
outros. 
O gestor, que não age mais de forma hierárquica na distribuição 
de atividades da escola, impondo o seu poder, tem sua parcela de 
responsabilidade quanto ao sucesso ou insucesso da gestão democrática. 
É primordial que ele não continue perpetuando as práticas do diretor 
escolar, que por muito tempo tiveram base nas relações de poder. Agora 
o foco deve ser, além do administrativo e financeiro, a organização do 
trabalho escolar. Por isso a importância do diálogo com toda a comunidade 
escolar, buscando processos que tornem a escola mais autônoma. Para 
que isso aconteça, é preciso assegurar que as decisões na escola possam 
acontecer de forma participativa e coletiva.
Para que haja uma gestão escolar democrática de fato, o gestor 
deve garantir que na sua equipe escolar estejam claras as concepções 
de organização democrático-participativa. Por isso, em sua postura de 
atuação na escola, explicitam-se o(a): 
a. Definição explicita, por parte da equipe escolar, de objetivos 
sociopolíticos e pedagógicos da escola;
b. Articulação da atividade de direção com iniciativa e a participação 
das pessoas da escola e das que se relacionam com ela;
c. Qualificação e competência profissional;
d. Busca de objetividade no trato das questões da organização e da 
gestão, mediante coleta de informações reais;
Gestão Educacional
37
e. Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade 
pedagógica: diagnostico, acompanhamento dos trabalhos, 
reorientação de rumos e ações, tomada de decisões;
f. Todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados;
g. Ênfase tanto nas tarefas quanto nas relações. (LIBÂNEO et al., 
2012, p. 449)
Estando explícitas nas práticas democrático-participativas, essas 
posturas vêm para dentro da escola com a intenção de promover a 
democracia, para que todos que dela fazem parte tenham a oportunidade 
de participar de uma organização de forma coletiva, com a finalidadede 
garantir a autonomia da escola e de sua equipe. 
Figura 10 – A gestão precisa de todos que fazem parte da escola
Fonte: Pixabay
Desse modo, Lück defende que: 
A gestão democrática pressupõe a mobilização e 
organização das pessoas para atuar coletivamente na 
promoção de objetivos educacionais, o trabalho dos 
diretores escolares se assenta sobre sua competência 
de liderança, que se expressa em sua capacidade de 
influenciar a atuação de pessoas (professores, funcionários, 
alunos, pais, outros) para a efetivação desses objetivos e o 
seu envolvimento na realização das ações educacionais 
necessárias para sua realização. (LÜCK, 2009, p. 75)
Gestão Educacional
38
Para que haja eficácia da gestão escolar, o gestor precisa de 
sua equipe para dar conta da qualidade pedagógica, do currículo, da 
capacitação de professores, entre outros. Em um modelo de gestão 
democrática, o gestor precisa, e muito, do trabalho coletivo de todos que 
fazem parte da escola pública (LÜCK, 2009). 
Dentro desse trabalho democrático, o gestor deve conscientizar os 
participantes sobre a responsabilidade de cada um, pois esse modelo de 
gestão é proposto para a escola pública. Para que a gestão escolar aconteça 
de forma democrática, mecanismos de autonomia da escola devem ser 
desenvolvidos, como o financiamento das escolas; a participação da escolha 
de seus dirigentes escolares; a garantia e meios para a criação de órgãos 
colegiados; a construção democrática do Projeto Político-Pedagógico; e a 
participação da comunidade interna e externa à escola. 
A gestão democrática, sendo colocada em prática escola pública, 
serve também para conscientizar o cidadão para a sua emancipação. De 
acordo com o Ministério da Educação, na publicação Gestão democrática 
nos sistemas e na escola, quatro pontos são necessários para a efetivação 
desse modelo de gestão, são eles: 
a. participação - é quando os projetos são construídos pela 
mediação da coletividade, oferecendo a todos os participantes a 
oportunidade de desenvolver de forma conjunta ações que visam 
à melhoria da educação;
b. pluralismo - quando há o reconhecimento da presença das 
diversidades e dos diferentes interesses daqueles que fazem 
parte da escola;
c. autonomia - é a descentralização do poder, onde a escola pode 
se adequar às reais necessidades da comunidade na qual se 
encontra inserida, onde o seu Projeto Político Pedagógico – PPP 
- é construído de forma coletiva, visando à emancipação e à 
transformação social;
d. transparência - é o retrato da dimensão política da escola, 
mostrando que esta é um espaço público que se encontra aberto 
à diversidade e às opiniões daqueles que participam da estrutura 
da escola. (BRASIL, 2007, on-line)
Gestão Educacional
39
Trabalhar com o modelo de gestão escolar democrática se 
torna, dentro da escola, uma decisão política, porque suas ações 
implicam entender a visão dos que fazem parte direta e indiretamente 
dessa escola, como: pais, alunos, professores, funcionários e a própria 
comunidade interna e externa à escola. É uma ação política, porque 
envolve diretamente a tomada de decisões e, para isso acontecer, deve 
haver participação, trabalho coletivo e união na hora de gerir e organizar a 
escola, sem hierarquização de poderes. 
ACESSE:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura 
do artigo “A gestão democrática e a participação dos 
educadores na elaboração do projeto político-pedagógico 
de escolas públicas no Brasil”, de Pauleany Simões de 
Morais et al., disponível aqui.
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que, com a implementação da gestão democrática nas 
escolas a partir da década de 1990, por meio da LDBEN, 
a gestão nas escolas passou a ser descentralizada. Assim, 
começou-se a implementar a divisão das tomadas de 
decisões na escola, que deixaram de ser somente do 
gestor e passaram a ser responsabilidade de todos que 
representam a escola. Por meio de reuniões, agora é 
possível emitir opiniões e debater, com diálogo, possíveis 
soluções em prol de melhorias para a escola. A gestão 
democrática por meio da participação ativa, do pluralismo, 
da autonomia e da transparência, começa a fazer com que 
as pessoas se sintam parte da escola. 
Gestão Educacional
http://www.anpae.org.br/iberoamericano2012/Trabalhos/PauleanySimoesDeMorais_res_int_GT4.pdf
40
A Gestão Democrática na Escola Pública
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo, você será capaz de 
compreender como ocorre, de fato, a gestão democrática 
na escola pública. E, então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então, vamos lá. Avante!.
A gestão na escola pública deve atuar de forma democrática, 
sempre trilhando na busca da qualidade de ensino, que “é, portanto, 
qualidade cognitiva e operativa das aprendizagens escolares em 
contextos concretos” (LIBÂNEO, 2007, p. 26). 
Nesse sentido, nas práticas educativas são respondidas as cobranças 
da sociedade, como o objetivo colaborar com o desenvolvimento dos 
alunos. Essa mesma gestão tem o intuito de melhorar a qualidade do 
ensino e aprendizagem. O segmento de cada comunidade escolar deve 
trabalhar junto ao gestor, sabendo aonde querem chegar em relação aos 
alunos, pois a educação se torna um ato político. Este deve ter como fruto 
as tomadas de decisões. Por isso, afirma-se que a gestão da escola deve 
funcionar de forma política, pois o ato político:
Exige um posicionar-se diante das alternativas. A gestão 
escolar não é neutra, pois todas as ações desenvolvidas 
na escola envolvem atores e tomadas de decisões. Nesse 
sentido, ações simples, como a limpeza e a conservação 
do prédio escolar, até ações mais complexas, como 
as definições pedagógicas, o trato com situações de 
violência, entre outras, indica uma determinada lógica 
e horizonte de gestão, pois são ações que expressam 
interesses, princípios e compromissos que permeiam as 
escolhas e os rumos tomados pela escola. (OLIVEIRA et 
al., 2009, p. 7)
Gestão Educacional
41
Dourado e Oliveira (2009) explicam que, para que haja efetivação 
desse processo, é de suma importância que a escola organize o trabalho 
escolar com: 
Planejamento, monitoramento e avaliação dos programas 
e projetos; organização do trabalho escolar compatível 
com os objetivos educativos estabelecidos pela 
instituição, tendo em vista a garantia da aprendizagem 
dos alunos; mecanismos adequados de informação e 
de comunicação entre todos os segmentos da escola; 
gestão democrático participativa, incluindo condições 
administrativas, financeiras e pedagógicas; mecanismos 
de integração e de participação dos diferentes grupos e 
pessoas nas atividades e espaços escolares. (DOURADO; 
OLIVEIRA, 2009, p. 209)
O trabalho da gestão democrática tem a função de acompanhar 
o processo de ensino-aprendizagem que ocorre na escola. Também 
deve abrir espaços para que as pessoas possam participar ativamente 
das decisões da escola, e o gestor deve estar capacitado para lidar com 
diversas formas de pensar, colaborando para que sua equipe alcance a 
qualidade do ensino.
Para Dourado e Oliveira (2009), o gestor escolar, por intermédio de 
sua competência, deve garantir um:
Projeto pedagógico coletivo da escola que contemple os 
fins sociais e pedagógicos da escola, a atuação e autonomia 
escolar, as atividades pedagógicas e curriculares, os 
tempos e espaços de formação; disponibilidade de 
docentes na escola para todas as atividades curriculares; 
definição de programas curriculares relevantes aos 
diferentes níveis, ciclos e etapas do processo de 
aprendizagem; métodos pedagógicos apropriados ao 
desenvolvimento dos conteúdos; processos avaliativos 
voltados para a identificação, monitoramento e solução dos 
problemas de aprendizagem e para o desenvolvimento da 
instituiçãoescolar; tecnologias educacionais e recursos 
pedagógicos apropriados ao processo de aprendizagem; 
planejamento e gestão coletiva do trabalho pedagógico; 
jornada escolar ampliada ou integrada, visando a garantia 
de espaços e tempos apropriados às atividades educativas; 
mecanismos de participação do aluno na escola; valoração 
adequada dos usuários no tocante aos serviços prestados 
pela escola. (DOURADO; OLIVEIRA, 2009, p. 209)
Gestão Educacional
42
A partir dessa realidade, o gestor deve garantir que os diversos 
segmentos da escola participem de forma ativa, como os docentes, 
alunos, funcionários, gestores, pais e comunidade extra e interescolar, na 
construção do Projeto Político-Pedagógico. 
Esse planejamento maior, que visa à construção do PPP, deve 
fornecer condições, espaços e escolha de tempo, com o intuito de que 
seus participantes tenham a formação e os conhecimentos necessários 
para colocar em prática o que lhes for proposto para ação e execução de 
forma efetiva. 
A direção deve dividir responsabilidades, auxiliar o Conselho de 
Classe a dividir as tomadas de decisões com todos no contexto escolar. 
Por isso, compreende-se que a gestão que trabalha ainda de forma 
tradicional, na qual o gestor é autoritário e não compartilha as tomadas de 
decisões com a comunidade escolar, começa a enfrentar dificuldades e 
assim não atinge os objetivos que a comunidade escolar almeja.
EXPLICANDO MELHOR:
O gestor é o líder de uma instituição escolar e deve 
trabalhar com a equipe de funcionários da escola. Essa 
equipe é constituída pelo pessoal da cozinha, da limpeza, 
da merenda escolar, dos serviços da secretaria, pelo diretor 
e vice-diretores, coordenação pedagógica e orientação. 
O Conselho Escolar caracteriza-se, então, como órgão de 
representação da comunidade escolar e, desse modo, zela para que 
se mantenha a cultura de participação. É considerado um espaço que 
constitui um aprendizado político, democrático e de formação político-
-pedagógica. Ele está apto a participar ativamente da construção do 
Projeto Político-Pedagógico. 
O Conselho Escolar deve buscar formas de incentivar a participação 
de todos os segmentos envolvidos no processo educativo da escola e 
isso implica se organizar para a construção de outros documentos da 
escola (MARQUES, 2007, p. 22).
Gestão Educacional
43
O Regimento Escolar é um documento da escola que deve ser 
elaborado e acompanhado pelas pessoas que compõe o Conselho 
Escolar. Os respectivos membros do Conselho Escolar devem agir da 
mesma forma na elaboração e acompanhamento da execução do Projeto 
Político-Pedagógico, ou seja, deve acompanhar e fiscalizar tanto a gestão 
pedagógica quanto a financeira. 
Figura 11 – Discussão saudável
Fonte: Pixabay
O Conselho Escolar também tem a função de planejar e aprovar 
o Plano Anual da escola. Seus membros devem acompanhar o 
desenvolvimento dos indicadores educacionais, como o da aprendizagem 
dos alunos, evasão, aprovação, reprovação, entre outros detalhes que 
envolvem o lado pedagógico. 
O Conselho Escolar pode levantar informações, junto aos 
seus componentes, com a finalidade de disseminar informações e 
conhecimentos que contribuam para melhorias na escola. 
Gestão Educacional
44
IMPORTANTE:
Nesse percurso, é primordial que um gestor democrático 
crie um ambiente agradável para seus componentes 
falarem abertamente, e que não fique mais criando 
barreiras para atuação do Conselho Escolar, mas facilitando 
o diálogo, toda vez que for preciso, para a realização de 
uma plenária. 
Portanto, a democratização adequada ao Conselho Escolar permite 
aos seus membros se reunir para discutir questões em relação a assuntos 
como: conteúdo curricular, informações novas ou não, as experiências 
dos colegas. 
A gestão democrática deve entender que a participação e a 
democracia ajudam a melhorar as ações que envolvem o processo 
de ensino-aprendizagem nas escolas. Mas, os diversos segmentos 
escolares também devem cuidar para percorrer um caminho em que essa 
preparação ao exercício da democracia e cidadania não fique no papel. 
Figura 12 – Participação
Fonte: Pixabay
Por isso, ainda há muito a se fazer para conscientizar todos os 
membros da comunidade escolar: pais, professores, alunos, gestores, 
funcionários, comunidade, entre outros, no sentido da importância de sua 
participação no debate. 
Gestão Educacional
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Outra medida é a busca pela qualidade do ensino, que deve advir 
da democratização do espaço da sala de aula, por meio de conteúdos 
e métodos. O aluno deve fazer parte do processo de aprendizagem de 
forma ativa, crítica e reflexiva. 
A escola deve proporcionar um ambiente para a comunidade 
trocar dados e conhecimentos na busca de solucionar as problemáticas 
escolares, promovendo, assim, a integração. Ela também deve atender 
aos interesses da maioria, agindo por votação. Na busca de garantir um 
espaço democrático, com formação ampla discente e zelo para formar o 
aluno de modo integral, os professores devem agir de forma consciente, 
crítica e reflexiva, apoiando os alunos como sujeito sociocultural.
Figura 13 – Formar alunos solidários, críticos, éticos e participativo
 
Fonte: Pixabay 
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A escola democrática pública tem a função social de formar o 
aluno para a vida, para saber exercer a sua cidadania. Para isso, é preciso 
proporcionar a construção de conhecimentos, valores que formem um 
ser humano pronto para atuar em sociedade, permitindo-lhe ser solidário, 
crítico, ético e participativo na sua vida em geral. 
A escola, ao organizar os Conselhos Escolares, democraticamente 
irá agir de forma organizada em busca da participação de todos da 
comunidade escolar, respeitando os seus direitos e deveres. Para tanto, 
nesse percurso, é preciso ter cuidado para que os representantes da 
comunidade escolar possam expressar seus diferentes pontos de vista, 
além de impedir que, implicitamente, esses representantes ajam de forma 
a apenas servir de instrumento para legitimar a voz da direção. 
Por isso, esse cuidado deve se iniciar na origem, no momento da 
escolha de quem vai fazer parte dos conselhos, pois estes precisam 
representar, de fato, a diversidade, a pluralidade de que faz parte da 
comunidade escolar. Antunes esclarece que os conselhos sabem dos 
problemas da gestão escolar e estes serão discutidos e as reclamações 
educativas serão 
Analisadas para, se for o caso, dependendo dos 
encaminhamentos e da votação em plenária, - ser aprovadas 
e remetidas para o corpo diretivo da escola, instância 
executiva, que se encarrega de pôr em prática, as decisões 
ou sugestões do Conselho de Escola. (ANTUNES, 2002, p. 23) 
Figura 14 – Votação
Fonte: Pixabay
Gestão Educacional
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Sobre a participação dos pais na escola, Libâneo (2004, p. 114) 
destaca que “a escola não pode ser mais uma instituição isolada em 
si mesma, separada da realidade circundante, mas integrada numa 
comunidade que interage com a vida social ampla”. Por isso, deve 
conquistar a representação dos pais no Conselho de Escola. 
A atuação dos diversos segmentos da comunidade escolar deve 
acontecer de forma que esse cidadão brasileiro se expresse por meio de 
relação saudável, aberta para críticas, diálogos e defesa de ponto de vista, 
dos argumentos de cada um. 
Navarro et al. (2004) nos explicam que é por meio dos conselhos 
que a escola se une para atuar de forma democrática, deliberando, 
assim, sobre questões particularizadas que devem envolver também o 
pedagógico, o administrativo e o financeiro. Por isso, devem acontecer 
aqui participação, debates, propostas e tomada de decisões, que só deve 
ocorrer após muitas reivindicações das necessidades educacionais. 
O debate, portanto, deve ser fomentado por uma cultura que resgate 
nas escolas a democracia, a participação, a cidadania, em substituição à 
cultura patrimonialista. Desse modo, devemos entender que oConselho 
Escolar nas escolas públicas deve atuar como o sustentáculo de Projetos 
Políticos-Pedagógicos.
Paro (2004, p. 12) destaca que esse percurso é o que vai tratar a 
escola como democrática, superando, assim, as práticas burocráticas, 
que passam a ser vistas como desafios a superar.
Fundamentado o Projeto Político-Pedagógico nessas considerações, 
a escola só poderá desempenhar um papel transformador ao organizar-
se para atender aos seus interesses. Daí temos a aprendizagem coletiva, 
condição mister para agir democraticamente, visando a construir, 
efetivamente, uma educação de qualidade social.
Gestão Educacional
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ACESSE:
Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos a leitura 
do artigo “Gestão democrática da escola pública: desafios 
e perspectiva”, de Débora Quetti Marques de Souza, 
disponível aqui. 
RESUMINDO:
E, então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que, na gestão democrática, o gestor deve ser um líder que 
compartilha as tomadas de decisões com as pessoas que 
fazem parte do contexto escolar. Essa gestão visa a atuar 
de maneira democrática, com a participação ativa dos 
membros, do diálogo, da escuta e da opinião de todos, na 
busca de melhorias na qualidade de ensino. A sociedade 
deve cobrar essas melhorias com o intuito de colaborar 
com o desenvolvimento dos alunos. A gestão da escola 
deve funcionar de forma política e o trabalho da gestão 
democrática tem a função de acompanhar o processo de 
ensino-aprendizagem. O gestor deve ter em mente que 
trabalhar com a gestão democrática só tende a fortalecer 
a escola, e não que irá tirar sua autoridade nas tomadas 
de decisões. Pelo contrário, a gestão democrática é um 
espaço para que todos os envolvidos no processo escolar 
possam participar ativamente na divisão das tomadas de 
decisões, e o gestor devidamente capacitado, conhecedor 
das leis, deve dialogar, escutar, abrir espaços para opiniões 
e junto com a comunidade escolar lutar por melhorias na 
qualidade de ensino.
Gestão Educacional
https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2008/328_174.pdf
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