A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
112 pág.
Praticas_ 2011_fundamentos ciencia solo

Pré-visualização | Página 10 de 17

risco de 
contaminação do lençol freático se receber a aplicação de dejetos líquido de suínos? Por 
quê? 
11 – Qual desses solos apresenta maior potencial para uso agrícola e florestal? Por quê? 
59 
 
PRÁTICA 8 – PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO: TEXTURA E ARGILA 
DISPERSA EM ÁGUA 
 
 A textura do solo é determinada pelo tamanho das partículas que compõe a 
fração sólida mineral do solo. A fração sólida do solo é dividida em três frações 
granulométricas, de acordo com o seu tamanho: areia (2 a 0,05 mm), silte (0,05 a 0,002 
mm) e argila (menor que 0,002 mm) (Figura 1a). É uma característica pedogenética que 
pode variar de um solo para o outro e também entre os horizontes do mesmo solo. Essa 
característica é afetada pelo material de origem e pelo grau de intemperismo que o solo 
apresenta. O quartzo é mineral dominante na fração areia e nas frações mais grosseiras 
de silte. Silicatos primários como o feldspato, hornblenda e mica estão presentes na 
areia e em menores quantidades na fração silte. Minerais secundários, como óxidos de 
ferro e alumínio, caulinita, vermiculita, montmorilonita são predominantes na fração 
silte de menor diâmetro e na fração argila (Figura 1b). 
 
 
 
Figura 1- Distribuição das partículas sólidas minerais do solo pelo tamanho (a) e 
composição mineralógica predominante em cada fração (b). 
 
A textura apresenta uma grande variabilidade espacial e pequena variação 
temporal. A escala de medida utilizada na grande maioria dos laboratórios de física do 
solo é apresentada na figura 2. A fração areia pode ser subdividida em cinco outras 
classes e as frações maiores que 2 mm são classificadas em cascalho ( 2 a 20 mm), 
calhaus (20 a 200 mm) e matacão (> 200 mm). 
a) b) 
60 
 
 
 
Figura 2- Escala de distribuição das partículas minerais do solo pelo tamanho 
(Departamento de agricultura dos EUA). 
 
A textura é uma característica utilizada na classificação dos solos e afeta outras 
propriedades e processos dinâmicos do solo e vem sendo utilizada pelo ministério da 
agricultura na definição do zoneamento agrícola de riscos climáticos. As principais 
propriedades e processos físicos afetados pela textura são: a densidade do solo, a 
porosidade, retenção de água, aeração, infiltração e retenção de água, consistência, 
suscetibilidade á compactação, suscetibilidade a erosão. Na tabela 1 é apresentada a 
influência da granulometria em algumas propriedades e no comportamento do solo. 
 
Tabela 1- Efeitos da granulometria nas propriedades e no comportamento do solo. 
Propriedade/ comportamento 
do solo 
Areia Silte Argila 
Capacidade de retenção de água Baixa Média a alta Alta 
Aeração Boa Média Pobre 
Taxa de drenagem Alta Lenta a média Muito lenta 
Teor de matéria orgânica do solo Baixo Médio a alto Médio a alto 
Decomposição da matéria orgânica Rápida Média Lenta 
Suscetibilidade a compactação Baixa Média Alta 
Suscetibilidade a erosão Moderada Alta Baixa 
Potencial de expansão e contração Muito baixo Baixo Moderado a alto 
Adequabilidade para a construção 
de represas e aterros 
Baixa Baixa Alta 
Capacidade de cultivo após chuva Boa Média Baixa 
Potencial de lixiviação de poluentes Alto Médio Baixo 
Capacidade de armazenamento de 
nutrientes 
Baixa Média a alta Alta 
Resistência a mudança de pH Baixa Média Alta 
*Exceções a estas generalizações ocorrem, devido à variação na composição mineralógica e grau de 
estruturação do solo. 
 
 
 
61 
 
1- Análise granulométrica pelo método de Vettori. 
 
Objetivo 
Determinar os teores de areia, silte e argila das amostras coletadas nos 
horizontes do perfil descrito em aula. 
 
Materiais 
Água destilada 
Pipeta de 10 ml 
1 Peneira de 279 mesh 
1 bisnaga com água 
1 funil grande 
Latas 
1 mangueira (sifão) 
1 Balança de precisão 
1 agitador elétrico 
1 agitador manual 
1 densímetro 
1 termômetro 
Estufa a 105°C 
Proveta de 1L 
2 Becker de 300 ml 
Proveta de 250 ml 
 
Procedimento 
 
a) Preparo das amostras de solo: 
 As amostras de solo coletadas a campo devem ser inicialmente secar ao ar e 
posteriormente destorroadas e passadas por uma peneira com malha de 2 mm. O 
destorroamento deve ser feito com um rolo de madeira e sobre uma superfície de 
borracha, para evitar a quebra das partículas mais grosseiras, o que acarretaria em erros 
na avaliação. A fração de solo que passa pela peneira de 2 mm é chamada de ―terra fina 
seca ao ar‖ (TFSA). 
62 
 
 
b) Análise : 
1-Pesar 50 g de TFSA e colocar no copo do agitador, adicionar 230 ml de água 
destilada e 10 ml de NaOH 6%. 
2- Agitar por 15 minutos no agitador elétrico e transferir a suspensão para uma 
proveta de 1000 ml, passando por peneira 0,053 mm. 
3- Lavar o material retido na peneira para dentro da proveta, utilizando frasco 
lavador contendo água destilada até completar o volume da proveta. 
4- Com agitador manual homogeneizar o conteúdo da proveta por mais ou 
menos 1 minuto (tempo zero). 
5- Após 90 minutos, sifonar para becker de 250 ml os 200 ml da parte superior 
da suspensão. Medir e registrar a temperatura (TSAT) e transferir para proveta de 250 
ml. Inserir o hidrômetro e registrar a leitura da argila, procurando fazer com uma 
aproximação de ¼ de divisão (DSAT). 
6- Preparar uma prova em branco, colocando 10 ml de NaOH 6% em uma 
proveta de 1000 ml e completar o volume com água destilada. Agitar manualmente por 
1 minuto, após 90 minutos sifonar para becker de 250 ml os 200 ml superior de solução 
e medir a temperatura (TPBAT), transferir para proveta de 250 ml e fazer a leitura com 
hidrômetro (DPBAT). 
7- Transferir as areias que ficaram retidas na peneira para lata previamente 
pesada, usando frasco lavador e colocar a lata na estufa. Após secar (24 hs), resfriar e 
pesar (PAT). 
 
c) Tempo de sedimentação das partículas: 
O tempo necessário para a sedimentação das partículas é definido pela Lei de 
Stokes. De acordo com a Lei de Stokes, a velocidade com que uma partícula esférica 
sedimenta sob influência da gravidade em um fluído de uma dada densidade e 
viscosidade é proporcional ao quadrado do raio da partícula. Uma partícula descendo 
em um vácuo não encontrará resistência, pois estará acelerada pela gravidade, e assim, 
sua velocidade aumentará com sua queda. Por outro lado, uma partícula caindo em um 
fluído, encontrará uma resistência proporcional ao produto de seu raio e velocidade, e 
viscosidade do fluído. Essa força de resistência foi demonstrada por George Stokes em 
63 
 
1851. A partir da Lei de Stokes, pode-se obter o tempo (t) necessário para uma partícula 
descer a uma determinada distância vertical (h): 
)(
18
2
fsgd
h
t




 
Onde: 
t = tempo necessário para uma partícula descer a uma determinada distância ; 
 h = distância vertical; 
 = viscosidade do fluído; 
d = diâmetro da partícula; 
g = aceleração da gravidade; 
 s = densidade da partícula; 
f = densidade do fluído. 
 
A partir dessa equação, obtém-se o tempo de sedimentação do silte em uma 
suspensão aquosa, para uma profundidade de 5 cm, a diversas temperaturas. 
 
d) Fator de correção da umidade (f): 
A amostra de solo utilizada para a analise granulométrica é seca ao ar, dessa 
forma, ainda fica um residual de umidade que deverá ser descontado para os cálculos. 
Para fazer essa correção é feito o seguinte procedimento: 
- pesar cerca de 20 g de TFSA. Registrar o peso exato. 
- Colocar a amostra em estufa (105°C) por 24-48 hs. 
- Resfriar a amostra em dessecador e pesar. 
- Calcular o ―f‖ pela fórmula: 
 







TFSE
TFSA
f
 
 e) Determinação dos teores de areia, silte e argila: 
 
% de areia = PAT x 2 x f 
 
% de silte = 100 – (% de areia - % de argila) 
 
64 
 
% de argila = duas condições 
1) se TSAT = TPBAT então: % de argila = (DSAT – DPBAT) x 2 x f 
2) se TSAT ≠ TPBAT então há necessidade de correção