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APOSTILA HEMATOLOGIA CLÍNICA

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SEXTO PERÍODO
Clínica Médica II
Hematologia
___
Nicolas Martins 2025.1
1
SUMÁRIO
ANEMIAS - DIAGNOSTICO DIFERENCIAL DAS ANEMIAS 3
HEMOGLOBINOPATIAS - DOENÇAS FALCIFORME E TALASSEMIAS 18
PANCITOPENIA 29
DOENÇAS LINFOPROLIFERATIVAS - LINFOMAS 40
LEUCEMIA E LEUCOCITOSES 56
DOENÇAS MIELOPROLIFERATIVAS 70
MIELOMA MÚLTIPLO 83
HEMOSTASIA E ABORDAGEM AO PACIENTE HEMORRÁGICO 90
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ANEMIAS - DIAGNOSTICO DIFERENCIAL DAS ANEMIAS
A importância da anemia é a sua prevalência no mundo, a anemia é muito prevalente no sexo feminio e na
idade pré-escolar. É importante entender que a anemia para o médico é diferente da anemia para a
população leiga. É muito comum que ao ouvir o termo anemia uma pessoa leiga pensar que a solução é
comer mais couve, espinafre, brócolis, beterraba e tomar vitamina C, ou seja, associam a anemia a um
problema alimentar quando na realidade anemia possui uma certa variabilidade em sua definição
Antes de iniciar qualquer terapêutica ou orientação de tratamento, devemos chegar a um diagnóstico e é
esse raciocínio diagnóstico que é extremamente importante na nossa prática diária
DEFINIÇÃO Do mesmo modo que o leigo define anemia de um modo diferente, dentro da prática
médica a anemia pode ser definida de diferentes maneira, como por exemplo:
● Anemia
- Sinal clínico ( Manifestações clínicas de palidez palmar, cutâneo mucosa )
- Parâmetro laboratorial ( Paciente com hemoglobina e hematócrito
abaixo do normal não tendo necessariamente manifestação clínica )
● Síndrome anêmica: Conjunto de manifestações clínicas como palidez
cutâneo-mucosa, dispneia aos esforços, taquicardia, taquidispneia, sonolência, ou
seja, sintomas associados à má oxigenação tecidual. Cada tipo de anemia pode
possuir um sintoma específico associado a síndrome anêmica
Independente de uma apresentação laboratorial é uma síndrome anêmica, o mais
importante é definir o diagnóstico etiológico dessa anemia
ANAMNESE ● Início dos sintomas = Agudo X Crônico
● Episódios anteriores? Qual foi a duração, recorrente ou se passou por tratamento
● História familiar, raça e etnia = Existem anemias que possuem uma prevalência
étnica aumentada é importante avaliar Icterícia, esplenomegalia, cálculos biliares.
● Histórico de nascimento = Prematuridade, intercorrências do parto, DHRN
● Alimentação = Aleitamento materno, Vegano, Vegetariano, perversão do apetite
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● Hemólise? = Icterícia: cor da esclera e urina
● Perda sanguínea? Cor das fezes? Sangue vivo? Verminoses? Perda menstrual?
● Outras doenças? Anemia de doença crônica, por exemplo, a anemia do paciente
lúpico ou a anemia associada a neoplasias
Os exames laboratoriais devemos considerar:
A definição pela OMS é definida pelo níveis séricos de hemoglobina, sendo o valor de
hematócrito e outros parâmetros de glóbulos vermelhos considerados um valor
secundário. Os valores normais da Hb são:
● Mulheres: 12 g/Dl
● Homens: 13 g/Dl
É importante saber que cada
laboratório pode definir seu
valor de referência mas
devemos seguir o valor
definido pela OMS e pelas
guidelines
O valor pode ser variável em certas situações. Mulheres em gestação possuem anemia
dilucional devido ao aumento da retenção de líquido e diluição das hemácias ( anemia
dilucional ) e por isso é definido que para mulheres grávidas o VR: 11 g/Dl. Crianças
também apresentam valores de referência distintos.
REGULAÇÃO
DA
ERITROPOIESE
( FISIOLOGIA)
As anemias apresentam
inúmeras etiologias e para ajudar
na construção do raciocínio
clínico é importante entender o
mecanismo da eritropoiese
A deficiência da produção de
glóbulos vermelhos, a anemia, é
dependente de diversos fatores.
Os glóbulos vermelhos
produzidos na medula óssea
dependem de substrato como
ferro, B12 e ácido fólico mas
além dessas substâncias
precisamos de um metabolismo normal e um estímulo para a produção que é feito pela
eritropoetina, produzida pelos rins, de acordo com a “percepção” desse órgão em relação
aos níveis de O2 sanguíneo.
Então o ciclo é regulado basicamente por um ciclo biológico onde o rim interpreta os
baixos níveis de O2 como uma hipoxemia local produzindo mais eritropoetina para que a
medula seja estimulada e produza mais células vermelhas a partir dos substratos, B12
Cobre, ferro e ácido fólico.
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Portanto doenças dos rins, da medula óssea, baixos níveis de substratos e outras causas
podem interferir nesse ciclo gerando um quadro de anemia. Outra coisa importante é
entender que uma hemácia possui um tempo de vida de 120 dias sendo eliminadas pelo
baço ao fim do seu ciclo de vida, ou seja, na circulação possuímos um conjunto de
glóbulos vermelhos mais jovens ou mais velhos.
Portanto deve existir um equilíbrio entre a eritropoiese e a destruição ou perda das
hemoglobinas, nosso raciocínio deve ser que quando um paciente está com anemia ou
está tendo problema na produção/eritropoiese ou está ocorrendo uma grande perda ou
destruição das hemácias ambos levando a anemia.
● Problemas na eritropoese = Anemias carenciais, deficiência da medula, falta de
eritropoetina como é o caso de pacientes com insuficiência renal
● Problemas de perda ou destruição = Sangramentos ou hemólise
AVALIAÇÃO
LABORATORIAL
● Diagnóstico - O DIAGNÓSTICO É SEMPRE POR DEFINIÇÃO LABORATORIAL
- Hemograma = < 12 g/Dl ( Mulher ) < 13 g/Dl ( Homem )
● Investigação inicial
- Hemograma vai apresentar padrões característicos de cada anemia
- Avaliação morfológica do sangue periférico onde observamos a
morfologia das hemácias para tentar definir a etiologia
- Contagem de reticulócitos que são hemácias recém-lançada na medula
óssea para o sangue periférico, ou seja, quantifica o quanto a medula
óssea liberou de hemácias para o sangue periférico nas últimas 24-48
horas
CLASSIFICAÇÃO
DAS
ANEMIAS
Podemos classificar a partir de:
● CRITÉRIO MORFOLÓGICO ( Hemograma ) = Avalia o tamanho e concentração
de hemoglobina que o paciente tem:
- Normocítica / Normocrômica = Volume normal / cor normal
- Microcítica / Hipocrômica = Volume diminuido / cor diminuida ( palida )
- Macrocítica = Volume aumentado
● CRITÉRIO FISIOLÓGICO ( Reticulócitos ) = Se a medula está produzindo
muitas hemácias ou não
- Hipoproliferativa ( Reticulócitos baixo ) = Poucas hemácias jovens nos
dizem que a medula não está produzindo de forma adequada.
Normalmente acontecem em anemias carenciais ou anemias por doença
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da medula ( leucemia, aplasia da medula, fibrose…. )
- Hiperproliferativa ( Reticulócitos elevados ) = Acontece em anemias por
perda, como por exemplo, o paciente possui um sangramento e com isso a
medula produz mais para compensar a perda. Anemia associada à
hemólise ou a perda temos uma anemia hiperproliferativa.
HEMOGRAMA Os índices hematimétricos ajudam muito na
avaliação da etiologia da anemia
Série vermelha:
⇒ Quantidade de hemácias
⇒ Padrão de Hb ( Quantidade de proteína
no sangue )
⇒ Valor de hematócrito em % ( Hematócrito
é o percentual de glóbulos vermelhos em
todo o volume sanguíneo sofrendo
interferências em caso de desidratação e em
outras condições. Por isso a OMS define a anemia como a diminuição dos níveis de
hemoglobina. Por exemplo, paciente desidratado é hemoconcentrado disfarçando a
anemia, ao hidrata-lo acaba se percebendo a anemia )
● VCM ( Volume corpuscular médio )
- Alto = Macrocíticas
- Baixo = Microcítico
- Normal = normocítica
● HCM ( Hemoglobina corpuscular médio
● CHCM ( Concentração de hemoglobina corpuscular médio )
- Normocrômica
- Hipocrômica
- Hipercromica
Ambos HCM e CHCM avaliam a densidade média, a cromia
● RDW ( Red cell distribution width )
- Índice de anisocitose - Variabilidade do tamanho das hemácias
Critério fisiológico
● Contagem de reticulócitos ( Vem separado do Hemograma )
- Células vermelhas jovens
- Presença residual de RNA
- Indicador de atividade de MO
- Elevado: eritropoese ativa
- Diminuído: Redução da eritropoiese
- Valor normal: 0,5 a 1,5% ( Em torno de 1%)
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ATENÇÃO!!!!!
Podemos agrupar todas as classificações para definir o tipo de anemia. Esse quadro
abaixo é IMPORTANTÍSSIMO!

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