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Hipertireoidismo

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Metimazol possui longa duração (até 24 horas ou mais), o que torna possível sua administração
em dose única diária. Possibilita a obtenção do eutireoidismo de modo mais frequente e mais
rápido, além de ser mais bem tolerado e causar menos hepatotoxicidade que o Propilitouracil.
→ O mecanismo de ação principal desses fármacos é a inibição da síntese de tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3) dentro
das células foliculares. Seu efeito terapêutico pleno é mais bem observado após cerca de 10 a 15 dias.
→ As tionamidas também exercem efeitos imunossupressores que podem resultar de ação direta do fármaco ou
indiretamente, em função da diminuição na secreção hormonal.
Dose:
A dose inicial deve ser de 10 a 30 mg/dia de MMI (em dose única), ou 100 mg/dia de PTU 3 vezes/dia,
na dependência da gravidade do hipertireoidismo.
Dose baseada no grau de elevação de T4 livre (FT4):
- 5 a 10 mg/dia: FT4 estiver 1 a 1,5 vez o limite superior da normalidade.
- 10 a 20 mg/dia: FT4 entre 1,5 e 2 × o limite superior da normalidade.
- 30 a 40 mg/dia, se FT4 2 a 3 × o limite superior da normalidade.
Após o início do tratamento, os pacientes devem ser avaliados a cada 4 a 6 semanas. Depois de
alcançado o eutireoidismo, a dose da tionamida deve ser reduzida gradualmente até que se obtenha
a menor dose que mantenha os pacientes eutireoideos.
Duração do tratamento:
- Adultos: 12 a 18 meses para adultos. Caso os títulos de TRAb estejam elevados ao resolver
interromper o tratamento, recomenda-se manter o MMI por mais 12 meses ou submeter o paciente
a um tratamento definitivo (cirurgia ou radioiodo).
- Crianças: duração de pelo menos 24 meses, devido ao maior risco de recidivas neste grupo etário.
Alguns estudos sugerem administrar MMI nesses pacientes por 3 a 6 anos, se bem tolerado.
● Betabloqueadores:
Indicação principal: pacientes idosos com tireotoxicose sintomática e outros pacientes tireotóxicos
com frequência cardíaca de repouso maior que 90 bpm ou doença cardiovascular coexistente.
→ Em doses elevadas, também causam modesta redução nos níveis de T3 sérico, bloqueando a conversão periférica de T4
em T3.
Propranolol (40 a 120 mg/dia, em duas a três doses) é a opção mais utilizada.
● Iodo radioativo:
O iodo radioativo, ou radioiodo (131I) tem como objetivo controlar o hipertireoidismo, tornando o
paciente hipotireoideo. É facilmente administrado por via oral, em solução ou cápsulas, e tem baixo
custo. Pode ser empregado como terapia inicial ou como terapia definitiva de segunda linha, nos
casos de recidiva após o uso das DAT.
OBS: Em alguns poucos casos, a RAI pode precipitar ou piorar a doença ocular tireoidiana em um
pequeno percentual de pacientes. Essa complicação pode ser prevenida pela terapia profilática com
glicocorticóides, que deve ser feita em: (1) indivíduos fumantes, (2) presença de oftalmopatia ativa
(mesmo se leve a moderada) e (3) hipertireoidismo grave e (4) TRAb > 8,8 U/ℓ. Além disso, para
esses casos, antes da administração de RAI, sempre que possível, deve-se conseguir o
eutireoidismo com as tionamidas.
→ A radioiodoterapia não é recomendável para os casos de DG grave em que há ameaça à visão.
● Tireoidectomia:
A cirurgia está indicada nas seguintes situações: (1) bócios muito volumosos (> 150 g), (2)
existência de sintomas compressivos locais ou nódulos com suspeita de malignidade após PAAF e
(3) opção do paciente.
As vantagens são a rápida normalização de T3 e T4 e maior efetividade nos casos com sintomas
compressivos. As desvantagens são o custo, a necessidade de hospitalização, o risco anestésico e as
complicações inerentes ao ato cirúrgico em si (hipoparatireoidismo, lesões do nervo recorrente
laríngeo, sangramento, infecção e hipotireoidismo).
O procedimento de escolha é a tireoidectomia total (TT) que propicia taxa de cura em torno de
100% para hipertireoidismo da DG.
REFERENCIAS:
Endocrinologia clínica / editor responsável Lucio Vilar ; editores-associados Claudio E. Kater ... [et
al.]. - 7. ed. - [Reimpr.] - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2022.
Kahaly GJ, Bartalena L, Hegedüs L, Leenhardt L, Poppe K, Pearce SH. Diretriz da European Thyroid
Association de 2018 para o tratamento do hipertireoidismo de Graves. Eur Tireóide J.
2018;7(4):167-186. doi:10.1159/000490384
Kravets I. Hyperthyroidism: Diagnosis and Treatment. Am Fam Physician. 2016 Mar 1;93(5):363-70.
PMID: 26926973.