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1.6 Litispendência internacional: o princípio da não simultaneidade em direito internacional privado
De 1973 para 2015, o artigo 24 do Código de Processo Civil atualizou a matéria de litispendência (quando há um litígio pendente de julgamento por um juiz), afirmando que ações intentadas perante tribunal estrangeiro não induzem litispendência e nem impedem o conhecimento do juiz acerca da causa, exceto em casos de disposições contrárias a tratados internacionais e acordos bilaterais vigentes no Brasil. Dessa maneira, quando há alguma pendência de causa em jurisdição brasileira, é permitida a homologação de sentença judicial estrangeira para produzir efeitos no Brasil.
Entretanto, de acordo com o princípio da não simultaneidade em direito internacional privado, por mais que um fato misto/multinacional envolva mais de uma jurisdição, ele só é julgado pela qual é submetida em primeiro lugar e onde sua decisão terá validade e surtirá efeito. Diante disso, fala-se do direito da “sede-do-fato” que se refere ao centro de gravidade da ordem jurídica considerada para avaliação do fato.
Para exemplificar, pode-se considerar um casal estrangeiro que, sem possuir residência ou bens no Brasil, solicita o divórcio aqui. Nesse caso, a autoridade judiciária brasileira se desocupa de um fato que não lhe gera nenhum efeito jurídico ou econômico.
1.6.1 O art. 24 no novo CPC (antigo art. 90 do CPC de 1973) e o princípio da não simultaneidade
O artigo 24 do novo Código de Processo Civil parece contrariar o princípio da não simultaneidade em direito internacional privado. Tendo em vista o objetivo de obtenção de justiça, é possível a ação de qualquer país onde o fato possua efeitos irradiados, desde que o juiz aplique o direito da sede do fato. No entanto, analisando sob a perspectiva do artigo 24, este mostra-se fraco diante do preceito internacional, pois em face de um processo anteriormente tramitado no exterior, preserva-se autoridade estrangeira; ou em caso de sucessividade de processos na mesma causa, a sentença do segundo só será válida se de acordo com a resolução do primeiro; por fim, nada impede que a resolução de um processo estrangeiro se aplique nacionalmente, mesmo que o processo nacional já esteja em curso, pois este seria arquivado.
Do contrário, no Mercosul, o artigo 22 do Protocolo de Las Leñas sobre Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa assegura o respeito à coisa julgada e afasta a possibilidade de litispendência por estabelecer o princípio da não simultaneidade. Este artigo não revogou o preceito estabelecido pelo antigo CPC, mas implicou um compromisso nos poderes judiciários brasileiro, argentino, paraguaio e uruguaio quanto às decisões proferidas nesses países. O artigo do novo CPC, por sua vez, aplica-se a sentenças de todos os países que não fazem parte do Mercosul.
O Regulamento da Comunidade Europeia nº 44-2001 reforça ainda mais o princípio da não simultaneidade, ao dispor que em processos com a mesma causa submetidas a tribunais em diferentes Estados-membros, o tribunal acionado em segundo lugar suspende sua instância até que a competência do primeiro seja estabelecida; e então, o segundo declara-se incompetente. Além disso, o artigo 28 (1) prescreve a suspensão da instância do segundo tribunal a que ações de causas conexas é submetida.
1.6.2 Não simultaneidade x não sucessividade
O princípio da não simultaneidade não significa que um mesmo fato misto não possa ser apreciado sucessivamente, isto é, podem ser obtidos desfechos diferentes, semelhantes ou iguais de acordo com o princípio de autonomia e soberania da autoridade jurídica. 
Portanto, o direito internacional privado objetiva a determinação de qual das relações jurídicas com pontos de contato entre diferentes jurisdições deve ser aplicada conforme sua natureza jurídica.
2. Como o juiz nacional deve interpretar e aplicar o direito estrangeiro 
	As principais questões, ao aplicar direito estrangeiro, são os critérios de interpretação utilizados pelo juiz nacional. Ao se ver diante do comando de uma aplicação do direito estrangeiro, o juiz nacional não deve ficar preso aos métodos de interpretação de sua própria jurisdição. Luiz Antonio Severo da Costa afirma que “a interpretação da lei estrangeira deve ser feita no estado de espírito dessa legislação, pois os termos, os conceitos e os institutos jurídicos têm o sentido e conteúdo que ali lhe são dados”.
	Portanto, os critérios interpretativos do direito estrangeiro devem ser retirados do país de origem deste direito, assim o juiz nacional deve aplicar o direito estrangeiro como se juiz estrangeiro fosse. 
A possibilidade que o juiz nacional ao estudar o direito estrangeiro que deve aplicar no caso, ao examinar os precedentes dos tribunais daquele país, chegue a um entendimento diverso existe. Nestes casos, que são frequentes, deve o juiz nacional respeitar a interpretação dada pelo direito estrangeiro e aplicar o direito substancial estrangeiro como se fosse juiz no país de cuja legislação se trata. Assim, o juiz nacional deve chegar o mais próximo possível da decisão que o juiz local decretaria. 
Sem dúvida essa é uma tarefa muito difícil para o juiz nacional, razão pela qual as partes ao produzirem a prova do direito estrangeiro, devem colaborar para produzirem as provas mais corretas e sólidas. Assim como quando o juiz de ofício, via diplomática, buscar a prova do direito estrangeiro, deve endereçar as questões aos tribunais estrangeiros o mais claramente possível com o objetivo de facilitar o entendimento.
3. Os recursos cabíveis quanto à não aplicação, aplicação errônea, e má interpretação do direito estrangeiro
	Quando o direito internacional não é aplicado adequadamente segundo seus sistemas e critérios interpretativos, é cabível de recurso, uma vez que o direito internacional é tão adequado ao país quanto o seu próprio. Da mesma forma, quando ocorre uma má aplicação do direito estrangeiro, o juiz está ferindo as normas brasileiras de direito internacional privado. Nesse sentido, o artigo 412 do código Bustamante complementa o Código de Processo Civil brasileiro ao determinar a validade do recurso de cassação ao direito internacional nas mesmas condições em que esta pode ser feita no direito nacional. 
4. Estudo de caso: A competência da justiça brasileira e a Convenção de Haia sobre sequestro internacional de Menores
	Concebida em 1980, a Convenção de Haia surgiu no intuito de proteger crianças dos efeitos danosos do sequestro, que na época era praticado pelo genitor sem a guarda da criança. Tem por sua principal característica seu artigo 12, que prevê o retorno imediato da criança ao país de residência habitual da família, podendo haver exceções em casos nos quais fique comprovado pela parte que se opõe ao retorno da criança ao país de origem que este seja menos favorável à criança em relação à situação na qual ela se encontra. 
	No entanto, houve a necessidade de revisão, uma vez que houve um aumento de sequestros por parte de genitores com a guarda dos filhos. Com isso, fora criada a Comissão Especial de Revisão, responsável pela mudança da convenção, que veio a impossibilitar a aplicação irrestrita internamente aos Estados-membros.
	4.1 Análise Conjunta da Convenção de Haia e da Convenção da ONU sobre os direitos das crianças
	Em 2006, foi realizada a quinta reunião da comissão de revisão, na qual ficou estabelecido que a Convenção deveria ser aplicada visando o melhor interesse da criança e coerentemente à Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.
	Um dos riscos que o menor pode correr é o do caso de desconstrução do núcleo familiar, no qual a mãe não tem possibilidade de retorno ao país de origem e o pai não tem condições de cuidar do filho sozinho. Foi devido a casos como este que a alteração foi realizada, pois a Convenção não pode criar uma família artificial para a criança ou substituir o papel da mãe.
	4.2 Controvérsias (nacionais e internacionais) sobre a aplicação da Convenção de HaiaExistem duas correntes que apontam diferentes papéis primordiais à Convenção de Haia. A primeira delas acredita que a função principal da convenção é coibir o sequestro internacional, interpretando de maneira restritiva as exceções do Artigo 13º. Vale ressaltar, no entanto, que existem aqueles que acreditam na aplicação irrestrita da Convenção. Já a segunda indica que o interesse primordial é resguardar o melhor interesse da criança, portanto sua aplicação só deve ser feita quando for absolutamente demonstrado que o melhor para o menor é seu retorno. De acordo com manuais referentes a temas relacionados à saúde mental e física de criança, o retorno ao país de origem raramente é a melhor opção.
	4.3 Aplicação com restrições da Convenção de Haia
	As exceções previstas tem por objetivo equilibrar teoria e prática, uma vez que é impossível teorizar todos os casos quando o objeto de proteção é, além da criança e a defesa de seus interesses, o bem-estar da família que se desfez. As exceções previstas nos artigos 12 e 13 reafirmam, portanto, o objetivo da Convenção como resguardar os interesses da criança.
	4.4 Ação Direta de Inconstitucionalidade que tramita no STF contra a Convenção de Haia
	A sociedade brasileira discorda de certos preceitos da convenção por acreditar que estes vão contra a Constituição nacional. De acordo com a ADIN, o retorno obrigatório do menor violaria as garantias fundamentais elencadas pela Constituição federal.(AMIGOS O RESTO DO TÓPICO É INÚTIL E BASICAMENTE O BRASILEIRO NÃO TEM LIMITES)	Comment by Jessica Goulart: Anotado kkkkkk
	4.5 O poder-dever do juíz no caso concreto e a Convenção de Haia
	A interpretação restritiva supramencionada da Convenção não fere os direito dos Estados contratantes tal como não viola a reciprocidade em atos internacionais, uma vez que há possibilidade de a autoridade local decidir o dispositivo legal a ser enquadrado o caso concreto, podendo, inclusive, negar a aplicação da Convenção. 
	Uma vez que a convenção é integrada ao leque de leis nacionais, esta passa a integrar um sistema harmônico de direitos e obrigações, devendo esta sempre ser aplicada em consonância aos princípios que regem o nosso sistema jurídico. As divergências que surgem eventualmente emergem caso a caso, sendo o mais grave deles o que determina o retorno imediato da criança ao país de origem e os nos quais tal determinação confunde-se com o instituto processual da ‘antecipação da tutela”. 
	4.6. A confusão entre a “antecipação da tutela” do CPC e a figura do “retorno imediato” da Convenção de Haia 
	O retorno imediato refere-se ao procedimento administrativo que deve ser adotado pela autoridade central de modo a garantir o retorno da criança ao país de origem, devendo este ocorrer de maneira definitiva em uma situação jurídica em que não caiba mais recursos, ou seja, após ficar provado a transferência ilícita sem possibilidade de qualquer restrição à Convenção. Já o remédio jurídico da “tutela antecipada” prevê a determinação do juiz sobre qual o genitor mas capacitado ao cuidado do menor, antecipando, assim, a tutela. 
5. Os principais elementos de conexão do sistema de direito internacional privado brasileiro
5.1 O domicílio: para as relações de estado e capacidade das pessoas e o direito de família
	O art. 7º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro indica a regra de solução de conflitos de leis no espaço do sistema legal brasileiro do direito internacional privado e determina que a lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família e trata em seus parágrafos sobre realização de casamento entre estrangeiros no país, questões de domicílio entre os cônjuges, regime de bens e casos de divórcio realizado no estrangeiro entre outros. 
5.1.1 Âmbito de aplicação do art. 7º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro
	Para a determinação do direito às relações envolvendo estado, capacidade da pessoa e direitos de família, o artigo 7º adota a lei do local do domicílio (lex domicili).substituindo na época da promulgação da lei, em 1942 a lei da nacionalidade da pessoa, substituição justificada com o argumento de que a lei do domicílio seria um critério mais apropriado para disciplinar essas relações pois o domicílio é considerado o principal elemento do centro de gravidade da relação. 
	Para Savigny a lei que deve reger uma relação jurídica é aquela que mais se aproxima da natureza dessa relação, seja ela natural ou estrangeira. Essas relações ocupam espaço no plano espacial e em algum momento irradiará efeitos de modo predominante, esse espaço é conhecido como “sede da relação jurídica”. Nessa abordagem, o domicílio submete o sujeito de direito a determinado ordenamento jurídico, independente da origem ou nacionalidade.
	O estado da pessoa pode ser definido como a totalidade dos atributos que integram sua individualidade jurídica e aos quais o ordenamento reconhece ou confere determinados direitos, impondo, igualmente, deveres jurídicos. 
/	A capacidade é designada como a aptidão de uma pessoa para exercer certos direitos e realizar negócios jurídicos. No âmbito de aplicação do art. 7º e, portanto, para o direito internacional privado, a capacidade é tratada como atributo atual da pessoa e orientada para a aquisição de direitos na esfera privada. É a partir dela que a pessoa está legitimada a exercer direitos e contrair obrigações. 
5.1.2 Fundamentos históricos e valorativos do domicílio como regra de conexão no direito internacional privado e o contexto brasileiro.
Adoção da lei da nacionalidade (lex patriae) como regra de conexão para determinação do direito aplicável ao chamado estatuto pessoal.
Países como Suíça e Reino Unido, que possuem forte tradição de onda migratória, tais como países latino americanos, Estados Unidos e países da Commonwealth (Austrália e Nova Zelândia), a lei do “domicílio” foi adotada como regra de conexão para determinação do direito aplicável ao estado e capacidade das pessoas e direito de família.
Lex domicilii é ressaltada como sendo mais flexível e ajustada às situações fáticas relacionadas à mobilidade internacional. independente da sua nacionalidade.
A lex domicilli pode adquirir maior ou menor amplitude nos ordenamentos jurídicos, em especial em estados que se caracterizaram históricamente como receptores de ondas imigratórias, de força de trabalho, de alocação de capitais e investimentos e intenso comércio transfronteiriço.
O direito brasileiro também procurou se adequar a essa lógica. A Lei de Introdução de 1942, que ajustou o direito nacional às tendências já perseguidas na América Latina quanto a adoção do domicílio como regra de conexão para o estatuto pessoal.
Somente na Convenção Interamericana sobre Domicílio das Pessoas Físicas no Direito Internacional Privado de 1979 que houve o estabelecimento de critérios, como o local da residência habitual, o local do centro principal de negócios, o local de simples residência.
5.1.3 Regras de Conexão do Domicílio e da nacionalidade na determinação do direito aplicável às relações jurídicas relativas ao estado da pessoa, capacidade e direitos da família.
A opção pela lei da nacionalidade como critério para determinação do direito aplicável ao estatuto pessoal não leva em consideração a mobilidade de pessoas cada vez mais frequente no âmbito internacional 
A doutrina clássica, procura sustentar as vantagens para a adoção da lei de domicílio como regras de conexão para determinar o direito aplicável ao estatuto pessoal. Essa adoção também aponta para a preservação da autonomia individual quanto à escolha do local em que a pessoa deseja estabelecer-se, com ânimo definitivo, ou de nele fixar sua sede principal de negócios.
É relevante considerar a lei do Estado no qual o casal tenha fixado seu domicílio logo após terem os cônjuges contraído núpcias; este domicílio será considerado como sendo o “domicílio conjugal” e deverá ser estendido aos filhos não emancipados e incapazes, especialmentese considerados os efeitos protetivos objetivados originalmente.