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Apostila de Direito do Trabalho

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É certo que anteriormente à II Guerra existiam atividades prestadas por terceiros, porém não poderíamos conceituá-las como terceirização, pois somente a partir deste marco histórico é que temos a terceirização interferindo na sociedade e na economia, autorizando seu estudo pelo Direito Social, valendo lembrar que mesmo este também sofre grande aprimoramento a partir de então.
No Brasil a terceirização encontra seus primeiros sinais de existência nos Decretos-Leis nº 1.212 e nº 1.216 de 1966 (que autorizam a prestação de serviços de segurança bancária por empresas interpostas na relação de trabalho); no Decreto nº 62.756 de 1968 (que regulamenta o funcionamento de agências de colocação ou intermediação da mão-de-obra); no Decreto nº 1.034 de 1969 (que determina medidas de segurança para o funcionamento de empresas de segurança bancária).
No entanto, encontramos sinais de terceirização no artigo 455 da Consolidação das Leis do Trabalho – ou seja, autorização legal de interposição de empresa na contratação de pessoas -, que data de 1943, pois este dispositivo estabelece a responsabilidade do empreiteiro principal pelas obrigações contraídas e inadimplidas pelo subempreiteiro na contratação de pessoas para execução do contrato de subempreitada.
- A Lei nº 6.019/74 que regulamenta o trabalho temporário.
- A Lei nº 7.102/83 e Decreto nº 89.056/83 que regulamenta a exploração de serviços de vigilância e transporte de valores no setor financeiro.
- As Leis nº 8.863/94 e nº 9.017/95 – que alteraram a Lei nº 7.102/83 – estendeu a autorização para funcionamento e contratação de serviços de vigilância, incluindo a vigilância patrimonial, de pessoas físicas e transporte de qualquer outro tipo de carga, além da vigilância de valores.
- O Decreto-Lei nº 200/67 que trata da terceirização na Administração Pública.
- As Súmulas 256 (cancelada) e 331 do Tribunal Superior do Trabalho.
12.2. Conceito: 
Para Rubens Ferreira de Castro - é termo utilizado para designar uma moderna técnica de administração de empresas que visa ao fomento da competitividade empresarial através da distribuição de atividades acessórias a empresas especializadas nessas atividades, a fim de que possam concentrar-se no planejamento, na organização, no controle, na coordenação e na direção da atividade principal. 
Para Luiz Carlos Amorim Robortella – é um termo que incrustou-se definitivamente ao processo econômico, indicando a existência de um terceiro que, com competência, especialidade e qualidade, em condições de parceria, presta serviços ou produz bens para a empresa contratante.
Para Carlos Alberto Ramos Soares de Queiroz – é uma técnica administrativa que possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de transferência, a terceiros, das atividades acessórias e de apoio ao escopo das empresas que é a sua atividade-fim, permitindo a esta concentrar-se no seu negócio, ou seja, no objetivo final.
Para Mozart Victor Russomano – é o fornecimento de mão-de-obra por empresas especializadas, para atendimento de determinados setores da empresa tomadora.
Para Sérgio Pinto Martins – é a possibilidade de contratar terceiro para a realização de atividades que não constituem o objeto principal da empresa.
Para Livio Giosa – é um processo de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, ficando a empresa concentrada apenas em tarefas essencialmente ligadas ao negócio em que atua.
12.3. Nova Técnica de Administração ou Mera Redução de Custos.
Os doutrinadores divergem sobre os efeitos da terceirização.
Alguns acham que a terceirização traz consigo a redução de custos, a eliminação de postos de trabalho, manutenção de reduzido quadro de empregados, economia com contratação e treinamento, com encargos sociais, etc. 
Os doutrinadores que divergem dessa teoria sob o argumento de que a empresa prestadora dos serviços também terá tais encargos e os repassará ao custo final do serviço.
A outra corrente sustenta tratar-se de um avanço das técnicas de administração possibilitando que:
-um maior número de empresas em funcionamento, com evidente distribuição de capital para um maior número de pessoas;
-redução de procedimentos administrativos internos, com equivalente redução de custos indiretos;
-melhora da qualidade dos serviços, decorrente da especialização, com efetiva redução do custo do produto final;
-simplificação da organização, com direcionamento dos recursos humanos e materiais para o aperfeiçoamento da atividade principal, quer produtos, quer serviços.
12.4. Natureza Jurídica:
É contratual, consistindo no acordo de vontade celebrado entre duas empresas, de um lado a contratante, denominada tomadora, e de outro lado a contratada, denominada prestadora, pelo qual uma prestará serviços especializados de forma continuada à outra, em caráter de parceria.
12.5. Limitação à Prestação de Serviços:
A terceirização limita-se apenas e tão-somente à prestação dos serviços, excluída a possibilidade de se terceirizar a produção de bens.
07.6. Terceirização na Administração Pública:
Nem toda a atividade do serviço público pode ser terceirizada.
A Lei nº 5.645/70 já dispunha em seu artigo 3º, parágrafo único, que as atividades relacionadas com transporte, conservação, custódia, operação de elevadores, limpeza e outras assemelhadas, serão de preferência, objeto de execução indireta, mediante contrato.
 A Lei nº 8.666/93, em seu artigo 6º, inciso II, dispõe que é possível a contratação de serviços pela Administração Pública, definindo-os como toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnicos profissionais.
Observação: o rol previsto no artigo 6º, inciso II, da Lei nº 8.666/93 é meramente exemplificativo. 
O mesmo ocorre em relação às atividades contidas na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho. Exemplo é o serviço de cujas atividades são de digitalização de documentos, muito utilizado por parte dos bancos. 
12.7. Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: 
Dispõe a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho:
CONTRATAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – LEGALIDADE – INCISO IV ALTERADO PELA RESOLUÇÃO 96/2000, DJ 18.9.2000.
I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 3.1.1974).
II – A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/88).
III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.6.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta.
IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93, de 21.6.1993).
V – Os entes integrantes da administração pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.
VI – A responsabilidade subsidiária